Estou procurando algo, mas não sei o quê

por Patanga Cordeiro

 

“Dear friends, dear brothers and sisters, dear distinguished professors and deans, here we are all seekers. We are sailing in the same boat, the boat that is carrying us to the Golden Shore of the Beyond. Nothing gives me a greater sense of satisfaction than to be of dedicated service to seekers, for I am also a seeker, an eternal seeker, a seeker of the infinite Truth and Light. …” – Sri Chinmoy, The Meaning of Discipleship

 

 

Picture-5-400x240Se você se depara com a realidade de que está procurando algo, mas não sabe o quê, sinta-se um felizardo. Se você procura por algo que a maioria das pessoas não compreende ou nunca ouviu falar, isso quer dizer que está pronto para ir além do ordinário. Pronto para se descobrir como um ser extraordinário.

 

Você é um buscador. Um buscador da satisfação permanente, genuína. Salvação, Libertação, Nirvana, Realização – todos são termos similares que indicam um estado de beatitude que não se encontra simplesmente em ir ao trabalho, estudar, lidar com a família, descansar nos fins de semana…

 

Tentei compilar uma lista de coisas que indicam que você deve estar despertando e pronto para “algo mais”. Não é uma lista exaustiva – certamente existem muitos outros sinais. Mas esses são os que eu consegui agrupar aqui, baseados nas minhas experiências pessoais e também nas que me contam durante os cursos de meditação. Acho que você só compreenderá o que eu quis dizer em cada um dos temas se estiver passando pela situação descrita. Também não há questão de “superior ou inferior”. São momentos, experiências.

 

 

“Quero mudar”

 

Vontade de mudar algo que é dogmático na sociedade. Bons exemplos: dieta vegetariana, largar de vícios como álcool e cigarro, etc. Todo mundo sabe que é certo, mas (quase) ninguém faz. Você simplesmente não aguenta mais e muda. Talvez não conheça ninguém que tenha mudado, mas você o faz sozinho, a despeito de todos. Ou pode ser até algo bem simples, bem pequeno. No meu caso, eu lembro que, quando tinha uns 16 anos, eu só bebia sucos doces e refrigerantes. Eu não tomava água de jeito nenhum. Aí eu simplesmente resolvi parar de tomar as outras coisas. Resultado: aprendi a gostar de água e me senti capaz de me transformar. A partir daí eu comecei a mudar mais coisas em mim mesmo, até que cheguei na meditação. E hoje em dia eu posso beber tanto água quanto refrigerantes, sem estar vinculado a nada. Outro exemplo comum é começar a praticar esportes, no caso de uma pessoa sedentária. Eu fiquei muito tempo sem me exercitar (digamos, da infância até os 16 anos). Com 16 anos, comecei a praticar esgrima japonesa. O primeiro treino foi MUITO cansativo. Mas eu cheguei em casa com uma alegria que ia além da euforia. Só podia ser algo da minha alma – ela devia estar feliz, pois eu estava fazendo algo que ela queria que eu fizesse.

 

 

“Buscas extremas”

 

Algumas pessoas, quando procuram por algo que não sabem o que é, mas não encontram, tendem a procurar experiências cada vez mais fortes, no intuito de encontrar algo genuíno. A exemplo, tenho colegas que eram de bandas de heavy metal quando encontraram a meditação. Alguns começaram a usar drogas, etc, mas, no caso particular deles, não era uma questão de autodestruição. Eles estavam procurando. Algumas pessoas largam um emprego que paga um ótimo salário para fazer algo braçal. Outro exemplo interessante é o Ayrton Senna. Se você puder ver as entrevistas e gravações das corridas (há alguns filmes sobre ele), você verá que ele ia muito além do que os outros pilotos consideravam um limite. E ele teve experiências espirituais e um despertar interior muito evidente.

 

 

“O santinho”

 

Essa é uma versão oposta do “buscas extremas”. Uma pessoa equilibrada, com tendências angelicais, compassivas, sincero, honesto, puro, mas ainda dinâmico, buscador, aspirante, é assim por um motivo. Ele já tem uma tendência espiritual, provavelmente por já tê-las desenvolvido em outras vidas. Ele precisa encontrar um caminho logo, antes que suas qualidades sejam “devoradas” pelas críticas exteriores.

 

 

“Felicidade em si mesmo”

 

Você tinha um namorado(a), esposo(a) e, depois do relacionamento acabar, você se sente feliz genuinamente, com vontade de se descobrir, com tremenda aspiração. Existe mais um conceito na sociedade, que alguém só é feliz se tiver uma companhia, o que é absurdo. Buddha costumava dizer que só é feliz com uma companhia aquele que consegue ser feliz sozinho (obviamente). Eu mesmo passei por essa experiência. Quando terminei um relacionamento que não era para o progresso mútuo, eu tive uma sensação de felicidade tão intensa que reconheci imediatamente que era um sorriso da minha alma. Eu tinha feito a coisa certa, e muitas e muitas novas possibilidades, mais reluzentes, surgiram diante de mim a partir de então.

 

 

“O desencaixado”

 

Você se sente sozinho, ninguém o compreende. Você sabe que não está maluco, mas que o mundo parece não pensar como você. Na verdade, você ainda não encontrou pessoas que possuem a mesma aspiração que você. Quando o fizer, se sentirá encaixado. E mais, sentirá que a aspiração e o questionamento positivo é um estado natural do ser. E inspirará outras pessoas a fazerem o que sentem ser correto.

 

“O encaixado”

 

Essa é uma experiência inversa de “o desencaixado”. Uma pessoa extremamente popular e bem querida por todos, agrada a todos, lida com todos, possui muitos contatos e muitas pessoas queriam ser como ela. Possivelmente, essa pessoa possui capacidades interiores extraordinárias, mas ainda não está direcionando elas para uma busca espiritual. Assim, ela desenvolve o aspecto exterior. Cedo ou tarde, a pessoa deixa de ter satisfação no mundano e dirige o seu anseio para o Altíssimo.

 

 

Por que meditamos? O que é meditação?

September 13 1976g _0Pergunta: Guru, você fala sobre a meditação. O que quer dizer meditação?

Sri Chinmoy: Meditação quer dizer muitas coisas para muitas pessoas. Cada indivíduo possui uma forma de aprender o segredo da arte da meditação. No nosso caso, quando meditamos, esvaziamos nossas mentes e, então, as preenchemos com algo divino. Isso quer dizer que jogamos fora todos os pensamentos infrutíferos, malignos e não-divinos, e preenchemos a mente com pensamentos gratificantes, iluminadores e divinos.

Pergunta: Por que meditamos?

Sri Chinmoy: A meditação é absolutamente necesária para aqueles que querem ter uma vida melhor e mais satisfatória. Se você sente que está satisfeito com o que tem e o que é, então não precisa entrar no campo da meditação. Mas, se você sente que há um deserto árido em seu coração, eu gostaria de dizer que a meditação é a resposta. A meditação lhe dará alegria interior e paz de espírito. A meditação nunca o tirará de seus pais, de seus filhos, de sua família. Longe disso. Ela apenas aumentará a conexão com os seus entes queridos, pois dentro deles você verá a existência de Deus.

Se você quer desenvolver seus talentos ou aumentar a sua capacidade em qualquer âmbito, eu gostaria de dizer que é obrigatório seguir uma certa disciplina interior. Se você é um cantor, mas deseja cantar infinitamente melhor, se aspirar, eu lhe digo, a sua voz ficará muito melhor. Não há nada na terra que não possa ser melhorado através da meditação.

Se você quer simplificar a sua vida, a meditação é a resposta. Se você quer ter satisfação na sua vida, a meditação é a resposta. Se você quer ter alegria e oferecer alegria ao mundo todo, a meditação é a única resposta.

Se você medita para esquecer do sofrimento ou das dificuldades, então não está meditando pelo motivo correto. Mas, se está meditando apenas para agradar a Deus e satisfazer a Deus da Maneira própria Dele, então a sua meditação é correta. Quando Deus é satisfeito, e Deus é satisfeito na sua meditação, então o papel de Deus é levar embora o seu sofrimento e dificuldades. Mas, se você medita para escapar do mundo ou desafiar o mundo e ficar contra ele, então está fazendo a coisa errada.

A meditação é a sua capacidade consciente, que você deve exercitar todos os dias e todos os segundos, para entrar em sua mais elevada divindade, onde o finito fica completamente perdido no Infinito. A existência finita que você tem e é pode ser facilmente dissolvida no infinito e se tornar completamente uma com o infinito, se você meditar. Isso é o que a meditação é, e o que a meditação pode fazer por você.

Sri Chinmoy, Experiences Of The Higher Worlds, Agni Press, 1977

A missão da alma

a-good-intention-can-change-a-great-many-conditionsCada alma possui uma missão especial?

 Sri Chinmoy: A sua alma tem uma missão especial. Sua alma está supremamente consciente dessa missão.

A maya, ilusão ou esquecimento, faz com que você sinta que é finito, fraco e indefeso. Isso não é verdade. Você não é o corpo. Você não é os sentidos. Você não é a mente. Eles são todos limitados. Você é a alma, que é ilimitada. A sua alma é infinitamente poderosa. A sua alma transcende tempo e espaço.

A sua alma possui uma missão especial? Sim. A sua missão está nos recessos mais profundos do seu coração, e você tem de encontrá-la e satisfazê-la lá mesmo. Não pode haver uma maneira exterior para que você satisfaça a sua missão. O almíscar cresce no corpo do cervo. Ele sente o cheiro do almíscar e, encantado, procura encontrar a sua fonte. Ele corre e corre, mas não consegue encontrar a fonte. Em sua busca interminável, ele perde toda a sua energia e, por fim, morre. Mas a fonte que ele procurava desesperadamente estava dentro de si mesmo. Como é que ele a encontraria em outro lugar?

Acontece o mesmo com você. A sua missão especial ­– que é a satisfação da sua divindade – não está fora de você, mas dentro. Procure no interior. Medite no interior. Você descobrirá a sua missão.

 

Como conhecemos qual é a nossa missão especial?

 Sri Chinmoy: Para saber qual é a sua missão especial, você precisa mergulhar fundo dentro de si. A esperança e a coragem devem acompanhá-lo em sua jornada incansável. A esperança despertará a sua divindade interior. A coragem fará a sua divindade interior florescer. A esperança o inspirará a sonhar com o Transcendental. A coragem o inspirará a manifestar o Transcendental aqui na terra.

Para sentir qual é a missão especial, é preciso sempre criar. Essa sua criação é algo em que você derradeiramente se tornará. Finalmente, você percebe que a sua criação é a sua auto-revelação.

É verdade, existem tantas missões quanto almas. Mas todas as missões se satisfazem apenas depois das almas terem alcançado um certo grau de perfeição. O mundo é um teatro divino. Cada participante tem uma parte em seu sucesso. O papel de um servo é tão importante quanto o do Senhor. Na perfeição de cada papel individual está a satisfação coletiva. Ao mesmo tempo, a satisfação individual é perfeita apenas quando o indivíduo estabelece sua conexão inseparável e realizado sua unicidade com todos os seres humanos do mundo.

Você é um, da cabeça aos pés. Ainda assim, um lugar seu é chamado de orelhas, e outro se chama olhos. Cada lugar tem o seu nome próprio. Estranhamente, apesar de serem todos partes do mesmo corpo, um não pode fazer o papel do outro. Os olhos vêem, mas não conseguem ouvir. As ouvidos ouvem, mas não conseguem enxergar. Portanto o corpo, sendo um, também é muitos. Similarmente, apesar de Deus ser um, Ele Se manifesta através de muitas formas.

Deus nos conta qual é a nossa missão. Mas nós não entendemos a linguagem de Deus, e, portanto, Ele tem de ser o seu próprio intérprete. Quando outros nos falam sobre Deus, eles nunca podem explicar completamente o que Deus é. Eles fazem uma representação imperfeita, e nós ouvimos eles também de forma imperfeita. Deus fala no silêncio. E Ele interpresa a Sua mensagem em silêncio. Devemos também ouvir e entender Deus em silêncio.

 

Sri Chinmoy, The Wisdom of Sri Chinmoy, p 331-332, Blue Dove Press, San Diego, 2000

Como Meditar no Coração

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My heart of love
Is divinely beautiful.
I love my beautiful heart.

My heart of devotion
Is eternally soulful.
I love my soulful heart.

My heart of surrender
Is supremely fruitful.
I love my fruitful heart.

– Sri Chinmoy

Por Patanga (foto)

O coração espiritual é a sede das emoções mais elevadas. Uma das emoções mais significativas que ele pode nos proporcionar é a de sermos Um com a Luz, a Alegria, ou, simplesmente, Deus. Isso é Amor.

O sentimento de possuir algum objeto (ou pessoa) ou satisfazer um desejos é algo que não se fundamenta no coração. Também, por conta disso, traz felicidade que não é plena e nem permanente. Alguém compra um carro (ou qualquer outro objeto dos seus desejos) acreditando que será feliz derradeiramente. Mas depois surge mais um desejo, e ele o troca por um melhor. Depois compra mais um, e assim por diante.

Já a sensação de estar feliz consigo mesmo, a despeito das situações exteriores, é algo que radica da nossa satisfação plena. Essa satisfação é o resultado de o quão profundamente conseguimos alcançar o nosso Ser interior, a nossa alma, a qual é toda Perfeição.

E a porta para a alma é o nosso coração espiritual.

Como meditar no coração?

Vou ensinar um exercício que Sri Chinmoy valorizava e encontra-se publicado no livro Jewels of Happiness. A parte em itálico é o exercício de Sri Chinmoy. O restante são os meus comentários.

De preferência sozinho, sente-se sem tensão em nenhuma parte do corpo e respire de forma profunda, mas suave. Primeiro deixe que a respiração lhe traga serenidade. Não pense que você está dentro da sua cabeça. Sinta que o seu “eu” está no seu coração. Agora imagine:

“Você pode ter a maior alegria imaginando uma criança infinitamente mais bela que a mais bela criança que você já viu neste mundo.”

Depois de um minuto:

“Dentro de si, você tem uma criança ainda infinitamente mais bela do que ela. Apenas imagine-a. Assim, você terá uma tremenda alegria.”

Essa criança de que Sri Chinmoy fala deve ser a sua própria alma, não? Por isso a sua beleza é tão extraordinária – pois vem da sua própria Perfeição.

Depois de uns três minutos:

“Quando sentir que você é uma criança, imediatamente perceba que está dentro de um jardim florido. Esse jardim de flores é o seu coração. Uma criança pode brincar em um jardim por horas.”

Imagine-se brincando. E agora faça:

“Ela irá de uma flor até a outra, mas não deixará o jardim, pois sentirá alegria com a beleza e fragrância de cada flor. Dentro de você há o jardim, e você pode permanecer ali por quanto tempo quiser. Assim você pode meditar no coração.”

Quando estiver satisfeito, volte a se concentrar na sua respiração e depois de uns instantes, procure alguma atividade espiritual para fazer: leitura, mantras, canções ou a prática de esportes. Deixe que a experiência da meditação primeiro seja assimilada antes de retornar aos seus deveres cotidianos.

 

Perguntas sobre meditação 25: exercícios físicos e meditação

Perguntas sobre meditação 25: exercícios físicos e meditação

 

Pergunta:Porque você incentiva seus alunos a participarem e organizarem eventos de competição como triatlon e corridas de longas distâncias?

 

Sri Chinmoy: Eu incentivo e encorajo meus alunos a participarem e organizarem triatlons, corridas de longas distâncias como também curtas distâncias, precisamente porque sinto que o mundo precisa de dinamismo.

O mundo exterior precisa de dinamismo e o mundo interior precisa de paz. Somos todos buscadores; meditamos e rezamos para alcançarmos paz. Sentimos que se podemos ser dinâmicos, estaremos aptos a realizar muito em nossa vida exterior.

Para sermos dinâmicos, precisamos ter forma física a todo momento, e correr nos ajuda consideravelmente a manter uma boa forma. Também, o correr nos lembra de nossa jornada eterna na qual caminhamos. Marchamos e corremos ao longo da Estrada da Eternidade para nossa meta eterna.

The outer running and the Inner running, p-140-141.

 

 

Pergunta:Qual é o propósito espiritual dos esportes competitivos?

 

Sri Chinmoy: O nosso objetivo não é nos tornarmos os melhores atletas do mundo. O nosso objetivo é manter o corpo preparado, para desenvolver dinamismo e dar ao vital alegria inocente. O nosso objetivo não deve ser ultrapassar os outrosmas, constantemente ultrapassar as nossas próprias conquistas anteriores. Não podemos avaliar corretamente a nossa própria capacidade ao menos se tivermos uma tabela de comparação assim, não competimos para vencer os outros, mas para buscar nossa capacidade. A nossa melhor capacidade aparece quando há pessoas ao nosso redor.

Elas nos inspiram a buscarmos nossa maior capacidade e nós as inspiramos a buscar suas maiores capacidades. Por isso que temos esportes competitivos.

Sempre deve ter um objetivo.Ao se ter um objetivo não significa que temos que vencer os melhores corredores do mundo, longe disto.

Na vida espiritual, não há competição. Mas tem algo que é essencial, necessário e inevitável, que chamamos de progresso; queremos nos transcender. Se há outra pessoa conosco, imediatamente nossa mente ou a mente dos outros irão pensar que estamos competindo.

Na vida comum, competimos com os outros para alcançarmos supremacia.

Mas na vida espiritual, não estamos em competição com outros. Estamos apenas tentando transcender nossa própria capacidade.

Podemos pensar em nós como duas metades: imperfeição em uma das metades, e nosso sincero clamor por perfeição está na outra metade. Em um lado está a fraqueza e do outro está a força. Com nosso clamor interior pela perfeição, corremos em direção ao nosso destino e alcançamos a margem-iluminação. Quando nosso ser está completamente iluminado, o escuro e as forças da ignorância ficam com medo de vir até nós. Antes de abraçarmos o destino, elas nos desafiam. Mas uma vez que alcançamos a margem-iluminação, as forças da ignorância não ousam entrar em nós, pois sentem que serão totalmente destruídas. Elas não sabem que serão apenas transformadas e iluminadas.

The outer running and the Inner running, p-141-142.

 

 

Pergunta:Qual a importância para um aspirante espiritual se manter em boa forma física?

 

Sri Chinmoy: Boa forma física é de grande importância em nossas vidas. Se o corpo estiver em boas condições, poderemos realizar todas as nossas atividades bem. Por isto é importante, correr ou fazer exercícios físicos todos os dias para nos tornarmos fortes, saudáveis e dinâmicos. Se estivermos com boa forma física, estaremos aptos a não permitir que doenças e outros indivíduos não convidados entrem em nós.

No passado, as pessoas gostavam da malhação do corpo pois elas sabiam que se elas tivessem um corpo saudável, elas poderiam permanecer por mais tempo na terra. Se elas fossem espirituais, sentiam que em um corpo saudável permitiriam a elas continuar rezando e meditando por muito mais anos.

Hoje sabemos também que se o corpo estiver doente, não poderemos rezar e meditar bem. Por algumas semanas e meses. Podemos sofrer tanto física como mentalmente. Temos um corpo e uma alma. Uma pessoa espiritual tem que dar importância igual ao corpo e a alma. Se prestar atenção somente ao corpo. Se tornar fisicamente forte, mas espiritualmente fraco, não haverá paz na mente ou na felicidade interior. Normalmente, se prestar atenção apenas nas orações e meditações e negligenciar o corpo, este não será um instrumento afinado para revelar e manifestar Deus.

De manhã, Ele tentará rezar para Deus, mas terá que parar, pois tem uma dor de cabeça, estômago, revoltado e etc.

Se alguém não pratica nenhum exercício mesmo, o físico irá permanecer sem luz, letárgico e verdadeiro obstáculo para o aspirante.

Se a consciência física não aspira, ela se manterá separada da alma. Tenha certeza, então, que você nunca alcançará a perfeição. O físico deve aspirar em sua própria maneira para aumentar sua capacidade para abarcar a luz. O físico contribuirá com o espiritual e estará apto a aspirar e manifestar muito mais. Boa forma física e espiritualidade devem caminhar juntas. É como se ter duas pernas. Com uma perna eu não posso andar; preciso das duas pernas para alcançar o destino.

The outer running and the Inner running, p-142-144.

 

O seu correr exterior tem um papel muito importante não só na sua vida espiritual como também na comunidade mundial. Se as pessoas que aceitaram a vida espiritual não fazem a coisa certa, como é que podemos esperar dos outros que não são conscientes de sua existência interior, fazerem a coisa certa? E ficarei muito feliz e orgulhoso se você puder correr uma maratona.

Esta é a idade de ouro para vocês.

Vocês estão todos com menos de 40 anos. Quando tiverem mais de 50 anos, não importa quanto tentarem, vocês não conseguirão trazer para fora uma determinação física e vital que vocês têm agora. Haverá uma ou duas exceções, mas 99 em 100 pessoas acharão difícil depois dos 45 anos.

Se quiser satisfazer sua Divindade, por favor, por favor, corra regularmente.

Talk at Progress-Promise on the eve of the New York Marathon, 1985.

Perguntas sobre meditação 24 – canções espirituais

Perguntas sobre meditação 24 – canções espirituais

A música, como canções plenas de alma, está bem próxima da verdadeira espiritualidade, logo depois vem a poesia. A poesia também está bem próxima da espiritualidade. Mas, quando se trata de colocar ordem, primeiramente vem a musica, cantada ou tocada e depois a poesia. Se cantarmos canções plenas de alma -não rock n’ roll e etc…- estaremos aumentando nossa aspiração. Não podemos meditar vinte e quatro horas por dia, nem mesmo dezesseis ou oito horas. É impossível para meros seres humanos como nós. Mas se nos é pedido para cantar, mesmo se formos péssimos cantores, sem dificuldades podemos cantarpor três ou quatro horas por dia. Mesmo se não tiver nenhum talento para música se puder usar quinze ou dez minutos ou até mesmo cinco minutos por dia para aprender minhas canções, o ajudará muito em sua vida espiritual.

Mas se não tiver nenhum jeito mesmo para música, você pode utilizar seu tempo para meditação ou serviço.

Existem pessoas que não podem cantar, mas Deus, o Supremo, utiliza essas pessoas de outras maneiras, dessa forma, essas pessoas não precisam se preocupar.

Mas se tiver um pouquinho de talento, eu ficaria muito feliz se pudesse praticar e exercitar seu talento aprendendo algumas de minhas canções. Se puderes cantar uma canção com toda sua alma todos os dias,isto te ajudará definitivamente em sua vida espiritual. Sempre eu os pedirei para cantar. Fico muito feliz em ouvir minhas canções. É como uma riqueza perdida ou esquecida que volta para mim.

Dependence and Assurance p.48-49

 

Pergunta:Por que, Guru, suas canções sempre nos dão maravilhosos resultados?

Sri Chinmoy: Minhas canções dão resultados maravilhosos porque são minhas experiências interiores. A maioria das experiências que recebo das pessoas. Minhas experiências interioresque recebo de vocês – de suas elevações, de seus sofrimentos e alegrias.

Suas próprias experiências que trago para fora e uso para a humanidade. Elas são algo de vocês que secretamente eu furto.

Dos seus próprios modos, vocês não sabem como expressá-las, mas eu sei como. Por isso, quando recebe ou canta minhas canções, seu ser interior o faz sentir algo muito pessoal, apesar de seu ser exterior não estar ciente disto. Quando alguém lhe mostra ou diz algo sobre o que é seu, você fica extremamente feliz. Sua mente exterior não está ciente disto, mas seu ser interior está completamente ciente disto.

Father’s Day:Father with His European Children, p. 6-7

 

 

Pergunta:Como devemos ouvir seus discos?

 

Sri Chinmoy: Vocês devem ouvi-los plenos de alma. Terá o mesmo propósito da meditação, se ouvirem desta maneira. Ajudará muito em sua meditação ou aspiração.

Como o nosso Invocation ajuda, estes discos também ajudarão.

Great Masters and The Cosmic Gods, p.9

 

Perguntas sobre meditação 23 – entoando o mantra “Supreme”

Perguntas sobre meditação 23 – entoando o mantra “Supreme”

 

Sempre digo aos meus discípulos para começarem suas meditações repetindo o mantra “Supreme” algumas vezes. O Supremo é “nosso guru eterno”: meu guru, o seu guru, e o guru de todos. Eu represento o Supremo apenas para os meus discípulos, que sabem que posso ajudá-los. Existem outros Mestres que representam o Supremo para seus discípulos. Pense no Supremo e repita a palavra “Supreme” algumas vezes cedo pela manhã.

Se puder cantar AUM com toda sua alma, também o ajudará bastante em sua meditação.

 

 

Pergunta:Como devemos entoar “Supreme” em grupo?

 

Sri Chinmoy: Por favor, imagine que você está em uma viagem.

Sinta-se como se estivesse num barco ou em outro lugar com outros peregrinos. Sempre sinta um movimento ao entoar. Não importa se for para cima, para baixo ou para dentro. Quando disser “Supreme” por favor, sinta que você está alcançando algum destino. Cada vez que entoar, sinta que você está transcendendo sua meta.

Palmistry, Reincarnation and the Dream State, p.15-16

 

Perguntas sobre meditação 22 – livros de Mestres espirituais

Perguntas sobre meditação 22 – livros de Mestres espirituais

Se seu Mestre tivesse escrito somente um livro, ou mesmo se ele não tivesse escrito nenhum livro, há um livro em seus dizeres, e este livro é mais que suficiente para todos os discípulos que seguem seu caminho. Se você disser, “Eu já li todos os escritos de meu Mestre“, então você deve saber que lê-los só uma vez, não é suficiente. Você tem que ler e reler todos eles. Mas um livro pode dar a você mais inspiração que os demais. Logo, este livro em particular, você deve ler todo dia. Alguns discípulos lêem um livro uma vez e dizem,“Eu li este”. Se você ler com sua mente apenas, até mesmo se você ler a mesma linha hoje e amanhã, você não pode ter nenhuma inspiração. Mas se você ler com seu coração, de cada palavra você tirará aspiração ilimitada. Cada dia você verá nova luz nos escritos de seu Mestre. De cada palavra você terá uma nova luz. Na Índia, alguns buscadores selecionam um livro espiritual e o lêem várias vezes. Há setecentos versículos no evangelho indiano, o Bhagavad Gita. Leva-se três ou três horas e meia para o ler e há algumas pessoas que o lêem todo dia. Alguns buscadores não lêem nenhum livro. Eles lêem este livro repetidamente com o objetivo de serem purificados. E todo dia eles tiram nova inspiração, nova aspiração deste livro. Todos os dias você também pode ter uma nova revelação. O que é revelação? É o fruto de sua aspiração.

Logo, se vocês lerem os escritos de seu Mestre, não como lêem um jornal, mas com sentimento, “Hoje eu irei ter uma nova revelação”, então vocês são compelidos a tê-la.

Aspiration-Flames, p.47-48

 

 

Eu disse muitas, muitas vezes, para vocês lerem meus escritos. Isto é minha prece para vocês. Se vocês já compraram livros, por favor, leiam. Se vocês já leram os livros, então por favor, comprem um novo toda semana e leiam pelo menos cem páginas por semana.

Se vocês têm livros novos, vocês terão nova inspiração. E se vocês puderem ler livros velhos com um coração devotado, então cada um deles pode supri-los com nova inspiração. Se vocês lerem dez vezes seu livro favorito, cada vez terão nova inspiração.

ChinmoyFamily, Fev-Mar 1977 p.6

 

 

Pergunta:Seus escritos contêm uma força especial?

 

Sri Chinmoy: Meus escritos não são pensamentos emprestados, mas a expressão de minha própria experiência. Alguns filósofos, professores e estudantes pegam idéias de outros; as idéias sobre as quais escrevem, não vêm de sua própria realização.

No meu caso, minha gramática pode estar absolutamente errada, mas a consciência que eu revelo é uma consciência divina. Logo, mesmo se eu disser, “Eu vamos”, não há problema. Mas quando eu digo “Eu”, isto contém uma grande força espiritual e poder espiritual. Isto é assim não somente quando eu digo, mas quando todo Mestre espiritual diz.

No meu caso, como eu tenho escrito consideravelmente, eu digo a meus discípulos para lerem meus escritos primeiro. Veja quantos anos serão necessários para que meus escritos sejam lidos com a alma! Você deve marcar as partes que mais se destacam para você, e então, lê-las novamente. Sinta que essas partes são como mantras que você repete muitas e muitas vezes. Se você gostar de um poema, pode lê-lo todo dia, se quiser. Mas você deve ler tudo, ao menos uma vez, para fazer uma seleção. Se você não ler tudo uma vez, como saberá de qual parte gosta mais? Para fazer uma seleção, você vai a uma loja e seleciona aquilo de que mais gosta. Mas, sem ver tudo, como poderá escolher?

Se um discípulo ler meus escritos como forma de meditar em mim e no Supremo, então ele está em minha consciência. Se ele os ler uma segunda vez, então novamente irá capturar minha consciência.

Obedience or Oneness, p.16-17

 

 

Virá um tempo na vastidão dos séculos, quando milhões e bilhões de buscadores recitarão e repetirão alguns dos poemas que vocês estão recitando aqui e alguns outros poemas que eu tenho escrito ou escreverei no decorrer dos anos. Por ser muito franco com vocês, estes não são meros poemas; são expressões mântricas de… vocês completam a sentença.

Agora eu estou falando a vocês numa consciência puramente humana, do mundo humano. Repetindo os mantras Védicos, incontáveis pessoas atingiram os mais altos reinos de consciência. Vocês não estudaram os Vedas e os Upanishads em Sânscrito e vocês não têm que estudá-los. Se vocês estudarem meus poemas com o mesmo espírito que os buscadores de outrora estudaram e recitaram os Vedas e os Upanishads, aí você está compelido a ser libertado.

De minha profética visão da alma, de minha visão inconfundível e inabalável da alma eu lhes falo: Muitos,muitos poemas escritos por seu Guru, não apenas inspirará e iluminará, mas também libertará incontáveis buscadores na terra, da rede de ignorância. Eu estou muito feliz, muito orgulhoso que enquanto eu esteja aqui na terra, algumas de minhas crianças estão recitando e meditando nestes poemas, tão plenos de alma.

Meditação é de suprema, suprema importância. Mas quando estiverem cansados de meditação, estes poemas, que são chamados mantras, estão aptos a inundar todo seu ser com Paz, Luz e Deleite…

Quatrocentos livros estão vendo a luz do dia. Agora, nós encontramos trezentos e noventa e nove e na próxima semana, serão quatrocentos. Fora quatrocentos livros, haverá ao menos quarenta ou, digo, dez livros, ou sete livros -ao menos sete livros – que estarão aptos a alimentá-los sem reservas e incondicionalmente, todo o tempo. E vocês podem também ser uns leitores divinamente vorazes.

Uma conversa após discípulos recitarem poemas do Ten Thousand Flower-Flames, 8 Dez. 1979

 

 

O humano em mim escreverá muito mais poemas. Pode acontecer que o humano em mim exceda o número que já oferecemos ao mundo no espaço de um dia. Mas eu desejo dizer-lhes mais uma vez como já tenho dito, que isso não é um caso de quantidade versus qualidade. O Supremo em mim ordena que eu escreva poemas, e eu lhes asseguro que Ele também me dá a capacidade de conquistar a qualidade. O Supremo em mim e o poeta em mim andam juntos. O Supremo é de imediato minha visão interior e meu julgamento exterior juntos.

Algumas pessoas que eu jamais vi, que não são meus discípulos no plano exterior, estão fazendo grande progresso-progresso mais rápido que meus discípulos de terceira ou quarta classe, a quem eu vejo freqüentemente. Esses buscadores estão obtendo muita ajuda de mim, no mundo interior. Recentemente, um livro meu, Alimento para a Alma, foi publicado. As pessoas o estão comprando e lendo e eu sou muito grato a elas. Meus escritos são minha consciência. Alta ou baixa, eles são minha consciência, e aqueles que lerem meus escritos podem entrar em minha consciência. Como estão se concentrando em importantes palavras-chave, meu ser interior vem e me diz.

Eu não sei seus nomes, mas no mundo interior eles estão obtendo ajuda abundante de mim.

Dependence and Assurance, p.27-28

 

Pergunta:O que podemos ganhar, lendo seu livro de aforismos, Alimento para a Alma?

 

Sri Chinmoy: Alimento para o corpo é necessário a todos.Todos nós sabemos o que é. Meditação é alimento para a alma. Todo dia, você pode entrar em sua mais alta consciência, se quiser, apenas meditando neste livro de aforismos. Eles são o alimento para sua alma. Leia-o e você verá que a luz está correndo em sua direção, a paz está correndo para você, a felicidade está correndo até você, a iluminação está correndo para você.

Obedience or Oneness, p.20

 

Pergunta:Antes de vir para o seu caminho, eu estava fazendo muitas leituras. Eu fui aconselhado a parar tudo, e eu fiz. Mas eu estou começando a sentir que talvez eu deva continuar.

 

Sri Chinmoy: Se você estudar meus textos, você estará tomando a minha consciência. Se você estudaroutros mestres espirituais, sem problema; não há disputa entre mim ou outros Mestres espirituais. Todos têm o direito de falar a verdade em sua própria maneira. Mas se eu disser uma coisa, e outro Mestre disser a mesma coisa de maneira diferente, você pode ficar confuso. Se quiser estar em meu barco, será melhor para você estudar meus escritos. Então depois, se você ler outros, nesse momento sua base estará forte, já que você sabe onde é a sua casa. Primeiro, você está bem estabelecido em seu lar espiritual, então você pode ir para outras casas, e ver o que elas têm. Mas eu sempre aconselho às pessoas primeiro saber onde sua própria casa é.

Perseverance and Aspiration, p.48-49

 

Eu desejo aconselhá-los a lerem livros sobre Mestres espirituais. Se vocês desejam ler sobre a espiritualidade indiana, vocês podem ler os livros que foram escritos sobre Swami Vivekananda. Outros foram escritos sobre Sri Ramana Maharshi e Sri Aurobindo. Se vocês lerem sobre a vida dos grandes Mestres, vocês estão impelidos a serem inspirados.

The Inner Hunger, p.11

 

Perguntas sobre meditação 21: como esquecer o passado

Perguntas sobre meditação 21: como esquecer o passado

Pergunta:Como posso me assegurar de estar fazendo um bom progresso se o meu passado não era nada aspirante?

Sri Chinmoy: Suponha que por dezessete anos você fumou, bebeu e usou drogas, mas hoje você não está mais fazendo essas coisas. Você viu que aquilo era ruim e então o cortou, como a parte de uma fruta que está podre. Agora a obscuridade e a impureza estão indo embora da sua consciência e novamente você está se tornando luminoso. Hoje você está clamando por perfeição.

Antes você era todo imperfeição. Agora você é cinqüenta por cento perfeito e a sua perfeição está aumentando. Agora você está obtendo sólidas experiências. Você está crescendo na luz. Então, por que se preocupar com seu passado impuro e obscuro? Pense somente no futuro. Eu sempre digo: “O passado é pó”. Não olhe para trás. Viva apenas na imediação de hoje e cresça no futuro dourado.

Inner Progress and Satisfaction-Life, p. 38

Perguntas sobre meditação 20: como manter a disciplina para meditar

Perguntas sobre meditação 20: como manter a disciplina para meditar

Pergunta:Como podemos dar o primeiro passo na direção de uma disciplina construtiva em nossa prática meditativa?

Sri Chinmoy: Vamos tomar a disciplina como um músculo. Não podemos desenvolver músculos muitíssimo poderosos da noite para o dia. Devagar e aos poucos temos de desenvolvê-los. Primeiro, você deve saber por quantos minutos consegue meditar. Se consegue meditar por cinco minutos, significa que nesses cinco minutos você está se disciplinando. De manhã cedo, enquanto seus amigos e seus parentes ainda estão no mundo do sono, se você se levanta para rezar e meditar por cinco minutos, está se disciplinando.

Como você pode aumentar a sua disciplina? O jeito mais fácil é desenvolver uma sede verdadeira, um choro interior, pelos frutos da disciplina. Você pode fazer isso vendo o que acontece quando leva uma vida disciplinada e quando não leva uma vida disciplinada. Você mesmo tem de ser o juiz. Ao se levantar às cinco ou seis horas e meditar por quinze minutos ou meia hora, você se sente extremamente bem. Você sente que o mundo inteiro é belo. Você ama a todos e todos o amam. Acriação de Deus é todo amor por você. Porque você se levantou e meditou por alguns minutos, está inundado com bons pensamentos. Cada pensamento é um mundo em si mesmo. A realidade diária que vemos à nossa volta não é o único mundo. Existem muitos mundos. Por ter se levantado e meditado, você está correndo, pulando e voando nos mundos de bons pensamentos, da beleza, da alegria, da paz e da luz.

Mas no dia em que não se levanta cedo para meditar, você odeia o mundo, odeia a si mesmo, e sente que todo o mundo o odeia. Portanto, você mesmo pode ver a diferença. Não é que você nunca tenha meditado de manhã cedo. Os resultados positivos você já teve várias, várias vezes. Muitas vezes você meditou e muitas vezes não meditou. Você sabe o resultado de cada um. Se for esperto, se for sábio, as boas coisas você vai repetir sempre e as coisas ruins você vai evitar.

Se você está achando difícil disciplinar-se para fazer alguma coisa, veja o resultado. Se você subir em uma árvore, conseguirá frutas muitíssimo deliciosas. Se não subir, não conseguirá as frutas. Você vê que, quando alguém é disciplinado, pode subir e apanhar a manga mais deliciosa e comê-la para a alegria do seu coração. Se você se disciplinar, também poderá fazer o mesmo. Desse jeito, conseguirá uma tremenda satisfação. Por pensar nessa satisfação, você pode facilmente se disciplinar. Não há outra maneira.

Você está vendo pessoas à sua volta que estão chafurdando nos prazeres da preguiça. Existem muitas no barco-preguiça. Mas você pode dizer: “Não, não quero mais ficar nesse barco. Quero ter um novo barco, o barco que navegará em direção à Margem Dourada, em direção à Meta”. Depende de você. Você pode facilmente se disciplinar a si mesmo lembrando-se da alegria que consegue quando se disciplina e da infelicidade que tem quando não age assim.

What I Need From God, p. 20-23

  

Pergunta: Como podemos achar alegria numa disciplina rígida?

Sri Chinmoy: A mente chama a isso de disciplina. O coração chama a isso de um processo pelo qual alcançamos alguma coisa ou ganhamos alguma coisa. A alma não chama a isso nem mesmo de processo. A alma sente que o que chamamos de disciplina não só incorpora a realidade-deleite, mas é a própria realidade-deleite.

Qualquer coisa que queiramos fazer é imediatamente vetada pela mente. Mesmo se esta quis alguma coisa há dois dias ou há dois anos, ela estará pronta para vetar a mesma coisa agora. Essa é a nossa mente malandra. Mesmo se ela quis alguma coisa ontem, hoje ela jogou fora a sua vontade consciente. Com o nosso coração ou com o nosso vital nós queremos algo, mas a nossa mente logo diz: “Não, não pegue isso”. Portanto, disciplina na nossa vida comum nada mais é do que punição, precisamente devido à má vontade da mente.

Aqui nos Estados Unidos vocês não sofreram de malária e eu espero que ninguém jamais venha a sofrer dessa doença. Na Índia, como sofri de malária! Uma vez, meu irmão mais velho e eu ficamos doentes no mesmo dia. Vocês não podem imaginar o quão doloroso isso é. Todos os nervos sutis e pesados começam a dançar. Que dor! Você simplesmente grita e berra. Antes dela, talvez você não saiba nenhuma acrobacia ou exercício especial, mas assim que você pega malária vira um especialista. Com os seus exercícios, você pode competir com os melhores acrobatas. A dor o obriga a isso. Numa outra hora qualquer, se você me pedisse para fazer aquele exercício, eu diria: “impossível!” Mas quando peguei malária, estava com tanta dor que poderia fazer todos os tipos de acrobacias.

O único remédio que temos contra a malária se chama quinina. É extremamente, extremamente amargo. Nenhum outro remédio é tão amargo quanto a quinina. Mas quinina é a salvação. Se não aceitamos a salvação, como vamos nos livrar da nossa febre? A ignorância nos domina. A ignorância é o nosso mestre, mas não queremos mais esse mestre. Precisamos de alguém mais forte do que o nosso mestre atual, alguém que possa derrotar o mestre atual. Queremos conhecimento para sermos nossos próprios mestres. Ele na forma de disciplina, que é como quinina. Se aceitamos essa disciplina, então podemos vencer a ignorância. Temos de saber que a disciplina é o nosso novo mestre, novo guia, novo salvador. Vamos dar o mais alto posto à disciplina.

Hoje, ao pensar em disciplina, você sente que ela nada mais é do que uma punição encarada a todo momento. Mas tente sentir que ela é a sua ajuda, a sua guia, a sua inspiração, a sua aspiração, até mesmo a sua realização. É a disciplina que pode e vencerá as forças não-divinas em você e ao seu redor. Pense na disciplina como um novo mestre que está ajudando você a aprender alguma coisa nova, significativa, plena e frutífera. Assim, você não precisa aprender mais nada do seu velho mestre. Seu velho mestre era a letargia, a escuridão, a ignorância e todas as forças negativas. Agora você tem de dar à disciplina o valor máximo. Ela é o seu novo mestre. Ela incorpora luz e está mais do que disposta a oferecer luz a você. Só assim você não ficará com medo da disciplina. Pense no que você não tem agora e que ela dará a você. Ao fazer esse tipo de comparação, você verá que está nadando no mar-ignorância e que a disciplina está lhe dizendo: “Pobre garota, por que está sofrendo? Eu tenho luz, deleite, paz e felicidade em quantidade ilimitada. Venha aqui, é tudo para você.” Então você vai lá, onde tudo é luz e deleite. E quem está lhe dando essa luz, esse deleite? A disciplina, sua guia, sua salvadora.

The Blue Light of Discipline-Waves, p.9-11

Perguntas sobre meditação 19: mantendo o entusiasmo para meditar

Perguntas sobre meditação 19: mantendo o entusiasmo para meditar

Pergunta:Como podemos saber se é falta de desejo ou falta de energia que nos impede de meditar?

Sri Chinmoy: Você quer meditar, mas está faltando entusiasmo. Todos os dias você faz a mesma coisa, logo ela se torna tediosa e monótona. Você vai à pista e corre, mas o entusiasmo interior não está lá. É por isso que você não corre o mais rápido possível todos os dias. Você está pronto no plano físico: é pontual, tem suas roupas esportivas. Tudo está pronto, mas dentro de você não há inspiração, não há aspiração. Você sente que quer brandir a sua varinha mágica e então, instantaneamente, irá e correrá o mais rápido possível. Mas para correr o mais rápido possível, um verdadeiro anseio, uma inspiração interior é necessário.

Se realmente quer ter sucesso, esse anseio interior é uma coisa de que precisa, mas para satisfazer as exigências do anseio, algo a mais é necessário, e esse algo a mais é o entusiasmo. Todos os dias, devemos sentir de maneira sincera, devotada e plena que hoje é a última chance que temos para realizar o Supremo. Por um lado, estamos lidando com o Infinito e a Eternidade mas, por outro, estamos correndo contra o Tempo Eterno. Temos de sentir que este é o último dia para nós, absolutamente o último dia – que amanhã não nos será dada uma outra chance. Se não realizarmos Deus hoje, estaremos perdidos. Nossa chance será dada a uma outra pessoa. Se alguém aspirou mais do que nós, então ele conseguirá a chance, e nós, não. Mas se aspirarmos mais, conseguiremos a chance.

Transcendence of the Past, p. 41-43

 

Perguntas sobre meditação 18: seguindo apenas um caminho

Perguntas sobre meditação 18: seguindo apenas um caminho

 

A espiritualidade é apenas uma matéria. Não é como história, geografia, ciências e matemática, para as quais você precisa de diferentes aulas. Ela é só uma matéria, e por isso é aconselhável caminhar por uma via. A Meta é uma e está num lugar em particular. Se mudarmos constantemente de estrada, então o nosso progresso naturalmente será lento. Hoje preferimos uma estrada e amanhã sentimos que existe uma outra que poderá nos levar mais rápido à Meta. Estamos apenas mudando de uma estrada para outra e não estamos fazendo progresso em nenhuma delas. Cada caminho é correto à própria maneira dele. Nenhum caminho é imperfeito. Mas temos de saber qual é o caminho que nos satisfaz mais. Uma vez que descobrimos o caminho da escolha da nossa alma, se caminharmos só por aquela via, atingiremos o nosso destino mais cedo do que de outra forma.

SriChinmoy Speaks 4, p. 60

 

 

Pergunta: Eu fui iniciado por um Mestre, mas outro Mestre me deu alguns conselhos sobre a minha vida espiritual. Devo seguir os conselhos dele?

 

Sri Chinmoy: Se você foi iniciado por um Mestre, é sempre melhor falar com o seu próprio Mestre. O Mestre é como o seu médico particular. O médico sabe qual remédio já deu a você. Mas se você sentir que ele não pode curá-lo, naturalmente irá a outro médico. De maneira semelhante, caso você não sinta confiança no seu Mestre e queira mudar, um outro Mestre será capaz de ajudá-lo e guiá-lo. Mas se você estiver sob a orientação de um Mestre espiritual, não será aconselhável seguir as recomendações de outro Mestre.

Palmistry, Reincarnation and the Dream State, p. 42

 

 

Se você tem um retrato bonito de um deus ou de uma deusa, pode usar essa imagem como inspiração. Mas se você se concentrar nela, meditar nela, haverá uma tremenda, tremenda confusão. Num dia você olhará para essa imagem e rezará, no dia seguinte rezará para uma outra deusa, no terceiro dia para outra pessoa e no quarto dia para mim. Então eu ficarei desamparado. Portanto, sempre digo aos meus queridos discípulos para se fixarem em mim assim como eu me fixo neles a todo o momento. Você pode ter outras imagens inspiradoras caso deseje, mas não para uma outra finalidade.

Dependence and Assurance, p. 8

 

 

Pergunta:Guru, às vezes recito o Mantra Gayatri, embora eu seja um discípulo seu. Estou fazendo a coisa certa?

 

Sri Chinmoy: Se estiver fazendo o Mantra Gayatri, ele será muito eficiente. Mas se usar um outro mantra, dado por um outro Mestre, e se você estiver seguindo o meu caminho, então será um problema. Se for um outro mantra, você não tem idéia do que ele fará. Talvez até seja uma palavra espiritual, é verdade, mas a sua natureza pode não corresponder àquele aspecto particular de Deus.

Cada mantra representa um aspecto particular de Deus. Se agora mesmo você precisar do poder-Amor de Deus mais do que de qualquer outro poder, e se não der nenhuma atenção ao poder-Amor, então o seu progresso será muito lento. Mas uma vez que realiza Deus, todos os aspectos Dele entram em você. Freqüentemente eu digo aos discípulos que aceitaram o nosso caminho para não praticarem os antigos mantras que aprenderam de outros Mestres ou de livros. Esses mantras se tornam uma obstrução no caminho. Os discípulos querem ser totalmente devotados ao nosso caminho; mas as forças e a energia que eles criaram ao repetir essas determinadas palavras divinas podem interferir no progresso espiritual deles. É como caminhar por duas estradas ao mesmo tempo: é muito perigoso.

 

 

Pergunta:Antes de ser um discípulo, eu estava estudando Tarô e a Cabala. Isso entrará em conflito com o nosso caminho caso continue a fazê-lo?

 

Sri Chinmoy: O melhor é não fazer essas coisas. Você está num barco diferente, num barco que somente o encorajará a amar a Deus e a devotar a sua existência a servir a Deus. O melhor é tentar seguir o nosso caminho com o coração. Eu não quero dizer que os outros estão errados, mas você terá mais sucesso neste caminho se procurar segui-lo com o coração.

Sri Chinmoy Speaks 6, p. 43

 

 

Existe só um Mestre e este Mestre é Deus, o Absoluto Supremo. Um Mestre espiritual é apenas um irmão mais velho na sua família. Os irmãos mais novos não sabem onde o Pai está ou eles não sabem tudo sobre as capacidades do Pai. O irmão mais velho ensina-os sobre as capacidades do Pai ou leva-os ao Pai. Então a parte dele terminou. Portanto, não haverá conflito se você seguir o meu caminho porque eu não sou a meta. Sou apenas um mensageiro: levarei você ou a sua mensagem ao Supremo.

Se eu disser que o meu Hinduísmo é, de longe, a melhor religião, e se você disser que o seu Cristianismo é, de longe, a melhor religião, nós só discutir e brigar. Mas dizemos: “Não, você continua na sua religião e me deixa continuar na minha, e vamos nos juntar para fazer alguma coisa maravilhosa para Deus e para a humanidade”. Nós nos juntaremos e faremos o necessário. Então voltaremos às nossas respectivas casas, nossas religiões, para descansarmos.

Quando seguimos um caminho, não encorajamos nenhum buscador a olhar com desprezo a religião. Pelo contrário: sentimos que o nosso amor pela religião é fortalecido porque seguimos o Yoga. Yoga significa unicidade com Deus. Se pudermos estabelecer a nossa unicidade com Deus, ou se pudermos ter um livre acesso ao Coração de Deus, poderemos acrescentar nossa força, nossa luz, à nossa própria religião. Mas virá um dia em que conseguiremos luz do interior, quando o nosso ser estiver repleto de luz. Nesse momento seremos capazes de oferecer luz à religião.

SriChinmoy Speaks 6, p. 42-43

 

 

Pergunta:Que atitude deveríamos tomar em relação a religiões diferentes da nossa?

 

Sri Chinmoy: Assim como Deus nos deu uma livre escolha para seguir qualquer caminho, devemos dar liberdade aos outros para seguirem o caminho deles. Existem dezenas de estradas que levam a Deus. Cada indivíduo tem o direito de escolher aquele que seja condizente com o seu temperamento, o seu grau de evolução e as suas necessidades presentes. Aceitação e tolerância são excelentes. Entretanto, podemos ir até mesmo mais adiante, e sentir que a religião de outra pessoa é tão importante, tão necessária para ela, quanto a nossa é para nós.

É verdade que, quando estamos numa família, é muito difícil de se governá-la quando todo mundo está num caminho diferente. E existe uma grande tentação em dizer: “Você é um tolo, está perdendo o seu tempo naquele caminho”. Mas devemos dar a cada pessoa a liberdade interior de escolher o caminho dela.

Ao mesmo tempo, temos o direito de inspirar os outros com o nosso entusiasmo e devoção ao nosso caminho. Mas se eles não são receptivos, se discutem conosco, é melhor oferecer-lhes a nossa luz silenciosamente e interiormente. À noite, quando todos estão dormindo e numa consciência pacífica, podemos colocar toda a nossa aspiração mais doce e mais pura na consciência daquele que queremos influenciar. Agindo silenciosamente, podemos ajudar a trazê-lo ao nosso caminho, o qual sentimos ser o melhor para ele.

Você deveria seguir firmemente o seu próprio caminho, e não se preocupar em apertar a mão de outra religião, até que você e a outra pessoa tenham chegado à meta. Se você vai àquele e àquele outro templo, àquela e àquela outra igreja, nunca fará progresso. Você deve escolher um caminho e segui-lo até o fim. Então você poderá apertar a mão de seguidores de outros caminhos. Se tentar apertar a mão no meio do caminho, será tentado a quebrar os braços dos outros.

Aum, March 1980, p. 25-26

 

 

Pergunta: Venho tendo experiências telepáticas com pessoas que se chamam de mágicos. Converso com eles enquanto estão em outros lugares. Posso entrar nesse reino quando quiser. Estou curioso em saber como você responderia a essas experiências.

 

Sri Chinmoy: Do mais elevado ponto de vista espiritual eu gostaria de responder à sua questão. Essas experiências o ajudarão a ir mais rápido em direção à sua meta? Não, não ajudarão. Essas experiências são fascinantes, indubitavelmente, mas nunca o levarão à realidade. Pelo contrário: elas são tentações noseu caminho para a realização em Deus, a elevadíssima Verdade. Em nossa vida espiritual, muitas vezes temos experiências fascinantes e não queremos mais aspirar. É verdade que essas experiências podem nos incentivar, mas muitas vezes, quando temos experiências demais, entramos no mundo vital. Vemos um caleidoscópio: vemos todos os tipos de coisas belas, mas elas são só tentações. Suponha que você esteja andando por uma rua em direção a um lugar específico. Se vê árvores, flores e lagos bonitos pela rua, o que acontece? O cenário é tão bonito que você acaba descansando. Você diz: “Deixe-me ficar aqui e apreciar isso,” e então para e aprecia a paisagem. Mas o seu destino permanece uma meta distante.

Um buscador sincero sabe que a meta dele é a Verdade mais elevada. Ele não adiará a jornada. Mas, no seu caso, posso ver que você aprecia essas experiências; você dá a elas a sua atenção consciente. Isso é muito errado. Na vida espiritual, aspiramos pela mais alta Verdade, por Deus, e por nada mais. Essas experiências são verdadeiras tentações para você. Você deveria sentir: “Tendo realizado Deus, terei experiências infinitamente mais belas, significantes e frutíferas”. Com essa idéia, você deveria deixar de lado essas experiências telepáticas. Se sente que entrando nessas experiências ou permitindo que elas entrem em você, acalentando-as, conseguirá experiências mais elevadas, está enganado. Você não irá nem um pouco mais adiante. Se insistir nelas a toda hora, se estiver constantemente fascinado por elas e sentir que é parte delas, será pego por essas experiências. Muitas pessoas cometeram esse engano, e para elas a realização em Deus permaneceu uma meta distante.

Buscadores sinceros tomam essas experiências como obstruções no caminho. Por favor, não dê atenção a esses tipos de experiências. Elas são fascinantes, mas não estão satisfazendo a sua vida de dedicação, realização e manifestação. De manhã cedo, tente silenciar a sua mente. Se conseguir silenciar a sua mente, não terá essas experiências. Elas estão vindo do mundo vital até você. Você está acalentando essas criações do mundo vital e tentando colocá-las à sua disposição, como se fossem muito suas. Mas elas não podem levá-lo à Meta mais elevada. Se a sua intenção é o Altíssimo, então essas coisas têm de ser descartadas. Quero que você vá até alguém que o inspire a entrar no reino da pura aspiração. Você será capaz de trazer à tona a luz da sua alma e correr o mais rápido possível em direção à Meta mais elevada.

Fifty Freedom-Boats to One Golden Shore 6, p.71-73

 

 

Pergunta: Agora mesmo estou num tratamento de psicanálise, mas parece que, quanto mais fico envolvido com a espiritualidade, mais difícil me é falar sobre ela com o meu analista. Sinto que as coisas oferecidas pela psicanálise não são realmente o que eu quero. E, ainda assim, o meu analista, que me parece ser uma pessoa muito forte, está relutante em me deixar ir embora. E não sei se existe alguma possibilidade de reconciliação entre eu e ele.

 

Sri Chinmoy: Se um amigo seu vem e lhe dá uma manga deliciosíssima, você comerá imediatamente a manga ou fará um milhão de perguntas a ele: onde ele a conseguiu, quanto ela custou e se ela foi importada ou cresceu no Brasil? Na vida espiritual, existem dois tipos de buscadores. Um apenas verá a realidade e imediatamente tentará se tornar a própria realidade. O outro imediatamente começará a contestar a realidade, examinar a realidade e duvidar da realidade. Se usarmos a mente, tentaremos sempre analisar tudo e nunca experimentaremos a realidade. Mas, se usarmos o coração, conseguiremos imediatamente aquilo que queremos.

Portanto, se você realmente quer seguir a vida espiritual, tem de permanecer no coração. Então, essa psicanálise mental não terá nenhuma utilidade. Você já sente que ela não lhe oferece o que quer. Se você tem uma pergunta sincera, só existe um lugar em que se consegue a melhor resposta e ela é da alma. A alma responderá a você através do coração. De outra maneira, não importa que tipo de resposta obtenha, seja da sua própria mente ou do seu psicanalista, a sua mente vai duvidar e contradizê-la. Ela vai contradizer todas as sugestões e todos os conselhos e, alguns segundos depois, duvidará da própria descoberta. Mas quando o coração dá uma resposta a você, a realidade é permanente.

SriChinmoy Speaks 7, p. 44-46

 

 

Perguntas sobre meditação 17: o significado da entrega espiritual

Perguntas sobre meditação 17: o significado da entrega espiritual

Pergunta:Eu não sou um seguidor do seu caminho, mas às vezes penso sobre o caminho da devoção e entrega e, quando o faço, minha cabeça parece lutar contra ele muito energicamente. Ela diz: “Não, você não pode se entregar”, porque não me sinto como se soubesse exatamente para o que estou me entregando. Ela me faz sentir que estou agindo de uma maneira cega.

Sri Chinmoy: Você não precisa seguir o nosso caminho, mas eu gostaria apenas de esclarecer que a entrega, se entendida apropriadamente, é a coisa mais fácil que existe. Mas se não é entendida apropriadamente, ela é a coisa mais difícil do planeta. No mundo, quando vivemos na consciência física, nunca queremos nos entregar a outra pessoa. Mas quantas vezes por dia nos entregamos à ignorância dentro de nós mesmos, apesar de sabermos que estamos fazendo algo de errado? Nós sentimos: “Tudo bem, somos mesmo incapazes”, e nos entregamos. A mente mais elevada nos diz que estamos fazendo algo de errado, mas ela se entrega devido à unicidade dela com a mente mais baixa.

Muitas coisas são assim. Suponha que um amigo seu está fazendo alguma coisa errada, e ele pede um favor a você. O que você faz? Você presta o favor, porque ele é seu amigo, apesar de tudo.

Mas tomemos agora somente o lado positivo. Se sentirmos que nosso corpo inteiro pertence a nós, clamaremos a nossa cabeça como nossa e os nossos pés como nossos. Talvez eu sinta que a minha cabeça tem algo que os meus pés não têm. Digamos que a minha cabeça tem iluminação. É difícil para a cabeça atingir a iluminação antes do coração, mas digamos que a cabeça é mais elevada que os pés. Portanto, a cabeça tem alguma riqueza. Eu clamo a minha cabeça como minha e os meus pés como meus. Diminui a dignidade dos meus pés conquistar a mesma coisa que a minha cabeça está mais do que pronta para dar a eles? Não, pés e cabeça são um. Num momento preciso da ajuda de minha cabeça, noutro preciso da ajuda de meus pés. Somente pela minha unicidade, minha unicidade consciente, com os meus pés e com a minha cabeça, obtenho a riqueza deles. Essa é a verdadeira sabedoria.

De maneira semelhante, quando nos entregamos a Deus, nós nos entregamos à nossa parte mais elevada, porque Deus é a nossa parte mais iluminada. Não podemos separar Deus da nossa existência. Se sentimos que nós e Deus somos um, então Deus é a nossa parte mais iluminada, e nós, por enquanto, somos a parte não iluminada. Somos espertos, somos sábios. Sabemos que a pessoa que foi iluminada, que é toda iluminação, é também parte e parcela de toda a nossa existência. Logo, vamos até a pessoa e recebemos Dele. Se entendemos entrega dessa maneira, não há problema.

Mas se entendermos entrega como a entrega de um escravo ao seu senhor, nunca seremos capazes de sentir a nossa unicidade. O escravo se entrega ao senhor por medo. Ele teme que seus serviços sejam dispensados caso seu trabalho não seja bem feito. Ele sente que, não importa o que tenha feito, mesmo que tenha feito tudo pelo senhor de maneira plena, devotada e até mesmo incondicional, ainda assim não há garantia de que o senhor dará a ele aquilo que o escravo quer ou que o senhor ficará realmente satisfeito com ele. Mas quando oferecemos a nossa existência a Deus, temos o sentimento de unicidade entre Pai e filho ou Mãe e filho. O filhinho sempre sente que tudo aquilo que o pai dele tem é dele também. O pai tem um carro. O filho tem apenas três anos de idade, mas diz: “Eu tenho um carro”. Ele não precisa dizer: “Meu pai tem um carro”. Ele simplesmente dirá: “É o meu carro, nosso carro”.

Portanto, se mudarmos a nossa compreensão sobre a nossa relação com Deus, não haverá problema. Se Ele tem Paz, então temos todo direito de clamar a Paz Dele como nossa. Ele é o nosso Pai, nós podemos herdá-la. Porque Deus é o nosso Pai, porque Deus é a nossa Mãe, podemos ter esse tipo de sentimento. Se sentirmos que somos escravos de Deus e Ele é o nosso Senhor Supremo, que estamos aos Pés Dele e teremos de fazer tudo por Ele, então não teremos nenhum sentimento interior, nenhuma convicção, nenhuma garantia de que ele nos satisfará. Mas se temos o sentimento de unicidade entre Pai e filho, entre Mãe e filho, onde está o problema?

Nós não entregamos nada; somente nos tornamos cientes de que pertencemos a alguém que possui tudo. Apenas clamamos tudo e possuimos tudo a qualquer momento. Para os pés, sentir unicidade com a cabeça não é difícil de maneira nenhuma, porque eles sabem que ela também precisa da ajuda deles muitas vezes. Igualmente, quando aspiramos, sentimos que Deus precisa de nós de modo equivalente. Assim como precisamos Dele para realizar o Altíssimo, a Verdade Absoluta, Ele também precisa de nós para a Manifestação Dele. Para nossa realização, precisamos muitíssimo Dele; para Sua Manifestação, perfeita Manifestação, Ele precisa de nós. Sem nós Ele não Se manifesta ou não pode Se manifestar. Se não diminui a dignidade de Deus tomar uma pequena ajuda de pessoas ignorantes para a Manifestação Dele na Terra, como pode diminuir a nossa dignidade pedir a Deus um pouco de Paz, Luz e Felicidade?

Precisamos estabelecer a nossa consciente unicidade com Deus. E então não haverá entrega, mas apenas um mútuo dar e receber.

Inspiration-Garden and Aspiration-Leaves, p. 37-40