Despertar Interior

por Patanga

 
Outro dia estava lendo um site do colega inglês Tejvan (http://cyclinginfo.co.uk/blog/), que, além de praticar meditação sob a orientação de Sri Chinmoy, é um exímio ciclista (24o. lugar no campeonato nacional de contra-relógio na Inglaterra e 4o. lugar nacional no campeonato de subidas). Ele estava comentando sobre a dificuldade que os ciclistas enfrentam no trânsito, onde muitas vezes os motoristas dos carros pensam "rua não é lugar de bicicleta, o carro tem preferência, etc, etc...", a despeito das leis de trânsito obrigarem os ciclistas a andarem na rua, com até 1 metro de distância do meio-fio, e até estipulam uma distância de 1,5 metro que os carros devem manter dos ciclistas (isso no Brasil).
 
Recentemente eu estive na Malásia e em Cingapura, por conta das atividades da meditação. Uma das coisas que me tocou nesses países, além da tolerância religiosa e a evidente sinceridade em suas práticas espirituais, foi a pureza e sinceridade de caráter de todas as pessoas. Ninguém fura fila. Nas ruas, não há lixo. No metrô, tudo é impecável. Em Nova Iorque, por exemplo, o sistema e estações de metrô estão inteiras cobertas por pelo menos 50 anos de chicletes mastigados - parece bobo, mas tornou-se um lugar bastante ruim para se passar tempo.
 
Em Cingapura (que é uma metrópole no estilo São Paulo ou Nova Iorque), um taxista me deixou na frente de um templo que eu queria visitar com alguns colegas. Logo em seguida outro taxista parou e me explicou que talvez eu quisesse visitar o outro - o maior de Cingapura, que era próximo. Ele me viu e imaginou que o primeiro taxista tivesse se enganado. Eu, sendo brasileiro, fiquei meio desconfiado de que ele só quisesse me cobrar algo, mas por fim senti que deveria ir. Ele realmente me levou para o templo correto. E não quis cobrar - se um colega taxista tinha me deixado no local errado, ele sentiu que era seu dever me deixar no lugar certo, mesmo que isso lhe custasse tempo e combustível. Eu ofereci alguns dólares, mas tive que insistir para que ele aceitasse - ele só aceitou quando eu expliquei que era não pela corrida, mas pela sinceridade e amabilidade que demonstrou. Para ele, isso era simplesmente parte do seu dia-a-dia.
 
Chegando de volta em Guarulhos, a situação muda um pouco. Cingapura tem um aeroporto maior do que Guarulhos. No entanto, mesmo sendo menor, o de Guarulhos é muito mais desorganizado - fiquei um pouco desnorteado, por estar me acostumando com um padrão diferente na Ásia. Ao embarcar no ônibus que iria me levar para a rodoviária, um senhor fura a fila grosseiramente - quase empurrando. Vale notar que o ônbibus só iria sair depois que todos tivessem embarcados, o que quer dizer que não havia nem mesmo motivo para que ele furasse a fila. Diversas experiências similares repetiram-se em poucas horas depois da minha chegada no Brasil.
 
Primeiro os carros x bicicletas no trânsito, depois a questão da educação entre as pessoas. Isso tudo me deixou pensando. Como resolver? É preciso resolver? De onde essas imperfeições se originam?
 
De onde essas imperfeições se originam?
 
Minha humilde resposta é que se originam de cada ego individual, auxiliado pelo "ego geral" do seu ambiente - que, de novo, é constituído pelos egos individuais. A gente cria a nossa própria realidade. Se uma pessoa se comporta bem, outra pessoa se comporta bem, todos se comportam bem, o país se comporta bem - e forma uma BASE moral e espiritual para um verdadeiro progresso interior e exterior. A partir dessa base, a aspiração individual pode seguir desobstruída e caminhar em direção a uma maior perfeição. Não dá pra por a culpa no presidente e nem nas outras pessoas. Cada um é responsável pelo seu pequeno mundo - que cresce.
 
 
É preciso resolver?
Como resolver?
 
Dando roupas aos pobres? Dando comida aos necessitados? Tirando os chicletes do metrô em Nova Iorque? Dizendo para o senhor na minha frente que ele não deve furar a fila? (É capaz que eu ouça um xingamento ainda - se alguém está furando a fila, a pessoa sabe que está fazendo a coisa errada e provavelmente vai estar "no ritmo" para fazer mais algo negativo.)
 
Tenho a impressão que, por mais que as boas ações sejam de valia, elas não são a resolução definitiva para as questões de transformação.
 
Confesso que tenho pensado e que, a cada dia que passa, fico mais certo de que a mudança tem de vir a partir do interior de cada um: a transformação de cada ego individual em um coração-unicidade cheio de pureza, sinceridade e humildade. E a virtude moral, por mais que seja de ajuda, não basta para a transformação interior completa. É necessário mais. É necessário querer essa transformação. É preciso estar DESPERTO para essa NECESSIDADE. É o motivo pelo qual existimos - não para comer, dormir, procriar ou simplesmente manter um certo nível moral - mas para tornar a nossa natureza humana aquilo de mais elevado que possamos imaginar. Imagine a Perfeição de Deus. Acho que a nossa meta não é e nem pode ser nada menos do que isso. Começamos pouco a pouco, mas logo adquirimos velocidade. E, como tudo na vida, um dia reparamos em quanto progresso fizemos. E isso nos traz uma satisfação enorme, tão enorme que quaisquer conquistas materiais (status, emprego, posses, etc.) empalidecem até o ponto de trânsparência diante da realidade e preenchimento que as conquistas interiores nos trazem.
 
Esse DESPERTAR acontece numa certa hora para cada pessoa. Sri Chinmoy a chama de "a Hora de Deus". Pode ser que não tenha chegado ainda para o seu vizinho ou colega de trabalho. Mas talvez tenha chegado para você, que parou para ler este artigo. Quem sabe?
 
Desejo-lhe todo o entusiasmo, alegria e força de vontade em sua jornada, que começa e recomeça a cada momento.
 
 
"Our outer achievements
Will sooner or later
Pale into insignificance."
 
"Our inner achievements
Pave the way
To our destined Goal."
 
- Sri Chinmoy
 
Seventy-Seven Thousand Service-Trees, Part 39, Agni Press, 2004. Poemas de números 38.126 e 38.127. Mais leituras em www.srichinmoylibrary.com (todos os livros são de acesso gratuito)
DESPERTAR INTERIOR
 
Outro dia estava lendo um site do colega inglês Tejvan (http://cyclinginfo.co.uk/blog/), que, além de praticar meditação sob a orientação de Sri Chinmoy, é um exímio ciclista (24o. lugar no campeonato nacional de contra-relógio na Inglaterra e 4o. lugar nacional no campeonato de subidas). Ele estava comentando sobre a dificuldade que os ciclistas enfrentam no trânsito, onde muitas vezes os motoristas dos carros pensam "rua não é lugar de bicicleta, o carro tem preferência, etc, etc...", a despeito das leis de trânsito obrigarem os ciclistas a andarem na rua, com até 1 metro de distância do meio-fio, e até estipulam uma distância de 1,5 metro que os carros devem manter dos ciclistas (isso no Brasil).
 
Recentemente eu estive na Malásia e em Cingapura, por conta das atividades da meditação. Uma das coisas que me tocou nesses países, além da tolerância religiosa e a evidente sinceridade em suas práticas espirituais, foi a pureza e sinceridade de caráter de todas as pessoas. Ninguém fura fila. Nas ruas, não há lixo. No metrô, tudo é impecável. Em Nova Iorque, por exemplo, o sistema e estações de metrô estão inteiras cobertas por pelo menos 50 anos de chicletes mastigados - parece bobo, mas tornou-se um lugar bastante ruim para se passar tempo.
 
Em Cingapura (que é uma metrópole no estilo São Paulo ou Nova Iorque), um taxista me deixou na frente de um templo que eu queria visitar com alguns colegas. Logo em seguida outro taxista parou e me explicou que talvez eu quisesse visitar o outro - o maior de Cingapura, que era próximo. Ele me viu e imaginou que o primeiro taxista tivesse se enganado. Eu, sendo brasileiro, fiquei meio desconfiado de que ele só quisesse me cobrar algo, mas por fim senti que deveria ir. Ele realmente me levou para o templo correto. E não quis cobrar - se um colega taxista tinha me deixado no local errado, ele sentiu que era seu dever me deixar no lugar certo, mesmo que isso lhe custasse tempo e combustível. Eu ofereci alguns dólares, mas tive que insistir para que ele aceitasse - ele só aceitou quando eu expliquei que era não pela corrida, mas pela sinceridade e amabilidade que demonstrou. Para ele, isso era simplesmente parte do seu dia-a-dia.
 
Chegando de volta em Guarulhos, a situação muda um pouco. Cingapura tem um aeroporto maior do que Guarulhos. No entanto, mesmo sendo menor, o de Guarulhos é muito mais desorganizado - fiquei um pouco desnorteado, por estar me acostumando com um padrão diferente na Ásia. Ao embarcar no ônibus que iria me levar para a rodoviária, um senhor fura a fila grosseiramente - quase empurrando. Vale notar que o ônbibus só iria sair depois que todos tivessem embarcados, o que quer dizer que não havia nem mesmo motivo para que ele furasse a fila. Diversas experiências similares repetiram-se em poucas horas depois da minha chegada no Brasil.
 
Primeiro os carros x bicicletas no trânsito, depois a questão da educação entre as pessoas. Isso tudo me deixou pensando. Como resolver? É preciso resolver? De onde essas imperfeições se originam?
 
De onde essas imperfeições se originam?
 
Minha humilde resposta é que se originam de cada ego individual, auxiliado pelo "ego geral" do seu ambiente - que, de novo, é constituído pelos egos individuais. A gente cria a nossa própria realidade. Se uma pessoa se comporta bem, outra pessoa se comporta bem, todos se comportam bem, o país se comporta bem - e forma uma BASE moral e espiritual para um verdadeiro progresso interior e exterior. A partir dessa base, a aspiração individual pode seguir desobstruída e caminhar em direção a uma maior perfeição. Não dá pra por a culpa no presidente e nem nas outras pessoas. Cada um é responsável pelo seu pequeno mundo - que cresce.
 
 
É preciso resolver?
Como resolver?
 
Dando roupas aos pobres? Dando comida aos necessitados? Tirando os chicletes do metrô em Nova Iorque? Dizendo para o senhor na minha frente que ele não deve furar a fila? (É capaz que eu ouça um xingamento ainda - se alguém está furando a fila, a pessoa sabe que está fazendo a coisa errada e provavelmente vai estar "no ritmo" para fazer mais algo negativo.)
 
Tenho a impressão que, por mais que as boas ações sejam de valia, elas não são a resolução definitiva para as questões de transformação.
 
Confesso que tenho pensado e que, a cada dia que passa, fico mais certo de que a mudança tem de vir a partir do interior de cada um: a transformação de cada ego individual em um coração-unicidade cheio de pureza, sinceridade e humildade. E a virtude moral, por mais que seja de ajuda, não basta para a transformação interior completa. É necessário mais. É necessário querer essa transformação. É preciso estar DESPERTO para essa NECESSIDADE. É o motivo pelo qual existimos - não para comer, dormir, procriar ou simplesmente manter um certo nível moral - mas para tornar a nossa natureza humana aquilo de mais elevado que possamos imaginar. Imagine a Perfeição de Deus. Acho que a nossa meta não é e nem pode ser nada menos do que isso. Começamos pouco a pouco, mas logo adquirimos velocidade. E, como tudo na vida, um dia reparamos em quanto progresso fizemos. E isso nos traz uma satisfação enorme, tão enorme que quaisquer conquistas materiais (status, emprego, posses, etc.) empalidecem até o ponto de trânsparência diante da realidade e preenchimento que as conquistas interiores nos trazem.
 
Esse DESPERTAR acontece numa certa hora para cada pessoa. Sri Chinmoy a chama de "a Hora de Deus". Pode ser que não tenha chegado ainda para o seu vizinho ou seu colega. Mas talvez tenha chegado para você, que parou para ler este artigo. Quem sabe?
 
Desejo-lhe todo o entusiasmo, alegria e força de vontade em sua jornada, que começa e recomeça a cada momento.
 
 
"Our outer achievements
Will sooner or later
Pale into insignificance."
 
"Our inner achievements
Pave the way
To our destined Goal."
 
- Sri Chinmoy
 
Seventy-Seven Thousand Service-Trees, Part 39, Agni Press, 2004. Poemas de números 38.126 e 38.127. Mais leituras em www.srichinmoylibrary.com (todos os livros são de acesso gratuito)
Outro dia estava lendo um site do colega inglês Tejvan, que, além de praticar meditação sob a orientação de Sri Chinmoy, é um exímio ciclista (24o. lugar no campeonato nacional de contra-relógio na Inglaterra e 4o. lugar nacional no campeonato de subidas). Ele estava comentando sobre a dificuldade que os ciclistas enfrentam no trânsito, onde muitas vezes os motoristas dos carros pensam "rua não é lugar de bicicleta, o carro tem preferência, etc, etc...", a despeito das leis de trânsito obrigarem os ciclistas a andarem na rua, com até 1 metro de distância do meio-fio, e até estipulam uma distância de 1,5 metro que os carros devem manter dos ciclistas (isso no Brasil).
 
cingapura.jpg
um bairro em Cingapura ao longo do rio
 
Recentemente eu estive na Malásia e em Cingapura, por conta das atividades da meditação. Uma das coisas que me tocou nesses países, além da tolerância religiosa e a evidente sinceridade em suas práticas espirituais, foi a pureza e sinceridade de caráter de todas as pessoas. Ninguém fura fila. Nas ruas, não há lixo. No metrô, tudo é impecável. Em Nova Iorque, por exemplo, o sistema e estações de metrô estão inteiras cobertas por pelo menos 50 anos de chicletes mastigados - parece bobo, mas tornou-se um lugar bastante ruim para se passar tempo.
 
Em Cingapura (que é uma metrópole no estilo São Paulo ou Nova Iorque), um taxista me deixou na frente de um templo que eu queria visitar com alguns colegas. Logo em seguida outro taxista parou e me explicou que talvez eu quisesse visitar o outro - o maior de Cingapura, que era próximo. Ele me viu e imaginou que o primeiro taxista tivesse se enganado. Eu, sendo brasileiro, fiquei meio desconfiado de que ele só quisesse me cobrar algo, mas por fim senti que deveria ir. Ele realmente me levou para o templo correto. E não quis cobrar - se um colega taxista tinha me deixado no local errado, ele sentiu que era seu dever me deixar no lugar certo, mesmo que isso lhe custasse tempo e combustível. Eu ofereci alguns dólares, mas tive que insistir para que ele aceitasse - ele só aceitou quando eu expliquei que era não pela corrida, mas pela sinceridade e amabilidade que demonstrou. Para ele, isso era simplesmente parte do seu dia-a-dia.
 
Chegando de volta em Guarulhos, a situação muda um pouco. Cingapura tem um aeroporto maior do que Guarulhos. No entanto, mesmo sendo menor, o de Guarulhos é muito mais desorganizado - fiquei um pouco desnorteado, por estar me acostumando com um padrão diferente na Ásia. Ao embarcar no ônibus que iria me levar para a rodoviária, um senhor fura a fila grosseiramente - quase empurrando. Vale notar que o ônbibus só iria sair depois que todos tivessem embarcados, o que quer dizer que não havia nem mesmo motivo para que ele furasse a fila. Diversas experiências similares repetiram-se em poucas horas depois da minha chegada no Brasil.
 
Primeiro os carros x bicicletas no trânsito, depois a questão da educação entre as pessoas. Isso tudo me deixou pensando. Como resolver? É preciso resolver? De onde essas imperfeições se originam?
 

De onde essas imperfeições se originam?

Minha humilde resposta é que se originam de cada ego individual, auxiliado pelo "ego geral" do seu ambiente - que, de novo, é constituído pelos egos individuais. A gente cria a nossa própria realidade. Se uma pessoa se comporta bem, outra pessoa se comporta bem, todos se comportam bem, o país se comporta bem - e forma uma BASE moral e espiritual para um verdadeiro progresso interior e exterior. A partir dessa base, a aspiração individual pode seguir desobstruída e caminhar em direção a uma maior perfeição. Não dá pra por a culpa no presidente e nem nas outras pessoas. Cada um é responsável pelo seu pequeno mundo - que cresce.


É preciso resolver?

Como resolver?

Dando roupas aos pobres? Dando comida aos necessitados? Tirando os chicletes do metrô em Nova Iorque? Dizendo para o senhor na minha frente que ele não deve furar a fila? (É capaz que eu ouça um xingamento ainda - se alguém está furando a fila, a pessoa sabe que está fazendo a coisa errada e provavelmente vai estar "no ritmo" para fazer mais algo negativo.)
 
Tenho a impressão que, por mais que as boas ações sejam de valia, elas não são a resolução definitiva para as questões de transformação.
 
Confesso que tenho pensado e que, a cada dia que passa, fico mais certo de que a mudança tem de vir a partir do interior de cada um: a transformação de cada ego individual em um coração-unicidade cheio de pureza, sinceridade e humildade. E a virtude moral, por mais que seja de ajuda, não basta para a transformação interior completa. É necessário mais. É necessário querer essa transformação. É preciso estar DESPERTO para essa NECESSIDADE. É o motivo pelo qual existimos - não para comer, dormir, procriar ou simplesmente manter um certo nível moral - mas para tornar a nossa natureza humana aquilo de mais elevado que possamos imaginar. Imagine a Perfeição de Deus. Acho que a nossa meta não é e nem pode ser nada menos do que isso. Começamos pouco a pouco, mas logo adquirimos velocidade. E, como tudo na vida, um dia reparamos em quanto progresso fizemos. E isso nos traz uma satisfação enorme, tão enorme que quaisquer conquistas materiais (status, emprego, posses, etc.) empalidecem até o ponto de trânsparência diante da realidade e preenchimento que as conquistas interiores nos trazem.
 
Esse DESPERTAR acontece numa certa hora para cada pessoa. Sri Chinmoy a chama de "a Hora de Deus". Pode ser que não tenha chegado ainda para o seu vizinho ou seu colega. Mas talvez tenha chegado para você, que parou para ler este artigo. Quem sabe?
 
Desejo-lhe todo o entusiasmo, alegria e força de vontade em sua jornada, que começa e recomeça a cada momento.

"Our outer achievements
Will sooner or later
Pale into insignificance."
 
"Our inner achievements
Pave the way
To our destined Goal."
 
- Sri Chinmoy
 
Seventy-Seven Thousand Service-Trees, Part 39, Agni Press, 2004. Poemas de números 38.126 e 38.127. Mais leituras em www.srichinmoylibrary.com (todos os livros são de acesso gratuito)