
Texto de Sri Chinmoy:
Quando você ouvir uma voz, tente identificar imediatamente que tipo de corredor ela representa. É o corredor que só para quando a meta é alcançada, ou é aquele que corre trinta metros e depois perde toda a sua energia? A alma conhece a sua capacidade e avançará em direção à meta com absoluta confiança. Se a voz vier do vital emocional, você sentirá que a resposta obtida não o levará ao seu objetivo. Mas, se ela vier da alma, você se sentirá confiante de que ela o conduzirá à meta. Nesse caso, pode ter certeza de que é a sua alma quem fala.
Aqui está outra maneira. Quando uma voz lhe oferecer uma solução para o seu problema, imagine um recipiente sendo preenchido. Se essa voz lhe transmitir a sensação de um recipiente sendo enchido gota a gota — lenta e firmemente, com total segurança interior —, então você saberá que é a voz da alma. Caso contrário, você sentirá que o recipiente está sendo enchido às pressas, com um copo ou uma jarra. Ele encherá rapidamente, mas logo começará a transbordar. Da outra forma — com absoluta confiança e equilíbrio interior —, a alma encherá o recipiente. Se você tiver essa sensação de paciência, então é a voz da alma.
Uma terceira maneira é imaginar uma chama dentro do seu coração. Existem dois tipos de chama: uma é firme e constante; a outra é vacilante. A chama firme dentro do seu coração não é perturbada por nenhum vento interior. Já a chama vacilante é perturbada pelo medo, pela dúvida, pela ansiedade e pela preocupação. Se você sentir que a sua resposta é uma chama vacilante, então é a voz do vital emocional. Mas, se for uma chama muito firme, elevando-se em direção ao Altíssimo, então você saberá que ouviu a voz da alma. Uma vez que você saiba que é a voz da alma, pode ficar tranquilo sabendo que seus problemas serão resolvidos, pois a voz da alma possui grande força, enquanto a voz do vital não tem força alguma.
Sri Chinmoy, *Meditation: God’s Duty and man’s beauty* (Meditação: O Dever de Deus e a beleza do homem), Agni Press, Nova York, 1974
Por meio da razão, você jamais, jamais poderá conhecer a Vontade de Deus. A razão e o intelecto jamais o conduzirão à Vontade de Deus. Só podemos conhecer a Vontade de Deus quando vivemos no coração ou na alma. A mente jamais pode nos revelar a Vontade de Deus. A razão: de onde ela provém? Ela provém do intelecto ou da mente, que ainda precisam ser purificados e iluminados. Enquanto a mente não transcender as suas limitações, jamais poderá ser utilizada para alcançar a Vontade de Deus. É inútil imaginarmos que, por meio da mente racional, seremos capazes de conhecer a Vontade de Deus.
Por meio da aspiração constante, podemos nos entregar à Vontade de Deus, dizendo: “Ó Senhor, não nos dês outra vontade. Não queremos nenhuma outra Vontade. Queremos apenas que a Tua Vontade seja a nossa vontade.”
Sri Chinmoy, *The Master speaks to the Puerto Rican disciples* (O Mestre fala aos discípulos porto-riquenhos), 1966-1972, Agni Press, Nova York, 1993.

Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSC, UNESP, UNISUL, UFSCar, BB e CEF.
