Como não cair no sono na meditação

Como não cair no sono

trecho do livro O Mundo Interior e o Mundo Exterior

 

Pergunta: O que posso fazer se tenho a tendência de cair no sono durante a meditação e outras atividades espirituais?

Sri Chinmoy: É uma questão de dar importância às coisas que vêm em primeiro lugar na sua vida. Digamos que algo importante está acontecendo e você está caindo no sono. Você trabalhou duro para mim por oito ou nove horas antes daquilo e, portanto, sente que é bastante natural que você caia no sono. O nosso poder de justificativa não tem fim. Mas você ganha algo ao se justificar? Digamos que eu ofereça uma meditação muito elevada, muito importante, e você dorme o tempo todo em que ela aconteça. Você pensará: “Ele sabe que trabalhei para ele”, o que é verdade. Você pode justificar ter dormido. Mas a pergunta seguinte é: você perdeu algo por ter dormido durante a meditação? Você perdeu algo e não será capaz de obter essa coisa com a sua justificativa.

Então você tem de se perguntar: “O Guru exteriorizou a permissão para eu perder essa atividade porque eu trabalhei?” Na gráfica, quando eles trabalham durante a noite toda, às vezes eu lhes digo que não precisam vir para a meditação. Quando digo isso, eu tomo completa responsabilidade e certamente lhes darei os frutos da meditação que teriam se comparecessem. Se você não tiver a minha permissão, obterá os frutos da sua dedicada ação prévia. Mas, pela meditação que você perder, não receberá nada. Pelo seu sono não serei responsável, porque eu não me comprometi. Você pode dizer que está cansado; eu direi que está letárgico. Aqui está a prova: leva só um segundo para você me perguntar se deveria faltar à meditação. Eu me comprometerei e o problema estará resolvido.

Há várias formas de se manter acordado quando estiver com sono. Faça japa tão rápido quanto o puder. Lave os olhos, nariz e orelhas com água fria. Belisque-se várias e várias vezes. Fique de pé e com os olhos abertos. Um pouco de desconforto físico não é nada se comparado com o que obterá em retorno: Paz, Deleite e Luz. O problema está na sua sinceridade. Se você é sincero, valorizará tudo de acordo.

Algumas pessoas meditam por meia hora e sentem que então podem relaxar – assistir televisão, ler histórias em quadrinhos, etc. Eles meditaram por meia hora, mas não percebem que essa meia hora talvez os tenha levado apenas ao ponto de partida. Antes de ter a realização, deve-se ser muito, muito cuidadoso. Portanto, se trabalhou duríssimo e está incapaz de meditar com a sua intensidade normal, depois de meia hora de meditação você pode ler os meus escritos. Ou, se estiver em casa, poderá ouvir a minha música ou observar as minhas pinturas. O seu Guru tem uma quantidade razoável de coisas a oferecer. Eu escrevi poemas, compus canções – centenas de coisas eu fiz.

Pare de perder o seu tempo assistindo TV e lendo revistas. Você tem a maior velocidade ao meditar. Mas, quando se cansar, não pare de correr. Caso se sente, será desqualificado. Continue correndo, mesmo que tenha de ir lentamente. Relaxe um pouco na velocidade, mas continue a disciplinar a sua vida. Medite. Repita ‘Supreme’. Leia os meus escritos. Todos vocês deveriam fazer isso. Há tantas formas de manter a sua consciência elevada porque eu ofereço uma variedade de atividades espirituais para vocês. Se não gostar de uma, gostará de outra. Quando a meditação ficar difícil, leia. Se perder a sua concentração, cante. Quando estiver cansado de cantar, volte a meditar. Dessa forma você pode regular a sua vida. Corra o mais rápido quando tiver a capacidade. Quando não tiver a capacidade, caminhe. Mas, se parar de seguir em frente, nunca alcançará a Meta.

 


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Religião e meditação

religiao e meditacao foto

Religião e meditação

trechos do livro O Mundo Interior e o Mundo Exterior

Donna Halper: Pertencer a um grupo religioso específico seria contrário à prática da meditação? A meditação possui uma religião específica, ou qualquer pessoa, de qualquer religião, pode meditar?

Sri Chinmoy: A meditação transcende completamente os confins da religião. Pode-se ter qualquer religião. A meditação é como uma escola, e a religião é como uma casa. Você pode ir para a escola ou universidade independentemente da casa onde mora. Todos podem meditar, independentemente da religião a que pertença e mesmo se não tiver religião.

 

Donna Halper: Ou seja, quer alguém chame Deus pelo nome de Alá, Buda ou Vishnu, ou qualquer outro nome, a meditação é a mesma?

Sri Chinmoy: É uma questão de nomenclatura apenas. Uma criança chamará seu pai de ´papai´, mas ele é conhecido por outro nome no escritório. É como a água. Você a chama de ´water´ em inglês, mas um francês a chamará de ‘l’eau’ e um bengali a chamará de ‘jal’. É a mesma coisa, chamada por diferentes nomes.

 

Donna Halper: A meditação é uma espécie de soma ao credo religioso que já temos.

Sri Chinmoy: Sim, é uma soma. Ela é a essência interior de todas as religiões.

 

Donna Halper: Já que você mencionou isso, não há uma forma de meditação em cada religião? Eles podem não a chamar de meditação, mas as religiões todas possuem uma forma de meditação, não?

Sri Chinmoy: Toda religião encoraja alguma forma de comunhão interior com o Altíssimo.

 

Ouvinte: Se uma pessoa ignorante e sem quaisquer realizações for confrontada com uma situação de grande perigo no plano físico, que tipo de oração ela pode fazer para Deus nesse momento crítico? A morte súbita pode ocorrer para pessoas num avião ou nas ruas.

Donna Halper: Quando a vida de alguém está em perigo, essa pessoa pode realmente falar com Deus, mesmo que não tenha sido religiosa?

Sri Chinmoy: Somos todos filhos de Deus. Os pais sempre estão repletos de amor, mesmo por um garoto levado que não ouve o que eles dizem. Quando essa criança levada se encontrar em dificuldades, ela correrá para os seus pais, para que o ajudem. Os pais o recusarão nessa hora? Não. Os pais imediatamente o abraçarão e dirão: “Finalmente, meu filho, você veio me procurar para ajudá-lo.” De maneira similar, o auxílio de Deus está sempre presente, contanto que tenhamos um anseio sincero.

 

Donna Halper: Isso quer dizer que, se a pessoa que era contra a religião, que pensava que a religião era tolice ou não queria se envolver com a religião num momento de perigo recorrer a Deus, Deus a atenderá?

Sri Chinmoy: Certamente Ele a atenderá, mas do Seu próprio Modo, é claro.

 

Donna Halper: Ele aceitará a sinceridade dessa pessoa?

Sri Chinmoy: Se alguém ansiar sinceramente pelo auxílio de Deus, Deus certamente o ajudará. Depende da sinceridade do indivíduo.

 

 

Donna Halper: Você quer dizer que a pessoa que pensa de forma positiva, que pensa de uma forma honesta e sincera e se preocupa com todas as pessoas no mundo, essa pessoa usa a mente de uma forma espiritual?

Sri Chinmoy: Sim.

 

Ouvinte: Mas dizem que Deus é um Deus ciumento.

Donna Halper: É uma questão religiosa interessante. E quando dizem que Deus é ciumento?

Sri Chinmoy: Deus é ciumento apenas para aqueles que não vivenciaram Deus o Amado Supremo, Deus a Compaixão Eterna, Deus o Amigo Eterno.

 

Donna Halper: Você está dizendo então que Deus é um amigo?

Sri Chinmoy: Deus é o nosso Amigo Eterno e o nosso único Amigo.

 

Donna Halper: A pessoa que aceita a Bíblia como a palavra de Deus estaria enganada ao pensar que a Bíblia está totalmente correta em tudo que diz?

Sri Chinmoy: Se uma pessoa sente que o que a Bíblia diz é absolutamente correto e possui uma fé implícita nos seus ensinamentos, ela deve continuar na sua vida de fé. Mas se alguém diz que há algumas coisas que estão na Bíblia que não consegue aceitar, se quiser um novo esclarecimento ou uma nova iluminação na sua vida ao estudar outra fonte ou mergulhar fundo em seu próprio interior, essa pessoa pode muito bem fazer isso. Deus quer a nossa satisfação. Se alguém sente satisfação na fé absoluta na Bíblia, isso é ótimo. Mas, se não encontrar satisfação lá, poderá tentar estudar outra coisa. Deixe que estude a sua própria vida; que ele mergulhe fundo em seu interior para encontrar a verdade que o satisfará.

 

Pergunta: Você comentaria sobre o que está escrito na bíblia sobre quem não orar para Jesus Cristo irá para o inferno e que apenas através do Cristo pode-se encontrar salvação?

Sri Chinmoy: A minha resposta singela para essa pergunta é que você é quem deve acreditar ou não. Se você acreditar no que a bíblia diz, acreditará que, se não seguir seus ensinamentos, irá para o inferno. Mas, caso não acredite, não será obrigado a fazer o que o livro diz.

Houveram muitos Mestres espirituais de altíssima ordem na Terra. O Cristo não foi o único. Antes dele houve o Buda, e, antes dele, tivemos Sri Krishna. Mestres da mais elevada ordem caminharam a Terra. Recentemente tivemos Sri Ramakrishna e Sri Aurobindo. Contudo, se você acreditar naquele ensinamento em particular da bíblia, é algo particular seu. Se acreditar, prepare-se divinamente para que possa ir para o Céu imediatamente, ou então prepare-se para receber a sua punição.

Céu e inferno estão principalmente nas nossas mentes. Se você tem um bom pensamento, está criando o Céu. Se clama a Deus por Luz, então tem uma boa experiência, uma experiência iluminadora, e essa experiência nada é senão o Céu. Se você acalenta um pensamento negativo, está criando o inferno. Céu e inferno podem ser vivenciados diariamente.


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trechos do livro O Mundo Interior e o Mundo Exterior

Ajudando os outros através da meditação

livro meditacaoOuvinte: Eu gostaria de saber se é possível ser utilizado como um instrumento numa relação íntima com alguém.

Donna Halper: Uma pessoa pode ser usada como um instrumento de Deus e também ser um instrumento numa relação com alguém, onde Deus age em e através dela para auxiliar outra pessoa? Por exemplo, você acredita que as pessoas no mundo material podem se tornar instrumentos de Deus?

Sri Chinmoy: Facilmente. Somos todos instrumentos de Deus. Contudo, se estivermos envolvidos demais na vida material, não conseguiremos ser instrumentos escolhidos de Deus. Os instrumentos escolhidos de Deus são aqueles que praticam constante auto-doação. Eles não agem por si somente, mas para o mundo todo. Os instrumentos escolhidos possuem um coração vasto. Eles não tentam se confinar nas suas próprias realidades, mas buscam oferecer suas vidas ao mundo como um todo.

 

Donna Halper: Também é possível ser um instrumento de Deus numa relação com outra pessoa? Digamos que haja uma pessoa viciada em drogas. Você acredita que Deus possa talvez trazer alguém – uma pessoa comum – na vida da primeira pessoa para torná-la melhor?

Sri Chinmoy: Sim, certamente. Deus está dentro de todos, não apenas nos buscadores. Se alguém é viciado em drogas e possui um anseio sincero por deixar essa dependência, Deus trará alguém para resgatá-la.

 

Donna Halper: A nível pessoal, então, os nossos relacionamentos não são acidentais? Não encontramos um ao outro aleatoriamente, mas as pessoas se encontram porque Deus quer que elas se encontrem?

Sri Chinmoy: Não são todos os casos. Há algo chamado de a Hora de Deus. Quando a Hora de Deus soa, as pessoas necessárias aparecem. Não é certo dizer que toda pessoa que conhecemos foi enviada por Deus.


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trecho do livro O Mundo Interior e o Mundo Exterior

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Ouvinte: Eu gostaria de saber quanta disciplina é exigida para se adquirir mestria na meditação.

Sri Chinmoy: Toda a disciplina que puder coletar de si. A disciplina é um processo contínuo. Fazemos progresso nesse processo. Mas depende de quão sinceramente o indivíduo aceita a vida espiritual. Se ele deseja se tornar perfeito, então deve disciplinar não apenas o seu corpo, vital e mente, mas a sua vida toda, completamente. Se quiser apenas um pouco de satisfação da vida, não precisará passar por essa autodisciplina completa. Depende de quanto o buscador precisa da sua vida interior.

 

Donna Halper: Como alguém disciplina a sua vida? O que é preciso fazer?

Sri Chinmoy: A pessoa deve ser cuidadosa de todas as maneiras, começando pela mente. Ela deve sentir que a sua mente é um quarto que possui algumas portas e janelas, portas e janelas que permitirão que o mundo todo entre. O buscador deve fechar as portas e janelas e ficar diante de uma das portas. Então deve permitir que apenas os pensamentos e ideias que o auxiliarão em sua vida espiritual entrem. Pureza, paz, harmonia e coisas do tipo – tais são os seus amigos. Ele permitirá que apenas esses amigos entrem no seu quarto-mente e conversará apenas com eles. É assim que praticamos.

 

Donna Halper: É preciso ir embora para algum lugar? A pessoa deve ir para um ashram ou sinagoga para ser bem-sucedido na meditação?

Sri Chinmoy: Não é preciso ir a qualquer lugar. A meditação depende completamente da sinceridade interior. Há muitas pessoas que estiveram em ashrams e mosteiros e não conseguiram superar os pensamentos ruins das suas mentes. Se permanecer num quarto fechado, isso não quer dizer que não terá pensamentos sobre o mundo do lado de fora. É recomendável que buscadores meditem em certos lugares e em certas horas, mas a meditação não requer uma vida de reclusão.

 

 

Ouvinte: Eu gostaria de perguntar se ele sente que uma pessoa deveria se abster de ter relações físicas e sexuais caso queira desenvolver a sua meditação. Em outras palavras, essas coisas atrasam o nosso desenvolvimento espiritual?

Donna Halper: Alguém que deseja desenvolver sua meditação deve abster-se do sexo?

Sri Chinmoy: Sim, é recomendável. É necessário abster-se de todos os movimentos vitais inferiores caso o buscador queira fazer o progresso mais rápido na meditação.

 

Donna Halper: Quais são algumas das outras coisas que devemos abandonar para fazer progresso na meditação?

Sri Chinmoy: A pessoa deve abandonar as drogas, o fumo e o álcool. Há diversas outras coisas que não são saudáveis do ponto de vista espiritual, mas essas são as mais danosas.

 

Donna Halper: Quando alguém faz isso, sua meditação melhora – estou certa?

Sri Chinmoy: A pessoa se torna um veículo muito mais receptivo para a luz.

 

Ouvinte: Se alguém fracassasse na autodisciplina para meditação e outros aspectos da vida, se alguém achasse realmente muito difícil deixar de fumar, beber ou a vida sexual e ainda quisesse meditar, a meditação seria um caso perdido para essa pessoa?

Sri Chinmoy: Não será um caso perdido se a pessoa for sincera. Se ela orar a Deus por Sua infinita Compaixão, Deus dará a ela a capacidade necessária para disciplinar sua vida. Basta a pessoa orar a Deus pela Compaixão infinita de Deus. A Luz-Compaixão de Deus será capaz de iluminá-la, e suas fraquezas e imperfeições não ficarão com a pessoa para sempre.

 

Donna Halper: É possível que uma pessoa não esteja pronta para meditar num dado momento, mas que depois fique pronta para meditar?

Sri Chinmoy: Sim, é possível. É como cozinhar. Não é todos os dias que preparamos a refeição mais deliciosa. Num dia, alguém faz algo delicioso; noutro dia, fracassa. Mas essa pessoa não desiste de cozinhar ou de comer apenas porque nem sempre é bem-sucedida.

 

Donna Halper: Portanto, o nosso ouvinte deve simplesmente continuar tentando, e, por fim…

Sri Chinmoy: Por fim ele se tornará perito. Aprender meditação é como aprender qualquer coisa. Não nos tornamos peritos da noite para o dia. Às vezes alguém consegue fazer algo bem, e às vezes ficará bem ruim. Mas, se continuar estudando, praticando, por fim se tornará perito.

 

Donna Halper: E, portanto, meditação é algo que se deve praticar?

Sri Chinmoy: Praticar é preciso em todos os âmbitos da vida.

 


 

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Curiosidades: projeção astral é possível? É recomendável?

trecho do livro O Mundo Interior e o Mundo Exterior

livro meditacaoDonna Halper: Agora receberemos as ligações da nossa audiência. Aqui está a primeira chamada. Boa noite. Você está no ar.

Ouvinte: Tenho muito interesse na projeção astral. Eu tive uma experiência três anos atrás em que deixei meu corpo. Eu tinha acabado de ler sobre aquilo, mas não o fiz conscientemente. Simplesmente aconteceu. Desde então eu estive tentando fazê-lo conscientemente. Gostaria de perguntar a Sri Chinmoy se isso é seguro. É seguro fazê-lo por conta própria?

Donna Halper: É uma pergunta interessante. Projeção astral, deixar o corpo; é possível fazer isso?

Sri Chinmoy: É possível, mas recomenda-se ter um professor que seja bem qualificado nessa aventura. Caso contrário, poderá ser algo muito perigoso. É como aprender a dirigir. Um professor é necessário no início. Ao tentar aprender a dirigir por conta própria, é bastante possível que a pessoa tenha um acidente.

Donna Halper: O que um professor pode ensinar sobre deixar o corpo?

Sri Chinmoy: Qualquer coisa pode ser ensinada por um professor qualificado. Se podemos aprender uma língua com um professor, se podemos aprender música, se podemos aprender dança, também podemos aprender sobre isso.


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Sri Chinmoy e seus alunos de meditação

trecho do livro O Mundo Interior e o Mundo Exterior

Donna Halper: Você tem diversos alunos, entendo eu, que seriam considerados de classe média, no sentido de serem produtos de um lar norte-americano padrão. Os seus alunos continuam por muito tempo com você, ou passam a enxergar a meditação como uma moda e logo se cansam dela?

Sri Chinmoy: Ah, não. No meu caso, tenho sorte suficiente para dizer-lhe que os meus alunos encaram a espiritualidade e meditação com muita seriedade. Mas é claro que algumas pessoas vão embora. Contudo, comparando-se o número de pessoas que vieram com os que foram, estes foram muito poucos. A meditação não é algo que se torna tedioso após alguns anos. É porque as pessoas possuem formas fixas de pensamento, ou porque possuem problemas pessoais ou vitais, que elas vão embora. Por fim, elas acabam sentindo que essa forma de meditação não lhes é adequada mais. Mas isso não é porque a meditação chegou para elas como uma moda. Elas encararam a meditação com seriedade. Mas muitos pensamentos, muitos desejos, muitas fantasias e muitas idiossincrasias podem aparecer, e as pessoas sentem que o caminho não lhes é mais adequado. Então elas vão embora.

 

Donna Halper: Compreendo. Enquanto conversamos com Sri Chinmoy, se tiverem perguntas que gostariam de lhe fazer, vocês podem ligar para o programa. Se gostariam de falar com Sri Chinmoy e perguntar-lhe sobre meditação, Yoga ou sobre a vida em geral, por gentileza nos liguem. Vocês estão ouvindo “The Other Hour” aqui na WRVR.

Enquanto isso, continuaremos conversando. Sri Chinmoy, sei que você teve um número de músicos como seus alunos. A nossa audiência estaria interessada em saber por que você pensa que músicos que estiveram tão envolvidos no que se considera a vida material – drogas e coisas do tipo – poderiam buscar um Guru.

Sri Chinmoy: A resposta é bastante simples. As coisas que fizeram antes não os ajudaram a encontrar a verdadeira divindade dentro de si mesmos. Eles não encontraram o que estavam procurando e, portanto, quiseram buscar um Mestre espiritual que pudesse lhes auxiliar.

 

Donna Halper: Parece-me que você está dizendo que proporciona aos seus alunos aquilo que sente ser o que eles buscam.

Sri Chinmoy: Eu não dou nada; eu me torno um instrumento. Eu medito em Deus e oro a Ele para que conceda aos meus alunos aquilo que buscam, contato que sejam coisas boas, coisas divinas, coisas espirituais, coisas que valham a pena. Se o aluno anseia por algo muito terreno, por algo que o prenderá, serei a última pessoa a ajudá-lo a obter tal coisa.

 

Ouvinte: Como posso entrar em contato com Sri Chinmoy ou me tornar seu aluno?

Sri Chinmoy: Há diversas maneiras de me encontrar. Por exemplo, hoje à noite oferecerei um concerto aberto ao público. Se o buscador vier me ver e ficar inspirado, poderá perguntar como fazê-lo.

 

Pergunta: Qual é o principal fator contribuinte da sua fé e como ela difere das outras fés?

Sri Chinmoy: Primeiro de tudo, na vida espiritual não há um espírito competitivo e, portanto, eu não comparo o nosso caminho com os demais. Cada caminho tem seu valor. Cada caminho possui uma forma específica de guiar o aspirante à sua Meta destinada. O nosso caminho é o caminho do amor, devoção e entrega à Vontade do Supremo. É o que enfatizamos. Não posso dizer de que formas este caminho é diferente dos outros, pois não estou familiarizado com os outros caminhos.

Se alguém segue o nosso caminho, ele tenta desenvolver ou trazer à tona o seu amor interior, amor espiritual. Diferente do amor humano, que aprisiona, o amor divino expande e ilumina a nossa consciência interior e exterior.

Quando oferecemos devoção, o que oferecemos é a nossa devoção uni direcionada ao Supremo, o Piloto Interior dentro de nós. Na vida humana comum, o que chamamos de devoção nada é senão apego. Mas a devoção divina é completamente diferente. Estamos nos oferecendo à causa certa, ao divino em nós, para que possamos nos tornar um mar de Paz, Luz e Deleite.

A entrega que tentamos alcançar no nosso caminho não é aquela de um escravo ao seu senhor. O escravo sempre teme o seu proprietário. Ele sente que, se não agradar o senhor, este o ferirá. Sempre há um sentimento de medo no coração e mente do escravo. Já, na vida espiritual, quando o buscador se entrega à sua divindade interior, ao Supremo dentro dele, sente que está se entregando à sua própria parte mais elevada e iluminada. O buscador se entrega à sua parte mais elevada, à sua altitude mais elevada e à sua luz mais interior.

Num resumo, essa é a base do nosso caminho. Se eu comparar o nosso caminho com os outros, entrarei em tristes desavenças. Os outros caminhos também podem ser certos e perfeitos. Os principais são o caminho da mente e o caminho do coração. O nosso caminho é um caminho do coração. É uma questão individual do buscador decidir qual caminho lhe será mais adequado e então segui-lo. Por fim, quando um buscador alcançar a sua Meta destinada, lá ele também verá os buscadores que seguiram sinceramente outros caminhos. Todos alcançarão o mesmo destino.

 

Ouvinte: Você acredita que Deus está na mente?

Sri Chinmoy: Não apenas na mente; Deus é a mente. Contudo, saibamos primeiro de que mente estamos falando. Falando da mente física, a mente terrena, a mente que acalenta e valoriza inveja, mesquinhez e impureza, não é ela a mente que nos auxiliará na nossa busca por Deus. A mente que é tão ampla e vasta quanto o céu, a mente que aceita e ama o mundo inteiro, tal é a mente verdadeira. Dentro dessa mente Deus consegue agir muito satisfatoriamente. Saibamos primeiro de qual mente estamos falando.

 


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por Thamara Paiva

Sri Chinmoy em seus escritos nos diz que a religião é como nossa casa e um caminho espiritual é como a nossa escola. Entendo que é como se cada um pertencesse a um tipo de casa, mas a escola pertencesse a todos. Na escola, existem as turmas; os bons e maus alunos; os colegas e amigos, e cada um aprende de acordo com o seu momento, seu nível de entendimento sobre as coisas. Na busca por algo a mais da vida, me deparei com a meditação e descobri uma forma de me conectar com a espiritualidade. No curso, além de aprender técnicas que me ajudaram a meditar, descobri um caminho espiritual, uma possibilidade de progredir espiritualmente. No caminho de Sri Chinmoy, que é o do amor, devoção e entrega, encontrei a paz que tanto buscava. De acordo com seus ensinamentos, aprendi que cada um de nós está destinado a um caminho, e que esse caminho irá nos ajudar a evoluir mais rapidamente.

Do livro Beyond Within, de Sri Chinmoy:

Amor humano e amor divino

Amor divino é um florescer de deleite e altruísmo. Amor humano é uma cabriola de sofrimentos e limitações. Quando o engaiolamos, o chamamos de amor humano, quando permitimos que o amor voe na consciência tudo-permeante, o chamamos de amor divino.
Amor-humano comum, com seus temores, acusações, desentendimentos, ciúmes e disputas, é como uma chama encobrindo o seu próprio brilho com uma mortalha de fumaça. O mesmo amor humano erguido do encontro de duas almas, é uma chama pura e radiante. Ao invés de fumaça, ela emite os raios da auto-entrega, sacrifício, abnegação, alegria e verdadeira satisfação.
Amor divino é desapego, amor humano é apego. Desapego é verdadeira satisfação, apego é sede insaciável. Amor ascendente, partindo da alegria a alma, é o sonho de Deus.

Devoção a Deus

Devoção é a completa submissão da vontade individual à divina Vontade. Devoção é adoração. Adoração é o espontâneo deleite que aflora do coração. Quem pode ser objeto de nossa adoração? Deus. Como podemos adorá-lo? Através da nossa auto-entrega. O homem ama. Em retorno ele espera amor. Um devoto ama. Mas ele ama aos seres humanos por amor ao seu doce Senhor que em tudo reside. Seu amor vive na humildade, alegria espontânea e serviço abnegado. Devoção é o aspecto feminino ao amor. É doce, energizante e completo. Uma criança não se importa com o que sua mãe é. Quer apenas a constante presença de amor de sua mãe diante de si. Semelhante é o sentimento do devoto para com o seu Senhor. Devoção é ação. Essa ação é sempre inspirada pelo ser interior do devoto. Devoção traz renúncia. Verdadeira renúncia nunca é vida de isolamento. Renúncia é um desgostar derradeiro da vida animal da carne. É também uma total ausência de ego. Uma vida de verdadeira renúncia é uma vida que vive no mundo e no entanto não deriva seus valores dele. Devoção é dedicação.

A força da entrega

O mundo de hoje deseja individualidade. Demanda liberdade. Mas verdadeiras liberdade e individualidade podem residir apenas no Divino. Entrega é o incansável alento da alma no coração de Deus. Na entrega descobrimos o poder espiritual através do qual nos tornamos não apenas os videntes, mas também os possuidores da verdade. Se pudermos entregar em absoluto silêncio, nós mesmos nos tornaremos a realidade do real, a vida do vivente, o centro de verdadeiro amor, paz e bem-aventurança. Amor espontâneo pelo Divino é entrega, e essa entrega é o melhor presente na vida. Pois quando nos entregamos, num instante o divino nos dá infinitamente mais do que seríamos capazes de sonhar em pedir. Entrega é um milagre espiritual. Ela nos ensina a ver Deus de olhos fechados, como falar com Ele de boca fechada.

Mensagens para meditação

Mensagens para meditação

mensagens de Sri Chinmoy

 

O coração floresce

Falando bem

Dos outros.

 

Anseio me tornar

Um pedinte por Deus

E não um imperador dos homens.

 

Não há conflito

Entre a sua força-ação

E o seu silêncio-meditação

Se puder encará-los como

Dois amigos inseparáveis

Satisfazendo a Vontade do Absoluto Supremo.

 

Nossas meditações

Devem sempre carregar

Silêncio.

 

A transformação não é uma destruição.

Ela é a conversão fogo-pura

De uma vida humana

Em um alento divino.

 

Não apenas dia após dia

E hora após hora,

Mas a cada momento

O nosso amor por Deus deve aumentar.

 

O humano em mim

Luta.

 

O divino em mim

Alça voo e mergulha.

O diário de uma buscadora: meditação e a insatisfação com a vida

Insatisfação com a vida

por Juliana Francisco

Estava tomando sorvete e sem querer ouvi um grupo de amigos conversando e uma das pessoas falou: “estamos sempre insatisfeitos, nada está bom, a gente sempre reclama de tudo”. Ao ouvir esse trecho da conversar me inspirei a escrever este artigo, pois costumava me sentir insatisfeita com tudo antes de começar a meditar, lembro que, se acontecesse algo bom, ficava feliz por pouco tempo e na sequência surgia o sentimento de que poderia ser melhor ou a sensação de que outra coisa me traria mais felicidade, ou ainda, o sentimento de que aquilo não era o suficiente e encontrava defeitos no que havia acontecido. E essa insatisfação não era direcionada apenas para as coisas que aconteciam, mas se estendia a mim. Nunca estava satisfeita comigo. Eu precisava sempre fazer mais. Quando completava algo, tinha de haver outra meta. Eu sempre me comparava aos demais e sempre tinha um sentimento de inferioridade. Por isso buscava fazer mais e melhor, mas nunca estava satisfeita. Sempre olhava para fora, me comparava, buscava ser melhor ou ter mais que o outro, as metas surgiam com base na comparação, em superar o outro, em ser melhor, para me sentir melhor. Mas o engraçado é que, quando aconteciam, os sentimentos de “felicidade”; “satisfação”, duravam tão pouco e logo eu havia de focar em outra coisa, para sentir isso de novo. O problema é que no meio disso, entre uma coisa e outra, o que havia era apenas insatisfação, as coisas pareciam difíceis de serem conquistadas e a jornada em si era puro desprazer.

“É o desejo que causa sofrimento; mas a própria vontade de realizar Deus é felicidade. Esteja certo de que Ele irá limpar e confortar você, pegando-o em Seus braços. A tristeza acontece para levá-lo a felicidade. Em todos os momentos devemos mantê-Lo em memória.
Sri Anandamayi Ma

A mestre espiritual Sri Anandamayi Ma diz que “você é imperfeito, algo falta em você, e esse é o motivo pelo qual sente o desejo por preenchimento…”. Recentemente li este trecho e entendi que essa busca contínua e o sentimento de insatisfação, se deviam a isso. Sou imperfeita e preciso me preencher, me completar. O problema é que não sabia o que iria me preencher, por isso buscava satisfação nas coisas comuns, nas coisas que todos buscam, como uma profissão, relacionamento, compras, bens, etc. E quando conseguia o que desejava, percebia que este tipo de coisa me trazia felicidade transitória. Quando comecei a participar das aulas de meditação do centro de Sri Chinmoy, além das práticas de concentração, comecei as ler os livros sobre espiritualidade. Nunca tive uma religião, pois não me identificava, sempre chegava em um ponto onde eu não conseguia respostas as perguntas que tinha. Cheguei a desacreditar que Deus existia. No geral, sempre fui muito cética. Mas nos escritos e conteúdo do curso, percebi que a espiritualidade poderia ser trabalhada não apenas por meio de uma religião, mas também através da meditação, e que a meditação era uma forma de conexão com Deus. Nunca gostei de terceirizar a responsabilidade da minha vida, sempre fui responsável e “autossuficiente”, e por isso tinha um certo pré-conceito em relação as religiões, pois, na minha visão (antigamente), as pessoas entregavam a responsabilidade das suas vidas para Deus em troca de algo, esperando algo de Deus. E por isso, Deus, a palavra ‘Deus’ era vista por mim como uma muleta para as pessoas que não queriam ser responsáveis por suas vidas. Não entendia como Deus poderia significar tanto, pois no geral, não via sua presença na minha vida e na vida de outras pessoas no mundo. Mas no curso a abordagem foi muito esclarecedora e os livros me traziam respostas a perguntas que nem sabia que tinha, e as informações entravam como se fossem verdades absolutas; eu não conseguia questionar. Como Sri Chinmoy diz, “a meditação não é simplesmente o domínio da técnica, mas a lembrança de um conhecimento que já está dentro de nós. Nossa própria alma é nossa melhor professora”. Sinto isso: que fui relembrando o que estava aqui dentro. À medida que fui me aprofundando, praticando a concentração, fui tendo experiências pessoais transformadoras, fui sentindo que a meditação estava preenchendo a minha vida. E não sei dizer em que momento o sentimento de insatisfação se foi, ou melhor, o sentimento de insatisfação que costumava sentir. Com a meditação, consegui sentir o que é Deus, o que Ele representa, qual é o meu papel, qual meu propósito aqui, entre outras coisas, que não são passíveis de explicação.

“Do que precisamos
É uma vela-aspiração
A nos mostrar o caminho a Deus.”
Sri Chinmoy

Hoje acredito que nosso objetivo é voltar a fonte – e qual é a fonte? Deus. Sinto que estamos aqui vivendo experiências para nos elevar, nos iluminar. Somos, por essência: luz; paz; alegria genuína. E nos sentimentos imperfeitos, pois ainda nos falta algo. E o que falta? Deus. Como se Deus fosse o oceano e nós, cada um de nós, fossemos uma gota. Apenas nos sentiremos perfeitos e satisfeitos, quando nos juntarmos ao oceano. De certa forma, ainda me sinto “insatisfeita”, pois ainda não me elevei, não me iluminei. De acordo com a cultura indiana, algumas pessoas, poucas, aqui na Terra, sentem uma unicidade com Deus, a ponto de sentirem essa satisfação e preenchimento total, como se fossem Deus. Como Jesus disse: “Eu e meu Pai somos um”. De todas as teorias, essa é a que sinto ser a verdadeira, pois sinto a cada dia, quando faço minhas práticas espirituais, que estou mais próxima de Deus, e esse sentimento me preenche, me completa e faz sentir satisfeita. Antes a minha felicidade poderia ser definida como momentos de euforia; hoje sinto algo sólido e constante, pacifico e profundo.  Hoje a insatisfação se foi, daquela forma como a sentia. Sinto que estou no caminho certo, que a minha jornada se tornou prazerosa, pois a conexão com Deus foi estabelecida e Ele me satisfaz. Agora sinto que basta fixar a minha mente em Deus, que tudo se transforma.

Sri Chinmoy diz que na oração nós falamos e Deus escuta e, na meditação, Deus fala e nós escutamos. Independente do caminho espiritual que escolhemos, seja por meio da oração ou da meditação, todos os caminhos nos levam para o mesmo lugar, a Fonte. Percebi, o significado do que as pessoas diziam sobre “colocar Deus na sua vida”. Isso me parecia frase de “religioso”, mas numa forma pejorativa. Mas hoje sinto o que isso significa. Com a meditação, aprendi a acalmar a minha mente, e com isso ficou mais fácil ouvir a Deus, me conectar com Ele, sentir o que é colocar Deus nas nossas vidas e a satisfação consequente desse ato.

Eu te darei tudo
“Eu lhe darei uma chance
Se você receber essa chance.
Eu lhe darei uma nova vida
Se você receber a nova vida.
Eu lhe darei tudo que você precisa
Mas é você quem deve receber isso de mim.
Na sua alegre aceitação-luz
Está a manifestação-perfeita da sua vida.”

Sri Chinmoy

Frases de meditação

 

Frases de Sri Chinmoy sobre a meditação

 

Minha meditação não é pela
Minha glorificação-Deus.
Minha meditação é pelo
Sorriso-Satisfação do meu Senhor.

 

Plante sementes gratidão
Dentro do seu jardim-coração.
Sua vida será bela
E repleta
De luminosas ações.

 

O que é sabedoria-receptividade
Senão a nossa sede por mais
Paz, luz e deleite?

 

Um dia sem
A meditação matinal
É um dia muito infeliz.

 

Meditação profunda
E paz verdadeira
São encontradas juntas
Sempre.

 

A meditação revela
Nossa beleza interior
O mais perfeitamente.

 

 Meditação
É o início
Da transformação.

 Uma única meditação-coração
Pode criar
Paz ilimitada.

 

Pratique meditação
Se você realmente quer ter
Verdadeira satisfação
Na sua vida.

Quanto mais fundo levarmos a nossa mente
Durante a meditação,
Mais brilhante será a nossa vida exterior.

 

Minhas asas-oração
Me levam ao Céu
Para ver a Beleza de Deus.
Minhas asas-meditação
Trazem Deus à Terra
Para ver a pureza de meu coração.

Minha meditação-sol-nascente matinal:
“Você é a minha Esperança,
Você é a minha Promessa,
Você é a minha Satisfação.”

 

A paz mundial depende de
Oração e meditação
Mais do que qualquer outra coisa.

Pratique meditação
Se você realmente quer ter
Verdadeira satisfação
Na sua vida.

Meditação não é
Um pensamento-desafio,
Mas um pensamento-silêncio.

Meditação profunda
Abre a porta-coração
Num piscar de olhos.

Altitude-aspiração
E luz-meditação
Sempre caminham juntas.

Obediência-Deus
É muito mais do que
Oração e meditação.

Um coração-meditação
É uma vida
Cheia de fome-Deus.

Como silenciar a mente na meditação? Mantra e japa

por Juliana Francisco

Para os iniciantes na prática da meditação o primeiro passo é silenciar a mente. Mas quem já tentou ficar sem pensar por alguns segundos sabe que pode ser um desafio. Fiz o curso de meditação com os ensinamentos de Sri Chinmoy em 2017 e quando comecei a tentar meditar achei que a meditação não fosse para mim. Não conseguia parar de pensar e tinha a impressão de que nunca conseguiria, levou alguns meses para começar a silenciar a mente. Mas, em contrapartida, mesmo não conseguindo meditar direito, percebia as mudanças no meu dia a dia, o que me fez seguir em frente até ser presenteada com outros resultados da meditação. Sri Chinmoy diz que “se você está meditando, você sentirá alegria interior espontânea”. Era assim que me sentia no início, mesmo não tendo cessado meus pensamentos ao tentar meditar, sentia alegria espontânea e percebi mudanças na forma de reagir as situações do dia a dia, percebi que estava me transformando rapidamente e que a meditação era o caminho para me conectar com a minha parte espiritual. No curso de meditação em SP aprendemos que o primeiro passo para a meditação é a concentração, nos concentramos em um ponto apenas, diminuímos o número de pensamentos a medida que vamos praticando o exercício de concentração e, assim, chegará o dia em que seremos presenteados com a sensação que a meditação proporciona, que é uma experiência pessoal e inexplicável. Uma das técnicas que aprendi no curso e que me ajudou muito a silenciar a mente e a me purificar foi a técnica do mantra japa. Ao praticá-la percebi que meus pensamentos diminuíam, o que me auxiliou no processo da busca pelo estado de meditação. No livro Meditação, Sri Chinmoy, fala em suas palavras sobre a técnica:

Entoando: o mantra e o japa

O mantra é um encantamento. Pode ser uma sílaba, uma palavra, algumas palavras ou uma sentença. Quando repetido várias vezes, é chamado de japa. Um mantra significa um aspecto particular de Deus, e cada mantra tem relevância e poder interior especiais.

Se não conseguir entrar na sua meditação mais profunda porque a sua mente está agitada, é uma oportunidade para utilizar um mantra. Você pode repetir “Supreme” ou Aumou “Deus” durante alguns minutos. E também, se for atacado no plano vital emocional e pensamentos ruins ou vibrações inadequadas estiverem entrando em você, poderá repetir Aum ou o nome do “Supreme” ou Aum ou o nome do Supremo.

Nesse caso, tente entoar o mais rápido possível. Enquanto estiver tentando purificar a mente das impurezas, deverá cantar como se estivesse correndo para pegar um trem em movimento. Durante o Japa comum, entretanto, apenas diga o mantra de maneira normal, mas com toda a alma. No entanto, não o prolongue muito, ou não terá tempo de cantá-lo as quinhentas ou seiscentas vezes que podem ser necessárias.

Atingindo a purificação total

Se você quiser atingir a purificação total em sua natureza, o japa pode ser bastante eficiente caso seja feito de maneira sistemática, passo a passo, No primeiro dia, repita Aum ou “Supremo” ou qualquer outro mantra dado pelo seu mestre por quinhentas vezes. No dia seguinte, repita-o por seiscentas vezes. No próximo por setecentas. E assim por diante, até atingir mil e duzentas vezes ao final da semana. Então, comece a diminuir o número de repetições a cada dia, até chegar a quinhentas novamente. Dessa maneira, você sobe e desce a árvore. Faça esse exercício semana após semana, durante um mês. Queira você mudar o seu nome ou não, o mundo te dará outro nome: pureza.

Enquanto estiver fazendo o japa, se cometer algum erro e perder a contagem, não se preocupe. Continue a partir de algum número provável. O motivo de contar é separar a nossa consciência das coisas exteriores. Ao contar, você não vai pensar em outra coisa. Enquanto estiver contando, procure entrar no mundo do silêncio que há nas profundezas do mantra. E então não será necessário contar. Sua consciência estará focalizada naquilo que estiver repetindo, e você começará a sentir que está meditando somente no significado interior do mantra.

Na maioria dos casos, é melhor entoar o mantra em voz alta. Porém, depois de cantá-lo assim por alguns minutos depois se puder sentir que há alguém dentro de si mesmo – o seu ser interior – que está repetindo o mantra por você, não precisará entoá-lo em voz alta. No silêncio do seu coração, o seu ser interior fará o japa por você.

O japa deve ser feito de manhã ou durante o dia, e não logo antes de dormir. Se for feito quando o corpo estiver cansado e quiser entrar no mundo do sono, a mente ficará agitada e perderá a sua concentração unidirecionada. Você estará usando a mente de maneira mecânica e não obterá nenhum benefício. Se o japa não for feito de modo sincero e com toda a alma, será inútil. Portanto, ele deve ser feito só cem, duzentas ou no máximo trezentas vezes antes de dormir. Ao meditar antes de dormir, você invocará paz, luz e bem-aventurança. Contudo, se fizer o japa quinhentas ou mil e duzentas vezes antes de dormir, invocará poder e energia e não conseguirá dormir.

Muitas vezes, ao completar o japa, você ouvirá o mantra sendo repetido dentro do seu coração. Sua boca não está dizendo nada, mas o seu interior começou a repetir o mantra de maneira espontânea.

 

Comecei a fazer o japa e sentia que conseguia ficar sem pensar por algum tempo após a realização da técnica, além disso pude perceber que fui me transformando ao fazer o ciclo de um mês. Quando começamos a tentar meditar, é importante tentar várias alternativas para silenciar a nossa mente, e ver qual é mais adequada a cada um, o japa me ajudou muito e no curso de meditação aqui em SP, encontrei outras técnicas que também me auxiliaram nesse processo. Essas são algumas informações para iniciantes e caso queira saber mais, acesse a nossa página que fala sobre o curso gratuito.

Entrevista sobre música e meditação

No dia 3 de julho de 1977, Sri Chinmoy foi o convidado do “The Other Hour”, um programa de rádio transmitido ao vivo em Nova Iorque na rádio WRVR. A seguir está a transcrição (de trechos) da entrevista.

Donna Halper: Você está no “The Other Hour”, e, com a nossa música de abertura, estamos no ar, pela Graça de Deus. Eu sou Donna Halper. Você nunca sabe o que ouvirá no “The Other Hour”, mas o que ouvirá hoje à noite será um pouco diferente e único. Temos uma pessoa grandiosa conosco, com a qual talvez já estejam familiarizados se gostam de música. Ele é o Mestre espiritual de grandes músicos, um grande filósofo e professor, bem como ele próprio é um músico. É claro que estou falando de Sri Chinmoy, que é o nosso convidado ao estúdio hoje. Antes de qualquer outra coisa, Sri Chinmoy, você gostaria de tocar para nós? Acredito que a música esteja conectada com a meditação. Estou correta, Guru? Música para meditação.
[Sri Chinmoy toca o instrumento chamado de esraj.]

Donna Halper: Uau! Que tal se você tocasse assim por toda a duração do programa? Deus, foi lindo! Temos aqui o pessoal técnico todo dizendo que foi ótimo, falando sério. Para que a audiência compreenda, ele está tocando o instrumento chamado esraj. Eu gostaria de saber qual o propósito dessa música quando se medita. Qual é o efeito que deve ter numa pessoa enquanto medita?

Sri Chinmoy: A música devotada intensifica a nossa meditação. A música devotada avança a jornada da nossa alma. A música devotada auxilia o buscador a estabelecer a sua unicidade consciente e inseparável com o Piloto Supremo. É por isso que dou grande importância para a música na vida espiritual.

Donna Halper: Em outras palavras, ouvir música o auxilia a ficar mais afinado com Deus. Como isso acontece? Se eu fosse ateia e ouvisse essa música, não sei se pensaria em Deus, mas sei que me sentiria muito relaxada e em paz. Você diria que esse sentimento significa estar mais próximo de Deus?

Sri Chinmoy: Não podemos definir Deus em termos de um sentimento ou experiência específicos. Cada um deve ter a experiência de Deus por si próprio. Se dissermos que Deus é todo Paz ou que Deus é todo Deleite, haverá pessoas que discordarão. Cada um deve definir Deus por conta própria. Todos querem satisfação. Eu tenho satisfação ao experimentar a verdade e luz, e outros também terão satisfação com essa mesma experiência-realidade, ainda que possam chamá-la por um nome diferente.

Donna Halper: No caso da pessoa que acredita em música, por exemplo, ou a pessoa que se dedica muito, muito a alguma coisa, como tocar um instrumento – seria isso uma forma de religião também?

Sri Chinmoy: Não seria uma forma de religião, mas uma forma de comunicação com a Fonte.

Ouvinte: Eu gostaria de perguntar ao Guru que tipo de postura mental devemos ter ao aprender música.
Sri Chinmoy: Existe um tipo de música chamado de música mental, outro que é a música vital e algo chamado de música física. E há também a chamada de música psíquica. Quem desejar obter verdadeiro deleite do coração e da vida aspirante deve dedicar sua música a Deus. Ele deve tocar música psíquica, devotada – música que inspirará sua própria vida de aspiração e inspirará outros a ouvir a sua música – não a música que excitará o vital e instigará a consciência mais física.

Donna Halper: Portanto, a música espiritual é aquela que faz com que pensemos mais em Deus?

Sri Chinmoy: Digamos pensar mais em satisfação, luz e deleite. Há muitos músicos que não acreditam em Deus, mas eles acreditam em satisfação, alegria, deleite. Se você toca música divina, música espiritual, está fadado a proporcionar e obter satisfação.

Ouvinte: Sri Chinmoy sente que a meditação realmente fez algo pelos músicos com quem ele lidou e que ela os auxiliou em sua música?
Donna Halper: Meditar e estudar com você fez com que mudasse as vidas dos músicos que teve como discípulos?
Sri Chinmoy: De acordo com a minha visão interior, isso certamente os mudou. Exteriormente falando, qualquer pessoa que os conhecer será capaz de julgar.

Donna Halper: E de que forma você sente que isso os mudou?
Sri Chinmoy: Eles intensificaram seu anseio interior. O seu anseio por Deus, Verdade, Luz aumentou tremendamente. E eles simplificaram e purificaram suas vidas exteriores até certo ponto. Eles certamente fizeram progresso na vida espiritual.

Donna Halper: Você acha que ajudou na música deles de alguma forma?
Sri Chinmoy: Sim, isso os inspirou em sua capacidade criativa e tornou sua música melhor como eles queriam.

Donna Halper: E com relação à postura que tinham com relação a certas coisas que faziam antes – drogas, álcool e coisas do tipo?
Sri Chinmoy: Eles abandonaram essas coisas.

Donna Halper: E eles continuam longe dessas coisas?
Sri Chinmoy: Sim, enquanto permanecerem no meu caminho.

A meditação no controle da vida

Perdi o controle da minha vida, e agora?

por Juliana Francisco

 

Antes de começar a minha busca consciente por autoconhecimento e meditação, comecei a sentir que não tinha o controle da minha vida, que tudo que eu achava que tinha não era real. Exemplo: perdi amigos que achava que eram meus verdadeiros amigos; perdi familiares, que supostamente deveriam me amar do jeito que sou; perdi a motivação para prosseguir trabalhando na minha área de atuação, que por sua vez era uma das coisas que me definiam, pois vivi para construir a carreira que tinha; perdi os interesses comuns como compras, viagens, comidas, bebidas e festas, enfim, a impressão que tinha era de que nada estava dando certo. Toda a vida que sonhei, que construí, que me definia, parecia nunca ter existido ou mesmo que não me pertencia.

Esse sentimento de perda de controle da vida comum, foi muito difícil para mim. Eu costumava ser o tipo de pessoa que sabe de tudo, que tem controle sobre tudo, que aconselha as pessoas, pois sabe viver sua vida, e, de repente, tudo muda. Não sabia quem eu era, o que eu queria, qual era o sentido da vida e porque as coisas que tinha não me satisfaziam mais. O mais difícil foi não ter com quem compartilhar esse sentimento, mesmo em casa. Eu não queria mais nada da vida e “queria algo a mais”, não queria as coisas triviais, que no geral buscamos, como dinheiro, poder, fama, bens materiais e prazeres comuns. Isso não me satisfazia. E uma das coisas mais incompreendidas por mim é o fato de “não querer nada”, “não desejar nada”; eu sempre fui o tipo de pessoa que tem objetivos claros, metas e ação para alcançá-los. Então foi super assustador perceber que não queria nada e ao mesmo tempo ter de viver a vida comum, que todos vivem. Afinal, temos de pagar nossas contas. Mas depois fui percebendo, ao longo da minha busca por “algo mais”, o que estava acontecendo comigo.

Tem uma história, que Sri Chinmoy conta no livro “O Herói Divino” que diz assim:

Um bom homem e um homem mal eram vizinhos. Um dia, o homem mal disse, “Você tem que desenvolver qualidades artísticas. Você tem que ir a bons clubes e aprender sobre cultura, filosofia, espiritualidade a muitas outras coisas.” O homem estava hesitante. Ele disse, “Não, não. Para mim, é melhor eu ficar em casa e ler livros religiosos e espirituais”. O homem mal disse, “Ao menos venha ao meu clube uma vez e veja o que você gosta. Você está fadado a aprender algumas coisas que são necessárias na vida humana.” O bom homem concordou, e juntos foram ao clube. Eles leram em voz alta livros espirituais e religiosos e discutiram todo tipo de coisa. Depois da discussão, eles começaram a beber. Eles tiveram uma maravilhosa discussão cultural, religiosa, espiritual e filosófica e então começaram a beber!

Quando o bom homem voltou para a casa, sua esposa não pode acreditar no que viu. O que você fez? Eu não consigo te reconhecer!
Ele disse, “ Eu bebi vinho”;

Sua esposa ficou furiosa. “Como pode fazer isso?”, ela gritou.

O marido disse. “Meu amigo me disse que isso era bom. O Senhor Indra costumava beber néctar. Seu néctar e meu vinho são as mesmas coisas”.

A esposa estava extremamente irritada. “Não, não. Você não pode beber. Você não deve beber”!

O homem disse, “ok, eu te prometo não beber nunca mais”.

Ora, uma vez que você bebe, você é pego. Quando seu vizinho o convidou a ir ao clube novamente, o homem disse, “Minha esposa ficará furiosa. O que vou fazer?”

O amigo perguntou, “Me diga francamente, você gostou?”

“Sim, eu gostei, mas agora terei uma briga em casa. Terei uma guerra!”.

O vizinho disse, “Não, não, não, desta vez nada irá acontecer. Você apenas tem que vir comigo. Eu te asseguro que nada irá acontecer”.

O bom homem foi ao clube novamente. Ele aproveitou a discussão filosófica, espiritual e outros tipos de coisas. Quando, com seu amigo, ele voltou para casa, muito bêbado, sua esposa estava esperando. Ela disse, “Você prometeu não fazer isso”! Então ela falou que queria deixá-lo.

O bom homem disse, “Não, desta vez minha promessa será definitivamente sincera. E nunca, nunca mais irei lá novamente”!

A esposa disse, “Porque você está mentindo? Você disse da última vez que não iria lá novamente!” Ele replicou, “Mas mesmo o Senhor Indra disse muitas mentiras.” A sua esposa disse, “Você é outro Senhor Indra para dizer mentiras o quanto quiser?”

O marido disse, “Indra disse muitas, muitas mentiras e até mesmo roubou uma vaca. Eu nunca roubei nada, então Indra estava um passo à frente de mim. Indra era um ladrão, enquanto que eu sou apenas um mentiroso. Indra nos ensinou como dizer mentiras. Se Indra, o deus cósmico, pode dizer mentiras, o que há de errado em um ser humano dizer mentiras?”

No dia seguinte era feriado para o marido, então ele não foi trabalhar. Sua esposa era devotada a ele. Todo dia pela manhã, ela preparava o café da manhã, depois o almoço e a janta. Geralmente ela preparava o café da manhã por volta das 8h, mas era 11h e ainda a sua esposa não havia feito o café da manhã. O que ela está fazendo? Ela está costurando uma peça de roupa para ela? Finalmente ele pediu para seu filho dizer para sua mãe que estava ficando tarde e ele estava extremamente faminto.

A mãe disse ao seu filho, “Por favor, por favor, meu filho, meu querido, não se envolva na nossa briga – apenas observe e aproveite o que está acontecendo.”

Seu filho disse, “Eu não quero me envolver nesta briga Mãe. Por favor, cuide disso.”

Em breve era 13h, então 14h. Ainda a esposa não havia dado nenhuma comida ao marido. Ele estava ficando furioso e finalmente disse,

“Que tipo de esposa é você?”

Sua esposa disse, “Desde que você se tornou outro Indra, eu sou definitivamente Sachi, esposa de Indra. Quem pode dizer que Sachi já cozinhou? Ela tinha muitos, muitos empregados e cozinheiros para ela. Eu sou a Sachi agora, então eu não preciso cozinhar nunca mais. Deixe-os cozinharem e te servirem, porque de agora em diante, eu farei o que eu quiser fazer; sou uma rainha. Indra era um rei e reis possuem todo tipo de cozinheiros a empregados. Eu sou uma rainha, então farei o que eu gostar. Eu não vou cozinhar para você nunca mais.”

O homem estava tão triste e perturbado em ouvir as palavras da esposa. Ele disse, “Eu nunca, nunca mais irei com meu amigo ao clube.

Eu permanecerei devotado e fiel a você. Está é minha absoluta e solene promessa.”

O filho deles estava muito feliz que seus pais se reconciliaram. Daquele dia em diante, a esposa cozinhou e fez tudo para seu marido, como sempre, e seu marido manteve sua promessa. Ele não foi mais ao clube com seu amigo. Isso foi como a esposa ensinou uma lição ao marido.

Quando encontrei o curso de meditação aqui em SP, comecei a praticar a meditação diariamente, ao menos duas vezes ao dia, a ler livros espirituais e me autoconhecer. Então percebi que Deus, é maravilhoso, mas o problema é que ele as vezes se esconde, ele brinca conosco, faz como a “esposa” fez com o “marido”, até que a gente perceba que tem algo errado, sinta a “fome” por algo mais e cumpra a nossa promessa.

Eu sinto isso, eu acabei aproveitando as coisas da vida, foi bom até certo ponto, fazia por que todos fazem, como o “marido” fez, foi bom, mas depois, quando Deus se escondeu, eu percebi que queria o que era realmente importante para mim. E só percebi isso, quando Deus, “a esposa” se fez ausente. Quando a “fome” apareceu.

Sri Chinmoy diz que cada alma faz uma promessa a Deus antes de vir a terra. Quando nos mantemos no caminho que prometemos, nos sentimos satisfeitos, felizes, com um sentimento de que “estamos no caminho”. É assim que me sinto agora. No caminho. Sei que a caminhada será longa, mas não estou só. A vida voltou a estar no meu controle, mas porque sei que não tenho o controle sobre ela. Nunca tive o controle, percebo que Deus, o Arquiteto, Alá, Vácuo quântico ou qualquer nome que você queira dar para esta força que rege tudo, sempre esteve no controle de tudo, mas eu estava seguindo um caminho diferente daquele que me comprometi. Para algumas pessoas é assim, e vejo hoje, conversando com meus colegas de meditação que é isso mesmo. Para algumas pessoas, há satisfação em viver o ciclo de vida comum, como fazer a faculdade, casar, ter filhos, bens materiais e morrer, mas para outras, como eu e meus amigos da meditação, não. Precisamos de algo a mais para nos sentirmos felizes e satisfeitos.

 

Deus está mantendo Sua Promessa.
Ele está segurando você
Cuidadosamente e firmemente
E te impedindo de balançar.
Talvez você, também,
Fez uma promessa solene a Deus.
Talvez!

-Sri Chinmoy

Meditação no trabalho – efeitos e experiências no ambiente de trabalho

Pergunta: Qual é a melhor forma de ficar numa consciência divina enquanto estamos trabalhando duro?

Sri Chinmoy: A melhor forma de permanecer numa consciência divina é parar o que está fazendo por três minutos a cada hora. A cada hora fique sozinho por três minutos. Ao final de cada hora, não importa o que esteja acontecendo, fique sozinho e medite por três minutos. Esses três minutos terão um poder tremendo. Se puder meditar por três minutos e obtiver paz, luz e confiança, manterá essas qualidades por uma hora facilmente. Você pode estar numa sala ou na rua, mas ninguém deve estar com você ou perto de você quando meditar. Essa é a melhor maneira de permanecer numa consciência divina enquanto trabalhar.

Nas últimas três semanas em particular, meu trabalho tem sido muito, muito, incrivelmente cansativo. Mas hoje tive uma experiência incomum.

Uma das minhas chefes chegou junto comigo no trabalho, e logo veio me dizer: “Hoje eu sonhei com você. Você estava indo para um lugar muito importante. Aí fiquei curiosa, queria saber se estava tudo bem?” Ela até disse que, depois do sonho, ficou inspirada a ler um pouco mais sobre o meu Mestre, Sri Chinmoy.

Eu contei para ela que estava indo no dia seguinte para Nova Iorque para visitar o meu Mestre espiritual. Isso é algo muito importante, e, além das experiências interiores e exteriores, inspiração e purificação que acontece nessas viagens, contei para ela que, ao sentar no avião na viagem de volta, sinto-me uma pessoa completamente diferente daquela que sentou-se no avião na viagem de ida. É como se uma vida inteira tivesse passado. Acho que é uma medida subjetiva do progresso que fiz durante a viagem. É uma viagem muito importante, exatamente como o sonho dela a descreveu.

Não preciso dizer que ela ficou impressionada com a “coincidência” de eu estar viajando para NY 36h depois do sonho.
Foi de fato muito interessante uma colega de trabalho, com quem não costumo conversar todos os dias, ter uma experiência dessas.
Eu nunca fiz nada extraordinário de forma consciente pelos meus colegas, exceto as coisas normais do dia a dia. Tentar ser educado, sincero, etc. Eu medito de manhã cedo todos os dias faz 16 anos e também medito por alguns minutos antes de começar o meu trabalho.
Mas acho que, sem eu ter qualquer intenção, sem eu ter qualquer capacidade de fazer algo por alguém, algo que recebo durante a minha meditação os meus colegas o recebem em algum grau. Num exemplo análogo, se você começa a trabalhar numa firma X, talvez desenvolva interesse em aprender sobre X. Se seus colegas de trabalho na firma Y gostam de fazer Y nas horas vagas, talvez você comece a sentir vontade de fazer Y. Igualmente, acho que um pouquinho do que eu recebo, (por uma graça incondicional, preciso dizer), é compartilhado com as pessoas ao meu redor.

A experiência de hoje é uma de muitas que tive nos meus 15 anos de trabalho. Em todo lugar que trabalhei, a cada ano que passa, a cada novo prédio para onde vou, a cada seção nova onde sou lotado, acontece alguma coisa assim, que me deixa inspirado e, ao mesmo tempo, traz um sentimento de humildade, de gratidão por poder presenciar essas coisas, já que eu mesmo não fiz nada.
Sinto que estou cumprindo o meu dever: ao mesmo tempo como buscador espiritual, como alma aspirante e como um funcionário simples, mas sincero.

Acho que é uma das coisas bonitas do caminho de Sri Chinmoy. Ele pede que seus alunos tenham trabalhos normais. Ou seja, para nós, não há aquela opção tradicional de deixar a família, meditar na caverna ou num mosteiro ou na floresta. Sinto que, como discípulos desse Mestre, parte do nosso dever é interagir com sabedoria prática e uma normalidade espontânea, sincera, de um buscador espiritual vivendo num mundo moderno e repleto de oportunidades e novas possibilidades florescendo a cada dia.

Mais sobre dicas para meditar no trabalho

Contando suas experiências interiores de meditação para os outros

Você pode explicar o valor de tentar contar aos outros suas experiências interiores?

Sri Chinmoy: Alguns Mestres aconselham seus discípulos a compartilharem suas experiências apenas com eles. Na maioria das vezes não é aconselhável compartilhar as experiências interiores de alguém com outros. Suponha que você tenha tido uma muito elevada esublime experiência.Mesmo se você contá-la a seu amigo mais íntimo, o ciúme dele poderá tentar devorar a riqueza, a realidade viva da sua experiência. Ocorre algumas vezes que ao dividir suas experiências com um iniciante, este irá tentar ter a mesma experiência de qualquer jeito.Na vida espiritual isso nunca acontece. O progresso espiritual é um processo lento, constante e gradual. Por você ter provado uma manga e me contado, eu poderei talvez subir na mangueira.Mas se não souber como subir, ao tentar eu cairei e irei me machucar. Outra coisa: se você contar suas experiências interiores para outros, o orgulho humano deles poderá entrar em você.

Experiências interiores somente devem ser compartilhadas com a permissão do Mestre.

Se a pessoa não tem um Mestre,deve então mergulhar dentro de si profundamente e ouvir os ditames da sua alma. Se a alma ou o Mestre pedir a um ao buscador que compartilhe suas experiências com o resto do mundo, não haverá problema então. Pode ocorrer nesse caso que se a pessoa contar suas experiências, seus amigos fiquem inspirados a entrar no mundo de aspiração. Porém é sempre aconselhável perguntar ao Mestre ou ir fundo dentro de si, para saber quando se deve compartilhar suas experiências. De outra forma isso poderá criar resultados imprevistos e deploráveis para o próprio buscador ou para os outros com quem ele tenta compartilhar suas próprias experiências.

Quando estamos no mundo exterior, estamos livre e desimpedidos para falar de nossa vida espiritual ou devemos reservar isso só para os que aspiram?

Sri Chinmoy: Se você falar sobre suas experiências, poderá ficar em apuros.O solo tem que estar fértil. Se as pessoas são genuínas e sinceras, então sua conversa será frutífera. Do contrário, eles terão todo o direito de não compreendê-lo e ridicularizá-lo.Você pode não se importar se alguém zomba de você, porém a pessoa que não se beneficiou ou não se inspirou com o que você disse, infelizmente poderá tentar bloquear sua própria inspiração e aspiração. Nós devemos então usar nossa sabedoria que ele também é uma criança de Deus; deixe o momento do seu despertar chegar na Hora escolhida por Deus.Não é da sua conta acordá-lo. Quando alguém está pronto, clamando por uma vida mais elevada, aí então é a hora de você acordá-lo do sono que é a ignorância.

Se você der uma nota de mil dólares para uma criança, ela a rasgará. Para ela a nota não tem valor. Porém um adulto saberá o valor dos mil dólares. Similarmente quando você compartilha suas experiências interiores com um aspirante ou buscador, ele irá se beneficiar com isso. Ele sabe quão difícil é ter uma experiência interior. Aqueles que clamam pela vida interior, são as pessoas certas para compartilhar suas experiências.

Sou um novato na vida espiritual e sinto uma urgência incontrolável de compartilhar as minhas experiências espirituais com todo mundo que eu encontro. É verdade que isso não é algo desejável?

Sri Chinmoy: Se você estiver interiormente inspirado para compartilhar suas experiências com uma determinada pessoa, isso será maravilhoso. Se seu Piloto Interior disser: ”Faça isto!” então faça, mesmo que o mundo inteiro rejeite a sua verdade. Contudo, se Deus não o inspirar, se o Piloto Interior não aprovar, então o que acontecerá? Você apenas se vangloriará com todos, das experiências que teve. Alguns irão zombar de você, arruinando toda a sua alegria e inspiração, alguns irão duvidar de você, fazendo você duvidar de si mesmo e alguns irão ter inveja de você e irão esfaqueá-lo internamente com todo o poder-pensamento não divino deles. Assim, suas experiências desaparecerão, sua aspiração decairá e você perderá toda a sua alegria e inspiração.

Quando você obtém inspiração para ajudar ou inspirara pessoas de algum modo, tem que saber se a mensagem que você quer oferecer para o mundo, foi aprovada por Deus ou ordenada por Deus. Se sentir que Deus pediu para você dividir suas experiências com alguém em particular, então o faça. Se a pessoa aceitá-las ou não, isso não terá importância.

Mesmo que sua experiência for absolutamente real, há algo chamado tempo que é um fator muito importante.Se o que você quiser oferecer for inoportuno, isso irá criar mais desarmonia do que harmonia no mundo. Se você der umaaula de universidade para uma criança que esteja no jardim-de-infância, somente irá confundí-la e massacrá-la. Similarmente, se oferecer sua realização interior para alguém que não estiver pronto, irá apenas destruir a pequena possibilidade que ele tiver. E se você mesmo não for espiritualmente forte, a outra pessoa poderá destruir a pequena capacidade que você tiver. Porém se deus pedir a você para ajudar outros, isso significa que ele já deu a você a capacidade deu aos outros a receptividade necessária.

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Como interpretar as suas experiências durante a meditação

O campo das experiências interiores é vasto e, para a mente, inconcebível, pois elas acontecem num plano muito mais profundo e real do que a mente – o coração, ou mesmo na alma.

Um buscador pode ter experiências mentais ou emocionais e considerar que são espirituais; ou pode ter experiências espirituais e considerar elas apenas coisas superficiais. Há um perigo em errar no seu julgamento em ambos os casos. Apenas um Mestre espiritual verdadeiro pode dizer a um buscador se as suas experiências são reais e espirituais ou se são fruto da sua imaginação ou emoção.
Traduzimos aqui algumas interpretações de experiências de meditação feitas por Sri Chinmoy, em geral verdadeiras. Esperamos que sirvam de inspiração ou esclarecimento.

Uma regra geral é que as experiências interiores são sublimes, sutis, energizantes e delicadas – no entanto, você sente uma paz sólida e repara que a sua vida muda rapidamente. As experiências “inventadas” ou “emocionais” costumam ser manifestações de desejos conscientes ou subconscientes, e instigam-nos a buscar reconhecimento, repetição da experiência, etc.

Em geral, há uma outra recomendação, de Sri Chinmoy, que pode sempre servir-nos. Quando tiver uma experiência, apenas procure ficar em silêncio, sem julgar, sem reagir. Deixe os dias passarem. O que importa é o que está mais dentro de nós. Se a experiência ocorreu lá, isso basta; você não precisa saber o significado. Se foi superficial, não dar atenção desnecessária também o protegerá de iludir-se.

Você pode ler sobre mais algumas experiências e como lidar com elas no livro impresso Meditação.

 

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Perguntas, respostas e interpretações das experiências que temos durante a meditação

A experiência divina é alcançada através da meditação?

Sri Chinmoy: Através da meditação certamente teremos experiências divinas. A meditação é o meio. Meditando, certamente haverá experiências divinas. Sem meditar, haverá apenas experiências humanas, comuns. A meditação é a única resposta. A meditação é a chave para adentrar o mundo divino.

 

Na meditação profunda, às vezes sinto o meu corpo inteiro ficando dormente, como se fosse anestesiado. Só consigo mexer os olhos.

Sri Chinmoy: Essa é uma experiência muito boa, a experiência do silêncio. A mente se rendeu completamente ao coração durante a sua meditação. O coração leva a mente consigo, e ambas se entregam à alma. Então você tem o sentimento de silêncio estático. Tente permanecer nesse silêncio; não o tema. Você pode ficar nele por alguns dias ou mesmo um mês sem medo. Esse silêncio se tornará silêncio dinâmico. Você sentirá que no silêncio há uma criatividade espontânea, um movimento espontâneo, uma vida espontânea – a vida do despertar espiritual, experiência espiritual e revelação espiritual.

 

As pequenas experiências esporádicas que temos durante a meditação são partes da realização, ou são pequenos passos para a realização?

Sri Chinmoy: De uma certa forma, cada experiência o leva para a realização; cada experiência é um passo em direção à realização. Mas se, ao invés de andar devagar, pudermos correr muito rápido, não precisaremos de milhares ou milhões de experiências antes de realizar Deus. Cada experiência certamente nos auxilia; elas nos trazem confiança, alegria. Alguém pode dizer que quer comer uma manga hoje, uma laranja amanhã e outra fruta depois de amanhã. Antes de ele obter a fruta que considera a sua meta, terá várias pequenas sensações da fruta. Mas apenas quando comer a fruta que é a sua meta é que ele terá a satisfação plena. Se alguém é absolutamente sincero em dizer que não quer nada senão realização, essa pessoa dirá: “Não quero outra fruta. Quero apenas a fruta que é para mim, a fruta que é a minha meta, a fruta que me oferecerá a completa satisfação.

 

Quando medito, às vezes tenho a sensação de que estou olhando para todo lado. O que isso significa?

Sri Chinmoy: Quando medita, você está mesmo olhando para todo lado. A sua consciência está expandida. Você não é uma só pessoa dentre muitas na Terra; você sente que o mundo inteiro pertence a você e que você pertence ao mundo. O mundo pode considerar você como parte dele. Neste exato momento você não consegue reivindicar o mundo como parte de si. O seu irmão, irmã, o resto da sua família – eles são seus, mas é só. No entanto, quando sente que está enxergando tudo a seu redor durante a meditação, tudo é seu, todos são seus. Interiormente, tudo faz parte de si, e tudo que está ao redor você pode considerar parte de si. É uma ótima experiência.

 

Como posso ter uma experiência transcendental na minha meditação?

Sri Chinmoy: Se quer ter experiências transcendentais, precisará de uma meditação especial além de disciplina interior. Simplesmente fazendo algo intensamente não necessariamente alcançará o que procura. Digamos que cave num lugar onde não tem água. Você pode cavar e cavar, mas, se não houver água, de que adiantará? No entanto, ao cavar num lugar adequado onde há água, você a encontrará. Se tiver a meditação correta, a orientação correta e a auto-disciplina correta, certamente terá a experiência transcendental.

 

Durante a meditação, certa vez tive a experiência de que não estava dentro nem fora. Não havia solidez, nada concreto, objetivo ou real. Eu não sabia onde estava ou o que estava acontecendo.

Sri Chinmoy: Essa é uma boa experiência. Você não estava dentro nem fora. Onde estava então? Quando não está dentro, quer dizer que não está na sua realidade mais elevada. Quando não está fora, quer dizer que não está na sua energia que flui para o exterior. O interior leva a mensagem da pureza, e o exterior traz a mensagem da beleza. Você não entrou nas profundezas maiores, onde a pureza está grandemente presente, e também não entrou nas profundezas externas, onde a beleza se manifesta. Quando o interior se torna pureza, o exterior se torna beleza. É uma forma de vivenciar a verdade. Outra forma de vivenciar essa verdade é sentir que está num lugar segurando o mundo exterior de imperfeição e o mundo interior de perfeição. Você é a ponte entre a sua vida entre o mundo interior e exterior, onde não é nem o mundo interior e nem o mundo exterior. Você está trazendo o mundo interior para o mundo exterior para que possa se manifestar e está levando o mundo exterior para o mundo interior para que possa se realizar.

 

Ocasionalmente, vejo um pequeno lampejo, uma luzinha que vai até os seus olhos e viaja a todo o redor. Às vezes, ela viaja num padrão definido e eu a vejo enquanto estou meditando na sua foto. O que isso significa?

Sri Chinmoy: O significado espiritual eu posso dar, e se não o satisfizer, então você pode ir ao médico e ver se a sua vista está em ordem. Mas eu gostaria de lhe dizer que a luz que você vê é uma luz interior, e você a está vendo com a sua visão interior. Está vendo uma luz sutil ao redor das minhas sobrancelhas ou dos meus olhos, que pertencem ao físico em mim. Isso indica que a sua visão interior aceitou o físico e também está encorajando o físico. Ao ver a luz circulando em volta do meu olho, você precisa saber que a minha parte física se tornou uma com a sua aspiração. Eu incorporo a aspiração do físico em você e em todos os discípulos. Enquanto aspira, você vê o físico em mim assim como o espiritual em mim. Os dois não podem ser separados. A luz é o espiritual em mim e os olhos são o físico. Portanto, a sua aspiração, o seu clamor interior agora mesmo está clamando para ser apoiado ou encorajado ou satisfeito pelo espiritual.

Ao pensar em si mesma, pense que no físico está o seu clamor interior, a sua aspiração e a sua dedicação. Essa aspiração e essa dedicação não serão à toa. Serão coroadas com o sucesso. Serão premiadas pelo físico e pelo espiritual. O físico dentro de você está aspirando e a realidade de cima, do profundo interior, virá e premiará a aspiração do físico.

Portanto, a luz que você vê é a luz do Além. Quando você a vê circulando em volta do olho, significa que o espiritual está encorajando o físico para elevá-lo, transformá-lo e satisfazer a mensagem da realidade mais elevada O físico está aspirando e uma resposta está vindo da realidade e da divindade além do físico. Experiência muito boa, maravilhosa!

 

Se nós, discípulos seus, temos dúvidas quanto ao decorrer de uma ação e não sabemos qual é a vontade do senhor, como podemos decidir o que fazer? Meditar na foto do senhor vai solucionar a questão?

Sri Chinmoy: Vocês podem meditar na minha foto. Durante a meditação, conseguirão a resposta ou não. Não há uma regra predeterminada. Mas se conseguirem um tipo de alegria interior com uma resposta, então será a resposta correta. Se não há alegria, então a resposta não está vindo da foto. Está vindo da mente.

Há outra coisa importante que gostaria de dizer. Sempre que tiverem sonhos ou visões, por favor, não tentem interpretá-los ou pedir a outras pessoas que os interpretem, pois vocês vão cometer um erro terrível. Se vocês tiverem uma visão ou uma experiência interior, mergulhem profundamente em seus interiores e descubram o significado ou me perguntem sobre o significado. Se tiverem uma experiência maravilhosa, escrevam para mim. Posso não responder exteriormente ou dar uma mensagem interior específica, mas vou abençoá-los e apreciarei suas experiências. Se tiverem uma experiência realmente divina, meu ser interior saberá imediatamente.

 

Venho tendo experiências telepáticas com pessoas que se chamam de mágicos. Converso com eles enquanto estão em outros lugares. Posso entrar nesse reino quando quiser. Estou curioso em saber como você responderia a essas experiências.  

Sri Chinmoy: Do mais elevado ponto de vista espiritual eu gostaria de responder à sua questão. Essas experiências o ajudarão a ir mais rápido em direção à sua meta? Não, não ajudarão. Essas experiências são fascinantes, indubitavelmente, mas nunca o levarão à realidade. Pelo contrário: elas são tentações noseu caminho para a realização em Deus, a elevadíssima Verdade. Em nossa vida espiritual, muitas vezes temos experiências fascinantes e não queremos mais aspirar. É verdade que essas experiências podem nos incentivar, mas muitas vezes, quando temos experiências demais, entramos no mundo vital. Vemos um caleidoscópio: vemos todos os tipos de coisas belas, mas elas são só tentações. Suponha que você esteja andando por uma rua em direção a um lugar específico. Se vê árvores, flores e lagos bonitos pela rua, o que acontece? O cenário é tão bonito que você acaba descansando. Você diz: “Deixe-me ficar aqui e apreciar isso,” e então para e aprecia a paisagem. Mas o seu destino permanece uma meta distante.

Um buscador sincero sabe que a meta dele é a Verdade mais elevada. Ele não adiará a jornada. Mas, no seu caso, posso ver que você aprecia essas experiências; você dá a elas a sua atenção consciente. Isso é muito errado. Na vida espiritual, aspiramos pela mais alta Verdade, por Deus, e por nada mais. Essas experiências são verdadeiras tentações para você. Você deveria sentir: “Tendo realizado Deus, terei experiências infinitamente mais belas, significantes e frutíferas”. Com essa idéia, você deveria deixar de lado essas experiências telepáticas. Se sente que entrando nessas experiências ou permitindo que elas entrem em você, acalentando-as, conseguirá experiências mais elevadas, está enganado. Você não irá nem um pouco mais adiante. Se insistir nelas a toda hora, se estiver constantemente fascinado por elas e sentir que é parte delas, será pego por essas experiências. Muitas pessoas cometeram esse engano, e para elas a realização em Deus permaneceu uma meta distante.

Buscadores sinceros tomam essas experiências como obstruções no caminho. Por favor, não dê atenção a esses tipos de experiências. Elas são fascinantes, mas não estão satisfazendo a sua vida de dedicação, realização e manifestação. De manhã cedo, tente silenciar a sua mente. Se conseguir silenciar a sua mente, não terá essas experiências. Elas estão vindo do mundo vital até você. Você está acalentando essas criações do mundo vital e tentando colocá-las à sua disposição, como se fossem muito suas. Mas elas não podem levá-lo à Meta mais elevada. Se a sua intenção é o Altíssimo, então essas coisas têm de ser descartadas. Quero que você vá até alguém que o inspire a entrar no reino da pura aspiração. Você será capaz de trazer à tona a luz da sua alma e correr o mais rápido possível em direção à Meta mais elevada.

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Como meditar na foto de um Mestre espiritual

Simplesmente para sonhar
Com a Meta Final,
O buscador-Deus deve ser
Uma alma excepcionalmente corajosa.
-Sri Chinmoy

Quando eu comecei a meditar, eu fazia dois tipos de exercício de concentração. Um deles era de respiração e o outro era de concentração em diferentes partes do corpo.

foto mestre espiritual meditar como

Depois de alguns meses, eu ganhei uma foto de Sri Chinmoy, que ele dá aos seus alunos diretos. (Essa foto é sagrada – ela não está disponível na internet e nem a venda). A partir de então, todos os dias eu fiz o mesmo exercício – meditar nessa foto –, sem nunca sentir necessidade de mudar de exercício. E vejam que já faz 16 anos que a recebi!

Desde a invenção da fotografia, o ato de meditar na estátua de um Mestre espiritual teve uma transformação. A fotografia, normalmente preta e branca, consegue representar uma parcela da consciência de realização do Mestre.

Por isso, é bastante comum em caminhos espirituais dedicados que os alunos usem essa ferramenta para alcançar a sua própria consciência mais elevada – através do auxílio do Mestre.

 

Pergunta: Como devemos meditar na foto de um Mestre espiritual?

Sri Chinmoy: Quando meditamos diante da foto de um Mestre espiritual, devemos sempre tentar nos identificar com a consciência do Mestre espiritual, que está personificada na foto. Se quisermos nos identificar com a sua consciência, a primeira coisa a ser feita é nos concentrar na foto toda. Gradualmente, traremos o foco da atenção apenas para a face, e depois para a região entre as sobrancelhas e um pouco acima, que é onde a sua verdadeira riqueza interior, espiritual, pode ser encontrada. Esse é o terceiro olho, a sede da visão. Assim que conseguimos nos identificar com a visão da realidade interior, alcançaremos o maior sucesso.
Se quiser obter pureza ao olhar para a foto, antes de começar a sua meditação, imagine que está respirando junto com o Mestre por cinco minutos. Você deve sentir que ele também está respirando – o Mestre e o discípulo devem respirar juntos por cinco minutos.

Sri Chinmoy, Meditation: God speaks and I listen, part 2, Agni Press, 1974

 

Veja também:

Meditação e o esforço pessoal (ou “A Disciplina e a Graça”)

Nesta semana voltei de viagem de Nova Iorque, onde meu Mestre viveu fisicamente até 2007. Foi um encontro internacional com meus amigos e colegas, e com o Mestre, interiormente. Pude compartilhar um certo tempo com meus amigos que correram as 3100 milhas, meditar, cantar diversas canções espirituais várias horas por dia, correr uma maratona e uma ultramaratona, e meditar (e mais).

Ao ir para o aeroporto para voltar para o Brasil depois de doze dias lá, eu estava no táxi e não me sentia particularmente sublime. Normalmente (acontece todos os anos) eu sentiria algo incrível, uma mudança drástica de perspectiva se comparado com antes da viagem a NY, por conta do progresso e das meditações que temos durante o período do encontro. Tudo sempre parece mais belo, e luminoso, e tranquilo, e perfeito, e preenchedor. Mas desta vez conseguia perceber claramente que eu parecia muito pouco diferente da pessoa que tinha saído de casa para vir para NY. Eu havia feito algumas meditações extras, ainda que curtas, enquanto havia poucas pessoas no nosso jardim de meditação (eu até prefiro assim, vazio, durante o por do sol, etc.). Mas parecia que não tive a disciplina, profundidade, dedicação ou alguma coisa que fizesse com que a “mágica” acontecesse.

No entanto, cheguei em casa no Brasil, descansei uma hora e fui para o trabalho. Estava bem cansado pelas atividades (nunca tirei férias para descansar) e ainda teve o voo noturno. Mas estava feliz. Tudo parecia mais belo, e luminoso, e tranquilo, e perfeito, e preenchedor. (É a mesma frase que usei mais acima no texto, que faltava). Hoje já faz três dias que voltei, e estou sentindo ainda mais isso.

Cheguei a uma conclusão. Mesmo que eu não consiga meditar direito, mesmo que não consiga tomar as melhores decisões ou manter minha mente ou coração na vibração certa, o meu Mestre não é limitado por isso. Ele faz o que ele tem de fazer e ponto final. Ele não é limitado pela minha falta de intensidade ou receptividade – se ele faz algo, aquilo está feito.

No final das contas, percebi que todo o progresso que sempre fiz veio sempre pela Graça incondicional dele. Que é algo natural, pois eu realmente sinto que não tenho elevadas capacidades. Acho que o melhor papel que eu poderia cumprir seria de simples e completa gratidão.

“Graças a Deus”

Tem algo interessante para completar essa história, mas que aconteceu antes de tudo. Umas semanas atrás tive de ir ao dentista porque estava com muita dor. Quando cheguei no consultório, perguntei à secretária casualmente: “Olá, tudo bem?” Ela respondeu: “Tudo bem, Graças a Deus.”

Bem, parece algo corriqueiro, cotidiano – mas me fisgou profundamente: sim, realmente tudo é “Graças a Deus.” Saí do âmbito cotidiano da frase e realmente senti um fragmento da realidade absoluta dessa afirmação.

E agora, com mais essa experiência, tudo fica ainda mais belo, e luminoso, e tranquilo, e perfeito, e preenchedor.

Correr é uma forma de meditação

por Thamara Paiva

Correr é uma forma de meditação. Quando você está correndo, é só você com seu piloto interior. É seu piloto interior com Deus. É uma profunda entrega a você mesmo, e quanto mais você corre mais forte você fica – tanto fisicamente como interiormente.

A corrida é algo que nos leva pra outro lugar. A gente sente uma felicidade tão genuína que muitas vezes é difícil tentar explicar para outras pessoas. Só quem corre sabe, é preciso correr pra entender. Depois que eu comecei a meditar eu passei a entender melhor o que acontece.

Corrida e meditação são duas ações que estão profundamente relacionadas. Quando comecei a fazer o curso de meditação no centro Sri Chinmoy em Dublin aprendi na prática o significado de que correr é uma forma de meditação.

Eu estava em fase de treinamento para minha primeira maratona. Era o sonho da minha vida de corredora, e eu ia realizá-lo naquele ano. Eu era extremamente dedicada aos treinos, seguia minha planilha sem faltar nenhum dia. Podia estar chovendo, podia estar um friiiio de congelar, naquela capital cinza e gelada que é Dublin, que eu ia, sem desculpa e muito feliz. Cada dia era um novo passo que estava me levando ao meu sonho.

Nos primeiros dias de curso eu achava curioso – quando os alunos de Sri Chinmoy perguntavam como estava nossa meditação diária ao chegar na minha vez uma das meninas já logo falava: “Ah! Você nem conta, você corre todos os dias!”. E eu corria mesmo, mas além de correr eu também meditava. No início eu não entendia muito bem porque ela falava aquilo… eu ainda não tinha feito a associação profunda da corrida com a meditação.

Talvez porque eu estivesse tentando pensar racionalmente. Não dá para pensar apenas: meditação, antes ou depois da corrida? Meditação não é alongamento. Você medita antes, durante e depois da corrida.

E foi só depois de alguns meses de prática diária de meditação e uma entrega profunda aos ensinamentos de Sri Chinmoy que eu pude realmente sentir o que ela quis dizer quando falou que correr é uma forma de meditação.

O efeitos dos exercícios de meditação durante a corrida

A primeira prova que fiz na Irlanda foi em Dingle. Uma meia maratona em uma paisagem simplesmente deslumbrante. Eu sonhava há meses com essa meia maratona. Ela acontece numa estrada que é um dos cartões postais da Irlanda. O único dia do ano em que ela é fechada pra carros é no dia dessa prova. Só atletas correndo por aquele cenário que é um quadro divino. Era mesmo um sonho.

Eu não conhecia ninguém que estava fazendo a prova. Foi uma das viagens que eu adoro fazer com minha única companhia: Deus, e o desafio de me conhecer ainda mais.

O percurso da prova tinha algumas boas subidas e eu fui fazê-la apenas com uma certeza: aproveitar cada instante daquela oportunidade. E nem nos meus mais lindos sonhos poderia ter tido a criatividade de imaginar tudo que Deus me proporcionou naquele dia.

Enquanto eu corria percebi que estava fazendo um dos exercícios de meditação que eu tinha aprendido em um livro de Sri Chinmoy.

Comecei a olhar para a vastidão do céu e imaginava que eu era o céu, que eu fazia parte dele. Depois eu olhava toda a natureza à minha volta e sentia que eu também era cada uma das árvores, das folhas, do verde. Depois o percurso me levou até aquele oceano lindo e azul que passava do meu lado esquerdo. E eu sentia que eu me tornava uma com o oceano. Quanto mais eu imaginava que eu era cada um desses elementos, eu me tornava um com eles, eu ficava mais forte.

Em alguns momentos eu não sentia que estava correndo, eu estava voando, leve como um pássaro. E comecei a imaginar então que não era eu quem estava correndo. Quem corria era a minha alma e alma não sente dor, alma não cansa… a alma simplesmente voa. Voa de uma forma sublime. Então, Deus começou a correr por mim. E cada vez que eu mergulhava nisso tudo eu sentia mesmo meu corpo desaparecer. Não tinha dor. Nem mesmo nas subidas. Era uma sensação de leveza e aquela felicidade que já tomava conta de mim sempre que eu corria ficava ainda maior, ela tomava conta de todo o meu ser.

Eu corri praticamente sem olhar o tempo no relógio. Eu me entreguei ao melhor que eu poderia ser, à minha força interior, à Deus. E quando vi eu tinha feito meu melhor tempo em meia maratona da vida. Com vontade e pernas para correr ainda alguns outros quilômetros. Foi inesquecível. Foi maravilhoso. E para os meus treinos de maratona foi ainda mais inspirador. Lembro que no dia seguinte eu cheguei em Dublin e corri outros 21km pela cidade. Aquela felicidade ainda tomava conta de mim.

Meditação diária e treinos para maratona

Os treinos para a maratona estavam apenas começando. Estavam por vir aqueles dias mais cansativos. Assim como nem todo dia ganhamos ótimas meditações, na corrida também é igual: nem sempre a gente tem um ótimo dia de treino. Até para quem ama correr, alguns dias são difíceis de conciliar no trabalho, na família, ou até mesmo pela (falta de) motivação.

E foi num desses dias difíceis que eu recebi mais um presente da meditação na minha corrida.

Eu trabalhava em Dublin em uma lanchonete, geralmente minha escala era nos finais de semana, mas alguns dias me pediam para ir durante a semana também. Como eu precisava muito daquele dinheiro, eu aceitava. Mesmo sabendo que isso poderia comprometer minhas aulas na escola e meu treino para a maratona – já que meus treinos eram sempre de manhã.

Fui escalada pra abrir a lanchonete, entrei às 6h e (para a minha não sorte) acabei tendo que fechar também e ficar até 16h30. O trabalho era em pé, andando de um lado pro outro. Talvez eu tenha sentado uns 30 minutos para almoçar, e só. Era início da semana e meu corpo ainda estava sentindo o trabalho do fim de semana.

Por coincidência, era o mesmo dia do curso de meditação e eu ainda tinha um treino de tiro para fazer (10km). Comecei a fazer as contas: sempre que eu ia correr 10km eu separava 1h, mesmo que precisasse de menos. O curso ia terminar às 21h e depois disso eu ia treinar, ia chegar em casa umas 23h para acordar cedinho no dia seguinte. Não estava disposta a perder nem a meditação nem o treino. Para otimizar o tempo eu fui para o curso de meditação com a roupa de treino para começar a correr de lá mesmo.

Naquele dia a minha mente estava cansada. Além disso, aquele trabalho baixava muito as minhas energias. Mas meu corpo estava pedindo para correr.

Nesse dia eu recebi mais um presente porque a minha meditação foi tão boa que dela eu tirei uma força que eu nem sabia que tinha. O treino foi um dos melhores que eu tinha feito nas últimas semanas. Depois que eu vi a minha velocidade no relógio e a média da velocidade do treino eu fiquei assustada comigo mesma e no quão rápido eu podia correr. Eu só agradeci, agradeci e agradeci por toda aquela graça que eu estava recebendo.

Se eu tivesse deixado espaço para a minha mente ganhar voz das duas uma: ou eu não teria ido na meditação ou eu não teria feito o treino. Depois de fazer tudo que fiz, se fosse pensar muito naquilo que ainda tinha que fazer e no amanhã, minha mente teria desculpas suficientes para me fazer desistir de algum deles. Porque tudo isso pode ser demais pra uma mente que pensa apenas no mundo exterior.

Eu fui pra casa depois do treino explodindo de alegria e de gratidão no coração. Eu vi que realmente o nosso limite está apenas na nossa mente. Muitas vezes nós não sabemos a força que temos, mas ela está lá no fundo do nosso coração, às vezes escondida… só querendo um espacinho para vir à tona. E a meditação te ajuda a encontrá-la, te ajuda a tirar todas as camadas que estão encobrindo-a. Cada uma no seu tempo. Mas hoje vejo que apenas com a meditação e com os ensinamentos de Sri Chinmoy eu consegui abrir meu coração para tudo isso.

Com Sri Chinmoy eu aprendi que a corrida interna é a mais importante, mas a corrida
externa ajuda nesse caminho espiritual e que cada vez que corremos mais rápido na corrida interior mais resultados vemos em nossa vida exterior. É só termos coragem para nos entregarmos.

Alegria infantil para adultos e crianças – sobre jogos de tabuleiro e o presente de brincar com crianças

Quando leio algumas histórias de Sri Chinmoy ou quando me recordo das minhas memórias com ele, uma coisa que sempre vejo repetir com seus discípulos é que ter uma consciência doce e infantil (não me refiro a ser infantil como sendo bobo) é uma importante e talvez uma vantagem essencial.

Quando eu estou em uma consciência mais infantil, tudo parece mais espiritual, naturalmente espiritual ou divino. Quando eu estou em uma consciência mais séria, as coisas podem facilmente parecer como um problema ou eu sinto como se estivesse tendo uma febre mental.

Descobri que existem alguns caminhos que me ajudam a entrar em uma consciência mais infantil, como:

● Meditação. Quando realmente acontece funciona muito bem. Porém, eu não posso contar que eu vou ter boas meditações a qualquer hora que eu quiser. Eu as tenho, mas me parece que elas vêm mais como presentes incondicionais do que por conta do meu know-how de meditação.
● Outra forma é passar um tempo com crianças. Isso realmente funciona pra mim.
● E uma terceira forma é fazer atividades que crianças gostam de fazer, fazendo de mim uma criança, por assim dizer.

Sri Chinmoy desafiou suas capacidades com vários projetos (como sua série Sonhadores-Arco-íris), os quais incluem feitos como corrida, pulos, malabarismos, pinturas e etc. Mas não foi só isso, em seus feitos também incluem jogos de crianças, como piões, bolinha de gude e por aí vai.

Parece que sempre gostei de brincar desses jogos (mesmo depois de já ter passado dos meus 30 anos), mas talvez a falta de companhia ou excesso de rigidez mental não me deixou ver a ação da disciplina benéfica do ato de jogar regularmente.
Identificando-se com crianças
De uns anos pra cá, tivemos alguns pais começando a participar dos encontros em nosso centro de meditação Sri Chinmoy em São Paulo.

Eu naturalmente percebi e entendi, considerando a perspectiva do longo e solene silêncio de meditação e sérias conversas espirituais, que as crianças também se sentiam em casa.

Mas não há tanta coisa que você você pode conversar com crianças. Crianças parecem não ter, na maioria das vezes, interesses nas discussões, conclusões, finais e raciocínios que nós muitas vezes tentamos alcançar enquanto estamos conversando com outros sobre assuntos espirituais ou não.

Eu gosto muito de ouvir sobre experiências de outras pessoas no caminho espiritual, mas acho que quando eu mesmo ou outros tentamos raciocinar ou explicar ou ensinar alguém sobre tópicos espirituais, há geralmente raciocínio desnecessário e às vezes viagem do ego. Nós somos todos buscadores, está tudo perfeitamente bem em apenas tentar e falhar…

Mas sempre procuro simplesmente faz algo que me faz sentir realizado, infantil e espontâneo, isso me parece muito mais alinhado com os ensinamentos de Sri Chinmoy e um melhor uso de tempo e energia.

Então, a fim de nos identificarmos com nossas crianças recém-chegadas, nós criamos um interesse comum: jogar jogos!

Finalmente eu encontrei alguém que realmente entendia quão importante é jogar e eles também encontraram um adulto (talvez isso seja uma afirmação qualificada) em mim alguém que realmente entendia o quanto jogar era mais importante do que outras coisas chatas e sérias que não fazem ninguém realmente feliz.

A propósito, existe uma anedota interessante dita por Sri Chinmoy em seu livro “Asas da Alegria”, na qual um reconhecido e sábio cientista cujo nome era Dr. Satyendranath Bose declina em presidir um conselho científico porque ele havia prometido jogar com as crianças – um de seus passatempos favoritos, o qual deu a ele mais satisfação do que presidir conselhos científicos.

Quanto a mim, eu sinto que venho aprendendo com as crianças e seus pais lições que estavam atrasadas há um tempo em meus anos como um buscador espiritual e discípulo de Sri Chinmoy.

Então, simplesmente por ficar com eles eu pego muito mais espontaneidade, alegria e bons sentimentos. Às vezes, quando eu penso nas crianças com quem eu brinco, eu uso um apelido secreto: professores.

Pois acho que aprendo mais e mais rápido com a honestidade e busca sincera de alegria e felicidade delas do que quando tenho conversas espirituais ou um pouco espirituais – embora eu ache as conversas muitas vezes elevadas, importantes e gratificantes. Quero dizer apenas que a experiência com as crianças nos últimos anos tem aparentemente me proporcionado mais oportunidades de progresso do que as conversas.

Jogos que jogamos

Nós temos um grande número de jogos, e escolhemos jogar de acordo com a idade e afinidades pessoais.

Meus jogos favoritos são os jogos esportivos infantis que eu jogava na rua quando eu era criança: o número um é definitivamente esconde-esconde (no qual um dos nossos pais está invicto até hoje); o número dois talvez seja futebol; nós também temos uma variação de críquete que somente as crianças jogam aqui no Brasil; nós também fazemos batalhas usando elásticos como munição para serem jogados um no outro (eles não machucam de forma alguma).

Então, vem as atividades internas, como os jogos de tabuleiro. Se você conhece somente Monopoly, Palavras-cruzadas, eu posso assegurar que você está perdendo algo muito divertido e inspirador nos dias atuais, chamados de jogos de tabuleiro “modernos”.

Eu poderia recomendar alguns títulos básicos que vão levar sua mente longe quando você jogar, como:
– Jogos competitivos:
● Ticket to Ride
● One Night Ultimate Werewolf
● Tresure Island

– Jogos cooperativos:
● Ubongo
● Animal Upon Animal (ou Rhino Hero Super Battle)

– Jogos de adivinhar:
● Concept
● Mysterium (ou Dixit ou ao invés desse, o When I Dream)

– Jogos storytellings:
● Stuffed Fables
● Mice and Mystics

– Para as crianças mais “crescidas” existem alguns jogos sérios, históricos e temáticos, como:
● Freedom: The Underground Railroad (como contemporâneos de Lincoln fazendo sua parte para abolir a escravidão)
● Black Orchestra (sobre patriotas alemães tentando parar com as atrocidades do Nazismo na Segunda Guerra Mundial)
Esses jogos fazem você pensar na situação do mundo e no cuidado do Supremo para isso, entrando em contato com a história e possíveis mecanismos e desafios que os herois históricos encontraram.

Eu amo todos esses jogos, então eu poderia explicar um por um. Mas, primeiro, basta dizer que eles são totalmente divertidos e envolventes, e eles nos fazem sentir bem e construir ótimas memórias com nossos amigos.

Segundo, cada tipo de jogo vai trazer às crianças novos conceitos ou aguçar aqueles já existentes (como cooperação para um objetivo, habilidades de leitura, destreza, história do mundo, etc).

Eu também gosto às vezes de colorir desenhos de animais. Eu posso tentar desenhar também, mas isso não me atrai tanto quanto um bom jogo de tabuleiro ou brincar de esconde-esconde.

Resultados de jogar jogos na vida cotidiana

Nós também tivemos experiências que as crianças começaram as ter melhores relacionamentos e uma melhora em situações difíceis na escola simplesmente por pegarem alguns de nossos jogos de tabuleiro para usá-los durante um momento de recreação. De repente, todos se tornaram amigos e isso deixou todos felizes!

Com os jogos de tabuleiro, você terá uma biblioteca não de livros, mas de desculpas para ter alegrias inocentes com pessoas que você gosta. E, como uma biblioteca de livros, e diferente dos video games, depois de 40 anos, você ainda será capaz de pegar seus jogos da prateleira e ter um momento perfeitamente bom.

Eu joguei tanto video game na minha fase de crescimento que acho que isso atrapalhou meu desenvolvimento como criança e mais tarde como um buscador da vida espiritual. Isso mais me parece agora como uma tremenda perda de tempo (quando eu olho pra trás, eu não aprendi nenhuma habilidade cultural na minha fase de crescimento: nenhuma música, línguas, nenhum esporte, nem artes – apenas vídeo games).

Eu imagino que equipamentos eletrônicos deixam a mente tão inquieta e reativa que o coração acha difícil vir à tona – completamente o oposto da meditação. É o que parece para mim.

Mesmo nos dias atuais, eu acho que se eu ler muitos livros eu me sinto muito bem em vários aspectos, mas se eu gasto um longo tempo no computador ou no telefone celular eu me sinto muito cansado ou inquieto.

De qualquer forma, em uma nota positiva.. eu gostaria de convidar você a olhar em volta e talvez perceber que você está envolto por crianças agora mesmo… eles podem não parecer crianças, mas, assim como eu, eles podem ser apenas uma grande e crescida criança que esqueceu quem ela realmente é. Eu não acho que teria essa noção se não fosse pelo constante exemplo e orientação interior de Sri Chinmoy.

O que a meditação me ensinou

 

Meu professor-curiosidade me ensinou

Por muito tempo.

Do que agora preciso dentro de mim

É um aluno-necessidade

E um professor-sinceridade.

-Sri Chinmoy

Sensação de oportunidade

Que a vida é inestimável: todo dia pode ser uma fonte de experiências e intenso progresso interior, contanto que estejamos despertos para elas e dispostos a nos disciplinar. O tempo é uma dádiva. A meditação é a coisa absolutamente mais satisfatória do meu dia. Prefiro dez vezes ficar sem comer a não meditar ao acordar. Primeiro o mais importante.

 

A minha meditação me ensinou

Como escapar

Da prisão-mente-desejo.

-Sri Chinmoy

Despertar interior

Que o mundo é lindo: tudo é repleto de beleza, e toda essa beleza é, por vezes, ofuscante. Não é a toa que não entendemos tudo – tem coisas que brilham tanto que ainda precisamos desviar os olhos. Mas chega o dia em que você está pronto e pode olhar para essas coisas de frente. Vale a pena o esforço e a paciência.

pássaro inscricao meditacao

O meu Mestre me ensinou

A arte da vida.

-Sri Chinmoy

 

Sentimento de unicidade

Que quase tudo é maior do que nós: na verdade, só esquecemos que fazemos parte de um todo. Com a sua meditação, você lentamente começa a viver mais no coração, e então se identificar com o todo, e enxergar todas as coisas como um plano maior, e muito perfeito.

O céu me ensinou,

Gentilmente,

A sonhar com Deus.

-Sri Chinmoy

Sabedoria prática

Que as diferenças estão na superfície: melhor lutar por crescimento interior do que por igualdade ou padronização. Todo mundo tem algo precioso dentro de si, e não vale a pena esquecer disso para tentar mudar o mundo. Os casos onde você precisa lutar também ficarão claros para você, na hora certa para você saber que estava certo.

Meu Senhor,

Eu me ensinei

A orar.

Você não me ensinaria

A meditar?

-Sri Chinmoy

 

Jeito de criança

Não tentar entender tudo é um ótimo jeito de entender as coisas. Tudo é mais claro do que parece; somos nós que complicamos tudo. O coração é o céu,  os pensamentos são nuvens que a encobrem. As coisas importantes são as mais simples. Coisas complicadas complicam a nossa vida.

Menos & Mais

Menos computador, menos telefone celular, menos internet, menos correria. Mais livros, mais esportes, mais silêncio, mais música sublime, mais serviço voluntário. Menos coisas que não preciso, mais coisas que são tesouros.

Julho/2019: aforismos de meditação

 

barueri

Minha meditação matinal

Enfraquece a minha vida-som

E fortalece a satisfação

Da minha vida-silêncio.

 

As torres-progresso

Fundam-se sobre

As meditações

Das almas-silêncio da Eternidade.

 

Você quer mudar a sua mente

Ou quer que a sua mente mude você?

Se quiser mudar a sua mente,

Injete a fragrância-meditação do seu coração

Na sua mente.

 

Aforismos de Sri Chinmoy

 

O diário de uma buscadora: uma vida de busca

por Thamara Paiva

Alguma vez você já parou para fazer uma reflexão sobre sua vida espiritual?

Há algum tempo me peguei pensando sobre a minha e vi que religião e espiritualidade sempre estiveram presentes nela, em algumas épocas mais ativamente, outras menos.

Posso dizer que eu tive a sorte de nascer em um lar no qual a religiosidade nunca me foi imposta. Meus pais nunca foram muito religiosos, embora meu avô materno tenha sido pastor de igreja evangélica e meu pai seja devoto de Nossa Senhora Aparecida. Essas foram minhas referências de espiritualidade na família.

Me sinto abençoada por isso, porque fui livre para escolher meu caminho desde criança. Eles sempre me deixaram ir para os cultos e cerimônias das mais diversas religiões. Lembro que quando era bem pequena um dia eu ia na Igreja Metodista com a amiga da minha irmã, no outro ia para escolinha espírita com uma amiga minha e em um outro dia eu ainda ia à catequese na Igreja Católica. Tudo numa mesma semana. Uma confusão danada para a cabeça de uma criança? Talvez não para a minha.

Buscando um caminho

Hoje vejo que já naquela época eu estava em busca do meu caminho, mesmo sem saber. Antes eu achava que estava indo só porque minhas amigas iam, pra ficar mais junto delas. Talvez naquela época a explicação fosse essa e fosse suficiente para uma criança de, sei lá, 8 anos. Hoje, com 30, sei perfeitamente que estava mesmo era querendo ficar mais próxima de Deus, o maior tempo possível.

Meus pais nunca me levaram à missa, mas eu contribuía com o dízimo, de um salário que eu nem tinha, porque eu achava que era importante. Por isso, eu era chamada de “beata” pela minha irmã. Cheguei até a crismar na Igreja Católica.

Mas naquela época eu já entendia mais sobre espiritualidade e a igreja não respondia todas as perguntas que eu tinha. Terminei os estudos para fechar o ciclo. Depois disso nunca mais voltei a frequentar a Igreja Católica, eu já não me sentia católica.

Se podemos chamar de uma transição, foi nessa época que comecei a descobrir a energia, comecei a entender sobre os outros planos. Eu era muito curiosa e fiz vários testes “físicos” para sentir essa energia e tentar entender o que acontecia naquele plano que eu não conseguia ver. Comecei a ler bastante e a estudar um pouco sobre isso.

Nesse tempo não tinha internet e eu morava numa cidade bem pequena, então eu encontrava algumas novidades nas revistas na banca de jornal.

Tive várias descobertas e cada vez mais aquilo fazia sentido pra mim e eu me sentia parte de tudo e minhas perguntas começavam a ser respondidas. Encontrei muitas delas no espiritismo, religião que segui desde quando fechei o ciclo da Igreja Católica. Me envolvia em tudo que eu podia: viagens, encontros, estudos.
Sempre que mudava para uma cidade era o primeiro lugar que eu buscava, como se fosse um refúgio. E por anos e anos eu frequentei palestras por toda cidade onde eu ia. Tive a chance de conhecer várias casas espíritas.

Houve tempo em que eu saía da minha cidade, viajava por duas horas só pra assistir à palestra de uma médium excepcional e pra tomar o passe dela. Chegava na cidade por volta das 13h para entrar pra fila. A reunião só começava umas 17h30 e terminava às vezes às 22h, outras 23h, não tinha um horário certo para terminar. Dependia do seu lugar na fila e do quanto cada passe demorava… No final eu sentia que valia cada minuto.

Quando me mudei pra São Paulo o primeiro lugar que procurei, antes de ter um emprego, foi um centro espírita. E tinha um bem na frente da minha casa. Eu me senti tão agradecida, fiquei tão feliz por aquilo. Chegando do interior do interior de Minas Gerais para a selva de pedra pela primeira vez. Isso só podia ser um sinal de que estava no lugar certo.

Como eu estava ali pertinho, virei a papa-passe. Tinha semana que eu ia 3 vezes para a palestra e pra tomar o passe. Ia quando estava feliz, ia para agradecer, ia quando estava triste, ia porque estava sol ou porque estava chovendo. Eu ia porque me fazia bem.

Então descobri que lá eles davam cursos. Já há um tempo vinha sentindo que precisava me aprofundar. Quando entrava na salinha do passe minha vontade era de estar ali sendo o instrumento para a transfusão das energias dos bons espíritos. Muitas vezes eu não precisava do passe, mas queria estar ali, sendo parte daquilo.

Mas os cursos eram muito concorridos. Só consegui minha suada vaga depois de 4 anos frequentando aquele centro espírita. E então comecei a estudar. Ainda bem que comecei a estudar e o estudo começava a completar aquele vazio que eu sentia. Porém, para eu conseguir dar o tão sonhado passe demoraria alguns bons anos (3 anos ou mais). Eu estava disposta a estudar o quanto fosse preciso.

“Thamara, você precisa meditar”

Nessa época, a vida me brindou com mais um feliz encontro com um amigo. Após várias e longas conversas sobre espiritualidade, ótima troca de conhecimento ele me fez uma afirmação que mudaria minha vida completamente e para sempre: Thamara, você precisa meditar.

Meditar pra mim era silenciar a mente. Logo a minha que naquele momento estava um turbilhão de pensamentos. Eu não sabia nada do que era meditar. Mas eu disse: eu sei que tenho, mas não é esse o momento ainda, não me sinto preparada.

Sabe aquelas voltas que a gente faz a nossa vida dar? Essa foi uma delas. Talvez, para eu me confortar, tenha acontecido para eu me fortalecer interiormente.

Passaram-se alguns meses e eu estava conversando com uma amiga. Eu me sentia perdida, com várias perguntas na minha mente e sentindo um grande vazio dentro de mim. Conversando com ela falei que precisava encontrar algo que me completasse e que talvez deveria procurar uma aula de meditação ou algo do tipo. Eu não sabia explicar essa necessidade, era algo que vinha de dentro, como se meu coração pedisse por um alimento. Mas como eu poderia buscar por algo que eu não sabia exatamente o que era?

Foi então que ela me falou de um curso de meditação gratuito que tinha em São Paulo que ela fez e amou, só que não pode continuar. Lembro exatamente do brilho no olho dela ao me falar: “Nossa, amiga, você vai amar! É a sua cara!! E além de tudo o mestre de espiritual deles, Sri Chinmoy, corre, todo mundo lá corre! Você vai amar!” (Porque eu sempre pratiquei corrida.)

Ela me conhece muito bem para dizer isso. E me explicou como funcionava, que depois da primeira parte do curso tinha a continuação. Falou de tudo que era necessário para seguir naquele caminho, como dieta vegetariana, a não utilização de álcool e drogas. Eu quase não acreditei. Naquele momento era tudo perfeito para mim.

Na mesma hora ela me passou o número de telefone e tinha uma ressalva: você tem que ligar para saber sobre o horário e o dia, não pode mandar mensagem de texto ou WhatsApp. E foi o que fiz. Naquele mesmo dia na hora do almoço liguei para o número de um homem com nome diferente.

Sabe quando você fica tentando descobrir como é a pessoa do outro lado? Eu fiquei imaginando pelo nome em como ele deveria ser, era um nome diferente, me passava um certo tom de autoridade, não autoridade no sentido que conhecemos, de poder, mas no sentido de evolução espiritual mesmo.

Quando liguei falei com todo cuidado pra não incomodá-lo. Atendeu uma voz calma, muito simpática que transmitia alegria, lembro até hoje desse dia, uma pessoa que você poderia ouvir por horas e horas falando.

Para minha sorte o curso daquele mês começava na sexta-feira. Na mesma hora pensei: nossa, é um bom sinal. E lá fui eu para a primeira aula do curso. O salão estava lotado, quanta gente buscando meditação, pensei.

Durante o curso ouvi algumas histórias que me marcaram, as quais lembro até hoje. Eu senti que estava mesmo em busca de algo maior e ao mesmo tempo tentava me imaginar naquelas histórias e se algum dia conseguiria estar naquele lugar que até então me parecia muito distante.

A próxima aula seria na segunda-feira. Mesmo dia do meu curso no centro espírita – que suei tanto pra conseguir a vaga. Fui conversar com o moço da voz suave, aura de paz e nome diferente.

Eu não podia faltar no curso espírita e também não queria perder a meditação. Ele foi simples e categórico: “faça o que for mais importante para você”. Meu olho encheu de lágrimas. Virei e saí refletindo. Tive que fazer a difícil escolha e optei por terminar o curso espírita.

Mais uma daquelas voltas que gente faz a vida dar.

Fiz as contas: era novembro, meu curso terminaria em dezembro, então em dezembro começaria de novo o curso de meditação. Seria como se mais um ciclo estivesse fechando em minha vida para começar outro.

Só que em dezembro não teve curso. O próximo seria em janeiro.

No início de janeiro, junto com o início do curso eu comecei a namorar. Convidei ele para começar a meditar e a ir ao curso, mas era muito pra ele. Ele dizia que tinha muita coisa na cabeça para conseguir meditar. Ele tentava me apoiar, me buscou algumas vezes no curso, mas não meditava.

Era tão mágico ir para o curso que não consigo explicar. Um dia eu não estava muito bem e quase desisti de ir. Mas eu fui e lembro que depois que coloquei o pé naquela casinha tão abençoada e com uma energia tão maravilhosa eu mudei completamente o que estava sentindo. E me senti agradecida por ter ido.

No último dia do curso a gente pede ao mestre Sri Chinmoy para continuar no caminho, se aprofundar na meditação e no caminho espiritual.

Antigamente, quem quisesse entrar para o caminho espiritual de Sri Chinmoy deveria mandar uma foto. Ele meditava sobre ela e sabia se era o caminho daquela pessoa. Depois que ele deixou o corpo físico deveríamos escrever uma carta com todo nosso coração pedindo permissão a ele para seguirmos no caminho.

Mesmo sabendo de tudo que eu deveria fazer para continuar no caminho espiritual, eu escrevi minha cartinha. Com todo o amor do meu coração, eu queria muito estar ali. Pedi com meu coração que Sri Chinmoy me aceitasse. Fiquei imaginando a minha carta sendo entregue a ele e que queria que ele sentisse toda minha sinceridade em fazer parte daquilo.

Mas eu fiz minha vida dar outra volta. Saí de lá com o coração apertado por não poder continuar naquele momento, saí quase fugida, porque eu não ia conseguir falar com palavras que não ia continuar.

Hoje vejo que eu estava preparada naquele momento para seguir esse lindo caminho, mas não fui forte o suficiente. Naquela época eu ainda não sabia ouvir meu coração, então preferi “fugir”. Mas eu continuei meditando regularmente.

“A partir daquele dia, eu já sabia… e me entreguei”

rosa sonhosEu estava passando por uma transformação na minha vida. O emprego que eu tinha já não fazia mais sentido. Eu tinha acabado de ser promovida, mas não me sentia feliz lá, nada me completava. Minha vida estava sem propósito. A única coisa que me deixava feliz era correr, só correndo eu conseguia ser eu mesma. Por isso, há alguns meses estava me programando para “me dar um tempo”, ir para a Irlanda estudar inglês.

Pedi demissão, o namoro acabou e eu fui pra Irlanda. Tudo isso em quatro meses.
Chegando em Dublin, a primeira coisa que fiz foi buscar um centro espírita. Encontrei, tinha um dia de palestra, outro de estudo. Fui primeiro no estudo. Não encontrei exatamente o que eu buscava. Era bem diferente, aliás, do que eu estava acostumada ou do que eu esperava. Saí de lá pensando: terei muito trabalho pela frente, vou precisar estudar dobrado para conseguir o que quero.

Continuei indo ainda que não fosse o que eu procurava, achava que não tinha outra opção, porque era o único centro espírita Kardecista de Dublin, e eu precisava fazer parte de algo espiritual.

Como Deus faz tudo certo e a gente não precisa pedir nada, só agradecer pelo que tem e aceitar tudo que vem, um dia eu estava andando pelas ruas de Dublin e me deparei com um cartaz: Festival de Meditação Gratuito. Eu quase não acreditei no que estava vendo. Logo, pensei: aqui também tem meditação de graça.

No cartaz tinha um número de telefone e um site. Entrei no site para ver a programação e com quem me deparo? Sri Chinmoy. Aquele mesmo mestre espiritual que meu coração tinha pedido tanto para ser sua discípula. Foi mágico, foi inesquecível.

Lá o procedimento para ir no curso era mandar uma mensagem de texto com suas informações. Enviei, mas a mensagem não chegou. Fui mesmo assim, se me perguntassem porque meu nome não estava na lista, mostraria que tinha tentado enviá-la. Meu coração estava em festa.

Cheguei na loja de instrumentos musicais, onde foi o curso, falando toda orgulhosa que já conhecia eles, que eu já tinha feito o curso. Nem pediram para confirmar se meu nome estava na lista. Estava tudo certo, eu estava onde deveria estar.

O salão estava lotado de gente de tudo quanto é lugar. Foi tanta gente que no primeiro dia eles deram duas aulas ao mesmo tempo. Foi lindo, eu me senti como se tivesse encontrado o que eu procurava.

A partir daquele dia eu já sabia que dessa vez nada me tiraria daquele caminho, e eu me entreguei.

Ao mesmo tempo que achava que já sabia de tudo, era tudo novo. Cada dia uma nova descoberta. Novas experiências. E um novo mundo se abriu pra mim. Um mundo de mais luz e mais sinceridade. A cada passo que eu dava eu agradecia mais a Deus por ter me dado a chance de encontrar o caminho de Sri Chinmoy.

Quanto mais eu me abria, mais coisas aconteciam. Quanto mais eu me permitia, mais feliz eu me sentia. Agora sim, tinha encontrado minha família, meu propósito, eu estava completa.

O caminho de Sri Chinmoy é um caminho de muita luz. Nele, eu encontrei o que eu buscava desde quando era criança, porque no caminho espiritual você não vai a um lugar apenas para meditar e ponto, acabou. A meditação está em tudo, ela se torna sua vida.

Se você segue o caminho da devoção, se você se entrega com todo o coração, você não se sente vazio e você vê que não está sozinho. Existem muitos outros buscadores, assim como você, que levam a vida espiritual plenamente e isso te ajuda a ficar ainda mais forte. Tudo que você passa a fazer na vida faz mais sentido e tem um propósito.

Acredito que tudo acontece no tempo que deve acontecer, no tempo de Deus. Meu coração encontrou esse caminho com 29 anos e hoje sou eternamente grata por ter sido aceita por Sri Chinmoy e por não ter demorado tanto tempo a aprender a ouvir meu coração e a entender que esse era o caminho certo.

Recomenda-se usar aplicativos / apps de celular para meditação, ou não?

por Patanga Cordeiro

app de celular para meditacao

Insight Timer, Sattva, Headspace, Zen, Lojong, Calm, Stop Breath & Think, Aura, 5 minutos, Omvana, Medite.se, Medita!, Smiling Mind e outros…muitos outros….

Nos últimos anos, chegou uma avalanche de aplicativos de celular para ensinar técnicas e, principalmente, com meditações guiadas. Podemos recomendar o uso para quem quer aprender a meditar?

Vejamos primeiro a nossa capacidade de julgar se algo é adequado ou não. E, será que não varia com o tipo de pessoa? Será que não varia com o propósito da pessoa? Agora, “meditar” por si só não seria propósito, pelo menos para os fins do texto de hoje. A pergunta é: qual é o propósito da sua meditação? Acho que esse é um bom ponto de partida.

Se o propósito é relaxar, diminuir o estresse, etc, acho que você nem precisa chegar a meditar. Nessa caso, basta alongar, fazer um relaxamento do corpo e mente (que é o que define alguns exercícios de meditação guiada), uma imaginação de algo belo. Provavelmente, é isso o que você vai encontrar nos apps de meditação do mercado. (Associar a meditação com um resultado de bem estar e relaxamento ou como tratamento de saúde é um conceito novíssimo, que eu arriscaria dizer que começou por volta de 1960.) A vantagem é que você não precisa fazer um esforço muito grande. Basta se conter no escopo do exercício gravado ali, e deixar que ele se responsabilize pelo seu resultado. Ao mesmo tempo, essa vantagem é a sua desvantagem, conforme o parágrafo a seguir.

Se o seu propósito é auto-descoberta, que é o propósito ancestral da meditação (desde antes de 10.000 a.C. até hoje), você vai precisar de muitas coisas. Para a sua meditação acontecer, você vai precisar de muita garra, força de vontade; disposição para deixar para trás coisas na sua vida que atrapalham o seu progresso; companhia espiritual adequada; regularidade diária inabalável, um Mestre espiritual realizado e, sem dúvida, da Compaixão de Deus. O resultado disso tudo junto? Prefiro deixar que o leitor imagine. A minha própria imaginação não consegue ilustrar satisfatoriamente a combinação dessas forças na vida de um buscador espiritual.

No fim de tudo, vai de você, do seu hoje, de onde se encontra e do que está procurando. Se você achar que usar um app de celular para meditação vai lhe satisfazer, então use. Ou talvez o use como um algo a mais em meio às suas diversas práticas interiores. De qualquer forma, não poderia recomendar os apps bem comerciais. Se o propósito principal do aplicativo é ganhar dinheiro, o propósito de meditar vai ficar com menos espaço lá. Escolha um cujo propósito seja servir – talvez gratuito e sem nenhuma propaganda – e quem sabe aumentam as suas chances de encontrar um conteúdo mais sincero.

Mas, se sentir que a sua meta ainda está longe, sugiro deixar de trocar a responsabilidade pelo seu foco de um aparelho eletrônico para a sua força de vontade, os seus livros, o seu Mestre, o seu Deus e tomar a estrada mais veloz que encontrar para chegar lá – se Deus quiser – ainda nesta vida.

Enfim, não pude responder à pergunta inicial do texto, mas quem sabe fizemos progresso e demos o próximo passo em direção à resposta que procurávamos. Eu também me descubro um pouco mais ao escrever para vocês.

Aforismos de “meditação” diários

Link para página do aplicativo de meditações diárias – não são meditações no sentido contemplativo, mas sim aforismos diários para inspirar o nosso dia. Esse eu posso recomendar!

E, melhor ainda do que um aplicativo…. livros!

Meditação e silêncio – silenciando a mente

Só Deus sabe

Converse com os outros.
Você aprenderá.
Converse consigo.
Você aprenderá mais.
Pare de falar,
Permaneça em silêncio.
Deus falará e Deus aprenderá
Por você.
Você aprenderá tudo
Que só Deus sabe.
-Sri Chinmoy

Silêncio ou bons pensamentos? Qual é melhor?

Pergunta: Deve-se rejeitar todos os pensamentos durante a meditação?
Sri Chinmoy: É preciso saber se é o caso de um bom ou mau pensamento, um pensamento divino ou não divino. Se for um pensamento sobre Deus, um pensamento sobre Alegria Divina, Amor Divino, Beleza, Pureza, permita que esse pensamento entre em você e que aja, que se expanda. Se for um pensamento sobre Graça, Divindade, Eternidade ou Imortalidade, procure sentir para onde o pensamento vai; siga-o como um cão fiel.
Imagine que você esteja dentro da sua casa, próximo à porta. Você é quem decide abrir a porta, a sua porta mental, e permitir que apenas os pensamentos divinos que o incentivarão, inspirarão, que erguerão a sua consciência. Eles são seus amigos. Se vir que seus amigos estão do lado de fora, esperando para entrar, imediatamente abrirá a porta. Contudo, se perceber que os seus inimigos estão lá – o medo, dúvida, inveja, ansiedade, preocupações -, você não os deixará entrar.
Quando tiver força interior suficiente, no momento que um pensamento não divino aparecer na sua mente, você não o rejeitará. Você o transformará. (… )
No entanto, quando se é um iniciante, não se deve permitir que qualquer pensamento adentre a sua mente. Ele gostaria que seus amigos entrassem, mas não sabe dizer quem são os seus amigos. E, mesmo que saiba quem são seus amigos, na hora que abrir a porta para eles, poderá descobrir os seus inimigos bem diante de dos amigos e, antes que os amigos possam entrar na sala, os seus inimigos já estarão bem dentro de casa. Uma vez que os inimigos entrem, é muito difícil afugentá-los. Para isso, é preciso da força da disciplina espiritual sólida. Por quinze minutos a pessoa pode acalentar aspiração divina, pensamentos espirituais e, depois, num segundo, um pensamento não divino entra e a sua meditação é arruinada. Portanto, o melhor é não permitir quaisquer pensamentos durante a meditação.

Silêncio exterior ou mental e meditação – a concentração

por Patanga Cordeiro

A nossa mente fica bastante agitada quando recebe estímulos constantes.
Por exemplo, como você se sente ao o computador ou telefone, ou no escritório quando todos estão falando, atendendo o telefone, etc, ou no barulho do trânsito?
Como você se sente nas montanhas? Como se sente nos domingos ao caminhar na rua? Ao tocar um instrumento musical com toda a sua atenção?
Podemos trazer esse silêncio exterior para dentro através da prática constante de meditação. A concentração é o primeiro passo na meditação, e envolve silenciar a mente na medida do possível. Tente ter apenas um pensamento ou um foco. Isso é concentração. Algumas pessoas se sentem em paz após fazer algo que exige uma intensa concentração. Eu sou uma delas. Desde tocar um instrumento musical difícil, escrever um artigo ou mesmo assistir um desenho animado numa língua estrangeira que esteja aprendendo, tudo isso me traz mais para dentro. Treina a minha mente para fazer uma coisa apenas. Concentrar.
No silêncio da concentração, a meditação acontece mais facilmente. E repetimos parte do poema que abriu este artigo:

“Pare de falar,
Permaneça em silêncio.
Deus falará e Deus aprenderá
Por você.
Você aprenderá tudo
Que só Deus sabe.”

Uma vez que esteja imbuído dessa sabedoria divina, ela lhe mostrará a melhor forma de lidar com a falta de silêncio exterior que presenciamos em diversos momentos do dia. Basta ficar atento e atendê-la. Mais importante ainda, ela mostrará como trazer à tona o seu silêncio interior, que frutifica em paz, beleza e satisfação.

 

 

 

Jeitos de sentar para meditar

A melhor resposta que tenho até agora veio do meu professor, Sri Chinmoy: a coluna deve estar ereta. A partir daí, tenho sentido que o resto é acessório. Acessório até porque a meditação não depende completamente das circunstâncias exteriores. Ela acontece quando a nossa aspiração interior se incendeia e sobe alta e brilhante. É aí que as portas interiores se abrem. A aspiração vem do nosso coração e alma, e pode ser instigada pelo Mestre espiritual. No entanto, ela pode ser apoiada por coisas externas. Por exemplo, o corpo saudável, até mesmo um pouco atlético, será um auxílio, uma fundação sólida, para a nossa chama de aspiração que sobe e arde. Igualmente, uma postura adequada pode auxiliar a sua coluna a ficar ereta e o corpo melhor preparado para manifestar a sua aspiração na meditação.

Formas mais comuns de se sentar para meditar:

 

Meditar sentado no chão de pernas cruzadas

Você pode cruzar as pernas e manter a coluna ereta. Você também pode tentar colocar um dos calcanhares sobre a coxa da outra perna. Isso ajuda a ficar mais fácil manter a coluna reta. Outra coisa é sentar-se na ponta de uma almofada, o que rotaciona o quadril para frente e facilita a postura correta. Abaixo alguns acessórios que podem auxiliá-lo:

Almofadas para meditação

Usar uma almofada de meditação ajuda a erguer o quadril. Quando isso acontece, fica mais fácil manter a espinha reta. É por isso que muita gente gosta de usar almofadas para meditar. Escolha uma de altura adequada para você. Cada um prefere uma altura diferente, de acordo com o seu alongamento e outros fatores. Há diversos tipos de almofadas para meditar:

Zafu

Almofada no estilo japonês, redonda, com enchimento de estopa bem compactada. Você deve sentar-se na ponta da almofada, aproveitando o ângulo que o canto arrendondado proporciona para deixar o seu quadril alinhado.

Tijolo de yoga

É um bloco pequeno, de cerca de 30cm x 10cm x 10 cm de espuma bem dura.

Almofada improvisada

Você pode tentar qualquer coisa em casa – o importante é que dê certo para você. Travesseiro, retalho de carpete (é o que eu uso), etc.

 

Banquinhos para meditação

Estilo zazen

Com esse banco, você fica sentado de joelhos, mas o banco apoia o seu quadril. Assim, o peso são fica nas suas pernas.

 

Cadeira

Você pode usar uma cadeira que goste para meditar.

Não há problema nenhum!

 

Banco sentado

Trata-se de uma almofada com um apoio longo de costas acoplado. Algumas são dobráveis e portáteis.

 

Meditação em pé

Como você tem que sustentar muito do seu peso, não posso recomendar meditar em pé em primeiro lugar. Mas, se estiver cansado de sentar, pode tentar ficar de pé um pouco, ou caminhar de uma forma mais meditativa.

Paz interior e autodescoberta

o que e a vida espiritual

por Juliana

Lembro de um dia em que estava deitada no sofá e sentia que não conseguia ficar em paz interior, eu costumava não parar de pensar a todo o momento, era como se estivesse sendo bombardeada por pensamentos, pensava especialmente no trabalho, durante o trabalho, fora do trabalho, aos finais de semana, pensava em como conseguiria finalizar tal projeto, na minha carreira, planejava os próximos anos…Não havia espaço para amigos, família ou mesmo para mim. Quando tinha tempo para descansar, não conseguia, era como se estivesse num inferno, pois não conseguia desligar e isso me angustiava. Então dormia, tentava dormir ao máximo, o quanto podia. Lembro que aos sábados dormia praticamente o dia inteiro e quando não estava dormindo, estava comendo “besteiras” e bebendo bebida alcoólica, porque as vezes não conseguia dormir direito ou não descansava o bastante, e a bebida era o que me “ajudava” a esquecer um pouco de tudo o que estava acontecendo dentro de mim. Lembro que às vezes estava com o meu marido no carro ou em casa e ele estava falando várias coisas, como foi o dia, o que aconteceu, etc…E eu não estava lá, várias vezes ele ficou chateado por isso e parou de falar, com isso fomos nos afastando.

Neste dia em que estava deitada no sofá percebendo que não estava em paz, comecei a sentir a paz, acredito que tenha sido por segundos, como um presente e consegui adormecer como uma criança que está protegida e se sente acolhida pelos pais. Foi muito bom! Lembro que foi por pouco tempo. Demorei bastante a perceber que talvez viver dessa forma não fosse normal, aparentemente estavam todos pensando como eu, posso dizer que foi um processo. Mas o que me ajudou mesmo foi o meu marido, pois percebo hoje que, quando as coisas não vão bem na nossa vida, isso é apenas um reflexo do que devemos mudar. Como estava absorta no mundo em que criei, ele foi se afastando, começamos a brigar, até que percebi que eu deveria mudar a forma como estava agindo. Eu não queria me separar, pois o amava de uma forma que não sei explicar. Ele me ajudou muito no processo de autodescoberta, aprendi muito com ele, com esses conflitos cheguei ao fundo do posso, era como se estivesse totalmente despedaçada e agora tivesse de juntar as peças novamente. Foi então que comecei a realmente a buscar por algo, percebi que com esse processo a pessoa que existia estava morrendo.

Foi um longo processo até chegar a meditação, mas posso dizer que foi bom, aprendi muito com tudo que me aconteceu e hoje valorizo cada momento de paz que sinto e desejo me expandir cada vez mais. A meditação é um processo de autoconhecimento, sempre me questionei sobre quem eu era realmente, sobre o que estamos fazendo aqui na terra, qual o propósito das nossas vidas aqui, não fazia muito sentido dormir, acordar, trabalhar, fazer as atividades sociais e depois repetir isso por toda a vida. Havia alguns momentos felizes, mas me questionava se era apenas isso. Buscava incessantemente por algo, mas não sabia o que. Lembro que li um poema de Khalil Gibran que dizia assim:

“Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.”

Me identifiquei, pois já estava começando a me desconectar das crenças que haviam em mim. E me deparava com momentos de liberdade e leveza ao observar as coisas ao meu redor e me sentir presente. “Algumas máscaras já haviam sido roubadas”, mas ainda restavam algumas. Acredito que as mais difíceis de retirar. Até que encontrei a meditação. O Centro de meditação Sri Chinmoy, fornece cursos que são realmente gratuitos para quem deseja aprender a meditar. Foi interessante a coincidência, pois estava lendo o livro comer, rezar e amar, onde a protagonista encontrava algumas pessoas que tinham um mestre espiritual. Fiquei com aquilo em mente, encontrei um documentário do mestre espiritual Yogananda no Netflix e comecei a buscar por meditação na internet. Havia pedido para Deus mostrar meu caminho e propósito de vida.

Comecei o curso e tudo fazia sentido. Desde o primeiro dia comecei a meditar como era pedido e percebi as mudanças ao longo do tempo. Os primeiros meses foram bem difíceis, mas não desisti. Hoje, me sinto outra pessoa. Toda a inquietação e a compulsão por pensar foram embora e no lugar ficou a paz. A paz de estar no momento presente. A paz se saber quem sou. Todas as máscaras se foram, todas as que me faziam viver daquela forma. Agora, me sinto feliz e em paz.

A meditação é uma dádiva divina. Ela simplifica nossa vida exterior e energiza nossa vida interior. A meditação nos traz uma vida natural e espontânea, uma vida que se torna tão natural e espontânea que não podemos respirar sem estarmos conscientes de nossa própria divindade.” – Sri Chinmoy


Qual é o significado da vida?

mantra Supreme Sri Chinmoy

Qual é o significado da vida? A vida é para a absoluta satisfação de Deus o Criador e Deus a criação.

O significado da vida é tornar-se inseparavelmente um com Deus o Deleite transcendental e Deus a Paz universal.

O significado da vida é alcançar auto-doação incondicional e uma vontade de auto-doação, na Hora de Deus, no florescimento pioneiro do Deus-tornar-se.

Vida significa força de vontade, a força de vontade que une o Sorriso-Compaixão descendente de Deus com o choro-aspiração ascendente do homem. Na vida desejo-limitada há uma abundância de regras e regulamentos. Na vida aspiração-liberta há apenas uma regra-arco-íris: a completa fé em si mesmo e a fé sem nascimento e imorredoura em Deus.

A vida é amor: amor animal, amor humano e amor divino. Amor animal é destruição. Amor humano é frustração. Amor divino é satisfação. E amor é a vida em sua excelência, pois ele é a própria existência-realidade.

A vida precisa ter um sonho e uma meta. O sonho e meta de hoje devem ser transcendidos amanhã. Cada sonho gigantesco do homem é a própria Auto-Transcendência de Deus.

Transcendência é o princípio glorioso da perfeição humana. A perfeita perfeição é uma pura satisfação interior e uma certa satisfação exterior.

Qual é o significado da vida e quem sou eu? Desde o passado longínquo essas duas perguntas permanecem uma só. Quem sou eu? Eu sou a Deus-manifestação incompleta da minha vida.

Sri Chinmoy, A peace-collecting pilgrim-soul, Agni Press, 1980

A chave é a meditação

A espiritualidade possui a chave secreta para abrir a Porda do Divino. Essa chave é a meditação. A meditação simplifica a nossa vida exterior e energiza a nossa vida interior. A meditação nos proporciona uma vida natural e espontânea, uma vida que se torna tão natural e espontânea que não podemos respirar sem estarmos conscientes da nossa própria divindade.

A meditação é um dom divino. Ela é a abordagem direta que leva o aspirante ao Uno de quem ele é descendente. A meditação diz ao aspirante que a sua vida humana é uma coisa secreta e sagrada, e ela afirma a sua herança divina. A meditação lhe proporciona um novo olho para enxergar Deus, um novo ouvido para ouvir a Voz de Deus e um novo coração para sentir a Presença de Deus.

Sri Chinmoy, Meditation: man’s choice and God’s Voice, part 1, Agni Press, 1974

Escrevendo um diário espiritual

diario para escreverUma coletânea de inspiração e um diário para guardar os tesouros do seu dia, com aforismos e textos de Sri Chinmoy e outras personalidades inspiradoras.

Inspirados nos ensinamentos de Sri Chinmoy, organizamos um formato de diário para auxiliá-lo no seu progresso interior.

 

Por que escrever um diário?

… Durante a sua jornada espiritual, você deve fazer anotações sobre as suas experiências, visões e sentimentos alma-iluminadores. Hoje você está perdido, em tenebrosa noite. Mas dois meses atrás estava na mais clara Luz. Você teve uma experiência maravilhosa. Você viu Krishna tocando flauta bem na sua frente, ou viu uma torrente de Deleite, e toda sua existência se tornou um mar de Deleite. Essas experiências devem ser gravadas no seu diário. Tão logo comece a ler o seu diário, o seu ser interior reagirá de acordo com as mais elevadas experiências que teve há dois meses. O sentimento interior, a alegria interior, a alegria da alma espantará imediatamente seus sentimentos desanimadores de desconsolo, solidão e frustração. Sempre que tiver boas experiências, experiências elevadas, experiências elevadoras durante a sua meditação, faça anotações.

Essas experiências são o alento vivente de nossa existência. Se pudermos reavivar nossas mais profundas e elevadas experiências em nosso momento de frustração, teremos alívio imediato. Tais experiências não estão fundadas em falsidade. Nós realmente tivemos as experiências e elas nos curarão da doença que agora nos aflige. Seremos curados no exato momento.

– Sri Chinmoy, Aspiration-Flames

 

Abaixo segue uma página do diário:

 


 

The fruit of Silence is prayer.

The fruit of Prayer is faith.

The fruit of Faith is love.

The fruit of Love is service.

The fruit of Service is peace.

­–Mother Teresa

 

sinto gratidão espontânea no meu coração e por…

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meu dia será inspirador e repleto de aspiração, e eu…

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algo que senti, li, etc e quero lembrar para sempre…

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amanhã será repleto de oportunidades para o progresso, e eu…

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Audiobook em MP3 grátis – A Aventura da Vida

livro yogaFaça o download gratuito dos 14 capítulos em

Mais audiobooks gratuitos aqui

Capítulos do livro

  1. Liberdade e paz
  2. O que é yoga?
  3. Yoga e a vida material
  4. O caminho e os passos do yoga
  5. Religião, espiritualidade e yoga
  6. Deus e os mundos superiores
  7. Chakras, poder oculto e kundalini yoga
  8. Mestres verdadeiros e mestres falsos
  9. Espiritualidade e sociedade
  10. O fim do mundo, forças malignas e a origem da humanidade
  11. Meditação
  12. Alimentação, saúde e esporte
  13. Vida familiar
  14. Meditação no trabalho

Zazen – Zazengi – postura para meditação – orientações do mestre Dogen

vulcao meditar sbc

Zazen – Zazengi – postura para meditação – orientações do mestre Dogen

Abaixo segue uma tradução de vários trechos ensinamentos do mestre Dogen a respeito dos abcs da meditação. Em geral, principalmente na parte da postura, é muito similar aos ensinamentos de Sri Chinmoy e que repassamos nos cursos de meditação, e achei de valia compartilhar com vocês aqui.

 

Um modelo para a prática da meditação

Treinar com um Mestre é praticar meditação sentado. Ao sentar-se para meditar, será ideal um local tranquilo. Coloque a sua esteira de meditação de forma que fique espessa. … Faça que o lugar em que sentar-se firme o seu corpo. O lugar onde você senta deve sempre estar iluminado, seja no escuro, durante o dia ou a noite. “Quente no inverso e fresco no verão” deve ser a sua técnica.

Deixe tudo para trás e permita que essas coisas descansem. Não pense sobre o que é bom ou ruim. Não exercite a sua mente e suas discriminações, nem pesa ou julgue as lembranças, conceitos e reflexões da mente!…

Beba e coma em moderação. Desfrute da luz dos dias e da escuridão das noites. Encare a meditação como se estivesse apagando um incêndio na sua cabeça. …

Coloque sua almofada redonda sobre o tapete. Não se sente de pernas cruzadas (em lótus) sobre a almofada com as pernas inteiras. Coloque a almofada bem para trás da metade das pernas. Assim, o tapete estará debaixo dos seus joelhos e coxas, enquanto que a almofada estará debaixo da sua coluna. ….

Sente-se com o corpo ereto, sem inclinar para a direita, esquerda, para frente ou para trás. Alinhe suas orelhas com os ombros e o nariz com o umbigo. Sua língua descansa na sua boca. Respire pelo nariz. Seus lábios e dentes devem estar se tocando. Seus olhos se mantém abertos, mas nem pouco e nem muito abertos.

Com o corpo e mente assim regulados, expire uma vez. Sente-se com a tranquilidade de uma montanha e faça que aquilo em que estiver pensando seja baseado em não tentar pensar sobre qualquer coisa. Como pode alguém estar pensando em não pensar especificamente em algo? É simples. Não deixe que “estou pensando em…” seja o foco da sua meditação. Essa é a técnica para meditação. Meditar é uma prática e não um estudo intelectual. É o portal do Dharma para a alegria e paz. É o treinamento puro para realizar a verdade.

Meditação e espiritualidade é para poucos escolhidos ou para muitos?

itapevi meditacao

Espiritualidade: apenas para os poucos escolhidos?

palestra de Sri Chinmoy

Espiritualidade: ela é apenas para os poucos escolhidos? A resposta é, ao mesmo tempo, afirmativa e negativa. Os aspirantes abençoados que clamam pela verdade, paz e deleite transcendental são certamente poucos escolhidos. Mas todos os seres humanos, sem exceção, podem nadar no mar infinito da espiritualidade. Contudo, aqueles que tem metas menores, que querem ficar satisfeitos com uma gota de paz, deleite e verdade, infelizmente não poderão estar no mesmo nível dos poucos escolhidos no mundo interior.

Temo agora que os iniciantes e buscadores que ainda não floresceram possam sentir-se desencorajados. Na verdade, de forma alguma pretendo jogar água fira na sua aspiração. Pelo contrário, quero que compreendam que a Meta mais elevada nunca lhes será negada. Mas eles é quem devem cultivar a mais intensa necessidade no mundo da sua aspiração, para alcançar o Além derradeiro.

O que os previne de alcançarem esse Além? É o seu medo. E o que mais? A sua dúvida. Mas devem saber que o medo é o possuidor apenas daqueles que não acreditam em Deus. Já que eles acreditam sim em Deus, e eles tem sim fé em Deus, não precisam e nem devem temer a Altitude transcendental de Deus. Quando se duvidam, subestimam sua própria divindade e superestimam sua realidade-ignorância, menosprezando sua potencialidade interior e exagerando sua insegurança temporária e fugaz. Mas quando duvidam de Deus, é como se estivessem brincando com um balão. O balão-dúvida em breve estourará.

Tenho certeza de que os buscadores iniciantes possuem amor sincero por Deus e tenho certeza de que possuem amor genuíno por si próprios. Seu amor por Deus por fim os transformará em perfeita beleza suprema. Seu amor próprio divino e preenchedor por serem membros úteis e completamente despertos da família humana será manifestado na Terra por Deus. Seu amor é a sua unicidade inseparável com a Luz de Deus e com a sua própria Realidade interior.

Eu gostaria também de falar um pouco sobre os poucos escolhidos. Sua tarefa sublime é realizar a Consciência transcendental e universal de Deus. Seu dever predestinado é revelar e satisfazer Deus na terra. Dentre os poucos escolhidos, o melhor de todos é aquele que incondicionalmente realiza Deus, revela Deus e manifesta Deus à Hora escolhida de Deus, da Maneira própria de Deus.

Os poucos escolhidos, quando olham para frente, descobrem-se já sentados no Barco-Sonho do Supremo. Quando eles olham para cima, descobrem-se sentados no Barco-Vida do Supremo. Quando olham para dentro, descobrem-se sentados no Barco-Alma do Supremo.

O Supremo abençoa o buscador iniciante. O Supremo acalenta o buscador ascendente. O Supremo utiliza o buscador florescente. O Supremo celebra aos céus o buscador realizado. O Supremo oferece-Se completamente ao buscador supremamente realizado que incondicionalmente serve ao Supremo no coração da humanidade.

-Sri Chinmoy

Aula de meditação à noite ou no fim de semana em São Paulo e Zona/Região Metropolitana

Deus imediatamente aumenta

A beleza particular do seu coração

Se você oferecer mais do seu alento-vida

Ao dever público.

-Sri Chinmoy

O Centro Sri Chinmoy oferece aulas e cursos gratuitos de meditação em São Paulo e em algumas cidades da região metropolitana da capital paulista. Ficamos muito, mas muito felizes em compartilhar gratuitamente o que de graça recebemos também!
A maior parte dos cursos e aulas para aprender a meditar são realizados à noite, durante a semana, na Zona Sul e Central.

Ou veja os cursos (uma vez ao ano) na região metropolitana:

  1. São Paulo
  2. Guarulhos
  3. São Caetano
  4. Santo André
  5. Osasco
  6. Campinas (e Unicamp)
  7. Cotia
  8. Mogi das Cruzes
  9. Barueri
  10. Itapevi
  11. Itaquaquecetuba
  12. Mogi das Cruzes
  13. Mauá
  14. Suzano
  15. Carapicuíba
  16. Embu das Artes
  17. Itapecerica da Serra
  18. Francisco Morato
  19. Ferraz de Vasconcelos
  20. Diadema
  21. São Bernardo do Campo

Aulas e cursos de meditação na região metropolitana e zonas de São Paulo

Algumas das cidades onde estamos oferencendo cursos de meditação em SP, no estado e na região metropolitana de São Paulo:

  1. São Paulo
  2. Guarulhos
  3. São Caetano
  4. Santo André
  5. Osasco
  6. Campinas (e Unicamp)
  7. Cotia
  8. Mogi das Cruzes
  9. Barueri
  10. Itapevi
  11. Itaquaquecetuba
  12. Mogi das Cruzes
  13. Mauá
  14. Suzano
  15. Carapicuíba
  16. Embu das Artes
  17. Itapecerica da Serra
  18. Francisco Morato
  19. Ferraz de Vasconcelos
  20. Diadema
  21. São Bernardo do Campo
  22. Jundiaí

 

Novo livro sobre meditação: O Ensinamento Silencioso

o ensinamento silencioso capa livroRecentemente traduzimos o livro “O Ensinamento Silencioso”.

Esse pequeno livro possui apenas 60 páginas, mas é denso e explana a fundo a ideia por trás da meditação, como ter uma meditação genuína, mas sem deixar de lado as dicas básicas e exercícios para você praticar.

Se tiver interesse em outros livros também, veja a nossa página de livros sobre meditação e espiritualidade.

Veja também o livro Meditação, que é a nossa recomendação número um.

 

 

Notícias outubro 2017

  • Dois alunos de Salzburg, Ushika e Max, estão correndo de Salzburg até Heidelberg. São cerca de 400km, divididos em sete dias, 70km/dia.
  • E foi realizada em 22/10 pela manhã a primeira “Sri Chinmoy Half- Marathon” patrocinada pelo SCMT no mesmo percurso da Maratona de agosto realizada no Rockland State Park em NY. A largada foi às 08:30 e é um evento certificado pela USATF.
  • Como sugestão para pesquisa de histórias curiosas para o halloween, sugiro o livro Conversations with the Master.

Workshop de Meditação em Coimbra (Portugal) – Gratuito

coimbra meditacao foto

Workshop de Meditação em Coimbra – Gratuito

Realizam-se regularmente workshops sobre Meditação. Este será ministrado por Kritharta Brada da República Checa que medita há duas décadas segundo a filosofia do Mestre Espiritual Sri Chinmoy.

Durante este workshop terá a oportunidade de aprender alguns exercícios que lhe facilitarão a entrada num profundo estado de paz e harmonia.

Aprenderá, ainda, como aplicar a prática de meditação e de uma filosofia espiritual à sua vida.

2017 / novembro – Curso em Osasco – UNIFESP

Haverá uma palestra gratuita de meditação oferecida por nós na UNIFESP – Osasco, organizada pelo setor administrativo, que será no início de novembro.


 

O curso na Unifesp em Osasco no dia 9/novembro/2017, as 17h30,  foi realizado a convite e organizado pelo NAE/Unifesp/Osasco. Um total de 13 alunos compareceram à aula de aproximadamente uma hora e meia.

Alguns dos tópicos abordados na parte teórica foram:

  • O anseio por algo que não sabemos o que é se torna (também chamado de Amor)
  • Aspiração (também chamado de Devoção), que disciplina a nossa vida por encontrar um significado e nos faz sentir que estamos nos dirigindo à meta, mas que, por si só não traz a realização. Assim, sentimos que nossos esforços apenas não bastam, e descobrimos a
  • Entrega, que é um milagre espiritual. Entregamo-nos à nossa Fonte, a nossa Fonte nos preenche, como um vaso lançado no mar se enche de água.

Esses passos nos fazem sentir uma satisfação genuína, que afasta a inquietação e sentimento de vazio encontrado por muitos de nós.

Na parte prática, falamos sobre concentração e meditação, sobre a diferença entre relaxamento e meditação, praticamos dois exercícios diferentes – respirando qualidades e meditação num ponto fixo -, e passamos as dicas de meditação, como regularidade, horário, dieta, postura, música, respiração, etc. Ao final, passamos uma entrevista de Sri Chinmoy, abaixo

curso osasco 2017 unifesp

 

 

Será que estou buscando algo? Estou aspirando por alguma coisa?

aspiracao

Pergunta: Como uma pessoa pode ter certeza de que realmente tem aspiração?

Sri Chinmoy: Uma pessoa pode ter certeza de que tem aspiração pelo mero fato da questão ter entrado em sua vida. Você tem aspiração. De outra forma não teria vindo aqui. Teria se tornado um amigo perfeito do desejo. Qualquer um que venha a um lugar espiritual ou queira ver um Mestre espiritual, certamente tem aspiração. Você poderá dizer que algumas pessoas vieram aqui por curiosidade. Mas mesmo na curiosidade há aspiração. Senão a pessoa diria: “Quem se importa com a vida espiritual? Isso tudo é inútil.” Mas se a pessoa tem alguma curiosidade, ela dirá: “Deixe-me ver como um homem espiritual se parece e o que os outros estão fazendo.” A curiosidade é um tipo de avidez sutil, uma avidez inconsciente por aprender algo, por fazer alguma coisa, por se tornar alguma coisa. A curiosidade é a precursora da aspiração. Aqui e ali há muitas, muitas pessoas que são sinceras e uma ou duas que são apenas curiosas. Os muitos que são sinceros serão facilmente capazes de inspirar as pessoas curiosas.

Voltando à sua pergunta, você tem aspiração. Mas se estiver consciente da sua aspiração e confiante disso, fará um progresso melhor. Se tiver dúvida da existência dela na sua vida, não será capaz de marchar como um herói. Você tem aspiração, logo, deve tentar correr tão rápido quanto possível, como um cervo. Se não tentar, irá apenas se arrastar como um carro de boi. Nos é dada a oportunidade de andar devagar ou correr rapidamente. Por favor, tente correr.

Como desenvolver disciplina e concentração para não ter pensamentos e meditar melhor


Se alguém tem dificuldade em meditar porque não tem disciplina e não consegue se concentrar, qual seria a solução que você poderia recomendar? Como é possível desenvolver autodisciplina e melhorar a meditação?

Sri Chinmoy: Nesse caso, a pessoa deve começar com a concentração. A meditação será muito difícil para ela.

A autodisciplina vem através da concentração correta, especialmente sob a orientação de um Mestre capaz. É necessário ter uma vida disciplinada enquanto se pratica a concentração. Se sua vida não é até certo ponto disciplinada, a meditação será sempre muito difícil para essa pessoa. Ele será como um aluno do jardim de infância que quer estudar no ensino médio. Cada buscador deve começar na vida espiritual com a concentração. Ao se concentrar, tenta-se controlar os próprios pensamentos, as próprias emoções. A pessoa se torna um herói divino e entra no campo de batalha da vida, onde não pode haver dúvida, não pode haver medo. A dúvida e o medo são superados através da concentração.

Como é possível manter a mente sem nenhum pensamento?

Sri Chinmoy: No início, a não ser que a pessoa seja espiritualmente muito avançada, será impossível não ter pensamento. Mas, se continuar a meditar por alguns meses ou anos, verá que é bastante possível entrar na meditação sem pensamentos. (…) Comece com um pensamento, com uma ideia, com um conceito da Verdade, de Deus. Após quinze minutos ou meia hora, o pensamento já terá cumprido o seu papel. Então espontaneamente vá além do pensamento e se identifique com alguma realidade. Assim a formação mental de quaisquer pensamentos ou ideias cessa. O que resta é apenas Realidade – Deus a Realidade, ou qualquer um que você tenha escolhido como objeto da sua adoração. E essa Realidade o leva, o carrega até a sua Meta.

Do livro Promised Light from the Beyond

Como passar no vestibular usando a meditação

por Patanga Cordeiro

Separei uma história da minha vida para contar para vocês. Mas, se esperam começar a meditar para conseguir passar no vestibular, talvez fiquem surpresos, pois não é como parece. A história vai além disso. Curioso(a)? Leia em frente.

Minha história começa enquanto trabalhava de dia e fazia à noite faculdade particular de sistemas de informação. Eu estava me programando para estudar para passar no vestibular na Universidade Federal do Paraná, que além de gratuita e de qualidade, ficava a poucas quadras de casa. Isso foi logo depois de eu ter visitado meu professor de meditação Sri Chinmoy em Nova Iorque pela primeira vez, em 2005.

Fazia já uns 4 anos que tinha terminado o ensino médio, então as matérias não estavam frescas na cabeça. Fiz a minha matrícula no cursinho Dom Bosco, que eu já tinha feito na época do ensino médio, mas, como não havia mais tempo e nem dinheiro, escolhi fazer o super intensivo, que é um cursinho de um mês apenas de duração, logo antes do vestibular.

Voltando da minha viagem com propósito espiritual, onde meditamos um bocado, por sinal, eu me sentia extremamente feliz. Tão feliz que ficou muito fácil definir prioridades. Aí vem a primeira surpresa da história: comecei a faltar as aulas na faculdade. Enfim, eu tinha coisas mais importantes para fazer, como participar das reuniões do nosso Centro de Meditação, aprender e decorar canções e mantras novos, praticar música, traduzir livros sobre meditação, correr, etc. Tudo isso era muito mais importante que as aulas. E eu me sentia cada vez mais feliz e satisfeito fazendo essas coisas. Fica difícil usar outras palavras, mas quem sabe “estar apaixonado por Deus” é uma maneira viva de descrever como eu me sentia. Era um sentimento de satisfação tangível, que fazia com que a minha intuição sobre o que fazer, falar ou escolher ficasse bem natural. Isso vai fazer todo o sentido no final da história.

Outra coisa que ajudou é que eu fazia muitas traduções dos livros de Sri Chinmoy, e por isso fui obrigado a aprender a escrever português corretamente (que foi um enorme desafio, acreditem!) e ajudou bastante na redação e na disciplina de português.

Começando o cursinho pré-vestibular

Chegou a época de começar o cursinho super intensivo – aulas à noite, só durante 4 semanas.

No mesmo ritmo de antes, participando das atividades quase diárias da meditação faltei quase todas as aulas do cursinho pré-vestibular, exceto as de matemática, que tinham peso dois para o vestibular do meu curso. Eu estudava no trajeto de ônibus entre o trabalho e as atividades da meditação. Isso é, quando não me enfezava e ia aprender mais canções ao invés de ficar estudando fórmula de Bhaskara. Eu chegava até a orar: “Supremo, se eu passar em segunda chamada, sétima chamada, ou qualquer chamada, já está mais que bom – passando já vai ser um milagre!”

No dia da prova do exame vestibular

Peguei a minha bicicleta e fui até o local de prova. Amarrei ela num poste e parei para meditar por uns minutos antes de me dirigir à sala. Logo senti novamente uma felicidade muito grande. Fui um dos últimos, e entrei na sala com o sorriso amplo (eu não sou de sorrir muito), e vi o rosto meio desesperado dos colegas na sala. Sorri para os que me olharam, desejando-lhes em silêncio o melhor.

Fiz a prova rapidamente, e fui um dos primeiros a entregar a prova e sair da sala. Eu nunca fui inteligente ou estudioso, nunca tive as melhores notas na escola, e faltei na maior parte das aulas do cursinho, mas, ainda assim, pensei novamente: “Supremo, quem sabe na segunda chamada eu passo – se Você quiser, se achar que mereço, Você me passará!”

O resultado do vestibular

As semanas se passaram enquanto esperava o resultado. Acho que foi no domingo de manhã, antes da divulgação oficial do resultado do vestibular, que recebi uma ligação do cursinho: “Sr. Patanga? O senhor foi aprovado em primeiro lugar no seu curso no vestibular! Gostaríamos que comparecesse aqui para fazermos uma gravação para a TV.” Eu perguntei se seria uma entrevista para conversar sobre o assunto, compartilhar como cheguei lá, mas me informaram que não teria conteúdo – seria só eu segurando algum tipo de troféu, uma propaganda para o cursinho. Então agradeci o convite e recusei, pois tinha coisas melhores para fazer com o me domingo do que só mostrar a cara na TV.

Desligando, o telefone, eu não fiquei emocionado, nem feliz, nem nada. Parei pensativo. Peraí! Eu nunca estudei muito (mas estudei um pouco, quando dava), faltei quase todas as aulas (menos as mais importantes), e estava cheio de coisas que considerava mais importantes para o meu “eu” de verdade, que são as coisas da minha vida espiritual – ou seja, o vestibular realmente estava em segundo plano. Ainda assim, não só passei no vestibular da universidade federal, como passei em primeiro lugar!

Eu parei e pensei: “Deus, se Você queria me passar no vestibular, podia ser até em último lugar… porque em primeiro, então?” A conclusão que cheguei é que, se eu tivesse passado em último lugar talvez eu desse razão para outra coisa: tinha estudado um pouco, estava tranquilo no dia da prova, a competição podia estar mais fraca naquele ano, sorte nas perguntas que apareceram na prova, etc. Mas tirar primeiro lugar não se justificaria com isso. Ele foi um milagre. Claramente Alguém queria que eu soubesse que Algo especial havia acontecido. Senti também que foi uma confirmação que Ele quis me dar, dizendo que eu deveria continuar com a minha postura de priorizar a vida espiritual acima de todas as coisas. “Buscai o Reino de Deus e as suas coisas, e tudo o mais seguirá.”

Quando faço que eu posso,

O meu Amado Supremo faz por mim

O que eu não posso.

– Sri Chinmoy

No entanto, deixo uma recomendação: não vão parar de estudar por aí! Eu contei a minha história – a SUA história não será igual à minha. O que é importante é ouvir a sua voz interior. Não a sua voz de preguiça, nem a sua voz de grandiosidade. A voz do coração é sublime, sutil e poderosa. Ela quer a sua felicidade. A forma mais fácil de aprender a ouvir a voz do coração é através da prática espiritual, seja a oração ou meditação diária, como a primeira atividade do seu dia, logo após acordar.

Vida espiritual para quem tem família, renúncia mental, vida ideal

por Patanga Cordeiro

Os discípulos sinceros de todos os grandes Mestres espirituais levaram uma vida de pureza absoluta, que é necessária para alcançar o verdadeiro Eu interior. No entanto, para os que já possuem família, igualmente os Mestres deixaram estruturas para otimizar o seu progresso na condição atual, enfatizando que é possível chegar na meta assim, praticando com sinceridade e pureza.

Num dos meus livros favoritos, o Evangelho de Sri Ramakrishna, o editor fez uma compilação dos seus ensinamentos, que, apesar de não serem 100% idênticos, não são muito diferentes de todos os outros Mestres verdadeiros, assim como Sri Chinmoy. Fiz uma tradução e comparitlho aqui com vocês, pois acho que já dá um norte para quem busca com sinceridade.

Posso também recomendar outros livros inspiradores para quem está buscando.

“(Para os chefes de família…) a renúncia deve ser mental. A vida espiritual não pode ser alcançada fugindo das responsabilidades. Um casal deve viver como irmão e irmã após o nascimento de um ou dois filhos, devotando o seu tempo a conversas espirituais e contemplação. Ele encorajava os devotos chefes de família, dizendo que de um certo lado sua vida era mais fácil do que a de um monge, pois é uma vantagem lutar de dentro de uma fortaleza se comparado com lutar num campo aberto. Ele insistia, no entanto, que buscassem solitude de vez em quando, reforçando sua devoção e fé em Deus através de oração, japa e meditação. Ele prescrevia a eles a companhia de sadhus (devotos praticantes espirituais sinceros), e também pedia que realizassem seus deveres mundanos com uma mão, enquanto segurassem Deus com a outra, e que orassem a Deus para tornar seus deveres cada vez mais escassos, para que num dia eles possam ater-se a Deus com ambas as mãos. Sri Ramakrishna desencorajava tanto nos chefes de família quando nos jovens celibatários qualquer tipo de meio termo quanto aos desafios espirituais. Ele nunca os pedia que seguissem sem discriminação o caminho da não resistência, que por fim torna os desavisados covardes.

“(Mas para os jovens…) através da prática de continência, os aspirantes desenvolvem um nervo sutil através do qual eles compreendem os mistérios mais profundos de Deus. Para eles, o auto-controle é final, imperativo e absoluto. Os sannyasis são professores dos homens, e suas vidas devem ser completamente isentas de marcas. Eles não devem nem mesmo olhar para uma foto que possa despertar seus instintos animais.”

Fotos de cursos de meditação

Curso em Campinas, na Unicamp, em 2016

Curso com Samalya Schaffer, de Berlim, março de 2017

Curso no ABC, São Bernardo, em 2018, no dojo de jiujitsu e judo do CREC Baeta

curso sbc 13 maio 2018

Curso com o Patanga em Campinas, na Unicamp, em 2016

Curso em SP na sala de cursos do nosso Centro, 2012

Curso com Ashirvad na Secretaria da Fazenda de SP

curso meditacao secretaria da fazenda sp 2017 ashirvad

Curso com Ashirvad em SP

Curso com Patanga na escola Maria Rosa Barbosa, em São Bernardo do Campo, dia 16/9/2017:

 

Curso na Justiça Federal – auditório do Juizado Especial Federal – 27/10/2017

patanga meditacao curso 27 10 2017 jfsp

 

 

 

 

 

 

O livro Yoga, meditação e a arte de viver: A Aventura da Vida

Yoga, meditação e a arte de viver: A Aventura da Vida

Clube de autores (34 reais)

Hoje em dia é o livro que eu mais recomendo para quem está num processo de auto descoberta. O livro passa por diversos aspectos da nossa busca e tem respostas muito inspiradoras!

Um lindo livro, repleto de fotos e desenhos, feito pela Madal Bal Studio na Europa. Há opção em preto e branco e colorido, com dezenas de fotos.

Conteúdo

Liberdade e paz

O que é yoga?

Yoga e a vida material

O caminho e os passos do yoga

Religião, espiritualidade e yoga

Deus e os mundos superiores

Chakras, poder oculto e kundalini yoga

Mestres verdadeiros e mestres falsos

Espiritualidade e sociedade

O fim do mundo, forças malignas e a origem da humanidade

Meditação

Alimentação, saúde e esporte

Vida familiar

Meditação no trabalho

Superkit de livros, música e incenso

superkit livro meditacao incenso musicaOlá!

Criamos este Superkit para quem quiser mergulhar fundo na meditação. Ele possui:

  1. O livro Meditação
  2. O livro 222 técnicas de meditação
  3. O livro As Asas da Alegria
  4. O kit com 2 CDs com música para meditação em mp3, os 20 mantras do curso e um DVD com 120min de entrevistas, exercícios e inspiração para meditar
  5. Uma caixa de incenso Precious Chandan Hem (que é a nossa recomendação de incenso barato e que se vende no Brasil)
  6. Uma caixa de incenso Jharna-Kala (variado), que é o melhor incenso que conhecemos no mundo e trazemos de Nova Iorque para vocês quando viajamos para lá para os encontros internacionais dos Centros Sri Chinmoy.

O kit custa 100 reais e você pode encontrá-lo no dia do seu curso

Mini curso de meditação em vídeo

Minicurso em vídeo

Veja também: nova página com o curso online completo.


Este material foi preparado para quem quer começar a praticar e se aprofundar na busca interior antes mesmo do curso começar. Além da parte teórica e filosófica, tem 4 exercícios. É como se fosse o nosso curso de quatro aulas de 2 horas condensado num video único de 2 horas e meia. É o vídeo mais recomendado por nós para quem está aprendendo ou querendo aprender a meditar. Assista acima ou faça o download gratuito do mini curso.

Uma meditação com Sri Chinmoy

Uma meditação guiada em vídeo

 

Mais filmes e vídeos inspiradores recomendados

Desafiando a impossibilidade: meditação e o levantamento de pesos

 

O espírito de uma corredora: meditação e ultramaratonas

 

O quebrador de recordes: o maior recordista do Guiness e a sua prática de meditação

https://vimeo.com/245533983

 

O monge do oceano: surfe e meditação

 

Outros vídeos selecionados

Vídeos para meditar e aprender

Para mais alguns filmes inspiradores, veja a página que criamos aqui:

Filmes espirituais e filmes inspiradores

 

Conteúdo: com quatro exercícios práticos diferentes e toda a teoria da meditação, preparamos uma aula com Sri Chinmoy indo desde as técnicas básicas até o propósito e metas finais da meditação: a perfeição completa, a iluminação e a transformação do mundo a partir do indivíduo. Esperamos que assistindo esse vídeo você possa além de começar a praticar a meditação hoje mesmo, tenha também uma imersão nos princípios da busca interior por satisfação verdadeira e felicidade. Que este vídeo seja apenas um início de algo muito vasto e precioso na sua vida.

Os tópicos desta aula são:

  • Como começar a meditar
  • Exercício de meditação
  • Horário e importância
  • Exercício de meditação guiada
  • Poemas meditativos
  • Concentração e meditação
  • Pontualidade e regularidade
  • Oração e meditação
  • Música e mantra
  • Exercício curto de meditação
  • Mestres espirituais
  • Dieta vegetariana, álcool e drogas
  • Realização-Deus ou iluminação
  • Técnica de meditação guiada
  • Arte e poesia para meditação
  • Sri Chinmoy
  • Esportes
  • Os Centros Sri Chinmoy
  • Filosofia para os tempos modernos