Amor, relacionamentos, energia sexual, celibato e a busca espiritual

por Patanga Cordeiro, com textos de Sri Chinmoy

meditacao

 

Um relacionamento:

Na sua vida exterior

E

Na sua vida de desejo,

O que ele é?

Uma corrente ou a sua unicidade?

Na sua vida interior

e

Na sua vida-aspiração,

O que ele é?

Sua unicidade ou uma corrente?

  • Sri Chinmoy

 

Ao observarmos as vidas dos grandes Mestres espirituais, como o Cristo, o Buda, Ramakrishna, etc, podemos ver uma temática comum: a pureza.

Essa pureza se manifesta em diversos aspectos: pureza nas ações, pureza vibracional, pureza física (limpeza, asseio), pureza mental (pensamentos corretos ou uma mente em silêncio) e, é claro, a pureza emocional e sexual.

Aos interessados no artigo, passaremos pelos seguintes tópicos hoje:

  • Pureza, energia e a meta da vida.
  • Casamento espiritual e não espiritual
  • Solteiros e o celibato
  • Tantra e outros mal entendidos

Não tentarei escrever um artigo com começo e fim, mas sim uma compilação de ensinamentos e histórias.

 

Purificação da energia sexual

Um dos princípios por traz da purificação de todas essas energias é o que se conhece como um balanço de energia na linguagem de engenharia. A natureza é medida por engenheiros, descoberta por físicos, aproveitada por nutricionistas, etc, de acordo com verdades bem simples. Eu colocarei aqui de forma bem simples também:

Quanto menos energia for gasta ou desperdiçada, mais energia estará disponível para fazer o que você realmente quiser ou levar você onde quiser chegar.

Colocando em linguagem do dia a dia, se você tiver vários empregos, certamente terá bastante dinheiro, mas não terá tempo livre. Se tiver uma família grande, nunca estará sozinho, mas nunca conseguirá passar um tempo sozinho (estará sempre atendendo as necessidades da família). O fato é que esses exemplos que passamos agora são parte da vida que é necessária, mas para o qual direcionar uma quantidade desnecessária de energia não será produtivo no final.

Foi bem isso o que fizeram os Mestres espirituais que tiveram uma vida de celibato. Ou, no caso de alguns, como o Buda, uma vez que despertaram para a vida espiritual, imediatamente os laços conjugais são transcendidos. No caso de Sri Ramakrishna, a esposa nunca foi um cônjuge ou objeto de desejos – era uma irmã espiritual e discípula. O Cristo e, em verdade, a maioria dos professores espirituais verdadeiros nunca tiveram relacionamentos. É uma questão simples: onde você quer chegar.

 

A beleza e a pureza interior

Question: “What does ‘chastity’ mean exactly and why is it necessary?”

Sri  Chinmoy: “Chastity means inner purity, inner beauty. If we enter into  our heart-garden, there we see the heart as a flower and we see that  this flower has tremendous fragrance. If we see a flower, first we  appreciate the beauty of the flower. Then if we see that that flower has  fragrance, we appreciate that flower more.

“Here, inner beauty  is chastity. If we are pure, then we feel that our inner beauty expands and our inner fragrance increases. In the spiritual life, we try to please God as much as possible. If there is a way to please God more, then we try to adopt that particular way. The necessity of chastity is  not only my philosophy. Other Indian spiritual Masters as well as the  Saviour Christ have given so much importance to chastity because they  know that if we have chastity, then we can make very fast progress. Chastity, inner beauty and inner purity expand our divine reality.”

-Sri Chinmoy, Sri Chinmoy answers, part 19, Agni Press, 1999

 

 

Encontrando a satisfação verdadeira, a satisfação em si mesmo: o Amor Divino

texto de Sri Chinmoy do livro Amor

 

AMOR HUMANO E AMOR DIVINO

 

Possua e seja feliz:

De fato,

Essa é a definição

Do amor humano.

 

Torne-se um e seja feliz:

De fato,

Essa é a definição

Do amor divino.

 

Há dois tipos de amor: amor humano e amor divino. Com o amor divino, nós vamos primeiro à raiz, ao Um, à Fonte e, a partir daí, nós vamos à multiplicidade, aos ramos e folhas, as flores e frutos. Amor divino é a canção da multiplicidade na unidade.

No amor humano há uma exigência ou, no mínimo, expectativa. Muito frequentemente começamos com uma exigência. Mesmo quando uma sabedoria mais elevada desperta, ainda esperamos algo dos outros. Convencemos a nós mesmos que essa expectativa é justificada. Já que nós fizemos algo pelos outros – oferecemos nosso amor – sentimos que é bastante legítimo esperar algo em retorno.

No amor humano não há somente exigência e expectativa, mas há algo pior: afastamento. Primeiro nós exigimos e então esperamos algo. Quando nossa expectativa não é cumprida, tentamos nos afastar da pessoa a quem nós oferecemos o nosso amor. No amor divino, nunca é assim. Com o amor divino, tentamos nos tornar um com as imperfeições dos outros. Desse modo podemos entendê-los e servi-los, com uma intenção de transformar as imperfeições deles.

No amor humano há frequentemente o sentimento de supremacia. ‘’Eu devo amar você, sem dúvida, mas eu desejo permanecer um centímetro mais alto do que você.’’ O superior ama o inferior porque ele está satisfeito com sua posição nessa relação. O inferior muito frequentemente ama o superior por causa da sua insegurança. Então o amor humano amarra os dois e dá a ambos algum sentimento de satisfação. Mas no amor divino não há tal coisa como superioridade e inferioridade. Amor divino sempre se doa livremente e de todo o coração.

No amor humano, sentimos que a satisfação existe em algum outro lugar – não dentro de nós, mas em outro alguém. Muito frequentemente a frustração vem porque sentimos que outro alguém não está nos dando o amor de que nós precisamos ou queremos.

Mas, no amor divino, satisfação é encontrada em lugar nenhum a não ser em nós mesmos. O amante e o Amado são um e o mesmo – o Supremo habitante dentro de nós e o Supremo dora de nós.

Viemos do Uno e existimos para a multiplicidade. Tal é a quintessência do amor divino.

 

 

O cristianismo e os relacionamentos

Mesmo no ocidente, o assunto não muda de tônica. O cristianismo é uma das filosofias mais bem difundidas por aqui, e dos seus ensinamentos podemos tirar conclusões idênticas aos ensinamentos do oriente.

O discípulo Paulo em sua Carta aos Coríntios, 1-7, fala extensamente sobre relacionamentos e casamento. Separei aqui os trechos onde ele fala sobre a meta ideal, e deixei de lado algumas concessões. Por isso, esse texto é particularmente interessante para os que são solteiros. Se você é casado, sugiro ler o texto integral da página casamento espiritual, pois algumas partes do seu interesse foram omitidas aqui, para não ficar muito longo o artigo todo. Segue:

 

Quanto aos assuntos sobre os quais vocês escreveram, é bom que o homem não toque em mulher …

Gostaria que todos os homens fossem como eu; mas cada um tem o seu próprio dom da parte de Deus; um de um modo, outro de outro.
Digo, porém, aos solteiros e às viúvas: é bom que permaneçam como eu.

Você, mulher, como sabe se salvará seu marido? Ou você, marido, como sabe se salvará sua mulher?
Entretanto, cada um continue vivendo na condição que o Senhor lhe designou e de acordo com o chamado de Deus. Esta é a minha ordem para todas as igrejas.

Cada um deve permanecer na condição em que foi chamado por Deus.
Foi você chamado sendo escravo? Não se incomode com isso. Mas, se você puder conseguir a liberdade, consiga-a.
Pois aquele que, sendo escravo, foi chamado pelo Senhor, é liberto e pertence ao Senhor; semelhantemente, aquele que era livre quando foi chamado, é escravo de Cristo.
Vocês foram comprados por alto preço; não se tornem escravos de homens.
Irmãos, cada um deve permanecer diante de Deus na condição em que foi chamado.
Quanto às pessoas virgens, não tenho mandamento do Senhor, mas dou meu parecer como alguém que, pela misericórdia de Deus, é digno de confiança.
Por causa dos problemas atuais, penso que é melhor o homem permanecer como está.
Você está casado? Não procure separar-se. Está solteiro? Não procure esposa.

O que quero dizer é que o tempo é pouco. De agora em diante, aqueles que têm esposa, vivam como se não tivessem;

Gostaria de vê-los livres de preocupações. O homem que não é casado preocupa-se com as coisas do Senhor, em como agradar ao Senhor.
Mas o homem casado preocupa-se com as coisas deste mundo, em como agradar sua mulher, e está dividido. Tanto a mulher não casada como a virgem preocupam-se com as coisas do Senhor, para serem santas no corpo e no espírito. Mas a casada preocupa-se com as coisas deste mundo, em como agradar seu marido.
Estou dizendo isso para o próprio bem de vocês; não para lhes impor restrições, mas para que vocês possam viver de maneira correta, em plena consagração ao Senhor.

 

 

A vontade da alma – como saber se devo ser casado ou solteiro na minha busca espiritual?

Pergunta: Eu quero encontrar minha alma companheira antes de embarcar na minha jornada espiritual. Eu sinto que deve me ajudar se eu encontrar a pessoa certa com quem compartilhar minha jornada espiritual.

Sri Chinmoy: Isso é tudo besteira! Se você realmente quer correr o mais rápido até a sua Meta, sua Fonte, que é o Supremo, você tem de sentir que todos os homens são seus irmãos e todas as mulheres são suas irmãs.

Pelos textos que já lemos, dá para ter uma noção melhor do que a nossa alma realmente quer de nós: o nosso progresso.

Em geral, como no texto do apóstolo Paulo, um buscador espiritual tem uma vida de pureza, uma vida de solteiro e até de celibato.

No entanto, existem algumas exceções.

Ilustro com uma história. Conto de memória, então os detalhes pequenos podem apresentar variação.

Sri Ramakrishna tinha dois discípulos que podem ser considerados seus discípulos principais – Swami Vivekananda e Swami Brahmananda. Na Índia dos anos 1800, era comum que os pais casassem os filhos sem o seu consentimento.

Swami Vivekananda desde criança dizia que não queria se casar. Num certo dia ouviu os rumores de que sua família queria que ele se cassasse com uma certa moça. Isso chegou até o seu Mestre, Sri Ramakrishna, que chorou inconsolavelmente, dizendo “Não, eles não podem fazer isso! O meu Naren (Vivekananda) não pode ficar amarrado a essas coisas,” etc. No final, é claro que ele não se casou.

Com Swami Brahmananda a mesma situação surgiu, mas Sri Ramakrishna teve uma reação completamente diferente. Ele ficou interessado no assunto, queria saber quem era a moça, etc. Um dos comentários que fez é que Brahmananda ainda precisava ter certas experiências, e que com apenas um pouquinho dessas experiências ele ficaria saciado e se dedicaria completamente à vida espiritual. E foi o que aconteceu. Ele vivia a maior parte do tempo com o Mestre e tinha uma relação de irmão com a esposa.

Assim, o Mestre espiritual consegue enxergar no nosso âmago e nos contar aquilo que realmente desejamos.

 

Repare na consistência dos ensinamentos de Sri Chinmoy, Sri Ramakrishna, Paulo, etc. Épocas diferentes, continentes diferentes, sociedades diferentes, mas uma consistência perfeita nos ensinamentos. Não é maravilhoso?

 

Apêndice: Tantra e Kama Sutra

Aqui deixo apenas um breve comentário. Dois tipos de Tantra: mão esquerda e mão direta. O Tantra da mão direita é um caminho de extrema pureza. E o Tantra da mão esquerda é um caminho onde o buscador observa o negativo, a escuridão e a NEGA como realidade. Práticas comuns são meditar sentado sobre cadáveres em putrefação em cemitérios, meditar se concentrando intensamente numa caveira humana (para superar o asco da morte) e etc. Há uma disciplina desse tantra que envolve tentar ver a Divindade no sexo oposto – algo que, assim como meditar sentado em um cadáver em putrefação, é algo muito difícil de se conseguir fazer de forma plena. Se alguém pensa que Tantra é o uso do sexo, sugiro começar a ler livros espirituais e praticar a espiritualidade. Logo o seu interesse por esse tipo de assunto irá diminuir e você começará a encontrar uma alegria e felicidade genuína na sua vida.

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