Esse é o primeiro artigo que eu escrevo. Para alguém que inicia, escolhi falar sobre a busca por uma jornada espiritual. A buscar como dar um valor, um propósito autêntico para sua vida, a como buscar e trilhar um caminho espiritual.
Meditação, Caminhos, Livros e Prática…
Minha experiência começa com conflitos materiais, experiência no sentido material e depois se transforma no caminho espiritual. Estava numa fase cheia de dificuldades e conflitos familiares. Não buscava nada espiritual, somente um abrigo no meio da tempestade. Esse foi o começo da minha jornada, a busca por um abrigo.
Nunca fui uma pessoa religiosa, espiritualmente… vazio. Minha mãe falava que, se você acredita em Deus, então está tudo bem, siga a vida. Entrei para a religião cristã por conta do casamento, mas não havia nada ali que me atraia a Deus. Li livros como Bhagavad Gita e romances baseados no Mahabharata, mas com os olhos de alguém que está lendo romance.
“Alguém pode acreditar em Deus, mas essa crença não é uma realidade na sua vida. Ele só acredita porque algum santo, Yogi ou Mestre espiritual disse que Deus existe, ou por ter lido sobre Deus em livros espirituais. No entanto, se praticarmos a meditação, chegará um dia em que vamos estabelecer a nossa unicidade consciente com Deus. Quando isso acontecer, Ele nos dará a Sua infinita paz, infinita luz e infinita bem-aventurança, e nós nos transformaremos nessa infinita paz, infinita luz e infinita bem-aventurança.” Sri Chinmoy, Meditação – A perfeição-homem na Satisfação-Deus
Então não havia nada em mim que buscava dar valor verdadeiro a vida e sim aos objetos materiais da vida. Mas no momento da tempestade esses objetos se mostram limitados e finitos. Nessa fase descobri um Caminho.
Meditação
Descobri que acreditar em Deus é somente um começo. Deus é a essência da vida. Então acreditar não é suficiente. Mas como chegar a essa conclusão? Eu aprendi através da meditação.
“Meditar não quer dizer apenas sentar-se em silêncio por cinco ou dez minutos. Ela exige esforço consciente. A mente precisa ficar calma e quieta. Ao mesmo tempo, ela tem de ficar atenta, para não permitir a vinda de nenhum desejo ou pensamento que a distraia. Quando fazemos com que a nossa mente fique calma e silenciosa, sentiremos que uma nova criação está surgindo dentro de nós. Quando a nossa mente está vazia e tranquila, e toda a nossa existência se transforma num recipiente vazio, o nosso ser interior pode invocar paz, a luz e a felicidade infinitas para preenchê-lo. Isso é meditação.” Sri Chinmoy, Meditação – A perfeição-homem na Satisfação-Deus,
No passado, tive uma vaga impressão do que era meditação, vendo em filmes e praticando artes marciais. Mas, atualmente, a meditação é o modo autentico de buscar um norte, de aprender sobre a si mesmo e o mais importante, buscar a Satisfação verdadeira, o seu propósito de estar manifestando na Terra.
“Satisfaction is needed in the animal life, the human life and the divine life. But the satisfaction that we get in the animal life is not true satisfaction. In the human life also, we do not get true satisfaction. Only in the divine life we get true satisfaction.” Sri Chinmoy, Everest-Aspiration, Editora Aum. Versão traduzida
A vontade autêntica de meditar
Ao buscar a meditação, devemos buscar o ensinamento autêntico. Mas isso não é suficiente se a pessoa não tiver a vontade autêntica de querer mudar o seu ponto de vista sobre a sua realidade. A entrega ao caminho é muito importante.
“God’s all-fulfilling Grace
descends
Only when man’s
unconditional surrender
ascends.”
Sri Chinmoy
O Mestre espiritual
Na minha experiência, encontrar um caminho autêntico foi encontrar um Mestre espiritual. E como reconhecer um Mestre espiritual? Minha experiência espiritual começou em um livro: Meditação – A perfeição-homem na Satisfação-Deus, de autoria de Sri Chinmoy. Mas como saber se o conteúdo do livro é autêntico? O leitor deverá ler o livro com o coração e não com a mente. Deverá sentir algo maior, alguma experiência que mude sua rotina e principalmente deve trazer satisfação num modo sutil. Essa foi a experiência pela qual eu passei. Comecei a ler e praticar os exercícios, muitas dúvidas foram surgindo e nesse momento o livro conversava comigo. Todo livro conversa com o leitor, mas a minha experiência foi diferente de estar lendo um livro técnico ou romance. Eu comecei a enxergar uma nova possibilidade de vida e principalmente de valores. Notei uma sede insaciável em busca da realidade que a meditação iria me levar. Mesmo não sabendo o que era meditação, no momento da leitura do livro descobri a vida que eu deveria estar vivendo e o caminho que eu deveria estar trilhando.
O próximo passo é estar aberta a essa nova experiência. Mas como saber se estou no caminho certo? Mudança. Depois de um mês, compare a vida antes e depois. Ansiedade irá atrapalhar nessa decisão. Não adianta meditar por um dia e descobrir mudança no dia seguinte. Os resultados acontecem sempre de modo sutil. A rotina sua irá mudar. Após o livro, encontrei o caminho através de um curso de meditação lecionado por discípulo de Sri Chinmoy. Isso foi mágico para mim, mais do que uma mera coincidência. Então depois do curso, não tive dúvida, esse era o meu Caminho. Desde que descobri a meditação minha rotina é a de acordar para meditar, meditar antes e depois cada ação maior que acontece durante o dia, e meditar antes de dormir. Aqui começa uma relação bem estreita com o Supremo. O ponto mais importante para mim foi o Mestre espiritual. Se você for atento, vai ter sinais que indicarão que você está no caminho certo. A presença de um Mestre espiritual, um Guru, foi crucial para a minha Vida. Estava cego, e ainda perambulo pela vida cegamente. Quando o Guru está me guiando, ainda não enxergo a Realidade, mas consigo sentir Luz, muita Luz. Como? Quando você notar que está agradecendo a tudo que está acontecendo, a qualquer momento e em qualquer circunstância, você está sentindo a Luz. Isso me fez reconhecer o Mestre espiritual, o meu Guru. E o Guru apareceu na minha vida no momento que estava: aberto a novas realidades, precisava mudar os meus valores, e que estava pronto para trilhar um Caminho espiritual.
“Se alguém se torna um discípulo verdadeiro de um Mestre, o discípulo não sente que ele e o seu Guru são duas pessoas totalmente distintas. Ele não sente que o Guru está no alto e que ele mesmo está aos pés da árvore. Ele sente que o Guru é a parte mais elevada de si mesmo. Sente que ele e o Guru são um, que o Mestre é a sua própria parte mais elevada e mais desenvolvida. Portanto um discípulo verdadeiro não vê nenhuma dificuldade em render a sua parte mais baixa à sua parte mais elevada. Ser um discípulo devotado não estará abaixo da sua dignidade, porque ele sabe que tanto a parte mais elevada quanto a mais baixa pertencem a si mesmo.” Sri Chinmoy, Meditação – A perfeição-homem na Satisfação-Deus
O verdadeiro Mestre é o Supremo
Apesar de que meu Mestre nos diz que ele não é o verdadeiro Mestre, que o Supremo é o Guru.
“Um Mestre espiritual ou Guru é como o filho mais velho de uma família, e os buscadores são como seus irmãos e irmãs espirituais mais novos. Mestres espirituais contam e mostram para seus irmãos e irmãs mais novos onde está o Pai deles, o Guru Absoluto.
O Guru verdadeiro não está no vasto céu azul. Ele está nas profundezas do nosso próprio coração. Você poderia perguntar: “Se ele está dentro do nosso coração, por que precisamos da ajuda de outra pessoa para encontrá-lo?” Embora esse tesouro inestimável esteja dentro do nosso coração, não podemos vê-lo nem senti-lo. Assim, precisamos de ajuda. Um amigo nosso, que chamamos de nosso Guru ou professor espiritual, vem e nos ensina como encontrar o nosso próprio tesouro.” Sri Chinmoy, Meditação – A perfeição-homem na Satisfação-Deus,
Experiências espirituais
É difícil saber por onde começar, mas, como discípulo, posso apresentar as experiências que vivi quando acolhido por um Guru. Essa é a experiência que gostaria de compartilhar e fica uma dica, uma experiência espiritual: escolha um livro espiritual cujo autor seja um Mestre espiritual realizado. Leia o livro todo e veja que experiência que você vivenciou. Se você achou que não teve experiência nenhuma, escolha mais um outro livro. Depois disso, escolha um outro autor.
Como experimentar a meditação
A outra dica é a experiência da meditação. Não precisa ser discípulo de nenhum Mestre espiritual nesse momento. Tente somente experimentar a meditação, sem nenhum propósito nesse momento. Somente busque a experiência:
Escolha um lugar na sua casa que possa ficar sozinho por alguns minutos. Apodere-se desse local (use a criatividade). Esse local será o seu local sagrado de meditação, portanto, mantenha esse lugar limpo. Monte um altar e enfeite com vela ou flores. Quando você se sentar nesse espaço, é interessante que esse altar fique na altura dos olhos. Sente-se de modo a manter a coluna ereta e começa a observar sua respiração. Concentre em algum objeto escolhido no altar, observando com os olhos semi abertos: a chama da vela ou uma pétala do buquê de flores. Não feche os olhos. Tente acalmar os pensamentos de modo a tentar não pensar em nada (pensamentos, preocupações, ansiedades, rotina diária, nem mesmo pensar no que está fazendo) Caso os pensamentos estejam te incomodando nesse momento, imagine que são objetos e jogue no objeto focado. Faça isso todos os dias de manhã e a noite por pelo menos 5 minutos.
Essas são duas experiências que você deve fazer juntas: a meditação e a busca por um Caminho espiritual. É importante estar aberto a mudanças. A disciplina será a parte mais importante nessa jornada. Experimente!
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.
-Palestra de Sri Chinmoy em 24/07/1968, no centro de Porto Rico
Eu realmente espero nessas alturas, que a maioria de vocês saiba como meditar bem. No entanto, eu quero falar algumas coisas hoje, sobre meditação, e eu estou certo que essa palestra será de alguma ajuda para a sua própria meditação, tanto individual como coletiva.
Por que meditar?
Em primeiro lugar, por que nós meditamos? Meditamos precisamente porque precisamos de alguma coisa. E o que é essa coisa? É o sentimento consciente da nossa unicidade com o Supremo. Esse sentimento deve ser espontâneo e ao mesmo tempo profundo.
Posição para meditar
Vamos começar com o ABC da meditação. A melhor forma de meditar é sentar com as pernas cruzadas. A coluna e o pescoço devem estar eretos. Se para alguns não for possível sentar dessa maneira, por favor, tentem se estiverem numa cadeira, sentar com as costas retas. Se você quiser meditar em casa, tente manter um lugar sagrado, um canto do seu quarto, absolutamente puro e santificado e sente-se numa pequena almofada ou num tapete. E, por favor, vista roupas limpas e claras. Se possível, acenda um incenso na hora da sua meditação e coloque uma flor, qualquer uma, na sua frente. Os outros podem também ter uma foto das pessoas espirituais que amem. Cristo ou outra figura espiritual. A foto da pessoa que eles adorem ou considerem seu mestre, deve estar bem na frente deles. Eu estou lhes falando no geral, mas virá um dia quando vocês próprios descobrirão alguns segredos interiores. Talvez vocês já tenham descoberto algum. Meus discípulos sabem que eles podem repetir o nome do Supremo e o meu próprio.
Há pessoas que querem meditar deitadas. Quero lhes dizer que esse tipo de meditação não é de forma alguma, aconselhável para o iniciante, nem para aqueles que estão meditando por alguns anos. E sim, apenas, para aqueles discípulos mais avançados e para as almas realizadas. Não sendo esse o caso, você irá deitar e imediatamente entrar no mundo do sono ou num tipo de devaneio ou cochilo, e mais, enquanto está deitado, a sua respiração não é tão perfeita quanto ao meditar na posição sentada.
Inspiração e expiração na meditação
Quando você começar a inspirar e expirar, seja muito cuidadoso. Quando inspirar, tente fazê-lo tão devagar e silenciosamente quanto possível, e quando expirar, tente fazê-lo mais devagar ainda. Por favor, tente se lembrar disso. E, se possível, deixe um pequeno espaço entre a sua segunda inspiração e o final da primeira expiração. Mas se não for possível, nunca faça nada que vá contra os seus órgãos e o seu sistema respiratório.
Então começamos a inspirar. A cada vez que você inspira, tente sentir que está trazendo Paz, Paz Infinita para o seu corpo. Qual é o oposto da Paz? Todos vocês sabem: agitação. Quando você expira, tente sentir que está botando para fora nada além da agitação do seu corpo interior e a que você vê ao seu redor. Quando respira dessa forma, a agitação se vai. Após fazer essa prática algumas vezes, tente sentir que está inspirando força, poder, vindos do universo, do cosmos. E o que você bota para fora? Tente expirar o medo. Quando expirar, todo o seu medo sairá do seu corpo. Faça isso algumas vezes e então tente sentir que está inspirando Alegria, Alegria Infinita e expirando tristeza, sofrimento e melancolia.
Então começa a respiração espiritual. Se você quiser saber do verdadeiro começa da respiração secreta, em sânscrito, é chamada de pranayama. Prana é a energia vital; o Sopro-Vida; Yama significa controle, controle do Sopro-Vida. O primeiro exercício que pode praticar é repetir uma vez, enquanto inspira, o nome de Deus, ou do Supremo, ou de Cristo, ou quem quer que você adore. Então segure a sua respiração e conte até quatro, enquanto chama pelo Supremo, ou Cristo, ou outro qualquer. Quando expirar, fale duas vezes Supremo. Um, quatro, dois. Aos poucos, o aspirante pode desenvolver para quatro, dezesseis e, oito; mas eu quero que você faça apenas um, quatro, dois nesse momento. Quando inspirar, um batimento; quando segurar a respiração quatro batimentos; quando expirar, dois batimentos.
Purificando a mente
Isso você pode fazer para purificar a sua mente. Mas se quiser ter mais pureza, pode fazer mais um exercício espiritual, que é até mais efetivo. Todos vocês sabem o significado de AUM, o nome de Deus. Para começar a fazer, no domingo você vai repetir o sagrado nome de Deus, o Supremo, cem vezes; segunda-feira, 200 vezes; terça, 300; quarta, 400; quinta, 500; sexta, 600; sábado, 700. Então, no domingo seguinte, você diminui para 600; segunda, 500 e assim por diante, para 400, 300, 200 e cem vezes. Se quiser estabelecer Pureza ao seu redor, dentro e fora de você, esse é o exercício mais eficaz. Em Nova Yorque, alguns dos meus discípulos faziam e ainda fazem ele. Devo dizer que eles atingiram uma considerável purificação das suas naturezas e problemas emocionais. Sem a pureza, nada permanece na nossa natureza, no nosso corpo, no nosso organismo, na nossa vida. A pureza é necessária. Se a pessoa é carente de pureza, nenhuma Verdade divina pode ficar permanentemente com ela. Mas aonde houver pureza, a paz, luz, bem-aventurança e poder serão capazes de existir com mais sucesso e verdade. Isso não quer dizer que eu estou dizendo que vocês são todos impuros – longe disso; mas a natureza mais pura, a vida mais pura sempre terão as bênçãos mais profundas do Supremo. Quanto mais puros formos, mais próximos estaremos do Supremo.
Silenciando a mente
Agora vamos ao problema do pensamento. Muitos de você se tornam vítimas dos pensamentos – pensamentos feios, incomuns, tolos, medrosos – no momento em que entram em meditação. Como podemos nos livrar desse ataque? A primeira coisa que você tem que saber é se os seus pensamentos que estão lhe atacando estão vindo do mundo exterior ou de dentro de você. No início é difícil reconhecer os pensamentos que estão vindo de fora e aqueles que estão surgindo de dentro de você. Mas aos poucos, será capaz de saber que alguns pensamentos estão vindo de fora e que eles podem ser devolvidos mais rápido do que os que vêm de dentro.
Você começou a sua meditação e todos os pensamentos e ideias impuras entram em você. Bem, quando vê que um pensamento está para entrar, por favor, tente trazer a vontade da sua alma lá do seu coração, e colocá-la em frente da sua testa. No momento em que a vontade da sua alma é vista pelo pensamento este está apto a desaparecer. Mas temos que saber se é um bom ou mau pensamento, divino ou não divino. Se for um pensamento divino, por favor, receba-o bem. Se estiver pensando em Deus ou em Alegria e Amor divinos, em expandir a Beleza, a Pureza, permita que esse pensamento venha lá de dentro e deixe ele brincar e se expandir. Ou tente segui-lo. Se tiver a ver com Graça, sobre Divindade, Infinitude, Eternidade, Imortalidade, por favor, veja aonde esse pensamento vai, siga-o como um cachorrinho. Mas se for um pensamento ruim, contra-ataque imediatamente com a vontade da sua alma. Esses são aqueles que eu falei que vêm de fora.
Agora, eu quero pegar os pensamentos que já temos acumulados dentro de nós. Quando vemos um pensamento surgindo de dentro de nós e ele não for divino, e sim totalmente impuro e obscuro, imediatamente devemos tentar fazer uma ou duas coisas. Uma é sentir que há um buraco bem no topo da nossa cabeça e que esse pensamento é como um canal, ou um rio, que corre para fora e não vota mais. Ele se foi e nós o perdemos. O outro método é ver que nós somos um oceano ilimitado e que esses pensamentos são como peixes. Representamos as profundezas do oceano com seu sentimento de calma e tranquilidade. Na superfície está a brincadeira do peixe.
Mas eu quero dizer que seria aconselhável a cada um de vocês desde já, lutar com os pensamentos exteriores e lidar depois, com os pensamentos interiores. Se houver pensamentos interiores, tente crescer com eles e sinta que eles são como os pés da Infinitude, da luz e da Felicidade Infinitas. E tente fazer crescer o seu corpo, mente, coração e alma com esses pés.
Meditar no coração é mais seguro
Agora sobre a meditação mais profunda. Aqueles que estão meditando no ajna chakra devem também praticar a concentração no coração. Se o coração permanecer estéril – quer dizer, se esse centro (apontando para o coração) não estiver aberto e o terceiro olho sim, haverá uma grande quantidade de confusão na natureza humana. Se esse centro do coração não abrir e se a Pureza não estiver a todo tempo aplicada a ele, você terá visões e será vítima da impiedosa tentação. Tentará ver algo e dizer imediatamente às pessoas ou tentará entrar em alguém para ver o que está acontecendo na sua natureza. Há 1001 coisas que levará você para longe, muito longe do caminho da espiritualidade. Ao menos e até que a parte emocional da nossa natureza humana seja totalmente purificada, um dos grandes perigos é abrir esse centro (o terceiro olho).
Então digo para, por favor, se concentrarem primeiro no centro do coração. Esse centro é chamado de anahata. Você terá toda a Alegria e Amor nele. Nesse mundo, do que nós precisamos? De amor. Quando tivermos conseguido Alegria e Amor, aí vamos querer ter a Visão ou Sabedoria daqui (o terceiro olho). Esse centro de Visão deve ser aberto após o centro do coração, ou haverá o risco do fracasso. Mas há pessoas que abriram esse centro (o terceiro olho) sem terem aberto o centro do coração e pela Graça do Supremo não cometeram os assim chamados erros.
Meditação para mulheres
As mulheres, sem exceção, devem tentar meditar no centro do coração. É mais fácil para elas do que para os homens abrir o centro do coração. Para os homens é mais fácil abrir o terceiro olho. Mas ambos, homens e mulheres, devem abrir ambos os centros. Há outros centros também, mas vamos pensar no ajna, na testa e no centro do coração o anahata.
Meditando no coração
Enquanto meditar vamos nos concentrar primeiro, no centro do coração e depois no ajna, o centro do terceiro olho. Enquanto medita, por favor, tente obter a localização exata do ajna. Não é entre os olhos, nem entre as sobrancelhas, mas um pouco acima – não no centro da testa, mas num ponto um pouco acima do ponto entre as sobrancelhas. Ali você tem que meditar. No início, se achar difícil olhe para um espelho e coloque um ponto acima do ponto entre as suas sobrancelhas e tente fixar o lugar.
Meditar em casa
Quando estiver meditando em casa, se possível, medite sozinho. Essa regra não se aplica a um casal, se tiverem o mesmo mestre espiritual, pois nesse caso, eles podem meditar juntos. E amigos espirituais muito próximos que entendam um ao outro em suas vidas interiores, podem meditar juntos. Em outra circunstância, não é aconselhável meditar junto numa sala privativa. No centro não é assim; os discípulos devem meditar coletivamente lá. Mas para a meditação diária individual, eu sinto que é melhor se a pessoa meditar em seu próprio espaço, secretamente.
Horário para meditar
Sobre a hora da meditação: a melhor hora, de acordo com os videntes indianos, sábios e mestres espirituais é às 4h da manhã. Ela é chamada de Brahma Muhurta, o momento ou a hora de Brahma, a melhor hora. Mas no ocidente, se você vai para a cama muito tarde, a melhor hora é cinco e meia ou seis horas da manhã. Mas se a pessoa for para a cama meia noite e meia ou 1h da manhã, e levanta às 9h, para ele, 9h é o melhor horário. Logo, isso tem que ser estabelecido de acordo com cada caso e a capacidade individual.
Essa é a primeira meditação do dia. Se puder meditar entre meio-dia e meio-dia e meia, por 10 ou 15 minutos, maravilha. Essa meditação também tem que fazer em alguma sala, não na rua. Virá um dia, quando será capaz de meditar em qualquer lugar, dirigindo ou fazendo qualquer coisa.
Quando o sol estiver para se por, você pode olhar para o sol e meditar. Tente meditar por 10 minutos. Nesse momento, tente sentir que se tornou um com o sol, com a natureza cósmica. Você fez a sua parte muito bem durante o dia e agora vai descansar – esse é o sentimento.
Medite então na hora do descanso – 9 ou 10 horas da noite ou a qualquer hora que for para a cama. É sempre melhor ir para a cama às 11h da noite. Mas a necessidade não tem lei; se obrigatoriamente você tiver que trabalhar à noite, faça isso.
Qual é a melhor meditação?
Cada um deve meditar à sua própria maneira. Algumas vezes me perguntaram o que fazer se não houver uma boa meditação – por estarem agitados. Se qualquer um de vocês estiver com dificuldade de meditar num dia em particular, não tente se forçar. Se você for meu discípulo, apenas olhe para a minha foto. Não tente meditar, nem se concentrar. Apenas olhe para a minha foto, para os meus olhos, minha testa ou nariz – simplesmente olhe. Se você for discípulo de algum outro mestre, ou se não tiver um guru, mas tiver uma foto de alguma coisa para se concentrar, concentre-se nisso e não tente se forçar a meditar. Quando se levantar para o trabalho, não se sinta infeliz nem uma vez porque não conseguiu meditar. Se sentir que não conseguiu meditar e por isso o seu Ser Interior está insatisfeito com você, ou você próprio está triste consigo mesmo, estará cometendo um grande erro. Se não puder meditar num dia, tente deixar a responsabilidade comigo ou na pessoa de sua adoração, o Supremo ou Deus. Nunca se puna. Se se punir, o progresso que fez ontem ou anteontem, será perdido.
Comendo antes e depois da meditação
Sobre comida: por favor, não coma uma refeição pesada antes da sua meditação. Deve haver um mínimo de duas horas entre a refeição e a meditação. Pessoas dizem que deve-se esperar duas horas e meia, mas eu digo, um mínimo de duas horas. Se quiser comer após a meditação, por favor, espere meia hora. Nessa meia hora, pode circular ou ler, se gostar.
Mas não coma imediatamente após ter meditado. Após ter tido uma meditação apropriada pode beber uma pequena quantidade de leite, água ou suco, mas não uma refeição completa. Outra coisa: suponha que você está morrendo de fome e sabe que, se comer, terá que esperar duas horas para meditar. Nessa hora, beba um pouco de água ou suco. Você tem que saber que quando está extremamente faminto, não vai meditar, porque essa fome o macaco, estará lhe beliscando constantemente. Você tem que alimentar o macaco e fazê-lo ficar quieto por alguns minutos. Se quiser meditar por meia hora, coma ou beba algo primeiro, pois isso só tomará alguns segundos – não é uma refeição completa, apenas uma pequena quantidade. Na Índia, muitas pessoas cometem o mesmo erro. Estão com fome, mas não comem, porque sabem que, se comerem, irão ter que esperar ao menos por duas horas. Então, não fazem uma meditação apropriada. Por favor, não medite com fome.
(Palestra de Sri Chinmoy em 24/07/1968, no centro de Porto Rico)
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.
Nenhuma pessoa é igual à outra, ainda que compartilhem da mesma genética. Isso é porque em cada ser humano existe o brilho único da alma.
Meditação significa, ao mesmo tempo, mergulhar na essência da alma e trazê-la à tona, para o cotidiano.
Para isso, são necessários passos intermediários: a concentração e a focalização da consciência no coração espiritual. O coração espiritual é livre de dúvidas ou julgamento, justamente por estar mais próximo da radiância da alma. O coração é a porta que o leva até a alma.
Sob a orientação de Sri Chinmoy, buscamos inspirar os buscadores que freqüentam os cursos, independente de religião, a utilizar esses instrumentos para alcançarem suas metas mais elevadas.
Também é muito importante o contato com outros praticantes de meditação. A meditação é um aprendizado interior, e o contato com outros buscadores acelera tremendamente esse processo.
O que é meditação?
por Ashirvad Zaiantchick
Meditação é o processo de ir além do domínio da mente, elevando a nossa consciência. Nas palavras do Mestre Sri Chinmoy: “Quando rezo, eu falo e Deus escuta. Quando medito, Deus fala e eu escuto.”
Vivemos em uma sociedade na qual o uso da mente é incentivado desde a infância. Com isso perdemos a capacidade de nos conectar ao plano interior, onde paz, luz e satisfação existem de forma abundante. A meditação nos permite resgatar essa conexão de forma natural.
Há diversas técnicas e formas de prática de meditação, mas as mais antigas e difundidas são as seguintes:
1. Meditação em silêncio.
O silêncio exterior, e a quietude do corpo, mente e emoções revela ao buscador o plano interior. É um processo que exige completa concentração e domínio dos pensamentos.
2. Meditação com mantras.
O canto de mantras específicos silencia a mente, e permite uma aproximação com a alma. A meditação com mantras é tão poderosa quanto a silenciosa.
3. Visualização.
Utilizando a mente para visualizar cenas e situações específicas, pode-se entrar em contato com uma nova realidade. Tal realidade traz consigo paz, luz e satisfação.
Os benefícios da meditação são diversos, e uma rotina de prática diária é fundamental para que seus benefícios sejam estabelecidos de forma duradoura.
O tempo de prática pode ser desenvolvido gradualmente, e mesmo 10 minutos diários são suficientes para que se notem resultados concretos depois de algumas semanas.
Na prática
Nos cursos que oferecemos, a meditação é trabalhada de forma integral. A teoria é abordada com profundidade, mas o foco é na prática.
Para obter informações ou se inscrever no nosso próximo curso gratuito, por favor clique aqui.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.
Uma vida de verdadeira renúncia é uma vida que vive no mundo, mas não deriva seus valores do mundo. -Sri Chinmoy
Pergunta: Precisamos viver no mundo material para praticar a espiritualidade?
Sri Chinmoy: Certamente, precisamos viver no mundo material. Mas precisamos saber que o “mundo material” pode significar duas coisas. Para alguns, o mundo material significa comer, dormir, desfrutar, entregar-se aos prazeres da ignorância. Para outros, o mundo material significa a criação de Deus — o mundo em que vivemos, este planeta. Se considerarmos “mundo material” neste segundo sentido, então podemos facilmente praticar a espiritualidade no mundo material.
Viver no mundo material significa aceitar nosso dever. Digo a todos os meus discípulos que eles precisam trabalhar. Trabalhar significa disciplina física, serviço dedicado a Deus. Vocês não estão trabalhando para me manifestar na Terra; longe disso. Vocês estão trabalhando para disciplinar suas vidas para que, a cada momento, a cada segundo, possam divinizar suas vidas e ser parte integrante de algo espiritual, algo divino.
Deus, o Criador, também está dentro da criação. A criação não pode ser separada do Criador. Portanto, a criação, que vemos na forma do mundo material, deve ser aceita. Se não a aceitarmos, como poderemos mudá-la? Se eu não tocar em algo, se eu não entrar nos meus discípulos com suas imperfeições, como poderei transformá-los? Não devemos negar o mundo; devemos aceitá-lo. Sempre que virmos algo errado, precisamos entrar nessa coisa específica com a Luz da nossa alma para transformá-la.
… Sri Chinmoy, Autodescoberta e domínio do mundo, Agni Press, 1976
Pergunta: Qual é a melhor maneira de meditar durante a ação?
Sri Chinmoy: Durante a ação, a melhor maneira de meditar é lembrar-se de oferecer a si mesmo, a ação e o resultado da ação ao Supremo. Quando você para de meditar e entra no mundo da ação, pense na sua ação como uma continuação da sua meditação. Quando você medita em silêncio, você vai muito alto, muito fundo. E quando você começar suas atividades diárias, sinta que esta é outra forma de meditação, chamada manifestação. Meditação em ação é manifestação.
Deus precisa ocupar a mente, e nesse estado de concentração divina, deve-se servir à humanidade. Nesse exato momento, o próprio serviço se torna a maior recompensa. No campo da espiritualidade, embora meditação e concentração constituam abordagens totalmente diferentes, o trabalho e o serviço dedicado nada mais são do que pura meditação.
Em todas as suas atividades, tente sentir a presença de Deus. Enquanto alimenta seu filho, sinta que você não está alimentando seu filho, mas sim o Deus dentro dele. Enquanto conversa com alguém, sinta que está conversando com a Divindade dentro dessa pessoa. Você não precisa ir ao seu altar e meditar em Deus com lágrimas de devoção se, naquele exato momento, você tem algo muito importante para fazer no mundo exterior. Seja o que for que você faça, por favor, tente pensar que Deus lhe deu a oportunidade de fazer isso; pense que você está fazendo algo que, em última análise, o conduzirá à sua realização.
Sri Chinmoy, Meditação: a escolha do homem e a voz de Deus, parte 2, Agni Press, 1974
Devoção
Devoção é a completa submissão da vontade individual à Vontade Divina. Devoção é adoração. Adoração é a alegria espontânea que brota do coração. Quem pode ser o objeto de nossa adoração? Deus. Como podemos adorá-Lo? Através de nossa entrega total.
O homem ama. Ele espera amor em troca. Um devoto ama. Mas ele ama os seres humanos por amor ao seu doce Senhor que habita em tudo. Seu amor respira humildade, alegria espontânea e serviço altruísta.
Devoção é o aspecto feminino do amor. É doce, energizante e completo. Sri Aurobindo diz: “Depois que soube que Deus era uma mulher, aprendi algo distante sobre o amor; mas foi somente quando me tornei mulher e servi ao meu Mestre e Amante que conheci o amor plenamente.”
Um devoto vê um círculo que é Deus. Ele entra nele com o clamor de sua alma. Então, silenciosamente, ele vem e permanece no centro do círculo e se transforma em uma árvore de êxtase.
Uma criança não se importa em saber quem é sua mãe. Ela apenas deseja a presença constante e amorosa de sua mãe diante dela. Semelhante é o sentimento do devoto por seu Senhor. Muitos se oferecem para ajudá-lo em sua jornada de vida. Mas ele não se importa com a ajuda deles. A Graça de Deus é seu único auxílio e refúgio. Os tormentos do inferno são muito fracos para atormentá-lo enquanto ele está lá com seu Senhor. Sua vida no inferno é uma vida de perfeita felicidade. Seus sofrimentos e tribulações no Céu não têm limites se ele estiver lá sem seu Senhor ao seu lado.
A devoção é uma emoção que comove a alma. Ela permeia dinamicamente toda a consciência do devoto. Devoção é ação. Essa ação é sempre inspirada pelo ser interior do devoto.
A devoção traz a renúncia. A verdadeira renúncia nunca é uma vida de isolamento. A renúncia é uma aversão total à vida animal da carne. É também uma ausência total do ego. Uma vida de verdadeira renúncia é uma vida que vive no mundo, mas não deriva seus valores do mundo.
Devoção é dedicação. A dedicação dá ao devoto a sua autorrealização. A autorrealização é a infinitude de Deus.
Diferentemente dos outros, um devoto sente sinceramente que não possui nada além do seu desejo por Deus. Seu desejo é a sua joia. A Graça de Deus é a Sua joia. Ao oferecer sua joia a Deus, o devoto se vincula a Deus. Ao dar Sua joia ao Seu devoto, Deus o liberta e o realiza.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.
Uma seleção de escritos de Sri Chinmoy, em tradução ao português
Pergunta: Como podemos ver o divino em outro ser humano quando cada ser humano tem tantas falhas?
Sri Chinmoy: Já que você deseja ver o divino nos outros, você já percorreu metade do caminho. Algumas pessoas não querem ver o divino nos outros. Pelo contrário, querem ver apenas o que não é divino nos outros para poderem criticar e ridicularizar. Mas quando você se torna um buscador sincero, então você tenta ver o divino nos outros, apesar de suas limitações. Ao vermos as limitações de alguém, apenas atrasamos nosso próprio progresso. E, ao mesmo tempo, não ajudamos a outra pessoa de forma alguma. Se encontrarmos defeitos em alguém, suas qualidades não divinas não desaparecerão, nem as nossas diminuirão. Pelo contrário, suas qualidades não divinas virão à tona em sua defesa, e nosso orgulho, arrogância e sentimento de superioridade também virão à tona. Mas, ao enxergarmos o divino em alguém, aceleramos nosso progresso e ajudamos a outra pessoa a estabelecer sua própria vida de realidade em algo divino.
Na vida espiritual, precisamos ver os outros com o coração de um amante e não com o olhar de um crítico. Cada indivíduo conhece suas próprias limitações, mas ainda assim deve pensar principalmente em suas possibilidades e potencialidades divinas. Ao pensar constantemente em suas potencialidades divinas, ao concentrar sua atenção em suas possibilidades divinas, ele é capaz de entrar no reino da realidade plena.
Para enxergarmos o divino nos outros, precisamos amar. Onde o amor é intenso, as falhas são sutis. Se você realmente ama alguém, então é difícil encontrar defeitos nessa pessoa. Seus defeitos parecem insignificantes, pois amar significa união. Essa união vem da nossa aceitação consciente da realidade dela como ela é. Uma mãe, apesar de conhecer as inúmeras limitações de seu filho, não deixa de amá-lo, porque estabeleceu sua união com ele. Se há imperfeição na criança, a mãe assume essa imperfeição como sua. E quando a criança cresce, ela sente que as fraquezas da mãe são suas.
Se você acha difícil amar o humano em alguém, então ame o divino nele. O divino nele é Deus. Só porque você é um buscador, você sabe que Deus existe nessa pessoa, assim como Deus existe em sua própria vida. Mesmo que seja difícil amar o humano como tal, para você amar a Deus é extremamente fácil porque você sabe que Deus é divino e perfeito. Então, cada vez que você olhar para um indivíduo, se você puder se tornar consciente da existência de Deus nele, então você não poderá ser perturbado conscientemente por suas imperfeições ou limitações.
Sri Chinmoy, Cinquenta Barcos da Liberdade para uma Costa Dourada, parte 4, Agni Press, 1974
Pergunta: Sou médico. Não deveria servir a Deus em meus pacientes primeiro?
Sri Chinmoy: Não, não, não. Você é médico, é verdade. Mas logo de manhã, antes mesmo de ver um paciente, você tem que pensar em Deus, meditar em Deus. Só então você estará fazendo a coisa certa. Neste momento, você está vendo Deus em seus pacientes. Essa é a magnanimidade do seu coração. Isso é maravilhoso. Você está vendo Deus em seus pacientes, então você será mais cuidadoso, mais sensível, em seu trato com eles. É isso que Deus quer. Mas essa sensibilidade, essa compaixão, esse amor e preocupação com seus pacientes — de onde você está tirando isso? Você está tirando isso do seu próprio coração, da sua alma. Mas se você não meditar, acha que vai conseguir isso? Se você não observar o silêncio ou sentir paz por alguns momentos pela manhã, você não vai conseguir. Há muitos médicos que são muito pouco divinos, insensíveis, porque não fazem o que é preciso primeiro.
Medique de manhã cedo antes de ir para o hospital. Só porque de manhã cedo você está orando e meditando a Deus por alguns minutos, isso significa que você tem amor por Deus. Então, quando você vai para o hospital, você está demonstrando seu amor e devoção ao Supremo nos outros. Então, na verdade, você está fazendo duas coisas, e ambas têm um valor considerável. Você faz a primeira coisa primeiro; mas sente que apenas a segunda coisa que está fazendo é a certa. Não, ambas são igualmente certas. Você dá um passo de cada vez. Não se pode dar dois passos ao mesmo tempo. Primeiro você pisa em uma perna e depois na outra. Portanto, no seu caso, você está fazendo absolutamente a coisa certa. De manhã cedo, você ora a Deus; esse é o seu amor por Deus. Então, você espalha esse mesmo amor para seus pacientes, que são seus irmãos e irmãs.
Sri Chinmoy, Perseverança e aspiração, Agni Press, 1976
Pergunta: Guru, o senhor nos diz para vermos a Presença de Deus dentro de nossos filhos. Isso está correto?
Sri Chinmoy: Certamente. Quando sua filha sorri, nesse momento você realmente vê a Presença de Deus. Mas no momento em que ela grita e faz algumas coisas não divinas, nesse momento você vê Deus ali? Não, você simplesmente diz: “Este é o meu destino. Este tipo de Deus eu não quero.” Eu sempre digo aos pais para sentirem que Deus está dentro de seus filhos. Os pais não devem bater nos filhos. Então, o que acontece? Por um dia eles me ouvem e no dia seguinte, quando os filhos fazem algo não divino, os pais não veem a Presença de Deus. Eles batem nos filhos.
Então é verdade que você tem que ver a Presença de Deus dentro de seus filhos, dentro da humanidade. Mas neste momento você verá algo divino e no momento seguinte verá imperfeição. Então imediatamente você mudará de opinião e dirá que Deus não está lá. Mas se você sentir a Presença de Deus dentro de si primeiro, então é fácil ver a Presença de Deus dentro dos outros. Se você mantiver sua própria divindade dentro de si, não importa quem você veja, essa pessoa será uma projeção da sua própria divindade.
Sri Chinmoy, Perseverança e Aspiração, Agni Press, 1976
Pergunta: Existe alguma qualidade específica pela qual as pessoas saberiam que somos seus discípulos, do seu ponto de vista?
Sri Chinmoy: Há apenas um caminho. Se cada discípulo aumentar seu amor pelo Mestre, então um dia todos os discípulos verão o Mestre uns nos outros. Agora, assim que você fica com raiva de alguém, você não me vê dentro do outro discípulo. Você vê todas as forças hostis nessa pessoa. Assim que você fica com raiva de alguém, você me vê lá? Não, você vê todas as forças hostis dentro dessa pessoa. Os discípulos devem tentar ver dentro dos outros a presença viva do Mestre.
… Sri Chinmoy, Não todos os dias, mas a cada momento: perguntas e respostas esclarecedoras, comentários e palestras, Agni Press, 2013
Pergunta: O que significa, de fato, ver o divino em alguém ou em algo?
Sri Chinmoy: Existem várias maneiras de ver o divino em alguém ou em algo. Tentar ver Deus conscientemente é uma abordagem. Outra abordagem é vê-Lo espontaneamente. Suponha que você entre em um jardim. Você não está tentando conscientemente ver a beleza ou sentir a fragrância das flores. Espontaneamente, a beleza delas o atrai. É como um ímã. Se seus olhos não são atraídos pela beleza das flores e se você precisa conscientemente se aproximar muito de uma flor específica e colocá-la diante do seu nariz, então não é espontâneo. A beleza está lá, mas somente quando a beleza age como um ímã espontâneo é que a manifestação imediata da beleza entrará em seus olhos e coração, assim como já entrou em sua alma. A beleza que você sente dentro de sua mente e dentro de seu coração é a verdadeira beleza.
Vou lhe dar outro exemplo. Ontem de manhã, fui ao Parque Goose Pond. Estava garoando e eu estava correndo devagar. Passei cinco vezes por um homem sentado em um banco que estava muito bêbado. Cada vez que eu passava por ele, ele sorria para mim. Eu não conseguia entender o que ele estava dizendo, mas cada vez que eu passava por ele, ele me dizia algo encorajador. Ora, se eu tivesse que tentar conscientemente ver o divino nele — se eu tivesse dito: “Ele também é criação de Deus. Embora ele esteja bebendo muito, deixe-me ver o divino nele” — eu teria perdido meu tempo. Mas cada vez que eu passava por ele, espontaneamente eu sentia uma alegria imensa. Se eu tivesse me identificado com sua vida exterior, eu teria ficado enojado. Eu não gosto nada de bebida. Para mim, é algo abominável. Mas enquanto eu passava por ele, eu via o divino nele. Sua divindade interior me atraía imediatamente. Seu coração entrava em mim e meu coração entrava nele. Portanto, eu sentia uma alegria sincera.
Se a alegria ou a doçura que a alma nos dá vem imediata e espontaneamente, então podemos facilmente ver a divindade em algo ou alguém. Mas se tivermos que pensar na alma ou nos concentrar na alma de uma cadeira ou de algum outro objeto, estaremos perdendo tempo. No nível humano, todos estão tentando ter consciência de Deus e também estamos conscientemente tentando adquirir algumas boas qualidades. Os buscadores podem tentar ver o divino nos outros, mas podem não ter como entrar na alma ou no coração de outro indivíduo.
Se você conseguir ter um sentimento espontâneo, isso é absolutamente o mais importante. Então, se você vir que alguém é um bom buscador, que está orando e meditando ou que tem outras boas qualidades, então você poderá apreciar o divino nele. Você não permitirá que sua insegurança, ciúme, impureza ou mente dividida interfiram. Não deve haver competição entre você e essa pessoa.
Às vezes acontece que o coração aprecia, mas a vitalidade sente ciúme ou a mente é mesquinha. A mente não permite que você sinta alegria. Se você vir uma flor bonita, a mente pode dizer: “Eu não sou tão bonita quanto esta flor, então quem se importa com ela?” Novamente, quando você vê uma flor bonita, pode dizer: “Como eu gostaria de ser tão bonita quanto esta flor, tão perfumada quanto esta flor”. Esse desejo não gera inveja, insegurança ou separação.
Mas apenas desejar não basta. Se você vir alguém meditando ou orando com fervor, você deve orar a Deus: “Por favor, ajude-me a me tornar tão fervoroso e devoto quanto esta pessoa”. Então Deus verá que você não está competindo com essa pessoa. Você está apenas vendo algo belo — como uma bela flor — dentro dela. Deus vê que você deseja se identificar com o aspecto divino Dele que já se manifestou dentro dessa pessoa. Então Deus dirá: “Um dos Meus filhos alcançou algo e agora outro filho Meu passou a apreciá-lo, em vez de sentir inveja. Este filho está orando a Mim para ter as mesmas boas qualidades. Estou mais do que pronto para concedê-las a ele”.
Muitas vezes acontece que, se não temos certas boas qualidades, tentamos depreciá-las nos outros. Tentamos não ver valor nelas. Mas, novamente, existem algumas almas boas que querem se tornar melhores e as melhores. Hoje elas são boas. Amanhã elas querem se tornar melhores e as melhores. Como nos tornamos melhores — nos separando ou nos unindo? Nos separando, seja por mesquinhez, inveja ou insegurança, nunca, jamais poderemos nos tornar melhores. Somente usando o caminho positivo, tendo paz, equilíbrio e amor pelo Divino que se manifesta, podemos nos tornar melhores. Não amaremos a flor ou o buscador em si, mas a divindade que tornou a flor bela, a divindade que tornou o buscador espiritual. Você precisa ter amor pela divindade que se manifesta em cada coisa.
Se você sentir a divindade espontaneamente, isso é sempre o melhor. Caso contrário, se você vir algo belo ou divino, pode tentar conscientemente se tornar isso, orando a Deus. Então, o desenvolvimento do seu corpo, vital, mente, coração e alma aumentará e se espalhará amplamente. Sua própria divindade florescerá muito mais rapidamente se você puder apreciar a beleza ou a divindade de outra coisa ou de outra pessoa. Se você for sincero, Deus nunca pensará que você ficou com inveja. Não, você não está competindo ou lutando. Você está apenas apreciando, admirando e adorando algo que o próprio Deus manifestou em outra pessoa.
Há também outra maneira de ver a divindade nos outros. Esta é a maneira mais elevada. Quando uma mãe vê que seu filho é muito bonito ou habilidoso, quando ela vê as capacidades da criança, ela não ora a Deus: “Ó Deus, por favor, me dê a mesma capacidade! Meu filho é tão alto e forte! Ele corre tão rápido! Ele é tão inteligente!” A mãe imediatamente sente que as qualidades de seu filho são todas dela. Isso não se deve ao fato de ele ser produto dela, mas sim porque ela estabeleceu uma união inseparável com o filho a tal ponto que sente que tudo o que ele tem é dela e tudo o que ela tem é dele.
Se sua consciência for muito elevada — mais elevada que a mais elevada — você pode estabelecer exatamente esse mesmo tipo de união com os outros. Quando Sudhahota faz algo, eu tenho essa união com ele. Eu não digo: “Supremo, podes me dar a velocidade que ele tem?” Não. Eu tenho essa união com ele que sinto que eu o fiz. A mente dirá que você está se enganando. Mas se o coração obtém a mesma alegria que ele, graças à força dessa união, então é absolutamente real. Às vezes, a pessoa que alcançou o feito pode não ser tão feliz quanto outra pessoa. Eu vi que a mãe de Sudhahota sente mais alegria com o sucesso dele do que o próprio Sudhahota.
Da mesma forma, meu irmão Mantu costumava sentir infinitamente mais alegria com meu desempenho no atletismo do que eu. O coração dele se enchia de alegria se eu chegasse em primeiro lugar. No dia da minha competição, ele passava o dia inteiro preocupado comigo. A sua dedicação era tanta que parecia que o mundo inteiro ia desabar se eu não me saísse bem nos 100 metros ou no salto em distância. É claro que eu sentia alegria com o esporte. Mas, se você medir a alegria, a dele era maior do que a minha. A dedicação pode estar no mesmo nível, ou alguém pode sentir mais alegria do que a pessoa que realmente alcançou o objetivo.
Primeiro, tente enxergar a divindade nos outros espontaneamente. Se ela surgir imediatamente, ótimo. Se não surgir imediatamente, então, no nível humano, tente enxergá-la conscientemente. Se você perceber que alguém já alcançou mais divindade do que você, ou que Deus manifestou um aspecto de Sua Divindade em outra pessoa mais do que em você, então você pode tentar imitar essa pessoa ou pode orar a Deus para que Ele lhe dê as mesmas qualidades. Não há nada de errado em imitar algo bom. Quando uma criança tenta imitar o pai, ela não é uma mera imitadora. Ela aprecia, admira, adora e ama sinceramente o jeito de andar e de falar do pai. Tudo o que o pai diz, ela imita. Quando a criança imita as boas qualidades do pai, ela não se torna uma cópia exata. Ela observa as boas qualidades, as qualidades divinas do pai, e por isso deseja ter as mesmas qualidades. Prontidão, disposição e entusiasmo vêm à tona a cada instante para inspirá-la e energizá-la a se tornar tão grandiosa e tão boa quanto o pai.
No seu caso, sua divindade não diminuirá se você orar a Deus para que o torne tão sincero, ambicioso ou altruísta quanto outra pessoa. Ela apenas aumentará. Você já possui algumas boas qualidades, mas ao apreciar, admirar, adorar e amar o desenvolvimento da alma em outra pessoa, você pode aumentar suas próprias boas qualidades. Aqui não há inveja, não há competição, apenas a apreciação vem à tona. Você tem tanta gratidão que deseja estabelecer a unidade.
…
Sri Chinmoy, Respostas de Sri Chinmoy, parte 24, Agni Press, 2000
Pergunta: Como podemos sempre enxergar as qualidades divinas nos outros?
Sri Chinmoy: Se você não enxerga as qualidades divinas em outra pessoa, você sentirá que está vendo um tigre, uma cobra, uma pantera, um touro ou algum outro animal; você verá inveja, dúvida, medo ou outras qualidades negativas. Quando você vê qualidades não divinas nos outros, você sente que esses são animais ferozes. Então, o que acontecerá? Esses animais ferozes irão devorá-lo. Se você vir um tigre à sua frente, você acha que o tigre simplesmente irá embora? A própria natureza de um tigre é devorar você. Se você enxergar as qualidades não divinas nos outros, imediatamente esses animais ferozes virão e o devorarão.
Por outro lado, se você enxergar em cada pessoa uma criança divina, ou uma bela flor, ou uma vela acesa simbolizando a ascensão da chama da aspiração, você se encherá de alegria. Se você enxergar dentro deles alguém orando e meditando, ou uma criança divina e luminosa, você se encherá de alegria. Se você enxerga o divino em uma pessoa, sua força, inspiração e aspiração aumentarão. Todas as suas qualidades divinas se intensificarão. No momento em que você pensa que vê uma qualidade não divina em alguém, imagine sua mão cheia de tinta. Você está sujo. Pode lavá-la com um bom pensamento. Mas se tocar a tinta novamente, mesmo depois de lavar a mão uma vez, ela voltará a ficar suja e preta.
Se você não busca as qualidades negativas, automaticamente as positivas se manifestam. É assim: ou você gosta de uma pessoa ou não gosta dela. Se você não sente desgosto por alguém, automaticamente gosta dessa pessoa. É uma coisa ou outra; não há meio-termo. Em um dado momento, ou você está pensando em Deus ou está pensando em Satanás. A cada instante, a mente está pensando em algo positivo e criativo ou em algo negativo e destrutivo.
Portanto, o melhor é enxergar as qualidades positivas nos outros. Se você conscientemente enxerga as qualidades positivas, as negativas não podem se manifestar.
Sri Chinmoy, Brilho da Aspiração e Fluxo da Dedicação, parte 2, Agni Press, 1977
Artigo feito com tradução automática – pode conter erros.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.
Para criar o hábito de ler todos os dias, separei algumas dicas que uso pessoalmente e que diversas pessoas e estudos também utilizam para se acostumar a ler todos os dias.
“O corpo é um templo. O templo precisa de janelas. Suas janelas são os livros, livros ricos em alma e sublimes.
Mas a porta, o portão principal do templo, é a aspiração.”
-Sri Chinmoy
Primeiro de tudo: motivação para a leitura
Por que você quer ler ou acha que deve começar a ler todos os dias? Há várias respostas, como os benefícios da leitura são tantos e tocam em tantas esferas da vida, possivelmente todas são válidas. Ou seja, você nem consegue imaginar agora de quantas formas a leitura lhe fará bem. Praticando a leitura diariamente, você verá na sua benefícios que nem imaginava.
Para mim são três motivações principais: 1) inspiração – eu gosto de ler conteúdo que me instiga ser uma pessoa melhor. 2) tranquilidade – percebo que a minha mente fica satisfeita, centrada e disciplinada, então meu dia fica assim também. 3) Ficar longe das telas – eu trabalho e faço muitas outras coisas pessoais no computador. Na verdade, quando menos você usar o celular e as telas durante o dia, mais vontade terá de ler. Quanto mais ler, menos vontade terá de usar o celular. Quanto mais ficar no celular, menos vontade terá de ler. Ou seja, basta começar, e o resto vai se ajeitando. No celular, o seu cérebro desaprende coisas importantes que a leitura lhe ensina, como focar numa coisa por vez e aproveitá-la.
O que começar a ler?
É importante ler algo que você queira sinceramente ler. Ler um livro porque o título é famoso talvez lhe seja uma leitura imposta por si mesmo. Pode dar certo, mas talvez não dê. Na sua vida, você gosta do quê? Esportes? Leia sobre esportes. Jogos de RPG? Leia sobre RPG. Meditação? Leia sobre meditação.
Lembre-se que a vida é curta – então não perca tempo lendo coisas que não acha excelentes! Mude de livro para encontrar algo que sinta que lhe atraia!
Quanto tempo ler? Metas pequenas ou grandes?
Vai da dinâmica de cada um. Pra mim, é mais fácil me propor ler 30min de manhã cedo, e o resto que ler durante o dia será “lucro”. Para algumas pessoas, talvez fazer pequenas metas, como 5 minutos ou duas páginas algumas pode ser um bom começo. Pessoalmente, acho que uma sessão mais comprida, 15min ou mais, é mais transformadora. Mas veja como funciona melhor para você. Você pode ver quantas páginas em média tem os capítulos do seu livro, e quem sabe ler um capítulo ao dia, dividindo em dois dias se um capítulo for muito maior que a média. Alguns livros (como as bíblias de estudo) são feitos já pensando em leituras diárias. A cada dia do ano você tem um tanto certo a ler. Se perder um dia, deixe-o para trás e continue em frente!
Dicas para cumprir a meta
Mantenha livros por perto e visíveis. Deixe um livro de poemas na gaveta do trabalho. Um livro de ficção na cabeceira. Outro de história na mesa. Um livro espiritual na mochila para ler durante a viagem de metrô ou ônibus.
Tenha uma hora marcada para leitura
Meu horário de leitura é durante os 30min seguintes à meditação matinal. Costumo ler por 5-10min durante o almoço. Costumo ler mais uns 5-10min antes de dormir. Cada horário desses é um livro diferente, um tema diferente. Veja como funciona melhor para você, mas é sempre bom deixar as coisas importantes pro começo do dia.
Quando termino a minha leitura matinal é quando tenho a sensação de “agora sim, estou pronto para começar o meu dia!”
Local confortável para ler
Nem sempre funciona, mas se organizar o seu local de forma que ele seja convidativo, isso ajudará a manter o hábito. Eu não gosto de ler sentado – acho cansativo. Eu gosto de ler deitado na cama, e tenho um peso de papel para manter o livro aberto se deito de lado. Se deixar de bruços, tenho um apoio para manter o livro equilibrado no meu peito e minhas mãos ficam relaxadas, sem precisar segurar o livro. No fim da tarde, às vezes leio deitado na rede. Mas cada um é diferente – talvez você fique sonolento e prefira ler sentado.
Aproveite horários alternativos
Ler durante a viagem de trem ou metrô ou ônibus é uma ótima forma de aproveitar o tempo para algo valioso e ao mesmo tempo não prestar atenção em coisas desnecessárias. O horário de almoço ou logo antes de dormir é uma boa forma de somar mais 5-10 minutos de leitura no seu dia. O tempo voa lendo algo que você gosta! Com a prática, será um prazer ir ao metrô sabendo que terá 20min para uma leitura!
Aparelhos eletrônicos
Não recomendo usar kindle, telefone celular, etc, pois a tendência é você acabar se distraindo (de diversas formas, incluive lembrar de carregar o aparelho na tomada) ao ter de lidar com equipamentos eletrônicos, principalmente o celular. Na verdade, quando menos você usar o celular durante o dia, mais vontade terá de ler. Quanto mais ler, menos vontade terá de usar o celular. E lembre-se: nem encoste no celular durante o horário de leitura. Tudo que aparecer lá de mensagens e etc você verá apenas depois de terminada a sua leitura.
O papel é superior
O papel é como se fosse uma autoestrada da leitura. Não há distrações, não há buracos, é só seguir em frente. Nos equipamentos eletrônicos de leitura, sempre aparece uma mensagem, um piscar da bateria, um lembrete, um alarme, uma propaganda no canto da tela, mil opções de interação com a página, trocar seu desenho de usuário, etc…
O papel tem mais um condão especial – ele é uma criação especial da humanidade, consegue guardar a consciência dos escritos – algo que se perde quando vemos o mesmo texto numa tela digital. Ou seja, para realmente ler, você precisa estar ali, na frente do papel, e não na tela do computador ou celular.
Clube de leitura e outros planos maiores de leitura
Participar de um clube de leitura pode ajudar você a ter recomendações de livros parecidos com os que gosta e às vezes uma meta a ser cumprida (por exemplo, “este é o livro do mês”).
Se você já está acostumado a ler diariamente, outros planos maiores também podem ser uma inspiração: Sri Chinmoy é o meu autor favorito, então tenho planos de ler todos os seus 1500 livros. Eu gosto de poesia em língua inglesa, então peguei os poetas que Sri Chinmoy elogia e li boa parte da obra completa de todos eles (uns 10, digamos). São referências, desafios e sugestões que têm a ver com você. História do Egito, Império Romano, Ficção Científica – vai de cada um.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.
Texto de Sri Chinmoy, traduzido e compilado por Patanga Cordeiro
No trecho abaixo, Sri Chinmoy explica para um de seus alunos o significado da devoção.
…No ocidente, deveriam cultivar um pouco mais a devoção. Primeiro de tudo, no ocidente não se conhece o significado da devoção. Eles pensam que mostrar-me devoção quer dizer que eu sou os Himalayas e vocês são uma pequena colina. Mas não, a devoção na verdade significa que você demostra carinho e serviço atenciosos ao seu próprio Altíssimo. Quando olha para mim, se demonstrar devoção, não é a mim que você demonstra esse carinho atencioso, mas sim ao Altíssimo em mim e que habita dentro de você também. Quando a devoção vem, você deve sentir que demonstra devoção ao seu próprio Altíssimo em que deseja conscientemente se tornar.
A seguir alguns trechos selecionados sobre o significado da devoção:
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSCar, BB e CEF.