Brahman é o Infinito Imperecível. Outro nome para Brahman é Aum. Aum é o Criador. Aum é a Criação. Aum está na Criação. O Aum está além da Criação.
O significado de Aum pode ser descoberto através de livros. Mas o conhecimento de Aum nunca pode ser obtido através do estudo dos livros. Ele deve ser conquistado vivendo-se uma vida interior, uma vida de aspiração, que transportará o aspirante aos níveis mais elevados de consciência. A maneira mais fácil e mais efetiva para subir alto, mais alto, altíssimo, é carregar-se de amor puro e devoção genuína. Dúvida, medo, frustração, limitação e imperfeição estão destinadas a se entregar ao amor devotado e à devoção entregue. O amor e a devoção têm o poder de possuir o mundo e serem possuídos pelo mundo. Ame a manifestação de Deus; você descobrirá que a criação cósmica é sua. Devote-se à causa da manifestação cósmica; você verá que ela o ama e o considera como parte de si.
Não há mantra mais poderoso do que a mãe de todos os mantras, Aum, o som cósmico. Um yogi ou personalidade espiritual escuta esse som auto-criado nos mais profundos recessos de seu coração. Quando começar a ouvi-lo, você poderá ter certeza de que está bastante adiantado na vida espiritual. A sua Realização não mais será um mero brado em meio à escuridão. O dia em que você alcançará sua Auto-realização se aproxima rapidamente.
Chamamos o Aum de anahata nada, o som sem-som, ou o som que não foi soado. Empregamos o termo ‘sem-som’, mas isso é dizer pouco. O som cósmico é inaudível aos nossos ouvidos comuns, mas se ouvirmos o som sem-som dentro do coração, veremos que ele é infinitamente mais poderoso do que o som mais alto que possamos produzir. Na suavidade pode residir um tremendo dinamismo. Por vezes eu falo de forma paterna, com grande carinho e afeição. Falo com muita suavidade e delicadeza, mas ainda assim uso um poder absolutamente dinâmico. Talvez eu esteja sorrindo e oferecendo todo tipo de afeição, mas em minha suavidade há um poder vulcânico.
Se repetir a palavra Aum todos os dias por duas, três ou quatro horas, você guardará a vibração desse som em seu coração. Não será preciso entoar o som interiormente, pois entoando-o exteriormente o som interior se cria automaticamente. Quando o som sem-som vibra constantemente em seu coração, todo o seu corpo fica carregado de sabedoria divina, luz divina, poder divino. Praticar esse único mantra é suficiente para levá-lo a Deus.
Aum é o símbolo de Deus, a vibração do Supremo. É um som único, indivisível, indescritível. Ouvindo-o interiormente, identificando-nos com ele e vivendo em seu interior, seremos libertos dos laços da ignorância e realizaremos o Supremo dentro e fora de nós.
Durante o entoar do Aum, o que na verdade acontece é que a paz e luz descem das alturas e criam uma harmonia universal em nosso interior e exterior. Enquanto repetimos Aum, tanto o ser interior quanto o exterior ficam inspirados e carregados com luz divina e aspiração. O Aum é sem igual. Ele guarda infinito poder. Simplesmente repetindo Aum podemos realizar Deus.
Quando recitar Aum, procure sentir que Deus está subindo e descendo dentro de você. Centenas de buscadores na Índia realizaram Deus simplesmente repetindo Aum. Não importa quão grave seja um pecado, se uma pessoa entoar algumas vezes Aum a partir das profundezas de seu coração, a Compaixão onipotente de Deus perdoará e concederá redenção ao buscador. Num piscar de olhos, o poder do Aum transforma escuridão em luz, ignorância em conhecimento e morte em Imortalidade.
São várias as formas de se entoar Aum. Quando o fazemos com grande força da alma, entramos na vibração cósmica, onde a criação é perfeita harmonia e a dança cósmica é executada pelo Absoluto. Se cantamos devotadamente, tornamo-nos um com a Dança cósmica; tornamo-nos um com Deus o Criador, Deus o Mantenedor, e Deus o Transformador. Aum é ao mesmo tempo a Vida, o Corpo e o Alento de Deus. Isso é o que você pode sentir cantando Aum.
Quando for atacado no plano vital emocional, e pensamentos, ideias e vibrações ruins tomarem conta de você, repita Aum ou o nome do Supremo tão rapidamente quanto o possível. Não o faça lentamente. Enquanto tenta afastar as impurezas da sua mente, é preciso entoar como se estivesse correndo para embarcar num trem em movimento.
Durante o japa, não prolongue muito o som. Se alongar a sílaba Aum, não terá tempo para cantá-la quinhentas ou seiscentas vezes. Basta dizer de uma forma normal mas devotada, de forma que você sinta a vibração. E precisa ser feito em voz alta, não em silêncio. Deixe que o som do mantra vibre até mesmo em seus ouvidos físicos e permeie todo o seu corpo.
Recita-se Aum em voz alta porque, quando a mente exterior se convence, sentimos mais alegria e entrevemos uma conquista maior. Todavia, se soubermos como adentrar a fonte original do som, que fica dentro do coração, não precisaremos entoar em voz alta. É de fato possível recitar Aum silenciosamente ou ouvi-lo interiormente, sem realmente pronunciá-lo. Onde quer que estejamos, o som do Aum já estará presente. Poderemos ouvir o som de Aum sem o cantarmos, mas não saberemos de onde vem, se é do nosso coração ou da atmosfera.
Às vezes, durante a meditação os buscadores ouvem o som de Aum ainda que ninguém o esteja recitando. Isso quer dizer que interiormente alguém canta ou cantou Aum, e a sala de meditação preservou o som. Se tivermos consciência durante o sono, ouviremos o som de Aum. Não é o batimento do coração que ouvimos, mas sim o som sem-som. Será uma sensação muito convincente.
Se você quiser meditar enquanto estiver num lugar público, onde há todo tipo de barulho e perturbação, busque adentrar o seu próprio som interior. Para a sua surpresa, verá que os sons que o incomodavam um minuto atrás não mais o perturbam. Na verdade, um sentimento de plenitude surgirá pois, ao invés de ouvir barulho, você ouvirá música divina, uma música divina gerada em seu interior.
Mas Aum não é um termo que possui significado em nossa cultura.
É verdade. Na sua cultura a palavra mais significativa é ‘Deus’. Já na Índia, repetimos Aum ou o nome de um deus ou deusa cósmica, como Shiva ou Kali. Quando se entoa um mantra, o mais importante é saber em que aspecto do Supremo temos fé absoluta. Eu uso a palavra ‘Deus’ aqui no ocidente, porque sei que toda a vida vocês foram ensinados a orar para Deus. Mas Aum também pode existir em você com toda a significância que é peculiar a esse som. Chegará um dia em que será capaz de mergulhar mais fundo dentro de si, e se Aum o inspirar mais do que ‘Deus’, você deverá entoar Aum. É a inspiração recebida o que mais importa. Assim, você pode recitar ‘Deus’ se for o que mais lhe inspira.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSC, UNESP, UNISUL, UFSCar, BB e CEF.
O mundo interior nos diz que amar Deus é a nossa responsabilidade suprema, nossa única responsabilidade e nosso dever. O mundo exterior nos diz que servir a Deus, a Autoridade Suprema, é o nosso dever.
Se vivemos no mundo exterior e não aspiramos, seremos perseguidos por muitas perguntas. A primeira e mais importante é: “Quem é Deus?” A resposta será dada pelo mundo interior, mas não a ouviremos. A resposta do mundo interior é: “Quem não é Deus?” Essa é a resposta certeira que obteremos do mundo interior. Apesar de também ser uma pergunta, dentro dela mora está a resposta: todos são Deus, Deus no processo de auto-preparação, auto-revelação e auto-manifestação.
Há buscadores maduros e buscadores imaturos. Há pessoas aspirantes na Terra e há pessoas não aspirantes na Terra. As pessoas não aspirantes nos dirão que a vida interior é inútil. Elas dirão que os buscadores espirituais estão buscando uma meta vazia. Não há objetivo: é tudo fantasia mental, alucinação e autoengano. As pessoas aspirantes que não são maduras de tempos em tempos tentam fazer os outros sentir que são maduras. Elas oferecem sua própria sabedoria e julgamento, dizendo que o mundo exterior nada é senão um elefante enfurecido, que a agressão é o que reina, a destruição é o que reina. Essas pessoas sentem que não há alma, objetivo, realidade, mas sim apenas um elefante enlouquecido ou um tigre devorador que está destruindo o mundo exterior.
Mas os buscadores da Verdade suprema que possuem uma certa luz sabem com uma certeza que o mundo interior e o mundo exterior são ambos criações de Deus. Quando pensamos sobre o mundo interior, somos lembrados de Deus, a criação. O Criador e a criação devem ser vistos juntos. Deus sente que Ele é completo e perfeito precisamente porque Ele possui a criação dentro de Si, Consigo, a Seu redor e por Ele. A criação sente que é perfeita porque Deus, que é todo Perfeição, é a sua Fonte. Sem o auxílio e capacidade do mundo interior, não é possível progredir; ficamos cegos. A pessoa precisa de luz para caminhar pela estrada da perfeição, ou não conseguirá alcançar o seu destino, que está muito, muito distante. E, caso não dê o valor adequado às capacidades do mundo exterior, não fará progresso, pois não terá pernas. Tanto os olhos quanto as pernas são precisos; tanto o mundo interior quanto o mundo exterior são necessários para a perfeição. O mundo interior incorpora a visão, que é a realidade verdadeira. O mundo exterior incorpora o poder, o poder dinâmico, que também é indispensável. A luz é necessária e indispensável para a realização no mundo-silêncio interior, e o dinamismo é necessário e indispensável para a manifestação no mundo-som.
O mundo interior e o mundo exterior. O Aquele que deseja se tornar a Vida do Infinito, a Realidade da Eternidade e a Beleza da Imortalidade deve prestar a atenção devida a ambos os mundos. Ambos os mundos são de importância fundamental: o mundo-semente interior e o mundo-fruto exterior. É dá semente que obtemos o fruto, e do fruto que obtemos a semente. No mundo interior Deus nos reivindica e eternamente nos guarda como parte de Si. No mundo exterior tentamos e choramos para reivindicar Deus como parte de nós e reciprocar o Amor de Deus por nós.
Quando oramos e meditamos, quando mergulhamos fundo nos mais íntimos recessos do nosso ser, não apenas sentimos que estamos no mundo interior, mas também sentimos que somos o próprio mundo interior. Quando transformamos a nossa existência exterior aqui, ali e acolá numa mão que auxilia, num coração que serve e numa vida que ama, nos tornamos uma existência tudo-amorosa – e não apenas vivemos no mundo exterior, mas nos tornamos um com o mundo exterior em toda a sua realidade.
No mundo interior há um tesouro inestimável, que é o clamor constante por conhecer o Altíssimo e se tornar o Absoluto. No mundo exterior também há um tesouro imortal, inestimável, que é o sorriso, o sorriso iluminador. O buscador sorri para a vasta criação de Deus. Seu sorriso é a unicidade-identificação da sua própria existência-realidade com a criação inteira de Deus. Tanto no seu mundo interior e exterior, o buscador chora e sorri devotadamente, repleto de alma e incondicionalmente. Ele chora por alcançar a Altitude absoluta da maneira de Deus, à Hora escolhida por Deus. Ele sorri para ver, sentir e manifestar Deus. Ele enxerga Deus, sente Deus e manifesta Deus, a Realidade Suprema, da maneira que Deus quer que ele O veja, sinta e manifeste.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSC, UNESP, UNISUL, UFSCar, BB e CEF.
Como voltar a ser criança, ou “como desaprendemos os ensinamentos da mente?”
Sri Chinmoy: A maneira principal é trazendo a luz da alma para a mente e também para os ensinamentos da mente. Então a luz da alma irá iluminar ou obliterar tudo que a mente, a mente física, a mente duvidosa e suspeita nos ensinou. A mente humana comum nos ensinou muitas coisas. A mente está constantemente suspeitando, a mente está constantemente duvidando, constantemente trazendo a verdade até nós de sua própria maneira. Mas com a luz da alma as coisas que aprendemos podem ser facilmente deixadas de lado ou iluminadas.
Ou então, se tentarmos constantemente trazer o coração à tona e não dermos nenhuma atenção à mente física, automaticamente desaprenderemos o que a mente nos ensinou. Essa é a segunda melhor forma. É como o ditado de que “o que os olhos não vêem, o coração não sente.” Se não revermos os ensinamentos da mente, naturalmente esqueceremos deles. Ao mesmo tempo, para desaprender coisas antigas, os ensinamentos da mente, devemos dar atenção às coisas novas, aos ensinamentos do coração. Quanto mais aprendemos coisas no coração e do coração, mais cedo esquecemos as coisas antigas que aprendemos com a mente de dúvida e suspeita.
Sri Chinmoy, Self-discovery and world-mastery, p 27, Agni Press.
Coloque a mente dentro do coração. Pegue a mente e coloque-a no rio do coração. A mente é como uma criança travessa. Antes, ela estava dormindo. Assim, a mãe podia ficar em silêncio e orar a Deus. Entretanto, a criança agora acordou e quer fazer traquinagens. Ela não quer mais deixar que a mãe aspire. O que a mãe vai fará? Ela ameaçará a criança, dizendo: “Ainda estou orando, ainda estou meditando. Se você me perturbar, terei de puni-la”. Enquanto a mente deixar que você medite, você não precisa se preocupar. Mas quando ela começar a incomodá-lo e a causar dor, isso significa que ela não quer que você receba mais paz, luz e bem-aventurança sublimes. Você precisa usar o poder de sua alma e colocá-la no coração.
Se puder permanecer no coração, começará a sentir um clamor interior. Essa súplica interior – que é a aspiração – é o segredo da meditação. Quando um adulto chora, o seu choro geralmente não é sincero. No entanto, quando uma criança chora, mesmo que esteja chorando só por um doce, ela é muito sincera. Nessa hora, o doce é o mundo inteiro para ela. Se você lhe der uma nota de 100 dólares, ela não vai ficar contente. Ela está interessada apenas no doce. Quando uma criança chora, o pai ou a mãe imediatamente vai até ela. Se você puder suplicar do seu mais profundo interior por paz, luz e verdade, e se essa for a única coisa que irá satisfazê-lo, então é certo que Deus, que é o seu Pai e sua Mãe eternos, virá para ajudá-lo.
Você sempre deveria sentir que está tão desamparado quanto uma criança. Assim que você sentir que está desamparado, alguém virá para ajudá-lo. Se uma criança estiver perdida na rua e começar a chorar, alguém de bom coração vai mostrar onde é a casa dela. Sinta que você está perdido na rua, e uma tempestade está chegando. Dúvida, medo, ansiedade, preocupação, insegurança e outras qualidades não-divinas estão vindo até você. Entretanto, se você chorar com sinceridade, alguém virá para socorrê-lo e mostrará como chegar até a sua casa, que é o seu coração. E quem é essa pessoa? Deus, o seu Piloto interior.
Hoje você pode ser um principiante na vida espiritual, mas não sinta que será um iniciante para sempre. Em algum momento, todos foram iniciantes. Se praticar concentração e meditação diariamente, se for sincero de verdade na sua busca espiritual, então é certo que fará progresso. O importante é não desanimar. A realização-Deus não acontece da noite para o dia. Se você meditar com regularidade e devoção, se puder clamar por Deus como uma criança que chora pela mãe dela, então não vai precisar correr até a meta. A meta virá e se colocará diante de você, considerando-o como uma parte dela mesma.
Uma maneira de aumentar a sua receptividade é ser como uma criança. Se a mãe diz para ela: “Isso é bom”, a criança não tem nenhuma tendência a pensar que aquilo é ruim. Não importa o quão evoluído você seja na vida espiritual, poderá progredir do modo mais rápido possível se tiver uma atitude de criança, um sentimento de criança inocente autêntico e sincero.
O nosso progresso será mais rápido se meditarmos no coração. Quando meditamos na mente ou dentro da mente, sentimos que já sabemos bastante sobre a vida espiritual. Porém, quando olhamos para o interior profundo, descobrimos que não sabemos quase nada sobre a vida espiritual. Só acumulamos informação nas nossas mentes – informação, nada mais. Mas, quando meditamos no coração, sentimos que somos como crianças que realmente querem aprender tudo de novo com a sua mãe ou pai. A criança sente que não sabe nada, mas quer aprender tudo da forma correta.
Portanto, o meu conselho aos buscadores que desejam seguir o nosso caminho é que se concentrem e meditem no coração. E mesmo aqueles que não se encaixam no nosso caminho podem tentar meditar no coração. Não é só o nosso caminho que enfatiza a importância de meditar no coração. Há outros caminhos e outros Mestres espirituais que defendem a mesma ideia.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSC, UNESP, UNISUL, UFSCar, BB e CEF.
Pelos textos de Sri Chinmoy, sei que meditar é várias coisas: um processo de identificação, um mergulho fundo, um voo alto, uma forma de ouvir Deus. E é muito mais, de acordo com a sua capacidade de meditar. Um instrumento para se tornar Deus.
Sou iniciante na meditação, acredito sinceramente, apesar de ter praticado sem falta por dezoito anos hoje. Hoje é domingo, então resolvi fazer uma meditação de uma hora no fim da tarde.
Cada vez que olho para a foto de Sri Chinmoy ao meditar – eu medito na foto do meu Mestre, que é uma das formas mais tradicionais de meditação – sinto algo mais vivo, mas próximo. Vou descrever minha meditação com essa referência, da foto. Mas é certo que outras pessoas devem ter experiências similares de outras formas.
Às vezes a foto parece tão viva – mais viva do que eu.
Mais viva do que qualquer coisa, na verdade, no sentido de que consciência define vida. Ela é mais consciente do que as coisas vivas que costumo enxergar.
Às vezes ela é tão profunda, vasta.
Meditar nela é como um salto, um pulo num poço à la Alice no País das Maravilhas – como se pudesse mergulhar lá em queda livre por dias sem alcançar o fundo.
Às vezes é tão elevada, sublime.
Observá-la é como lembrar-se da sua Meta altíssima.
Às vezes a foto parece se preocupar, cuidar de mim.
Isso foi, inclusive a minha primeira experiência ao ver a foto de Sri Chinmoy dezoito anos atrás. Ela era muito séria, rigorosa, e parecia se importar profundamente com o rumo que eu dava para a minha vida. Eu sentia que ela queria que eu tivesse a melhor vida possível e, ao mesmo tempo, que ela sabia que eu não sabia como fazer isso. E percebi que, com o passar do tempo, as coisas que deveria fazer ou me tornar para ter essa vida foram-me sendo ensinadas, na maior parte do tempo, a partir do interior.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSC, UNESP, UNISUL, UFSCar, BB e CEF.
Dicas para meditação 48 – quando o progresso espiritual parou e é difícil meditar
Pergunta: Quando o aspirante sente que o progresso espiritual dele parou e é difícil meditar, o que deveria fazer?
Sri Chinmoy: É bem possível recuperar essa aspiração e há várias maneiras de fazer isso. A primeira maneira é repetir o nome do seu Mestre espiritual. Ou, se não tiver um Mestre, pode repetir “Aum” ou “Supremo”. Deveria repetir o nome enquanto inspira. Não há necessidade de contar quantas vezes está fazendo isso. Pode repetir o nome interiormente e em silêncio, assim como em tom alto. Ao inspirar, repita-o silenciosamente por três vezes. Será mais do que capaz de fazer isso. Então, pode repeti-lo alto. Da cabeça aos pés, faça a palavra vibrar. Essa é uma abordagem.
A segunda forma de conseguir aspiração novamente é sentir que ela é como uma candeia. Vamos imaginar que o vento a apagou. Ela não está mais acesa. Você precisa de luz. Quem pode oferecer luz? Alguém com uma chama incandescente de aspiração. Quando um aspirante em particular está perdendo ou perdeu sua aspiração, imediatamente deveria ir até outro aspirante em quem a aspiração está refulgente.
Outro segredo é comparar os momentos em que teve com essa vez em que não tem aspiração. Quando teve aspiração, o que sentiu? E agora que não tem aspiração, o que está sentindo? Tente ver quantas experiências teve no período de sua intensa aspiração. Suponha que, há um ano, eu estava com uma aspiração intensa. Nessa época, tive vinte, trinta ou quarenta experiências elevadas. Deixe-me reunir todas as experiências bem na frente da minha mente, uma após a outra. Que visão eu tive? Vi a Luz? Vi uma aura? Vi outro mundo? Vi alguma outra coisa? Todas essas experiências você tem que trazer de volta. Enquanto estiver recolhendo as experiências da época em que estava com intensa aspiração, verá que essas experiências estão lhe dando uma nova vida. A vida que você levou nos últimos meses – um deserto árido – será agora regada pelas experiências de um ano atrás.
Aspiration-Flames, p. 41-43
Pergunta: Guru, como podemos dizer se estamos subindo ou descendo, quando o movimento acontece em passos tão pequenos?
Sri Chinmoy: Qualquer um pode saber se está subindo ou descendo. Ao descer, imediatamente sua alegria interior, sua satisfação interior, vai embora. Você pode enganar outras pessoas, mas não pode enganar a si mesmo, se for sincero. Pode tentar se enganar ou se iludir, arranjando alguma qualidade divina com sua mente ou seu vital. Mas quando seu mundo interior fica árido, você se sente realmente miserável, caso seja sincero. Se não se sentir miserável quando sua vida interior estiver árida, isso significa que você vai tentar se convencer de que nada está errado, quando tudo está errado. Sua casa foi totalmente incendiada, destruída, mas você diz: “Oh não, minha casa não foi queimada. Essa não é a minha casa. Minha casa está em outro lugar”. No entanto, sabe que ela foi destruída. Ou se você tem um dólar e não o vê de novo, sabe que o perdeu. Como é que pode dizer que não o perdeu? É só um dólar. Entretanto, sabe que foi perdido.
Selfless Service-Light, p. 32-33
Pergunta: Como posso manter a aspiração quando voltar para a Suécia?
Sri Chinmoy: Quando veio da Europa para Nova York, seu bolso estava cheio. Você tinha uma carteira com dinheiro dentro dela. Percorreu milhares de milhas e usou suas finanças. Agora, está voltando de novo e vai ganhar dinheiro, para que possa vir aqui da próxima vez. Você trouxe riqueza material para gastar. De forma semelhante, trouxe riqueza espiritual para sua vida espiritual. Você aspirou com mais intensidade. Naturalmente, obteve Paz, Luz e Felicidade. Veio aqui também conseguir mais inspiração e aumentar suas qualidades divinas. Sinta, por favor, que tem outra carteira dentro do seu coração. Aí você colocou Paz, Luz e Felicidade. Pode manter dentro do seu coração quaisquer qualidades divinas que obteve aqui em Nova York, da mesma maneira que mantém uma nota na sua carteira. Agora você pode voltar à Europa e tentar utilizar sua riqueza espiritual de forma sábia.
Mas existe uma diferença entre riqueza espiritual e riqueza material. Ao usar dinheiro de modo adequado, você pode apreciá-lo por algum tempo, mas gradualmente ele vai desaparecer. Entretanto, ao usar riqueza espiritual, que é Paz, Luz e Felicidade, de maneira apropriada, se oferecê-la à pessoa correta, automaticamente o Supremo preenche seu receptáculo, o recipiente dentro do seu coração. Se você começar com uma pequena gota de Paz e usá-la de uma maneira divina, o Supremo vai lhe dar Paz abundante. No entanto, você precisa usá-la de modo adequado. O Supremo vê se você agiu de forma apropriada. É como uma criança que ganhou um centavo da sua mãe. Quando ela usa direito o dinheiro, a mãe dá 5 centavos. Quando ela usa direito os 5 centavos, a mãe dá 10 centavos. De forma parecida, você recebe Paz, Luz e Felicidade. Se começar a usar essas qualidades de maneira apropriada, quando for perturbado ou se sentir agitado pelas forças erradas do mundo exterior, eu asseguro que a Fonte vai prover mais Paz, Luz, Felicidade e todas as outras qualidades divinas. Sinta, por favor, que está carregando todas as coisas que recebeu aqui dentro do seu coração, ao voltar para a Suécia.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSC, UNESP, UNISUL, UFSCar, BB e CEF.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSC, UNESP, UNISUL, UFSCar, BB e CEF.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSC, UNESP, UNISUL, UFSCar, BB e CEF.
Aqui, na sala de meditação, estamos aspirando. É por isso que nossa consciência está elevada. Então, ao irmos para casa, nossa consciência vai para baixo. Alguma calamidade vai acontecer ou alguma outra coisa surgirá, e vamos perder a nossa aspiração. Mesmo que não haja nada exteriormente que nos impeça de aspirar, nosso próprio ser interior não vai deixar que nós fiquemos no topo da árvore. Às vezes, não há nenhuma perturbação exterior, mas mesmo assim achamos difícil ficar no topo da árvore, porque não vivemos ali no dia a dia. Aspiramos por meia hora com total sinceridade, e então o relaxamento começa. Sentimos que trabalhamos muito duro. Fizemos nossa parte por 5 minutos ou meia hora, e agora sentimos que merecemos descansar por uma ou duas. Começamos a ler jornal ou a assistir à televisão, e dessa forma relaxamos.
No entanto, se quiséssemos manter nosso nível, o ápice da nossa aspiração, deveríamos ser contínuos, fluentes. Suponham que meditamos por uma hora. Talvez a gente não consiga meditar por mais uma hora ou coisa parecida. Sem problema. Faremos algo que vai manter e preservar nossa meditação. Podemos ler livros espirituais ou cantar canções espirituais. Nessa hora, automaticamente nosso ser interior vai nos inspirar a ler livros. Não vamos precisar usar a mente para pensar: “Oh, chegou a hora de ler”. Nosso ser interior vai nos ajudar a fazer a coisa certa. Agora mesmo, nosso ser interior está dentro de nós, profundamente escondido. Entretanto, estamos tentando o melhor, através do yoga, para trazer o ser interior à tona. Depois de ler por meia ou uma hora, podemos visitar um amigo espiritual ou, se isso não for possível, ligar para ele e falar sobre nossas experiências.
Também podemos escrever sobre nossas próprias experiências. Não vamos publicá-las mas, ao colocá-las no papel, vamos revelar nossa própria luz interior e aperfeiçoar nossa natureza espiritual. Por meia hora, podemos escrever e ler o que escrevemos. A cada vez que lemos uma das nossas experiências, obtemos paz, luz e felicidade abundantes. Isso não é falsa imaginação. Assim que escrevemos, criamos alguma coisa. O criador sempre quer apreciar sua criação. Veja o jardineiro. O jardineiro passa por poucas e boas ao plantar e regar a flor. Depois de seis ou sete meses, ao vê-la, ele a aprecia e admira profundamente. De modo semelhante, também conseguimos alegria com nossas criações.
Dessa maneira, fazendo todas essas coisas, podemos ir em frente por cinco ou seis horas. Mesmo enquanto estivermos comendo, podemos nos lembrar das experiências que tivemos na meditação de manhã cedo. Essa imaginação é como uma bateria. Estamos carregando nossa memória com nosso progresso espiritual. Dessa forma, podemos continuar, entrar ou reter nossa meditação.
No entanto, infelizmente, não fazemos isso. Meditamos por meia hora ou 45 minutos. Então nos sentimos cansados e exaustos. Nos envolvemos com pessoas não-aspirantes, lemos livros não-aspirantes, fazemos muitas coisas erradas depois de meditarmos. Sentimos que vimos uma margem do rio. Queremos ir para a outra margem. Mas a outra margem, infelizmente, é toda escuridão. Temos de tentar permanecer na margem que tem luz. Temos de fazer coisas que vão aumentar nossa meditação ou, pelo menos, reter o poder dela. Precisamos ser bem sábios na nossa vida diária, em como gastamos cada hora, cada segundo. Virá um dia em que não vamos ter nenhuma restrição na nossa vida. Nossa própria existência será um fluxo de aspiração. Entretanto, agora temos de usar nossa mente consciente para aspirar.
Precisamos meditar de manhã cedo e então ler, cantar canções espirituais ou encontrar pessoas espirituais. Quando estivermos no escritório ou fazendo alguma outra atividade, temos de tentar permanecer com o fluxo espiritual que obtivemos de manhã cedo. Da nossa meditação matutina, adquirimos paz, luz e felicidade, que são dinheiro espiritual. Precisamos depositar esse dinheiro no nosso coração, que é o mais seguro de todos os bancos. Assim, quando estivermos no trabalho, ao precisarmos nos proteger de pessoas não-aspirantes, podemos nos concentrar no nosso coração e trazer à tona um pouco de paz, luz e felicidade que adquirimos de manhã cedo. Desse modo, seremos capazes de manter nosso patamar espiritual e nosso nível de consciência elevado.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSC, UNESP, UNISUL, UFSCar, BB e CEF.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSC, UNESP, UNISUL, UFSCar, BB e CEF.
Pergunta: No começo da minha vida espiritual, eu tinha um monte de entusiasmo, mas ele minguou. Como posso continuar progredindo firmemente?
Sri Chinmoy: Ao embarcarmos na vida espiritual, precisamos de entusiasmo. Sem ele, não vamos nos mexer um centímetro. Entusiasmo é muito bom, mas disposição em demasia é ruim. Se comermos além da nossa capacidade, vamos ter indigestão. No seu caso, não era entusiasmo. Como um glutão, você ficou disposto ao extremo e tentou comer demais. Não devemos sentir que vamos realizar Deus numa só noite, ou que corremos numa competição em que tentamos vencer todo mundo. Estamos competindo, na verdade, apenas com nossa ignorância. Precisamos tanto de paciência quanto de entusiasmo para vencermos a corrida.
Devemos sempre sentir que temos algo para atingir e algo para dar. Se esperarmos por absoluta paz mental sem abnegação, vamos nos frustrar. Entretanto, o tempo é um fator importante. Podemos pensar com toda a sinceridade: “Vou realizar Deus amanhã”, mas nossa absoluta sinceridade não vai nos conseguir um mestrado numa só noite. Sinceridade é bom, mas devemos ser sábios também. Temos de conhecer nossa capacidade. Se decidirmos que em tal data vamos realizar Deus, estamos fadados ao desapontamento. Deveríamos nos lembrar de que somos como uma criança que estuda um ano, depois vai a uma série mais avançada. Também temos que estudar, que meditar com bastante entusiasmo, mas é um péssimo erro marcar uma data para a conquista da nossa meta. Se formos sinceros, Deus vai nos dar a realização na Hora escolhida por Ele.
Quando acendemos um fogão só um pouquinho, talvez não vejamos a chama. Ao acendê-lo bem, vemos a chama. Também na vida espiritual, primeiro a nossa aspiração é bem pequena. Mas, gradualmente, nos aproximamos pouco a pouco de Deus. Quando nos voltamos diretamente para Ele, nossa chama-aspiração vai queimar de maneira resplandecente. Na vida espiritual, vem uma hora – depois de cinco, quinze ou mesmo trinta anos, dependendo da Vontade de Deus – em que a meditação se torna espontânea. Uma vez que tudo se torne espontâneo, não vamos ter mais a experiência de entusiasmo por cinco minutos e então passar o resto do dia em depressão. Pensamos que, durante aqueles cinco minutos, ganharíamos milhões de dólares espirituais.
É sempre bom ter entusiasmo na nossa vida. De outra forma, não haverá progresso. No entanto, se tivermos disposição em demasia, tentaremos pegar coisas de Deus muito antes de estarmos prontos para recebê-las. Estamos correndo em direção ao nosso destino. Contudo, se tentarmos ir além da nossa capacidade, vamos apenas tropeçar, cair e nos machucar. Isso só pode atrasar nosso progresso. Sejamos pacientes e fiquemos contentes em ir um pouquinho devagar, mas constantemente e com segurança.
Problems! Problems! Are They Really Problems? 1, p. 55-57
Pergunta: Por que é que às vezes, quando alguém faz um progresso interior rápido, isso não se reflete na vida exterior dele?
Sri Chinmoy: Às vezes acontece de você ter a impressão de que alguém está fazendo um verdadeiro progresso interior, mas pode não ser assim. Algumas pessoas tentam mostrar seu progresso interior ou elas se iludem. Às vezes, você vê alguém que está rezando e meditando a toda hora. Fica com a impressão de que ele está fazendo um maravilhoso progresso. Mas só Deus sabe o que ele está fazendo: se está pensando em Deus ou enganando a si mesmo. Entretanto, se alguém realmente faz progresso, esteja certo de que a vida exterior dele também vai passar por uma mudança considerável.
Transformation-Night, Immortality-Dawn, p. 49
Você não terá nenhuma imperfeição quando se tornar consciente e constantemente um com a Vontade do Supremo a todo instante, e fazer a coisa certa de acordo com a mensagem que recebe do seu interior. De outro modo, sua atitude ou sentimento fará quase invariavelmente com que você cometa um erro deplorável. E ao cometer um erro sério uma vez, seu progresso interior pode parar. Ou se cometeu um erro sério, deplorável, então seis meses de progresso podem ser destruídos ou anulados. Porém, se fez uma coisa certa para agradar o Supremo em mim, esteja certo de que progrediu seis meses num efêmero segundo. Num segundo, você pode fazer um progresso surpreendente, incrível, que pode durar por seis meses. Contudo, se comete um erro bem sério, o Mestre perde toda a fé em você. Uma vez que ele perca a fé, seu progresso será totalmente destruído. Faça sempre o Guru sentir que pode ter fé implícita em você, na sua ação, na sua capacidade, na sua sinceridade, na sua devoção.
The Quintessence of Knowledge-Sun, p. 22-23
Pergunta: Como sabemos se estamos crescendo ou retrocedendo espiritualmente?
Sri Chinmoy: Em primeiro lugar, você não está retrocedendo. Não vai voltar à sua vida pregressa. Não desistiu do nosso caminho. Eu ainda sou seu Guru, então você não retrocedeu. Isso é um absurdo.
A outra pergunta é se você está fazendo progresso ou não. Às vezes, quando corremos o mais rápido possível, se nossas mãos, nossas pernas e nosso corpo inteiro estão em perfeita coordenação, sentimos que não estamos correndo. No entanto, se esticamos nossas mãos e nossas pernas, tentando fazer com que os outros e nós mesmos acreditemos que estamos correndo, sentimos que estamos indo bem rápido. Quando estamos no aeroporto, com toda a agitação dele, sentimos movimento. Entretanto, ao entrarmos no avião e começarmos a viajar 500 ou 600 milhas por hora, vamos sentir que não estamos nos mexendo.
Assim, quando você estiver firme no meu barco e confiar no barqueiro, talvez pareça que, às vezes, a embarcação não se mexe. Mas ela está se mexendo. Se você ainda está no barco, e está, tem de sentir que está fazendo progresso.
Há outra maneira de ver seu progresso. Você costumava apreciar vários pensamentos não-divinos: medo, dúvida, inveja e outros. Há quatro anos, veja quantas vezes era vítima dessas idéias. Mas agora, só de vez em quando, talvez esses pensamentos o ataquem. Naturalmente, você fez progresso. Aí está a prova.
The Illumination-World, p. 21-22
Questão: Às vezes, sinto que não só não estou fazendo progresso, como também regredindo na minha vida espiritual.
Sri Chinmoy: Infelizmente, algumas pessoas correm um pouquinho e já ficam cansadas. De fato, elas ficam tão cansadas que deixam que a ignorância as puxe para trás. Uma vez que você tenha começado a correr na vida espiritual, se avançar cansado e desistir da sua espiritualidade, não será capaz de permanecer no mesmo lugar. As forças da ignorância vão atacá-lo impiedosamente e arrastá-lo de volta para o mar dela. Mas a direção da evolução da alma segue apenas um caminho. O progresso que você fez durante sua vida de aspiração não será perdido. A ignorância do mundo físico e do mundo vital cobrem a alma a tal ponto que ela acha extremamente difícil se livrar desse fardo pesado de escuridão e ignorância. A alma fica coberta com um denso véu de ignorância, mas uma vez que o véu seja retirado novamente, toda a sabedoria da alma, adquirida na sua curta vida de aspiração, virá à tona. A alma sempre mantém a quintessência das suas experiências de progresso.
Problems! Problems! Are they really problems? 2, p. 35
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSC, UNESP, UNISUL, UFSCar, BB e CEF.
Pergunta: O que você quer dizer por sentimento complacente?
Sri Chinmoy: Antes, por meses e anos alguns de vocês tentaram descobrir o sentido da vida, para que sua existência pudesse ter pelo menos um pouquinho de um sentimento de alegria ou razão de ser. Vocês estavam buscando alguma coisa, às vezes trabalhando com política ou se envolvendo com a sociedade, mas não havia uma meta mais elevada. Agora que vocês conhecem a meta mais elevada, é questão de atingir essa meta. No entanto, sentem que, por conhecer a meta, ela está ao seu alcance. Antes não havia montanha. Agora estão próximos à montanha e estão esperando para ver se alguém vai na direção dela. Se alguém for, então vão tentar escalar. Vocês se tornaram proprietários da montanha. Ela agora é propriedade sua. Se alguém vier, vocês vão escalá-la para mostrar que ela é realmente sua. É um sentimento complacente. A atitude deveria ser: “Sim, aqui está a montanha. Ela está me reivindicando, mas eu não vou exigi-la até atingir a meta”. Até esse momento, sua reivindicação não pode ser consciente. Às vezes, nos esquecemos totalmente disso. Vemos a imensidão da meta e dizemos: “Como é que podemos reivindicá-la?” Quando a meta olha para o peregrino, ela sempre o considera como sendo muito dela. Aqui, depois de chegar à base, aos pés da montanha, o peregrino deveria começar a escalá-la. Só assim ele pode considerá-la como sendo sua, de maneira consciente e constante. Se o peregrino não pode constantemente reivindicar a montanha, se não pode escalar sem a ajuda dela, então hoje dirá: “Não preciso dela”, e amanhã dirá: “É muito alta. Não posso assimilar a vastidão da montanha”.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSC, UNESP, UNISUL, UFSCar, BB e CEF.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSC, UNESP, UNISUL, UFSCar, BB e CEF.
Dicas para meditação 45 – deixando de acalentar más qualidades
Pergunta: Qual é a pior impureza?
Sri Chinmoy: A pior impureza é o pensamento negativo. Ao estar impuro, você diz: “Não consigo. Não posso fazer a coisa certa. Não posso pensar em Deus ou meditar em Deus. Não posso ver a Luz ou a Verdade”. Isso é dúvida. É a pior impureza possível.
Sempre temos de ver a luz de uma maneira positiva. Posso dizer que tenho luz numa medida pequenininha, minúscula. No entanto, se eu falar: “Não tenho luz nenhuma. Tudo o que tenho é escuridão”, então estou enganando a mim mesmo. Mas se um ser humano comum diz que tem luz abundante e ilimitada, ele também está apenas se enganando.
Se você pensa que não tem nenhuma luz e que é todo escuridão, isso é falsa modéstia e auto-engano. A falsa modéstia e o auto-engano nunca vão levá-lo à realização em Deus. Se você pensar constantemente: “Sou impuro, sou insincero”, então realmente vai ficar impuro e insincero. Alguém pode lhe falar: “Sou impuro”, mas quando diz isso, sente no fundo da mente que é pelo menos uma gota mais sincero que o vizinho dele, que o amigo dele, ou que alguma outra pessoa. Desse modo, a insinceridade também vem da impureza. Portanto, insinceridade, imperfeição e pensamentos negativos são todos formas de impureza.
Quando vemos alguma coisa dentro de nós mesmos, tentamos exibi-la exteriormente. Se tenho insinceridade por dentro, vou demonstrá-la por fora também.
Isso quer dizer: se tenho insinceridade por dentro, vou buscar refúgio exteriormente na casa da insinceridade. Entretanto, se sou sincero e puro por dentro, exteriormente vou procurar abrigo na casa da pureza e da sinceridade.
Portanto, a pior impureza inclui as formas negativas de pensar, a insinceridade e o sentimento de indignidade. Todas essas qualidades negativas são auto-impostas.
Flame-Waves 12, p. 46-47
Pergunta: Guru, como podemos parar de acalentar inconscientemente pensamentos não-divinos?
Sri Chinmoy: Sinta que existem dois competidores: seu Guru e os pensamentos não-divinos. A quem você quer satisfazer? Se quer me satisfazer, não pode acalentar esses pensamentos, porque você sabe que vão fazê-lo se sentir miserável. Ou sinta que você tem um quarto para alugar. Você quer alugá-lo para minha compaixão, amor e consideração, ou quer alugá-lo para os outros locatários: medo, dúvida e insegurança?
Se você não quer acalentar um pensamento, assim que ele vier diga imediatamente: “Guru, Guru, Guru, Guru, Guru, Guru!” Diga isso bem rápido, como um trem bala. Ou pode dizer “Aum” ou “Supremo”. Enquanto estiver dizendo isso bem rápido, esse pensamento não poderá entrar. Depois de cinco minutos, você vai ver que pensou em mim por muito tempo, ao passo que teve esse pensamento não-divino só por um segundo. Vai obter coragem da coisa que fez por tanto tempo.
Você obtém um falso senso de segurança de qualquer coisa a que está acostumado. Você vive numa casa. Logo na próxima porta, seus vizinhos são o medo, a dúvida e a destruição. A qualquer hora eles podem prejudicá-lo. No entanto, só porque vive perto deles por tanto tempo, obtém um tipo de falsa segurança. A três quarteirões, você tem um vizinho que é muito simpático: todo compaixão, amor e consideração. Ele é a sua alma. Mas só porque ele está a três quarteirões de distância, você não o chama. Sente que ele está muito longe e que não é forte o suficiente. Entretanto, isso está errado. O amor, a compaixão e a consideração da alma são extremamente poderosos. Ou você pode sentir que o amor da alma é enorme e, por causa dessa enormidade, você fica com medo. As qualidades não-divinas são pequenininhas. Você sente que pode controlá-las. Quando entram em você, nessa hora elas o controlam.
Illumination-World, p. 14-15
Pergunta: Guru, ao dizer que acalentamos dúvidas e outras coisas não-divinas, o que quer dizer com “acalentar”?
Sri Chinmoy: Quando digo que você acalenta algo, quero dizer que obtém uma espécie de alegria sutil disso. Quando o pensamento começa, é como uma criancinha. Quando uma criancinha belisca um adulto, ele fica com dor. Mas só porque ela é apenas uma criancinha, o adulto não a interrompe. Ele sente dor, mas também uma espécie de alegria por uma coisinha tão pequena estar beliscando-o. Então, quando a criança fica mais velha, o adulto a deixa continuar beliscando-o, porque está obtendo um pouquinho de alegria. Quando a criança cresce e se torna um adolescente, ao beliscar o adulto, vai realmente machucá-lo. Ao crescer, essa criancinha vai dar realmente uma pancada naquela pessoa.
Portanto, esse minúsculo pensamento não-divino, ao começar, é muito pequeno. Ele causa um pouquinho de dor, mas também dá um pouquinho de alegria. Você sente que está protegendo-o, que ele está sob seu controle. Sente que pode jogá-lo fora a qualquer hora. Permite que o pensamento venha à sua casa. Se é um desejo, sente que a qualquer hora pode satisfazê-lo ou não, que depende de você, já que você é o anfitrião. Entretanto, uma vez que esse pensamento entrou na sua casa, vai crescer. Ao ser acalentado, sente que a casa é realmente a casa dele, e que ele é o anfitrião e você o convidado. Então, a responsabilidade é sua.
Patanga começou a prática diária de meditação aos 19 anos de idade sob a orientação de Sri Chinmoy. Encarando a meditação como uma das facetas da vida, a corrida, música, jogos de tabuleiro, escrever, emprego e amor ao próximo foram surgindo — e algumas bastante desafiadoras, como a ultramaratona de 10 dias de duração.
Ele trabalha como servidor público e desde 2003 é professor voluntário nos cursos de meditação do Centro Sri Chinmoy, dando aulas também na USP, Unicamp, UFPR, UFSC, UNESP, UNISUL, UFSCar, BB e CEF.