
Pergunta: O senhor tem cerca de mil discípulos. Cada alma se dá notícias ao senhor diariamente ou semanalmente?
Sri Chinmoy: Nem todas as almas se reportam diariamente, mas podem me transmitir mensagens a qualquer momento. Há alguns discípulos que considero muito queridos e que têm emanações minhas “designadas” às suas almas. Uma emanação é meu representante interior associado a uma alma específica e que tem livre acesso a mim. A qualquer hora, uma emanação pode me trazer uma mensagem sobre o que você está fazendo, embora geralmente chegue a mim de manhã cedo. Às vezes, minha mente pode não receber ou não estar ciente dessa mensagem. Nesse caso, a emanação tentará resolver o problema por meio da alma do discípulo. Ou seja, a emanação trará a mensagem à minha alma e minha alma aconselhará a alma diretamente, porque a pessoa me aceitou como seu Mestre. Então, a alma do discípulo tentará convencer sua mente a fazer algo, e isso chegará à mente como uma revelação. A mente pode não receber a mensagem direta de mim externamente e pode não conhecer todos os detalhes físicos de uma situação, como a maneira precisa como algo vai acontecer. Mas se uma emanação vier e me disser que este discípulo fez algo errado ou está tendo dificuldades com alguma coisa, e se sentir que minha mente física deveria saber da situação, ela dirá aos meus seres interiores para informarem minha mente física.
Às vezes, um discípulo pode me contar sobre uma situação por meio de cartas. Há algum tempo, você me deixou uma mensagem sobre um problema doméstico. Quando recebi o bilhete, mesmo antes de abri-lo, meu ser interior me disse que tudo já estava resolvido. Ou seja, a situação havia sido resolvida da maneira que o Divino, o Supremo, queria. Minha mente não conhecia os detalhes externos até que eu lesse o bilhete linha por linha.
Quando me dou conta de que um problema foi resolvido internamente, então minha mente pode perguntar à minha alma o que foi feito no plano físico e o que vai acontecer agora. Caso contrário, a alma pode não necessariamente transmitir a mensagem à mente física. Na vida humana comum, a menos que a mente esteja ciente de algo, sentimos que não o sabemos. Mas, embora nossa mente física possa não saber algo, outra parte do nosso ser pode estar ciente disso.
A alma quase sempre pede à mente física que se expanda. A mente física pode ler jornais e aprender milhões de coisas — que alguém foi esfaqueado aqui, que um escândalo está acontecendo ali. Essa informação dá à mente física uma alegria temporária. Mas, depois de uma hora, como um coletor de lixo, a alma retira isso da mente, já que essa informação não nos ajuda em nada na vida espiritual. Estamos na Terra, então nos divertimos sabendo o que os outros estão fazendo. Mas isso não alimenta a alma, não acelera nossa manifestação nem nos dá plenitude.
Um Mestre espiritual não precisa saber, nem sabe, o que você vai comer no café da manhã ou o que o presidente disse à esposa ontem. Mas ele sabe o essencial, o mais importante, que é se a alma do discípulo está subindo ou descendo a árvore, ou se está estacionada em um lugar específico, seja ele muito baixo ou muito alto. O que obriga a alma a descer? É a vitalidade emocional ou a mente duvidosa que a faz descer. E o que eleva a alma? É o clamor interior, a aspiração.
Algumas pessoas me perguntam por que não uso o poder oculto para descobrir informações externas, mas por que eu deveria usá-lo para saber o que está acontecendo no plano exterior? Esses poderes podem ser usados para propósitos muito elevados. Se você tem um dólar, isso não significa que vai gastá-lo todo em chá e café. Se você tem um dólar, então vai gastá-lo em algo que valha a pena. Novamente, há algo que traz informações externas ainda mais rapidamente do que o poder oculto, e isso é o poder da alma. Dentro da sua casa, do seu ser, o principal habitante é o pássaro-alma. Se eu pegar o pássaro e perguntar o que está acontecendo, ele imediatamente me contará sobre sua gaiola. É claro que a alma não precisa ficar constantemente contando ao Mestre o que está acontecendo.
Algumas pessoas podem se perguntar por que alguns discípulos próximos buscam minha orientação em assuntos externos, já que Deus nos deu inteligência suficiente para saber o que dizer aos outros. Mas, às vezes, sentimos que essa inteligência não nos ajuda em nada. Sabemos o que dizer aos nossos amigos ou inimigos. Mesmo dizendo a coisa certa, muitas vezes não obtemos resultados satisfatórios. Mas, se contarmos a um Mestre espiritual sobre as circunstâncias externas e ele souber o que vamos dizer, imediatamente haverá uma força adicional por trás de nossas palavras. Essa força adicional não significa que sempre venceremos. A força será aplicada apenas a você e virá como uma ajuda extra. Então, quando você falar com alguém, a resposta que receber não o afetará. Você pode sair vitorioso ou perder a batalha, mas, graças à ajuda que o Mestre lhe deu, você não ficará chateado. Isso é o mais importante….
Trecho de – Sri Chinmoy, Obedience or oneness, Agni Press, New York, 1977

Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSC, UNESP, UNISUL, UFSCar, BB e CEF.
