Um real e um abacate – tem Alguém cuidando de mim

Hoje estava correndo, e uma moeda de um real caiu da sacola. Só ouvi o barulho da queda de um metal. Sri Chinmoy costuma contar que ele pega todas as moedinhas que acha na rua, mesmo de um centavo. A intenção é não esnobar o presente de prosperidade. Eu peguei esse costume também.

Então fiquei procurando a moeda na calçada, mas não consegui achar. Um senhor passou caminhando e perguntou, “Perdeu algo?” Enquanto caminhamos alguns metros, ele passou bem do lado da moeda, que estava bem mais para frente de onde eu estava procurando. Ele disse: “Ah, você a achou por causa de mim!” Parece algo engraçado, mas achei que Alguém tinha mandado ele, ou era Ele mesmo Alguém que foi me mostrar onde estava a moeda, pois eu justamente não tinha conseguido achar e estava prestes a me conciliar com a perda.

Agora já bem grato e feliz com a experiência e a sensação de cuidado por mim, na quadra seguinte encontrei um abacate caído para dentro de um terreno público meio abandonado. Estava verde ainda e devia ter caído na grama e rolado até a grade. Levei-o para casa como um presente também e vou esperá-lo amadurecer junto com a minha percepção das coisas!

Experiências de silêncio interior e exterior

Pergunta: Recentemente tenho me sentido não apenas fisicamente fraco, mas também fraco de outras formas. Fico me perguntando como posso ficar forte para poder correr o mais rápido.

Sri Chinmoy: Permaneça em silêncio, silêncio, silêncio. Mesmo quando estiver caminhando, não permita que quaisquer pensamentos venham. Não pense “Este é um pensamento bom, aquele é um pensamento ruim.” Não. Tente não ter pensamentos, nenhum pensamento. Permita que Deus pense dentro de você. Permita que o Supremo pense dentro de você. Deixe que Ele faça o necessário. Se algum pensamento aparecer, interrompa-o, interrompa-o, interropa-o. Você verá como terá muito mais energia, disposição, avidez e tudo o mais que precisar. O caminho lhe será mostrado.

Só mantenha a mente em silêncio absoluto – mesmo por dois ou três minutos. É como o desenvolvimento de um músculo. Se hoje conseguir manter a mente em completo silêncio por dois minutos, e amanhã por três minutos, então gradualmente, gradualmente, se fizer isso por bastante tempo, verá o quanto poderá melhorar na sua vida interior – não apenas na sua vida interior, mas também na sua vida exterior. Você será capaz de fazer melhorias tremendas.

Sri Chinmoy, Conversations with Sri Chinmoy, Agni Press, 2007

Aprendi a encarar o escrever como um serviço especial. Assim que me propus a escrever neste momento, veio um sentimento de utilidade – de que eu estava a fazer algo de fato valioso. Não sei se vocês poderão aproveitar algo, mas pelo menos a minha própria aspiração se aproveita do ato!

Quando fazemos algo de valor, por vezes uma espécie de silêncio interior brota. Não é o silêncio completo, a ausência de pensamentos, mas sim algo dinâmico e, ao mesmo tempo, pacífico. É como saber que está fazendo a coisa certa, porque aquilo tem de ser feito e, portanto, nada nos incomoda de forma derradeira. Basta continuar fazendo.

 

Experiências de silêncio interior com coisas do dia a dia

Tocando violoncelo

Uma vez, num domingo à tarde, sentei-me para fazer uma meditação extra. Mas não deu certo. Estava por demais inquieto. Resolvi então pegar um instrumento musical para praticar um pouco. Como para mim era algo incrivelmente difícil, precisei me concentrar muito. Lembro até mesmo de um pouco de saliva escorrendo do canto da boca, pois eu tinha perdido controle dessas funções ao me concentrar para tocar.

Assim que terminei de praticar, senti-me novamente inspirado a tentar meditar. Assim que sentei, logo tive uma daquelas melhores meditações do ano. Acho que foi o fato de eu ter me concentrado bastante antes, que criou um silêncio na mente, permitindo ao coração meditar em paz. Senti que essa meditação sozinha valeu todo o gasto com comprar o instrumento e os meses de prática!

 

Praticando kendo: mushin

A primeira vez foi quando eu era adolescente. O sensei estava fazendo eu passar por um treino muito difícil, e eu fiquei além de esgotado. Quase não conseguia me manter em pé, nem esticar os braços para frente e tive de continuar treinando com ele. Quando – de repente – ele ataca e eu, sem saber o que estava acontecendo, fiz um contra-ataque que foi perfeito para o meu nível atual. Eu mesmo só observei o ato, e como o fiz com vigor e precisão, com uma energia que não parecia disponível nem quando estava descansado, e muito menos naquele nível de exaustão extrema.

A segunda vez que lembro foi mais recente. A situação foi similar. O sensei estava exigindo que eu fizesse golpes bem melhores do que eu conseguia no momento. E, com o passar dos momentos, eu ficava mais cansado, pela repetição. Isso fazia com que os golpes piorassem, ao invés de melhorar. Foi então que, depois de muita exigência, o golpe “perfeito” brotou: ao invés de eu reagir após o chamamento dele para golpear, simplesmente consegui golpear na mesma hora que ele decidiu que eu deveria golpear. O próprio sensei sorriu e me abraçou, dizendo: “Você viu!? Aqui dentro (apontando para a minha cabeça), esse foi um golpe muito bom.”

Outra vez que lembro foi quando o sensei colocou todos nós para um dos exercícios mais cansativos, e por mais tempo que o de costume. Em seguida, ele chamou a mim e mais alguns colegas para continuar fazendo com ele e outros mais graduados o mesmo exercício do qual estávamos exaustos, sem descanso algum. Tentei fazer o meu melhor. Percebi ao voltar para casa que estava tão silencioso que nem mesmo a minha mente sabia como voltar para casa. Eu só sabia voltar por partes: “Saia do dojo. E agora? Anda até a estação de metrô. E agora? Pega tal trem.” Etc. Caminhando da última estação para casa, eu estava tão satisfeito, mesmo indefeso como uma criança de tão cansado. Espontaneamente surgiu na minha mente a repetição “Supreme, Supreme, Supreme…” (Supremo, Deus.) Eu fiquei repetindo o nome de Deus em silêncio, pois nada mais havia senão isso para ocupar o espaço criado.

 

 

Experiências de silêncio interior com a meditação

Fazer a “coisa certa”

Lembro de estar no trabalho logo antes de dar um curso de meditação. Antes de ir embora no fim do expediente, parei para meditar por uns 5 minutos. Foi uma meditação tão boa que era óbvio que não era eu quem estava meditando. Aquela meditação me foi concedida, isso sim. Peguei o metrô para ir dar o curso mais a noite e nada importava. Tudo estava ótimo, todas as coisas, todas as pessoas belas, e eu estava satisfeito. Acho que simplesmente eu estava fazendo a coisa certa ao ir de noite oferecer o curso de meditação, e Alguém quis me ajudar a fazer o serviço dar certo.

Tenho vagas impressões também de outras vezes em que, logo após “fazer a coisa certa”, senti um grande silêncio e satisfação interior. Algumas coisas foram difíceis de fazer ou decidir, por vezes envolviam outras pessoas. Mas fico com a sensação de que foi o mais certo – não que eu me convenci de que era o correto, mas sim que a sensação e o silêncio que sobraram eram o indicativo.

O Mestre espiritual

Aproximadamente em 2005 estávamos reunidos num fim de semana para jogos, meditação, corrida, canto, etc. Nosso Mestre nos ligou de Nova Iorque e abençoou cada um no telefone: “My soul´s highest blessings and my heart´s infinite love to you.” Assim que soltei o telefone, percebi a mudança de consciência. Não restava nada a ser feito. Resolvi ir meditar na sala. Um colega também veio. Ficamos sentados muito tempo. Eu tinha a sensação de que nem precisava meditar – era só me manter aberto e receptivo. Tudo já tinha sido feito. Eu fui um paciente do que aconteceu. Vocês já viram algum ditado como “Um simples toque do Mestre pode…”?

O melhor dia da minha vida – preenchido pela meditação

Uma pequena anedota: outro dia de manhã cedo senti que era o melhor dia da minha vida. O dia mais feliz da minha vida. O que aconteceu assim, tão logo cedo?

Conquistei algum objetivo da minha vida? Recebi uma boa notícia? Alguém me disse algo bom? Consegui um bom emprego? Comprei a casa própria? Ganhei na loteria? Família, amigos?

Não.

Eu só estava sentado, meditando em silêncio, e senti uma satisfação tão grande no meu coração. Eu estava ali apenas e senti-me o ser mais feliz. Todas possibilidades mais acima são bem transientes. Hoje parecem ótimas, mas amanhã já acontece algo e passamos a ficar na dúvida se realmente foram coisas boas, quanto mais a melhor coisa que já aconteceu.

Já a experiência que tive foi algo tão sólido, tão real. Sinto ela enquanto escrevo-a hoje, passadas algumas semanas. Meus dias mudaram, pelo menos os dias que vivem dentro de mim. Eu mudei.

Peace means satisfaction —
Satisfaction through prayer,
Through meditation
Or through surrender
To God’s Will.

-Sri Chinmoy

From the book Twenty-Seven Thousand Aspiration-Plants, part 65

Seja feita a Vossa Vontade – como é fácil orar e meditar por um minuto várias vezes ao dia

“Todos os dias você possui vinte e quatro horas à disposição. Dessas vinte e quatro horas, você dedica diariamente meia hora ou uma hora para Deus. Você medita de manhã cedo por cinco minutos e então diz: “Eu meditei.” Você fez a sua parte e passa o resto do dia do seu próprio jeito. Mas não há aspiração, devoção, clamor interior. Das vinte e quatro horas, você poderia facilmente ter dedicado pelo menos três ou quatro a Deus.”

– Sri Chinmoy, Inspiration-Garden and Aspiration-Leaves, Agni Press, 1977

Meditar por um minuto várias vezes ao dia

Alguns meses atrás, estive com colegas europeus do Centro Sri Chinmoy que estavam fazendo horários extras de meditação (porque e como começar) durante o dia. Anos atrás eles criaram também um horário diário para orar por cinco minutos pela Vitória divina. Achei bem inspirador, pois nunca sabemos com certeza qual é a coisa certa – talvez até pensemos o que seria a coisa “boa”, mas a coisa “certa” pode ser diferente. Pode ser que algumas experiências sejam necessárias para nós. Assim também não há julgamento nem tomar partido com os conflitos exteriores ou interiores, coletivos ou individuais. É apenas oferecer a sua boa vontade para o mundo e para que o melhor aconteça, para a Vitória de Deus.

 

“Seja feita não a minha, mas a Vossa Vontade.”

 

Recentemente comecei junto com meus colegas a fazer dois horários no dia para orar ou meditar por alguns minutos pela Vitória divina. Foi muito inspirador. Em seguida, comecei a ler um diário de um dos alunos de Sri Chinmoy da Suíça, que tem enormes responsabilidades materiais e espirituais. Num certo momento, Sri Chinmoy havia lhe recomendado que parasse o trabalho/etc a cada duas horas para meditar por três minutos. Ele frisou que deveria considerar esses três minutos como o verdadeiro trabalho, e que as duas horas restantes de tarefas do escritório seriam apenas uma preparação para esses três minutos. Nunca tinha pensado nisso, mas não fiquei surpreso ao ouvir. Faz todo sentido. Como eu faria algo corretamente sem ter a inspiração interior adequada? Posso até fazer “o que eu acho melhor”, mas talvez não “o que é o melhor”. A meditação e oração vão abrir portas para que uma Vontade superior possa inspirar nossas ações.

 

“Seja feita não a minha, mas a Vossa Vontade.”

 

Será que eu não consigo dedicar um minuto dentre cada sessenta minutos de uma hora? Comecei a fazer mais meditações curtas durante o dia. A cada hora um timer toca, e paro tudo que estou fazendo por um minuto. Tenho tido experiências ótimas. Tantas coisas boas de dentro de mim têm vindo à tona. Fico até surpreso ao lembrar sensações que tive em décadas passadas sobre a minha vida espiritual; lembrar orações que fazia anos atrás – tudo isso tem vindo espontaneamente em algumas dessas meditações de um minuto.

 

Para quem quiser tentar, algo que ajuda é usar um timer. Posso recomendar usar um app gratuito para o iPhone chamado Timer+. Você consegue configurar para apenas tocar um sinal a cada intervalo definido, e repetir durante o dia quantas vezes quiser, sem ter que encostar no celular nem apagar notificações. Você também pode usar aqueles timers de corda para cozinhar, que são em forma de ovinho ou de galinha.

 

“Quando se dedica, sinta que poderia ter usado o momento para alguma outra coisa. Você poderia ter ido assistir um filme, a uma festa, feito algo tolo, mas ao invés disso resolveu meditar, orar e fazer coisas espirituais. … O tempo que passa não volta. Hoje, o dia vinte e sete de dezembro de 1971 não voltará, ele já era. O amanhã aparecerá no calendário, mas o tempo fugaz de hoje, o alento efêmero de hoje, irá embora.”

-Sri Chinmoy, Inspiration-Garden and Aspiration-Leaves, Agni Press, 1977

 

Meditando com vídeos

Na semana passada estávamos meditando com uma gravação em vídeo de Sri Chinmoy. Não é o que seria uma “meditação guiada” no sentido comum, alguém dizendo o que você deve imaginar, relaxar, etc. O vídeo era apenas Sri Chinmoy meditando em silêncio, imóvel. Só isso. Estávamos tentando nos identificar com a meditação dele enquanto o observávamos.

Durante a meditação, não posso dizer que aconteceu algo ou me tornei algo, mas parecia que tudo estava muito bem. É um sentimento de luminosidade suave, mas permeante.

Quando o vídeo acabou, de repente, parecia que eu tinha caído de volta para a terra.

Eu percebi que estava sendo inspirado, ou melhor, orientado na minha meditação ao ver a gravação do meu Mestre. Quando ela acabou, senti o vasto abismo entre eu e ele. Uma vez vi Sri Chinmoy comentar que isso pode ser quando não estamos meditando corretamente. Com certeza, não tive a melhor das meditações, se comparar com meditações muito boas, mas acho que o ensinamento foi diferente desta vez. O ensinamento é que eu poderia buscar mais a proximidade da consciência do Mestre espiritual para elevar o meu próprio padrão.

Isso me inspirou a buscar sentir mais a orientação interior durante o dia, tentar ficar durante todo o dia um pouco mais receptivo a essa consciência que vi no vídeo.

“When we attain the divine consciousness, it attains us and we also attain it. There is a meeting place where the two come together. Reality is all-pervading. Suppose right now we are on the first floor; this is our reality. God, who embodies the universal Consciousness, is on the third floor. So God comes down to the second floor with His Compassion and we go up to the second floor with our intense cry to attain oneness with His Consciousness. God embodies the highest divine Consciousness and He also embodies our inner cry. So God, who is within us in the form of our inner cry, carries us to the second floor; and God, who is outside us in the form of the infinite divine Consciousness, comes down to the second floor. God climbs up with us and God climbs down with the divine Consciousness. When both the seeker and God arrive at a particular place, the seeker enters into the divine Consciousness and the divine Consciousness enters into the seeker. With our personal effort and God’s Grace we go up and with His Compassion and Love God comes down.” – Sri Chinmoy