Como começar a meditar no coração – técnicas para iniciantes

Por Patanga Cordeiro

 

Hoje estava no meu trabalho e tive uma sensação – uma sensação muito especial. É algo que se tornou cada vez mais comum desde que comecei a meditar.

Foi um misto de alegria e satisfação. Nada eufórico, nem elaborado, mas uma sensação de que tudo está (muito) bem, muito centrado, muito sublime. Arrisco dizer que essa é a sensação do nosso coração verdadeiro. Arrisco ainda mais, dizendo que essa sensação de felicidade e plenitude que senti hoje é resultado de meditar no coração diariamente.

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Como começar a meditar no seu coração

Reserve um tempo só para você. Reserve um espaço só para você. Sinta que tem um compromisso com o seu Eu verdadeiro, que é a Pessoa mais importante na sua vida.

Sentado, em silêncio, use uma das técnicas de meditação e concentração (veja abaixo). Não posso dizer que existem técnicas melhores ou piores. Aquela que você se esforçar para fazer por 10 minutos será a ideal. Comece a meditar por 5 a 10 minutos, e depois você não precisará mais contar o tempo – o seu coração lhe dirá o quanto é suficiente.

Quando chegar ao ponto em que só tem um pensamento ou ação, deixe isso ir embora também. Ajuda bastante se já começar o exercício sentindo que você está no seu coração espiritual (pode imaginar que está dentro do coração físico, isso também ajuda). Imagine que respira pelo coração, ou que mora no coração, ou que olha para o seu objeto de concentração a partir do coração.

 

Técnicas recomendadas para iniciantes na meditação

 

Pergunta sobre a meditação no coração e na mente

Resposta de Sri Chinmoy, do livro Meditação

 

Como começar a meditar?

Há duas maneiras de meditar. Uma é silenciando a mente. Um homem comum sente que, se deixar a mente em silêncio, se tornará um tolo. Ele sente que, se a mente não pensar, ela perderá tudo. Mas isso não é verdade na vida espiritual. Na vida espiritual, quando silenciamos a mente, vemos que surge uma nova criação, uma nova promessa para Deus. Ainda não cumprimos a promessa que fizemos a Ele; não dedicamos a Ele toda a nossa existência. Quando conseguimos deixar a mente em silêncio, estamos em condição de agradar a Deus e satisfazê-Lo.

Outro modo de meditar é esvaziando o coração. O coração está cheio de complicações emocionais e problemas causados pelo vital impuro, que o envolveu. O coração é um receptáculo. Ele está repleto de coisas que não são divinas, coisas que nos limitam e nos amarram. Se pudermos esvaziar o receptáculo-coração, há alguém que irá preenchê-lo com paz, luz e bem-aventurança divinas, qualidades que nos libertarão. Ao esvaziarmos a ignorância do nosso coração, a Luz-Sabedoria de Deus o preencherá.

 

Como saber se está meditando bem, ou meditando no coração

Há diversas formas, que podem envolver sentimentos durante a sua meditação, etc, mas sinto que a forma mais eficaz é observar você mesmo no seu dia a dia. O quanto a sua meditação mudou em você, em quanto tempo? Pela experiência, uma semana de meditação pode trazer intensas mudanças, e mesmo uma única meditação pode mudar a sua vida completamente

 

Começando a meditar: o jardim-coração de uma criança

por Sri Chinmoy, do livro Meditação

Ao começar a meditar tente sempre sentir que é uma criança. Uma criança não tem uma mente muito desenvolvida. Aos 12 ou 13 anos, a mente começa a operar num nível intelectual. Mas, antes disso, a criança é toda coração. Ela não tem nenhuma ideia preconcebida sobre meditação e vida espiritual. Ela quer apenas aprender tudo aquilo que seja novo.

Sinta primeiro que você é uma criança e, então, tente sentir que está num jardim florido. Esse jardim é o seu coração. Uma criança pode brincar num jardim por horas e horas. Ela vai de uma flor até outra, mas não sai do jardim, porque fica feliz com a beleza e a fragrância de cada uma. Sinta que dentro de você existe um jardim, e que você pode ficar nele o tempo que quiser. Assim você pode aprender a meditar no coração.

Se puder permanecer no coração, começará a sentir um clamor interior. Essa súplica interior – que é a aspiração – é o segredo da meditação. …

 

Três exercícios práticos para começar a meditar no coração

por Sri Chinmoy, do livro Meditação

São três exercícios que podem ajudar você a desenvolver a sua capacidade de começar a meditar no coração.

 

1) Simplicidade, sinceridade, pureza. Aqui vão alguns exercícios de meditação que qualquer principiante pode tentar. Para o buscador que está começando a sua vida espiritual, a simplicidade, a sinceridade, a pureza e a certeza são primordiais. É a simplicidade que concede paz de espírito. É a sinceridade que o faz sentir que você é de Deus e que Ele é constantemente por você. É o seu coração puro que o faz sentir que Deus está crescendo, brilhando e satisfazendo a Si mesmo e a toda hora dentro de você. É a certeza que faz você sentir que a meditação é a coisa certa a ser feita.

Em silêncio, repita delicadamente a palavra “simplicidade” dentro da sua mente por sete vezes e se concentre no topo de sua cabeça. Então, repita a palavra “sinceridade” por sete vezes, silenciosamente e com toda a alma, dentro do seu coração, e concentre-se nele. Depois, repita suavemente a palavra “pureza” dentro ou ao redor da região do umbigo, e concentre-se nessa parte do seu corpo. Faça tudo isso em silêncio e com toda a alma. Então, concentre a sua atenção no terceiro olho, que está no meio e um pouquinho acima das sobrancelhas, e repita silenciosamente “certeza” por sete vezes. A seguir, coloque suas mãos no topo da cabeça e diga três vezes: “Eu sou simples, eu sou simples, eu sou simples”. Depois, coloque suas mãos no coração e diga três vezes: “Eu sou sincero, eu sou sincero, eu sou sincero”. Coloque suas mãos na região do umbigo, repetindo “Eu sou puro”, e sobre o terceiro olho, repetindo “Eu tenho certeza”.

 

2) Uma qualidade favorita. Se você gosta de um aspecto particular de Deus – o amor, por exemplo – repita interiormente a palavra “amor” com toda a alma, várias vezes. Enquanto proferir a palavra “amor” com toda a alma, tente senti-la reverberando nos recônditos mais profundos do seu coração: “amor, amor, amor”. Se você der mais importância para a paz divina, então entoe ou repita em seu próprio interior a palavra “paz”. Enquanto fizer isso, tente ouvir o som cósmico, incorporado pelo mundo, reverberando nas profundezas do seu coração. Se você quiser luz, repita “luz, luz, luz” com toda a alma e sinta que, de fato, você mesmo se transformou em luz. Da sola dos pés até o topo da cabeça, tente sentir que você se tornou a palavra que está repetindo. Sinta que o seu corpo físico, o seu corpo sutil, todos os seus nervos e todo o seu ser estão inundados de amor, paz ou luz.

 

3) Convide seus amigos. Sinta que você está diante da porta do seu coração e que convidou o amor, a paz, a luz, o deleite e todos os seus amigos divinos para visitá-lo. No entanto, se a complexidade, a insinceridade, a impureza, a insegurança, a dúvida e outras forças negativas aparecerem, por favor, não deixe que elas entrem. Tente sentir que tanto as qualidades divinas quanto as não-divinas assumiram uma forma humana, e que você pode vê-las com seus próprios olhos.

Tente convidar, todos os dias, um amigo para entrar no seu coração. Esse será o início de uma amizade divina. Num dia, você vai permitir que só o seu amigo amor venha. Da próxima vez, deixará que a sua amiga alegria venha. Depois de algum tempo, você vai poder convidar mais do que um amigo de cada vez. No começo, talvez não seja capaz de dar atenção para mais de um amigo simultaneamente. No final, entretanto, será capaz de convidar todos os seus amigos divinos ao mesmo tempo.

 

 

Desafios comuns para quem começa a meditar

O desafio mais comum é a vontade de desistir. Quando começa a trabalhar, você precisa esperar um mês se passar para receber o salário. Igualmente, invista algumas semanas na sua meditação, para que possa dar chance dela frutificar em paz e satisfação. Pense bem – na nossa vida inteira de 40, 60, 80 anos, o que são 10 minutos por dia durante algumas semanas?

Outro desafio é silenciar a mente. Esforce-se para silenciá-la, mas, não se preocupe com o resultado. Se hoje você tiver um pensamento a menos do que ontem, isso já é um ótimo progresso. Se hoje teve mais pensamentos, mas ontem teve menos, talvez amanhã você terá menos ainda – persevere.

 

 

Como meditar bem? Respiração, posição, em casa, técnicas, horário, porquê

-Palestra de Sri Chinmoy em 24/07/1968, no centro de Porto Rico

 

Eu realmente espero nessas alturas, que a maioria de vocês saiba como meditar bem. No entanto, eu quero falar algumas coisas hoje, sobre meditação, e eu estou certo que essa palestra será de alguma ajuda para a sua própria meditação, tanto individual como coletiva.

Por que meditar?

Em primeiro lugar, por que nós meditamos? Meditamos precisamente porque precisamos de alguma coisa. E  o que é essa coisa? É o sentimento consciente da nossa unicidade com o Supremo. Esse sentimento deve ser espontâneo e ao mesmo tempo profundo.

Posição para meditar

Vamos começar com o ABC da meditação. A melhor forma de meditar é sentar com as pernas cruzadas. A coluna e o pescoço devem estar eretos. Se para alguns não for possível sentar dessa maneira, por favor, tentem se estiverem numa cadeira, sentar com as costas retas. Se você quiser meditar em casa, tente manter um lugar sagrado, um canto do seu quarto, absolutamente puro e santificado e sente-se numa pequena almofada ou num tapete. E, por favor, vista roupas limpas e claras. Se possível, acenda um incenso na hora da sua meditação e coloque uma flor, qualquer uma, na sua frente. Os outros podem também ter uma foto das pessoas espirituais que amem. Cristo ou outra figura espiritual. A foto da pessoa que eles adorem ou considerem seu mestre, deve estar bem na frente deles. Eu estou lhes falando no geral, mas virá um dia quando vocês próprios descobrirão alguns segredos interiores. Talvez vocês já tenham descoberto algum. Meus discípulos sabem que eles podem repetir o nome do Supremo e o meu próprio.

Há pessoas que querem meditar deitadas. Quero lhes dizer que esse tipo de meditação não é de forma alguma, aconselhável para o iniciante, nem para aqueles que estão meditando por alguns anos. E sim, apenas, para aqueles discípulos mais avançados e para as almas realizadas. Não sendo esse o caso, você irá deitar e imediatamente entrar no mundo do sono ou num tipo de devaneio ou cochilo, e mais, enquanto está deitado, a sua respiração não é tão perfeita quanto ao meditar na posição sentada.

 

Inspiração e expiração na meditação

Quando você começar a inspirar e expirar, seja muito cuidadoso. Quando inspirar, tente fazê-lo tão devagar e silenciosamente quanto possível, e quando expirar, tente fazê-lo mais devagar ainda. Por favor, tente se lembrar disso. E, se possível, deixe um pequeno espaço entre a sua segunda inspiração e o final da primeira expiração. Mas se não for possível, nunca faça nada que vá contra os seus órgãos e o seu sistema respiratório.

Então começamos a inspirar. A cada vez que você inspira, tente sentir que está trazendo Paz, Paz Infinita para o seu corpo. Qual é o oposto da Paz? Todos vocês sabem: agitação. Quando você expira, tente sentir que está botando para fora nada além da agitação do seu corpo interior e a que você vê ao seu redor. Quando respira dessa forma, a agitação se vai. Após fazer essa prática algumas vezes, tente sentir que está inspirando força, poder, vindos do universo, do cosmos. E o que você bota para fora? Tente expirar o medo. Quando expirar, todo o seu medo sairá do seu corpo. Faça isso algumas vezes e então tente sentir que está inspirando Alegria, Alegria Infinita e expirando tristeza, sofrimento e melancolia.

Então começa a respiração espiritual. Se você quiser saber do verdadeiro começa da respiração secreta, em sânscrito, é chamada de pranayama. Prana é a energia vital; o Sopro-Vida; Yama significa controle, controle do Sopro-Vida. O primeiro exercício que pode praticar é repetir uma vez, enquanto inspira, o nome de Deus, ou do Supremo, ou de Cristo, ou quem quer que você adore. Então segure a sua respiração e conte até quatro, enquanto chama pelo Supremo, ou Cristo, ou outro qualquer. Quando expirar, fale duas vezes Supremo. Um, quatro, dois. Aos poucos, o aspirante pode desenvolver para quatro, dezesseis e, oito; mas eu quero que você faça apenas um, quatro, dois nesse momento. Quando inspirar, um batimento; quando segurar a respiração quatro batimentos; quando expirar, dois batimentos.

 

Purificando a mente

Isso você pode fazer para purificar a sua mente. Mas se quiser ter mais pureza, pode fazer mais um exercício espiritual, que é até mais efetivo. Todos vocês sabem o significado de AUM, o nome de Deus. Para começar a fazer, no domingo você vai repetir o sagrado nome de Deus, o Supremo, cem vezes; segunda-feira, 200 vezes; terça, 300; quarta, 400; quinta, 500; sexta, 600; sábado, 700. Então, no domingo seguinte, você diminui para 600; segunda, 500 e assim por diante, para 400, 300, 200 e cem vezes. Se quiser estabelecer Pureza ao seu redor, dentro e fora de você, esse é o exercício mais eficaz. Em Nova Yorque, alguns dos meus discípulos faziam e ainda fazem ele. Devo dizer que eles atingiram uma considerável purificação das suas naturezas e problemas emocionais. Sem a pureza, nada permanece na nossa natureza, no nosso corpo, no nosso organismo, na nossa vida. A pureza é necessária. Se a pessoa é carente de pureza, nenhuma Verdade divina pode ficar permanentemente com ela. Mas aonde houver pureza, a paz, luz, bem-aventurança e poder serão capazes de existir com mais sucesso e verdade. Isso não quer dizer que eu estou dizendo que vocês são todos impuros – longe disso; mas a natureza mais pura, a vida mais pura sempre terão as bênçãos mais profundas do Supremo. Quanto mais puros formos, mais próximos estaremos do Supremo.

 

Silenciando a mente

Agora vamos ao problema do pensamento. Muitos de você se tornam vítimas dos pensamentos – pensamentos feios, incomuns, tolos, medrosos – no momento em que entram em meditação. Como podemos nos livrar desse ataque? A primeira coisa que você tem que saber é se os seus pensamentos que estão lhe atacando estão vindo do mundo exterior ou de dentro de você. No início é difícil reconhecer os pensamentos que estão vindo de fora e aqueles que estão surgindo de dentro de você. Mas aos poucos, será capaz de saber que alguns pensamentos estão vindo de fora e que eles podem ser devolvidos mais rápido do que os que vêm de dentro.

Você começou a sua meditação e todos os pensamentos e ideias impuras entram em você. Bem, quando vê que um pensamento está para entrar, por favor, tente trazer a vontade da sua alma lá do seu coração, e colocá-la em frente da sua testa. No momento em que a vontade da sua alma é vista pelo pensamento este está apto a desaparecer. Mas temos que saber se é um bom ou mau pensamento, divino ou não divino. Se for um pensamento divino, por favor, receba-o bem. Se estiver pensando em Deus ou em Alegria e Amor divinos, em expandir a Beleza, a Pureza, permita que esse pensamento venha lá de dentro e deixe ele brincar e se expandir. Ou tente segui-lo. Se tiver a ver com Graça, sobre Divindade, Infinitude, Eternidade, Imortalidade, por favor, veja aonde esse pensamento vai, siga-o como um cachorrinho. Mas se for um pensamento ruim, contra-ataque imediatamente com a vontade da sua alma. Esses são aqueles que eu falei que vêm de fora.

Agora, eu quero pegar os pensamentos que já temos acumulados dentro de nós. Quando vemos um pensamento surgindo de dentro de nós e ele não for divino, e sim totalmente impuro e obscuro, imediatamente devemos tentar fazer uma ou duas coisas. Uma é sentir que há um buraco bem no topo da nossa cabeça e que esse pensamento é como um canal, ou um rio, que corre para fora e não vota mais. Ele se foi e nós o perdemos. O outro método é ver que nós somos um oceano ilimitado e que esses pensamentos são como peixes. Representamos as profundezas do oceano com seu sentimento de calma e tranquilidade. Na superfície está a brincadeira do peixe.

Mas eu quero dizer que seria aconselhável a cada um de vocês desde já, lutar com os pensamentos exteriores e lidar depois, com os pensamentos interiores. Se houver pensamentos interiores, tente crescer com eles e sinta que eles são como os pés da Infinitude, da luz e da Felicidade Infinitas. E tente fazer crescer o seu corpo, mente, coração e alma com esses pés.

 

Meditar no coração é mais seguro

Agora sobre a meditação mais profunda. Aqueles que estão meditando no ajna chakra devem também praticar a concentração no coração. Se o coração permanecer estéril – quer dizer, se esse centro (apontando para o coração) não estiver aberto e o terceiro olho sim, haverá uma grande quantidade de confusão na natureza humana. Se esse centro do coração não abrir e se a Pureza não estiver a todo tempo aplicada a ele, você terá visões e será vítima da impiedosa tentação. Tentará ver algo e dizer imediatamente às pessoas ou tentará entrar em alguém para ver o que está acontecendo na sua natureza. Há 1001 coisas que levará você para longe, muito longe do caminho da espiritualidade. Ao menos e até que a parte emocional da nossa natureza humana seja totalmente purificada, um dos grandes perigos é abrir esse centro (o terceiro olho).

Então digo para, por favor, se concentrarem primeiro no centro do coração. Esse centro é chamado de anahata. Você terá toda a Alegria e Amor nele. Nesse mundo, do que nós precisamos? De amor. Quando tivermos conseguido Alegria e Amor, aí vamos querer ter a Visão ou Sabedoria daqui (o terceiro olho). Esse centro de Visão deve ser aberto após o centro do coração, ou haverá o risco do fracasso. Mas há pessoas que abriram esse centro (o terceiro olho) sem terem aberto o centro do coração e pela Graça do Supremo não cometeram os assim chamados erros.

 

Meditação para mulheres

As mulheres, sem exceção, devem tentar meditar no centro do coração. É mais fácil para elas do que para os homens abrir o centro do coração. Para os homens é mais fácil abrir o terceiro olho. Mas ambos, homens e mulheres, devem abrir ambos os centros. Há outros centros também, mas vamos pensar no ajna, na testa e no centro do coração o anahata.

 

Meditando no coração

Enquanto meditar vamos nos concentrar primeiro, no centro do coração e depois no ajna, o centro do terceiro olho. Enquanto medita, por favor, tente obter a localização exata do ajna. Não é entre os olhos, nem entre as sobrancelhas, mas um pouco acima – não no centro da testa, mas num ponto um pouco acima do ponto entre as sobrancelhas. Ali você tem que meditar. No início, se achar difícil olhe para um espelho e coloque um ponto acima do ponto entre as suas sobrancelhas e tente fixar o lugar.

 

Meditar em casa

Quando estiver meditando em casa, se possível, medite sozinho. Essa regra não se aplica a um casal, se tiverem o mesmo mestre espiritual, pois nesse caso, eles podem meditar juntos. E amigos espirituais muito próximos que entendam um ao outro em suas vidas interiores, podem meditar juntos. Em outra circunstância, não é aconselhável meditar junto numa sala privativa. No centro não é assim; os discípulos devem meditar coletivamente lá. Mas para a meditação diária individual, eu sinto que é melhor se a pessoa meditar em seu próprio espaço, secretamente.

 

Horário para meditar

Sobre a hora da meditação: a melhor hora, de acordo com os videntes indianos, sábios e mestres espirituais é às 4h da manhã. Ela é chamada de Brahma Muhurta, o momento ou a hora de Brahma, a melhor hora. Mas no ocidente, se você vai para a cama muito tarde, a melhor hora é cinco e meia ou seis horas da manhã. Mas se a pessoa for para a cama meia noite e meia ou 1h da manhã, e levanta às 9h, para ele, 9h é o melhor horário. Logo, isso tem que ser estabelecido de acordo com cada caso e a capacidade individual.

Essa é a primeira meditação do dia. Se puder meditar entre meio-dia e meio-dia e meia, por 10 ou 15 minutos, maravilha. Essa meditação também tem que fazer em alguma sala, não na rua. Virá um dia, quando será capaz de meditar em qualquer lugar, dirigindo ou fazendo qualquer coisa.

Quando o sol estiver para se por, você pode olhar para o sol e meditar. Tente meditar por 10 minutos. Nesse momento, tente sentir que se tornou um com o sol, com a natureza cósmica. Você fez a sua parte muito bem durante o dia e agora vai descansar – esse é o sentimento.

Medite então na hora do descanso – 9 ou 10 horas da noite ou a qualquer hora que for para a cama. É sempre melhor ir para a cama às 11h da noite. Mas a necessidade não tem lei; se obrigatoriamente você tiver que trabalhar à noite, faça isso.

 

Qual é a melhor meditação?

Cada um deve meditar à sua própria maneira. Algumas vezes me perguntaram o que fazer se não houver uma boa meditação – por estarem agitados. Se qualquer um de vocês estiver com dificuldade de meditar num dia em particular, não tente se forçar. Se você for meu discípulo, apenas olhe para a minha foto. Não tente meditar, nem se concentrar. Apenas olhe para a minha foto, para os meus olhos, minha testa ou nariz – simplesmente olhe. Se você for discípulo de algum outro mestre, ou se não tiver um guru, mas tiver uma foto de alguma coisa para se concentrar, concentre-se nisso e não tente se forçar a meditar. Quando se levantar para o trabalho, não se sinta infeliz nem uma vez porque não conseguiu meditar. Se sentir que não conseguiu meditar e por isso o seu Ser Interior está insatisfeito com você, ou você próprio está triste consigo mesmo, estará cometendo um grande erro. Se não puder meditar num dia, tente deixar a responsabilidade comigo ou na pessoa de sua adoração, o Supremo ou Deus. Nunca se puna. Se se punir, o progresso que fez ontem ou anteontem, será perdido.

 

Comendo antes e depois da meditação

Sobre comida: por favor, não coma uma refeição pesada antes da sua meditação. Deve haver um mínimo de duas horas entre a refeição e a meditação. Pessoas dizem que deve-se esperar duas horas e meia, mas eu digo, um mínimo de duas horas. Se quiser comer após a meditação, por favor, espere meia hora. Nessa meia hora, pode circular ou ler, se gostar.

Mas não coma imediatamente após ter meditado. Após ter tido uma meditação apropriada pode beber uma pequena quantidade de leite, água ou suco, mas não uma refeição completa. Outra coisa: suponha que você está morrendo de fome e sabe que, se comer, terá que esperar duas horas para meditar. Nessa hora, beba um pouco de água ou suco. Você tem que saber que quando está extremamente faminto, não vai meditar, porque essa fome o macaco, estará lhe beliscando constantemente. Você tem que alimentar o macaco e fazê-lo ficar quieto por alguns minutos. Se quiser meditar por meia hora, coma ou beba algo primeiro, pois isso só tomará alguns segundos – não é uma refeição completa, apenas uma pequena quantidade. Na Índia, muitas pessoas cometem o mesmo erro. Estão com fome, mas não comem, porque sabem que, se comerem, irão ter que esperar ao menos por duas horas. Então, não fazem uma meditação apropriada. Por favor, não medite com fome.

(Palestra de Sri Chinmoy em 24/07/1968, no centro de Porto Rico)


Introdução à meditação 7 – sabedoria ou conhecimento interior?

Introdução à meditação 7 – sabedoria ou conhecimento interior?

Negligenciamos a palavra ‘sabedoria’, mas isso é infelizmente um erro. Conhecimento e sabedoria são coisas diferentes. Conhecimento é como um livro da biblioteca. Conhecimento lida com fatos. Sabedoria lida com realidades interiores e coisas divinas interiores. Quando falamos sobre amor, devoção e entrega, sabemos que o amor, devoção e entrega são fundamentados na sabedoria. Deixamos a vida comum, mundana, humana – por quê? Porque a sabedoria despertou em nós. Não é que imediatamente o amor por Deus surge, a devoção surge, não. A sabedoria nos compele ou nos inspira a deixar a vida comum mundana, a vida familiar, a vida-desejo. A sabedoria nos mostra que a vida desejo é como mastigar espinhos.

-Sri Chinmoy, do livro Light Language, Vidagdha Bennett.

Muitas pessoas nos ligam ou comparecem aos nossos cursos buscando ‘auto-conhecimento’ ou ‘conhecimento interior’. O que gostaríamos de compartilhar aqui é que o uso dessa palavra conhecimento pode nos dar a impressão de que é algo que você pode obter vindo no curso ou que alguém pode passar a você.

Na verdade, não pode. A sua alma ou o seu Mestre espiritual podem infundí-lo de sabedoria, e você pode nunca ter lido um livro. Sri Ramakrishna, por exemplo, era praticamente analfabeto.

No entanto, para não cerrar as portas da nossa alma e para iluminar nossa mente na busca por um Caminho ou Mestre espiritual que abrirá as portas da nossa consciência para a sabedoria divina que é nosso direito de nascimento, é de utilidade você ter contato com escritos de um Mestre diariamente, lendo seus livros e tentando, ao invés de aprender o conhecimento ali apenas, absorver a luminosidade da consciência do Mestre que ali permeiam. Quando você fala sobre um Mestre espiritual ou lê ou comenta seus ensinamentos, isso não lhe traz uma abertura, um certo deleite? Pois é, quer dizer que sua consciência está se elevando, ficando mais próxima da sabedoria. Não é a discussão em si do tema, mas sim a luz que permeia o nome do Mestre e seus atos o que importa principalmente.

Introdução à meditação, parte 6 – como escolher um caminho ou Mestre

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“Uma palavra pode mudar a vida inteira de uma pessoa.”

– Sri Chinmoy

 

No curso de conversas informais com seus discípulos, Sri Chinmoy mencionou a visita que fez ao lugar onde viveram os Mestres espirituais Ramana Maharshi e Sri Ramakrishna. Aqui traduzo um trecho onde Sri Chinmoy menciona a sensação que pode ter ao ouvir o nome de um lugar sagrado ou do seu próprio Mestre ou caminho:

 

“Muito, muito antes de Ramana Maharshi ir para lá, Arunachala [N.d.T.: a montanha onde o Maharshi viveu e alcançou a iluminação] já era sagrada. Muitos sábios viveram lá por séculos e séculos antes da chegada de Ramana Maharshi. É por isso que esse nome o encantou. Tão logo ouviu o nome, ele sentiu algo em seu coração. Ele sentiu uma alegria indescritível, tal êxtase.

“… De forma parecida, quando alguém diz Dakshineshwar [N.d.T.: onde morou Sri Ramakrishna], sinto algo verdadeiro imediatamente. Não sinto a mesma coisa quando ouço outros nomes. Os outros lugares são todos grandiosos, importantes lugares, mas infelizmente eu não sinto a mesma coisa.

“Eu fui para o Ashram Sri Aurobindo quando tinha um ano e alguns meses de idade. A partir dos quatro anos de idade, se qualquer pessoa dissesse o nome “Sri Aurobindo”, pronto! Eu sentia tanta alegria, algo tão sagrado. Algo dentro de mim nadava no mar de deleite.

“Aconteceu quando vocês ouviram “Sri Chinmoy”? Quantos podem dizer algo assim? A minha filosofia é que deve-se pegar as fotos dos Mestres espirituais e olhar para este, para aquele. Sinta qual mais o atrai, qual deles possui uma atração magnética. E então vá.

“Uma palavra pode mudar a vida inteira de uma pessoa.”

-do livro Light Language, Vidagdha Bennett

Introdução à meditação, parte 5 – o despertar interior

Introdução à meditação, parte 5 – o despertar interior

-Sri Chinmoy, do livro Aspiration-Flames

 

Na vida espiritual, utiliza-se o termpo “despertar interior”. Se alguém está desperto, é natural que essa pessoa corra em direção à sua Meta. Quando você está pronto, quando chega a sua hora, você se levanta e corre em direção à Meta. Depois de um certo tempo, outra pessoa estará pronta e correrá em direção à Meta dela. A vida espiritual não é como a vida do militar, onde todos são forçados a seguir na mesma ordem de marcha. Não há compulsoriedade; não há forçar. A vida espiritual é voluntária, algo de nossa escolha pessoal. Podemos aceitar ou rejeitar Deus a nosso bel-prazer. Se aceitarmos Deus, sentiremos que cedo ou tarde seremos verdadeiramente satisfeitos. Se não aceitarmos Deus hoje de forma consciente, chegará o dia em que Ele nos obrigará a aceitá-Lo, pois não permitirá que continuemos insatisfeitos e sem realização; isso é assim justamente porque o propósito da criação de Deus é a satisfação.

 

Tenho uma história para contar. Dois filhos estavam diante de um lago, e a mãe os observava. Um filho é muito bom e obediente e quer agradar a mãe. Ele sabe que, se entrar na água, todo o seu corpo será renovado; ele terá uma sensação de pureza. Portanto ele salta no lago e fica limpo e refrescado. Mas o outro filho é preguiçoso. A água ainda está muito fria, e ele tem medo. Fica esperando, esperando, esperando. A mãe aguarda um certo tempo, mas então fica irritada e empurra o filho na água.

 

O primeiro filho foi obediente e conhecia a necessidade de se banhar, e portanto o fez. Na vida espiritual, aqueles que estão despertos – os filhos obedientes, os filhos espirituais – naturalmente farão o que é necessário para agradar ao seu Piloto Interior, Deus. Eles sabem que, ao agradar seu Piloto Interior, estão adiantando sua marcha a Deus. Os que não sentem essa necessidade, que estão com medo ou relutantes, farão Deus esperar por algumas centenas ou milhares de anos. E então Deus os compelirá, porque Deus, como a mãe, sabe da necessidade da limpar, purificar e iluminar os indivíduos.

 

A vida espiritual não é como uma corrida, onde todos começam do mesmo ponto de partida na mesma hora. Quando estiver pronto, você terá o seu ponto de largada; quando eu estiver pronto, terei o meu próprio. Mas a Meta é sempre a mesma. Você pode começar a sua jornada poucas horas ou anos antes de mim, mas quando alcançarmos nosso destino, será o mesmo lugar.

 

Mas isso só é verdade no caso da meta derradeira, a Meta altíssima. Ao invés, seu objetivo pode ser apenas uma gota de Paz, Luz e Deleite. Quando chegar lá, ficará satisfeito e não desejará nada mais. No seu caminho até o destino derradeiro você encontrará um objetivo parcial e talvez acredite que seja a Meta final. Então ficará lá por um tempo, porque o seu ser interior ou exterior não quer ir mais longe, mais algo e mais fundo. Mas quando eu alcançar essa meta, que também deverei alcançar, talvez eu queira ir mais longe.

 

Enquanto caminha pela rua, você enxerga uma bela árvore com flores e frutos. Você para e aprecia os frutos e pensa que chegou na sua Meta. Mas no caminho para a minha Meta eu posso dizer: “Deve haver algo mais belo, mais poderoso, mas significativo do que isto.” É natural que eu queira ir mais longe e percorrer uma distância maior. Você também irá mais alto e mais longe depois de alcançar a sua meta, pois a Meta derradeira deve ser alcançada. Mas, quando eu chegar na minha Meta última, e você chegar na sua Meta última, serão iguais; a Meta derradeira é a mesma para todos.

 

-Sri Chinmoy, Aspiration-Flames

Introdução à meditação, parte 4 – largando para trás o bom por algo melhor ainda

The light in the heart of man

Can easily guide

The eyes of man.

 

A luz no coração do homem

Pode facilmente guiar

Os olhos do homem.

 

-Sri Chinmoy

 

 

Hoje estava meditando e tive diversos pensamentos bons e agradáveis no início da meditação. Por sorte ou Providência, imediatamente lembrei do que Sri Chinmoy fala sobre os pensamentos durante a meditação:

 

” A melhor coisa é procurar não permitir que nenhum pensamento entre na sua mente, seja ele bom ou ruim. Seria como se você estivesse no seu quarto e alguém batesse à sua porta. Você não sabe se se trata de um amigo ou de um inimigo. Os pensamentos divinos são os seus verdadeiros amigos, e os pensamentos não-divinos são os seus inimigos. Você gostaria de deixar seus amigos entrarem, mas não sabe quem eles são. E, mesmo que saiba, ao abrir a porta para eles, talvez veja seus inimigos ali também. ” (continua no fim do artigo)

 

Mesmo bons pensamentos o distraem da sua meditação. Tentei render, entregar esses bons pensamentos ao Supremo durante a meditação. Pensei algo como “Pode ficar com isto, e por favor me dê aquilo que Você queira me dar.” A meditação foi muito melhor!

 

Isso me fez lembrar também coisas “boas” que deixei para trás durante a vida, numa analogia à essa experiência. Estava fazendo faculdade, mas a abandonei para poder aproveitar oportunidades únicas na minha vida espiritual. Não me fez falta alguma. Tinha uma namorada, mas chegamos à conclusão que seria melhor nos separar para que cada um pudesse buscar as coisas da vida que considerasse mais importante. Foi um presente – eu nunca imaginaria o quão importante e de quanto auxílio essas decisões foram na minha vida espiritual. Na época eu não achava essas coisas ruins – elas eram boas -, mas tinha algo melhor ainda. Há uma outra parábola a se contar:

 

Um lenhador se embrenhou numa floresta, até que encontrou árvores de sândalo. A casca dessa árvore é muito valiosa. Ele pensou: “fiquei rico!”. Mas, em seguida, pensou: “Se aqui tem sândalo, será que não há algo mais valioso ainda mais adiante?”

Ele seguiu em frente, e encontrou prata. E seguiu mais em frente, e encontrou ouro. E seguiu mais em frente e encontrou diamantes.

Sândalo, ouro e almíscar – nossa busca espiritual

 

Sri Chinmoy sobre a importância de afastar os pensamentos durante a meditação

O ideal durante a meditação seria que rejeitássemos todos os pensamentos?

A melhor coisa é procurar não permitir que nenhum pensamento entre na sua mente, seja ele bom ou ruim. Seria como se você estivesse no seu quarto e alguém batesse à sua porta. Você não sabe se se trata de um amigo ou de um inimigo. Os pensamentos divinos são os seus verdadeiros amigos, e os pensamentos não-divinos são os seus inimigos. Você gostaria de deixar seus amigos entrarem, mas não sabe quem eles são. E, mesmo que saiba, ao abrir a porta para eles, talvez veja seus inimigos ali também.

Então, antes que seus amigos possam passar pela entrada, seus inimigos também entrarão. Pode ser até que você não perceba nenhum pensamento que não seja divino. No entanto, enquanto os pensamentos divinos estão entrando, os não-divinos, como ladrões, vão entrar em segredo e causar uma enorme confusão. Uma vez que tenham entrado, será muito difícil expulsá-los. Para tanto, você precisará da força de uma disciplina espiritual sólida. Por quinze minutos, você pode acalentar pensamentos espirituais e então, num mísero segundo, um pensamento não-divino pode aparecer. Portanto, a melhor coisa é não permitir nenhum pensamento durante a meditação. Apenas mantenha a porta trancada por dentro.

Seus verdadeiros amigos não irão embora. Eles vão pensar: “Ele não está bem. Geralmente ele é tão gentil conosco. Deve haver alguma razão especial para ele não abrir a porta”. Eles têm uma unicidade compreensiva, de modo que irão esperar indefinidamente. Entretanto, os seus inimigos vão aguardar só por alguns minutos. Então, perderão toda a paciência: “Está abaixo de nossa dignidade perder o nosso tempo aqui”. Esses inimigos são orgulhosos. Eles dirão: “E daí? Quem precisa dele? Vamos embora para atacar outra pessoa”. Se você não der atenção a um macaquinho, ele no fim das contas irá embora e morderá outra pessoa. Mas os seus amigos dirão: “Precisamos dele, e ele precisa de nós. Vamos esperar por ele indefinidamente”. Depois de alguns minutos, os seus inimigos irão embora. Você poderá abrir a porta e seus queridos amigos estarão ali, a sua espera.

Se você meditar com assiduidade e devoção, depois de algum tempo ficará forte interiormente. Então será capaz de acolher os pensamentos divinos e expulsar os não-divinos. Se estiver recebendo um pensamento de amor divino, paz divina ou poder divino, deixará que ele entre e você e se expanda. Você vai deixá-lo brincar e crescer no jardim da sua mente. Enquanto você e o pensamento estiverem brincando juntos, você perceberá que está se tornando esse pensamento. Cada pensamento divino que você deixa entrar cria um mundo novo e satisfatório, bem como preenche todo o seu ser com divindade.

Depois que tiver meditado durante alguns anos, você terá força interior suficiente para deixar que entrem até mesmo os pensamentos não-divinos. Quando um pensamento não-divino vier até a sua mente, você não vai rejeitá-lo, mas sim transformá-lo. Quando alguém que não é divino bate à sua porta, se você tiver força suficiente para exigir que ele se comporte bem ao entrar, então poderá abrir a porta. Finalmente, você terá de aceitar o desafio e vencer esses pensamentos inadequados. Caso contrário, eles voltarão a incomodá-lo repetidas vezes.

Você precisa ser um oleiro divino. Se o oleiro tiver medo de tocar na argila, então a argila nunca mudará, e ele não será capaz de oferecer nada para o mundo. Contudo, se não tiver medo, poderá transformá-la em algo belo e útil. É seu dever inevitável transformar pensamentos não-divinos, mas só quando puder fazer isso com segurança.

 

Sou um iniciante na meditação e acho que não consigo controlar meus pensamentos. Como posso tornar a minha meditação bem-sucedida?

Se você estiver começando agora, procure deixar que entrem apenas pensamentos divinos, e não pensamentos que não sejam divinos. É melhor não ter nenhum pensamento durante a meditação, mas é quase impossível para um iniciante não pensar. Portanto, você pode começar com bons pensamentos: “Quero ser bom, quero ser mais espiritual, quero amar mais a Deus, quero viver só para Ele”. Deixe que essas ideias cresçam dentro de você. Comece com uma ou duas ideias divinas: “Hoje serei completamente puro. Não vou permitir que nenhum pensamento mau, mas apenas a paz, entre em mim”. Ao permitir que um pensamento divino cresça dentro de você, verá imediatamente que a sua consciência muda para melhor.

Comece com propósitos divinos: “Hoje quero sentir que sou realmente um filho de Deus”. Isso não deve ser um mero sentimento, mas sim uma realidade. Imagine que a Virgem Maria está segurando Cristo em seus braços. Sinta que a Mãe Divina está acalentando você nos braços dela, como um bebê. Sinta: “Eu realmente quero ter luz-sabedoria. Quero caminhar com meu Pai. Aonde quer que Ele vá, quero ir junto. Receberei luz Dele”.

Algumas pessoas não têm esses tipos de propósitos. Não surgem ideias e pensamentos criativos. Tudo o que há é um vácuo. Talvez você pergunte o que é melhor: ter várias mensagens bobas ou nenhuma mensagem na mente. Todavia, existe uma maneira de negativa, inconsciente de meditar, que não tem vida. Essa não é a mente silenciosa. Ela não é produtiva. Na meditação de verdade, a mente fica em silêncio, mas, ao mesmo tempo, consciente.

 

Estou muito orgulhoso da minha mente. Por quê? Porque ela começou a apreciar coisas singelas: um pensamento simples, um coração puro, uma vida humilde.

 

Houve um tempo em que eu o amava, ó meu mundo-pensamento. Mas agora eu amo a beleza de uma mente-silêncio e a pureza de um coração-gratidão.