Paz interior e autodescoberta

o que e a vida espiritual

por Juliana

Lembro de um dia em que estava deitada no sofá e sentia que não conseguia ficar em paz interior, eu costumava não parar de pensar a todo o momento, era como se estivesse sendo bombardeada por pensamentos, pensava especialmente no trabalho, durante o trabalho, fora do trabalho, aos finais de semana, pensava em como conseguiria finalizar tal projeto, na minha carreira, planejava os próximos anos…Não havia espaço para amigos, família ou mesmo para mim. Quando tinha tempo para descansar, não conseguia, era como se estivesse num inferno, pois não conseguia desligar e isso me angustiava. Então dormia, tentava dormir ao máximo, o quanto podia. Lembro que aos sábados dormia praticamente o dia inteiro e quando não estava dormindo, estava comendo “besteiras” e bebendo bebida alcoólica, porque as vezes não conseguia dormir direito ou não descansava o bastante, e a bebida era o que me “ajudava” a esquecer um pouco de tudo o que estava acontecendo dentro de mim. Lembro que às vezes estava com o meu marido no carro ou em casa e ele estava falando várias coisas, como foi o dia, o que aconteceu, etc…E eu não estava lá, várias vezes ele ficou chateado por isso e parou de falar, com isso fomos nos afastando.

Neste dia em que estava deitada no sofá percebendo que não estava em paz, comecei a sentir a paz, acredito que tenha sido por segundos, como um presente e consegui adormecer como uma criança que está protegida e se sente acolhida pelos pais. Foi muito bom! Lembro que foi por pouco tempo. Demorei bastante a perceber que talvez viver dessa forma não fosse normal, aparentemente estavam todos pensando como eu, posso dizer que foi um processo. Mas o que me ajudou mesmo foi o meu marido, pois percebo hoje que, quando as coisas não vão bem na nossa vida, isso é apenas um reflexo do que devemos mudar. Como estava absorta no mundo em que criei, ele foi se afastando, começamos a brigar, até que percebi que eu deveria mudar a forma como estava agindo. Eu não queria me separar, pois o amava de uma forma que não sei explicar. Ele me ajudou muito no processo de autodescoberta, aprendi muito com ele, com esses conflitos cheguei ao fundo do posso, era como se estivesse totalmente despedaçada e agora tivesse de juntar as peças novamente. Foi então que comecei a realmente a buscar por algo, percebi que com esse processo a pessoa que existia estava morrendo.

Foi um longo processo até chegar a meditação, mas posso dizer que foi bom, aprendi muito com tudo que me aconteceu e hoje valorizo cada momento de paz que sinto e desejo me expandir cada vez mais. A meditação é um processo de autoconhecimento, sempre me questionei sobre quem eu era realmente, sobre o que estamos fazendo aqui na terra, qual o propósito das nossas vidas aqui, não fazia muito sentido dormir, acordar, trabalhar, fazer as atividades sociais e depois repetir isso por toda a vida. Havia alguns momentos felizes, mas me questionava se era apenas isso. Buscava incessantemente por algo, mas não sabia o que. Lembro que li um poema de Khalil Gibran que dizia assim:

“Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.”

Me identifiquei, pois já estava começando a me desconectar das crenças que haviam em mim. E me deparava com momentos de liberdade e leveza ao observar as coisas ao meu redor e me sentir presente. “Algumas máscaras já haviam sido roubadas”, mas ainda restavam algumas. Acredito que as mais difíceis de retirar. Até que encontrei a meditação. O Centro de meditação Sri Chinmoy, fornece cursos que são realmente gratuitos para quem deseja aprender a meditar. Foi interessante a coincidência, pois estava lendo o livro comer, rezar e amar, onde a protagonista encontrava algumas pessoas que tinham um mestre espiritual. Fiquei com aquilo em mente, encontrei um documentário do mestre espiritual Yogananda no Netflix e comecei a buscar por meditação na internet. Havia pedido para Deus mostrar meu caminho e propósito de vida.

Comecei o curso e tudo fazia sentido. Desde o primeiro dia comecei a meditar como era pedido e percebi as mudanças ao longo do tempo. Os primeiros meses foram bem difíceis, mas não desisti. Hoje, me sinto outra pessoa. Toda a inquietação e a compulsão por pensar foram embora e no lugar ficou a paz. A paz de estar no momento presente. A paz se saber quem sou. Todas as máscaras se foram, todas as que me faziam viver daquela forma. Agora, me sinto feliz e em paz.

A meditação é uma dádiva divina. Ela simplifica nossa vida exterior e energiza nossa vida interior. A meditação nos traz uma vida natural e espontânea, uma vida que se torna tão natural e espontânea que não podemos respirar sem estarmos conscientes de nossa própria divindade.” – Sri Chinmoy


CORAGEM, CORAGEM, CORAGEM

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Against one’s inner courage, death itself contends in vain.
Contra a nossa coragem interior, a própria morte luta em vão.
– Sri Chinmoy

 

Trilha sonora: por favor leia este texto enquanto escuta a gravação gratuita de Sri Chinmoy tocando órgão de igreja pela primeira vez na sua vida! Mais sobre ela no fim do texto.

 

CORAGEM, CORAGEM, CORAGEM!

 

Para quem ela falta, parece algo enorme, uma conquista gigantesca!
Mas não é! A CORAGEM é o nosso direito de nascimento! Veja bem, há um força espiritual que nos faz existir – sem ela, somos um monte de matéria estática, uma marionete sem um artista. Essa força é TUDO. Sem o TODO o indivíduo não existe. É como falar que somos todos parte de Deus. É claro que somos! Existe algum lugar onde Deus não está? Se você encontrasse algo sem Deus, aquilo imediatamente passaria a fazer parte de você, dos seus pensamentos e, portanto, de Deus.
E, se o nosso Criador é todo Coragem, assim como ele é Beleza, Perfeição, etc, a Coragem é nosso direito de nascimento… os filhos herdam as posses dos pais!

Courage is the most devoted servant of one’s own faith in oneself and God.
Coragem é o mais devotado servo de nossa fé em nós mesmos e em Deus.
– Sri Chinmoy

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CORAGEM e CAPACIDADE

Coragem e capacidade são coisas distintas! Uma coisa é conseguir fazer, outra coisa é saber o que fazer, e a terceira coisa é ter a coragem.
Honestamente, já não sabemos o que fazer em qualquer situação (pensemos bem)? Ou já não temos capacidade para agir (pensemos de novo)? Ou, na verdade, só não temos a CORAGEM para fazer o que é certo? (seja honesto(a))
A coragem é exatamente aquilo que usamos quando vamos entrar na piscina. Tudo está certo, falta só entrar na água geladinha!
Uma vez que tomamos a coragem e mergulhamos, saímos nadando, e a água nem parece fria – na verdade, é uma delícia!
A CORAGEM não é algo que temos que POSSUIR! A CORAGEM temos apenas que EXERCITAR! É igualzinho pular na piscina! Ninguém está pronto para pular na piscina! Só respiramos fundo, 1, 2, 3… e pulamos! A satisfação é nossa!

 

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CORAGEM E CAPACIDADE SÃO COISAS DISTINTAS

A música que sugeri ouvirmos enquanto lemos esta página é Sri Chinmoy, já com 55 anos de idade, tocando pela primeira vez um instrumento musical – e, na verdade, em uma performance pública. Foi a primeira vez que se sentou diante de um órgão. Entendeu a mensagem!?

There is no other way to please your inner self than to be, yourself, a perfect emblem of courage.
Não há outra maneira de agradar o seu Eu interior senão ser, você mesmo, um perfeito emblema da coragem.

– Sri Chinmoy

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CALL HAS COME, CALL HAS COME, LORD SUPREME’S CALL

(a faixa gratuita 27 é a gravação da música com essas palavras)
(partitura)

Sri Chinmoy reconta uma história onde Sri Ramakrishna subia ao telhado da sua moradia e chorava e chamava por seus discípulos que ainda não tinham conhecido o Mestre. Esses discípulos estavam destinados a vir até o Mestre, mas a ignorância os estava impedindo. Certamente, algumas dessas almas destinadas a encontrarem um Grande Mestre como Sri Ramakrishna não o encontraram e ficaram chafurdando no lodo do mundo exterior de prazer, conforto, apego, vazio interior e insatisfação.
Sri Ramakrishna teve a coragem de subir ao telhado e ser chamado de louco por quem não o compreendia em sua sabedoria divina. Ele teve os frutos da sua ação.
Os discípulos dele que o encontraram e tiveram a coragem de fazer aquilo que era certo para eles se tornaram imortais na história da humanidade, sendo conhecidos como santos, ou mais ainda (como Swami Vivekananda). Eles também tiveram frutos.
E os discípulos que não tiveram a coragem para encarar os desafios e transcender a “vidinha” ficaram no lodo das emoções, dúvida e satisfação superficial e vazia das tentações. Também eles se depararam com os frutos da sua falta de coragem.
Nota pessoal: enquanto escrevo, rezo humildemente pela Graça do Divino, para que a minha vida nunca passe em vão por falta de coragem! Afinal, a Perfeição também é um direito de nascimento – esforcemo-nos por ela!!!

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Gift of sight:
Universal beauty.
Gift of night:
Universal peace.
Gift of humanity:
Universal sorrow.
Gift of divinity:
Universal smile.

-Sri Chinmoy, Three Hundred Sixty-Five Father’s Day Prayers, Agni Press, 1974

Ensinamentos dos Grandes Mestres

Coração, Religião, “Guru”

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traduzido por Patanga Cordeiro

(…)

Através dos séculos, cada Mestre espiritual da mais alta ordem ofereceu algo único. Quatro mil anos atrás, Sri Krishna ofereceu sua mensagem suprema à humanidade, ao mundo todo: “Quando o dharma, o código da vida interior, declina, e a falta de retidão prevalece, Ele, a Consciência infinita, encarna a Si mesmo em forma humana, para transformar as tendências malévolas em nós e satisfazer a Realidade em nós.”

Epilogue-sri-chinmoy-dove      Então o Senhor Buddha, dois mil e quinhentos anos atrás, veio com uma mensagem muito especial: “O Caminho do Meio”. Não chafurde nos prazeres dos sentidos e, ao mesmo tempo, não procure a austeridade: não siga nem o caminho da gratificação dos sentidos e nem da mortificação dos sentidos. Cada buscador deve encontrar um equilíbrio, seguindo o caminho do meio. A transformação do nosso eu inferior e a manifestação do nosso eu mais elevado devem ocorrer simultaneamente, mas sem utilizarmos a gratificação dos sentidos ou a mortificação dos sentidos. Essa foi a mensagem do Senhor Buddha.

Dois mil anos atrás o Cristo, o Salvador, veio à arena-mundo. Sua mensagem suprema foi: “Eu sou o caminho, eu sou a Meta.” Aqui “o caminho” representa aspiração e “a Meta” representa salvação. É através da aspiração que se alcança a mais elevada salvação. A aspiração de hoje se transforma na salvação de amanhã.

Desejo mencionar outro Mestre espiritual da mais elevada ordem. Seu nome é Sri Chaitanya. Sua mensagem foi a pureza e o amor – pureza no amor, amor na pureza. Quando alguém alcança pureza no amor e amor na pureza, então ele desfruta divinamente do Deleite, que é a nossa Fonte, nossa eterna Fonte.

Milhares de anos atrás, os Videntes Védicos do passado ancestral ofereceram uma mensagem significante: “Do Deleite viemos a existir. No Deleite crescemos e, ao fim da nossa jornada, para o Deleite nos retiramos.”

Sri Ramakrishna veio com uma mensagem muito significante. Sua mensagem para a humanidade foi: “Chore, chore como uma criança por sua mãe. O coração de uma criança pode facilmente conquistar o Amor, Compaixão, Divindade e Imortalidade da Mãe. Chore, chore como uma criança, uma criança inocente. A Mãe Suprema certamente lhe concederá a iluminação da Altitude mais elevada.”

Então veio Sri Aurobindo, com a mensagem da vida divina, com a mensagem da transformação da natureza. Aqui na terra é onde o físico deve ser transformado, é aqui na terra onde a mensagem da Divindade deve ser manifestada. A transformação da natureza humana e a purificação de todos os membros devem ocorrer aqui na terra, para que a Imortalidade possa encontrar seu devido lugar na estrutura física.

Desde então, muitos Mestres espirituais aqui no Ocidente e também no Oriente ofereceram sua luz à humanidade aspirante. Cada Mestre espiritual tem algo para contribuir ao mundo todo, de acordo com a sua própria realização, sua própria receptividade e com a receptividade do mundo.

Em Sua infinita Generosidade, Deus me deu a oportunidade de servir a humanidade aspirante. Temos um caminho nosso, que é o caminho do amor, devoção e entrega. Para os que seguem o nosso caminho, a necessidade suprema é amor, devoção e entrega: amor divino, devoção divina, entrega divina.

O amor que prende e cega é o amor humano. O amor que expande e ilumina é o amor divino.

Devoção no físico nada é senão apego. Quando somos devotados ao mundo-sentidos, ao mundo-ignorância, não se trata de devoção, mas de apego. Quando usamos o termo ‘devoção’, ele deve ser aplicado apenas ao Divino em nós, à Realidade Suprema em nós. Somos devotados a uma causa mais elevada, a um ideal mais sublime.

A entrega humana é a entrega de um escravo ao senhor. A entrega divina é a entrega da nossa realidade impura, obscura, não-iluminada à nossa realidade completamente iluminada, completamente divinizada e completamente perfeita. O mais baixo em nós se rende à nossa realidade mais elevada. Não é uma entrega imposta, não é uma entrega forçada sobre nós. É a entrega baseada em nosso sentimento de unicidade inseparável com nossa existência-Realidade mais elevada. O finito em nós alegremente, devotadamente, com toda a alma e incondicionalmente se entrega ao Infinito em nós. A gota de água se entrega ao poderoso oceano e, assim, perde sua individualidade e personalidade e se torna o próprio vasto oceano. Igualmente, nós, que agora estamos na consciência finita, aprisionados nessa consciência finita, um dia seremos completamente livres e libertos e realizaremos a eterna Realidade-Liberdade que no mundo interior eternamente somos.

 

– Sri Chinmoy

Universidade de Maryland

18 de Outubro de 1975

Sri Chinmoy Speaks, part 3

A Espada de Sabedoria

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compilação de aforismos de Sri Chinmoy

 

AS ESPADAS

A espada de sabedoria avisa.

A espada de aspiração protege.

A espada da vida ensina.

A espada do amor aperfeiçoa,

ilumina e preenche.

 

THE SWORDS

The sword of wisdom cautions.

The sword of aspiration protects.

The sword of life teaches.

The sword of love perfects,

illumines and fulfils.

Sri Chinmoy, The Wings Of Light, Part 8, Agni Press, 1974

 

TWO SWORDS

Aspiration-flame

Is the sword

That separates

Knowledge-Light

And

Ignorance-night.

Realisation-sun

Is the sword

That unites the cry of the finite

And

The Smile of the Infinite.

You simply cannot imagine

How proud God is of you

For your faith-sword

And surrender-shield.

Sri Chinmoy, Twenty-Seven Thousand Aspiration-Plants, Part 50, Agni Press, 1984

 

Powerful is his success,

Fruitful is his progress

Because he has become

The naked sword

Of his own conscience-light.

Sri Chinmoy, Ten Thousand Flower-Flames, Part 63, Agni Press, 1983

 

Wisdom-heart tells me

That it has its purity-sword

To challenge ignorance.

Sri Chinmoy, Twenty-Seven Thousand Aspiration-Plants, Part 268, Agni Press, 1998

 

Do not be afraid

Of your mind’s ruthless division-sword.

The sword will ultimately surrender

To your hero-warrior-heart.

Sri Chinmoy, Twenty-Seven Thousand Aspiration-Plants, Part 146, Agni Press, 1991

A Graça de Deus e o esforço pessoal

textos de Sri Chinmoy compilados e traduzidos por Patanga Cordeiro

 

O meu início foi o meu fim

Quando pensei

Que podia fazer tudo sozinho.

 

Meu fim foi o meu início

Quando senti

A Graça de Deus agir em e através de mim.

 

O intermédio foi preenchedor

Quando descobri

Que meus braços e pernas são feitos

Da Luz-Compaixão de Deus.

 

Sri Chinmoy, The Wings Of Light, Part 8, Agni Press, 1974

 

sri-chinmoy-concert-barcelonaUma grande personalidade espiritual indiana, ao ser perguntada por seus discípulos sobre quantos anos de prática esforçada trouxeram a ela a Realização plena, simplesmente caiu na risada.

“Pratiquem! Minhas crianças, aquilo a que vocês chamam de prática, nada é senão seu esforço pessoal. Quando eu estava no mesmo estágio que vocês, não realizado, eu pensava e sentia que meu esforço pessoal era noventa e nove por cento, e que a graça de Deus era um por cento, e não mais. Mas minha completa estupidez morreu no momento em que a auto-realização nasceu. Então, para minha surpresa, eu senti, vi e realizei que a Graça do meu misericordioso Senhor era noventa e nove por cento, e que o meu débil esforço pessoal era um por cento. Mas a minha história não termina aqui. Por fim, eu percebi que aquele meu um por cento também era o incondicional e devotado cuidado do meu Pai Supremo por mim. Minhas crianças, vocês sentem que a realização-Deus é uma corrida que exige muito esforço. Isso não é verdade. A realização-Deus é sempre uma Graça que vem das alturas.”

Sri Chinmoy, Commentary On The Bhagavad Gita, Agni Press, 1971