Dicas para meditar 4: Meditação é uma coisa tão simples e natural

 

A meditação simplifica a nossa vida exterior e energiza a nossa vida interior. A meditação nos proporciona uma vida natural e espontânea, uma vida que se torna tão natural e espontânea que não podemos respirar sem estarmos conscientes da nossa própria divindade.

Sri Chinmoy

 

Dicas para meditar 4: Meditação é uma coisa tão simples e natural

 

Alguns anos atrás uma escritora do Vida Simples participou do nosso curso de meditação e escreveu uma matéria para a revista impressa. Uma amiga minha que também é jornalista reencontrou essa matéria e, pensando no nome “Vida Simples”, me veio o pensamento de que eu poderia retribuir, escrevendo agora eu sobre a como aprender a meditação e abordando o seu aspecto de “simples e natural”.

 

Meditação é muita coisa para muita gente. Para mim, meditação não é técnica. Meditação não se aprende lendo, e eu não posso ensinar para ninguém. Meditação é um anseio interior, que Sri Chinmoy costuma chamar de aspiração. Quando você dá um espaço para a sua meditação acontecer, para a sua aspiração mergulhar (é uma boa figura de linguagem), aí é que você entende o que é meditar. Mesmo uma meditação de um minuto, contanto que seja genuína, faz você levantar do lugar onde estava sentado uma pessoa completamente diferente do que a pessoa que se sentou lá.

 

Quando essa aspiração começa a se manifestar com frequência na vida de uma pessoa, ela se torna uma buscadora – buscadora da Verdade, da Luz, da Perfeição.

 

Agora pensemos. Verdade, Luz, Perfeição escritas assim, com inicial maiúscula… são coisas fáceis de se obter? Um diploma universitário, amigos, bens, são coisas bem simples de se obter. Basta dedicar alguns anos da sua vida. Mas, e o que você faz com isso? Isso lhe traz mais para perto da Verdade, Luz e Perfeição – ou para longe?

 

É por isso que a frase de Sri Chinmoy que abre o artigo é tão genial: “A meditação simplifica a nossa vida exterior e energiza a nossa vida interior. A meditação nos proporciona uma vida natural e espontânea, uma vida que se torna tão natural e espontânea que não podemos respirar sem estarmos conscientes da nossa própria divindade.”

 

Se você quer alcançar uma meta elevada, precisa de foco e dedicação. Precisa também de tempo e energia. Uma vida simples pode proporcionar isso a você. Mas como saber o que é importante e deve ser valorizado e o que é um estorvo e deve ser transformado? Cada um pode dizer diferentes coisas, mas quem está certo?

 

O silêncio do seu coração vai lhe mostrar. De repente, coisas que não queria fazer começam a parecer interessantes. Coisas que gostava de fazer repentinamente passam a parecer tão vazias, sem sentido. Seus amigos mudam, sua casa muda, suas roupas mudam, tudo muda. Como meditar? Você vai aprender também! A técnica que funciona melhor, o melhor professor, tudo vai aparecendo uma hora ou outra.

 

Uma vez que você começa a praticar a meditação (ou outra prática espiritual) com sinceridade e aspiração, a sua alma vem mais à tona, e o seu “eu” buscador começa a mostrar para você o que vale a pena e o que não vale. O que leva você adiante e o que não leva. O que tem futuro e o que não tem futuro. Isso faz com que tenha a oportunidade de deixar que somente as coisas importantes fiquem na sua vida. O seu papel é ouvir o seu coração. O resultado é a Verdade, a Luz, a Perfeição.

 

O texto que abre o artigo termina assim:

“A meditação é um dom divino. Ela é a abordagem direta que leva o aspirante ao Uno de quem ele é descendente. A meditação diz ao aspirante que a sua vida humana é uma coisa secreta e sagrada, e ela afirma a sua herança divina. A meditação lhe proporciona um novo olho para enxergar Deus, um novo ouvido para ouvir a Voz de Deus e um novo coração para sentir a Presença de Deus.”

Sri Chinmoy, Meditation: man’s choice and God’s Voice, part 1, Agni Press, 1974

 

Dicas para meditação 3: Meditação é uma forma de identificação

Meditação

É a perfeita identificação

Com a plenitude.

Sri Chinmoy, Seventy-Seven Thousand Service-Trees, part 23, Agni Press, 2001

 

Dica para meditação 3: Meditação é uma forma de identificação

 

Sinto que a meditação não é uma técnica, mas talvez uma abordagem na sua disciplina espiritual. Minha disciplina espiritual começa de manhã cedo, quando medito na foto do meu Mestre, Sri Chinmoy.

 

Se você não tem um Mestre realizado, você pode meditar de outras formas, no céu ou oceano, no seu coração, na música espiritual.

 

Ele sempre nos ensinou que a melhor meditação acontece a partir do coração, e que o coração possui uma habilidade particular, que é a capacidade de identificação, de unicidade genuína.

 

Depois de uns dez ou quinze anos de meditação diária, minha meditação mudou um pouco. Um dia, em particular, tentei sentir que a minha existência e a existência do Mestre, da consciência que a foto dele traz, não são duas coisas. São uma só. Olhei para a foto e senti que eu sou aquela foto, e todas as coisas que aquela foto é eu também sou.

 

O papel de um Mestre espiritual, numa das minhas histórias favoritas de Sri Chinmoy, é justamente esse, e reproduzo um trecho da história aqui:

O Mestre falou, “Veja, agora mesmo, alguns dos meus discípulos estão molhando a grama. Há pequenas plantas por aqui.” O Mestre apontou duas plantinhas bem miúdas. Então, o Mestre pegou uma pazinha e arrancou uma delas. Pegou a planta toda, raiz e folhas, e dirigiu-se para a outra planta. Aí, também, removeu a planta inteira e substituiu-a pela primeira. Daí, pegou a segunda planta e replantou-a no lugar da primeira.

Então, o Mestre falou, “Olhe aqui. Esta planta é o homem e aquela é Deus. Agora, eu sou o Mestre. Eu cheguei aqui e toquei esta planta. Foi uma questão de minutos, poucos minutos. Tão logo a toquei, imediatamente a planta me deu a divina resposta, e eu a peguei e a coloquei lá onde a planta chamada ‘Deus’ estivera. Então, peguei a planta-Deus e obtive toda Sua Compaixão, Amor, Alegria e Deleite, e os coloquei aqui onde o homem a planta estivera. Foi uma questão de apenas poucos minutos. Levei o homem a Deus e trouxe Deus ao homem.”

 

Praticando tentar me identificar com a consciência do meu Mestre, não apenas parece que tenho mais facilidade para conseguir ter uma experiência mais completa, mas também mais profunda e transformadora. Você também pode se identificar com o céu, com o oceano, com Deus.

 

Também é possível que, durante ou depois da meditação, você sinta identificação com um certo aspecto da sua busca – você pode sentir amor intenso por Deus ou pelo seu Mestre ou pela humanidade. Mas a gama de experiências é vasta, e eu não conseguiria descrever mais do que as experiências que tive.

 

Pergunta: quando medito com o meu coração na sua foto, tenho tido dor de cabeça.

Sri Chinmoy: Você está forçando além da sua capacidade. Você sente que está meditando no seu coração, mas está sendo enganado. Você está na verdade meditando na sua mente, sem ser capaz de sentir a presença da sua mente. Se realmente meditar no coração, você terá o sentimento de identificação. Então, não importando o quão intensamente você medite, não haverá esse problema.

Por gentilea seja mais consciente. Então será capaz de descobrir que está meditando na mente. Se meditar no coração, não importa quantas horas medite ou quanta Paz, Luz e Deleite receba em seu coração, não terá dores de cabeça.

Sri Chinmoy, The mind and the heart in meditation, Agni Press, 1977

Dica de meditação 2: Quando orar parece ser melhor que meditar

Cada pensamento devotado

É uma poderosa oração.

Cada poderosa oração

É uma visão frutífera do homem

Que tenta se tornar

A própria imagem de Deus.

Sri Chinmoy, Ten Thousand Flower-Flames, part 95, Agni Press, 1983

 

Sri Chinmoy costuma sempre dizer que tanto a oração quanto a meditação são muito eficazes, e que as pessoas realizaram Deus tanto pela oração quanto pela meditação. Ainda assim, ele considera que a meditação é um pouco mais rápida, mais incondicional, e que nos traz uma maior sensação de unicidade com o Supremo. (A lógica é que, quando oramos, pedimos algo e, portanto, nos sentimos separados de Deus. Na meditação, a ideia é justamente perceber a unicidade com Ele diretamente.)

 

Mas há momentos, dias, onde fica difícil meditar direito. Principalmente durante o correr do dia, quanto por vezes muitas coisas passam pela cabeça, quando tivemos de lidar com muitas coisas diferentes. Ainda assim tentamos meditar, mas às vezes não funciona.

 

Nessas horas, se você lembrar de manter a sua mente em estado de oração, isso será uma grande ajuda. Você tem um sentimento de consagração, conversando com Deus ou com a natureza. Isso pode lhe dar uma nova perspectiva sobre a sua situação, sobre todas as coisas, na verdade, e fazer com que receba o que teria recebido da sua meditação ou então que passe a ter mais receptividade e logo tenha uma boa meditação.

 

Também é uma oportunidade para quebrar paradigmas seus, para reconsiderar o valor de cada coisa. Na oração, você faz isso de forma consciente. Na meditação, essa realização aparece espontaneamente com a prática diária.

Dica para meditação: 1 – exercícios físicos

Quando a Vontade altíssima deseja exercitar-se em e através do corpo físico, o físico deve desenvolver receptividade para que possamos devotadamente manifestar exteriormente o que temos em nosso interior.

Sri Chinmoy, Lifting up the world with a oneness-heart, Agni Press, 1988

Sri Chinmoy foi um decatleta campeão, jogador de futebol e vôlei durante a sua juventude. Mas mesmo depois do seu ápice por volta dos 30 anos, ele nunca deixou de fazer exercícios. Passou a jogar tênis, fazer corridas e ciclismo de longa distância, e mesmo aos 55 anos, quando seu joelho já não suportava a sua volumosa quilometragem diária, ele passou a fazer levantamentos de pesos de até 3100kg.

 

No caso de um Mestre espiritual realizado, tudo o que ele faz tem um motivo explícito: por ter alcançado unicidade consciente com o Divino, todas as suas ações são obras Dele, e portanto os seus motivos são motivos Dele.

 

Entretanto, quando possível e conveniente, o Mestre espiritual explica para as pessoas porque algo deve ser feito. Por exemplo, não só ele fazia, mas também pedia veementemente que todos os seus discípulos praticassem esportes diariamente. Aos que tinham mais afinidade, encorajava que treinassem bastante para se autotranscender. Aos que tinham menos, ainda assim explicava que o exercício físico é indispensável para seus alunos, não só para manter o corpo saudável, para estender a nossa vida aspirante na Terra, mas também para gerar receptividade no físico. Essa receptividade é a receptividade à luz interior. Por isso, quando fizer exercícios, se pensar conscientemente no seu propósito, isso lhe trará um grande benefício. Por que estou me exercitando?

 

A meditação também se beneficia imediatamente. Eu mesmo não tenho visão interior, mas, tendo lido os escritos de Sri Chinmoy e praticado sua filosofia, e praticado esportes – desde correr por 20 minutos de manhã cedo até fazer ultramaratonas de 10 dias – por muitos anos, posso destacar que a sua meditação melhora não pouco, mas muito, com a prática de esportes.

 

Uma coisa clara é o sentimento de inquietação mental e física. Quando você gasta a energia física, você não a perde. Ela é transmutada de energia física grosseira, inerte (açúcar, gordura, inquietação, letargia), para energia vital dinâmica (vigília, entusiasmo, determinação). Ao terminar de fazer os exercícios, muitas vezes você pode perceber como é mais fácil realizar suas tarefas domésticas, de trabalho, espirituais. Tudo fica mais fácil.

 

A mente também se beneficia muito. Aquela inquietação natural da mente é gasta no processo do exercício, sobrando um estado de vigilância positiva. É como a diferença entre um cachorro treinado e um cachorro destreinado em casa. Quem já teve cachorro em casa deve saber como é. Quando o carteiro chega trazendo correspondência, o cão destreinado morde as coisas, corre aqui e ali, late desesperado, etc. Mas não tinha motivo. O cão treinado só observa se a situação requer intervenção. Se não, ele curva seu instinto e retorna a guardar a casa contra algo que possa ser relevante. Igualmente, a nossa mente deve ser treinada a afastar as coisas ruins, e não a ficar reagindo a tudo e todas as coisas.

 

Em tempos de excesso de informação, sinto que o exercício é uma forma de purificar os padrões que criamos para a mente com tantas mídias dispensáveis. Então, tanto durante o seu dia você fica mais receptivo às coisas sutis que acontecem ao seu redor, quanto durante a sua meditação fica mais fácil se concentrar para mergulhar fundo.

 

Meditação é uma coisa tão simples e natural

livro meditacao

A meditação simplifica a nossa vida exterior e energiza a nossa vida interior. A meditação nos proporciona uma vida natural e espontânea, uma vida que se torna tão natural e espontânea que não podemos respirar sem estarmos conscientes da nossa própria divindade.
Sri Chinmoy, o que é meditar

Alguns anos atrás uma escritora do Vida Simples participou do nosso curso de meditação e escreveu uma matéria para a revista impressa. Uma amiga minha que também é jornalista reencontrou essa matéria e, pensando no nome “Vida Simples”, me veio o pensamento de que eu poderia retribuir, escrevendo agora eu sobre a como aprender a meditação e abordando o seu aspecto de “simples e natural”.

Meditação é muita coisa para muita gente. Para mim, meditação não é técnica. Meditação não se aprende lendo, e eu não posso ensinar para ninguém. Meditação é um anseio interior, que Sri Chinmoy costuma chamar de aspiração. Quando você dá um espaço para a sua meditação acontecer, para a sua aspiração mergulhar (é uma boa figura de linguagem), aí é que você entende o que é meditar. Mesmo uma meditação de um minuto, contanto que seja genuína, faz você levantar do lugar onde estava sentado uma pessoa completamente diferente do que a pessoa que se sentou lá.

Quando essa aspiração começa a se manifestar com frequência na vida de uma pessoa, ela se torna uma buscadora – buscadora da Verdade, da Luz, da Perfeição.

Agora pensemos. Verdade, Luz, Perfeição escritas assim, com inicial maiúscula… são coisas fáceis de se obter? Um diploma universitário, amigos, bens, são coisas bem simples de se obter. Basta dedicar alguns anos da sua vida. Mas, e o que você faz com isso? Isso lhe traz mais para perto da Verdade, Luz e Perfeição – ou para longe?

É por isso que a frase de Sri Chinmoy que abre o artigo é tão genial: “A meditação simplifica a nossa vida exterior e energiza a nossa vida interior. A meditação nos proporciona uma vida natural e espontânea, uma vida que se torna tão natural e espontânea que não podemos respirar sem estarmos conscientes da nossa própria divindade.”

Se você quer alcançar uma meta elevada, precisa de foco e dedicação. Precisa também de tempo e energia. Uma vida simples pode proporcionar isso a você. Mas como saber o que é importante e deve ser valorizado e o que é um estorvo e deve ser transformado? Cada um pode dizer diferentes coisas, mas quem está certo?

O silêncio do seu coração vai lhe mostrar. De repente, coisas que não queria fazer começam a parecer interessantes. Coisas que gostava de fazer repentinamente passam a parecer tão vazias, sem sentido. Seus amigos mudam, sua casa muda, suas roupas mudam, tudo muda. Como meditar? Você vai aprender também! A técnica que funciona melhor, o melhor professor, tudo vai aparecendo uma hora ou outra.

Uma vez que você começa a praticar a meditação (ou outra prática espiritual) com sinceridade e aspiração, a sua alma vem mais à tona, e o seu “eu” buscador começa a mostrar para você o que vale a pena e o que não vale. O que leva você adiante e o que não leva. O que tem futuro e o que não tem futuro. Isso faz com que tenha a oportunidade de deixar que somente as coisas importantes fiquem na sua vida. O seu papel é ouvir o seu coração. O resultado é a Verdade, a Luz, a Perfeição.

O texto que abre o artigo termina assim:

“A meditação é um dom divino. Ela é a abordagem direta que leva o aspirante ao Uno de quem ele é descendente. A meditação diz ao aspirante que a sua vida humana é uma coisa secreta e sagrada, e ela afirma a sua herança divina. A meditação lhe proporciona um novo olho para enxergar Deus, um novo ouvido para ouvir a Voz de Deus e um novo coração para sentir a Presença de Deus.”
Sri Chinmoy, Meditation: man’s choice and God’s Voice, part 1, Agni Press, 1974