Seja feita a Vossa Vontade – como é fácil orar e meditar por um minuto várias vezes ao dia

“Todos os dias você possui vinte e quatro horas à disposição. Dessas vinte e quatro horas, você dedica diariamente meia hora ou uma hora para Deus. Você medita de manhã cedo por cinco minutos e então diz: “Eu meditei.” Você fez a sua parte e passa o resto do dia do seu próprio jeito. Mas não há aspiração, devoção, clamor interior. Das vinte e quatro horas, você poderia facilmente ter dedicado pelo menos três ou quatro a Deus.”

– Sri Chinmoy, Inspiration-Garden and Aspiration-Leaves, Agni Press, 1977

Meditar por um minuto várias vezes ao dia

Alguns meses atrás, estive com colegas europeus do Centro Sri Chinmoy que estavam fazendo horários extras de meditação (porque e como começar) durante o dia. Anos atrás eles criaram também um horário diário para orar por cinco minutos pela Vitória divina. Achei bem inspirador, pois nunca sabemos com certeza qual é a coisa certa – talvez até pensemos o que seria a coisa “boa”, mas a coisa “certa” pode ser diferente. Pode ser que algumas experiências sejam necessárias para nós. Assim também não há julgamento nem tomar partido com os conflitos exteriores ou interiores, coletivos ou individuais. É apenas oferecer a sua boa vontade para o mundo e para que o melhor aconteça, para a Vitória de Deus.

 

“Seja feita não a minha, mas a Vossa Vontade.”

 

Recentemente comecei junto com meus colegas a fazer dois horários no dia para orar ou meditar por alguns minutos pela Vitória divina. Foi muito inspirador. Em seguida, comecei a ler um diário de um dos alunos de Sri Chinmoy da Suíça, que tem enormes responsabilidades materiais e espirituais. Num certo momento, Sri Chinmoy havia lhe recomendado que parasse o trabalho/etc a cada duas horas para meditar por três minutos. Ele frisou que deveria considerar esses três minutos como o verdadeiro trabalho, e que as duas horas restantes de tarefas do escritório seriam apenas uma preparação para esses três minutos. Nunca tinha pensado nisso, mas não fiquei surpreso ao ouvir. Faz todo sentido. Como eu faria algo corretamente sem ter a inspiração interior adequada? Posso até fazer “o que eu acho melhor”, mas talvez não “o que é o melhor”. A meditação e oração vão abrir portas para que uma Vontade superior possa inspirar nossas ações.

 

“Seja feita não a minha, mas a Vossa Vontade.”

 

Será que eu não consigo dedicar um minuto dentre cada sessenta minutos de uma hora? Comecei a fazer mais meditações curtas durante o dia. A cada hora um timer toca, e paro tudo que estou fazendo por um minuto. Tenho tido experiências ótimas. Tantas coisas boas de dentro de mim têm vindo à tona. Fico até surpreso ao lembrar sensações que tive em décadas passadas sobre a minha vida espiritual; lembrar orações que fazia anos atrás – tudo isso tem vindo espontaneamente em algumas dessas meditações de um minuto.

 

Para quem quiser tentar, algo que ajuda é usar um timer. Posso recomendar usar um app gratuito para o iPhone chamado Timer+. Você consegue configurar para apenas tocar um sinal a cada intervalo definido, e repetir durante o dia quantas vezes quiser, sem ter que encostar no celular nem apagar notificações. Você também pode usar aqueles timers de corda para cozinhar, que são em forma de ovinho ou de galinha.

 

“Quando se dedica, sinta que poderia ter usado o momento para alguma outra coisa. Você poderia ter ido assistir um filme, a uma festa, feito algo tolo, mas ao invés disso resolveu meditar, orar e fazer coisas espirituais. … O tempo que passa não volta. Hoje, o dia vinte e sete de dezembro de 1971 não voltará, ele já era. O amanhã aparecerá no calendário, mas o tempo fugaz de hoje, o alento efêmero de hoje, irá embora.”

-Sri Chinmoy, Inspiration-Garden and Aspiration-Leaves, Agni Press, 1977

 

Introdução à meditação, parte 2: a importância da música para meditar

Introdução à meditação, parte 2: a importância da música para meditar

 

The stars of the sky

Always adorn only

The brave.

 

As estrelas do céu

Adornam somente

Os corajosos.

 

-Sri Chinmo

 

Utilizando a música correta, a sua meditação pode ser auxiliada.

Se for uma gravação musical de um Mestre espiritual genuíno, a consciência em que se encontra é expressada na música. Estando então no ambiente com a música, a sua consciência pode se identificar com a consciência do Mestre e subir mais alto do que estaria sem seu auxílio.

Praticando um exercício de concentração com a música

Exteriormente, a música para meditação é um auxílio para a concentração se você estiver inspirado a tentar assim. Você pode concentrar a sua atenção na música em si – não como quem a ouve, mas quem quem se foca nela. Você não deve analisá-la, pois assim estaria num processo mental de ouvir e analisar. Você deve apenas ouví-la, identificando-se com ela. Não tente acompanhar. Normalmente, música para meditação não possui um ritmo marcado, mas podem haver exceções.

Música para melhorar o ambiente

Ela pode também encobrir sons externos que poderiam incomodá-lo na hora da sua meditação. Você pode usar fones de ouvido, mas em geral é melhor se o som for ambiente mesmo, até para você ficar longe dos aparelhos eletrônicos na hora de meditar.

 

Música para meditação

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Meditando com vídeos

Na semana passada estávamos meditando com uma gravação em vídeo de Sri Chinmoy. Não é o que seria uma “meditação guiada” no sentido comum, alguém dizendo o que você deve imaginar, relaxar, etc. O vídeo era apenas Sri Chinmoy meditando em silêncio, imóvel. Só isso. Estávamos tentando nos identificar com a meditação dele enquanto o observávamos.

Durante a meditação, não posso dizer que aconteceu algo ou me tornei algo, mas parecia que tudo estava muito bem. É um sentimento de luminosidade suave, mas permeante.

Quando o vídeo acabou, de repente, parecia que eu tinha caído de volta para a terra.

Eu percebi que estava sendo inspirado, ou melhor, orientado na minha meditação ao ver a gravação do meu Mestre. Quando ela acabou, senti o vasto abismo entre eu e ele. Uma vez vi Sri Chinmoy comentar que isso pode ser quando não estamos meditando corretamente. Com certeza, não tive a melhor das meditações, se comparar com meditações muito boas, mas acho que o ensinamento foi diferente desta vez. O ensinamento é que eu poderia buscar mais a proximidade da consciência do Mestre espiritual para elevar o meu próprio padrão.

Isso me inspirou a buscar sentir mais a orientação interior durante o dia, tentar ficar durante todo o dia um pouco mais receptivo a essa consciência que vi no vídeo.

“When we attain the divine consciousness, it attains us and we also attain it. There is a meeting place where the two come together. Reality is all-pervading. Suppose right now we are on the first floor; this is our reality. God, who embodies the universal Consciousness, is on the third floor. So God comes down to the second floor with His Compassion and we go up to the second floor with our intense cry to attain oneness with His Consciousness. God embodies the highest divine Consciousness and He also embodies our inner cry. So God, who is within us in the form of our inner cry, carries us to the second floor; and God, who is outside us in the form of the infinite divine Consciousness, comes down to the second floor. God climbs up with us and God climbs down with the divine Consciousness. When both the seeker and God arrive at a particular place, the seeker enters into the divine Consciousness and the divine Consciousness enters into the seeker. With our personal effort and God’s Grace we go up and with His Compassion and Love God comes down.” – Sri Chinmoy

 

Introdução à meditação, parte 1 – porque e como começar

 

Um coração devotado

Descobriu uma verdade suprema:

Meditar em Deus

É um privilégio,

E não um dever.

Sri Chinmoy, Ten Thousand Flower-Flames, part 9, Agni Press, 1981

 

 

Começamos a meditar por diversos motivos, mas a nossa humildade e simplicidade nos lembra que a meditação é foi algo que nos foi dado, um privilégio, e não um dever ou fruto de nossa inventada “superioridade” intrínseca. Essa percepção mostraria apenas o quão bem ou mal sucedidos temos sido em nossa meditação.

 

Também, nas últimas décadas, algumas pessoas buscaram a meditação como uma fuga – um escape dos problemas psicológicos internos, um alívio às tensões do dia. Essa meditação não será profunda e não nos levará longe. Acho bem possível que você não encontrará um único texto milenar ou mesmo do século passado introduzindo o conceito de que a meditação é para relaxar ou para tratamento de saúde.

 

Outras pessoas buscam a meditação porque elas precisam meditar. Elas precisam meditar, e não de algo que a meditação possa trazer como resultado. É um impulso interior. É algo que o impele a buscar e o inspira a superar obstáculos para começar a meditar. É um anseio concedido por Deus ao buscador.

 

Uma introdução prática à meditação

 

Para começar a meditar, sente-se num lugar o mais afastado possível de outras interferências, dentro de casa.

 

Respire fundo algumas vezes, mas sem tensão, sem fazer força. A cada respiração, diminua o ritmo geral. Isso ajuda a trazer uma certa disciplina para a mente.

 

Mas a meditação profunda não acontece na mente, pois ela mesma é superficial. Ela acontece a partir do coração espiritual, onde mora a sua alma.

 

Para meditar no coração espiritual, sinta que você é esse coração. Sinta que a sua verdadeira essência mora no o lugar para onde aponta quando diz “eu”. Com os olhos entreabertos para não ficar sonolento, foque a sua concentração num ponto.

 

Esse ponto pode ser algo pequeno, mas recomenda-se algo que lembre e traga a tona o seu coração espiritual e lembre-o da sua alma, sua divindade interior. Pode ser uma flor (com a sua beleza e perfeição), uma chama de vela (com a sua luz e vontade de se elevar) ou uma foto ou estátua do seu Mestre espiritual (que representa e incorpora a sua própria meta final).

 

Observe a partir do seu coração, como se seus olhos estivessem lá e seu olhar viesse do meio do seu peito. Isso ajuda a sair dos processos mentais.

 

Agora tente se identificar com o objeto da sua concentração. Sinta que você e ele são uma coisa só. Esse é o poder do coração: o poder de identificação, unicidade.

 

Sinta que você

e a beleza da flor,

o anseio da chama,

a iluminação do Mestre

são um ser só.

 

Como tudo que vale a pena, pratique todos os dias, sem nunca faltar (nunca mesmo), num horário fixo, duas vezes ao dia e de preferência antes das seis horas da manhã e antes de dormir, com a luz sempre acesa.

 

O resultado será algo que você nunca viu nem ouviu falar antes, pois terá uma experiência intrinsecamente pessoal; estará fazendo algo que só você consegue fazer, que é meditar no seu próprio coração, na sua própria alma.

 

“A meditação nos dá uma vida espontânea e natural, tão espontânea e natural que não podemos nem mesmo respirar sem ficarmos conscientes da nossa divindade.”

Sri Chinmoy, Meditation: man’s choice and God’s Voice, part 1, Agni Press, 1974

 

Leia mais em:

 

Meditação é algo natural

Meditação é uma coisa tão simples e natural

 

Meditação para iniciantes

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Música para meditação

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Meditação é uma coisa tão simples e natural

livro meditacao

A meditação simplifica a nossa vida exterior e energiza a nossa vida interior. A meditação nos proporciona uma vida natural e espontânea, uma vida que se torna tão natural e espontânea que não podemos respirar sem estarmos conscientes da nossa própria divindade.
Sri Chinmoy, o que é meditar

Alguns anos atrás uma escritora do Vida Simples participou do nosso curso de meditação e escreveu uma matéria para a revista impressa. Uma amiga minha que também é jornalista reencontrou essa matéria e, pensando no nome “Vida Simples”, me veio o pensamento de que eu poderia retribuir, escrevendo agora eu sobre a como aprender a meditação e abordando o seu aspecto de “simples e natural”.

Meditação é muita coisa para muita gente. Para mim, meditação não é técnica. Meditação não se aprende lendo, e eu não posso ensinar para ninguém. Meditação é um anseio interior, que Sri Chinmoy costuma chamar de aspiração. Quando você dá um espaço para a sua meditação acontecer, para a sua aspiração mergulhar (é uma boa figura de linguagem), aí é que você entende o que é meditar. Mesmo uma meditação de um minuto, contanto que seja genuína, faz você levantar do lugar onde estava sentado uma pessoa completamente diferente do que a pessoa que se sentou lá.

Quando essa aspiração começa a se manifestar com frequência na vida de uma pessoa, ela se torna uma buscadora – buscadora da Verdade, da Luz, da Perfeição.

Agora pensemos. Verdade, Luz, Perfeição escritas assim, com inicial maiúscula… são coisas fáceis de se obter? Um diploma universitário, amigos, bens, são coisas bem simples de se obter. Basta dedicar alguns anos da sua vida. Mas, e o que você faz com isso? Isso lhe traz mais para perto da Verdade, Luz e Perfeição – ou para longe?

É por isso que a frase de Sri Chinmoy que abre o artigo é tão genial: “A meditação simplifica a nossa vida exterior e energiza a nossa vida interior. A meditação nos proporciona uma vida natural e espontânea, uma vida que se torna tão natural e espontânea que não podemos respirar sem estarmos conscientes da nossa própria divindade.”

Se você quer alcançar uma meta elevada, precisa de foco e dedicação. Precisa também de tempo e energia. Uma vida simples pode proporcionar isso a você. Mas como saber o que é importante e deve ser valorizado e o que é um estorvo e deve ser transformado? Cada um pode dizer diferentes coisas, mas quem está certo?

O silêncio do seu coração vai lhe mostrar. De repente, coisas que não queria fazer começam a parecer interessantes. Coisas que gostava de fazer repentinamente passam a parecer tão vazias, sem sentido. Seus amigos mudam, sua casa muda, suas roupas mudam, tudo muda. Como meditar? Você vai aprender também! A técnica que funciona melhor, o melhor professor, tudo vai aparecendo uma hora ou outra.

Uma vez que você começa a praticar a meditação (ou outra prática espiritual) com sinceridade e aspiração, a sua alma vem mais à tona, e o seu “eu” buscador começa a mostrar para você o que vale a pena e o que não vale. O que leva você adiante e o que não leva. O que tem futuro e o que não tem futuro. Isso faz com que tenha a oportunidade de deixar que somente as coisas importantes fiquem na sua vida. O seu papel é ouvir o seu coração. O resultado é a Verdade, a Luz, a Perfeição.

O texto que abre o artigo termina assim:

“A meditação é um dom divino. Ela é a abordagem direta que leva o aspirante ao Uno de quem ele é descendente. A meditação diz ao aspirante que a sua vida humana é uma coisa secreta e sagrada, e ela afirma a sua herança divina. A meditação lhe proporciona um novo olho para enxergar Deus, um novo ouvido para ouvir a Voz de Deus e um novo coração para sentir a Presença de Deus.”
Sri Chinmoy, Meditation: man’s choice and God’s Voice, part 1, Agni Press, 1974