Estou procurando algo, mas não sei o quê

por Patanga Cordeiro

 

“Dear friends, dear brothers and sisters, dear distinguished professors and deans, here we are all seekers. We are sailing in the same boat, the boat that is carrying us to the Golden Shore of the Beyond. Nothing gives me a greater sense of satisfaction than to be of dedicated service to seekers, for I am also a seeker, an eternal seeker, a seeker of the infinite Truth and Light. …” – Sri Chinmoy, The Meaning of Discipleship

 

 

Picture-5-400x240Se você se depara com a realidade de que está procurando algo, mas não sabe o quê, sinta-se um felizardo. Se você procura por algo que a maioria das pessoas não compreende ou nunca ouviu falar, isso quer dizer que está pronto para ir além do ordinário. Pronto para se descobrir como um ser extraordinário.

 

Você é um buscador. Um buscador da satisfação permanente, genuína. Salvação, Libertação, Nirvana, Realização – todos são termos similares que indicam um estado de beatitude que não se encontra simplesmente em ir ao trabalho, estudar, lidar com a família, descansar nos fins de semana…

 

Tentei compilar uma lista de coisas que indicam que você deve estar despertando e pronto para “algo mais”. Não é uma lista exaustiva – certamente existem muitos outros sinais. Mas esses são os que eu consegui agrupar aqui, baseados nas minhas experiências pessoais e também nas que me contam durante os cursos de meditação. Acho que você só compreenderá o que eu quis dizer em cada um dos temas se estiver passando pela situação descrita. Também não há questão de “superior ou inferior”. São momentos, experiências.

 

 

“Quero mudar”

 

Vontade de mudar algo que é dogmático na sociedade. Bons exemplos: dieta vegetariana, largar de vícios como álcool e cigarro, etc. Todo mundo sabe que é certo, mas (quase) ninguém faz. Você simplesmente não aguenta mais e muda. Talvez não conheça ninguém que tenha mudado, mas você o faz sozinho, a despeito de todos. Ou pode ser até algo bem simples, bem pequeno. No meu caso, eu lembro que, quando tinha uns 16 anos, eu só bebia sucos doces e refrigerantes. Eu não tomava água de jeito nenhum. Aí eu simplesmente resolvi parar de tomar as outras coisas. Resultado: aprendi a gostar de água e me senti capaz de me transformar. A partir daí eu comecei a mudar mais coisas em mim mesmo, até que cheguei na meditação. E hoje em dia eu posso beber tanto água quanto refrigerantes, sem estar vinculado a nada. Outro exemplo comum é começar a praticar esportes, no caso de uma pessoa sedentária. Eu fiquei muito tempo sem me exercitar (digamos, da infância até os 16 anos). Com 16 anos, comecei a praticar esgrima japonesa. O primeiro treino foi MUITO cansativo. Mas eu cheguei em casa com uma alegria que ia além da euforia. Só podia ser algo da minha alma – ela devia estar feliz, pois eu estava fazendo algo que ela queria que eu fizesse.

 

 

“Buscas extremas”

 

Algumas pessoas, quando procuram por algo que não sabem o que é, mas não encontram, tendem a procurar experiências cada vez mais fortes, no intuito de encontrar algo genuíno. A exemplo, tenho colegas que eram de bandas de heavy metal quando encontraram a meditação. Alguns começaram a usar drogas, etc, mas, no caso particular deles, não era uma questão de autodestruição. Eles estavam procurando. Algumas pessoas largam um emprego que paga um ótimo salário para fazer algo braçal. Outro exemplo interessante é o Ayrton Senna. Se você puder ver as entrevistas e gravações das corridas (há alguns filmes sobre ele), você verá que ele ia muito além do que os outros pilotos consideravam um limite. E ele teve experiências espirituais e um despertar interior muito evidente.

 

 

“O santinho”

 

Essa é uma versão oposta do “buscas extremas”. Uma pessoa equilibrada, com tendências angelicais, compassivas, sincero, honesto, puro, mas ainda dinâmico, buscador, aspirante, é assim por um motivo. Ele já tem uma tendência espiritual, provavelmente por já tê-las desenvolvido em outras vidas. Ele precisa encontrar um caminho logo, antes que suas qualidades sejam “devoradas” pelas críticas exteriores.

 

 

“Felicidade em si mesmo”

 

Você tinha um namorado(a), esposo(a) e, depois do relacionamento acabar, você se sente feliz genuinamente, com vontade de se descobrir, com tremenda aspiração. Existe mais um conceito na sociedade, que alguém só é feliz se tiver uma companhia, o que é absurdo. Buddha costumava dizer que só é feliz com uma companhia aquele que consegue ser feliz sozinho (obviamente). Eu mesmo passei por essa experiência. Quando terminei um relacionamento que não era para o progresso mútuo, eu tive uma sensação de felicidade tão intensa que reconheci imediatamente que era um sorriso da minha alma. Eu tinha feito a coisa certa, e muitas e muitas novas possibilidades, mais reluzentes, surgiram diante de mim a partir de então.

 

 

“O desencaixado”

 

Você se sente sozinho, ninguém o compreende. Você sabe que não está maluco, mas que o mundo parece não pensar como você. Na verdade, você ainda não encontrou pessoas que possuem a mesma aspiração que você. Quando o fizer, se sentirá encaixado. E mais, sentirá que a aspiração e o questionamento positivo é um estado natural do ser. E inspirará outras pessoas a fazerem o que sentem ser correto.

 

“O encaixado”

 

Essa é uma experiência inversa de “o desencaixado”. Uma pessoa extremamente popular e bem querida por todos, agrada a todos, lida com todos, possui muitos contatos e muitas pessoas queriam ser como ela. Possivelmente, essa pessoa possui capacidades interiores extraordinárias, mas ainda não está direcionando elas para uma busca espiritual. Assim, ela desenvolve o aspecto exterior. Cedo ou tarde, a pessoa deixa de ter satisfação no mundano e dirige o seu anseio para o Altíssimo.

 

 

Por que meditamos? O que é meditação?

September 13 1976g _0Pergunta: Guru, você fala sobre a meditação. O que quer dizer meditação?

Sri Chinmoy: Meditação quer dizer muitas coisas para muitas pessoas. Cada indivíduo possui uma forma de aprender o segredo da arte da meditação. No nosso caso, quando meditamos, esvaziamos nossas mentes e, então, as preenchemos com algo divino. Isso quer dizer que jogamos fora todos os pensamentos infrutíferos, malignos e não-divinos, e preenchemos a mente com pensamentos gratificantes, iluminadores e divinos.

Pergunta: Por que meditamos?

Sri Chinmoy: A meditação é absolutamente necesária para aqueles que querem ter uma vida melhor e mais satisfatória. Se você sente que está satisfeito com o que tem e o que é, então não precisa entrar no campo da meditação. Mas, se você sente que há um deserto árido em seu coração, eu gostaria de dizer que a meditação é a resposta. A meditação lhe dará alegria interior e paz de espírito. A meditação nunca o tirará de seus pais, de seus filhos, de sua família. Longe disso. Ela apenas aumentará a conexão com os seus entes queridos, pois dentro deles você verá a existência de Deus.

Se você quer desenvolver seus talentos ou aumentar a sua capacidade em qualquer âmbito, eu gostaria de dizer que é obrigatório seguir uma certa disciplina interior. Se você é um cantor, mas deseja cantar infinitamente melhor, se aspirar, eu lhe digo, a sua voz ficará muito melhor. Não há nada na terra que não possa ser melhorado através da meditação.

Se você quer simplificar a sua vida, a meditação é a resposta. Se você quer ter satisfação na sua vida, a meditação é a resposta. Se você quer ter alegria e oferecer alegria ao mundo todo, a meditação é a única resposta.

Se você medita para esquecer do sofrimento ou das dificuldades, então não está meditando pelo motivo correto. Mas, se está meditando apenas para agradar a Deus e satisfazer a Deus da Maneira própria Dele, então a sua meditação é correta. Quando Deus é satisfeito, e Deus é satisfeito na sua meditação, então o papel de Deus é levar embora o seu sofrimento e dificuldades. Mas, se você medita para escapar do mundo ou desafiar o mundo e ficar contra ele, então está fazendo a coisa errada.

A meditação é a sua capacidade consciente, que você deve exercitar todos os dias e todos os segundos, para entrar em sua mais elevada divindade, onde o finito fica completamente perdido no Infinito. A existência finita que você tem e é pode ser facilmente dissolvida no infinito e se tornar completamente uma com o infinito, se você meditar. Isso é o que a meditação é, e o que a meditação pode fazer por você.

Sri Chinmoy, Experiences Of The Higher Worlds, Agni Press, 1977

A missão da alma

a-good-intention-can-change-a-great-many-conditionsCada alma possui uma missão especial?

 Sri Chinmoy: A sua alma tem uma missão especial. Sua alma está supremamente consciente dessa missão.

A maya, ilusão ou esquecimento, faz com que você sinta que é finito, fraco e indefeso. Isso não é verdade. Você não é o corpo. Você não é os sentidos. Você não é a mente. Eles são todos limitados. Você é a alma, que é ilimitada. A sua alma é infinitamente poderosa. A sua alma transcende tempo e espaço.

A sua alma possui uma missão especial? Sim. A sua missão está nos recessos mais profundos do seu coração, e você tem de encontrá-la e satisfazê-la lá mesmo. Não pode haver uma maneira exterior para que você satisfaça a sua missão. O almíscar cresce no corpo do cervo. Ele sente o cheiro do almíscar e, encantado, procura encontrar a sua fonte. Ele corre e corre, mas não consegue encontrar a fonte. Em sua busca interminável, ele perde toda a sua energia e, por fim, morre. Mas a fonte que ele procurava desesperadamente estava dentro de si mesmo. Como é que ele a encontraria em outro lugar?

Acontece o mesmo com você. A sua missão especial ­– que é a satisfação da sua divindade – não está fora de você, mas dentro. Procure no interior. Medite no interior. Você descobrirá a sua missão.

 

Como conhecemos qual é a nossa missão especial?

 Sri Chinmoy: Para saber qual é a sua missão especial, você precisa mergulhar fundo dentro de si. A esperança e a coragem devem acompanhá-lo em sua jornada incansável. A esperança despertará a sua divindade interior. A coragem fará a sua divindade interior florescer. A esperança o inspirará a sonhar com o Transcendental. A coragem o inspirará a manifestar o Transcendental aqui na terra.

Para sentir qual é a missão especial, é preciso sempre criar. Essa sua criação é algo em que você derradeiramente se tornará. Finalmente, você percebe que a sua criação é a sua auto-revelação.

É verdade, existem tantas missões quanto almas. Mas todas as missões se satisfazem apenas depois das almas terem alcançado um certo grau de perfeição. O mundo é um teatro divino. Cada participante tem uma parte em seu sucesso. O papel de um servo é tão importante quanto o do Senhor. Na perfeição de cada papel individual está a satisfação coletiva. Ao mesmo tempo, a satisfação individual é perfeita apenas quando o indivíduo estabelece sua conexão inseparável e realizado sua unicidade com todos os seres humanos do mundo.

Você é um, da cabeça aos pés. Ainda assim, um lugar seu é chamado de orelhas, e outro se chama olhos. Cada lugar tem o seu nome próprio. Estranhamente, apesar de serem todos partes do mesmo corpo, um não pode fazer o papel do outro. Os olhos vêem, mas não conseguem ouvir. As ouvidos ouvem, mas não conseguem enxergar. Portanto o corpo, sendo um, também é muitos. Similarmente, apesar de Deus ser um, Ele Se manifesta através de muitas formas.

Deus nos conta qual é a nossa missão. Mas nós não entendemos a linguagem de Deus, e, portanto, Ele tem de ser o seu próprio intérprete. Quando outros nos falam sobre Deus, eles nunca podem explicar completamente o que Deus é. Eles fazem uma representação imperfeita, e nós ouvimos eles também de forma imperfeita. Deus fala no silêncio. E Ele interpresa a Sua mensagem em silêncio. Devemos também ouvir e entender Deus em silêncio.

 

Sri Chinmoy, The Wisdom of Sri Chinmoy, p 331-332, Blue Dove Press, San Diego, 2000

Como Meditar no Coração

Patanga-pequeno.jpg

My heart of love
Is divinely beautiful.
I love my beautiful heart.

My heart of devotion
Is eternally soulful.
I love my soulful heart.

My heart of surrender
Is supremely fruitful.
I love my fruitful heart.

– Sri Chinmoy

Por Patanga (foto)

O coração espiritual é a sede das emoções mais elevadas. Uma das emoções mais significativas que ele pode nos proporcionar é a de sermos Um com a Luz, a Alegria, ou, simplesmente, Deus. Isso é Amor.

O sentimento de possuir algum objeto (ou pessoa) ou satisfazer um desejos é algo que não se fundamenta no coração. Também, por conta disso, traz felicidade que não é plena e nem permanente. Alguém compra um carro (ou qualquer outro objeto dos seus desejos) acreditando que será feliz derradeiramente. Mas depois surge mais um desejo, e ele o troca por um melhor. Depois compra mais um, e assim por diante.

Já a sensação de estar feliz consigo mesmo, a despeito das situações exteriores, é algo que radica da nossa satisfação plena. Essa satisfação é o resultado de o quão profundamente conseguimos alcançar o nosso Ser interior, a nossa alma, a qual é toda Perfeição.

E a porta para a alma é o nosso coração espiritual.

Como meditar no coração?

Vou ensinar um exercício que Sri Chinmoy valorizava e encontra-se publicado no livro Jewels of Happiness. A parte em itálico é o exercício de Sri Chinmoy. O restante são os meus comentários.

De preferência sozinho, sente-se sem tensão em nenhuma parte do corpo e respire de forma profunda, mas suave. Primeiro deixe que a respiração lhe traga serenidade. Não pense que você está dentro da sua cabeça. Sinta que o seu “eu” está no seu coração. Agora imagine:

“Você pode ter a maior alegria imaginando uma criança infinitamente mais bela que a mais bela criança que você já viu neste mundo.”

Depois de um minuto:

“Dentro de si, você tem uma criança ainda infinitamente mais bela do que ela. Apenas imagine-a. Assim, você terá uma tremenda alegria.”

Essa criança de que Sri Chinmoy fala deve ser a sua própria alma, não? Por isso a sua beleza é tão extraordinária – pois vem da sua própria Perfeição.

Depois de uns três minutos:

“Quando sentir que você é uma criança, imediatamente perceba que está dentro de um jardim florido. Esse jardim de flores é o seu coração. Uma criança pode brincar em um jardim por horas.”

Imagine-se brincando. E agora faça:

“Ela irá de uma flor até a outra, mas não deixará o jardim, pois sentirá alegria com a beleza e fragrância de cada flor. Dentro de você há o jardim, e você pode permanecer ali por quanto tempo quiser. Assim você pode meditar no coração.”

Quando estiver satisfeito, volte a se concentrar na sua respiração e depois de uns instantes, procure alguma atividade espiritual para fazer: leitura, mantras, canções ou a prática de esportes. Deixe que a experiência da meditação primeiro seja assimilada antes de retornar aos seus deveres cotidianos.

 

Emudecido de silêncio e beleza

Os anseios fazem-me débil e fraco,
E não ouvem minha Vontade secreta.
Odeiam sempre a minha busca suprema,
Tornam meu ardor coisa abjeta.

Quanto a todos os meus desejos,
Chegará o dia, eu bem sei,
Em que buscarão a Tua Graça e a Ti somente;
Então em Ti brilharei.

Acima dos frutos e das ações eu,
Teu azul Olho-Compaixão azulado
Levará o meu coração e alma, o meu todo;
Em Ti sumirá o meu passado.

-Sri Chinmoy
My first friendship with the muse

Hoje estava lendo aforismos da série Seventy-Seven Thousand Service-Trees, que pessoalmente considero o magnum opus de Sri Chinmoy, com 50.000 poemas. Normalmente leio cinquenta deles (leva apenas cinco minutos) antes de pegar outros livros.

Hoje corri sem pausas por cento e cinquenta aforismos, perdi-me no vasto do tempo e fiquei emudecido de silêncio e beleza:

Eventually
Everybody’s life-possession
Shall end in
Infinity’s Nothingness.

To me, a self-giving
And self-effacing thought
Is, indeed, a perfect prayer.

God has given me
Two sleeplessly God-dreaming eyes,
And I have given Him
My gratitude-heart-tears
In return.

To feel God’s Love,
Always keep
A simplicity-life,
A purity-heart
And
A sincerity-mind.

Not my capacity,
But my Lord’s
Unconditional Compassion
Has enabled me to have
An illumination-mind,
Compassion-heart
And
Oneness-life.

When I give my Lord
All my weaknesses,
He tells me that
He wants to claim them
As His own
Before He strengthens them.

May my aspiration-heart-bell
Ring every morning
And every evening
Like a temple bell.

-Sri Chinmoy

Para terminar:

Eu sorrio para fazer
Você sorrir.
Eu choro para fazer
Você chorar.
Todo feito meu invoca
O Teu sol-vasto, inominado meneio.

-Sri Chinmoy
My First Friendship with the Muse

Perguntas sobre meditação 27: meditando antes de comer

Perguntas sobre meditação 27: meditando antes de comer

Pergunta:Por que devemos meditar em nossa comida antes de comê-la?

 

Sri Chinmoy: Antes de comer, é obrigatório meditar. Antes de fazer qualquer coisa, é recomendável para uma pessoa espiritual, meditar, pensar no Piloto Interior, o Supremo. O Supremo vem antes de tudo que façamos, Ele está no meio de tudo que fazemos, e Ele está no fim de tudo que fizemos. Se nós Se nós meditarmos antes de comer, Sua Compaixão desce até nós, e Sua Compaixão não é pequena em poder de energia. Logo, acompanhando a comida material, nós podemos receber poder de energia, então naturalmente, nós teremos benefício duplo da comida.

Secrets of the Inner World, p. 46-47

 

 

Pergunta:O que quer dizer “Annam Brahma”…Comida é Deus?

 

Sri Chinmoy: Comida é vida e vida é Deus. Deus é vida. A comida nos dá nova vida; ela nos energiza. Tudo que nos energiza é vida. A corrente da vida – e vida é Deus.

Secrets of the Inner World, p.44

 

Pergunta:Como podemos sempre sentir que comida é Deus?

 

Sri Chinmoy: Quando você reza e medita, você está compelido a sentir que está devorando a Paz, Amor e Luz de Deus. Então, quando você está comendo comida material, se você sentir que esta comida está mantendo você vivo ecom boa saúde, o que o habilita para rezar e meditar, naturalmente você pode manter ambos, comida e Deus, na mente. Quando você reza, você sente que Deus está vindo a você na forma de Paz, Luz e Felicidade, o que é sua comida verdadeira. Mas, quando você está comendo comida material, você sente que Deus, na forma desta comida, está mantendo você vivo.

Nesse momento, a comida realmente o ajuda a pensar em seu Amado Supremo. Portanto, ambos, comida e Deus, podem facilmente ser vistos juntos como um.

Secrets of the Inner World, p. 44-45

 

Perguntas sobre meditação 26: tirando os calçados para meditar

Perguntas sobre meditação 26: tirando os calçados para meditar

Pergunta:Por que você pede às pessoas para deixarem os sapatos do lado de fora e não levarem para sala de meditação?

 

Sri Chinmoy: Pedimos às pessoas para deixarem seus sapatos do lado de fora e não levarem para sala de meditação porque viemos aqui para aspirar. Quando viemos aspirar, temos que fazer com que nossa consciência física, nosso corpo físico, também aspire.

Com os sapatos, andamos o dia inteiro em ruas sujas, além disso, se entramos na sala de meditação calçados e tentamos meditar, todas as impurezas das ruas, entrarão na consciência da sala, em nossa consciência e na consciência de todas as pessoas que estão meditando. Naturalmente, isso nos atrapalhará. Além disso, devemos tomar nossa sala de meditação como um Santuário, um lugar sagrado. Lá vamos para comunhão com Deus.

Quando entramos em uma igreja, por respeito, tiramos os chapéus.

Da mesma forma, antes de entrarmos na sala de meditação, por respeito, tiramos os sapatos.

SriChinmoy Primer, p. 113-114

 

Perguntas sobre meditação 25: exercícios físicos e meditação

Perguntas sobre meditação 25: exercícios físicos e meditação

 

Pergunta:Porque você incentiva seus alunos a participarem e organizarem eventos de competição como triatlon e corridas de longas distâncias?

 

Sri Chinmoy: Eu incentivo e encorajo meus alunos a participarem e organizarem triatlons, corridas de longas distâncias como também curtas distâncias, precisamente porque sinto que o mundo precisa de dinamismo.

O mundo exterior precisa de dinamismo e o mundo interior precisa de paz. Somos todos buscadores; meditamos e rezamos para alcançarmos paz. Sentimos que se podemos ser dinâmicos, estaremos aptos a realizar muito em nossa vida exterior.

Para sermos dinâmicos, precisamos ter forma física a todo momento, e correr nos ajuda consideravelmente a manter uma boa forma. Também, o correr nos lembra de nossa jornada eterna na qual caminhamos. Marchamos e corremos ao longo da Estrada da Eternidade para nossa meta eterna.

The outer running and the Inner running, p-140-141.

 

 

Pergunta:Qual é o propósito espiritual dos esportes competitivos?

 

Sri Chinmoy: O nosso objetivo não é nos tornarmos os melhores atletas do mundo. O nosso objetivo é manter o corpo preparado, para desenvolver dinamismo e dar ao vital alegria inocente. O nosso objetivo não deve ser ultrapassar os outrosmas, constantemente ultrapassar as nossas próprias conquistas anteriores. Não podemos avaliar corretamente a nossa própria capacidade ao menos se tivermos uma tabela de comparação assim, não competimos para vencer os outros, mas para buscar nossa capacidade. A nossa melhor capacidade aparece quando há pessoas ao nosso redor.

Elas nos inspiram a buscarmos nossa maior capacidade e nós as inspiramos a buscar suas maiores capacidades. Por isso que temos esportes competitivos.

Sempre deve ter um objetivo.Ao se ter um objetivo não significa que temos que vencer os melhores corredores do mundo, longe disto.

Na vida espiritual, não há competição. Mas tem algo que é essencial, necessário e inevitável, que chamamos de progresso; queremos nos transcender. Se há outra pessoa conosco, imediatamente nossa mente ou a mente dos outros irão pensar que estamos competindo.

Na vida comum, competimos com os outros para alcançarmos supremacia.

Mas na vida espiritual, não estamos em competição com outros. Estamos apenas tentando transcender nossa própria capacidade.

Podemos pensar em nós como duas metades: imperfeição em uma das metades, e nosso sincero clamor por perfeição está na outra metade. Em um lado está a fraqueza e do outro está a força. Com nosso clamor interior pela perfeição, corremos em direção ao nosso destino e alcançamos a margem-iluminação. Quando nosso ser está completamente iluminado, o escuro e as forças da ignorância ficam com medo de vir até nós. Antes de abraçarmos o destino, elas nos desafiam. Mas uma vez que alcançamos a margem-iluminação, as forças da ignorância não ousam entrar em nós, pois sentem que serão totalmente destruídas. Elas não sabem que serão apenas transformadas e iluminadas.

The outer running and the Inner running, p-141-142.

 

 

Pergunta:Qual a importância para um aspirante espiritual se manter em boa forma física?

 

Sri Chinmoy: Boa forma física é de grande importância em nossas vidas. Se o corpo estiver em boas condições, poderemos realizar todas as nossas atividades bem. Por isto é importante, correr ou fazer exercícios físicos todos os dias para nos tornarmos fortes, saudáveis e dinâmicos. Se estivermos com boa forma física, estaremos aptos a não permitir que doenças e outros indivíduos não convidados entrem em nós.

No passado, as pessoas gostavam da malhação do corpo pois elas sabiam que se elas tivessem um corpo saudável, elas poderiam permanecer por mais tempo na terra. Se elas fossem espirituais, sentiam que em um corpo saudável permitiriam a elas continuar rezando e meditando por muito mais anos.

Hoje sabemos também que se o corpo estiver doente, não poderemos rezar e meditar bem. Por algumas semanas e meses. Podemos sofrer tanto física como mentalmente. Temos um corpo e uma alma. Uma pessoa espiritual tem que dar importância igual ao corpo e a alma. Se prestar atenção somente ao corpo. Se tornar fisicamente forte, mas espiritualmente fraco, não haverá paz na mente ou na felicidade interior. Normalmente, se prestar atenção apenas nas orações e meditações e negligenciar o corpo, este não será um instrumento afinado para revelar e manifestar Deus.

De manhã, Ele tentará rezar para Deus, mas terá que parar, pois tem uma dor de cabeça, estômago, revoltado e etc.

Se alguém não pratica nenhum exercício mesmo, o físico irá permanecer sem luz, letárgico e verdadeiro obstáculo para o aspirante.

Se a consciência física não aspira, ela se manterá separada da alma. Tenha certeza, então, que você nunca alcançará a perfeição. O físico deve aspirar em sua própria maneira para aumentar sua capacidade para abarcar a luz. O físico contribuirá com o espiritual e estará apto a aspirar e manifestar muito mais. Boa forma física e espiritualidade devem caminhar juntas. É como se ter duas pernas. Com uma perna eu não posso andar; preciso das duas pernas para alcançar o destino.

The outer running and the Inner running, p-142-144.

 

O seu correr exterior tem um papel muito importante não só na sua vida espiritual como também na comunidade mundial. Se as pessoas que aceitaram a vida espiritual não fazem a coisa certa, como é que podemos esperar dos outros que não são conscientes de sua existência interior, fazerem a coisa certa? E ficarei muito feliz e orgulhoso se você puder correr uma maratona.

Esta é a idade de ouro para vocês.

Vocês estão todos com menos de 40 anos. Quando tiverem mais de 50 anos, não importa quanto tentarem, vocês não conseguirão trazer para fora uma determinação física e vital que vocês têm agora. Haverá uma ou duas exceções, mas 99 em 100 pessoas acharão difícil depois dos 45 anos.

Se quiser satisfazer sua Divindade, por favor, por favor, corra regularmente.

Talk at Progress-Promise on the eve of the New York Marathon, 1985.