Vídeo: a mente é incapaz de compreender algo maior

Como saber se estou só cumprindo um objetivo ou se é a missão da alma?

 

Pergunta: A alma tem muitas missões ou apenas uma em uma vida?

Sri Chinmoy: Há apenas uma missão, mas existem muitos objetivos. Uma alma pode desejar tornar-se poeta, artista ou engenheiro em uma vida. Cada alma pode almejar diversas formas de criatividade, mas esses são objetivos. Eles não devem ser confundidos com a missão da alma. A missão da alma é sempre, antes de tudo, a Realização de Deus; depois, vem a manifestação da Realização de Deus na Terra. No entanto, o objetivo de alguém pode ajudá-lo em sua Realização de Deus ou pode atrasá-lo, dependendo da abordagem do indivíduo em relação à Verdade.

Por exemplo, se alguém é escritor, isso é muito bom. Se ele continua escrevendo sem aspiração pela Realização de Deus por meio de seus escritos, pode um dia tornar-se um grande escritor, mas não terá necessariamente progredido em sua autodescoberta. Por outro lado, se alguém escreve para expressar o Divino em seus escritos, se a expressão externa é resultado da aspiração interior e se a pessoa adotou a escrita como um serviço de autodedicação ao Supremo na humanidade, então certamente o aspirante dentro do escritor está conduzindo-o à realização de Deus. Voltando à sua pergunta: do ponto de vista da Verdade absoluta, existe apenas uma missão, e ela não é outra senão a Autorrealização.

Sri Chinmoy, AUM — Vol. 3, Nº 3,4, Out. — 27 Nov. 1967, Boro Park Printers, Brooklyn, Nova York, 1967

 

Pergunta: Como saber se estamos cumprindo a missão de nossa alma ou simplesmente satisfazendo nossa vaidade?

Sri Chinmoy: Só é possível distinguir entre as duas coisas quando se trabalha sem ser motivado pelo desejo e sem ser afetado pelos resultados das próprias ações. Quando se está nesse estado de consciência, pode-se saber facilmente se se está cumprindo a missão da alma ou apenas satisfazendo a vaidade. O trabalho realizado com dedicação de si conduz o aspirante à realização da missão de sua alma. O trabalho realizado para a própria gratificação impele o ser humano em direção a prazeres que culminam na autodestruição.

Sri Chinmoy, AUM — Vol. 3, Nº 3 e 4, out. — 27 nov. 1967, Boro Park Printers, Brooklyn, Nova York, 1967

Três maneiras de reconhecer a voz interior

 

Texto de Sri Chinmoy:

Quando você ouvir uma voz, tente identificar imediatamente que tipo de corredor ela representa. É o corredor que só para quando a meta é alcançada, ou é aquele que corre trinta metros e depois perde toda a sua energia? A alma conhece a sua capacidade e avançará em direção à meta com absoluta confiança. Se a voz vier do vital emocional, você sentirá que a resposta obtida não o levará ao seu objetivo. Mas, se ela vier da alma, você se sentirá confiante de que ela o conduzirá à meta. Nesse caso, pode ter certeza de que é a sua alma quem fala.
Aqui está outra maneira. Quando uma voz lhe oferecer uma solução para o seu problema, imagine um recipiente sendo preenchido. Se essa voz lhe transmitir a sensação de um recipiente sendo enchido gota a gota — lenta e firmemente, com total segurança interior —, então você saberá que é a voz da alma. Caso contrário, você sentirá que o recipiente está sendo enchido às pressas, com um copo ou uma jarra. Ele encherá rapidamente, mas logo começará a transbordar. Da outra forma — com absoluta confiança e equilíbrio interior —, a alma encherá o recipiente. Se você tiver essa sensação de paciência, então é a voz da alma.
Uma terceira maneira é imaginar uma chama dentro do seu coração. Existem dois tipos de chama: uma é firme e constante; a outra é vacilante. A chama firme dentro do seu coração não é perturbada por nenhum vento interior. Já a chama vacilante é perturbada pelo medo, pela dúvida, pela ansiedade e pela preocupação. Se você sentir que a sua resposta é uma chama vacilante, então é a voz do vital emocional. Mas, se for uma chama muito firme, elevando-se em direção ao Altíssimo, então você saberá que ouviu a voz da alma. Uma vez que você saiba que é a voz da alma, pode ficar tranquilo sabendo que seus problemas serão resolvidos, pois a voz da alma possui grande força, enquanto a voz do vital não tem força alguma.
Sri Chinmoy, *Meditation: God’s Duty and man’s beauty* (Meditação: O Dever de Deus e a beleza do homem), Agni Press, Nova York, 1974

Por meio da razão, você jamais, jamais poderá conhecer a Vontade de Deus. A razão e o intelecto jamais o conduzirão à Vontade de Deus. Só podemos conhecer a Vontade de Deus quando vivemos no coração ou na alma. A mente jamais pode nos revelar a Vontade de Deus. A razão: de onde ela provém? Ela provém do intelecto ou da mente, que ainda precisam ser purificados e iluminados. Enquanto a mente não transcender as suas limitações, jamais poderá ser utilizada para alcançar a Vontade de Deus. É inútil imaginarmos que, por meio da mente racional, seremos capazes de conhecer a Vontade de Deus.
Por meio da aspiração constante, podemos nos entregar à Vontade de Deus, dizendo: “Ó Senhor, não nos dês outra vontade. Não queremos nenhuma outra Vontade. Queremos apenas que a Tua Vontade seja a nossa vontade.”
Sri Chinmoy, *The Master speaks to the Puerto Rican disciples* (O Mestre fala aos discípulos porto-riquenhos), 1966-1972, Agni Press, Nova York, 1993.

Como reconhecer a voz interior?

 

Pergunta: Como saber se é o seu ser interior ou a sua mente que está falando com você?

Sri Chinmoy: Como saber se é a sua mente ou a voz interior que está falando? Se for a voz interior, você imediatamente sentirá uma alegria imensa. Suponha que você tenha um desejo e a voz interior lhe diga para não realizá-lo. Ao ouvir a voz interior, você obterá uma alegria infinitamente maior do que ao realizar o desejo. Por outro lado, se a mensagem vier da sua mente, por uma fração de segundo você sentirá alegria ou satisfação. Então, a sua própria mente lhe dirá que você não fez a coisa certa, que você é um tolo ou que poderia ter pedido algo melhor.

Se a mensagem vier da sua mente, mesmo que o desejo tenha sido realizado, você não se sentirá realizado. Você recebeu o que desejava, mas se sentirá miserável e dirá: “Ah, Deus não se importa comigo; por isso me deu isso. Eu queria essa coisa em particular e Deus me deu só porque queria se livrar de mim, já que eu o incomodo e o importuno o tempo todo. Ele me deu, mas não se importa de verdade comigo.”

Mas se a voz interior lhe deu a mensagem, mesmo que diga não ao seu desejo, você dirá imediatamente: “Deus é tão bondoso comigo. Ele me salvou. Se esse desejo tivesse sido realizado, eu estaria condenado. Em Sua infinita bondade, Ele me avisou e me salvou. Sou muito grato a Ele.” Se a mensagem vier da sua voz interior, você sentirá grande alegria por ela ter se dado ao trabalho de ser seu guia, por ter tanta preocupação com você. É assim que você pode saber se é a voz do seu ser interior ou se é a voz da sua mente falando com você.

Sri Chinmoy, The Silent Mind, Agni Press, New York, 1977

 

 

Pergunta: Como podemos saber qual mensagem que ouvimos durante a meditação é a correta?

Sri Chinmoy: Durante a meditação, nosso coração obtém a verdadeira realização da Verdade. A realização absoluta é algo diferente, algo muito além desse tipo de consciência; mas vamos usar o termo “realização” para descrever a experiência do coração. Depois que paramos de meditar, nossa mente imediatamente nos diz algo diferente. Ela diz: “Não, esta mensagem não pode estar certa”. A mente tem sua própria realização, que ela considera melhor e mais proveitosa do que a realização do coração. Mas pode ser que a realização que parece ser a menos proveitosa das duas seja, na verdade, a realização superior.

O coração sempre oferece a mesma mensagem. Quando nos sentamos para meditar pela manhã, ele nos dá uma mensagem. À noite, quando meditamos, receberemos novamente a mesma mensagem do coração. Mas, no caso da mente, em um momento ela diz uma coisa e, no momento seguinte, assim que viramos a cabeça, ela diz outra. Num instante, a mente dirá: “Ele é um bom homem. Ontem à noite, ele me elogiou na frente de algumas pessoas.” Mas, no instante seguinte, nossa mente se lembra do passado. Mesmo que o passado seja agora irrelevante, a mente se lembra dele. Então, ela diz: “Ele é um canalha. Ele mentiu para mim há vinte anos.” Portanto, ouçamos sempre os ditames do coração.

Sri Chinmoy, Aspiration and God’s Hour, Agni Press, New York, 1977

 

Podemos reconhecer o Mestre pelos escritos?

Todos os Mestres espirituais genuínos escrevem coisas que nos elevam a consciência e nos inspiram. Sri Chinmoy diz que “Meus escritos não são pensamentos emprestados, mas sim expressões da minha própria experiência. Alguns filósofos, professores e estudiosos emprestam ideias dos outros; as ideias sobre as quais escrevem não vêm da sua própria realização. No meu caso, a gramática pode até estar errada, mas a consciência que revelo é uma consciência divina… Lendo os meus escritos, muitas coisas lhes serão esclarecidas. Respondo as perguntas a partir da minha luz interior – e para onde vai essa luz? Ela entra nos livros… ”

Então, é possível saber por essa inspiração através dos livros e ensinamentos escritos que aquele é o seu Mestre pessoal?

Sri Chinmoy respondeu à seguinte pergunta:

Pergunta: Podemos determinar quem é o nosso Guru lendo seus escritos?

Sri Chinmoy: Em primeiro lugar, você precisa sentir a aceitação do Guru por você e também a sua aceitação do Guru. Não se trata de ler alguns livros e, de repente, ser transportado para um plano de alegria ou deleite. Digamos que você leu o livro de um determinado Mestre e, de repente, se sente transportado e acredita que esse Mestre é o certo para você. Mas, no dia seguinte, você pode ler os escritos de outro Mestre e sentir um deleite extremo, acreditando que ele é o seu Guru. Depois de amanhã, você lerá os escritos de outra pessoa e poderá sentir o mesmo tipo de alegria, mas de uma maneira diferente. Apenas lendo as obras de alguém, você não será capaz de aceitar ou rejeitar um determinado Mestre. Somente através da meditação você poderá saber quem lhe proporciona maior deleite.

Suponha que você esteja em dúvida sobre dois ou três Mestres que você gostaria de aceitar. Logo pela manhã, repita com toda a alma o nome de um deles sete vezes. Então, no dia seguinte, você repetirá o nome de outra pessoa. Certamente, você obterá a alegria mais profunda ao pronunciar o nome do Mestre específico que lhe foi destinado. Mas, por favor, não se confunda ao ler livros. Muitos Mestres espirituais escreveram coisas maravilhosas, mas se você quiser oferecer sua existência ou aceitação a alguém apenas porque gosta de seus escritos, poderá estar cometendo um erro.

Sri Chinmoy, Obedience or oneness, Agni Press, New York, 1977

Como o Mestre espiritual orienta interiormente

Pergunta: O senhor tem cerca de mil discípulos. Cada alma se dá notícias ao senhor diariamente ou semanalmente?

Sri Chinmoy: Nem todas as almas se reportam diariamente, mas podem me transmitir mensagens a qualquer momento. Há alguns discípulos que considero muito queridos e que têm emanações minhas “designadas” às suas almas. Uma emanação é meu representante interior associado a uma alma específica e que tem livre acesso a mim. A qualquer hora, uma emanação pode me trazer uma mensagem sobre o que você está fazendo, embora geralmente chegue a mim de manhã cedo. Às vezes, minha mente pode não receber ou não estar ciente dessa mensagem. Nesse caso, a emanação tentará resolver o problema por meio da alma do discípulo. Ou seja, a emanação trará a mensagem à minha alma e minha alma aconselhará a alma diretamente, porque a pessoa me aceitou como seu Mestre. Então, a alma do discípulo tentará convencer sua mente a fazer algo, e isso chegará à mente como uma revelação. A mente pode não receber a mensagem direta de mim externamente e pode não conhecer todos os detalhes físicos de uma situação, como a maneira precisa como algo vai acontecer. Mas se uma emanação vier e me disser que este discípulo fez algo errado ou está tendo dificuldades com alguma coisa, e se sentir que minha mente física deveria saber da situação, ela dirá aos meus seres interiores para informarem minha mente física.

Às vezes, um discípulo pode me contar sobre uma situação por meio de cartas. Há algum tempo, você me deixou uma mensagem sobre um problema doméstico. Quando recebi o bilhete, mesmo antes de abri-lo, meu ser interior me disse que tudo já estava resolvido. Ou seja, a situação havia sido resolvida da maneira que o Divino, o Supremo, queria. Minha mente não conhecia os detalhes externos até que eu lesse o bilhete linha por linha.

Quando me dou conta de que um problema foi resolvido internamente, então minha mente pode perguntar à minha alma o que foi feito no plano físico e o que vai acontecer agora. Caso contrário, a alma pode não necessariamente transmitir a mensagem à mente física. Na vida humana comum, a menos que a mente esteja ciente de algo, sentimos que não o sabemos. Mas, embora nossa mente física possa não saber algo, outra parte do nosso ser pode estar ciente disso.

A alma quase sempre pede à mente física que se expanda. A mente física pode ler jornais e aprender milhões de coisas — que alguém foi esfaqueado aqui, que um escândalo está acontecendo ali. Essa informação dá à mente física uma alegria temporária. Mas, depois de uma hora, como um coletor de lixo, a alma retira isso da mente, já que essa informação não nos ajuda em nada na vida espiritual. Estamos na Terra, então nos divertimos sabendo o que os outros estão fazendo. Mas isso não alimenta a alma, não acelera nossa manifestação nem nos dá plenitude.

Um Mestre espiritual não precisa saber, nem sabe, o que você vai comer no café da manhã ou o que o presidente disse à esposa ontem. Mas ele sabe o essencial, o mais importante, que é se a alma do discípulo está subindo ou descendo a árvore, ou se está estacionada em um lugar específico, seja ele muito baixo ou muito alto. O que obriga a alma a descer? É a vitalidade emocional ou a mente duvidosa que a faz descer. E o que eleva a alma? É o clamor interior, a aspiração.

Algumas pessoas me perguntam por que não uso o poder oculto para descobrir informações externas, mas por que eu deveria usá-lo para saber o que está acontecendo no plano exterior? Esses poderes podem ser usados ​​para propósitos muito elevados. Se você tem um dólar, isso não significa que vai gastá-lo todo em chá e café. Se você tem um dólar, então vai gastá-lo em algo que valha a pena. Novamente, há algo que traz informações externas ainda mais rapidamente do que o poder oculto, e isso é o poder da alma. Dentro da sua casa, do seu ser, o principal habitante é o pássaro-alma. Se eu pegar o pássaro e perguntar o que está acontecendo, ele imediatamente me contará sobre sua gaiola. É claro que a alma não precisa ficar constantemente contando ao Mestre o que está acontecendo.

Algumas pessoas podem se perguntar por que alguns discípulos próximos buscam minha orientação em assuntos externos, já que Deus nos deu inteligência suficiente para saber o que dizer aos outros. Mas, às vezes, sentimos que essa inteligência não nos ajuda em nada. Sabemos o que dizer aos nossos amigos ou inimigos. Mesmo dizendo a coisa certa, muitas vezes não obtemos resultados satisfatórios. Mas, se contarmos a um Mestre espiritual sobre as circunstâncias externas e ele souber o que vamos dizer, imediatamente haverá uma força adicional por trás de nossas palavras. Essa força adicional não significa que sempre venceremos. A força será aplicada apenas a você e virá como uma ajuda extra. Então, quando você falar com alguém, a resposta que receber não o afetará. Você pode sair vitorioso ou perder a batalha, mas, graças à ajuda que o Mestre lhe deu, você não ficará chateado. Isso é o mais importante….

Trecho de – Sri Chinmoy, Obedience or oneness, Agni Press, New York, 1977

A vida espiritual: onde começar?

por Eduardo Suzuki

Esse é o primeiro artigo que eu escrevo. Para alguém que inicia, escolhi falar sobre a busca por uma jornada espiritual. A buscar como dar um valor, um propósito autêntico para sua vida, a como buscar e trilhar um caminho espiritual.

vida espiritual como comecar

Meditação, Caminhos, Livros e Prática…

Minha experiência começa com conflitos materiais, experiência no sentido material e depois se transforma no caminho espiritual. Estava numa fase cheia de dificuldades e conflitos familiares. Não buscava nada espiritual, somente um abrigo no meio da tempestade. Esse foi o começo da minha jornada, a busca por um abrigo.

Nunca fui uma pessoa religiosa, espiritualmente… vazio. Minha mãe falava que, se você acredita em Deus, então está tudo bem, siga a vida. Entrei para a religião cristã por conta do casamento, mas não havia nada ali que me atraia a Deus. Li livros como Bhagavad Gita e romances baseados no Mahabharata, mas com os olhos de alguém que está lendo romance.

“Alguém pode acreditar em Deus, mas essa crença não é uma realidade na sua vida. Ele só acredita porque algum santo, Yogi ou Mestre espiritual disse que Deus existe, ou por ter lido sobre Deus em livros espirituais. No entanto, se praticarmos a meditação, chegará um dia em que vamos estabelecer a nossa unicidade consciente com Deus. Quando isso acontecer, Ele nos dará a Sua infinita paz, infinita luz e infinita bem-aventurança, e nós nos transformaremos nessa infinita paz, infinita luz e infinita bem-aventurança.” Sri Chinmoy, Meditação – A perfeição-homem na Satisfação-Deus

Então não havia nada em mim que buscava dar valor verdadeiro a vida e sim aos objetos materiais da vida. Mas no momento da tempestade esses objetos se mostram limitados e finitos. Nessa fase descobri um Caminho.

Meditação

Descobri que acreditar em Deus é somente um começo. Deus é a essência da vida. Então acreditar não é suficiente. Mas como chegar a essa conclusão? Eu aprendi através da meditação.

“Meditar não quer dizer apenas sentar-se em silêncio por cinco ou dez minutos. Ela exige esforço consciente. A mente precisa ficar calma e quieta. Ao mesmo tempo, ela tem de ficar atenta, para não permitir a vinda de nenhum desejo ou pensamento que a distraia. Quando fazemos com que a nossa mente fique calma e silenciosa, sentiremos que uma nova criação está surgindo dentro de nós. Quando a nossa mente está vazia e tranquila, e toda a nossa existência se transforma num recipiente vazio, o nosso ser interior pode invocar paz, a luz e a felicidade infinitas para preenchê-lo. Isso é meditação.” Sri Chinmoy, Meditação – A perfeição-homem na Satisfação-Deus,

No passado, tive uma vaga impressão do que era meditação, vendo em filmes e praticando artes marciais. Mas, atualmente, a meditação é o modo autentico de buscar um norte, de aprender sobre a si mesmo e o mais importante, buscar a Satisfação verdadeira, o seu propósito de estar manifestando na Terra.

“Satisfaction is needed in the animal life, the human life and the divine life. But the satisfaction that we get in the animal life is not true satisfaction. In the human life also, we do not get true satisfaction. Only in the divine life we get true satisfaction.” Sri Chinmoy, Everest-Aspiration, Editora Aum. Versão traduzida

A vontade autêntica de meditar

Ao buscar a meditação, devemos buscar o ensinamento autêntico. Mas isso não é suficiente se a pessoa não tiver a vontade autêntica de querer mudar o seu ponto de vista sobre a sua realidade. A entrega ao caminho é muito importante.

“God’s all-fulfilling Grace
descends

Only when man’s
unconditional surrender
ascends.”

Sri Chinmoy

O Mestre espiritual

Na minha experiência, encontrar um caminho autêntico foi encontrar um Mestre espiritual. E como reconhecer um Mestre espiritual? Minha experiência espiritual começou em um livro: Meditação – A perfeição-homem na Satisfação-Deus, de autoria de Sri Chinmoy. Mas como saber se o conteúdo do livro é autêntico? O leitor deverá ler o livro com o coração e não com a mente. Deverá sentir algo maior, alguma experiência que mude sua rotina e principalmente deve trazer satisfação num modo sutil. Essa foi a experiência pela qual eu passei. Comecei a ler e praticar os exercícios, muitas dúvidas foram surgindo e nesse momento o livro conversava comigo. Todo livro conversa com o leitor, mas a minha experiência foi diferente de estar lendo um livro técnico ou romance. Eu comecei a enxergar uma nova possibilidade de vida e principalmente de valores. Notei uma sede insaciável em busca da realidade que a meditação iria me levar. Mesmo não sabendo o que era meditação, no momento da leitura do livro descobri a vida que eu deveria estar vivendo e o caminho que eu deveria estar trilhando.

“Se você conseguir acalmar a sua mente agitada lenta e gradualmente, Deus vai abrir o Seu imensurável Coração, alegre e imediatamente.” Sri Chinmoy, Meditação – A perfeição-homem na Satisfação-Deus

O próximo passo é estar aberta a essa nova experiência. Mas como saber se estou no caminho certo? Mudança. Depois de um mês, compare a vida antes e depois. Ansiedade irá atrapalhar nessa decisão. Não adianta meditar por um dia e descobrir mudança no dia seguinte. Os resultados acontecem sempre de modo sutil. A rotina sua irá mudar. Após o livro, encontrei o caminho através de um curso de meditação lecionado por discípulo de Sri Chinmoy. Isso foi mágico para mim, mais do que uma mera coincidência. Então depois do curso, não tive dúvida, esse era o meu Caminho. Desde que descobri a meditação minha rotina é a de acordar para meditar, meditar antes e depois cada ação maior que acontece durante o dia, e meditar antes de dormir. Aqui começa uma relação bem estreita com o Supremo. O ponto mais importante para mim foi o Mestre espiritual. Se você for atento, vai ter sinais que indicarão que você está no caminho certo. A presença de um Mestre espiritual, um Guru, foi crucial para a minha Vida. Estava cego, e ainda perambulo pela vida cegamente. Quando o Guru está me guiando, ainda não enxergo a Realidade, mas consigo sentir Luz, muita Luz. Como? Quando você notar que está agradecendo a tudo que está acontecendo, a qualquer momento e em qualquer circunstância, você está sentindo a Luz. Isso me fez reconhecer o Mestre espiritual, o meu Guru. E o Guru apareceu na minha vida no momento que estava: aberto a novas realidades, precisava mudar os meus valores, e que estava pronto para trilhar um Caminho espiritual.

“Se alguém se torna um discípulo verdadeiro de um Mestre, o discípulo não sente que ele e o seu Guru são duas pessoas totalmente distintas. Ele não sente que o Guru está no alto e que ele mesmo está aos pés da árvore. Ele sente que o Guru é a parte mais elevada de si mesmo. Sente que ele e o Guru são um, que o Mestre é a sua própria parte mais elevada e mais desenvolvida. Portanto um discípulo verdadeiro não vê nenhuma dificuldade em render a sua parte mais baixa à sua parte mais elevada. Ser um discípulo devotado não estará abaixo da sua dignidade, porque ele sabe que tanto a parte mais elevada quanto a mais baixa pertencem a si mesmo.” Sri Chinmoy, Meditação – A perfeição-homem na Satisfação-Deus

O verdadeiro Mestre é o Supremo

Apesar de que meu Mestre nos diz que ele não é o verdadeiro Mestre, que o Supremo é o Guru.

“Um Mestre espiritual ou Guru é como o filho mais velho de uma família, e os buscadores são como seus irmãos e irmãs espirituais mais novos. Mestres espirituais contam e mostram para seus irmãos e irmãs mais novos onde está o Pai deles, o Guru Absoluto.

O Guru verdadeiro não está no vasto céu azul. Ele está nas profundezas do nosso próprio coração. Você poderia perguntar: “Se ele está dentro do nosso coração, por que precisamos da ajuda de outra pessoa para encontrá-lo?” Embora esse tesouro inestimável esteja dentro do nosso coração, não podemos vê-lo nem senti-lo. Assim, precisamos de ajuda. Um amigo nosso, que chamamos de nosso Guru ou professor espiritual, vem e nos ensina como encontrar o nosso próprio tesouro.” Sri Chinmoy, Meditação – A perfeição-homem na Satisfação-Deus,

Experiências espirituais

É difícil saber por onde começar, mas, como discípulo, posso apresentar as experiências que vivi quando acolhido por um Guru. Essa é a experiência que gostaria de compartilhar e fica uma dica, uma experiência espiritual: escolha um livro espiritual cujo autor seja um Mestre espiritual realizado. Leia o livro todo e veja que experiência que você vivenciou. Se você achou que não teve experiência nenhuma, escolha mais um outro livro. Depois disso, escolha um outro autor.

Como experimentar a meditação

A outra dica é a experiência da meditação. Não precisa ser discípulo de nenhum Mestre espiritual nesse momento. Tente somente experimentar a meditação, sem nenhum propósito nesse momento. Somente busque a experiência:

Escolha um lugar na sua casa que possa ficar sozinho por alguns minutos. Apodere-se desse local (use a criatividade). Esse local será o seu local sagrado de meditação, portanto, mantenha esse lugar limpo. Monte um altar e enfeite com vela ou flores. Quando você se sentar nesse espaço, é interessante que esse altar fique na altura dos olhos. Sente-se de modo a manter a coluna ereta e começa a observar sua respiração. Concentre em algum objeto escolhido no altar, observando com os olhos semi abertos: a chama da vela ou uma pétala do buquê de flores. Não feche os olhos. Tente acalmar os pensamentos de modo a tentar não pensar em nada (pensamentos, preocupações, ansiedades, rotina diária, nem mesmo pensar no que está fazendo) Caso os pensamentos estejam te incomodando nesse momento, imagine que são objetos e jogue no objeto focado. Faça isso todos os dias de manhã e a noite por pelo menos 5 minutos.

Essas são duas experiências que você deve fazer juntas: a meditação e a busca por um Caminho espiritual. É importante estar aberto a mudanças. A disciplina será a parte mais importante nessa jornada. Experimente!

Como agir no mundo de forma espiritual?

 

Uma vida de verdadeira renúncia é uma vida que vive no mundo, mas não deriva seus valores do mundo.
-Sri Chinmoy

 

Pergunta: Precisamos viver no mundo material para praticar a espiritualidade?

Sri Chinmoy: Certamente, precisamos viver no mundo material. Mas precisamos saber que o “mundo material” pode significar duas coisas. Para alguns, o mundo material significa comer, dormir, desfrutar, entregar-se aos prazeres da ignorância. Para outros, o mundo material significa a criação de Deus — o mundo em que vivemos, este planeta. Se considerarmos “mundo material” neste segundo sentido, então podemos facilmente praticar a espiritualidade no mundo material.

Viver no mundo material significa aceitar nosso dever. Digo a todos os meus discípulos que eles precisam trabalhar. Trabalhar significa disciplina física, serviço dedicado a Deus. Vocês não estão trabalhando para me manifestar na Terra; longe disso. Vocês estão trabalhando para disciplinar suas vidas para que, a cada momento, a cada segundo, possam divinizar suas vidas e ser parte integrante de algo espiritual, algo divino.

Deus, o Criador, também está dentro da criação. A criação não pode ser separada do Criador. Portanto, a criação, que vemos na forma do mundo material, deve ser aceita. Se não a aceitarmos, como poderemos mudá-la? Se eu não tocar em algo, se eu não entrar nos meus discípulos com suas imperfeições, como poderei transformá-los? Não devemos negar o mundo; devemos aceitá-lo. Sempre que virmos algo errado, precisamos entrar nessa coisa específica com a Luz da nossa alma para transformá-la.

… Sri Chinmoy, Autodescoberta e domínio do mundo, Agni Press, 1976

Pergunta: Qual é a melhor maneira de meditar durante a ação?

Sri Chinmoy: Durante a ação, a melhor maneira de meditar é lembrar-se de oferecer a si mesmo, a ação e o resultado da ação ao Supremo. Quando você para de meditar e entra no mundo da ação, pense na sua ação como uma continuação da sua meditação. Quando você medita em silêncio, você vai muito alto, muito fundo. E quando você começar suas atividades diárias, sinta que esta é outra forma de meditação, chamada manifestação. Meditação em ação é manifestação.

Deus precisa ocupar a mente, e nesse estado de concentração divina, deve-se servir à humanidade. Nesse exato momento, o próprio serviço se torna a maior recompensa. No campo da espiritualidade, embora meditação e concentração constituam abordagens totalmente diferentes, o trabalho e o serviço dedicado nada mais são do que pura meditação.

Em todas as suas atividades, tente sentir a presença de Deus. Enquanto alimenta seu filho, sinta que você não está alimentando seu filho, mas sim o Deus dentro dele. Enquanto conversa com alguém, sinta que está conversando com a Divindade dentro dessa pessoa. Você não precisa ir ao seu altar e meditar em Deus com lágrimas de devoção se, naquele exato momento, você tem algo muito importante para fazer no mundo exterior. Seja o que for que você faça, por favor, tente pensar que Deus lhe deu a oportunidade de fazer isso; pense que você está fazendo algo que, em última análise, o conduzirá à sua realização.

Sri Chinmoy, Meditação: a escolha do homem e a voz de Deus, parte 2, Agni Press, 1974

Devoção

Devoção é a completa submissão da vontade individual à Vontade Divina. Devoção é adoração. Adoração é a alegria espontânea que brota do coração. Quem pode ser o objeto de nossa adoração? Deus. Como podemos adorá-Lo? Através de nossa entrega total.

O homem ama. Ele espera amor em troca. Um devoto ama. Mas ele ama os seres humanos por amor ao seu doce Senhor que habita em tudo. Seu amor respira humildade, alegria espontânea e serviço altruísta.

Devoção é o aspecto feminino do amor. É doce, energizante e completo. Sri Aurobindo diz: “Depois que soube que Deus era uma mulher, aprendi algo distante sobre o amor; mas foi somente quando me tornei mulher e servi ao meu Mestre e Amante que conheci o amor plenamente.”

Um devoto vê um círculo que é Deus. Ele entra nele com o clamor de sua alma. Então, silenciosamente, ele vem e permanece no centro do círculo e se transforma em uma árvore de êxtase.

Uma criança não se importa em saber quem é sua mãe. Ela apenas deseja a presença constante e amorosa de sua mãe diante dela. Semelhante é o sentimento do devoto por seu Senhor. Muitos se oferecem para ajudá-lo em sua jornada de vida. Mas ele não se importa com a ajuda deles. A Graça de Deus é seu único auxílio e refúgio. Os tormentos do inferno são muito fracos para atormentá-lo enquanto ele está lá com seu Senhor. Sua vida no inferno é uma vida de perfeita felicidade. Seus sofrimentos e tribulações no Céu não têm limites se ele estiver lá sem seu Senhor ao seu lado.

A devoção é uma emoção que comove a alma. Ela permeia dinamicamente toda a consciência do devoto. Devoção é ação. Essa ação é sempre inspirada pelo ser interior do devoto.

A devoção traz a renúncia. A verdadeira renúncia nunca é uma vida de isolamento. A renúncia é uma aversão total à vida animal da carne. É também uma ausência total do ego. Uma vida de verdadeira renúncia é uma vida que vive no mundo, mas não deriva seus valores do mundo.

Devoção é dedicação. A dedicação dá ao devoto a sua autorrealização. A autorrealização é a infinitude de Deus.

Diferentemente dos outros, um devoto sente sinceramente que não possui nada além do seu desejo por Deus. Seu desejo é a sua joia. A Graça de Deus é a Sua joia. Ao oferecer sua joia a Deus, o devoto se vincula a Deus. Ao dar Sua joia ao Seu devoto, Deus o liberta e o realiza.

Sri Chinmoy, Eternity’s Breath, Sri Chinmoy Lighthouse, New York, 1972

Como ver a presença de Deus nos outros

 

Como ver a presença de Deus nos outros

Uma seleção de escritos de Sri Chinmoy, em tradução ao português

 

Pergunta: Como podemos ver o divino em outro ser humano quando cada ser humano tem tantas falhas?

Sri Chinmoy: Já que você deseja ver o divino nos outros, você já percorreu metade do caminho. Algumas pessoas não querem ver o divino nos outros. Pelo contrário, querem ver apenas o que não é divino nos outros para poderem criticar e ridicularizar. Mas quando você se torna um buscador sincero, então você tenta ver o divino nos outros, apesar de suas limitações. Ao vermos as limitações de alguém, apenas atrasamos nosso próprio progresso. E, ao mesmo tempo, não ajudamos a outra pessoa de forma alguma. Se encontrarmos defeitos em alguém, suas qualidades não divinas não desaparecerão, nem as nossas diminuirão. Pelo contrário, suas qualidades não divinas virão à tona em sua defesa, e nosso orgulho, arrogância e sentimento de superioridade também virão à tona. Mas, ao enxergarmos o divino em alguém, aceleramos nosso progresso e ajudamos a outra pessoa a estabelecer sua própria vida de realidade em algo divino.

Na vida espiritual, precisamos ver os outros com o coração de um amante e não com o olhar de um crítico. Cada indivíduo conhece suas próprias limitações, mas ainda assim deve pensar principalmente em suas possibilidades e potencialidades divinas. Ao pensar constantemente em suas potencialidades divinas, ao concentrar sua atenção em suas possibilidades divinas, ele é capaz de entrar no reino da realidade plena.

Para enxergarmos o divino nos outros, precisamos amar. Onde o amor é intenso, as falhas são sutis. Se você realmente ama alguém, então é difícil encontrar defeitos nessa pessoa. Seus defeitos parecem insignificantes, pois amar significa união. Essa união vem da nossa aceitação consciente da realidade dela como ela é. Uma mãe, apesar de conhecer as inúmeras limitações de seu filho, não deixa de amá-lo, porque estabeleceu sua união com ele. Se há imperfeição na criança, a mãe assume essa imperfeição como sua. E quando a criança cresce, ela sente que as fraquezas da mãe são suas.

Se você acha difícil amar o humano em alguém, então ame o divino nele. O divino nele é Deus. Só porque você é um buscador, você sabe que Deus existe nessa pessoa, assim como Deus existe em sua própria vida. Mesmo que seja difícil amar o humano como tal, para você amar a Deus é extremamente fácil porque você sabe que Deus é divino e perfeito. Então, cada vez que você olhar para um indivíduo, se você puder se tornar consciente da existência de Deus nele, então você não poderá ser perturbado conscientemente por suas imperfeições ou limitações.

Sri Chinmoy, Cinquenta Barcos da Liberdade para uma Costa Dourada, parte 4, Agni Press, 1974

 

Pergunta: Sou médico. Não deveria servir a Deus em meus pacientes primeiro?

Sri Chinmoy: Não, não, não. Você é médico, é verdade. Mas logo de manhã, antes mesmo de ver um paciente, você tem que pensar em Deus, meditar em Deus. Só então você estará fazendo a coisa certa. Neste momento, você está vendo Deus em seus pacientes. Essa é a magnanimidade do seu coração. Isso é maravilhoso. Você está vendo Deus em seus pacientes, então você será mais cuidadoso, mais sensível, em seu trato com eles. É isso que Deus quer. Mas essa sensibilidade, essa compaixão, esse amor e preocupação com seus pacientes — de onde você está tirando isso? Você está tirando isso do seu próprio coração, da sua alma. Mas se você não meditar, acha que vai conseguir isso? Se você não observar o silêncio ou sentir paz por alguns momentos pela manhã, você não vai conseguir. Há muitos médicos que são muito pouco divinos, insensíveis, porque não fazem o que é preciso primeiro.

Medique de manhã cedo antes de ir para o hospital. Só porque de manhã cedo você está orando e meditando a Deus por alguns minutos, isso significa que você tem amor por Deus. Então, quando você vai para o hospital, você está demonstrando seu amor e devoção ao Supremo nos outros. Então, na verdade, você está fazendo duas coisas, e ambas têm um valor considerável. Você faz a primeira coisa primeiro; mas sente que apenas a segunda coisa que está fazendo é a certa. Não, ambas são igualmente certas. Você dá um passo de cada vez. Não se pode dar dois passos ao mesmo tempo. Primeiro você pisa em uma perna e depois na outra. Portanto, no seu caso, você está fazendo absolutamente a coisa certa. De manhã cedo, você ora a Deus; esse é o seu amor por Deus. Então, você espalha esse mesmo amor para seus pacientes, que são seus irmãos e irmãs.

Sri Chinmoy, Perseverança e aspiração, Agni Press, 1976

Pergunta: Guru, o senhor nos diz para vermos a Presença de Deus dentro de nossos filhos. Isso está correto?

Sri Chinmoy: Certamente. Quando sua filha sorri, nesse momento você realmente vê a Presença de Deus. Mas no momento em que ela grita e faz algumas coisas não divinas, nesse momento você vê Deus ali? Não, você simplesmente diz: “Este é o meu destino. Este tipo de Deus eu não quero.” Eu sempre digo aos pais para sentirem que Deus está dentro de seus filhos. Os pais não devem bater nos filhos. Então, o que acontece? Por um dia eles me ouvem e no dia seguinte, quando os filhos fazem algo não divino, os pais não veem a Presença de Deus. Eles batem nos filhos.

Então é verdade que você tem que ver a Presença de Deus dentro de seus filhos, dentro da humanidade. Mas neste momento você verá algo divino e no momento seguinte verá imperfeição. Então imediatamente você mudará de opinião e dirá que Deus não está lá. Mas se você sentir a Presença de Deus dentro de si primeiro, então é fácil ver a Presença de Deus dentro dos outros. Se você mantiver sua própria divindade dentro de si, não importa quem você veja, essa pessoa será uma projeção da sua própria divindade.

Sri Chinmoy, Perseverança e Aspiração, Agni Press, 1976

Pergunta: Existe alguma qualidade específica pela qual as pessoas saberiam que somos seus discípulos, do seu ponto de vista?

Sri Chinmoy: Há apenas um caminho. Se cada discípulo aumentar seu amor pelo Mestre, então um dia todos os discípulos verão o Mestre uns nos outros. Agora, assim que você fica com raiva de alguém, você não me vê dentro do outro discípulo. Você vê todas as forças hostis nessa pessoa. Assim que você fica com raiva de alguém, você me vê lá? Não, você vê todas as forças hostis dentro dessa pessoa. Os discípulos devem tentar ver dentro dos outros a presença viva do Mestre.

… Sri Chinmoy, Não todos os dias, mas a cada momento: perguntas e respostas esclarecedoras, comentários e palestras, Agni Press, 2013

Pergunta: O que significa, de fato, ver o divino em alguém ou em algo?

Sri Chinmoy: Existem várias maneiras de ver o divino em alguém ou em algo. Tentar ver Deus conscientemente é uma abordagem. Outra abordagem é vê-Lo espontaneamente. Suponha que você entre em um jardim. Você não está tentando conscientemente ver a beleza ou sentir a fragrância das flores. Espontaneamente, a beleza delas o atrai. É como um ímã. Se seus olhos não são atraídos pela beleza das flores e se você precisa conscientemente se aproximar muito de uma flor específica e colocá-la diante do seu nariz, então não é espontâneo. A beleza está lá, mas somente quando a beleza age como um ímã espontâneo é que a manifestação imediata da beleza entrará em seus olhos e coração, assim como já entrou em sua alma. A beleza que você sente dentro de sua mente e dentro de seu coração é a verdadeira beleza.

Vou lhe dar outro exemplo. Ontem de manhã, fui ao Parque Goose Pond. Estava garoando e eu estava correndo devagar. Passei cinco vezes por um homem sentado em um banco que estava muito bêbado. Cada vez que eu passava por ele, ele sorria para mim. Eu não conseguia entender o que ele estava dizendo, mas cada vez que eu passava por ele, ele me dizia algo encorajador. Ora, se eu tivesse que tentar conscientemente ver o divino nele — se eu tivesse dito: “Ele também é criação de Deus. Embora ele esteja bebendo muito, deixe-me ver o divino nele” — eu teria perdido meu tempo. Mas cada vez que eu passava por ele, espontaneamente eu sentia uma alegria imensa. Se eu tivesse me identificado com sua vida exterior, eu teria ficado enojado. Eu não gosto nada de bebida. Para mim, é algo abominável. Mas enquanto eu passava por ele, eu via o divino nele. Sua divindade interior me atraía imediatamente. Seu coração entrava em mim e meu coração entrava nele. Portanto, eu sentia uma alegria sincera.

Se a alegria ou a doçura que a alma nos dá vem imediata e espontaneamente, então podemos facilmente ver a divindade em algo ou alguém. Mas se tivermos que pensar na alma ou nos concentrar na alma de uma cadeira ou de algum outro objeto, estaremos perdendo tempo. No nível humano, todos estão tentando ter consciência de Deus e também estamos conscientemente tentando adquirir algumas boas qualidades. Os buscadores podem tentar ver o divino nos outros, mas podem não ter como entrar na alma ou no coração de outro indivíduo.

Se você conseguir ter um sentimento espontâneo, isso é absolutamente o mais importante. Então, se você vir que alguém é um bom buscador, que está orando e meditando ou que tem outras boas qualidades, então você poderá apreciar o divino nele. Você não permitirá que sua insegurança, ciúme, impureza ou mente dividida interfiram. Não deve haver competição entre você e essa pessoa.

Às vezes acontece que o coração aprecia, mas a vitalidade sente ciúme ou a mente é mesquinha. A mente não permite que você sinta alegria. Se você vir uma flor bonita, a mente pode dizer: “Eu não sou tão bonita quanto esta flor, então quem se importa com ela?” Novamente, quando você vê uma flor bonita, pode dizer: “Como eu gostaria de ser tão bonita quanto esta flor, tão perfumada quanto esta flor”. Esse desejo não gera inveja, insegurança ou separação.

Mas apenas desejar não basta. Se você vir alguém meditando ou orando com fervor, você deve orar a Deus: “Por favor, ajude-me a me tornar tão fervoroso e devoto quanto esta pessoa”. Então Deus verá que você não está competindo com essa pessoa. Você está apenas vendo algo belo — como uma bela flor — dentro dela. Deus vê que você deseja se identificar com o aspecto divino Dele que já se manifestou dentro dessa pessoa. Então Deus dirá: “Um dos Meus filhos alcançou algo e agora outro filho Meu passou a apreciá-lo, em vez de sentir inveja. Este filho está orando a Mim para ter as mesmas boas qualidades. Estou mais do que pronto para concedê-las a ele”.

Muitas vezes acontece que, se não temos certas boas qualidades, tentamos depreciá-las nos outros. Tentamos não ver valor nelas. Mas, novamente, existem algumas almas boas que querem se tornar melhores e as melhores. Hoje elas são boas. Amanhã elas querem se tornar melhores e as melhores. Como nos tornamos melhores — nos separando ou nos unindo? Nos separando, seja por mesquinhez, inveja ou insegurança, nunca, jamais poderemos nos tornar melhores. Somente usando o caminho positivo, tendo paz, equilíbrio e amor pelo Divino que se manifesta, podemos nos tornar melhores. Não amaremos a flor ou o buscador em si, mas a divindade que tornou a flor bela, a divindade que tornou o buscador espiritual. Você precisa ter amor pela divindade que se manifesta em cada coisa.

Se você sentir a divindade espontaneamente, isso é sempre o melhor. Caso contrário, se você vir algo belo ou divino, pode tentar conscientemente se tornar isso, orando a Deus. Então, o desenvolvimento do seu corpo, vital, mente, coração e alma aumentará e se espalhará amplamente. Sua própria divindade florescerá muito mais rapidamente se você puder apreciar a beleza ou a divindade de outra coisa ou de outra pessoa. Se você for sincero, Deus nunca pensará que você ficou com inveja. Não, você não está competindo ou lutando. Você está apenas apreciando, admirando e adorando algo que o próprio Deus manifestou em outra pessoa.

Há também outra maneira de ver a divindade nos outros. Esta é a maneira mais elevada. Quando uma mãe vê que seu filho é muito bonito ou habilidoso, quando ela vê as capacidades da criança, ela não ora a Deus: “Ó Deus, por favor, me dê a mesma capacidade! Meu filho é tão alto e forte! Ele corre tão rápido! Ele é tão inteligente!” A mãe imediatamente sente que as qualidades de seu filho são todas dela. Isso não se deve ao fato de ele ser produto dela, mas sim porque ela estabeleceu uma união inseparável com o filho a tal ponto que sente que tudo o que ele tem é dela e tudo o que ela tem é dele.

Se sua consciência for muito elevada — mais elevada que a mais elevada — você pode estabelecer exatamente esse mesmo tipo de união com os outros. Quando Sudhahota faz algo, eu tenho essa união com ele. Eu não digo: “Supremo, podes me dar a velocidade que ele tem?” Não. Eu tenho essa união com ele que sinto que eu o fiz. A mente dirá que você está se enganando. Mas se o coração obtém a mesma alegria que ele, graças à força dessa união, então é absolutamente real. Às vezes, a pessoa que alcançou o feito pode não ser tão feliz quanto outra pessoa. Eu vi que a mãe de Sudhahota sente mais alegria com o sucesso dele do que o próprio Sudhahota.

Da mesma forma, meu irmão Mantu costumava sentir infinitamente mais alegria com meu desempenho no atletismo do que eu. O coração dele se enchia de alegria se eu chegasse em primeiro lugar. No dia da minha competição, ele passava o dia inteiro preocupado comigo. A sua dedicação era tanta que parecia que o mundo inteiro ia desabar se eu não me saísse bem nos 100 metros ou no salto em distância. É claro que eu sentia alegria com o esporte. Mas, se você medir a alegria, a dele era maior do que a minha. A dedicação pode estar no mesmo nível, ou alguém pode sentir mais alegria do que a pessoa que realmente alcançou o objetivo.

Primeiro, tente enxergar a divindade nos outros espontaneamente. Se ela surgir imediatamente, ótimo. Se não surgir imediatamente, então, no nível humano, tente enxergá-la conscientemente. Se você perceber que alguém já alcançou mais divindade do que você, ou que Deus manifestou um aspecto de Sua Divindade em outra pessoa mais do que em você, então você pode tentar imitar essa pessoa ou pode orar a Deus para que Ele lhe dê as mesmas qualidades. Não há nada de errado em imitar algo bom. Quando uma criança tenta imitar o pai, ela não é uma mera imitadora. Ela aprecia, admira, adora e ama sinceramente o jeito de andar e de falar do pai. Tudo o que o pai diz, ela imita. Quando a criança imita as boas qualidades do pai, ela não se torna uma cópia exata. Ela observa as boas qualidades, as qualidades divinas do pai, e por isso deseja ter as mesmas qualidades. Prontidão, disposição e entusiasmo vêm à tona a cada instante para inspirá-la e energizá-la a se tornar tão grandiosa e tão boa quanto o pai.

No seu caso, sua divindade não diminuirá se você orar a Deus para que o torne tão sincero, ambicioso ou altruísta quanto outra pessoa. Ela apenas aumentará. Você já possui algumas boas qualidades, mas ao apreciar, admirar, adorar e amar o desenvolvimento da alma em outra pessoa, você pode aumentar suas próprias boas qualidades. Aqui não há inveja, não há competição, apenas a apreciação vem à tona. Você tem tanta gratidão que deseja estabelecer a unidade.

Sri Chinmoy, Respostas de Sri Chinmoy, parte 24, Agni Press, 2000

Pergunta: Como podemos sempre enxergar as qualidades divinas nos outros?

Sri Chinmoy: Se você não enxerga as qualidades divinas em outra pessoa, você sentirá que está vendo um tigre, uma cobra, uma pantera, um touro ou algum outro animal; você verá inveja, dúvida, medo ou outras qualidades negativas. Quando você vê qualidades não divinas nos outros, você sente que esses são animais ferozes. Então, o que acontecerá? Esses animais ferozes irão devorá-lo. Se você vir um tigre à sua frente, você acha que o tigre simplesmente irá embora? A própria natureza de um tigre é devorar você. Se você enxergar as qualidades não divinas nos outros, imediatamente esses animais ferozes virão e o devorarão.

Por outro lado, se você enxergar em cada pessoa uma criança divina, ou uma bela flor, ou uma vela acesa simbolizando a ascensão da chama da aspiração, você se encherá de alegria. Se você enxergar dentro deles alguém orando e meditando, ou uma criança divina e luminosa, você se encherá de alegria. Se você enxerga o divino em uma pessoa, sua força, inspiração e aspiração aumentarão. Todas as suas qualidades divinas se intensificarão. No momento em que você pensa que vê uma qualidade não divina em alguém, imagine sua mão cheia de tinta. Você está sujo. Pode lavá-la com um bom pensamento. Mas se tocar a tinta novamente, mesmo depois de lavar a mão uma vez, ela voltará a ficar suja e preta.

Se você não busca as qualidades negativas, automaticamente as positivas se manifestam. É assim: ou você gosta de uma pessoa ou não gosta dela. Se você não sente desgosto por alguém, automaticamente gosta dessa pessoa. É uma coisa ou outra; não há meio-termo. Em um dado momento, ou você está pensando em Deus ou está pensando em Satanás. A cada instante, a mente está pensando em algo positivo e criativo ou em algo negativo e destrutivo.

Portanto, o melhor é enxergar as qualidades positivas nos outros. Se você conscientemente enxerga as qualidades positivas, as negativas não podem se manifestar.

Sri Chinmoy, Brilho da Aspiração e Fluxo da Dedicação, parte 2, Agni Press, 1977

 

Artigo feito com tradução automática – pode conter erros.

Como ler todos os dias: um guia

como ler todos os dias dicas

Um guia com dicas para ler todos os dias

por Patanga Cordeiro

Para criar o hábito de ler todos os dias, separei algumas dicas que uso pessoalmente e que diversas pessoas e estudos também utilizam para se acostumar a ler todos os dias.

 

“O corpo é um templo. O templo precisa de janelas. Suas janelas são os livros, livros ricos em alma e sublimes.
Mas a porta, o portão principal do templo, é a aspiração.”

-Sri Chinmoy

 

Primeiro de tudo: motivação para a leitura

 

Por que você quer ler ou acha que deve começar a ler todos os dias? Há várias respostas, como os benefícios da leitura são tantos e tocam em tantas esferas da vida, possivelmente todas são válidas. Ou seja, você nem consegue imaginar agora de quantas formas a leitura lhe fará bem. Praticando a leitura diariamente, você verá na sua benefícios que nem imaginava.

Para mim são três motivações principais: 1) inspiração – eu gosto de ler conteúdo que me instiga ser uma pessoa melhor. 2) tranquilidade – percebo que a minha mente fica satisfeita, centrada e disciplinada, então meu dia fica assim também. 3) Ficar longe das telas – eu trabalho e faço muitas outras coisas pessoais no computador. Na verdade, quando menos você usar o celular e as telas durante o dia, mais vontade terá de ler. Quanto mais ler, menos vontade terá de usar o celular. Quanto mais ficar no celular, menos vontade terá de ler. Ou seja, basta começar, e o resto vai se ajeitando. No celular, o seu cérebro desaprende coisas importantes que a leitura lhe ensina, como focar numa coisa por vez e aproveitá-la.

 

 

O que começar a ler?

 

É importante ler algo que você queira sinceramente ler. Ler um livro porque o título é famoso talvez lhe seja uma leitura imposta por si mesmo. Pode dar certo, mas talvez não dê. Na sua vida, você gosta do quê? Esportes? Leia sobre esportes. Jogos de RPG? Leia sobre RPG. Meditação? Leia sobre meditação.

Lembre-se que a vida é curta – então não perca tempo lendo coisas que não acha excelentes! Mude de livro para encontrar algo que sinta que lhe atraia!

 

 

Quanto tempo ler? Metas pequenas ou grandes?

 

Vai da dinâmica de cada um. Pra mim, é mais fácil me propor ler 30min de manhã cedo, e o resto que ler durante o dia será “lucro”. Para algumas pessoas, talvez fazer pequenas metas, como 5 minutos ou duas páginas algumas pode ser um bom começo. Pessoalmente, acho que uma sessão mais comprida, 15min ou mais, é mais transformadora. Mas veja como funciona melhor para você. Você pode ver quantas páginas em média tem os capítulos do seu livro, e quem sabe ler um capítulo ao dia, dividindo em dois dias se um capítulo for muito maior que a média. Alguns livros (como as bíblias de estudo) são feitos já pensando em leituras diárias. A cada dia do ano você tem um tanto certo a ler. Se perder um dia, deixe-o para trás e continue em frente!

 

 

Dicas para cumprir a meta

 

Mantenha livros por perto e visíveis. Deixe um livro de poemas na gaveta do trabalho. Um livro de ficção na cabeceira. Outro de história na mesa. Um livro espiritual na mochila para ler durante a viagem de metrô ou ônibus.

 

 

Tenha uma hora marcada para leitura

 

Meu horário de leitura é durante os 30min seguintes à meditação matinal. Costumo ler por 5-10min durante o almoço. Costumo ler mais uns 5-10min antes de dormir. Cada horário desses é um livro diferente, um tema diferente. Veja como funciona melhor para você, mas é sempre bom deixar as coisas importantes pro começo do dia.

Quando termino a minha leitura matinal é quando tenho a sensação de “agora sim, estou pronto para começar o meu dia!”

 

 

Local confortável para ler

 

Nem sempre funciona, mas se organizar o seu local de forma que ele seja convidativo, isso ajudará a manter o hábito. Eu não gosto de ler sentado – acho cansativo. Eu gosto de ler deitado na cama, e tenho um peso de papel para manter o livro aberto se deito de lado. Se deixar de bruços, tenho um apoio para manter o livro equilibrado no meu peito e minhas mãos ficam relaxadas, sem precisar segurar o livro. No fim da tarde, às vezes leio deitado na rede. Mas cada um é diferente – talvez você fique sonolento e prefira ler sentado.

 

 

Aproveite horários alternativos

 

Ler durante a viagem de trem ou metrô ou ônibus é uma ótima forma de aproveitar o tempo para algo valioso e ao mesmo tempo não prestar atenção em coisas desnecessárias. O horário de almoço ou logo antes de dormir é uma boa forma de somar mais 5-10 minutos de leitura no seu dia. O tempo voa lendo algo que você gosta! Com a prática, será um prazer ir ao metrô sabendo que terá 20min para uma leitura!

 

 

 

Aparelhos eletrônicos

 

Não recomendo usar kindle, telefone celular, etc, pois a tendência é você acabar se distraindo (de diversas formas, incluive lembrar de carregar o aparelho na tomada) ao ter de lidar com equipamentos eletrônicos, principalmente o celular. Na verdade, quando menos você usar o celular durante o dia, mais vontade terá de ler. Quanto mais ler, menos vontade terá de usar o celular. E lembre-se: nem encoste no celular durante o horário de leitura. Tudo que aparecer lá de mensagens e etc você verá apenas depois de terminada a sua leitura.

 

 

O papel é superior

 

O papel é como se fosse uma autoestrada da leitura. Não há distrações, não há buracos, é só seguir em frente. Nos equipamentos eletrônicos de leitura, sempre aparece uma mensagem, um piscar da bateria, um lembrete, um alarme, uma propaganda no canto da tela, mil opções de interação com a página, trocar seu desenho de usuário, etc…

O papel tem mais um condão especial – ele é uma criação especial da humanidade, consegue guardar a consciência dos escritos – algo que se perde quando vemos o mesmo texto numa tela digital. Ou seja, para realmente ler, você precisa estar ali, na frente do papel, e não na tela do computador ou celular.

 

 

Clube de leitura e outros planos maiores de leitura

 

Participar de um clube de leitura pode ajudar você a ter recomendações de livros parecidos com os que gosta e às vezes uma meta a ser cumprida (por exemplo, “este é o livro do mês”).

Se você já está acostumado a ler diariamente, outros planos maiores também podem ser uma inspiração: Sri Chinmoy é o meu autor favorito, então tenho planos de ler todos os seus 1500 livros. Eu gosto de poesia em língua inglesa, então peguei os poetas que Sri Chinmoy elogia e li boa parte da obra completa de todos eles (uns 10, digamos). São referências, desafios e sugestões que têm a ver com você. História do Egito, Império Romano, Ficção Científica – vai de cada um.

 

 

 

O significado da devoção

Texto de Sri Chinmoy, traduzido e compilado por Patanga Cordeiro

 

significado devocao

No trecho abaixo, Sri Chinmoy explica para um de seus alunos o significado da devoção.

…No ocidente, deveriam cultivar um pouco mais a devoção. Primeiro de tudo, no ocidente não se conhece o significado da devoção. Eles pensam que mostrar-me devoção quer dizer que eu sou os Himalayas e vocês são uma pequena colina. Mas não, a devoção na verdade significa que você demostra carinho e serviço atenciosos ao seu próprio Altíssimo. Quando olha para mim, se demonstrar devoção, não é a mim que você demonstra esse carinho atencioso, mas sim ao Altíssimo em mim e que habita dentro de você também. Quando a devoção vem, você deve sentir que demonstra devoção ao seu próprio Altíssimo em que deseja conscientemente se tornar.

A seguir alguns trechos selecionados sobre o significado da devoção:

O que é devoção ativa?

Ela é a beleza do rio-inspiração.

O que é devoção ativa?

Ela é a pureza do lume-realização.

O que é devoção?

Uma doçura que se espalha.

Devoção:

O que ela é?

Devoção é a combinação

Da

Intensidade do amor

E da

Divindade da entrega.

Um homem de devoção

É o orgulho constante e consciente de Deus

Em Seu Céu-Realidade

E

Mar-Infinidade.

Falsa devoção no interior,

Verdadeira expectativa no exterior:

Ora, isso é o que a maior parte

Dos seres humanos são.

Apego: o que ele é?

Uma sede efêmera pelo conhecido.

Devoção: o que ela é?

Uma sede iluminadora pelo desconhecido.

Entrega: o que ela é?

Uma sede satisfatória pelo incognoscível.

Uma vida simples

uma vida simples

Inspiração para uma vida simples

A sinceridade simplifica
A complexidade.

-Sri Chinmoy

Recentemente estive motivado a simplificar minha vida em diversos âmbitos, e o texto abaixo me serviu como uma inspiração clara para continuar o processo e também evidenciar os objetivos dessa simplificação. O original é em inglês, e abaixo segue a minha tradução.

 

Pergunta: Você mencionou que devemos ter uma vida simples. Como você define uma vida simples, e como podemos reconhecê-la? Como podemos vivê-la?

Sri Chinmoy: Muitas coisas que fazemos na Terra são desnecessárias. Muitas coisas que possuímos que são supérfluas. Você vive numa casa e nela tem um quarto. No seu quarto, se quiser, poderá ter um rádio, um aparelho de som, uma televisão e muitas outras coisas das quais não precisa de fato. Estou falando do ponto de vista espiritual. Se você deseja viver uma vida espiritual, se quer viver a vida de aspiração, se deseja realizar Deus, então, para fazer o mais rápido progresso, seria melhor que pensasse mais em Deus do que em música ou televisão e todo tipo de coisas. É preciso saber o que você busca. Se você deseja ser uma pessoa espiritual, naturalmente deve passar a maior parte do tempo em atividades espirituais. Toda a parafernália do mundo apenas o distrairá e fará com que perca o seu tempo.

Se você busca Deus, precisa ter uma vida simples. Há apenas vinte e quatro horas no dia, e, quando se forem todas, elas não retornarão. Se desperdiçar uma hora, ela lhe será perdida para sempre. Você não será capaz de recuperá-la. É preciso decidir se usará cada momento fugaz para o prazer mundano ou para Deus. Caso sinta que a sua necessidade primeira e fundamental é Deus, e simplificar sua vida, não será distraído ou tentado. Ao manter todos os objetos tentadores ao seu redor, você está consciente e deliberadamente atrasando o seu progresso espiritual.

Sri Chinmoy, Earth’s Cry Meets Heaven’s Smile, part 2, Aum Press, Puerto Rico, 1974

A simplicidade

É uma disciplina avançada.

-Sri Chinmoy

Nota: Sri Chinmoy não propunha afastar-se da sociedade ou manter-se completamente distante da tecnologia. Este é um texto onde ele exalta a importância da simplicidade. Sua filosofia, em geral, nos inspira a aceitar algo de forma mínima quando aquilo é necessário para sermos buscadores espirituais vivendo uma vida moderna, de trabalho, estudos e serviço dedicado ao próximo.

O que esperar da meditação e espiritualidade?

A meditação e a espiritualidade muitas vezes são associadas com curas de condições do psicológico, como ansiedade, depressão, ou mesmo problemas físicos como a pressão alta e etc. No entanto, seu escopo é muito maior que isso, e por isso fizemos esta compilação de textos de Sri Chinmoy sobre o tema do que esperar da meditação e espiritualidade. A tradução foi feita automaticamente a partir do inglês original nos links.

O verdadeiro propósito da espiritualidade e meditação

Pergunta: Tendo nascido e crescido na Índia, muitos de nós fomos cercados por grande parte da filosofia espiritual e do misticismo do país, não necessariamente por sermos grandes crentes, mas porque isso faz parte do ambiente. Aqui, meus amigos me perguntam constantemente o que é espiritualidade e o que estamos tentando fazer com ela em relação à fome e à pobreza na Índia. Eles me perguntam como é possível que nossa espiritualidade não cure tudo milagrosamente. Não consigo responder a essa pergunta. Você pode me ajudar? Pode me dizer o que a espiritualidade realmente tem a oferecer à humanidade?

Sri Chinmoy: Da verdadeira espiritualidade, precisamos saber o que podemos esperar e o que não podemos esperar. Infelizmente, o que não apenas o mundo ocidental, mas todo o mundo atual espera da espiritualidade são milagres. A todo momento, o mundo ocidental e o mundo oriental clamam por milagres. A espiritualidade, eles acreditam, precisa curar tudo e resolver todos os problemas de uma só vez. Por que as pessoas esperam isso da espiritualidade? O verdadeiro misticismo, a verdadeira espiritualidade, não é milagreiro. A mensagem da espiritualidade é viver uma vida mais elevada, uma vida transformada, uma vida divinizada. Um buscador sincero vê dentro de si muitos animais: medo, raiva, dúvida, ansiedade, tentação, ganância e inveja. Esses animais precisam ser dominados para que se alcance o Objetivo mais elevado da espiritualidade — a unidade consciente com o Supremo. Portanto, se o buscador tem dúvida, se tem medo, se tem inveja, ele precisa vencê-los. Ele precisa conquistar todos os animais dentro de si.

A mensagem da espiritualidade é a transcendência da nossa consciência presente, que é meio animal. Queremos ser divinizados, queremos ir mais alto, mais alto, mais alto, para que possamos nos tornar totalmente um com o resto do mundo. Isso podemos fazer por meio da verdadeira espiritualidade. Mas a maioria das pessoas espera algo bem diferente da espiritualidade. Elas querem ter suas doenças curadas ou sua sorte lida. Não. A espiritualidade dará o que a espiritualidade tem a oferecer. A espiritualidade dará paz interior, luz interior, alegria interior àqueles que a praticam. Uma vida divinizada é o que a espiritualidade quer oferecer, e é isso que podemos esperar da espiritualidade.

Sri Chinmoy, Earth’s Cry Meets Heaven’s Smile, part 2, Aum Press, Puerto Rico, 1974

Efeitos da meditação no corpo

Primeiro entrevistador: Lembro-me de ler no jornal um dia sobre certos estudos científicos sobre os efeitos físicos que a meditação tem no corpo. Quais são alguns deles?

Sri Chinmoy: Se meditarmos bem, sentiremos paz interior. Sentimos que o tempo todo há uma orientação iluminadora dentro de nós ou uma mão acenando que está o tempo todo nos guiando em direção ao nosso destino, que é a vida plena.

Primeiro entrevistador: Então a meditação também pode diminuir a pressão arterial e fazer outras coisas?

Sri Chinmoy: Essas coisas podem ser feitas pela Vontade de Deus. Quando meditamos, nos identificamos conscientemente com a Vontade adamantina de Deus. Portanto, se precisamos de algo, naturalmente nosso Deus, que é todo Amor e toda Compaixão, fará o que for necessário dentro de nós.

Sri Chinmoy, Aspiration and God’s Hour, Agni Press, 1977

Como a meditação afeta o nosso redor

Segundo entrevistador: Paz e amor são coisas maravilhosas de se ter e todos nós deveríamos tê-los. Mas o que você faz se estiver tentando expressar um sentimento de paz e amor, mas as pessoas ao seu redor estão correndo de um lado para o outro, apunhalando pelas costas e tudo mais no mundo dos negócios, por exemplo? Como isso pode realmente ajudar a situação?

Sri Chinmoy: Neste mundo, sentimos que tudo é contagioso. Se pudermos aumentar o número de pessoas que estão no mundo do amor e da paz, então, naturalmente, seremos capazes de inspirar e influenciar outras. Você é uma boa alma. Se você trabalha com um ser humano ruim, suas boas qualidades interiores tentarão inspirar essa pessoa. Quando vemos um santo, imediatamente sentimos as boas qualidades do santo surgindo em nós e nos inspirando. Então, se você tem paz e amor, então, hoje ou amanhã, sua paz e amor se espalharão, porque a própria natureza da paz é se espalhar e a própria natureza do amor é se espalhar.

Sri Chinmoy, Aspiration and God’s Hour, Agni Press, 1977

Meditação e os outros

Segundo entrevistador: Acho, porém, que muitas pessoas consideram alguém que está meditando e assim por diante como algo estranho, bizarro ou místico. Como você combate esse sentimento?

Sri Chinmoy: Agora, deixe-os alimentar essa falsa noção. Mas chegará o dia em que estaremos em posição de oferecer ou revelar nossas qualidades interiores e então eles serão capazes de reconhecer sua insensatez. Então, deixe-os nos avaliar à sua maneira. Vamos oferecer ao mundo em geral o que temos a oferecer. Chegará o dia em que eles serão capazes de reconhecer seu erro.

Primeiro entrevistador: Muito obrigado por vir hoje, Sri Chinmoy. Acho que as pessoas agora vão querer pelo menos tentar meditar e ver se funciona para si mesmas.

Sri Chinmoy, Aspiration and God’s Hour, Agni Press, 1977

Meditação e doenças físicas

Pergunta: A meditação pode ajudar a curar doenças físicas, como pressão alta?

Sri Chinmoy: Quando meditamos, tentamos conscientemente ir à Fonte, que é a perfeição total. Meditação significa consciência consciente da nossa Fonte. Nossa Fonte é Deus, nossa Fonte é a Verdade, nossa Fonte é a Luz, nossa Fonte é a Perfeição. A meditação nos leva à nossa Fonte, que é um lugar onde não há imperfeição, nem doença. E onde está a Fonte? A Fonte está dentro de nós.

Na vida exterior, quando meditamos, qual é o resultado? Acalmamos e aquietamos nossa mente. É quase impossível para a maioria dos seres humanos ter paz de espírito. E quem não tem paz de espírito é um verdadeiro mendigo; é como um macaco em um corpo humano. Não tem satisfação. Mas se obtivermos paz de espírito por um breve segundo, sentiremos que realizamos muito na vida. Quando temos paz de espírito, nossa vitalidade permanece em paz e nosso corpo permanece em paz; e onde há paz, não há deslocamento. Somente no mundo da ansiedade, preocupação, tensão e confusão existe alguma doença. Caso contrário, não pode haver doença.

Portanto, a meditação é a resposta. A meditação nos oferece paz de espírito, tranquilidade mental. Quando há paz de espírito, todos os sofrimentos da vida humana podem chegar ao fim. Quando a mente está tranquila, há um fluxo constante de harmonia. Essa harmonia entra no vital e, do vital, entra no físico. Quando há harmonia no sistema, não pode haver doença.

Pressão alta, insuficiência cardíaca e todas as doenças que observamos na criação de Deus são ataques de forças não divinas. Essas forças não divinas podem ser superadas, podem ser contra-atacadas somente quando nos rendemos à força positiva. Quando meditamos, tentamos nos tornar um canal perfeito para a força positiva. A força positiva é a luz e a força negativa é a escuridão-noite. A força positiva é o amor, não o ódio. A força positiva é a crença, não a descrença. A cada momento da nossa vida, a força positiva nos ajuda porque nos leva conscientemente à Fonte, ao nosso destino, que é a perfeição.

Se nossa mente estiver calma e tranquila, se nossa vitalidade for dinâmica, se nosso corpo estiver consciente do que está fazendo, então estaremos dentro do palácio da satisfação, onde não pode haver doença, sofrimento, imperfeição ou obstrução à nossa paz duradoura, luz duradoura e satisfação duradoura. A meditação é um meio; é um caminho; é uma senda. Se trilharmos esse caminho, alcançaremos nosso destino, que é a perfeição plena.

Sri Chinmoy, Flame-Waves, part 8, Agni Press, 1976

Pergunta: Mas se estivermos confusos e nervosos, como a meditação poderá nos ajudar?

Sri Chinmoy: No mundo físico, quando alguém tem dor de cabeça ou indisposição estomacal, ele vai ao médico e o médico o cura. Se alguém está doente, como podemos dizer que ele nunca mais ficará bem? Se ele toma remédio, há todas as possibilidades de que seja curado. Para uma pessoa doente, o remédio é a resposta. Se alguém é assaltado por ansiedade, preocupação e confusão, a meditação é o remédio. Só porque ele é uma vítima, não podemos dizer que não haverá salvador. O salvador está lá, desde que o indivíduo queira ser curado.

Suponha que alguém seja assaltado por confusão e forças hostis que esgotam toda a sua energia e tiram toda a alegria de sua vida. Ele está deprimido e se rendeu à frustração devido a inúmeros problemas em sua vida. Vamos considerá-lo como um paciente: ele precisa de um médico, ele precisa de tratamento. Quando um indivíduo sofre de algumas doenças no mundo mental, ele precisa ir a alguém que lhe dê alguma paz de espírito, alguma luz, alguma segurança interior. Este é um mestre espiritual. O mestre espiritual é como um médico que aconselhará a pessoa e lançará luz sobre ela para que ela possa se libertar do medo, da dúvida, da confusão, da tensão e de todas as forças negativas que a torturam. Portanto, se alguém está em turbulência mental e sofrendo tremendamente no mundo mental, ele recorre a alguém que possa ajudá-lo imediatamente; e essa pessoa o cura.

Sri Chinmoy, Flame-Waves, part 8, Agni Press, 1976