
Pergunta: Como saber se é o seu ser interior ou a sua mente que está falando com você?
Sri Chinmoy: Como saber se é a sua mente ou a voz interior que está falando? Se for a voz interior, você imediatamente sentirá uma alegria imensa. Suponha que você tenha um desejo e a voz interior lhe diga para não realizá-lo. Ao ouvir a voz interior, você obterá uma alegria infinitamente maior do que ao realizar o desejo. Por outro lado, se a mensagem vier da sua mente, por uma fração de segundo você sentirá alegria ou satisfação. Então, a sua própria mente lhe dirá que você não fez a coisa certa, que você é um tolo ou que poderia ter pedido algo melhor.
Se a mensagem vier da sua mente, mesmo que o desejo tenha sido realizado, você não se sentirá realizado. Você recebeu o que desejava, mas se sentirá miserável e dirá: “Ah, Deus não se importa comigo; por isso me deu isso. Eu queria essa coisa em particular e Deus me deu só porque queria se livrar de mim, já que eu o incomodo e o importuno o tempo todo. Ele me deu, mas não se importa de verdade comigo.”
Mas se a voz interior lhe deu a mensagem, mesmo que diga não ao seu desejo, você dirá imediatamente: “Deus é tão bondoso comigo. Ele me salvou. Se esse desejo tivesse sido realizado, eu estaria condenado. Em Sua infinita bondade, Ele me avisou e me salvou. Sou muito grato a Ele.” Se a mensagem vier da sua voz interior, você sentirá grande alegria por ela ter se dado ao trabalho de ser seu guia, por ter tanta preocupação com você. É assim que você pode saber se é a voz do seu ser interior ou se é a voz da sua mente falando com você.
Sri Chinmoy, The Silent Mind, Agni Press, New York, 1977
Pergunta: Como podemos saber qual mensagem que ouvimos durante a meditação é a correta?
Sri Chinmoy: Durante a meditação, nosso coração obtém a verdadeira realização da Verdade. A realização absoluta é algo diferente, algo muito além desse tipo de consciência; mas vamos usar o termo “realização” para descrever a experiência do coração. Depois que paramos de meditar, nossa mente imediatamente nos diz algo diferente. Ela diz: “Não, esta mensagem não pode estar certa”. A mente tem sua própria realização, que ela considera melhor e mais proveitosa do que a realização do coração. Mas pode ser que a realização que parece ser a menos proveitosa das duas seja, na verdade, a realização superior.
O coração sempre oferece a mesma mensagem. Quando nos sentamos para meditar pela manhã, ele nos dá uma mensagem. À noite, quando meditamos, receberemos novamente a mesma mensagem do coração. Mas, no caso da mente, em um momento ela diz uma coisa e, no momento seguinte, assim que viramos a cabeça, ela diz outra. Num instante, a mente dirá: “Ele é um bom homem. Ontem à noite, ele me elogiou na frente de algumas pessoas.” Mas, no instante seguinte, nossa mente se lembra do passado. Mesmo que o passado seja agora irrelevante, a mente se lembra dele. Então, ela diz: “Ele é um canalha. Ele mentiu para mim há vinte anos.” Portanto, ouçamos sempre os ditames do coração.
Sri Chinmoy, Aspiration and God’s Hour, Agni Press, New York, 1977

Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSC, UNESP, UNISUL, UFSCar, BB e CEF.
