Abaixo seguem trechos texto de Sri Chinmoy explicando de forma simples parte das bem-aventuranças do Sermão da Montanha de Jesus Cristo, como uma conversa entre o Pai e o Filho (Deus e Jesus Cristo).

 

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

… Significa que o Reino da Bem-aventurança pertence àqueles que se dedicam inteiramente à sua vida interior e espiritual, e que não têm qualquer relação com o orgulho.

 

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

… isso significa que a verdadeira vida espiritual de um buscador começa quando ele sente uma perda real. Essa perda refere-se à sua riqueza interior: a paz, a alegria, o amor e a bem-aventurança. Tal perda gera nele um clamor interior que, externamente, manifesta-se como luto ou choro. Naturalmente, a um buscador desse tipo será restituída a paz, a alegria, o amor e a bem-aventurança que ele tanto anseia recuperar.

 

Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.

… isso significa que, se um homem nutre um forte sentimento de superioridade, ele tenderá a dominar os outros; mas, se esse mesmo homem reconhece que é fraco e impotente sem Mim [Deus], ele desenvolverá uma profunda humildade. Essa humildade fá-lo-á um só com todos os seres humanos na Terra. Essa unidade universal é a força que lhe permitirá reivindicar a Terra de maneira divina e suprema.

 

Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

… isso significa que somente a pureza possui a capacidade de receber e alcançar a Divindade. Um coração puro é uma manifestação inigualável da Minha Realidade divina [de Deus].

 

Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus.

… isso significa que Meus filhos divinos [de Deus] são aqueles que aspiram à Luz e que estão repletos de Luz. A Luz, no processo de sua manifestação, torna-se a Paz que a tudo nutre e a tudo plenifica.

 

Se alguém lhe bater na face direita, ofereça-lhe também a outra.

… isso significa que o perdão é, de longe, a melhor qualidade, tanto em Mim quanto em todos os seres humanos. Se a ignorância o atingiu uma vez, e você a perdoou, não há garantia de que ela não o atingirá novamente. Mas, se você disser à ignorância que, caso ela queira atingi-lo outra vez, você está mais do que preparado para responder com sua arma — o perdão —, a ignorância perceberá que a sua arma é infinitamente mais forte do que a dela. Sua arma possui Luz e espalha Luz; enquanto a arma dela, que é a escuridão, é pura confusão. Vivendo em constante e absoluta confusão, como poderia ela continuar a lutar contra seu oponente — a Luz —, que é repleto de amor e que a tudo plenifica?

 

Quando deres esmolas, não deixes que a tua mão esquerda saiba o que a tua mão direita faz.

… isso significa que o ser humano sente uma grande satisfação ao perceber que alguém o observa enquanto ele dá algo aos outros. A satisfação que resulta de uma demonstração pública gera, imediatamente, um orgulho desnecessário. E o que é o orgulho, senão uma autodestruição imediata e total?

 

Essa interpretação do significado das bem-aventuranças do Sermão da Montanha foi extraído do livro The Son: Sri Chinmoy, The Son, Sky Publishers, Nova York, 1973