Dicas para meditação 45 – Sentido da vida

 

Dicas para meditação 45 – sentido da vida

 

Pergunta: O que você quer dizer por sentimento complacente?

 

Sri Chinmoy: Antes, por meses e anos alguns de vocês tentaram descobrir o sentido da vida, para que sua existência pudesse ter pelo menos um pouquinho de um sentimento de alegria ou razão de ser. Vocês estavam buscando alguma coisa, às vezes trabalhando com política ou se envolvendo com a sociedade, mas não havia uma meta mais elevada. Agora que vocês conhecem a meta mais elevada, é questão de atingir essa meta. No entanto, sentem que, por conhecer a meta, ela está ao seu alcance. Antes não havia montanha. Agora estão próximos à montanha e estão esperando para ver se alguém vai na direção dela. Se alguém for, então vão tentar escalar. Vocês se tornaram proprietários da montanha. Ela agora é propriedade sua. Se alguém vier, vocês vão escalá-la para mostrar que ela é realmente sua. É um sentimento complacente. A atitude deveria ser: “Sim, aqui está a montanha. Ela está me reivindicando, mas eu não vou exigi-la até atingir a meta”. Até esse momento, sua reivindicação não pode ser consciente. Às vezes, nos esquecemos totalmente disso. Vemos a imensidão da meta e dizemos: “Como é que podemos reivindicá-la?” Quando a meta olha para o peregrino, ela sempre o considera como sendo muito dela. Aqui, depois de chegar à base, aos pés da montanha, o peregrino deveria começar a escalá-la. Só assim ele pode considerá-la como sendo sua, de maneira consciente e constante. Se o peregrino não pode constantemente reivindicar a montanha, se não pode escalar sem a ajuda dela, então hoje dirá: “Não preciso dela”, e amanhã dirá: “É muito alta. Não posso assimilar a vastidão da montanha”.

The Transcendence of the Past, p. 40-41

Aforismos e poemas para meditar – 49250

 

Aforismos meditativos do livro 77.000 Service-Trees, vol 50, escrito por Sri Chinmoy

 

 

49,250.

 

A alegria e a disposição

Podem fazer tanto por nós

         Na vida espiritual.

 

 

49,251.

 

Lado a lado,

Eu adoro viajar

Com meu Senhor Supremo.

 

 

49,252.

 

Eu adoro caminhar

No Jardim-Coração do meu Senhor.

 

 

49,253.

 

Estou orando a Deus

Para que abençoe meu coração

Com plenitude-gratidão.

 

 

49,254.

 

Estou certo de que meu entusiasmo-coração

Nunca me desapontará,

         Nunca!

 

 

49,255.

 

Novidade

É o início-fome

         Da vida espiritual.

 

 

49,256.

 

Ser regular e pontual

É o dever supremo da vida.

 

 

49,257.

 

Quando eu não guardo

Nem uma gota para mim mesmo,

Deus me dá o Seu Todo.

 

 

49,258.

 

Eu posso esquecer

Do Olho-Compaixão de Deus,

Mas eu nunca poderei esquecer

Do Coração-Perdão de Deus.

 

49,259.

 

Quando eu penso em Deus,

Eu me torno a própria grandeza.

A fé é o alimento do sábio

por Patanga Cordeiro

A experiência é o alimento do tolo. A fé é o alimento do sábio.

Chinmoy, Chandelier, Sri Aurobindo Ashram, 1959

 

Você obtém um falso senso de segurança de qualquer coisa a que está acostumado. Você vive numa casa. Logo na próxima porta, seus vizinhos são o medo, a dúvida e a destruição. A qualquer hora eles podem prejudicá-lo. No entanto, só porque vive perto deles por tanto tempo, obtém um tipo de falsa segurança.

Sri Chinmoy, Illumination-World, p. 14-15

 

 

Tive e observei algumas experiências na minha vida, de meus colegas e também pessoas que comparecem aos cursos de meditação. Todas essas experiências me lembram da importância da fé, e como ela é superior ao nosso sentimento de segurança que vem da experiência.

 

Esse sentimento de segurança é um paliativo para a nossa insegurança, e não uma solução. Ficamos amarrados a ele e não saimos do lugar, para não nos arriscarmos. É um estágio da nossa evolução, e possui um papel a cumprir, apesar disso.

Já, no caso do buscador espiritual, sua fé é sublime – ela mostra de formas sutis o seu destino maior. Se você estiver com o coração aberto para sentir, ela lhe levará às margens de um além mais dourado do que o que seus olhos enxergam agora – além das brumas.

 

É como o Cristo disse ao seu discípulo Tomás: “Você viu, portanto acreditou. Mas bem-aventurados são aqueles que acreditaram sem ver.”

 

 

A fé deve ser bela.

A fé deve ter alma.

A fé deve ser devotada.

A fé deve ser sincera.

Por fim, a fé deve ser vivente.

Apenas então o buscador alcança

Um progresso espiritual ilimitado.

Sri Chinmoy, Seventy-Seven Thousand Service-Trees, part 12, Agni Press, 1999

 

Dicas para meditação 44 – deixando de acalentar más qualidades

Dicas para meditação 45 – deixando de acalentar más qualidades

 

Pergunta: Qual é a pior impureza?

 

Sri Chinmoy: A pior impureza é o pensamento negativo. Ao estar impuro, você diz: “Não consigo. Não posso fazer a coisa certa. Não posso pensar em Deus ou meditar em Deus. Não posso ver a Luz ou a Verdade”. Isso é dúvida. É a pior impureza possível.

Sempre temos de ver a luz de uma maneira positiva. Posso dizer que tenho luz numa medida pequenininha, minúscula. No entanto, se eu falar: “Não tenho luz nenhuma. Tudo o que tenho é escuridão”, então estou enganando a mim mesmo. Mas se um ser humano comum diz que tem luz abundante e ilimitada, ele também está apenas se enganando.

Se você pensa que não tem nenhuma luz e que é todo escuridão, isso é falsa modéstia e auto-engano. A falsa modéstia e o auto-engano nunca vão levá-lo à realização em Deus. Se você pensar constantemente: “Sou impuro, sou insincero”, então realmente vai ficar impuro e insincero. Alguém pode lhe falar: “Sou impuro”, mas quando diz isso, sente no fundo da mente que é pelo menos uma gota mais sincero que o vizinho dele, que o amigo dele, ou que alguma outra pessoa. Desse modo, a insinceridade também vem da impureza. Portanto, insinceridade, imperfeição e pensamentos negativos são todos formas de impureza.

Quando vemos alguma coisa dentro de nós mesmos, tentamos exibi-la exteriormente. Se tenho insinceridade por dentro, vou demonstrá-la por fora também.

Isso quer dizer: se tenho insinceridade por dentro, vou buscar refúgio exteriormente na casa da insinceridade. Entretanto, se sou sincero e puro por dentro, exteriormente vou procurar abrigo na casa da pureza e da sinceridade.

Portanto, a pior impureza inclui as formas negativas de pensar, a insinceridade e o sentimento de indignidade. Todas essas qualidades negativas são auto-impostas.

Flame-Waves 12, p. 46-47

 

 

Pergunta: Guru, como podemos parar de acalentar inconscientemente pensamentos não-divinos?

 

Sri Chinmoy: Sinta que existem dois competidores: seu Guru e os pensamentos não-divinos. A quem você quer satisfazer? Se quer me satisfazer, não pode acalentar esses pensamentos, porque você sabe que vão fazê-lo se sentir miserável. Ou sinta que você tem um quarto para alugar. Você quer alugá-lo para minha compaixão, amor e consideração, ou quer alugá-lo para os outros locatários: medo, dúvida e insegurança?

Se você não quer acalentar um pensamento, assim que ele vier diga imediatamente: “Guru, Guru, Guru, Guru, Guru, Guru!” Diga isso bem rápido, como um trem bala. Ou pode dizer “Aum” ou “Supremo”. Enquanto estiver dizendo isso bem rápido, esse pensamento não poderá entrar. Depois de cinco minutos, você vai ver que pensou em mim por muito tempo, ao passo que teve esse pensamento não-divino só por um segundo. Vai obter coragem da coisa que fez por tanto tempo.

Você obtém um falso senso de segurança de qualquer coisa a que está acostumado. Você vive numa casa. Logo na próxima porta, seus vizinhos são o medo, a dúvida e a destruição. A qualquer hora eles podem prejudicá-lo. No entanto, só porque vive perto deles por tanto tempo, obtém um tipo de falsa segurança. A três quarteirões, você tem um vizinho que é muito simpático: todo compaixão, amor e consideração. Ele é a sua alma. Mas só porque ele está a três quarteirões de distância, você não o chama. Sente que ele está muito longe e que não é forte o suficiente. Entretanto, isso está errado. O amor, a compaixão e a consideração da alma são extremamente poderosos. Ou você pode sentir que o amor da alma é enorme e, por causa dessa enormidade, você fica com medo. As qualidades não-divinas são pequenininhas. Você sente que pode controlá-las. Quando entram em você, nessa hora elas o controlam.

Illumination-World, p. 14-15

 

 

Pergunta: Guru, ao dizer que acalentamos dúvidas e outras coisas não-divinas, o que quer dizer com “acalentar”?

 

Sri Chinmoy: Quando digo que você acalenta algo, quero dizer que obtém uma espécie de alegria sutil disso. Quando o pensamento começa, é como uma criancinha. Quando uma criancinha belisca um adulto, ele fica com dor. Mas só porque ela é apenas uma criancinha, o adulto não a interrompe. Ele sente dor, mas também uma espécie de alegria por uma coisinha tão pequena estar beliscando-o. Então, quando a criança fica mais velha, o adulto a deixa continuar beliscando-o, porque está obtendo um pouquinho de alegria. Quando a criança cresce e se torna um adolescente, ao beliscar o adulto, vai realmente machucá-lo. Ao crescer, essa criancinha vai dar realmente uma pancada naquela pessoa.

Portanto, esse minúsculo pensamento não-divino, ao começar, é muito pequeno. Ele causa um pouquinho de dor, mas também dá um pouquinho de alegria. Você sente que está protegendo-o, que ele está sob seu controle. Sente que pode jogá-lo fora a qualquer hora. Permite que o pensamento venha à sua casa. Se é um desejo, sente que a qualquer hora pode satisfazê-lo ou não, que depende de você, já que você é o anfitrião. Entretanto, uma vez que esse pensamento entrou na sua casa, vai crescer. Ao ser acalentado, sente que a casa é realmente a casa dele, e que ele é o anfitrião e você o convidado. Então, a responsabilidade é sua.

Illumination-World, p. 10-11