by Patanga Cordeiro | Jul 23, 2024 | Autoconhecimento

Psicologia, autoconhecimento e meditação
textos sobre autoconhecimento de Sri Chinmoy, traduzidos por Patanga Cordeiro
Existe um método espiritual de autoanálise?
Sri Chinmoy: Não, não há. A forma psicológica de autoanálise, do ponto de vista mais elevado, é incorreta. Na autoanálise, utilizamos a mente para examinar nosso passado obscuro e nosso subconsciente. Na autoanálise dizemos “fiz a coisa certa” ou “fiz a coisa errada.” Sempre há positivo e negativo. Mas devemos ir além do positivo e negativo. Nos Upanishads é dito que temos de aceitar a ignorância e o conhecimento, e então ir além de ambos, onde tudo é sabedoria divina. Quando praticamos auto-análise, num momento estamos em conhecimento, e no outro momento estamos em ignorância. Constantemente nos identificamos com o conhecimento ou ignorância e nossa dúvida mental. Mas quando entramos numa meditação espiritual profunda, quando estamos muito avançados na vida espiritual, estamos acima da ignorância e conhecimento. Ansiamos apenas por Paz infinita, Luz infinita e Deleite infinito.
Se o buscador estiver constantemente se estudando com sua mente, haverá sempre uma forte atração por parte das forças negativas na mente. Elas nos atrairão como ímãs, mesmo se com a nossa mente estejamos tentando afastar tudo que sentimos que seja incorreto. A dificuldade é que não utilizamos a luz da alma para fortalecer nossa força de vontade durante a autoanálise. Quando tentamos fazer a coisa certa, isso não quer dizer que seremos capazes de fazê-la. As tendências mais baixas e as forças impróprias possuem um poder tremendo, que vem como tentação. Se cedermos a essa tentação, estaremos completamente perdidos.
Se uma pessoa espiritual quer alcançar o reino da mais alta Paz e infinita Luz, onde não há tentação, ela deve ir além da análise mental. Ela deve aspirar. Se, no entanto, uma pessoa não entrou para a vida espiritual, é melhor que ela utilize a autoanálise do que se comportar como um animal selvagem. Até certo ponto, será bom. Se ela não usar seu poder de autoanálise, não haverá diferença entre luz e escuridão. Mas se você quiser a forma mais rápida e convincente de transformar a sua natureza numa natureza divina, você tem de aspirar. A aspiração é a única solução final para os problemas da limitação humana.
Pergunta: Os problemas sempre podem ser resolvidos psicologicamente através de análise ou isso deve ser sempre feito espiritualmente?
Sri Chinmoy: Qualquer problema, se for resolvido espiritualmente, estará completamente solucionado. Mas se você resolver um problema psicologicamente, a solução fica toda na mente, que é uma esfera muito limitada. Quando respondemos uma pergunta a partir de uma Verdade espiritual mais elevada, podemos sentir que a resposta é verdadeira e completa. Obteremos a maior satisfação apenas quando a pergunta for respondida de um ponto de vista espiritual.
Embora tenhamos o corpo, o vital e a mente, se resolvermos os problemas a partir dessas perspectivas diferentes com as diferentes capacidades da mente, do vital ou do corpo, as respostas não satisfarão completamente as nossas necessidades. Com a mente resolvemos o problema imediato. Mas essa solução não será permanente. O problema simplesmente tomará outra forma e virá a nós como uma outra dificuldade. Nós pensamos: “Eu resolvi aquele problema com a minha mente analítica”, mas infelizmente, se formos profundamente dentro de nós, veremos que aquele mesmo problema, agora tomou uma outra forma e voltou a nos atormentar. Mas uma vez resolvamos o problema espiritualmente, veremos que ele realmente se foi. E como resolver um problema espiritualmente? Através do nosso progresso interior, da experiência e da luz da nossa alma.
Sri Chinmoy, Mind-confusion and heart-illumination, part 1, Agni Press, 1974
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.
by Patanga Cordeiro | Jul 22, 2024 | Autoconhecimento

Perguntas sobre autoconhecimento
por Patanga Cordeiro
Na vida comum, cada pessoa possui milhões e milhões de perguntas a fazer, perguntas sobre autoconhecimento, sobretudo. Na sua vida espiritual, chega o dia em que ela sente que há apenas uma questão que vale a pena perguntar: “Quem sou eu?” A resposta das respostas é: “Não sou o corpo; sou o Piloto Interior.”
Como é possível para um homem não se conhecer, visto que é algo que deveria ser a mais fácil dentre as suas tarefas? Ele não se conhece justamente porque se identifica com o ego, e não com o seu Eu verdadeiro. O que o obriga a se identificar com esse pseudo-eu? É a ignorância. O que diz a ele que o verdadeiro Eu não é e nunca será o ego? É seu Auto-questionamento. O que enxerga nos mais profundos recônditos do seu coração é o seu verdadeiro Eu, seu Deus. E, por fim, esse enxergar deve se transformar em se tornar.
Sri Chinmoy, Yoga and the spiritual life. The journey of India’s Soul., Tower Publications, Inc., New York, 1971
A pergunta das perguntas: “Quem sou eu?”
A pergunta sobre autoconhecimento “quem sou eu?” é uma experiência diária para todos nós. Mesmo que você não esteja conscientemente se perguntando isso, você o faz com suas ações. Tudo que você faz é uma forma de buscar se descobrir, buscar descobrir o Eu verdadeiro por trás de todas as coisas. Ao amor da mãe pelo filho, do filho pela mãe, tudo isso são pistas para descobrirmos quem somos e como o Criador está manifestado na criação. Até mesmo o anseio do alcoólatra pela bebida é, na verdade, o anseio do buscador pelo Divino, apenas que direcionado de forma não-produtiva. Cedo ou tarde isso frutificará com experiências, e o buscador será direcionado melhor para a sua próxima empreitada no caminho do autoconhecimento.
Você tem muitas perguntas?
Mas quem pode responder
É o seu coração amante do silêncio.
-Sri Chinmoy
Mas, ainda assim, é melhor buscar de forma consciente. Consciente quer dizer com todo o ser, não apenas com a mente. A mente, sozinha será muito árida, cirúrgica, para lhe fazer compreender algo tão vasto quanto a realidade que está dentro de si e ao seu redor. É necessário usar todas as partes do ser, e focar nas mais elevadas, mais vastas e capazes, como o nosso ser interior.
Para iniciar sozinho no caminho do autoconhecimento, é necessário ter um Mestre espiritual que lhe oriente da forma exata, de acordo com o seu estágio interior preciso e necessidades reais. Se não tiver um Mestre, você pode começar a praticar meditação e leitura de livros escritos por Mestres espirituais realizados. Para começar a meditar, separe cinco minutos de manhã cedo, antes de começar o seu dia. Tente sentir o seu coração. Gradualmente, vá incorporando uma técnica mais específica.
E lembre-se que existem outros caminhos além do autoconhecimento. O autoconhecimento é apenas uma forma de se descobrir. Também há o caminho da devoção e da entrega espirituais, por exemplo, onde você enxerga o Divino não apenas dentro de si, mas também em todas as coisas. Ou o caminho do serviço dedicado, onde sentimos nossa unicidade com o divino em tudo se o servimos com todo nosso ser.
“Meu Senhor, existe algo que,
Uma vez conquistado, nunca pode ser perdido?
“Sim, Minha criança, isso existe.
Tal coisa existe, e você já a tem.”
“Eu a tenho, mas não sei o que é.
Meu Senhor, pelo Amor de Deus, não torture
A minha curiosidade.
Conte-me o que é isso
Que eu tenho e nunca será perdido.”
“Minha criança supremamente tola, você nunca,
Nunca perderáo seu auto-conhecimento, auto-realização.”
Sri Chinmoy, My Lord’s Secrets revealed, Herder and Herder, 1971
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.
by Patanga Cordeiro | Jul 13, 2024 | Autoconhecimento

Pergunta: Você nos chama de “buscadores”. O que foi perdido?
Sri Chinmoy: O que foi perdido? A nossa unicidade consciente com o Supremo Absoluto foi perdida. Através da nossa busca interior estamos tentando obter ou reconquistar a nossa unicidade consciente inseparável com Ele. Estamos buscando a Verdade e a Luz. Houve um tempo em que fomos possuidores dessa Luz e Verdade infinitas. Mas, infelizmente, fizemos amizade com a noite-ignorância e perdemos a nossa unicidade inseparável com a Luz e Deleite da Infinidade. É através de uma procura consciente – nossa busca interior consciente e anseio interior ascendente – que, na Hora escolhida de Deus, reencontraremos a nossa riqueza interior.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.
by Patanga Cordeiro | Jul 9, 2024 | Autoconhecimento, Histórias pessoais - diário, Textos do Patanga

Experiências de autoconhecimento
Quanto tentamos enxergar fundo dentro de nós, quanto tentamos viver uma vida interior, podemos encontrar muitas dificuldades. Dizemos, “Veja, Deus, agora que nos voltamos a Você, temos de passar por tantos testes!” Não encontrando saída, ficamos perturbados. Mas por que deveríamos? Não nos falham a memória as tristezas da vida. Antes de entrarmos para a vida espiritual, o sentimento de vazio era nosso companheiro constante. Agora estamos numa posição melhor já que temos a capacidade de reconhecer o tigre feroz da mundanidade. Encaremos a inquietação e fraqueza como testes.”
Sri Chinmoy, Yoga and the spiritual life. The journey of India’s Soul., Tower Publications, Inc., New York, 1971
Hoje estava terminando meu horário de meditação. Alguns pensamentos me atrapalhavam muito. Eram coisas que me deixavam irritado.
De repente, por qualquer milagre que tenha ocorrido, me lembrei do texto acima, que havia lido uns dois dias antes. E tive a experiência. Eu olhei para mim mesmo e percebi que não era eu quem estava incomodado, mas sim minha mente ou emoções, meu ego, ou algo afim. Senti a luminosidade dos escritos.
Nesse momento, me dissociei um pouco, como quem pensa “grande coisa se você gosta disso ou não gosta daquilo. A realidade é maior do que isso que você enxerga.” Senti uma serenidade, e minha visão até mudou o foco. Tudo ficou mais bonito, como se estivesse num lugar que eu gostava muito de estar. E estava. Estava no meu altar de meditação, olhando para a foto do meu Mestre, com uma moldura nova dourada, em cima da mesa que meu pai me fez, meu nome espiritual escrito nela, o livro de orações aberto em frente, o incenso que me presentearam aceso.
Parte da série sobre autoconhecimento
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.
by Patanga Cordeiro | Jul 3, 2024 | Autoconhecimento, Meditação

Donna Halper: Você diz aos seus alunos como devem meditar, ou eles escolhem por conta própria a melhor forma?
Sri Chinmoy: Exteriormente eu lhes dou orientações muito gerais, porque a forma de meditação de cada pessoa é única e pessoal. Pela Generosidade infinita de Deus, eu tenho a capacidade de ensinar, interiormente, as suas almas a meditar. Cada discípulo meu aprende então a sua melhor forma de meditação com sua própria alma. Eu também escrevi consideravelmente sobre a meditação e as diversas técnicas interiores, e portanto eles podem ler os meus escritos.
Donna Halper: Para uma pessoa que está completamente sozinha e gostaria muito de meditar, há algo com que possa começar sem frequentar uma escola ou encontrar um professor para aprender?
Sri Chinmoy: Sim, claro. Ela pode ler alguns livros espirituais para se instruir e começar a meditar em casa. A melhor coisa a se ter é uma mente repleta de paz – ou seja, não permitir que quaisquer pensamentos entrem na mente. Mas a pessoa verá que alguns pensamentos entram apesar dos seus melhores esforços. Assim, é necessário fazer uma seleção e permitir que apenas os bons pensamentos permaneçam na mente. Os pensamentos ruins serão descartados assim que possível. Permitindo que apenas os pensamentos bons permaneçam, ela será capaz de obter uma certa paz de espírito. Meditação é paz na mente e bem-aventurança no coração.
Donna Halper: Você trouxe uma questão à tona. Facilmente consigo ouvir as pessoas dizendo por aí: “É ótimo sentar-se e pensar bons pensamentos e coisas do tipo. Mas, e quando estamos inseridos na vida material e tudo está um caos, foi um dia ruim no escritório, seu chefe gritou com você, etc.? Como é possível ter os bons pensamentos numa hora como essa?”
Sri Chinmoy: Na maior parte dos casos, a manhã indica como será o dia. De manhã, antes de começarmos a correria do dia, antes de sairmos de casa e entrarmos nas atividades do dia, se meditarmos devotadamente por alguns minutos, certamente obteremos uma certa paz interior. Essa paz levaremos em nossos corações quando formos ao escritório ou adentrarmos as variadas atividades e confusão do dia a dia. Poderemos trazer à tona essa paz interior quando precisarmos dela. Assim seremos de fato capazes de controlar a situação.
Donna Halper: Acho que há um tremendo precedente para isso. Se eu lembro corretamente, na Bíblia é dito que a melhor hora para se orar é pela manhã, pois, se começar o seu dia pensando nas coisas espirituais, isso o carregará pelo restante do dia. O que você diz na verdade não é muito diferente do que chamamos de religião ocidental.
Sri Chinmoy: Não há tanta diferença entre religião ocidental e oriental quanto as pessoas pensam. Somos todos filhos de Deus. Falamos diferentes línguas, mas, quando se trata do coração – o seu coração, o meu coração, o coração dela –, estamos todos afinados. É a mente que cria os problemas. O coração aspirante se comunica conscientemente com a alma, e a alma é o representante de Deus. Há sempre uma verdade incipiente dentro de todos nós. Quando se trata de verdadeira espiritualidade, não há barreiras geográficas – ocidente e oriente, norte e sul. O que existe é a unicidade do coração. É através da unicidade do nosso coração que nos satisfazemos e a Deus em e através de nós.
Donna Halper: Quando uma pessoa se envolve mais na espiritualidade, isso levaria a que, digamos, esteja se tornando menos presa a coisas como preconceitos. Portanto, ela não teria sentimentos contra qualquer raça, credo, etc. As pessoas que estão presas em pensamentos preconceituosos se afastaram de Deus, ou apenas não compreendem Deus, ou é ainda outra coisa?
Sri Chinmoy: Elas não necessariamente se afastaram de Deus, mas compreendem Deus de acordo com sua capacidade limitada. Um verdadeiro buscador, entretanto, não os condenará. Pelo contrário, ele tentará enxergar e sentir que os erros cometidos pelos outros são seus próprios erros, pois ele aceitou Deus completamente. Essa aceitação de Deus inclui a aceitação da criação inteira de Deus, e essas pessoas que estão cometendo enganos também são filhos de Deus. Portanto, um aspirante sincero sente que lhe é obrigatório considerar as fraquezas, fracassos e defeitos dos outros como seus próprios. Porque ele ama Deus, ele sente que tem de se identificar com a criação de Deus. Ele não pode negar a criação de Deus; não pode falar mal da criação de Deus. Ele só consegue aceitar a criação de Deus como tal e orar para Deus e meditar em Deus para que ilumine a Sua criação.
Donna Halper: Isso quer dizer que, se uma pessoa se envolver com a meditação, quanto mais ela meditar e mais entender sobre Deus, maior será compreensão do mundo também?
Sri Chinmoy: A pessoa terá mais compreensão, mais iluminação. Ela será capaz de aceitar o mundo ao invés de negar o mundo, pois o mundo é a criação de Deus, e Criador e criação sempre andam juntos. Se pudermos aceitá-los em conjunto, seremos capazes de satisfazer a Realidade Suprema dentro de nós.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.
by Patanga Cordeiro | Jul 2, 2024 | Autoconhecimento, Textos do Patanga
por Thamara Paiva

Muito tem se falado ultimamente sobre meditação como algo terapêutico, para ajudar a aliviar o stress ou a ansiedade. Contudo, ela é uma poderosa ferramenta para o autoconhecimento e autotranscendência, de acordo com os ensinamentos do professor de meditação Sri Chinmoy que continuam sendo difundidos por seus alunos por meio de cursos de meditação gratuitos no mundo todo, e também em São Paulo.
Patanga Cordeiro é um dos alunos de Sri Chinmoy, é ultramaratonista de provas de 10 dias de duração e pratica meditação há mais de 20 anos, e diz que meditação é um instrumento que pode transformar e iluminar a condição atual de quem a pratica. Não se trata de terapia ou relaxamento – é uma forma de ser aquilo que você nasceu para se tornar.
“Com sua boa vontade e determinação você pode usar esse instrumento para descobrir o que existe de real dentro de você e fazer da sua vida algo mais pleno, indo além do vazio, frustração, dúvida ou qualquer imperfeição que considere um obstáculo. Todavia, para isso é preciso praticar com disciplina e sinceridade, como um atleta divino. Uma vez que isso faça parte da sua vida, naturalmente vem um sentimento de satisfação, de a vida valer a pena, de tudo fazer sentido e ter um propósito, de se sentir verdadeiramente feliz mesmo sem ter acontecido nada de bom”, define.
Ele explica que, de acordo com o que Sri Chinmoy deixou de ensinamento, a meditação não significa apenas sentar quietamente em silêncio por cinco ou dez minutos. “A meditação requer esforço consciente. A mente tem que ser posta calma e quieta. E, ao mesmo tempo, tem que ser vigilante, para não permitir que qualquer pensamento ou distração ou desejo perturbador, entre”, explica Sri Chinmoy.
É a partir desse ponto, quando a mente se torna calma e quieta, é que é possível sentir que uma nova criação está se despertando dentro de si. “Quando a mente está vazia e tranqüila, e nossa existência inteira torna-se um recipiente vazio, Deus a preencherá com paz, luz e bem-aventurança.”
Segundo o Patanga, que é um dos que ministram os cursos de meditação gratuito em São Paulo, muitas pessoas procuram a meditação porque sentem que precisam de algo a mais na vida, uma felicidade maior, mas ainda não sabem o que é. Ele explica que por meio da meditação no coração, como a ensinada nos cursos, é possível encontrar as respostas. Foi assim que começou a correr também, pois a corrida e a meditação foram de auxílio mútuo.
“Sri Chinmoy ensinou para nós que a meditação faz com que nos tornemos inseparavelmente um com o mundo inteiro. Quando queremos alcançar paz, luz e felicidade ilimitadas, a meditação é a resposta. O mundo precisa de uma coisa – paz – e a meditação é a resposta”, diz Patanga.
Exercício de meditação no coração para fazer em casa
O Centro de Meditação Sri Chinmoy em São Paulo costuma oferecer cursos mensalmente, porém, Patanga Cordeiro compartilhou conosco um dos exercícios ensinados por Sri Chinmoy que é possível fazer em casa:
A vastidão do céu
“Mantenha os olhos semi-abertos e imagine o vasto céu. No começo, tente sentir que o céu está diante de você. Mais tarde, tente sentir que você é tão vasto quanto o céu, ou que é a própria vastidão celeste.
Depois de alguns minutos, feche os olhos e tente ver e sentir o céu dentro do seu coração. Por favor, sinta que você é o coração universal, e que dentro de si mesmo está o céu em que meditou e com o qual se identificou. Seu coração espiritual é infinitamente mais amplo do que o céu. Portanto, você pode facilmente abrigar o firmamento dentro de si mesmo.”
-Sri Chinmoy, do livro Meditação: Homem-Perfeição na Deus-Satisfação
Resumindo, você irá primeiro imaginar o céu. Depois vai sentir o céu todo dentro de si. A chave é afastar outros pensamentos. No silêncio dos seus pensamentos, você ouvirá uma nova música, de paz e dinamismo.
Quem foi seu professor: Sri Chinmoy
Sri Chinmoy Kumar Ghose (27 de agosto de 1931 – 11 de outubro de 2007) foi um Mestre espiritual indiano e professor que emigrou para os Estados Unidos em 1964.
Um escritor prolífico, compositor, artista e atleta, durante toda sua vida, Sri Chinmoy foi reconhecido internacionalmente por suas numerosas iniciativas em prol da paz interior e harmonia mundial. Sri Chinmoy é mais conhecido por promover eventos públicos sobre o tema como concertos, meditações e corridas.
Conduziu por muitos anos meditações na sede da ONU nos EUA, recebeu prêmios de líderes governamentais e educacionais, bem como comunidades locais. Alguns deles são o Prêmio Madre Teresa, recebido do presidente da Macedônia, o Medalhão Nehru da UNESCO e o Prêmio Gandhi da Paz, da Índia. No Brasil, recebeu doutorado honoris causa em Estudos da Paz pela PUC-Campinas.
Seus ensinamentos enfatizam o amor a Deus, meditar diariamente no coração, servir ao mundo e a tolerância fundada na visão moderna de que toda fé é essencialmente divina. Sri Chinmoy costumava referir a si mesmo como “um aluno da paz”.
Parte da série sobre autoconhecimento
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.