Coração, Religião, “Guru”

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traduzido por Patanga Cordeiro

(…)

Através dos séculos, cada Mestre espiritual da mais alta ordem ofereceu algo único. Quatro mil anos atrás, Sri Krishna ofereceu sua mensagem suprema à humanidade, ao mundo todo: “Quando o dharma, o código da vida interior, declina, e a falta de retidão prevalece, Ele, a Consciência infinita, encarna a Si mesmo em forma humana, para transformar as tendências malévolas em nós e satisfazer a Realidade em nós.”

Epilogue-sri-chinmoy-dove      Então o Senhor Buddha, dois mil e quinhentos anos atrás, veio com uma mensagem muito especial: “O Caminho do Meio”. Não chafurde nos prazeres dos sentidos e, ao mesmo tempo, não procure a austeridade: não siga nem o caminho da gratificação dos sentidos e nem da mortificação dos sentidos. Cada buscador deve encontrar um equilíbrio, seguindo o caminho do meio. A transformação do nosso eu inferior e a manifestação do nosso eu mais elevado devem ocorrer simultaneamente, mas sem utilizarmos a gratificação dos sentidos ou a mortificação dos sentidos. Essa foi a mensagem do Senhor Buddha.

Dois mil anos atrás o Cristo, o Salvador, veio à arena-mundo. Sua mensagem suprema foi: “Eu sou o caminho, eu sou a Meta.” Aqui “o caminho” representa aspiração e “a Meta” representa salvação. É através da aspiração que se alcança a mais elevada salvação. A aspiração de hoje se transforma na salvação de amanhã.

Desejo mencionar outro Mestre espiritual da mais elevada ordem. Seu nome é Sri Chaitanya. Sua mensagem foi a pureza e o amor – pureza no amor, amor na pureza. Quando alguém alcança pureza no amor e amor na pureza, então ele desfruta divinamente do Deleite, que é a nossa Fonte, nossa eterna Fonte.

Milhares de anos atrás, os Videntes Védicos do passado ancestral ofereceram uma mensagem significante: “Do Deleite viemos a existir. No Deleite crescemos e, ao fim da nossa jornada, para o Deleite nos retiramos.”

Sri Ramakrishna veio com uma mensagem muito significante. Sua mensagem para a humanidade foi: “Chore, chore como uma criança por sua mãe. O coração de uma criança pode facilmente conquistar o Amor, Compaixão, Divindade e Imortalidade da Mãe. Chore, chore como uma criança, uma criança inocente. A Mãe Suprema certamente lhe concederá a iluminação da Altitude mais elevada.”

Então veio Sri Aurobindo, com a mensagem da vida divina, com a mensagem da transformação da natureza. Aqui na terra é onde o físico deve ser transformado, é aqui na terra onde a mensagem da Divindade deve ser manifestada. A transformação da natureza humana e a purificação de todos os membros devem ocorrer aqui na terra, para que a Imortalidade possa encontrar seu devido lugar na estrutura física.

Desde então, muitos Mestres espirituais aqui no Ocidente e também no Oriente ofereceram sua luz à humanidade aspirante. Cada Mestre espiritual tem algo para contribuir ao mundo todo, de acordo com a sua própria realização, sua própria receptividade e com a receptividade do mundo.

Em Sua infinita Generosidade, Deus me deu a oportunidade de servir a humanidade aspirante. Temos um caminho nosso, que é o caminho do amor, devoção e entrega. Para os que seguem o nosso caminho, a necessidade suprema é amor, devoção e entrega: amor divino, devoção divina, entrega divina.

O amor que prende e cega é o amor humano. O amor que expande e ilumina é o amor divino.

Devoção no físico nada é senão apego. Quando somos devotados ao mundo-sentidos, ao mundo-ignorância, não se trata de devoção, mas de apego. Quando usamos o termo ‘devoção’, ele deve ser aplicado apenas ao Divino em nós, à Realidade Suprema em nós. Somos devotados a uma causa mais elevada, a um ideal mais sublime.

A entrega humana é a entrega de um escravo ao senhor. A entrega divina é a entrega da nossa realidade impura, obscura, não-iluminada à nossa realidade completamente iluminada, completamente divinizada e completamente perfeita. O mais baixo em nós se rende à nossa realidade mais elevada. Não é uma entrega imposta, não é uma entrega forçada sobre nós. É a entrega baseada em nosso sentimento de unicidade inseparável com nossa existência-Realidade mais elevada. O finito em nós alegremente, devotadamente, com toda a alma e incondicionalmente se entrega ao Infinito em nós. A gota de água se entrega ao poderoso oceano e, assim, perde sua individualidade e personalidade e se torna o próprio vasto oceano. Igualmente, nós, que agora estamos na consciência finita, aprisionados nessa consciência finita, um dia seremos completamente livres e libertos e realizaremos a eterna Realidade-Liberdade que no mundo interior eternamente somos.

 

– Sri Chinmoy

Universidade de Maryland

18 de Outubro de 1975

Sri Chinmoy Speaks, part 3

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