Como podemos ter harmonia?

Pergunta: Como podemos ter harmonia em nosso ser quando há movimentos conflitantes em nosso interior?

Sri Chinmoy: Para adquirir harmonia, é preciso de paz de espírito. Para ter paz de espírito, é preciso orar e meditar o com toda a sinceridade no Piloto Interior, que criou a necessidade de harmonia interior. Se orar corretamente, a paz de espírito e harmonia serão refletidas em todos os seus movimentos externos. Quando a mente tem paz, sempre há harmonia em todas as atividades que acontecem no ser.

O que faz você feliz

foto curso centro Sri Chinmoy

O que faz você feliz?

 

O que faz você feliz? Ficar no celular, ou ler um livro?

O que faz você se sentir feliz? Assistir mais um episódio da série, ou fazer algo divertido com seus amigos?

O que faz você se sentir bem? Ficar acordado até tarde usando a internet, ou sair cedo para correr?

O que lhe traz paz? Olhar as redes sociais dos outros, ou viajar olhando pela janela?

O que lhe dá esperança? Obter algo cobiçado para si, ou doar-se em serviço aos outros?

O que faz você sentir progresso? Tentar se convencer que tudo está bem na sua vida do jeito que está, ou sentar-se para meditar?

Se você perceber, todas as “primeiras coisas” são coisas que vêm como impulso irracional, rotina advinda do hábito ou são produtos comerciais feitos para prender sua atenção, e são quase todas passivas. Todas as “segundas coisas” são coisas testadas por milênios pela humanidade, e são quase todas ativas.

Quanto mais nos afastamos da nossa busca, da nossa vontade de realizar algo e se tornar algo mais elevado, mas difícil fica a nossa vida. A comodidade diz que deveria ser o contrário – quanto mais confortável, melhor. Mas é uma armadilha do conforto, da nossa natureza animal. O resultado desse prazer é certo: um segundo de satisfação superficial seguido de uma longa frustração ou sentimento de vazio (vocês podem ter certeza que sei o que é isso do que estou falando).

Mas a realidade diz que, quanto mais dedicação, mais resultado. A aspiração que temos é o que nos instiga a buscar a Realidade. Ela anseia para nos unir uma vez mais com quem realmente somos – nossa alma, nosso Piloto Interior, o Realizador de todos os nossos sonhos, até mesmo dos que não sabemos ainda que temos.

 

Minimize os seus desejos.

Você será feliz.

Satisfaça suas necessidades.

Você será feliz.

Divinize seus pensamentos.

Você será feliz.

Imortalize a sua fé.

Você será feliz.

Corrija seus erros.

Você será feliz.

Intensifique seu anseio.

Você será feliz.

Sri Chinmoy, The Wings of Light, part 11, Aum Press, Puerto Rico, 1974

A Profundidade e o Poder Terapêutico dos Livros Impressos em Uma Era Digital

A Profundidade e o Poder Terapêutico dos Livros Impressos em Uma Era Digital

Nos cursos de meditação, sempre recomendamos aos alunos que tenham um livro impresso que fala do aprendizado. Não fazemos isso para aumentar as vendas dos livros, mas sim para servir as pessoas. É bastante conhecido que temos sido afetados pela leitura digital (ou pela falta de leitura, no caso dos vídeos).

O mestre espiritual Sri Chinmoy nos ensina que uma vibração sutil, que chamamos de consciência, fica armazenada no papel, e que o digital não consegue retê-la da mesma forma, pelo menos. A leitura no papel seria, portanto, mais proveitosa de todas as formas.

Psicologicamente falando, a leitura no papel faz com que deixemos de lado 99% das coisas externas, para nos concentrarmos na leitura e nos mundos que cria dentro de nós, na velocidade que é adequada para a nossa compreensão e visualização da imagem que o texto cria. Já os vídeos e áudio oferecem muito mais informação no mesmo período de tempo, sobrecarregando nossa faculdade de interpretação e fazendo que que deixemos de lado muita informação, como se estivéssemos correndo atrás do tempo. Fizemos uma pesquisa breve e compilamos o resultado abaixo, para quem quiser compreender melhor como é importante ter o livro impresso para ler.

Introdução

Em uma época onde o digital predomina, os livros impressos continuam a oferecer uma experiência singular e imersiva. A ascensão dos e-books e do conteúdo em vídeo alterou significativamente nossos padrões de leitura, mas a importância dos livros impressos permanece inabalável. Este artigo explora os benefícios terapêuticos e cognitivos únicos da leitura de livros impressos, enfatizando sua relevância contínua em uma era dominada pelo digital.

Benefícios Terapêuticos da Leitura de Livros Impressos

A leitura de livros impressos oferece benefícios terapêuticos notáveis. Fernando Gomes Pinto, neurologista, observa que a literatura estimula o cérebro de maneira abrangente, proporcionando uma forma de escapismo saudável. Ela permite que os leitores desviem sua atenção de realidades estressantes, como a pandemia, e mergulhem em mundos tranquilizadores. Essa imersão lenta e profunda em um livro impresso oferece um contraponto necessário à velocidade frenética e à natureza fragmentada do consumo de mídia digital.

Dante Gallian, com uma vasta experiência em literatura, vê os livros como refúgios essenciais da realidade. Em tempos de crise, os livros proporcionam um espaço de repouso e fuga, oferecendo um alívio do ritmo acelerado e muitas vezes desumanizador da vida moderna.

Impacto Cognitivo e Emocional

Cressida Cowell, autora da série “Como Treinar Seu Dragão”, destaca os “três poderes mágicos” da leitura: criatividade, inteligência e empatia. Além de ser um fator-chave para o sucesso financeiro futuro, a leitura por prazer também promove um enriquecimento emocional e cognitivo significativo.

Maryanne Wolf, especialista em neurobiologia da leitura, explica como a leitura muda o funcionamento do cérebro. À medida que as crianças evoluem da decodificação para a leitura fluente, a rota dos sinais no cérebro muda, facilitando a integração de sentimentos e pensamentos. Isso ressalta a importância da leitura profunda, que envolve fazer analogias, inferências e reflexões críticas.

Comparação entre Leitura Impressa e Digital

Anne Mangen, liderando a E-READ, discute a “inferioridade na tela” em comparação com a leitura de livros impressos. Ela observa que, embora a leitura digital seja adequada para conteúdos breves e menos desafiadores, a compreensão e a retenção de informações sofrem quando se trata de textos mais complexos e emocionalmente desafiadores. A leitura em tela tende a ser mais fragmentada e menos imersiva, o que pode impactar negativamente a capacidade de análise crítica e de empatia.

Maryanne Wolf ecoa essa preocupação, salientando que o modo como lemos – seja digitalmente ou através de livros impressos – tem implicações profundas. O “volume” de informações disponíveis digitalmente promove uma leitura superficial, enquanto a leitura profunda, característica dos livros impressos, envolve uma utilização mais extensa do nosso córtex cerebral.

Leitura Profunda versus Leitura Superficial

A leitura profunda, uma prática mais comum com livros impressos, é um processo que envolve engajamento cerebral completo, incentivando o leitor a fazer conexões, analogias e inferências. Este tipo de leitura promove a reflexão crítica e a empatia, permitindo uma compreensão mais profunda do texto e de suas implicações. Em contraste, a leitura superficial, muitas vezes associada à leitura digital, tende a ser rápida e menos envolvente, o que pode levar a uma compreensão mais rasa e uma menor retenção de informações.

Implicações para a Concentração, Ansiedade e TDAH

A leitura de livros impressos também tem implicações importantes para questões como concentração, ansiedade e TDAH. A natureza imersiva da leitura impressa pode ajudar a melhorar a concentração e a atenção, oferecendo uma pausa do estímulo constante e da distração presentes nos meios digitais. Além disso, como uma forma de biblioterapia, a leitura de livros impressos pode ser uma estratégia eficaz para gerenciar a ansiedade, proporcionando um refúgio calmo e um meio de escapar de preocupações cotidianas.

Conclusão

A era digital trouxe muitos avanços e conveniências, mas também desafiou a prática tradicional da leitura. Os livros impressos oferecem uma experiência única, que vai além da absorção de informações – eles nos convidam a mergulhar em mundos complexos, enriquecendo nossa empatia e expandindo nossa compreensão do mundo. Umberto Eco resumiu perfeitamente: “Quem lê, terá vivido 5 mil anos. Ler é uma imortalidade retroativa”. Ao preservar e valorizar a leitura de livros impressos, abrimos a porta para experiências profundas e transformadoras que transcendem as limitações do nosso tempo e espaço digital.

Retiro de meditação em SP

por Patanga Cordeiro

O que é um retiro de meditação? Por que fazer um retiro? Quando é a melhor hora para fazer um retiro de meditação, e quando não é a melhor hora?

O que é um retiro de meditação

Há diversas formas, mas o que fazemos pessoalmente não pode ser chamado de um retiro. É mais como uma forma de praticar a vida espiritual e a meditação de forma mais concentrada, com menos distrações diárias e com a companhia espiritual dos nossos colegas que possuem o mesmo caminho. A palavra “retiro” pode dar um tom de austeridade para a atividade, e não é a nossa intenção. Na verdade, uma boa parte da programação do nosso Centro são atividades que nos fazem sentir como crianças. Sri Chinmoy costumava chamar nossos encontros nacionais e internacionais de Joy-Days (dias-alegria) para refletir essa ideia.

Onde há retiros de meditação em São Paulo?

Muitas vezes saímos da cidade de São Paulo ou Rio de Janeiro, etc, para ficar num local com natureza – mas não é uma regra, e tivemos ótimos encontros em hotéis no meio da cidade. O que importa mesmo é o progresso interior que faremos durante esses dias. Normalmente dura um fim de semana, mas fazemos encontros internacionais também que chegam a durar duas semanas. Temos cursos de meditação todos os meses.

O que se faz num retiro de meditação

Nos nossos retiros (ou Joy-Days do Centro Sri Chinmoy), fazemos meditação por uma hora ao dia e mais canto, esportes, jogos e brincadeiras, conversas descontraídas, contamos histórias inspiradoras, organizamos nossos próximos projetos de serviço voluntário, fazemos peças de teatro (tanto engraçadas quanto espirituais). Assistimos coisas inspiradoras, como recordes nos esportes ou filmes espirituais. Saímos para correr juntos, ou brincar de outros esportes de acordo com a disponibilidade no local. Se estivermos num local com natureza, poderemos aproveitar para fazer trilhas, nadar no rio, subir as montanhas.

A meditação em si é costumeiramente duas vezes de 30 minutos, mas soma-se a isso sessões curtas extras, ou de vez em quando sessões mais longas, de até uma hora e meia. A maior parte das pessoas não consegue aproveitar muito bem uma meditação com mais de 30 ou 45 minutos, mas de vez em quando fazer uma meditação de uma ou duas horas pode ser proveitoso para abrir um pouco mais o seu coração espiritual.

Quais as vantagens de participar de um retiro de meditação

Uma delas é na parte mais superficial, na mente: vamos para um lugar diferente, fazemos coisas diferentes, aproveitamos a natureza e nos distanciamos de alguns rituais diários mecânicos, como o uso de computadores e telefone. Isso pode ser um alívio para a tensão que acumula na mente e no corpo. As brincadeiras e esportes também auxiliam a desarmar as coisas que trouxemos das últimas semanas. Descobrimos coisas que temos de melhorar ao conviver com os demais. Aprendemos com o exemplo.

A parte espiritual é a mais profunda, naturalmente. Por virtude das experiências que temos e compartilhamos, com as meditações e a companhia de aspirantes espirituais como nós, sentimos mais amor por Deus e pela humanidade. Sentimos maior satisfação interior. Você já ouviu as palavras do Cristo, “quando houver três ou mais reunidos em meu nome, eu estarei entre eles?” Pois é, se você possui um Mestre espiritual realizado, ao se reunir com seus irmãos de caminho, é certo que presenciará uma presença mais forte do seu professor no seu próprio coração.

Quando um retiro pode não ser recomendado?

É difícil falar sobre a vida interior de qualquer pessoa – normalmente apenas um Mestre realizado possui o condão de enxergar o que acontece dentro de um buscador em particular e como superar as barreiras atuais da forma correta – e também o que deve ser superado nesse momento.

Verdadeira espiritualidade não é negar a vida; é aceitar a vida e transformar a vida. A teoria antiga era que devemos nos retirar para as cavernas nos Himalaias, viver reclusos, esconder, renunciar ao mundo, que é repleto de sofrimento, escuridão, impureza e tentação. Mas essa já não é mais a postura correta. A postura certa com relação à espiritualidade é aceitar a vida como tal e transformar o mundo com paz, luz e deleite divinos.

Sri Chinmoy, A life of blossoming love, Agni Press, 1992

Mas em geral, um retiro de meditação não deve ser encarado como uma fuga. Seria melhor encarar como uma recarga, ou talvez ainda mais corretamente, como uma nova forma de enxergar as coisas, a partir de uma consciência mais elevada – como se estivesse “olhando a partir de um galho mais elevado da árvore-vida”.

Never worry about things
That you are unable to change.
Change your own way
Of looking at truth.
Look from a higher
And more encompassing
Life-tree branch.

Sri Chinmoy, Twenty-Seven Thousand Aspiration-Plants, part 164, Agni Press, 1991

Quando é um bom momento para participar de um retiro?

O texto de Sri Chinmoy que li hoje acredito que descreve bem o que eu imagino ser uma boa hora para participar.

“Não estamos satisfeitos com as nossas próprias vidas e com as vidas dos outros agora. Queremos mudar a face do mundo para melhor. Mas, se eu não tenho capacidade, como poderei servi-lo? Para desenvolver capacidade, devo mergulhar fundo em meu interior e estabelecer um livre acesso à Fonte altíssima. Tenho de alcançar uma certa paz e luz interiores e ter algo valioso para oferecer à humanidade. Apenas assim posso me tornar um instrumento perfeito e servir ao mundo da melhor forma possível.”

Sri Chinmoy, Sri Chinmoy speaks, part 3, Agni Press, 1976

A minha interpretação pessoal é que há momentos onde precisamos fazer algo diferente para continuarmos nosso processo de alcançar maior paz e luz interiores. Somado a isso, a companhia espiritual e a as práticas espirituais farão com que nosso progresso acelere e possamos voltar no dia ou semana seguinte a participar do progresso coletivo em sociedade.

Como se inscrever para participar de um retiro de meditação perto de SP?

Nós não oferecemos retiros comerciais para as pessoas pagarem e participar. As atividades são para nosso próprio progresso, muito sinceramente falando. Se vocês quiserem nos conhecer melhor, a melhor forma é participar dos nossos cursos de meditação (que também são gratuitos). A partir daí, você vai sentindo se é o seu lugar e o seu caminho.

Contato e Inscrição nos cursos de meditação em São Paulo

Instrutor de meditação – o que é, como se tornar

Instrutor de meditação – o que é, como se tornar

O caro leitor que chega aqui provavelmente já tem uma concepção do que é ser um instrutor de meditação, possivelmente baseada no resultado das suas ações estereotípicas. Ensinar exercícios, compartilhar dicas, indicar leituras, ouvir suas dificuldades; são todas ações comumente atribuídas a um instrutor ou professor de meditação. Seu aluno aprende a meditar assim.

Todavia, a meditação é algo que pode ser aprendido por qualquer um, mas não ensinado por qualquer um. Apenas um Mestre realizado (e não um instrutor) pode de fato ensinar a meditação que o fará alcançar a Margem dourada da realização. O Mestre consegue mergulhar dentro da essência mais profunda de um buscador, despertar sua alma desacordada (ou melhor, despertar o corpo, vital e mente sonolentas para a luz eterna da alma). Se você for muito, muito avançado, Deus mesmo pode fazer esse processo sem passar pela figura do Mestre espiritual.

O que é um instrutor de meditação?

O que um instrutor de meditação pode fazer é inspirar o seu colega buscador, como a um irmão mais novo ou um aluno de uma classe mais jovem. Com essa inspiração, o buscador irá manter a sua prática firme, superar obstáculos, ter uma companhia que lhe ajudará com seus próximos passos, e aprender a meditar com seu coração. Simplesmente sentados juntos para meditar pode ser suficiente para que o coração espiritual de um buscador aprenda um pouco de meditação com o outro coração. O instrutor e o aluno aprendem juntos ao meditar, sem relação de superioridade ou inferioridade entre eles. Não há motivo para que um dia o instrutor não aprenda mais com o coração dos seus alunos do que eles com o seu.

O que um instrutor precisa é, primeiro, uma prática regular de meditação. Depois, ele precisa da orientação interior de um Mestre espiritual na sua própria vida. É essa orientação interior que, visível no seu rosto, no brilho dos seus olhos e no meneio das suas ações que seu aluno poderá absorver. Suas palavras, se comparadas com isso, com a luminosidade, podem ser supérfluas e sem sentido.

Então, é necessário também a humildade para saber que “tudo que sei é que nada sei.” Muitos buscadores espirituais foram desafiados pelo orgulho ou pelo sentimento de eles mesmos serem os agentes de mudanças naqueles a que se colocaram a serviço, com consequências que, se não agora, futuramente serão drásticas.

A própria palavra “serviço” pode ser diferenciada da palavra “ajuda”. Ajuda vem de cima para baixo, do mais capaz para o menos capaz. A separação e sentimento de inferioridade e superioridade se estabelecem como uma relação constante. Já o serviço é a oportunidade que um buscador tem de dedicar-se ao divino que existe dentro da humanidade, sabendo que ele não é o agente e, apenas se for da Vontade divina, ele será um instrumento, para aquilo que for necessário e da forma e com resultados que não estão sob seu controle.

“Queremos ser felizes. Para sermos felizes, devemos primeiro fazer os outros felizes. Se realmente queremos fazer os outros felizes, devemos parar de contradizer os outros. E também devemos parar de inflar suas opiniões prediletas. Nossa contradição será desastrosa. Nosso apoio será supérfluo e sem sentido. Para fazer os demais felizes, devemos silenciosamente subtrair a imperfeição dentre as suas posses.” – Sri Chinmoy, AUM magazine, VI, no 1 & 2, Aug 27 1970.

Significado das palavras em sânscrito – termos comuns

playlist de música para meditação

Significado das palavras em sânscrito – parte 1 – termos comuns e a letra A

Deixamos aqui uma compilação de palavras do sânscrito e seu significado em português, bem como um uso filosófico e espiritual da palavra a seguir. Começamos com termos mais comuns, e depois seguimos para a letra A alfabeticamente.

Todo o texto é de Sri Chinmoy. Muitas dessas palavras são encontradas nos Vedas, Upanishads, Bhagavad Gita, Mahabharata, Srimad Bhagavatam e outras obras. Você pode ler a página inteira como um estudo ou pode usar CTRL+F ou outra função para buscar a palavra que precisa. Note que algumas estão transliteradas diferentemente do que você pode ter lido. Por exemplo, pode-se escrever “Amrita” com “i”, ou “Amrta”.

Ahimsa

Não-violência

 

O que é não-violência?

A flor-alma do Céu e a fragrância-coração da Terra.

Karma

Ação

 

Uma ação de auto-doação é um sonho Deus-manifestador.

Uma ação de auto-indulgência é uma realidade Satã-estranguladora.

Kama

Prazer-corporal

 

Prazer-corporal é morte-construção e vida-destruição, sucesso-suspensão da Terra, progresso-procrastinação do Céu e o esgotamento do Amor de Deus.

Dharma

O código interior da vida humana

Preciso de Deus apenas.

Ele é o Todo da minha Eternidade em tudo que eu digo, faço e me torno.

Auto-descoberta é vida-redescoberta.

Deus por Deus.

Eu pertenço ao Choro eterno de Deus.

Eu existo para o Sorriso universal de Deus.

Tat tvam asi

Tu és Aquilo

Tu és o Sorriso-Silêncio-Transcendência.

Tu és o Choro-Som-Imanência.

Avidya-vidya

Conhecimento-ignorância

Avidya é a ignorância-mundo-desejo.

Vidya é o conhecimento-mundo-aspiração.

Avidya nos diz o que somos: o dolo da morte.

Vidya nos diz o que somos: o Rio-Vida da Imortalidade, a Luz-Amor da Infinidade, a Elevação-Silêncio da Eternidade.

Purusha

O imanifesto

Purusha é o habitante do corpo, a forma.

Purusha é o habitante da alma, o espírito.

A partir do Purusha no corpo descobrimos a Vida Universal.

A partir do Purusha na alma descobrimos o Alento Transcendental.

Prakrti

Mãe-Natureza

Prakrti é a Mãe-Natureza.

Prakrti é Deus a Mãe.

A Luz-Amor da Prakrti é a perfeição-emancipação da humanidade e a Manifestação-Satisfação do Divino.

Sat-Chit-Ananda

Existência-Consciência-Deleite

Existência é Eternidade.

Consciência é Infinidade.

Deleite é Imortalidade.

Eternidade é a Face-Compaixão do Supremo.

Infinidade é o Sorriso-Perfeição do Supremo.

Imortalidade é a Luz-Unicidade do Supremo.

Acharya

Significado: Professor espiritual

Um professor comum dá aos seus alunos o que ele tem: conhecimento.

Um Professor espiritual dá aos seus alunos não apenas o que ele tem, mas também o que Deus tem e o que Deus é.

O que o Professor tem por seus alunos é cuidado.

O que Deus tem por seus discípulos é Luz-Compaixão.

O que Deus é para seus discípulos é Deleite-Perfeição.

Adharma

Significado: iniquidade

Se o buscador puder viver no seu coração-unicidade, ele pode facilmente evitar a armadilha da iniquidade.

Abhyasa

Significado: prática

Prática é ao mesmo tempo vida-perfeição e Deus-Satisfação em nós.

Advaita (Aduaita)

Significado: não-dualidade

Quando olhamos para cima, o Senhor-não-dualidade nos abençoa.

Quando olharmos para frente, o Deus-dualidade nos abraça.

Agni

Significado: fogo

Precisamos de fogo-consciência para iluminar nossa mente.

Precisamos de foco-consciência para imortalizar nosso coração.

Aham

Significado: ego-eu

Apenas eu amo Deus.

Aqui dança o meu ego.

Deus ama a mim somente.

Também aqui dança o meu ego.

Deus e eu amamos um ao outro.

Aqui meu ego fracassa em dançar.

Aqui ambos cantamos juntos nossa canção-unicidade.

Amrita (Amrita)

Significado: deleite-néctar

Um ato de perdão nos concede deleite-néctar perceptível.

Um ato de gratidão nos concede deleite-néctar em profusão.

Um ato de entrega incondicional à Vontade de Deus nos concede deleite néctar sem medidas e supremo.

Anahata nada

Significado: o som sem som

Ouvir o som sem som no coração aspirante não é apenas sentir deleite ilimitado, mas também oferecer deleite ilimitado a Deus.

Ananta

Significado: infinito

Um instrumento escolhido de Deus é aquele que transforma as possibilidades infinitas da vida em infinitas realidades preenchedoras.

Apamana

Significado: desrespeito, desgraça

Se não há unicidade interior, o elefante do desrespeito perambulará e destruirá a beleza iluminadora e aspirante da Terra.

Nama-rupa

Ideia e forma, essência e substância

Ideia é o que sou.

Forma é o que tenho.

Essência é o meu Deus-Silêncio

Substância é o meu Deus-Som.

Artha

Significado: riqueza

Com a riqueza material podemos desafiar o mundo.

Com a riqueza espiritual podemos estabelecer nossa unicidade inseparável com a criação inteira de Deus.

Asat

Significado: não existência

O método mais fácil para superar o medo, dúvida e inveja é não dizer que são coisas destrutivas, mas sim convencer a mente de que elas são completamente não-existentes.

Asura

Significado: demônio

O pior demônio que existe está dentro de nós e não fora de nós.

O nome desse demônio é noite-suspeita.

Esse demônio impiedosamente nos enforca, mata e destrói.

Atma-jnana

Significado: Conhecimento direto do Eu Transcendental

Aquele que é abençoado com o conhecimento direto do Eu Transcendental também é abençoado com o Orgulho supremo do Supremo Absoluto.

 

Baddha

Aprisionado

A Graça de Deus o aprisionou; portanto, a sua presença é encontrada em cada ser humano que aspira e serve.

Bhagavan (Bhagaban)

O Senhor Supremo

No mundo humano, o rei-posse é o Senhor Supremo.

No mundo divino, o Príncipe-Perfeição é o Senhor Supremo.

Bhajana (Bhajan)

Adoração

Amar o verdadeiro em nós é adorar o Supremo em nós.

O verdadeiro em nós é a alma.

O Supremo em nós é a realização-do-eu para a Deus-manifestação.

Bhakti

Devoção

O homem pensa que a Compaixão é a coisa mais doce.

Deus sabe que a devoção do homem é a coisa mais doce.

Sonhos e a vida interior – novo livro e histórias pessoais

Sonhos e a vida interior – novo livro e histórias pessoais

por Patanga Cordeiro

Com o lançamento do livro Sonhos pela Leão Livros, várias memórias me vieram à tona. Uma delas é que fiz a tradução do livro, e revisei muitas vezes, então vários trechos acabei memorizando. Outras foram os raros sonhos espirituais que tive na minha vida. São apenas uns dois ou três, e vou contar aqui um deles, que tive umas duas semanas ou dois meses após ser aceito como aluno por Sri Chinmoy.


Eu estava numa boate / discoteca / balada ou como isso se chama hoje em dia. Tinha música, fumaça, gente dançando e era escuro. Eu já não tinha mais muito interesse nessas coisas, mas ainda assim não me senti estranho no lugar. Eu estava sentado no bar. As pessoas me ofereciam álcool, mas eu recusava. As pessoas me ofereciam outras coisas, e eu recusava. As meninas ao redor se mostravam disponíveis para relações, mas eu não as buscava e afastei as que me procuraram. Então, depois disso, as pessoas pararam de me buscar. Eu estava lá, em meio a todos, mas sozinho. Foi só então que tive a ideia: por que não saio daqui?

Ao sair, vi que era dia, mas estava num deserto. A todo lado, só a terra batida e a construção escura de onde saí. Após alguns momentos, vi uma estrada de asfalto cruzando o deserto, passando por trás da construção. Chegando ali encontrei um colega, o Nandika, também aluno de Sri Chinmoy, correndo pela estrada. Eu fiquei inspirado a correr junto com ele pela estrada. Estávamos correndo pelo acostamento, e a estrada era muito longa, sem fim, e reta até sumir no horizonte distante.

Depois de um tempo, de repente paramos. Ao olhar para frente, eu vi meu Mestre, Sri Chinmoy, bem diante de mim. Ele era todo cor de cobre, um metálico laranja, incluindo a sua roupa, pele, olhos – como uma estátua de bronze, mas de cor brilhante. Ele veio até uns 30 centímetros de mim, deu uma volta ao meu redor (e eu pude sentir até mesmo o deslocamento do ar ao meu redor) e parou novamente na minha frente.

Ele me perguntou, rigoroso: “Quem é o seu Mestre!?” Eu respondi, “É você!” Ele balançou a cabeça vigorasamente para os lados, querendo dizer que não. Eu insisti: “Eu sei que é você!” Ele então fez um meneio de um lado para o outro, aceitando mas não aceitando a resposta, como quem diz “Sim, a resposta está certa, mas não está da forma que eu queira ouvi-la.” Eu lembrei então da sua filosofia e respondi: “O Supremo é o meu Mestre…”, ao que ele acenou com a cabeça que sim, muito feliz, mas eu continuei “Mas, para mim, você representa o Supremo aqui!” Ele riu alto, uma risada que eu conhecia, muito satisfeito (pois isso também está certo – um Mestre realizado é a representação humana do Supremo para os seus discípulos), e então acordei.

Acordei, mas eu estava muito diferente. Estava feliz, mas não era emocional; estava muito satisfeito, forte, tranquilo. Parecia que muitas coisas importantes tinham acontecido dentro de mim, e estava supremamente inspirado e grato em poder continuar minha vida e meu dia.

Nos próximos dias ou semanas, tive outra experiência em sonho. Eu via quem eu achava que era o Mestre me olhando com desgosto, com uma expressão desnatural, retorcida. Sinceramente, não parecia o Mestre, mas algo disfarçado dele. Mas, na hora, isso não era o mais importante, e eu tentava me explicar, mas nada fazia muito sentido. Por sorte eu já conhecia várias perguntas e respostas por ter lido o livro. Então ao acordar já deu para ver que provavelmente foi a minha própria imaginação (através do sentimento de menos valia) ou uma força hostil (seres que tentam resistir o progresso da humanidade) que criou essa imagem para que eu perdesse a experiência tão espiritual que tive no sonho anterior. Assim, logo me esforcei para afastar esse segundo sonho, que era confuso, insatisfatório e obscuro. As forças hostis não conseguem reproduzir a pureza de um Mestre espiritual verdadeiro – essa é uma dica – e por isso nesse segundo sonho o Mestre parecia tão fora do natural, estranho. Esse não foi um sonho espiritual, mas algo do meu psicológico ou uma força externa tentando me fazer sentir menor. Quando você ver algo assim nos seus sonhos, não se renda, não os ouça. Invoque pureza, a pureza da sua alma. Claro, ajuda muito se a sua vida tiver pureza.

O trecho do livro é este:

Se alguém tem um sonho com o seu próprio Mestre espiritual, o sonho é confiável?

Sri Chinmoy: Infelizmente, é possível que as forças ruins tomem a forma de uma grande personalidade espiritual ou de um Mestre espiritual e apareçam num sonho. Às vezes elas são bem sucedidas e fazem muitas coisas ruins. Como você pode distinguir o Mestre verdadeiro das forças hostis? Quando uma força ruim aparece num sonho na forma de um Mestre espiritual ou de um grande santo, a primeira coisa que você notará é a sua impureza. Se você reparar que não há pureza, imediatamente saberá que não é o Mestre, mas sim uma força ruim na forma do Mestre. Muitas vezes aconteceu que forças negativas tomaram uma forma divina e apareceram diante do buscador, e o buscador se curvou a essas forças. Você nunca, nunca deve se curvar num sonho a não ser e até que tenha certeza de que aquela pessoa realmente é o seu Mestre, ou Krishna, o Cristo, o Buda ou outro grande Mestre espiritual. Caso contrário, no momento em que se curvar e tocar os pés da pessoa, através de um processo do ocultismo essa força ruim levará embora algumas das suas qualidades divinas.

Quando você vê um Mestre num sonho, primeiro veja se ele traz consigo uma enxurrada de pureza e a fragrância de uma flor ou o brilho da luz. Essa pureza nunca será trazida pelas forças hostis. No momento em que você sentir pureza absoluta e a fragrância de flores, saiba com certeza que é uma pessoa divina quem veio. Mas se sentir impureza ou se ficar incomodado ou com medo, saiba com certeza de que é uma força ruim em um disfarce.

do livro Sonhos

Tipos de sonhos: espirituais, psicológicos

Um sonho espiritual é uma experiência na sua vida interior. Em geral, guarde-a no seu coração, no seu diário, e não a compartilhe – a não ser que seja um chamado, uma necessidade interior e, mesmo assim, só depois de muitos meses ou anos. Esse sonho tive há quase vinte anos, e sinto que já está bem assimilado, por isso sinto necessário compartilhar, como uma inspiração aos demais buscadores. Sinto que as situações desse sonho são algo pelo qual muitos buscadores passam, cada um da sua forma individualizada.

Já um sonho do psicológico é algo que está retornando da sua memória, das suas emoções. Ele não necessariamente pode ser parte da sua busca espiritual, mas sim um processo natural do ser humano, assim como os demais que passam pelo nosso físico. Normalmente eles são mais confusos, excitantes, tristes, eufóricos, etc. Eles não têm a solidez e serenidade dos sonhos espirituais, e não costumamos nos sentir pessoas novas, mais evoluídas, após acordarmos.

 

Dicas para sonhar bem e não ter pesadelos

Dormir com os braços ou algo no peito, ou com o rosto coberto pelos lençóis pode fazer com que tenha pesadelo, pois fica fechado para a luz. Dormir de barriga cheia, ou ter pensamentos ruins enquanto come durante o dia também pode ocasionar pesadelos.

Antes de dormir, sempre medite e traga luz para o seu ser emocional, a região ao redor do umbigo. Viva a sua vida desperta com consciência, pureza, luminosidade.

 

Significado dos sonhos

Abaixo deixaremos um resumo de alguns sonhos listados no livro. Por favor, leia a explicação completa antes de tirar conclusões e saiba que apenas um Mestre espiritual realizado pode dizer com certeza o significado interior dos seus sonhos. Aqui tem um resumo apenas para motivá-los.

Sonhos de diversos planos de consciência

Sri Chinmoy descreve o significado de muitos sonhos no livro. Os sonhos, mesmo que tenham o mesmo tema ou acontecimentos, possuem significados diferentes de acordo com o plano de consciência de onde vêm. Ou seja, não é possível dizer que o significado de um sonho específico é fixo. Depende de cada dia, cada pessoa, cada sonho individual. Considere as explicações abaixo como possibilidades apenas.

Sonhos com animais

 Por exemplo, ele descreve como a águia voa alto, mas sua consciência está sempre olhando para o chão. É como se fosse uma arrogância: “Sou tão espiritual, tão elevado”, mas o buscador está sempre olhando para as coisas baixas da existência.

Sonhos com cães, se o estiverem seguindo-o fielmente, representam a sua fé e obedência; se estiverem mordendo-o, significa a perda de fé. Peixes representam maldade, mesquinhez. Mas se estiverem nadando de forma bela na água, podem representar a consciência. Serpentes coloridas significam poder, exceto se forem escuras, onde representam destruição. Elefantes significam força.

Sonhos com outras pessoas

Em outra pergunta, ele foi perguntado sobre como levar o amor que sentimos num sonho para o dia a dia. Mas sua resposta foi direta (supomos que por saber o que acontecia no interior da pessoa): se é amor emocional, devemos ficar vigilantes e não o acalentar, pois prejudicará a nossa vida espiritual. Uma forma de superá-lo é oferecer ao Supremo, ao invés de a uma pessoa.

Uma pessoa sonhou com a morte de um familiar. A recomendação é que não desse atenção, pois, se fosse verdade, ficaria triste; se não fosse, causaria tristeza desnecessária. Mas podemos sempre orar e meditar pela vitória divina em todos os acontecimentos.

Sonhos sobre estar caindo ou voando

Se sonhar que está caindo e ficar com medo, é um sinal de que está sendo atacado. Se a queda for inspiradora e acordar com a força de um leão, saiba que está sendo inspirado e energizado por uma força divina a mergulhar fundo na sua vida interior.

Sonhos onde você voa ou caminha como se estivesse saltando acontecem no plano vital superior, que não é um plano muito elevado. Sonhos com batalhas e morte costumam ser do plano emocional também.

Sonhos com anjos e música

Num dos sonhos, uma pessoa teria visto uma monja, mas Sri Chinmoy disse algo com a ideia de que na verdade eram anjos, só que a mente não queria que a pessoa sentisse a alegria de ver os anjos no sonho e a disfarçou de monjas. Olhem como a nossa própria mente nos trata!

Em outro sonho, a pessoa ouvia a música da alma (!). Outra experiência foi de alguém que ia muito fundo e, ao sair, sentia que queria ficar lá. Nesse caso, a experiência foi a de estar na região da alma.

Mais sobre os sonhos no livro

Lojinha de livros, incenso e jogos de tabuleiro – Leão Livros

Lojinha de livros, incenso e jogos de tabuleiro – Leão Livros

Nosso colega Roni abriu a Leão Livros, com livros de meditação e espiritualidade, incenso e jogos de tabuleiro. Parte do valor das vendas dos jogos de tabuleiro vai para a doação de livros, e o da venda dos livros ajuda no oferecimento de cursos gratuitos de meditação.

Visite a loja e encontre jogos e livros para você e sua família, colegas de trabalho e amigos!

 

Emudecido de silêncio e beleza

Os anseios fazem-me débil e fraco,
E não ouvem minha Vontade secreta.
Odeiam sempre a minha busca suprema,
Tornam meu ardor coisa abjeta.

Quanto a todos os meus desejos,
Chegará o dia, eu bem sei,
Em que buscarão a Tua Graça e a Ti somente;
Então em Ti brilharei.

Acima dos frutos e das ações eu,
Teu azul Olho-Compaixão azulado
Levará o meu coração e alma, o meu todo;
Em Ti sumirá o meu passado.

-Sri Chinmoy
My first friendship with the muse

Hoje estava lendo aforismos da série Seventy-Seven Thousand Service-Trees, que pessoalmente considero o magnum opus de Sri Chinmoy, com 50.000 poemas. Normalmente leio cinquenta deles (leva apenas cinco minutos) antes de pegar outros livros.

Hoje corri sem pausas por cento e cinquenta aforismos, perdi-me no vasto do tempo e fiquei emudecido de silêncio e beleza:

Eventually
Everybody’s life-possession
Shall end in
Infinity’s Nothingness.

To me, a self-giving
And self-effacing thought
Is, indeed, a perfect prayer.

God has given me
Two sleeplessly God-dreaming eyes,
And I have given Him
My gratitude-heart-tears
In return.

To feel God’s Love,
Always keep
A simplicity-life,
A purity-heart
And
A sincerity-mind.

Not my capacity,
But my Lord’s
Unconditional Compassion
Has enabled me to have
An illumination-mind,
Compassion-heart
And
Oneness-life.

When I give my Lord
All my weaknesses,
He tells me that
He wants to claim them
As His own
Before He strengthens them.

May my aspiration-heart-bell
Ring every morning
And every evening
Like a temple bell.

-Sri Chinmoy

Para terminar:

Eu sorrio para fazer
Você sorrir.
Eu choro para fazer
Você chorar.
Todo feito meu invoca
O Teu sol-vasto, inominado meneio.

-Sri Chinmoy
My First Friendship with the Muse

Uma vida mais simples

Simplicidade
A simplicidade é a grandeza na bondade.
Uma vida simples tem muito poucos problemas a enfrentar.
Porque é simples, você encorpora a poderosa Esperança de Deus em si.
A simpicidade é uma descoberta muito gloriosa.
A simplicidade é o nascimento frutífero da paz.
A simplicidade é o amigo-beleza de Deus.
A simplicidade alcança os vastos recônditos do mundo.
Sri Chinmoy, Silver thought-waves, part 2, Agni Press, 1992

Acontece comigo de muitas vezes ter coisas maravilhosas para fazer, mas minha mente me diz: “Ah, encontrei algo melhor ainda para fazermos.” Aí eu caio na cilada, e acabo deixando de fazer a contento o que já sabia que deveria ter feito com exclusividade.

Por vezes fico fantasiando sobre um dia perfeito que poderia passar lendo ou cantando ou meditando. Mas sempre que surge uma brecha de tempo, eu encontro algo diverso para fazer, incluindo escrever este texto. Coisas boas, muitas vezes, mas sempre postergo o plano de me dedicar ao meu eu interior de uma maneira que sinto necessária às vezes.

A solução do problema é simples: ouvir mais o coração, e não a mente. O coração sempre nos traz a sensação de satisfação, de paz, de contentamento, de simplicidade. Com essa sensação, fica muito mais fácil fazer o que o poema diz, “encorporar a poderosa Esperança de Deus em si.”

Seria como se dedicar a uma meta; não ficar para cá e para lá, mas ter uma noção de onde pode chegar e, principalmente, no que pode se tornar neste dia, neste ano, nesta vida.

Uma resposta para ficar mais no coração é a meditação.

Porque o coração quer meditar?
Ele quer meditar
Porque quer amar
O Supremo mais.
O coração sabe que a meditação
É a resposta.
Sri Chinmoy, Ten Thousand Flower-Flames, part 49, Agni Press, 1982

Meditação e o significado de fazer promessas na vida espiritual

“As pessoas dizem que é bom fazer promessas – apenas assim suas capacidades interiores virão à tona. Mas eu gostaria de lhe dizer que apenas uma promessa é boa: a sua promessa de que conquistará a ignorância e realizará Deus nesta vida. Apenas essa promessa vale a pena fazer – todas as outras são perigosas e destrutivas.”
Trecho de uma história no livro Sri Chinmoy, Great Indian meals: divinely delicious and supremely nourishing, part 2, Agni Press, 1979

Antes das promessas: meditação e autodescoberta

Com sua vida espiritual, sua prática de meditação, ação desapegada e devoção, todas as coisas passam a ter um novo sentido. Algo sublime passa a ser vazio e vice-versa. Seus planos de vida tornam-se pífios e você percebe um mundo todo à sua disposição, o qual você também se dispõe a amar e a servir. Um mundo que estava bem debaixo do seu nariz, mas que nunca imaginou que existia. Esse mundo não é um conto de fadas, nem um mosteiro ou uma caverna. Esse mundo é a sobreposição da vida divina sobre a vida cotidiana. É o mundo com seu significado e propósito completos, aguardando seus passos firmes para sua manifestação e completude finais.

Hoje estava lendo uma conversa de Sri Aurobindo com seus discípulos. Na história foi mencionado que nossos conceitos sobre justiça e realidade podem limitar a ação da Graça superior. Foi o que me inspirou a escrever, baseado nas minhas experiências e nos ensinamentos de Sri Chinmoy.

Promessas-problema

Na minha vida, lembro só de duas promessas que fiz. E quebrei todas elas. Uma delas foi que nunca iria deixar de comer carne e outra que nunca me separaria da minha noiva. Hoje sou vegetariano e solteiro.

No Mahabharata, que é como uma bíblia do hinduísmo, há inúmeras histórias sobre os personagens realizando promessas. A veia comum nessas histórias é que todos os personagens se dão muito mal por terem feito promessas. Notoriamente, diversos exércitos lutaram contra o lado do bem na Batalha de Kurukshetra por conta de promessas anteriores.

Arjuna, no 13º dia da Batalha, ao ver o seu filho morto em uma emboscada, fez o juramento que se não vingasse a sua morte até o por do sol seguinte, ele entraria vivo numa fogueira de cremação.

Mas Arjuna era o bastião do seu exército, o exército que Sri Krishna, a personificação do Divino e da Verdade na Terra, havia colocado contra as forças demoníacas que utilizavam o exército oponente. Que audácia teve Arjuna de arriscar a batalha e a humanidade toda para satisfazer seu orgulho ferido e sua emoção! Krishna, ao ficar sabendo da promessa de Arjuna, ficou profundamente insatisfeito. Ele teve que ajudar Arjuna a cumprir sua promessa, despendendo recursos, tempo e risco desnecessários para satisfazer a promessa egoísta de um guerreiro entristecido. Krishna admoestou todos os guerreiros a não fazerem promessas novamente.

Minha história é uma história de formiga (ou menos) comparada com a de Arjuna no Mahabharata, mas o princípio pode ser parecido. Por um impulso, ou por causa de uma ideia fixa que absorvi da sociedade (comer carne e noivar), fiz promessas que pareciam fazer todo o sentido naquele momento. Mas, depois de começar a meditar e (assim como na história de Arjuna e Krishna) com o toque da Graça do meu Mestre, Graça que de início eu não percebia, mas que hoje é a única coisa clara na minha vida, reparei que essas coisas que prometi eram todas contraprodutivas.

O melhor que tive a fazer foi quebrar as promessas, engolindo o orgulho e suportando todas as críticas exteriores dos amigos, família, etc. Então, renovado, pude continuar a minha jornada.

Mencionei o Mahabharata, mas o Cristo no Novo Testamento também incita seus alunos e discípulos a se aterem à tarefa em questão e não causarem problemas ao futuro com promessas:

Não jureis de forma alguma; nem pelos céus, que são o trono de Deus; nem pela terra, por ser o estrado onde repousam seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. E não jures por tua cabeça, pois não tens o poder de tornar um fio de cabelo branco ou preto. Seja, porém, o teu sim, sim! E o teu não, não! O que passar disso vem do Maligno.

Mas é claro que nem tudo na vida é preto e branco. Sri Chinmoy também nos ensina na história que abre o capítulo do livro mencionado no início deste texto:

“Mas eu gostaria de lhe dizer que apenas uma promessa é boa: a sua promessa de que conquistará a ignorância e realizará Deus nesta vida.”

Sri Chinmoy costumava nos inspirar a fazer pequenas promessas, principalmente por ocasião do ano novo, sempre muito direcionadas e, se não conseguíssemos cumpri-las, seguiríamos em frente sem olhar para trás. Ou seja, não é tanto uma promessa, mas sim um plano inspirador.

Por exemplo: meditarei uma vez mais ao dia durante o mês de janeiro (não precisa marcar algo fixo); farei exercícios físicos durante todo o mês de fevereiro (contanto que seja exercício, está bom); lerei os livros do meu Mestre todos os dias sem falta durante o mês de março (não importa qual livro dele).

São todas promessas muito razoáveis e que podem ser realizadas sem causar problema algum na sua vida, mesmo se não estiver com aquele livro que estava lendo; se não estiver com o seu tênis de corrida; se estiver numa reunião importante na hora da meditação. Sempre tem uma forma razoável de cumprir essas promessas. Elas servem para lembrar você de coisas que são importantes e não devem ser negligenciadas. Não são paradigmas forçados e autoinventados ou absorvidos da cultura local, como a minha ideia de que nunca deixaria de comer carne ou que deveria ficar com uma pessoa por toda a vida.

Queria escrever isto para ninguém ficar patinando na vida como eu fiz! Ou, pelo menos, patinar um pouquinho menos, por menos tempo!

Formas de meditar diferentes: a ação

playlist de música para meditação

 

Formas de meditar diferentes: a ação

por Patanga Cordeiro

 

Hoje sigo com mais uma pequena história do meu cotidiano.

 

Passei o dia no nosso centro de meditação fazendo reparos, podando e jardinando, planejando melhorias, acompanhado de um dos meus colegas.

 

Ao fim da tarde, apesar de eu não ter feito várias coisas que gosto de fazer principalmente nos domingos, eu estava me sentindo muito bem, simplesmente feliz, feliz sem motivo, feliz de estar satisfeito.

 

Uma parte disso se deve, acredito, por ter feito trabalho simples, manual, longe do computador e telefone (só fui ver meu telefone no fim da tarde, porque me avisaram que alguém queria falar comigo, mas estava tudo resolvido quando liguei).

 

Quando fui almoçar, pelas 14h, passei na frente da foto de Sri Chinmoy. É a foto que uso para meditar todos os dias. Naquele momento, essa foto parecia tão viva, como se estivesse dentro de mim, ou como estivesse compondo os meus arredores, as coisas que existiam no meu dia.

 

Eu não estava me sentindo particularmente elevado, mas, quando penso bem, estava servindo, estava fazendo algo com um significado interior, estava ocupado com algo luminoso, estava sempre em silêncio ou falando coisas boas.

 

Tive a sensação de que fiz muito progresso nesse dia. De que melhorei muitas coisas. A única coisa que fiz foi cortar galhos, limpeza, com uma companhia espiritual, num ambiente espiritual. Mas tive o resultado de como se tivesse uma meditação profunda, que é algo que acontece apenas raramente durante o meu horário de meditação propriamente.