Qual é a meta maior da vida espiritual? [vídeo]

Liberdade Infinita – entrevista com Sri Chinmoy

Aproximando-se de Deus através de drogas, estimulantes, ayahuasca, etc

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Sr. George Riddell: Há muitas pessoas nos Estados Unidos que afirmam que, com o uso de certas drogas, conseguem se aproximar de Deus. É claro que os chineses usam ópio há séculos. Qual a sua opinião sobre o uso de estimulantes, drogas, etc., para estimular a mente a fim de se aproximar de Deus?

Sri Chinmoy: Permita-me começar dizendo que existem duas maneiras de se aproximar da Verdade. Uma delas é através da meditação, da oração e da concentração, que nos permitem conhecer a verdadeira Verdade, sentir o verdadeiro Êxtase, ver a verdadeira Luz, experimentar a Existência, a Consciência e a Bem-aventurança. Esses três últimos estados estão interligados e só podemos alcançá-los através da meditação e da união com Deus. Mas aqueles que usam drogas estão colocando a carroça na frente dos bois. Estão se iludindo ao pensar que já conhecem a Verdade. Ao mesmo tempo, não percebem que, ao usar drogas, estão prejudicando suas faculdades espirituais internas, que são de suma importância para entrar no reino de Deus. Deixe-me esclarecer isso para você. Se você me jogar no mar e me submergir à força na água, sem me deixar voltar à superfície, o que verei? Tudo vazio, tudo branco. E é isso que realmente acontece com aqueles que se entregam às drogas. Eles têm uma experiência… tudo branco! Mas quando oro, quando me concentro, quando medito, entro na Consciência Viva de Deus. Esta é a maneira positiva e natural de entrar em Deus. Deus é Natural e eu sou Seu filho, você é Seu filho; temos que seguir o processo natural. Mas, ao recorrer às drogas e a esses meios artificiais, as pessoas estão inconscientemente, se não deliberadamente, negando a verdadeira Verdade.

Tenho dois ou três alunos que costumavam usar drogas. Eles tiveram “experiências” em primeira mão. Eles me dizem agora que, quando usavam drogas, não era nada além de autoengano e auto-aniquilação. Agora, o que eles experimentam é autoaceitação e autorrealização. Essa é a diferença que eles descobriram. É desnecessário dizer que me orgulho de suas conquistas espirituais atuais.

Voltando à sua pergunta: ninguém pode se aproximar de Deus usando drogas ou estimulantes. Ele só pode se aproximar de Deus amando a Deus e meditando sobre Deus.

Sri Chinmoy, AUM — Vol. 3, No.11,12, junho — 27 de julho de 1968, Aum Centre Press, Santurce, Porto Rico, 1968

 

Pergunta: Dizem que alguns Iogues na Índia ingerem “soma” e obtém visões.

Sri Chinmoy: O “soma” que os Iogues usam é o suco da planta “soma”. Apenas os Videntes védicos conheciam como utilizar essa erva. Aqui no ocidente as pessoas estão fazendo experimentos com plantas, mas elas nada tem a ver com as plantas “soma” que os Videntes ancestrais utilizavam. E eles também não sabem como os Videntes utilizavam as plantas. O processo que os ocidentais estão usando agora está totalmente incorreto. As experiências que estão tendo são completamente falsas. Eles estão arruinando alguns dos seus nervos sutis. Eu tenho alunos que foram vítimas dessas drogas em algum momento das suas vidas. Agora que estão vivendo a vida espiritual com toda sinceridade, eles conseguem facilmente distinguir entre verdadeiras experiências espirituais e as que estavam tendo antes. – Sri Chinmoy, The Body: Humanity’s Fortress, Agni Press, 1974

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Drogas e etc na meditação

Como escolher o caminho espiritual certo para você?

Nesta resposta, Sri Chinmoy explica e exemplifica um dos métodos para você saber escolher ou reconhecer o seu caminho e Mestre espiritual. Há alguns desafios inerentes, como ele mesmo cita: “Quando você vai dedicar toda a sua vida a alguém, não quer se tornar discípulo de um Mestre apenas porque alguém que você conhece o aceitou como Mestre, ou apenas porque ele tem milhares de discípulos.” É necessário uma sinceridade central, além da emoção, da cultura, e e da racionalidade. Mas também certezas interiores: “Quando o discípulo está pronto, o Mestre certamente aparece”.

Pergunta: Existem tantos caminhos espirituais e tantos mestres espirituais. Como alguém descobre qual é o caminho certo?

 

Sri Chinmoy: É uma questão de sentimento e afinidade interiores. Em nossa vida exterior, existem muitas escolas, mas um indivíduo frequenta apenas uma. Aqui em Minnesota e nos estados vizinhos, há centenas de universidades. No entanto, algumas pessoas que vivem aqui vão para Nova York estudar, e vice-versa. Por que alguém prefere uma universidade de Nova York a uma de Minnesota? Por algum motivo, ela lhe agrada mais. Existem várias escolas e vários professores, mas é natural que um indivíduo prefira uma universidade específica a outra. Ele leu sobre aquela universidade ou tem a sensação interior de que ela é melhor. A escolha cabe a ele.

 

Na vida interior, existe uma maneira fácil, uma maneira convincente, de saber quem é o seu Mestre. Basta pegar um pedaço de papel e anotar os nomes dos Mestres espirituais que você viu, sobre os quais leu ou de quem apenas ouviu falar. Eles podem estar aqui na América ou em qualquer outro lugar. Ao anotar o nome de um determinado Mestre, repita o nome dele em voz alta sete vezes, com profunda alma, colocando a palma da mão direita sobre o coração. Tente sentir a vibração que emana dele. Agora, você mesmo se torna o avaliador. Se não sentir nenhuma vibração, dê a ele uma nota zero. Repita esse procedimento, atribuindo uma nota a cada Mestre. Se sentir alguma vibração, dê a ele a nota que você acha que ele merece.

 

Você é o juiz. É você quem vai oferecer sua vida a alguém, e você não pode ser tolo. Quando você vai dedicar toda a sua vida a alguém, não quer se tornar discípulo de um Mestre apenas porque alguém que você conhece o aceitou como Mestre, ou apenas porque ele tem milhares de discípulos. Por outro lado, se um Mestre tem poucos discípulos, você também não deve procurá-lo apenas por esse motivo. Tudo isso é o jogo de Deus. Deus deu a alguns Mestres milhares e milhares de discípulos, e a outros deu muito poucos. Deus diz a um Mestre que ele deve ser muito seletivo, e diz a outro Mestre para aceitar qualquer pessoa que o procure.

 

Deus lhe deu a oportunidade de fazer uma escolha. Continue anotando os nomes dos Mestres e repetindo-os em voz alta. Se você sentir uma vibração intensa e um verdadeiro arrebatamento interior — uma sensação de êxtase — ao pronunciar um determinado nome, então dedique a esse Mestre 80, 90 ou até mais repetições. Mas, se sentir apenas uma boa vibração sem esse arrebatamento interior, dedique a ele 40 ou 50. Se nenhum dos Mestres que você conhece estiver destinado a ser o seu Mestre, você não sentirá esse arrebatamento interior com nenhum deles. Talvez você ainda não conheça o nome do seu Mestre. Mas, na Índia, dizemos: “Quando o discípulo está pronto, o Mestre certamente aparece”. Se você estiver realmente pronto para um Mestre, quero lhe dizer que o seu Mestre está disponível. Ele pode estar no canto mais remoto do globo, na Índia ou em qualquer outro lugar; mas você certamente o encontrará.

 

Ao aceitar um Mestre, o caminho dele passa a ser o seu. Você não pode estar em dois barcos ao mesmo tempo. Se mantiver um pé em um barco e o outro em outro, acabará quebrando as pernas. Cada Mestre está certo à sua própria maneira. Cada barqueiro o levará à Meta destinada. Você precisa saber que a Meta é a mesma, mas os caminhos podem não ter — e não podem ter — a mesma extensão. Há muitas estradas que levam a Roma, mas você verá que uma estrada específica o levará lá mais rapidamente do que as outras. Na vida espiritual, essa estrada, esse caminho, é o caminho do Amor. O caminho do conhecimento, da sabedoria e do intelecto o levará à sua Meta, sem dúvida, mas será um processo longo e lento.

 

Agora, peço licença. Respondi à sua pergunta e depois entrei em outros detalhes. Voltando à sua questão, quero dizer que o próprio nome do seu Mestre espiritual lhe proporcionará, de imediato, uma alegria imensa. Tenho vários discípulos que simplesmente ouviram meu nome ao telefone ou em outro lugar e vieram até mim. Deus conhece as necessidades deles e os encaminha ao Mestre certo, desde que sejam sinceros em seu clamor interior. O nome da pessoa que será o seu Mestre lhe transmitirá uma vibração divina, um arrebatamento interior, pois você terá uma forte afinidade interior com ela. Talvez você não tenha lido nenhum livro dele, talvez não saiba quase nada sobre a sua vida exterior ou interior, mas o nome dele exercerá um efeito de mantra sobre você, pois, mais cedo ou mais tarde, ele será o seu Piloto interior. O seu clamor interior já alcançou o coração do seu Mestre. Na vida exterior, no momento em que o nome dele chegar até você, você sentirá uma mágica vibração interior e o seu coração será tocado.

 

Sri Chinmoy, *Fifty Freedom-Boats to One Golden Shore*, parte 6, Agni Press, Nova York, 1975

Há uma maneira espiritual de superar maus hábitos?

Há uma maneira espiritual de superar maus hábitos?

Sri Chinmoy: Certamente. Antes de fazer qualquer coisa, medite por um minuto ou, pelo menos, por alguns segundos. O poder dessa meditação entrará no hábito ruim como uma flecha. O soldado meditação usará suas flechas divinas contra os maus hábitos. Esse é sem dúvida o melhor método.

Estou preocupado principalmente em me disciplinar. Isso requer esforço consciente?

Sri Chinmoy: Sim, mas você deve sentir que esse esforço consciente não é resultado apenas da sua disciplina física ou mental. Ela possui uma fonte mais profunda. Há muitos que não conseguem parar de fumar. Por quê? Porque não estão em contato com a vontade da alma ou a determinação de seu ser interior. É apenas uma ideia, à qual estão agora dando importância; estão dando mais importância a uma ideia do que à outra. Mas não estão tocando a fonte, onde a tendência pode ser anulada ou negada. É apenas na alma ou no ser interior que a determinação frutifica. Vindo de lá, fica fácil parar de fumar. Mesmo se fumou por vinte anos, você conseguirá. Apenas por ter ouvido de alguém que comer carne não é bom não será capaz será capaz de parar de comer carne. Seria impossível. Seria só uma ideia, e outra ideia viria tomar seu lugar. A sua determinação precisa ter uma conexão com uma fonte mais profunda. A disciplina externa mental, física ou vital não será bem sucedida até que seja garantida pela força de vontade inabalável da alma. O sucesso que alcançou na sua vida interior é todo devido à força de vontade da alma, e não por seu esforço físico consciente.

Ingressando na vida espiritual – vídeo com Sri Chinmoy

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Vídeo: a mente é incapaz de compreender algo maior

Como saber se estou só cumprindo um objetivo ou se é a missão da alma?

 

Pergunta: A alma tem muitas missões ou apenas uma em uma vida?

Sri Chinmoy: Há apenas uma missão, mas existem muitos objetivos. Uma alma pode desejar tornar-se poeta, artista ou engenheiro em uma vida. Cada alma pode almejar diversas formas de criatividade, mas esses são objetivos. Eles não devem ser confundidos com a missão da alma. A missão da alma é sempre, antes de tudo, a Realização de Deus; depois, vem a manifestação da Realização de Deus na Terra. No entanto, o objetivo de alguém pode ajudá-lo em sua Realização de Deus ou pode atrasá-lo, dependendo da abordagem do indivíduo em relação à Verdade.

Por exemplo, se alguém é escritor, isso é muito bom. Se ele continua escrevendo sem aspiração pela Realização de Deus por meio de seus escritos, pode um dia tornar-se um grande escritor, mas não terá necessariamente progredido em sua autodescoberta. Por outro lado, se alguém escreve para expressar o Divino em seus escritos, se a expressão externa é resultado da aspiração interior e se a pessoa adotou a escrita como um serviço de autodedicação ao Supremo na humanidade, então certamente o aspirante dentro do escritor está conduzindo-o à realização de Deus. Voltando à sua pergunta: do ponto de vista da Verdade absoluta, existe apenas uma missão, e ela não é outra senão a Autorrealização.

Sri Chinmoy, AUM — Vol. 3, Nº 3,4, Out. — 27 Nov. 1967, Boro Park Printers, Brooklyn, Nova York, 1967

 

Pergunta: Como saber se estamos cumprindo a missão de nossa alma ou simplesmente satisfazendo nossa vaidade?

Sri Chinmoy: Só é possível distinguir entre as duas coisas quando se trabalha sem ser motivado pelo desejo e sem ser afetado pelos resultados das próprias ações. Quando se está nesse estado de consciência, pode-se saber facilmente se se está cumprindo a missão da alma ou apenas satisfazendo a vaidade. O trabalho realizado com dedicação de si conduz o aspirante à realização da missão de sua alma. O trabalho realizado para a própria gratificação impele o ser humano em direção a prazeres que culminam na autodestruição.

Sri Chinmoy, AUM — Vol. 3, Nº 3 e 4, out. — 27 nov. 1967, Boro Park Printers, Brooklyn, Nova York, 1967

Três maneiras de reconhecer a voz interior

 

Texto de Sri Chinmoy:

Quando você ouvir uma voz, tente identificar imediatamente que tipo de corredor ela representa. É o corredor que só para quando a meta é alcançada, ou é aquele que corre trinta metros e depois perde toda a sua energia? A alma conhece a sua capacidade e avançará em direção à meta com absoluta confiança. Se a voz vier do vital emocional, você sentirá que a resposta obtida não o levará ao seu objetivo. Mas, se ela vier da alma, você se sentirá confiante de que ela o conduzirá à meta. Nesse caso, pode ter certeza de que é a sua alma quem fala.
Aqui está outra maneira. Quando uma voz lhe oferecer uma solução para o seu problema, imagine um recipiente sendo preenchido. Se essa voz lhe transmitir a sensação de um recipiente sendo enchido gota a gota — lenta e firmemente, com total segurança interior —, então você saberá que é a voz da alma. Caso contrário, você sentirá que o recipiente está sendo enchido às pressas, com um copo ou uma jarra. Ele encherá rapidamente, mas logo começará a transbordar. Da outra forma — com absoluta confiança e equilíbrio interior —, a alma encherá o recipiente. Se você tiver essa sensação de paciência, então é a voz da alma.
Uma terceira maneira é imaginar uma chama dentro do seu coração. Existem dois tipos de chama: uma é firme e constante; a outra é vacilante. A chama firme dentro do seu coração não é perturbada por nenhum vento interior. Já a chama vacilante é perturbada pelo medo, pela dúvida, pela ansiedade e pela preocupação. Se você sentir que a sua resposta é uma chama vacilante, então é a voz do vital emocional. Mas, se for uma chama muito firme, elevando-se em direção ao Altíssimo, então você saberá que ouviu a voz da alma. Uma vez que você saiba que é a voz da alma, pode ficar tranquilo sabendo que seus problemas serão resolvidos, pois a voz da alma possui grande força, enquanto a voz do vital não tem força alguma.
Sri Chinmoy, *Meditation: God’s Duty and man’s beauty* (Meditação: O Dever de Deus e a beleza do homem), Agni Press, Nova York, 1974

Por meio da razão, você jamais, jamais poderá conhecer a Vontade de Deus. A razão e o intelecto jamais o conduzirão à Vontade de Deus. Só podemos conhecer a Vontade de Deus quando vivemos no coração ou na alma. A mente jamais pode nos revelar a Vontade de Deus. A razão: de onde ela provém? Ela provém do intelecto ou da mente, que ainda precisam ser purificados e iluminados. Enquanto a mente não transcender as suas limitações, jamais poderá ser utilizada para alcançar a Vontade de Deus. É inútil imaginarmos que, por meio da mente racional, seremos capazes de conhecer a Vontade de Deus.
Por meio da aspiração constante, podemos nos entregar à Vontade de Deus, dizendo: “Ó Senhor, não nos dês outra vontade. Não queremos nenhuma outra Vontade. Queremos apenas que a Tua Vontade seja a nossa vontade.”
Sri Chinmoy, *The Master speaks to the Puerto Rican disciples* (O Mestre fala aos discípulos porto-riquenhos), 1966-1972, Agni Press, Nova York, 1993.

Como reconhecer a voz interior?

 

Pergunta: Como saber se é o seu ser interior ou a sua mente que está falando com você?

Sri Chinmoy: Como saber se é a sua mente ou a voz interior que está falando? Se for a voz interior, você imediatamente sentirá uma alegria imensa. Suponha que você tenha um desejo e a voz interior lhe diga para não realizá-lo. Ao ouvir a voz interior, você obterá uma alegria infinitamente maior do que ao realizar o desejo. Por outro lado, se a mensagem vier da sua mente, por uma fração de segundo você sentirá alegria ou satisfação. Então, a sua própria mente lhe dirá que você não fez a coisa certa, que você é um tolo ou que poderia ter pedido algo melhor.

Se a mensagem vier da sua mente, mesmo que o desejo tenha sido realizado, você não se sentirá realizado. Você recebeu o que desejava, mas se sentirá miserável e dirá: “Ah, Deus não se importa comigo; por isso me deu isso. Eu queria essa coisa em particular e Deus me deu só porque queria se livrar de mim, já que eu o incomodo e o importuno o tempo todo. Ele me deu, mas não se importa de verdade comigo.”

Mas se a voz interior lhe deu a mensagem, mesmo que diga não ao seu desejo, você dirá imediatamente: “Deus é tão bondoso comigo. Ele me salvou. Se esse desejo tivesse sido realizado, eu estaria condenado. Em Sua infinita bondade, Ele me avisou e me salvou. Sou muito grato a Ele.” Se a mensagem vier da sua voz interior, você sentirá grande alegria por ela ter se dado ao trabalho de ser seu guia, por ter tanta preocupação com você. É assim que você pode saber se é a voz do seu ser interior ou se é a voz da sua mente falando com você.

Sri Chinmoy, The Silent Mind, Agni Press, New York, 1977

 

 

Pergunta: Como podemos saber qual mensagem que ouvimos durante a meditação é a correta?

Sri Chinmoy: Durante a meditação, nosso coração obtém a verdadeira realização da Verdade. A realização absoluta é algo diferente, algo muito além desse tipo de consciência; mas vamos usar o termo “realização” para descrever a experiência do coração. Depois que paramos de meditar, nossa mente imediatamente nos diz algo diferente. Ela diz: “Não, esta mensagem não pode estar certa”. A mente tem sua própria realização, que ela considera melhor e mais proveitosa do que a realização do coração. Mas pode ser que a realização que parece ser a menos proveitosa das duas seja, na verdade, a realização superior.

O coração sempre oferece a mesma mensagem. Quando nos sentamos para meditar pela manhã, ele nos dá uma mensagem. À noite, quando meditamos, receberemos novamente a mesma mensagem do coração. Mas, no caso da mente, em um momento ela diz uma coisa e, no momento seguinte, assim que viramos a cabeça, ela diz outra. Num instante, a mente dirá: “Ele é um bom homem. Ontem à noite, ele me elogiou na frente de algumas pessoas.” Mas, no instante seguinte, nossa mente se lembra do passado. Mesmo que o passado seja agora irrelevante, a mente se lembra dele. Então, ela diz: “Ele é um canalha. Ele mentiu para mim há vinte anos.” Portanto, ouçamos sempre os ditames do coração.

Sri Chinmoy, Aspiration and God’s Hour, Agni Press, New York, 1977

 

Podemos reconhecer o Mestre pelos escritos?

Todos os Mestres espirituais genuínos escrevem coisas que nos elevam a consciência e nos inspiram. Sri Chinmoy diz que “Meus escritos não são pensamentos emprestados, mas sim expressões da minha própria experiência. Alguns filósofos, professores e estudiosos emprestam ideias dos outros; as ideias sobre as quais escrevem não vêm da sua própria realização. No meu caso, a gramática pode até estar errada, mas a consciência que revelo é uma consciência divina… Lendo os meus escritos, muitas coisas lhes serão esclarecidas. Respondo as perguntas a partir da minha luz interior – e para onde vai essa luz? Ela entra nos livros… ”

Então, é possível saber por essa inspiração através dos livros e ensinamentos escritos que aquele é o seu Mestre pessoal?

Sri Chinmoy respondeu à seguinte pergunta:

Pergunta: Podemos determinar quem é o nosso Guru lendo seus escritos?

Sri Chinmoy: Em primeiro lugar, você precisa sentir a aceitação do Guru por você e também a sua aceitação do Guru. Não se trata de ler alguns livros e, de repente, ser transportado para um plano de alegria ou deleite. Digamos que você leu o livro de um determinado Mestre e, de repente, se sente transportado e acredita que esse Mestre é o certo para você. Mas, no dia seguinte, você pode ler os escritos de outro Mestre e sentir um deleite extremo, acreditando que ele é o seu Guru. Depois de amanhã, você lerá os escritos de outra pessoa e poderá sentir o mesmo tipo de alegria, mas de uma maneira diferente. Apenas lendo as obras de alguém, você não será capaz de aceitar ou rejeitar um determinado Mestre. Somente através da meditação você poderá saber quem lhe proporciona maior deleite.

Suponha que você esteja em dúvida sobre dois ou três Mestres que você gostaria de aceitar. Logo pela manhã, repita com toda a alma o nome de um deles sete vezes. Então, no dia seguinte, você repetirá o nome de outra pessoa. Certamente, você obterá a alegria mais profunda ao pronunciar o nome do Mestre específico que lhe foi destinado. Mas, por favor, não se confunda ao ler livros. Muitos Mestres espirituais escreveram coisas maravilhosas, mas se você quiser oferecer sua existência ou aceitação a alguém apenas porque gosta de seus escritos, poderá estar cometendo um erro.

Sri Chinmoy, Obedience or oneness, Agni Press, New York, 1977

Como o Mestre espiritual orienta interiormente

Pergunta: O senhor tem cerca de mil discípulos. Cada alma se dá notícias ao senhor diariamente ou semanalmente?

Sri Chinmoy: Nem todas as almas se reportam diariamente, mas podem me transmitir mensagens a qualquer momento. Há alguns discípulos que considero muito queridos e que têm emanações minhas “designadas” às suas almas. Uma emanação é meu representante interior associado a uma alma específica e que tem livre acesso a mim. A qualquer hora, uma emanação pode me trazer uma mensagem sobre o que você está fazendo, embora geralmente chegue a mim de manhã cedo. Às vezes, minha mente pode não receber ou não estar ciente dessa mensagem. Nesse caso, a emanação tentará resolver o problema por meio da alma do discípulo. Ou seja, a emanação trará a mensagem à minha alma e minha alma aconselhará a alma diretamente, porque a pessoa me aceitou como seu Mestre. Então, a alma do discípulo tentará convencer sua mente a fazer algo, e isso chegará à mente como uma revelação. A mente pode não receber a mensagem direta de mim externamente e pode não conhecer todos os detalhes físicos de uma situação, como a maneira precisa como algo vai acontecer. Mas se uma emanação vier e me disser que este discípulo fez algo errado ou está tendo dificuldades com alguma coisa, e se sentir que minha mente física deveria saber da situação, ela dirá aos meus seres interiores para informarem minha mente física.

Às vezes, um discípulo pode me contar sobre uma situação por meio de cartas. Há algum tempo, você me deixou uma mensagem sobre um problema doméstico. Quando recebi o bilhete, mesmo antes de abri-lo, meu ser interior me disse que tudo já estava resolvido. Ou seja, a situação havia sido resolvida da maneira que o Divino, o Supremo, queria. Minha mente não conhecia os detalhes externos até que eu lesse o bilhete linha por linha.

Quando me dou conta de que um problema foi resolvido internamente, então minha mente pode perguntar à minha alma o que foi feito no plano físico e o que vai acontecer agora. Caso contrário, a alma pode não necessariamente transmitir a mensagem à mente física. Na vida humana comum, a menos que a mente esteja ciente de algo, sentimos que não o sabemos. Mas, embora nossa mente física possa não saber algo, outra parte do nosso ser pode estar ciente disso.

A alma quase sempre pede à mente física que se expanda. A mente física pode ler jornais e aprender milhões de coisas — que alguém foi esfaqueado aqui, que um escândalo está acontecendo ali. Essa informação dá à mente física uma alegria temporária. Mas, depois de uma hora, como um coletor de lixo, a alma retira isso da mente, já que essa informação não nos ajuda em nada na vida espiritual. Estamos na Terra, então nos divertimos sabendo o que os outros estão fazendo. Mas isso não alimenta a alma, não acelera nossa manifestação nem nos dá plenitude.

Um Mestre espiritual não precisa saber, nem sabe, o que você vai comer no café da manhã ou o que o presidente disse à esposa ontem. Mas ele sabe o essencial, o mais importante, que é se a alma do discípulo está subindo ou descendo a árvore, ou se está estacionada em um lugar específico, seja ele muito baixo ou muito alto. O que obriga a alma a descer? É a vitalidade emocional ou a mente duvidosa que a faz descer. E o que eleva a alma? É o clamor interior, a aspiração.

Algumas pessoas me perguntam por que não uso o poder oculto para descobrir informações externas, mas por que eu deveria usá-lo para saber o que está acontecendo no plano exterior? Esses poderes podem ser usados ​​para propósitos muito elevados. Se você tem um dólar, isso não significa que vai gastá-lo todo em chá e café. Se você tem um dólar, então vai gastá-lo em algo que valha a pena. Novamente, há algo que traz informações externas ainda mais rapidamente do que o poder oculto, e isso é o poder da alma. Dentro da sua casa, do seu ser, o principal habitante é o pássaro-alma. Se eu pegar o pássaro e perguntar o que está acontecendo, ele imediatamente me contará sobre sua gaiola. É claro que a alma não precisa ficar constantemente contando ao Mestre o que está acontecendo.

Algumas pessoas podem se perguntar por que alguns discípulos próximos buscam minha orientação em assuntos externos, já que Deus nos deu inteligência suficiente para saber o que dizer aos outros. Mas, às vezes, sentimos que essa inteligência não nos ajuda em nada. Sabemos o que dizer aos nossos amigos ou inimigos. Mesmo dizendo a coisa certa, muitas vezes não obtemos resultados satisfatórios. Mas, se contarmos a um Mestre espiritual sobre as circunstâncias externas e ele souber o que vamos dizer, imediatamente haverá uma força adicional por trás de nossas palavras. Essa força adicional não significa que sempre venceremos. A força será aplicada apenas a você e virá como uma ajuda extra. Então, quando você falar com alguém, a resposta que receber não o afetará. Você pode sair vitorioso ou perder a batalha, mas, graças à ajuda que o Mestre lhe deu, você não ficará chateado. Isso é o mais importante….

Trecho de – Sri Chinmoy, Obedience or oneness, Agni Press, New York, 1977

A vida espiritual: onde começar?

por Eduardo Suzuki

Esse é o primeiro artigo que eu escrevo. Para alguém que inicia, escolhi falar sobre a busca por uma jornada espiritual. A buscar como dar um valor, um propósito autêntico para sua vida, a como buscar e trilhar um caminho espiritual.

vida espiritual como comecar

Meditação, Caminhos, Livros e Prática…

Minha experiência começa com conflitos materiais, experiência no sentido material e depois se transforma no caminho espiritual. Estava numa fase cheia de dificuldades e conflitos familiares. Não buscava nada espiritual, somente um abrigo no meio da tempestade. Esse foi o começo da minha jornada, a busca por um abrigo.

Nunca fui uma pessoa religiosa, espiritualmente… vazio. Minha mãe falava que, se você acredita em Deus, então está tudo bem, siga a vida. Entrei para a religião cristã por conta do casamento, mas não havia nada ali que me atraia a Deus. Li livros como Bhagavad Gita e romances baseados no Mahabharata, mas com os olhos de alguém que está lendo romance.

“Alguém pode acreditar em Deus, mas essa crença não é uma realidade na sua vida. Ele só acredita porque algum santo, Yogi ou Mestre espiritual disse que Deus existe, ou por ter lido sobre Deus em livros espirituais. No entanto, se praticarmos a meditação, chegará um dia em que vamos estabelecer a nossa unicidade consciente com Deus. Quando isso acontecer, Ele nos dará a Sua infinita paz, infinita luz e infinita bem-aventurança, e nós nos transformaremos nessa infinita paz, infinita luz e infinita bem-aventurança.” Sri Chinmoy, Meditação – A perfeição-homem na Satisfação-Deus

Então não havia nada em mim que buscava dar valor verdadeiro a vida e sim aos objetos materiais da vida. Mas no momento da tempestade esses objetos se mostram limitados e finitos. Nessa fase descobri um Caminho.

Meditação

Descobri que acreditar em Deus é somente um começo. Deus é a essência da vida. Então acreditar não é suficiente. Mas como chegar a essa conclusão? Eu aprendi através da meditação.

“Meditar não quer dizer apenas sentar-se em silêncio por cinco ou dez minutos. Ela exige esforço consciente. A mente precisa ficar calma e quieta. Ao mesmo tempo, ela tem de ficar atenta, para não permitir a vinda de nenhum desejo ou pensamento que a distraia. Quando fazemos com que a nossa mente fique calma e silenciosa, sentiremos que uma nova criação está surgindo dentro de nós. Quando a nossa mente está vazia e tranquila, e toda a nossa existência se transforma num recipiente vazio, o nosso ser interior pode invocar paz, a luz e a felicidade infinitas para preenchê-lo. Isso é meditação.” Sri Chinmoy, Meditação – A perfeição-homem na Satisfação-Deus,

No passado, tive uma vaga impressão do que era meditação, vendo em filmes e praticando artes marciais. Mas, atualmente, a meditação é o modo autentico de buscar um norte, de aprender sobre a si mesmo e o mais importante, buscar a Satisfação verdadeira, o seu propósito de estar manifestando na Terra.

“Satisfaction is needed in the animal life, the human life and the divine life. But the satisfaction that we get in the animal life is not true satisfaction. In the human life also, we do not get true satisfaction. Only in the divine life we get true satisfaction.” Sri Chinmoy, Everest-Aspiration, Editora Aum. Versão traduzida

A vontade autêntica de meditar

Ao buscar a meditação, devemos buscar o ensinamento autêntico. Mas isso não é suficiente se a pessoa não tiver a vontade autêntica de querer mudar o seu ponto de vista sobre a sua realidade. A entrega ao caminho é muito importante.

“God’s all-fulfilling Grace
descends

Only when man’s
unconditional surrender
ascends.”

Sri Chinmoy

O Mestre espiritual

Na minha experiência, encontrar um caminho autêntico foi encontrar um Mestre espiritual. E como reconhecer um Mestre espiritual? Minha experiência espiritual começou em um livro: Meditação – A perfeição-homem na Satisfação-Deus, de autoria de Sri Chinmoy. Mas como saber se o conteúdo do livro é autêntico? O leitor deverá ler o livro com o coração e não com a mente. Deverá sentir algo maior, alguma experiência que mude sua rotina e principalmente deve trazer satisfação num modo sutil. Essa foi a experiência pela qual eu passei. Comecei a ler e praticar os exercícios, muitas dúvidas foram surgindo e nesse momento o livro conversava comigo. Todo livro conversa com o leitor, mas a minha experiência foi diferente de estar lendo um livro técnico ou romance. Eu comecei a enxergar uma nova possibilidade de vida e principalmente de valores. Notei uma sede insaciável em busca da realidade que a meditação iria me levar. Mesmo não sabendo o que era meditação, no momento da leitura do livro descobri a vida que eu deveria estar vivendo e o caminho que eu deveria estar trilhando.

“Se você conseguir acalmar a sua mente agitada lenta e gradualmente, Deus vai abrir o Seu imensurável Coração, alegre e imediatamente.” Sri Chinmoy, Meditação – A perfeição-homem na Satisfação-Deus

O próximo passo é estar aberta a essa nova experiência. Mas como saber se estou no caminho certo? Mudança. Depois de um mês, compare a vida antes e depois. Ansiedade irá atrapalhar nessa decisão. Não adianta meditar por um dia e descobrir mudança no dia seguinte. Os resultados acontecem sempre de modo sutil. A rotina sua irá mudar. Após o livro, encontrei o caminho através de um curso de meditação lecionado por discípulo de Sri Chinmoy. Isso foi mágico para mim, mais do que uma mera coincidência. Então depois do curso, não tive dúvida, esse era o meu Caminho. Desde que descobri a meditação minha rotina é a de acordar para meditar, meditar antes e depois cada ação maior que acontece durante o dia, e meditar antes de dormir. Aqui começa uma relação bem estreita com o Supremo. O ponto mais importante para mim foi o Mestre espiritual. Se você for atento, vai ter sinais que indicarão que você está no caminho certo. A presença de um Mestre espiritual, um Guru, foi crucial para a minha Vida. Estava cego, e ainda perambulo pela vida cegamente. Quando o Guru está me guiando, ainda não enxergo a Realidade, mas consigo sentir Luz, muita Luz. Como? Quando você notar que está agradecendo a tudo que está acontecendo, a qualquer momento e em qualquer circunstância, você está sentindo a Luz. Isso me fez reconhecer o Mestre espiritual, o meu Guru. E o Guru apareceu na minha vida no momento que estava: aberto a novas realidades, precisava mudar os meus valores, e que estava pronto para trilhar um Caminho espiritual.

“Se alguém se torna um discípulo verdadeiro de um Mestre, o discípulo não sente que ele e o seu Guru são duas pessoas totalmente distintas. Ele não sente que o Guru está no alto e que ele mesmo está aos pés da árvore. Ele sente que o Guru é a parte mais elevada de si mesmo. Sente que ele e o Guru são um, que o Mestre é a sua própria parte mais elevada e mais desenvolvida. Portanto um discípulo verdadeiro não vê nenhuma dificuldade em render a sua parte mais baixa à sua parte mais elevada. Ser um discípulo devotado não estará abaixo da sua dignidade, porque ele sabe que tanto a parte mais elevada quanto a mais baixa pertencem a si mesmo.” Sri Chinmoy, Meditação – A perfeição-homem na Satisfação-Deus

O verdadeiro Mestre é o Supremo

Apesar de que meu Mestre nos diz que ele não é o verdadeiro Mestre, que o Supremo é o Guru.

“Um Mestre espiritual ou Guru é como o filho mais velho de uma família, e os buscadores são como seus irmãos e irmãs espirituais mais novos. Mestres espirituais contam e mostram para seus irmãos e irmãs mais novos onde está o Pai deles, o Guru Absoluto.

O Guru verdadeiro não está no vasto céu azul. Ele está nas profundezas do nosso próprio coração. Você poderia perguntar: “Se ele está dentro do nosso coração, por que precisamos da ajuda de outra pessoa para encontrá-lo?” Embora esse tesouro inestimável esteja dentro do nosso coração, não podemos vê-lo nem senti-lo. Assim, precisamos de ajuda. Um amigo nosso, que chamamos de nosso Guru ou professor espiritual, vem e nos ensina como encontrar o nosso próprio tesouro.” Sri Chinmoy, Meditação – A perfeição-homem na Satisfação-Deus,

Experiências espirituais

É difícil saber por onde começar, mas, como discípulo, posso apresentar as experiências que vivi quando acolhido por um Guru. Essa é a experiência que gostaria de compartilhar e fica uma dica, uma experiência espiritual: escolha um livro espiritual cujo autor seja um Mestre espiritual realizado. Leia o livro todo e veja que experiência que você vivenciou. Se você achou que não teve experiência nenhuma, escolha mais um outro livro. Depois disso, escolha um outro autor.

Como experimentar a meditação

A outra dica é a experiência da meditação. Não precisa ser discípulo de nenhum Mestre espiritual nesse momento. Tente somente experimentar a meditação, sem nenhum propósito nesse momento. Somente busque a experiência:

Escolha um lugar na sua casa que possa ficar sozinho por alguns minutos. Apodere-se desse local (use a criatividade). Esse local será o seu local sagrado de meditação, portanto, mantenha esse lugar limpo. Monte um altar e enfeite com vela ou flores. Quando você se sentar nesse espaço, é interessante que esse altar fique na altura dos olhos. Sente-se de modo a manter a coluna ereta e começa a observar sua respiração. Concentre em algum objeto escolhido no altar, observando com os olhos semi abertos: a chama da vela ou uma pétala do buquê de flores. Não feche os olhos. Tente acalmar os pensamentos de modo a tentar não pensar em nada (pensamentos, preocupações, ansiedades, rotina diária, nem mesmo pensar no que está fazendo) Caso os pensamentos estejam te incomodando nesse momento, imagine que são objetos e jogue no objeto focado. Faça isso todos os dias de manhã e a noite por pelo menos 5 minutos.

Essas são duas experiências que você deve fazer juntas: a meditação e a busca por um Caminho espiritual. É importante estar aberto a mudanças. A disciplina será a parte mais importante nessa jornada. Experimente!