Dicas para medição 47 – Mantendo a Aspiração

Dicas para medição 47 – Mantendo a Aspiração

por Sri Chinmoy

Aqui, na sala de meditação, estamos aspirando. É por isso que nossa consciência está elevada. Então, ao irmos para casa, nossa consciência vai para baixo. Alguma calamidade vai acontecer ou alguma outra coisa surgirá, e vamos perder a nossa aspiração. Mesmo que não haja nada exteriormente que nos impeça de aspirar, nosso próprio ser interior não vai deixar que nós fiquemos no topo da árvore. Às vezes, não há nenhuma perturbação exterior, mas mesmo assim achamos difícil ficar no topo da árvore, porque não vivemos ali no dia a dia. Aspiramos por meia hora com total sinceridade, e então o relaxamento começa. Sentimos que trabalhamos muito duro. Fizemos nossa parte por 5 minutos ou meia hora, e agora sentimos que merecemos descansar por uma ou duas. Começamos a ler jornal ou a assistir à televisão, e dessa forma relaxamos.

No entanto, se quiséssemos manter nosso nível, o ápice da nossa aspiração, deveríamos ser contínuos, fluentes. Suponham que meditamos por uma hora. Talvez a gente não consiga meditar por mais uma hora ou coisa parecida. Sem problema. Faremos algo que vai manter e preservar nossa meditação. Podemos ler livros espirituais ou cantar canções espirituais. Nessa hora, automaticamente nosso ser interior vai nos inspirar a ler livros. Não vamos precisar usar a mente para pensar: “Oh, chegou a hora de ler”. Nosso ser interior vai nos ajudar a fazer a coisa certa. Agora mesmo, nosso ser interior está dentro de nós, profundamente escondido. Entretanto, estamos tentando o melhor, através do yoga, para trazer o ser interior à tona. Depois de ler por meia ou uma hora, podemos visitar um amigo espiritual ou, se isso não for possível, ligar para ele e falar sobre nossas experiências.

Também podemos escrever sobre nossas próprias experiências. Não vamos publicá-las mas, ao colocá-las no papel, vamos revelar nossa própria luz interior e aperfeiçoar nossa natureza espiritual. Por meia hora, podemos escrever e ler o que escrevemos. A cada vez que lemos uma das nossas experiências, obtemos paz, luz e felicidade abundantes. Isso não é falsa imaginação. Assim que escrevemos, criamos alguma coisa. O criador sempre quer apreciar sua criação. Veja o jardineiro. O jardineiro passa por poucas e boas ao plantar e regar a flor. Depois de seis ou sete meses, ao vê-la, ele a aprecia e admira profundamente. De modo semelhante, também conseguimos alegria com nossas criações.

Dessa maneira, fazendo todas essas coisas, podemos ir em frente por cinco ou seis horas. Mesmo enquanto estivermos comendo, podemos nos lembrar das experiências que tivemos na meditação de manhã cedo. Essa imaginação é como uma bateria. Estamos carregando nossa memória com nosso progresso espiritual. Dessa forma, podemos continuar, entrar ou reter nossa meditação.

No entanto, infelizmente, não fazemos isso. Meditamos por meia hora ou 45 minutos. Então nos sentimos cansados e exaustos. Nos envolvemos com pessoas não-aspirantes, lemos livros não-aspirantes, fazemos muitas coisas erradas depois de meditarmos. Sentimos que vimos uma margem do rio. Queremos ir para a outra margem. Mas a outra margem, infelizmente, é toda escuridão. Temos de tentar permanecer na margem que tem luz. Temos de fazer coisas que vão aumentar nossa meditação ou, pelo menos, reter o poder dela. Precisamos ser bem sábios na nossa vida diária, em como gastamos cada hora, cada segundo. Virá um dia em que não vamos ter nenhuma restrição na nossa vida. Nossa própria existência será um fluxo de aspiração. Entretanto, agora temos de usar nossa mente consciente para aspirar.

Precisamos meditar de  manhã cedo e então ler, cantar canções espirituais ou encontrar pessoas espirituais. Quando estivermos no escritório ou fazendo alguma outra atividade, temos de tentar permanecer com o fluxo espiritual que obtivemos de manhã cedo. Da nossa meditação matutina, adquirimos paz, luz e felicidade, que são dinheiro espiritual. Precisamos depositar esse dinheiro no nosso coração, que é o mais seguro de todos os bancos. Assim, quando estivermos no trabalho, ao precisarmos nos proteger de pessoas não-aspirantes, podemos nos concentrar no nosso coração e trazer à tona um pouco de paz, luz e felicidade que adquirimos de manhã cedo. Desse modo, seremos capazes de manter nosso patamar espiritual e nosso nível de consciência elevado.

The Mind and Heart in Meditation, p. 19-23

Dicas para meditação 46 – Progresso ou Regresso

Dicas para meditação 46 – Progresso ou Regresso

Pergunta: No começo da minha vida espiritual, eu tinha um monte de entusiasmo, mas ele minguou. Como posso continuar progredindo firmemente?

Sri Chinmoy: Ao embarcarmos na vida espiritual, precisamos de entusiasmo. Sem ele, não vamos nos mexer um centímetro. Entusiasmo é muito bom, mas disposição em demasia é ruim. Se comermos além da nossa capacidade, vamos ter indigestão. No seu caso, não era entusiasmo. Como um glutão, você ficou disposto ao extremo e tentou comer demais. Não devemos sentir que vamos realizar Deus numa só noite, ou que corremos numa competição em que tentamos vencer todo mundo. Estamos competindo, na verdade, apenas com nossa ignorância. Precisamos tanto de paciência quanto de entusiasmo para vencermos a corrida.
Devemos sempre sentir que temos algo para atingir e algo para dar. Se esperarmos por absoluta paz mental sem abnegação, vamos nos frustrar. Entretanto, o tempo é um fator importante. Podemos pensar com toda a sinceridade: “Vou realizar Deus amanhã”, mas nossa absoluta sinceridade não vai nos conseguir um mestrado numa só noite. Sinceridade é bom, mas devemos ser sábios também. Temos de conhecer nossa capacidade. Se decidirmos que em tal data vamos realizar Deus, estamos fadados ao desapontamento. Deveríamos nos lembrar de que somos como uma criança que estuda um ano, depois vai a uma série mais avançada. Também temos que estudar, que meditar com bastante entusiasmo, mas é um péssimo erro marcar uma data para a conquista da nossa meta. Se formos sinceros, Deus vai nos dar a realização na Hora escolhida por Ele.
Quando acendemos um fogão só um pouquinho, talvez não vejamos a chama. Ao acendê-lo bem, vemos a chama. Também na vida espiritual, primeiro a nossa aspiração é bem pequena. Mas, gradualmente, nos aproximamos pouco a pouco de Deus. Quando nos voltamos diretamente para Ele, nossa chama-aspiração vai queimar de maneira resplandecente. Na vida espiritual, vem uma hora – depois de cinco, quinze ou mesmo trinta anos, dependendo da Vontade de Deus – em que a meditação se torna espontânea. Uma vez que tudo se torne espontâneo, não vamos ter mais a experiência de entusiasmo por cinco minutos e então passar o resto do dia em depressão. Pensamos que, durante aqueles cinco minutos, ganharíamos milhões de dólares espirituais.
É sempre bom ter entusiasmo na nossa vida. De outra forma, não haverá progresso. No entanto, se tivermos disposição em demasia, tentaremos pegar coisas de Deus muito antes de estarmos prontos para recebê-las. Estamos correndo em direção ao nosso destino. Contudo, se tentarmos ir além da nossa capacidade, vamos apenas tropeçar, cair e nos machucar. Isso só pode atrasar nosso progresso. Sejamos pacientes e fiquemos contentes em ir um pouquinho devagar, mas constantemente e com segurança.
Problems! Problems! Are They Really Problems? 1, p. 55-57

Pergunta: Por que é que às vezes, quando alguém faz um progresso interior rápido, isso não se reflete na vida exterior dele?

Sri Chinmoy: Às vezes acontece de você ter a impressão de que alguém está fazendo um verdadeiro progresso interior, mas pode não ser assim. Algumas pessoas tentam mostrar seu progresso interior ou elas se iludem. Às vezes, você vê alguém que está rezando e meditando a toda hora. Fica com a impressão de que ele está fazendo um maravilhoso progresso. Mas só Deus sabe o que ele está fazendo: se está pensando em Deus ou enganando a si mesmo. Entretanto, se alguém realmente faz progresso, esteja certo de que a vida exterior dele também vai passar por uma mudança considerável.
Transformation-Night, Immortality-Dawn, p. 49

Você não terá nenhuma imperfeição quando se tornar consciente e constantemente um com a Vontade do Supremo a todo instante, e fazer a coisa certa de acordo com a mensagem que recebe do seu interior. De outro modo, sua atitude ou sentimento fará quase invariavelmente com que você cometa um erro deplorável. E ao cometer um erro sério uma vez, seu progresso interior pode parar. Ou se cometeu um erro sério, deplorável, então seis meses de progresso podem ser destruídos ou anulados. Porém, se fez uma coisa certa para agradar o Supremo em mim, esteja certo de que progrediu seis meses num efêmero segundo. Num segundo, você pode fazer um progresso surpreendente, incrível, que pode durar por seis meses. Contudo, se comete um erro bem sério, o Mestre perde toda a fé em você. Uma vez que ele perca a fé, seu progresso será totalmente destruído. Faça sempre o Guru sentir que pode ter fé implícita em você, na sua ação, na sua capacidade, na sua sinceridade, na sua devoção.
The Quintessence of Knowledge-Sun, p. 22-23

Pergunta: Como sabemos se estamos crescendo ou retrocedendo espiritualmente?

Sri Chinmoy: Em primeiro lugar, você não está retrocedendo. Não vai voltar à sua vida pregressa. Não desistiu do nosso caminho. Eu ainda sou seu Guru, então você não retrocedeu. Isso é um absurdo.
A outra pergunta é se você está fazendo progresso ou não. Às vezes, quando corremos o mais rápido possível, se nossas mãos, nossas pernas e nosso corpo inteiro estão em perfeita coordenação, sentimos que não estamos correndo. No entanto, se esticamos nossas mãos e nossas pernas, tentando fazer com que os outros e nós mesmos acreditemos que estamos correndo, sentimos que estamos indo bem rápido. Quando estamos no aeroporto, com toda a agitação dele, sentimos movimento. Entretanto, ao entrarmos no avião e começarmos a viajar 500 ou 600 milhas por hora, vamos sentir que não estamos nos mexendo.
Assim, quando você estiver firme no meu barco e confiar no barqueiro, talvez pareça que, às vezes, a embarcação não se mexe. Mas ela está se mexendo. Se você ainda está no barco, e está, tem de sentir que está fazendo progresso.
Há outra maneira de ver seu progresso. Você costumava apreciar vários pensamentos não-divinos: medo, dúvida, inveja e outros. Há quatro anos, veja quantas vezes era vítima dessas idéias. Mas agora, só de vez em quando, talvez esses pensamentos o ataquem. Naturalmente, você fez progresso. Aí está a prova.
The Illumination-World, p. 21-22

Questão: Às vezes, sinto que não só não estou fazendo progresso, como também regredindo na minha vida espiritual.

Sri Chinmoy: Infelizmente, algumas pessoas correm um pouquinho e já ficam cansadas. De fato, elas ficam tão cansadas que deixam que a ignorância as puxe para trás. Uma vez que você tenha começado a correr na vida espiritual, se avançar cansado e desistir da sua espiritualidade, não será capaz de permanecer no mesmo lugar. As forças da ignorância vão atacá-lo impiedosamente e arrastá-lo de volta para o mar dela. Mas a direção da evolução da alma segue apenas um caminho. O progresso que você fez durante sua vida de aspiração não será perdido. A ignorância do mundo físico e do mundo vital cobrem a alma a tal ponto que ela acha extremamente difícil se livrar desse fardo pesado de escuridão e ignorância. A alma fica coberta com um denso véu de ignorância, mas uma vez que o véu seja retirado novamente, toda a sabedoria da alma, adquirida na sua curta vida de aspiração, virá à tona. A alma sempre mantém a quintessência das suas experiências de progresso.
Problems! Problems! Are they really problems? 2, p. 35

Dicas para meditação 45 – Sentido da vida

 

Dicas para meditação 45 – sentido da vida

 

Pergunta: O que você quer dizer por sentimento complacente?

 

Sri Chinmoy: Antes, por meses e anos alguns de vocês tentaram descobrir o sentido da vida, para que sua existência pudesse ter pelo menos um pouquinho de um sentimento de alegria ou razão de ser. Vocês estavam buscando alguma coisa, às vezes trabalhando com política ou se envolvendo com a sociedade, mas não havia uma meta mais elevada. Agora que vocês conhecem a meta mais elevada, é questão de atingir essa meta. No entanto, sentem que, por conhecer a meta, ela está ao seu alcance. Antes não havia montanha. Agora estão próximos à montanha e estão esperando para ver se alguém vai na direção dela. Se alguém for, então vão tentar escalar. Vocês se tornaram proprietários da montanha. Ela agora é propriedade sua. Se alguém vier, vocês vão escalá-la para mostrar que ela é realmente sua. É um sentimento complacente. A atitude deveria ser: “Sim, aqui está a montanha. Ela está me reivindicando, mas eu não vou exigi-la até atingir a meta”. Até esse momento, sua reivindicação não pode ser consciente. Às vezes, nos esquecemos totalmente disso. Vemos a imensidão da meta e dizemos: “Como é que podemos reivindicá-la?” Quando a meta olha para o peregrino, ela sempre o considera como sendo muito dela. Aqui, depois de chegar à base, aos pés da montanha, o peregrino deveria começar a escalá-la. Só assim ele pode considerá-la como sendo sua, de maneira consciente e constante. Se o peregrino não pode constantemente reivindicar a montanha, se não pode escalar sem a ajuda dela, então hoje dirá: “Não preciso dela”, e amanhã dirá: “É muito alta. Não posso assimilar a vastidão da montanha”.

The Transcendence of the Past, p. 40-41

Dicas para meditação 44 – deixando de acalentar más qualidades

Dicas para meditação 45 – deixando de acalentar más qualidades

 

Pergunta: Qual é a pior impureza?

 

Sri Chinmoy: A pior impureza é o pensamento negativo. Ao estar impuro, você diz: “Não consigo. Não posso fazer a coisa certa. Não posso pensar em Deus ou meditar em Deus. Não posso ver a Luz ou a Verdade”. Isso é dúvida. É a pior impureza possível.

Sempre temos de ver a luz de uma maneira positiva. Posso dizer que tenho luz numa medida pequenininha, minúscula. No entanto, se eu falar: “Não tenho luz nenhuma. Tudo o que tenho é escuridão”, então estou enganando a mim mesmo. Mas se um ser humano comum diz que tem luz abundante e ilimitada, ele também está apenas se enganando.

Se você pensa que não tem nenhuma luz e que é todo escuridão, isso é falsa modéstia e auto-engano. A falsa modéstia e o auto-engano nunca vão levá-lo à realização em Deus. Se você pensar constantemente: “Sou impuro, sou insincero”, então realmente vai ficar impuro e insincero. Alguém pode lhe falar: “Sou impuro”, mas quando diz isso, sente no fundo da mente que é pelo menos uma gota mais sincero que o vizinho dele, que o amigo dele, ou que alguma outra pessoa. Desse modo, a insinceridade também vem da impureza. Portanto, insinceridade, imperfeição e pensamentos negativos são todos formas de impureza.

Quando vemos alguma coisa dentro de nós mesmos, tentamos exibi-la exteriormente. Se tenho insinceridade por dentro, vou demonstrá-la por fora também.

Isso quer dizer: se tenho insinceridade por dentro, vou buscar refúgio exteriormente na casa da insinceridade. Entretanto, se sou sincero e puro por dentro, exteriormente vou procurar abrigo na casa da pureza e da sinceridade.

Portanto, a pior impureza inclui as formas negativas de pensar, a insinceridade e o sentimento de indignidade. Todas essas qualidades negativas são auto-impostas.

Flame-Waves 12, p. 46-47

 

 

Pergunta: Guru, como podemos parar de acalentar inconscientemente pensamentos não-divinos?

 

Sri Chinmoy: Sinta que existem dois competidores: seu Guru e os pensamentos não-divinos. A quem você quer satisfazer? Se quer me satisfazer, não pode acalentar esses pensamentos, porque você sabe que vão fazê-lo se sentir miserável. Ou sinta que você tem um quarto para alugar. Você quer alugá-lo para minha compaixão, amor e consideração, ou quer alugá-lo para os outros locatários: medo, dúvida e insegurança?

Se você não quer acalentar um pensamento, assim que ele vier diga imediatamente: “Guru, Guru, Guru, Guru, Guru, Guru!” Diga isso bem rápido, como um trem bala. Ou pode dizer “Aum” ou “Supremo”. Enquanto estiver dizendo isso bem rápido, esse pensamento não poderá entrar. Depois de cinco minutos, você vai ver que pensou em mim por muito tempo, ao passo que teve esse pensamento não-divino só por um segundo. Vai obter coragem da coisa que fez por tanto tempo.

Você obtém um falso senso de segurança de qualquer coisa a que está acostumado. Você vive numa casa. Logo na próxima porta, seus vizinhos são o medo, a dúvida e a destruição. A qualquer hora eles podem prejudicá-lo. No entanto, só porque vive perto deles por tanto tempo, obtém um tipo de falsa segurança. A três quarteirões, você tem um vizinho que é muito simpático: todo compaixão, amor e consideração. Ele é a sua alma. Mas só porque ele está a três quarteirões de distância, você não o chama. Sente que ele está muito longe e que não é forte o suficiente. Entretanto, isso está errado. O amor, a compaixão e a consideração da alma são extremamente poderosos. Ou você pode sentir que o amor da alma é enorme e, por causa dessa enormidade, você fica com medo. As qualidades não-divinas são pequenininhas. Você sente que pode controlá-las. Quando entram em você, nessa hora elas o controlam.

Illumination-World, p. 14-15

 

 

Pergunta: Guru, ao dizer que acalentamos dúvidas e outras coisas não-divinas, o que quer dizer com “acalentar”?

 

Sri Chinmoy: Quando digo que você acalenta algo, quero dizer que obtém uma espécie de alegria sutil disso. Quando o pensamento começa, é como uma criancinha. Quando uma criancinha belisca um adulto, ele fica com dor. Mas só porque ela é apenas uma criancinha, o adulto não a interrompe. Ele sente dor, mas também uma espécie de alegria por uma coisinha tão pequena estar beliscando-o. Então, quando a criança fica mais velha, o adulto a deixa continuar beliscando-o, porque está obtendo um pouquinho de alegria. Quando a criança cresce e se torna um adolescente, ao beliscar o adulto, vai realmente machucá-lo. Ao crescer, essa criancinha vai dar realmente uma pancada naquela pessoa.

Portanto, esse minúsculo pensamento não-divino, ao começar, é muito pequeno. Ele causa um pouquinho de dor, mas também dá um pouquinho de alegria. Você sente que está protegendo-o, que ele está sob seu controle. Sente que pode jogá-lo fora a qualquer hora. Permite que o pensamento venha à sua casa. Se é um desejo, sente que a qualquer hora pode satisfazê-lo ou não, que depende de você, já que você é o anfitrião. Entretanto, uma vez que esse pensamento entrou na sua casa, vai crescer. Ao ser acalentado, sente que a casa é realmente a casa dele, e que ele é o anfitrião e você o convidado. Então, a responsabilidade é sua.

Illumination-World, p. 10-11

Dicas para meditação 43 – percebendo o progresso e os desafios

Dicas para meditação 43 – percebendo o progresso e os desafios

Pergunta: Como podemos ser sinceros conosco mesmo, para vermos de modo mais claro como estamos progredindo?

Sri Chinmoy: Quando uma criança tem sete anos de idade, se faz alguma coisa errada mais de uma vez, acaba percebendo isso. Na primeira vez em que faz algo errado, não percebe. Mas, ao repetir o erro, acaba sabendo que o que está fazendo é errado. Alguns de vocês costumavam me falar que não percebiam o que estavam fazendo. Mas eu sei que não existe um discípulo sequer que nunca teve uma boa meditação. Suponha que alguém esteja comigo por dois anos. Durante esses dois anos, ele não pode me dizer que nunca teve uma boa meditação. Ele teve. Se teve uma meditação boa, elevada, então digo que nas profundezas daquela meditação, as boas e as más qualidades dele se revelaram. Durante esses dias de boa meditação, o Supremo nele trouxe à tona suas qualidades divinas e também as não-divinas. As qualidades não-divinas vieram à tona para que ele pudesse ver o que precisa ser transformado. Se alguém está comigo por até mesmo dois meses, suas boas qualidades vieram à tona e suas más qualidades também começaram a vir para fora – não para intimidá-lo, mas para serem transformadas. Deus está dizendo: “Aqui estão as coisas que você tem de transformar e aqui estão as coisas das quais pode ter orgulho”.

Não se sinta desapontado, desanimado ou desencorajado ao ver suas más qualidades. Depois que forem transformadas, vão se tornar uma só com as qualidades boas. Se você tiver uma boa meditação num certo dia, nesse dia as boas qualidades virão à tona. As qualidades ruins virão para fora, para deixar você saber que essas são as coisas que têm de ser transformadas, e quanta distância ainda falta para você chegar à Meta.

Ao ter a mais elevada meditação, por um lado você vai sentir que está bem próximo de Deus. Por outro, sentirá que ainda tem muito para transformar, que só Deus sabe quanto tempo vai levar. Há apenas dois centímetros entre você e Deus, mas esses dois centímetros podem lhe parecer uma estrada interminável.

A sinceridade vem do coração, não da mente. A mente é travessa. Ela vai confundi-lo. E também o vital e o coração estão infelizmente muito próximos um do outro. O vital está próximo da região do umbigo. De lá, a energia vital pode entrar no coração. Portanto, se você sentir que está recebendo várias mensagens do coração, provavelmente está recebendo mensagens do vital.

A melhor forma de saber se está sendo sincero é ver quanto você se entregou ao seu ser interior. Pode saber o quanto se entregou ao ver o quão alegre você é. Mas isso não pode ser uma falsa alegria.

Quando alguns discípulos me olham com os semblantes tristes, digo a eles: “Por favor, por favor, não fiquem deprimidos. Sorriam para mim, sorriam para mim”. Então eles sorriem para mim, mas sei que é um sorriso absolutamente falso. Entretanto, eu sinto: “Tudo, bem, comecem com uma felicidade falsa. Ao invés de me mostrar uma face de abatida depressão, arrogância e outras qualidades não-divinas, pelo menos comecem com um sorriso falso. Um dia me darão um sorriso sincero, com toda a alma”.

Meditation: God’s Duty and Man’s Beauty, p. 55-59

 

… Em primeiro lugar, você tem de perguntar se esses problemas de agora existiam antes. Imediatamente a resposta virá: sim. Então, como é que agora está ciente deles, e naquele tempo não os percebia? Precisa saber que, quando você vive uma vida comum, não-aspirante, as forças hostis são espertas. Elas sabem que você está à mercê delas. Elas conhecem sua capacidade. Sabem que está na ignorância e aos pés delas. Então falam: “Tudo bem, já que ele está dormindo, não vamos incomodá-lo”. Mas, na hora em que você se levantar, elas vão atacá-lo.

Existem muitos buscadores que ficam reclamando ao Mestre deles: “Antes de aceitarmos a vida espiritual, tínhamos menos problemas. Agora que a aceitamos, nossos problemas aumentaram”. Mas isso não é verdade. Eles devem saber que tinham esses mesmos problemas. Só que não sabiam como vencê-los. É por isso que não estavam cientes deles. Se você não quer vencer alguma coisa, está dormindo profundamente e o problema está dormindo profundamente. Entretanto, agora que você entrou na vida espiritual, está enfrentando todos os seus problemas. Já que está enfrentando-os, as forças hostis ficarão com eles e tentarão combatê-lo. Elas alimentam os problemas, para que assim eles continuem a lutar. Mas essas forças sabem que não serão capazes de vencê-lo. Apenas vão tentar atrasá-lo, atrasá-lo. Assim, você precisa enfrentá-los.

Se você não aceitar os problemas, como vai vencê-los? Se tentar evitá-los, eles vão vir com mais poder. Com bastante veemência eles virão e vão atacá-lo. Você não pode se esconder dos seus problemas. Precisa vencê-los aqui e agora. Se esperar e disser: “Não, amanhã eu serei mais forte, e então serei capaz de vencê-los”, esse amanhã não vai vir. Cada segundo é uma oportunidade dourada, e se você usa mal essa oportunidade dourada, está fortalecendo inconscientemente as forças da ignorância.

The Jewel of Humility, p. 33-35

 

…Ao entrar na vida espiritual, às vezes você vê e sente que muitas qualidades não-divinas, de repente, estão vindo à tona. Alguns discípulos perguntam aos seus Mestres: “Como é que eu nunca tive inveja antes? Eu não tinha essa insegurança, essa frustração e outras coisas. Por que estou tendo-as agora?”

Antes de entrarmos na vida espiritual, estávamos todos inconscientes. O tigre dentro de nós estava dormindo. Porém, quando o tigre vê que estamos tentando deixar os domínios dele, diz: “Aonde estão indo? Que direito vocês têm de me deixar? Vou devorá-los antes que me deixem!” Enquanto o tigre-dúvida está confiante o suficiente de que você vai ficar com ele por todo o tempo, não sente a necessidade de intimidá-lo ou amedrontá-lo. No entanto, quando você começa a tentar sair da sua jaula-escravidão, o tigre-ignorância tenta impedi-lo. Ele o ataca veementemente com dúvidas e outras forças não-divinas, tão logo sente que está ameaçando deixá-lo. É por isso que você é atacado assim que vem ao Centro meditar. É onde as forças divinas são mais fortes. Portanto, é onde o tigre-ignorância se sente ameaçado por você.

Não pense que as fraquezas e imperfeições estão vindo à tona só porque você aceitou a vida espiritual. Pelo contrário: elas estavam ali antes, mas estavam escondidas. Você deveria ser grato à sua vida espiritual por ter trazido suas imperfeições para fora. Quanto mais cedo suas imperfeições vêm à tona, mais cedo você será capaz de enfrentá-la e vencê-las. Quando a dúvida e outras imperfeições o atacarem, deveria dizer: “Vocês vieram. Agora me deixem vencê-las de uma vez por todas. Assim, eu serei livre”.

Muitos discípulos são perfeitos quando estão em casa, mas na hora em que vêm ao Centro, ficam invejosos ou começam a duvidar deles mesmos ou suas mentes ficam cheias de pensa-mentos não-divinos. Assim que olham para mim, dizem interiormente: “Oh, estou acalentando esses pensamentos não-divinos!” Eles têm medo de que eu veja seus pensamentos não-divinos. Então, tentam escondê-los, como um ladrão. Todavia, deveriam agir como uma criança e não como um ladrão. A criança não fica envergonhada quando está suja. Ela só corre até a mãe e ela o limpa.