Fazendo perguntas ao Mestre espiritual

Um de meus amigos teve a oportunidade de passar longas horas sozinho dirigindo com Sri Chinmoy, nosso Mestre espiritual. Entretanto, muitas vezes ele sentia ser melhor não distrair o Mestre com suas perguntas pessoais, e preferia deixar que Mestre fizesse o que fosse necessário interiormente, e se fosse necessária uma ação externa, que ela deveria acontecer por iniciativa própria do Mestre. Só raramente é que ele iniciava uma conversa.

Uma vez, entretanto, ele fez uma pergunta sobre perguntas: quando não queremos perguntar algo ao Guru no plano externo, como obter respostas às nossas perguntas? Guru respondeu que poderíamos escrever uma carta de forma detalhada com nossas ideias e sentimentos e colocá-la em nosso altar de meditação pessoal.

Certa vez, eu senti muita necessidade de entregar uma das minhas imperfeições, mas ela estava sendo tão recalcitrante! Eu escrevi uma carta sentado em meu altar de meditação. Quando terminei de escrever a carta e decidi começar uma breve meditação, o problema tinha desaparecido totalmente!

Mais tarde, notei que isso voltou lentamente. Até então eu havia percebido que não só precisava de uma graça especial para removê-la, mas que no futuro esta graça também me mostraria como mudar gradualmente minha vida de tal forma que esta imperfeição não encontraria seu caminho de volta. Por isso, tive duas lições com uma pergunta, duas lições com uma oração! Quem ousaria dizer que nós fazemos o trabalho e Deus dá os retoques finais?

Postagem original

Outros textos relacionados:

Perguntas e respostas

Textos por Patanga Cordeiro, servidor público, ultramaratonista, voluntário. Instrutor de meditação voluntário no Centro Sri Chinmoy em São Paulo e outras cidades do Brasil desde 2004.

Na presença do Mestre espiritual

Quando me tornei discípulo de Sri Chinmoy, senti que qualquer orientação interior que obtinha tinha aumentado em quantidade, qualidade, clareza e propósito. Essa orientação interior viria na forma de inspiração para fazer algo, um ideal prático ou um desejo inexplicável de estar em algum lugar. Quanto mais eu ouvia essa orientação interior, mais frequentemente podia ouvi-la, e mais harmoniosa, realizadora, interessante e cheia de propósito minha vida se tornava. Quanto mais eu meditava com a foto do meu Mestre, melhor se tornava meu dia. De repente eu me lembraria de coisas muito importantes que eu havia esquecido depois de olhar a foto dele por um minuto. Uma pequena fonte de gratidão estava brotando em meu coração. Esse pequeno sentimento de gratidão que eu sentia também me ajudou a me sentir próximo a ele e amado por Deus.

Lembrem-se que eu vivia a mais de 7.000 km de distância de meu Mestre.

No entanto, eu o sentia caminhar comigo nas ruas, visitando o mercado comigo, ajudando-me com meus deveres de casa, correndo comigo pela manhã, colocando-me para dormir à noite.

Tendo sido seu aluno por dois anos, tive a oportunidade de vê-lo pessoalmente.

Eu não tinha nenhuma expectativa – nesses anos eu já soube o quanto ele cuidava de mim. Quando realmente o vi, não havia nenhuma experiência espiritual externa, como ver a luz, etc. Era uma mera continuação do que eu sentia em casa todos os dias. (Mas era definitivamente mais divertido!) Guru não é apenas um verdadeiro mestre espiritual, mas também é desenvolvido em todas as qualidades humanas – inteligente, educado, espontâneo, divertido, poderoso, incansável, inspirador, meigo, carinhoso, etc.

Nunca tive vontade de fazer-lhe pessoalmente ou por carta qualquer pergunta sobre minha vida espiritual. Elas foram respondidas diariamente durante minha meditação, durante minhas horas de trabalho, durante meu sono e minhas leituras. Os dois anos de distância física só me fizeram sentir com certeza que ele era meu Mestre, e eu só rezo para que eu possa ser seu discípulo por todos os anos que se seguem.

Postagem original

Textos por Patanga Cordeiro, servidor público, ultramaratonista, voluntário. Instrutor de meditação voluntário no Centro Sri Chinmoy em São Paulo e outras cidades do Brasil desde 2004.

Experiências de meditação: meditar antes de trabalhar

meditacao trabalho

Meditando antes de trabalhar

Por muitos anos, tive o hábito de meditar por sete minutos antes de começar e depois de terminar o expediente de trabalho. Sempre pareceu algo natural. Para me preparar, para agradecer, para trabalhar direito – tem tantos motivos.

Lentamente, como muita coisa que depende de disciplina, minha mente foi criando desculpas, e a meditação foi diminuindo, ficando mais informal, até um minuto apenas nos últimos anos.

Nesses dias, me lembrei como era bom e proveitoso fazer uma meditação um pouco mais longa, mais dedicada. Voltei a me propor os sete minutos que eram o hábito de anos anteriores.

Ontem tive uma experiência muito interessante. Os sete minutos de meditação passaram, e a meditação não foi nada fora do comum, talvez até um pouco mais superficial que o de costume. Mas, enquanto trabalhava, sentia claramente que a meditação estava comigo – como se estivesse guiando a minha mão que segurava o mouse do computador. Era uma sensação de ter a companhia muito preciosa de alguém que faz com que tudo mude. E eu estava trabalhando feliz, com segurança, sentindo-me útil não tanto pelo serviço em si, mas pela postura com que eu o fazia. (A ideia por trás das palavras de Madre Teresa pode servir para explicar um pouco: “Não precisamos fazer grandes coisas, mas sim pequenas coisas com grande amor.”)

Isso mudou inclusive os dias seguintes. A partir desse dia, fui ao trabalho mais motivado, mais feliz, mais espontâneo. Não é que os problemas lá mudaram – eu mudei (um pouquinho).

Já tive diversas boas experiências meditando por alguns minutinhos no trabalho.

___

Texto por Patanga Cordeiro, instrutor de meditação voluntário no Centro Sri Chinmoy em São Paulo e outras cidades do Brasil desde 2004.

O que é meditar para mim

Pelos textos de Sri Chinmoy, sei que meditar é várias coisas: um processo de identificação, um mergulho fundo, um voo alto, uma forma de ouvir Deus. E é muito mais, de acordo com a sua capacidade de meditar. Um instrumento para se tornar Deus.

Sou iniciante na meditação, acredito sinceramente, apesar de ter praticado sem falta por dezoito anos hoje. Hoje é domingo, então resolvi fazer uma meditação de uma hora no fim da tarde.

Cada vez que olho para a foto de Sri Chinmoy ao meditar – eu medito na foto do meu Mestre, que é uma das formas mais tradicionais de meditação – sinto algo mais vivo, mas próximo. Vou descrever minha meditação com essa referência, da foto. Mas é certo que outras pessoas devem ter experiências similares de outras formas.

 

Às vezes a foto parece tão viva – mais viva do que eu.

Mais viva do que qualquer coisa, na verdade, no sentido de que consciência define vida. Ela é mais consciente do que as coisas vivas que costumo enxergar.

 

Às vezes ela é tão profunda, vasta.

Meditar nela é como um salto, um pulo num poço à la Alice no País das Maravilhas – como se pudesse mergulhar lá em queda livre por dias sem alcançar o fundo.

 

Às vezes é tão elevada, sublime.

Observá-la é como lembrar-se da sua Meta altíssima.

 

Às vezes a foto parece se preocupar, cuidar de mim.

Isso foi, inclusive a minha primeira experiência ao ver a foto de Sri Chinmoy dezoito anos atrás. Ela era muito séria, rigorosa, e parecia se importar profundamente com o rumo que eu dava para a minha vida. Eu sentia que ela queria que eu tivesse a melhor vida possível e, ao mesmo tempo, que ela sabia que eu não sabia como fazer isso. E percebi que, com o passar do tempo, as coisas que deveria fazer ou me tornar para ter essa vida foram-me sendo ensinadas, na maior parte do tempo, a partir do interior.

Levando a sério os escritos de um Mestre

por Patanga Cordeiro

Levando a sério os escritos de um Mestre

Hoje de manhã tive uma meditação que posso considerar boa ou satisfatória. Depois, estava lendo o seguinte trecho:

Pergunta: Como trazemos o Espírito para o nosso dia a dia?

Sri Chinmoy: Com o despertar do dia, sinta que Deus vem primeiro na sua vida. Por alguns minutos, invoque a Presença de Deus. A Presença de Deus está sempre dentro de nós, mas se você sente que Deus está em outro lugar, no Céu altíssimo, então invoque a sua Presença…

Esse conceito eu conheço bem e comento com os buscadores interessados. E, hoje em dia, sinto que a meditação faz parte da minha vida, mas tendo feito a meditação matinal por 18 anos hoje, parece que ficou um pouco mecânica. Antes, cada dia era uma oportunidade única, algo a se desbravar. Hoje, é mais um dia, um bom dia e uma boa oportunidade. Percebem a diferença?

Ao ler o texto hoje, “Com o despertar do dia, sinta que Deus vem primeiro na sua vida”, lembrei de como era a minha aspiração ao acordar bem cedo para meditar assim que comecei a meditar em 2003. (Eu costumava acordar 3:45, e fazia uma preparação muito especial, tanto exterior quanto interior.) Fiquei inspirado a retomar aquela intensidade inicial. Fiquei tão inspirado que quis até mesmo escrever.

É por isso que devemos levar tão a sério os escritos de um Mestre.