Recentemente estive revisando um livro de Sri Chinmoy para publicação, chamado Amor. Nos últimos capítulos, perguntas e respostas sobre o amor entre um Mestre espiritual e os seus discípulos. Como, quando tudo o mais tomba e é comido pelas traças, o amor verdadeiro, que atravessa séculos e vidas, mantêm sua expressão carinhosa e é novamente visível assim que a poeira baixa. Como, quando tudo e todos o deixam, o amor do Mestre resta como a única certeza na sua vida. O poema de Sri Chinmoy é o prólogo para este artigo:
A vida dele é cheia de barulho,
A vida dele é cheia de correria,
A vida dele é cheia de pressa.
Ele é uma imagem da insinceridade,
Ele é uma imagem da ingratidão,
Ele é uma imagem do fracasso.
Ele falha em silenciar a tempestade de sua carne,
Ele falha em sair do abismo de sua dúvida,
Ele falha em sepultar o caixão do seu medo.
Ainda assim
Ele será salvo,
Ele será libertado,
Ele será completo.
Pois
Ele ouviu os passos de seu Mestre. -Sri Chinmoy
Qual é a natureza do amor entre um professor espiritual e seu aluno?
Deixe-me contar uma história real. Um Professor espiritual indiano que vivia no Ocidente foi, um dia, ao hospital para visitar um aluno que havia sofrido um sério acidente de carro. Embora o aluno estivesse sentindo muita dor e se movesse com dificuldade, ele estava cheio de alegria em ver seu Professor. Ele disse, “Eu sinto que fui ajudado consideravelmente desde o meu acidente pelo seu poder de cura espiritual. Sinto que esse acidente valeu todo momento de dor pela experiência que isso me trouxe. Pela primeira vez em minha vida, eu realmente senti e percebi quanto amor você tem por mim. Eu vi que o amor que você tem é infinito e tudo-abrangente.”
“Isso é absolutamente verdade, meu filho,” disse o Professor. “Eu estou sempre dizendo a você e aos outros alunos que eu os amo infinitamente mais do que vocês amam a si mesmos. Sua mente pode não acreditar nisso, mas é verdade.”
O aluno perguntou, “Como é possível para você nos amar mais do que nós mesmos?”
O Professor respondeu, “Quando você pensa em si mesmo, pensa em todas as suas ansiedades e preocupações. Pensa que sua vida consiste daquilo que tem de fazer – com quem tem de falar, o que tem visto e assim por diante. Mas, aos Olhos do Supremo, isso não é, de forma alguma, a sua vida. Sua vida é a sua receptividade – quanto de Seu Amor, Paz e Deleite você é capaz de receber.
“Um dos meus alunos me disse outro dia: ‘Eu posso acreditar que você me ama e eu amo você, mas quando você diz que nos ama mais do que amamos a nós mesmos, isso não é apenas uma forma gentil de falar conosco?’ Poucos dias depois, o aluno teve um sonho onde, com tudo o que aconteceu na vida dele, com tudo que ele fez e conquistou, ele construiu uma casa. Mas gradualmente essa casa começou a desmoronar; ele perdeu tudo e viu o quanto todos esses episódios eram insignificantes. Ele se sentiu totalmente perdido. Então ele me viu lá, constante, com o meu amor por ele. Somente quando se tornou totalmente um comigo, e eu me tornei totalmente um com ele, é que ele sentiu qualquer alegria, paz e satisfação.
“Todo mundo sente que sua vida é feita desses episódios – a rotina diária de cada um – mas eu gostaria de dizer que essas coisas são meramente experiências nós temos enquanto vivemos na Terra. Para viver em Deus, algo mais é necessário. Para viver em Deus, devemos saber quanto Amor podemos receber, quanta Luz podemos receber do Supremo.”
“Mas,” disse o aluno, “Eu ainda não entendo exatamente por que você pode me amar mais do que eu amo a mim mesmo. Sinto muito. Sei que você o faz, mas não estou certo exatamente de como.”
“Meu filho, a razão é esta. Você vê a si mesmo como um ser humano, cheio de ignorância. Então, quando pensa sobre si mesmo, pensa na sua ignorância. Você não vê a si mesmo como um outro Deus; vê a si mesmo como metade animal. Quando você é insincero, você pensa que sabe todas as coisas e, quando tenta ser sincero, pensa que está cheio de ignorância. Mas você deve saber que aquilo que Deus é você também é. Somente quando você está com a sua consciência absolutamente no nível mais elevado você pensa em si mesmo como um instrumento escolhido por Deus. Você está ansiando agora por esse conhecimento de quem você verdadeiramente é. Eu o amo constantemente e infinitamente porque eu sempre sei quem você é. Eu sei que não é somente um instrumento escolhido do Supremo, mas o próprio Supremo. Há momentos, quando estou olhando para você e para os outros alunos, em que não estou vendo o Supremo em vocês; Estou vendo o próprio Supremo. Você não irá acreditar nisso, mas eu não o vejo como um ser humano com o Supremo dentro, mas como ninguém mais senão o Supremo. Eu vejo isso com meus olhos humanos, sem nem mesmo usar meu terceiro olho.
“Eu amo o Supremo, que é a sua verdadeira realidade, infinitamente mais do que você pode amar o ser humano que se considera ser. Então, se eu vejo você como o Supremo, como eu poderia não amá-lo como o Supremo? Você pode pensar que é seus problemas, que é os detalhes da sua vida e portanto não pode amar a si mesmo o mais devotadamente. Você será capaz de amar a si mesmo somente quando estiver no seu mais elevado, quando sentir minha presença dentro do seu coração. Mas eu estou amando você constantemente. Aqui está a prova. A maior parte do tempo você está pensando sobre outra coisa – seu trabalho, sua esposa, seus filhos – mas eu estou constantemente pensando em você. Você pensa que está amando a si mesmo – sua família e tudo que constitui a sua vida – mas sua atenção está dividida. Sempre está pensando sobre outras coisas. Mas minha atenção nunca está dividida. Isso é amor constante por você.”
Nessa hora, o aluno já havia esquecido completamente da sua dor. Ele perguntou: “O segredo de estar consciente desse amor está na gratidão?”
“Sim, absolutamente. Mas o lamentável é que nossa mente humana sente que gratidão é algo inferior. Nós sentimos que quando oferecemos gratidão a Deus porque Ele nos ofereceu algo primeiro, estamos fazendo algo inferior. Se alguém fizer algo por nós, naturalmente mostraremos nossa gratidão, mas sentimos que o poder da gratidão é inferior ao poder de dar.
“Mas Deus vê Ele mesmo como um. Ele sente que está dando o que Ele tem – Amor e Compaixão – e estamos dando a Ele o que nós temos – gratidão. Nosso poder de gratidão é tão forte quanto Sua Luz e Poder-Amor, mas sentimos que a gratidão é inferior porque Ele ofereceu a Sua Luz e Amor primeiro. No começo do Jogo, Ele nos deu o que Ele quis dar, que é a gratidão, e guardou Consigo Sua Luz. O papel Dele é nos oferecer Luz, e nosso papel é oferecer a Ele gratidão. Ele está fazendo o Seu papel, mas não estamos fazendo o nosso. Agora, se retornarmos a Ele o que Ele nos deu, estaremos cumprindo o nosso papel, e se Ele oferece a nós o que Ele guardou Consigo, estará fazendo o papel Dele. Nosso papel não é de nenhum modo inferior ao Seu papel. Quando você sente gratidão, sente que uma flor – um lótus ou uma rosa – está florescendo dentro de você, pétala por pétala, e quando você sente tremenda gratidão, então sente que a flor está totalmente florescida.
O aluno disse, “Ó Mestre, estou profundamente grato por essa experiência, por eu ter aprendido e recebido tanto de você com isso. Eu sei agora que seu poder-amor é a única coisa na Terra que pode me satisfazer totalmente e oro para que um dia minha flor-gratidão satisfaça você totalmente.”
Eu estou preparado
Para vir ao mundo
De por vezes e mais vezes
Somente para Vislumbrar Seu Amor
Imensurável.
Eu quero me sentir mais próximo do meu Professor espiritual, que vive em outro país. O que você aconselha?
Você precisa acreditar que seu Professor espiritual ama você infinitamente mais do que você ama a si mesmo. Você pensa que está constantemente pensando sobre si mesmo e tendo cuidado com sua vida, enquanto que seu Professor espiritual está conversando com alguém aqui e ali. Então como ele pode amar você mais do que você mesmo?
Se você sente que tem mais carinho, cuidado e amor por si mesmo do que seu Professor tem por você, então não pode se tornar interior e verdadeiramente próximo dele. Se seu Professor espiritual pergunta a você todos os dias se você teve ou não um bom café da manhã, isso não é uma manifestação do seu cuidado. A maneira de seu Professor amar você, a maneira verdadeira de amar você, é infinitamente mais significante do que isso. Sua capacidade de amar a si mesmo é como um dólar; já a capacidade dele de amar você é como um milhão de dólares.
O sentimento de que seu Professor espiritual o ama tem de ser trazido do seu coração para dentro da sua hesitante e duvidosa mente. Enquanto sentir o amor dele, estará destinado a fazer um tremendo progresso e eventualmente convencer sua mente de que ele o ama. E como pode sentir o amor dele? Através das suas próprias orações e meditações.
…Pense nele como um amigo para a vida toda, que está sempre ao seu lado, se você está ao sol ou na chuva. Seu Professor espiritual é seu eterno amigo.
Pergunta: É importante para os buscadores passarem tempo entre si?
Sri Chinmoy: É sempre recomendável aos buscadores passar tempo com outros buscadores pois isso lhes trará inspiração. Se você permanecer com alguém que não possui aspiração, haverá uma constante luta. É muito difícil para um buscador – especialmente no início- manter sua consciênciamais elevada. Assim que vai a algum lugar, imediatamente vê pessoas sem aspiração. Mesmo que não fale com elas, ainda assim estarão espalhando suas vibrações. Se um santo vem aqui, imediatamente você sentirá sua vibração. E se um ladrão chega, imediatamente sentirá a vibração dele. Mas se você for um buscador e outro buscador estiver com você, então imediatamente sua força aumentará tremendamente. Desta forma é sempre recomendável para buscadores estarem juntos numa comunidade, ou se encontrarem freqüentemente.
Fifty Freedom-Boats to One Golden Shore 4, p. 7
Pergunta:É possível para um discípulo aprender com buscador mais avançado?
SriChinmoy Não é necessário para o buscador passar por todos os enganos até alcançar a verdade. Se um discípulo é um iniciante e encontra um buscador avançado – um buscador realmente avançado, e não apenas um que seja discípulo há muitos anos – então o discípulo avançado, poderá ser capaz de aconselhá-lo a partir de suas próprias experiências. É como a mãe e o filho. A mãe diz ao filho para não tocar na chama, pois ela sabe, a partir da própria experiência, que tocar na chama causa dor. A mãe já tocou na chama antes e queimou seu dedo; então ela fala com experiência.Se a criança pensar que a mãe está mentindo, não se beneficiará da experiência dela e tocará na chama. Assim, tal como a criança, que pergunta à mãe o que aconteceu quando ela tocou a chama, um iniciantenavida espiritual aconselha-se com um buscador avançado. O iniciante reconhece o buscadorcomo avançado, por ver que este leva uma vida disciplinada e divina; ele é um exemplo para o iniciante.
Ao ser aconselhado por um buscador avançado, o iniciante irá alcançar sua meta mais rapidamente, da mesma forma que os pais ajudam seus filhos a se tornarem melhores adultos, ao advertí-los a falar a verdade e a meditar. Um buscador avançado é como um pai ou um irmão mais velho, daqueles que acabaram de entrar na vida espiritual. Se o iniciante for fazer tudo por si mesmo navegando através de todas as experiências desagradáveis, ele irá perder muito tempo e acabará atingindo sua meta muito mais tarde.
SriChinmoy Speaks 7, p. 14-15
Pergunta:Sinto-me fraco e gostaria de saber: como posso sentir-me mais forte e disciplinado?
Sri Chinmoy: Se você for ao hospital visitar amigos doentes e ficar lá algumas horas com eles, você também se sentirá doente , ainda que esteja fisicamente saudável. Se você estiver na companhia de homens jovens e fortes, correndo e pulando poralgumas horas, irá se sentir cheio de energia. No plano físico, quando você se envolve com pessoas doentes, você se sente fraco e quando se envolve com pessoas fortes, sente-se forte e dinâmico.
Na vida espiritual quando se quer disciplinar a própria vida, é necessário se juntar a pessoas espirituais que já disciplinaramsuas próprias vidas .
Você está tentando disciplinar sua vida e eles estão no mesmo barco. Quando duas pessoas focam o mesmo objetivo, a tarefa torna-se mais fácil. De manhã cedo é muito difícil correr devido à letargiae a inércia. Mas se você ver um amigo correndo, correrá junto com ele. Nessa hora, vocês irão se energisar um ao outro. Sua força entra na força dele e a dele entrará na sua.
Introdução à meditação, parte 5 – o despertar interior
-Sri Chinmoy, do livro Aspiration-Flames
Na vida espiritual, utiliza-se o termpo “despertar interior”. Se alguém está desperto, é natural que essa pessoa corra em direção à sua Meta. Quando você está pronto, quando chega a sua hora, você se levanta e corre em direção à Meta. Depois de um certo tempo, outra pessoa estará pronta e correrá em direção à Meta dela. A vida espiritual não é como a vida do militar, onde todos são forçados a seguir na mesma ordem de marcha. Não há compulsoriedade; não há forçar. A vida espiritual é voluntária, algo de nossa escolha pessoal. Podemos aceitar ou rejeitar Deus a nosso bel-prazer. Se aceitarmos Deus, sentiremos que cedo ou tarde seremos verdadeiramente satisfeitos. Se não aceitarmos Deus hoje de forma consciente, chegará o dia em que Ele nos obrigará a aceitá-Lo, pois não permitirá que continuemos insatisfeitos e sem realização; isso é assim justamente porque o propósito da criação de Deus é a satisfação.
Tenho uma história para contar. Dois filhos estavam diante de um lago, e a mãe os observava. Um filho é muito bom e obediente e quer agradar a mãe. Ele sabe que, se entrar na água, todo o seu corpo será renovado; ele terá uma sensação de pureza. Portanto ele salta no lago e fica limpo e refrescado. Mas o outro filho é preguiçoso. A água ainda está muito fria, e ele tem medo. Fica esperando, esperando, esperando. A mãe aguarda um certo tempo, mas então fica irritada e empurra o filho na água.
O primeiro filho foi obediente e conhecia a necessidade de se banhar, e portanto o fez. Na vida espiritual, aqueles que estão despertos – os filhos obedientes, os filhos espirituais – naturalmente farão o que é necessário para agradar ao seu Piloto Interior, Deus. Eles sabem que, ao agradar seu Piloto Interior, estão adiantando sua marcha a Deus. Os que não sentem essa necessidade, que estão com medo ou relutantes, farão Deus esperar por algumas centenas ou milhares de anos. E então Deus os compelirá, porque Deus, como a mãe, sabe da necessidade da limpar, purificar e iluminar os indivíduos.
A vida espiritual não é como uma corrida, onde todos começam do mesmo ponto de partida na mesma hora. Quando estiver pronto, você terá o seu ponto de largada; quando eu estiver pronto, terei o meu próprio. Mas a Meta é sempre a mesma. Você pode começar a sua jornada poucas horas ou anos antes de mim, mas quando alcançarmos nosso destino, será o mesmo lugar.
Mas isso só é verdade no caso da meta derradeira, a Meta altíssima. Ao invés, seu objetivo pode ser apenas uma gota de Paz, Luz e Deleite. Quando chegar lá, ficará satisfeito e não desejará nada mais. No seu caminho até o destino derradeiro você encontrará um objetivo parcial e talvez acredite que seja a Meta final. Então ficará lá por um tempo, porque o seu ser interior ou exterior não quer ir mais longe, mais algo e mais fundo. Mas quando eu alcançar essa meta, que também deverei alcançar, talvez eu queira ir mais longe.
Enquanto caminha pela rua, você enxerga uma bela árvore com flores e frutos. Você para e aprecia os frutos e pensa que chegou na sua Meta. Mas no caminho para a minha Meta eu posso dizer: “Deve haver algo mais belo, mais poderoso, mas significativo do que isto.” É natural que eu queira ir mais longe e percorrer uma distância maior. Você também irá mais alto e mais longe depois de alcançar a sua meta, pois a Meta derradeira deve ser alcançada. Mas, quando eu chegar na minha Meta última, e você chegar na sua Meta última, serão iguais; a Meta derradeira é a mesma para todos.
Se você não tiver um mestre espiritual ou não segue um caminho específico, e se estiver lendo alguns livros e tentando disciplinar sua vida por conta própria, neste caso é aconselhável fazer jejum.
Se você jejuar uma ou duas vezes por mês, isso vai purificar seus nervos sutis.
A pureza é de grande importância na vida espiritual. Mas esta pureza não se consegue apenas ao jejuar. Devemos tambémmeditar corretamente. Temos que oferecer nossa vida interior a Deus. Só assim sua vida exterior estará perfeitamente purificada e transformada. Em acréscimo as nossas orações interiorese a meditação, se fizermos jejum por uma, duas ou três vezes por mês, nos ajudará a purificar a existência exterior do nosso corpo. Também nos ajudará em nossa concentração e meditação. Mas se a pessoa faz jejum três ou quatro vezes por semana a pessoa está cometendo um grande erro. Jejuar duas ou três vezes por semana apenas enfraquecerá nosso sistema.
É através da aspiração, e não do jejum, que alcançamos nossa meta. Para aumentar nosso clamor interior, temos que meditar regular e devotadamente. Se meditarmos, a purificação com certeza vai chegar. Fazer jejum não é indispensável na vida espiritual. Apenas a aspiração, nosso clamor interior é indispensável. Se soubermos como aspirar, nossa natureza será purificada. Em nossa meditação e contemplação nós recebemos os resultados do jejum.
Self- Discovery and World- Mastery, p.27-28
Pergunta:Por favor, me diga se entramos em melhor contato com Deus quando estamos jejuando, bebendo apenas suco e água. Fazer jejum nos ajuda a realizar Deus?
Sri Chinmoy: Quando você bebe suco, você não está fazendo jejum. Muitas pessoas dizem: “De manhã eu bebo café, ao meio-dia um copo de suco e à noite um copo de leite” Esta é a idéia deles do jejum. Mas para mim, isto não é fazer jejum. Fazer jejum mesmo, você toma apenas água e nada mais. Se você decidir jejuar, você tem que saber porque está fazendo isso.
Se sentires que ao jejuar você vai realizar Deus, isto é besteira. O verdadeiro nome de Deus é deleite e alegria. Se seu pai é todo alegria, ele o pedirá para que se torture para chegar até Ele? Deus é o dono da alegria sem limite e sabemos que ele tem compaixão infinita. Ele te deu o corpo – Este é o corpo Dele – e se você começar a torturar Seu corpo, ele ficará feliz? Jamais! Se você começar a fazer jejum para realização de Deus, Ele dirá que estás caminhando pelo caminho errado.
Mas jejuar pode nos ajudar a reduzir peso, curar algumas de nossas doenças físicas e purificar nossos nervos e mente.
Freqüentemente, comemos alimentos poucos nutritivos e o corpo precisa de descanso e purificação.
Quando olhamos para pessoas e coisas não divinas, suas vibrações chegam até nós pela atmosfera e afetam nosso corpo físico – a pele, os músculos, os nervos. Se quisermos fazer jejum por um dia no mês para purificar nosso sistema, é aconselhável.
Precisamos de pureza para apreciar a existência de Deus na Terra.
É na pureza – pensamentos puros, realizações puras, consciência pura-onde Deus reside. Fazer jejum nos ajuda muito na auto purificação. E quando a purificação entra em nós, vamos mais rápido em direção à realização de Deus. Mas é o primeiro passo, Fazer jejum apenas não nos daráa realização de Deus.
Para purificação, você pode tentar fazer jejum – beber apenas água – uma vez por mês. Eu estou falando do ponto de vista espiritual.
Eu não sei nada de sua constituição física. Se você for forte e saudável, pode fazer jejum. De outra maneira não é aconselhável.
Mesmo se você faz jejum, se for um buscador sincero, você pode, uma vez por semana, reduzir a quantidade de alimento que você normalmente come. Isto pode ser feito especialmente aos domingos, quando você não precisa ser muito ativo. Aos domingos, a maioria das pessoas levantam tarde pela manhã, e podem facilmente ficar sem o café da manhã.Na hora do almoço eles podem dizer ”Todos os dias eu como. Se eu comer um pouquinho menos hoje, não vai me atrapalhar nem um pouquinho. E à noite, no jantar, eles podem dizer:” Na hora do almoço eu não comi a quantidade que estou acostumado e não tive nenhum problema. Ainda estou bem.”Por que não fazer o mesmo agora? ”Então, uma vez por semana, aos domingos especialmente, se puderes diminuir suas refeições te ajudará enormemente. E você não precisa fazer um jejum severo e torturante, na qual os verdadeiros mestres espirituais não recomendam
Hoje estava meditando e tive diversos pensamentos bons e agradáveis no início da meditação. Por sorte ou Providência, imediatamente lembrei do que Sri Chinmoy fala sobre os pensamentos durante a meditação:
” A melhor coisa é procurar não permitir que nenhum pensamento entre na sua mente, seja ele bom ou ruim. Seria como se você estivesse no seu quarto e alguém batesse à sua porta. Você não sabe se se trata de um amigo ou de um inimigo. Os pensamentos divinos são os seus verdadeiros amigos, e os pensamentos não-divinos são os seus inimigos. Você gostaria de deixar seus amigos entrarem, mas não sabe quem eles são. E, mesmo que saiba, ao abrir a porta para eles, talvez veja seus inimigos ali também. ” (continua no fim do artigo)
Mesmo bons pensamentos o distraem da sua meditação. Tentei render, entregar esses bons pensamentos ao Supremo durante a meditação. Pensei algo como “Pode ficar com isto, e por favor me dê aquilo que Você queira me dar.” A meditação foi muito melhor!
Isso me fez lembrar também coisas “boas” que deixei para trás durante a vida, numa analogia à essa experiência. Estava fazendo faculdade, mas a abandonei para poder aproveitar oportunidades únicas na minha vida espiritual. Não me fez falta alguma. Tinha uma namorada, mas chegamos à conclusão que seria melhor nos separar para que cada um pudesse buscar as coisas da vida que considerasse mais importante. Foi um presente – eu nunca imaginaria o quão importante e de quanto auxílio essas decisões foram na minha vida espiritual. Na época eu não achava essas coisas ruins – elas eram boas -, mas tinha algo melhor ainda. Há uma outra parábola a se contar:
Um lenhador se embrenhou numa floresta, até que encontrou árvores de sândalo. A casca dessa árvore é muito valiosa. Ele pensou: “fiquei rico!”. Mas, em seguida, pensou: “Se aqui tem sândalo, será que não há algo mais valioso ainda mais adiante?”
Ele seguiu em frente, e encontrou prata. E seguiu mais em frente, e encontrou ouro. E seguiu mais em frente e encontrou diamantes.
Sri Chinmoy sobre a importância de afastar os pensamentos durante a meditação
O ideal durante a meditação seria que rejeitássemos todos os pensamentos?
A melhor coisa é procurar não permitir que nenhum pensamento entre na sua mente, seja ele bom ou ruim. Seria como se você estivesse no seu quarto e alguém batesse à sua porta. Você não sabe se se trata de um amigo ou de um inimigo. Os pensamentos divinos são os seus verdadeiros amigos, e os pensamentos não-divinos são os seus inimigos. Você gostaria de deixar seus amigos entrarem, mas não sabe quem eles são. E, mesmo que saiba, ao abrir a porta para eles, talvez veja seus inimigos ali também.
Então, antes que seus amigos possam passar pela entrada, seus inimigos também entrarão. Pode ser até que você não perceba nenhum pensamento que não seja divino. No entanto, enquanto os pensamentos divinos estão entrando, os não-divinos, como ladrões, vão entrar em segredo e causar uma enorme confusão. Uma vez que tenham entrado, será muito difícil expulsá-los. Para tanto, você precisará da força de uma disciplina espiritual sólida. Por quinze minutos, você pode acalentar pensamentos espirituais e então, num mísero segundo, um pensamento não-divino pode aparecer. Portanto, a melhor coisa é não permitir nenhum pensamento durante a meditação. Apenas mantenha a porta trancada por dentro.
Seus verdadeiros amigos não irão embora. Eles vão pensar: “Ele não está bem. Geralmente ele é tão gentil conosco. Deve haver alguma razão especial para ele não abrir a porta”. Eles têm uma unicidade compreensiva, de modo que irão esperar indefinidamente. Entretanto, os seus inimigos vão aguardar só por alguns minutos. Então, perderão toda a paciência: “Está abaixo de nossa dignidade perder o nosso tempo aqui”. Esses inimigos são orgulhosos. Eles dirão: “E daí? Quem precisa dele? Vamos embora para atacar outra pessoa”. Se você não der atenção a um macaquinho, ele no fim das contas irá embora e morderá outra pessoa. Mas os seus amigos dirão: “Precisamos dele, e ele precisa de nós. Vamos esperar por ele indefinidamente”. Depois de alguns minutos, os seus inimigos irão embora. Você poderá abrir a porta e seus queridos amigos estarão ali, a sua espera.
Se você meditar com assiduidade e devoção, depois de algum tempo ficará forte interiormente. Então será capaz de acolher os pensamentos divinos e expulsar os não-divinos. Se estiver recebendo um pensamento de amor divino, paz divina ou poder divino, deixará que ele entre e você e se expanda. Você vai deixá-lo brincar e crescer no jardim da sua mente. Enquanto você e o pensamento estiverem brincando juntos, você perceberá que está se tornando esse pensamento. Cada pensamento divino que você deixa entrar cria um mundo novo e satisfatório, bem como preenche todo o seu ser com divindade.
Depois que tiver meditado durante alguns anos, você terá força interior suficiente para deixar que entrem até mesmo os pensamentos não-divinos. Quando um pensamento não-divino vier até a sua mente, você não vai rejeitá-lo, mas sim transformá-lo. Quando alguém que não é divino bate à sua porta, se você tiver força suficiente para exigir que ele se comporte bem ao entrar, então poderá abrir a porta. Finalmente, você terá de aceitar o desafio e vencer esses pensamentos inadequados. Caso contrário, eles voltarão a incomodá-lo repetidas vezes.
Você precisa ser um oleiro divino. Se o oleiro tiver medo de tocar na argila, então a argila nunca mudará, e ele não será capaz de oferecer nada para o mundo. Contudo, se não tiver medo, poderá transformá-la em algo belo e útil. É seu dever inevitável transformar pensamentos não-divinos, mas só quando puder fazer isso com segurança.
Sou um iniciante na meditação e acho que não consigo controlar meus pensamentos. Como posso tornar a minha meditação bem-sucedida?
Se você estiver começando agora, procure deixar que entrem apenas pensamentos divinos, e não pensamentos que não sejam divinos. É melhor não ter nenhum pensamento durante a meditação, mas é quase impossível para um iniciante não pensar. Portanto, você pode começar com bons pensamentos: “Quero ser bom, quero ser mais espiritual, quero amar mais a Deus, quero viver só para Ele”. Deixe que essas ideias cresçam dentro de você. Comece com uma ou duas ideias divinas: “Hoje serei completamente puro. Não vou permitir que nenhum pensamento mau, mas apenas a paz, entre em mim”. Ao permitir que um pensamento divino cresça dentro de você, verá imediatamente que a sua consciência muda para melhor.
Comece com propósitos divinos: “Hoje quero sentir que sou realmente um filho de Deus”. Isso não deve ser um mero sentimento, mas sim uma realidade. Imagine que a Virgem Maria está segurando Cristo em seus braços. Sinta que a Mãe Divina está acalentando você nos braços dela, como um bebê. Sinta: “Eu realmente quero ter luz-sabedoria. Quero caminhar com meu Pai. Aonde quer que Ele vá, quero ir junto. Receberei luz Dele”.
Algumas pessoas não têm esses tipos de propósitos. Não surgem ideias e pensamentos criativos. Tudo o que há é um vácuo. Talvez você pergunte o que é melhor: ter várias mensagens bobas ou nenhuma mensagem na mente. Todavia, existe uma maneira de negativa, inconsciente de meditar, que não tem vida. Essa não é a mente silenciosa. Ela não é produtiva. Na meditação de verdade, a mente fica em silêncio, mas, ao mesmo tempo, consciente.
Estou muito orgulhoso da minha mente. Por quê? Porque ela começou a apreciar coisas singelas: um pensamento simples, um coração puro, uma vida humilde.
Houve um tempo em que eu o amava, ó meu mundo-pensamento. Mas agora eu amo a beleza de uma mente-silêncio e a pureza de um coração-gratidão.
Pergunta: Se uma pessoa é obesa, isso afeta sua consciência?
Sri Chinmoy: Se você tiver muita gordura, além da necessidade, sua consciência leva uma carga pesada, a letargia chega a você poderosamente.
Quando se perde peso desnecessário, peso excessivo, sua capacidade exterior aumenta e sua beleza interior aparece e cresce no físico.
Politics and Spirituality, p.52
Pergunta: Eu acho muito difícil perder peso.
Sri Chinmoy: A realização de Deus não é tão difícil quanto perder peso. Eu realizei Deus por isso estou te dizendo. Para Realização de Deus, a compaixão de Deus está lá. Mas para perder peso, temos que sentir fome temos que fazer jejum. De onde vem o peso? Não importa o que eu coma, mesmo se comervinte calorias por dia, o peso extra que tenho permanece por semanas
Se estiver bem, com o peso perfeito, isso acresce a sua elevação espiritual. Paz espiritual, Luz e Alegria não aumentam sua barriga. Não há sabedoria lá. Se não praticarmos exercícios físicos, se não prestarmos atenção ao que comemos, como vamos manifestar isso no físico?
Interiormente somos tudo, mas em matéria de exercício, não somos nada.
É uma pena que muitos mestres espirituais são grandes, mas eles não praticam exercícios físicos. Eles realizaram Deus e eles dirão a quem quer que se importe pela Terra e pelo ser físico.
Eu responderei: Sua alma te levará para Deus, sua aspiração te dirá sobre Deus, mas o que você vai fazer para Deus? Se seu corpo estiver com uma boa consciência, a sua consciência terrestre, que está no físico, se inspira para viver uma vida melhor e mais elevada.
Introdução à meditação, parte 3: canto de mantras para meditação
Dependendo da atividade que estiver fazendo no meio do seu dia, tem certas horas que não faz sentido parar tudo para meditar. Também, em muitos dias não conseguirá meditar bem como em outros. O que você pode fazer é, além dessa meditação que não pareceu ser tão boa (pois você come mesmo nos dias em que as refeições não são tão saborosas, certo?), cantar canções espirituais ou mantras. Se of fizer com sinceridade e uma postura interior correta, o resultado poderá ser tão bom quanto a sua melhor meditação.
O que são mantras?
Mantras são sílabas, palavras ou frases com uma vibração particular. Quando você entoa um mantra, a essência dele ressoa em você. Quando você entoa “Aum”, “Deus”, “Supremo”, ou outra palavra ou frase mântrica, é como se estivesse clamando para que essa realidade divina incipiente em você venha à tona. O Divino já está dentro de você, só não está manifestado de forma plena, e por isso você entoa o mantra.
Idealmente, você deve usar um mantra ensinado por um Mestre espiritual.
Quando usar os mantras?
Você pode entoar os mantras em voz alta sempre que possível, antes ou depois da sua meditação. Mesmo andando na rua, pode sussurrar o mantra de forma que só você o ouça. No trabalho, se houver muita gente ao seu redor, pode até mesmo fazê-lo em silêncio, entoando o mantra mentalmente. Você pode criar o hábito de repetir o seu mantra (talvez em silêncio, dependendo da ocasião) antes e depois de comer, ou antes de sair de casa e depois de retornar, etc. Cada vez que entoar esse mantra.
Tente se identificar com a essência do mantra enquanto o entoa. Repetir como um papagaio talvez não o leve muito longe.
O que são canções espirituais ou devocionais?
Uma canção espiritual é um mantra em forma de música. Alguns Mestres compuseram canções que são mantras. Você pode aprendê-los e utilizá-los em vários momentos do dia como o seu mantra.
Canções devocionais são músicas inspiradas, com tema espiritual, que podem ou não ser mantras, mas que nos lembram da nossa vida espiritual, que nos inspiram a ir além do cotidiano e lembrar de Onde viemos.
Pergunta: Em conexão com sua meditação, você segue alguma regraquanto à dieta? Porexemplo, é necessário ser vegetariano para seguir a vida espiritual?
Sri Chinmoy: A dieta vegetariana desempenha um papel muito importante na vida espiritual. Pureza tem importância preponderante para um aspirante. Essa pureza, nós devemos estabelecer no físico, no vital e no mental. Quando comemos carne e peixe, a consciência animal, agressiva, entra em você. Nossos nervos se tornam agitados; tornam-se desassossegados e agressivos, e isto pode interferir em nossa meditação. Mas as qualidades serenas das frutas e vegetais, por outro lado, nos ajuda a estabelecer, em nossa vida interior tão bem quanto em nossa vida exterior, as qualidades de doçura, suavidade, simplicidade e pureza. Logo, se formos vegetarianos, isto ajuda nosso ser interior a fortalecer sua própria existência. Interiormente, estamos rezando e meditando; exteriormente, a comida que estamos tirando da Mãe Terra está nos ajudando também, nos dando não somente energia, mas também aspiração.
Meditation: Humanity’s Race and Divinity’s Grace 1, p.51
Introdução à meditação, parte 2: a importância da música para meditar
The stars of the sky
Always adorn only
The brave.
As estrelas do céu
Adornam somente
Os corajosos.
-Sri Chinmo
Utilizando a música correta, a sua meditação pode ser auxiliada.
Se for uma gravação musical de um Mestre espiritual genuíno, a consciência em que se encontra é expressada na música. Estando então no ambiente com a música, a sua consciência pode se identificar com a consciência do Mestre e subir mais alto do que estaria sem seu auxílio.
Praticando um exercício de concentração com a música
Exteriormente, a música para meditação é um auxílio para a concentração se você estiver inspirado a tentar assim. Você pode concentrar a sua atenção na música em si – não como quem a ouve, mas quem quem se foca nela. Você não deve analisá-la, pois assim estaria num processo mental de ouvir e analisar. Você deve apenas ouví-la, identificando-se com ela. Não tente acompanhar. Normalmente, música para meditação não possui um ritmo marcado, mas podem haver exceções.
Música para melhorar o ambiente
Ela pode também encobrir sons externos que poderiam incomodá-lo na hora da sua meditação. Você pode usar fones de ouvido, mas em geral é melhor se o som for ambiente mesmo, até para você ficar longe dos aparelhos eletrônicos na hora de meditar.
Na semana passada estávamos meditando com uma gravação em vídeo de Sri Chinmoy. Não é o que seria uma “meditação guiada” no sentido comum, alguém dizendo o que você deve imaginar, relaxar, etc. O vídeo era apenas Sri Chinmoy meditando em silêncio, imóvel. Só isso. Estávamos tentando nos identificar com a meditação dele enquanto o observávamos.
Durante a meditação, não posso dizer que aconteceu algo ou me tornei algo, mas parecia que tudo estava muito bem. É um sentimento de luminosidade suave, mas permeante.
Quando o vídeo acabou, de repente, parecia que eu tinha caído de volta para a terra.
Eu percebi que estava sendo inspirado, ou melhor, orientado na minha meditação ao ver a gravação do meu Mestre. Quando ela acabou, senti o vasto abismo entre eu e ele. Uma vez vi Sri Chinmoy comentar que isso pode ser quando não estamos meditando corretamente. Com certeza, não tive a melhor das meditações, se comparar com meditações muito boas, mas acho que o ensinamento foi diferente desta vez. O ensinamento é que eu poderia buscar mais a proximidade da consciência do Mestre espiritual para elevar o meu próprio padrão.
Isso me inspirou a buscar sentir mais a orientação interior durante o dia, tentar ficar durante todo o dia um pouco mais receptivo a essa consciência que vi no vídeo.
“When we attain the divine consciousness, it attains us and we also attain it. There is a meeting place where the two come together. Reality is all-pervading. Suppose right now we are on the first floor; this is our reality. God, who embodies the universal Consciousness, is on the third floor. So God comes down to the second floor with His Compassion and we go up to the second floor with our intense cry to attain oneness with His Consciousness. God embodies the highest divine Consciousness and He also embodies our inner cry. So God, who is within us in the form of our inner cry, carries us to the second floor; and God, who is outside us in the form of the infinite divine Consciousness, comes down to the second floor. God climbs up with us and God climbs down with the divine Consciousness. When both the seeker and God arrive at a particular place, the seeker enters into the divine Consciousness and the divine Consciousness enters into the seeker. With our personal effort and God’s Grace we go up and with His Compassion and Love God comes down.” – Sri Chinmoy
Não é raro alguém repetir, porque ouviu por aí, aquele dito: “Trocou o mundo inteiro só pela vida espiritual.” Abaixo uma história muito iluminadora de Sri Chinmoy:
“Gostaria de lhes contar uma história interessante. Era uma vez dois amigos – um ateísta e outro tinha fé. Um dia o ateu disse ao crente, “Irmão, fico tão surpreso com a sua renúncia. Este mundo está repleto de prazeres, repleto de conforto, mas você renunciou tudo isso! Você renunciou todos esses prazeres apenas por Deus. Você é muito forte.” O crente respondeu, “Se eu sou forte, você é infinitamente mais forte do que eu. Deus é Amor infinito, Alegria infinita, Paz infinita – e não só para mim, mas para o mundo todo. Veja a sua capacidade de renúncia! Você renunciou tudo isso em troca de alguns prazeres terrenos temporários. A sua renúncia é muito maior do que a minha!” -Sri Chinmoy, My Maple Tree, 1974
Sri Chinmoy, Ten Thousand Flower-Flames, part 9, Agni Press, 1981
Começamos a meditar por diversos motivos, mas a nossa humildade e simplicidade nos lembra que a meditação é foi algo que nos foi dado, um privilégio, e não um dever ou fruto de nossa inventada “superioridade” intrínseca. Essa percepção mostraria apenas o quão bem ou mal sucedidos temos sido em nossa meditação.
Também, nas últimas décadas, algumas pessoas buscaram a meditação como uma fuga – um escape dos problemas psicológicos internos, um alívio às tensões do dia. Essa meditação não será profunda e não nos levará longe. Acho bem possível que você não encontrará um único texto milenar ou mesmo do século passado introduzindo o conceito de que a meditação é para relaxar ou para tratamento de saúde.
Outras pessoas buscam a meditação porque elas precisam meditar. Elas precisam meditar, e não de algo que a meditação possa trazer como resultado. É um impulso interior. É algo que o impele a buscar e o inspira a superar obstáculos para começar a meditar. É um anseio concedido por Deus ao buscador.
Uma introdução prática à meditação
Para começar a meditar, sente-se num lugar o mais afastado possível de outras interferências, dentro de casa.
Respire fundo algumas vezes, mas sem tensão, sem fazer força. A cada respiração, diminua o ritmo geral. Isso ajuda a trazer uma certa disciplina para a mente.
Mas a meditação profunda não acontece na mente, pois ela mesma é superficial. Ela acontece a partir do coração espiritual, onde mora a sua alma.
Para meditar no coração espiritual, sinta que você é esse coração. Sinta que a sua verdadeira essência mora no o lugar para onde aponta quando diz “eu”. Com os olhos entreabertos para não ficar sonolento, foque a sua concentração num ponto.
Esse ponto pode ser algo pequeno, mas recomenda-se algo que lembre e traga a tona o seu coração espiritual e lembre-o da sua alma, sua divindade interior. Pode ser uma flor (com a sua beleza e perfeição), uma chama de vela (com a sua luz e vontade de se elevar) ou uma foto ou estátua do seu Mestre espiritual (que representa e incorpora a sua própria meta final).
Observe a partir do seu coração, como se seus olhos estivessem lá e seu olhar viesse do meio do seu peito. Isso ajuda a sair dos processos mentais.
Agora tente se identificar com o objeto da sua concentração. Sinta que você e ele são uma coisa só. Esse é o poder do coração: o poder de identificação, unicidade.
Sinta que você
e a beleza da flor,
o anseio da chama,
a iluminação do Mestre
são um ser só.
Como tudo que vale a pena, pratique todos os dias, sem nunca faltar (nunca mesmo), num horário fixo, duas vezes ao dia e de preferência antes das seis horas da manhã e antes de dormir, com a luz sempre acesa.
O resultado será algo que você nunca viu nem ouviu falar antes, pois terá uma experiência intrinsecamente pessoal; estará fazendo algo que só você consegue fazer, que é meditar no seu próprio coração, na sua própria alma.
“A meditação nos dá uma vida espontânea e natural, tão espontânea e natural que não podemos nem mesmo respirar sem ficarmos conscientes da nossa divindade.”
Sri Chinmoy, Meditation: man’s choice and God’s Voice, part 1, Agni Press, 1974
O livro Meditação de Sri Chinmoy está disponível para compra na loja Leão Livros (29 reais, parte das vendas auxiliam na doação de livros) e no Mercado Livre (35 reais).
Os anseios fazem-me débil e fraco,
E não ouvem minha Vontade secreta.
Odeiam sempre a minha busca suprema,
Tornam meu ardor coisa abjeta.
Quanto a todos os meus desejos,
Chegará o dia, eu bem sei,
Em que buscarão a Tua Graça e a Ti somente;
Então em Ti brilharei.
Acima dos frutos e das ações eu,
Teu azul Olho-Compaixão azulado
Levará o meu coração e alma, o meu todo;
Em Ti sumirá o meu passado.
-Sri Chinmoy
My first friendship with the muse
Hoje estava lendo aforismos da série Seventy-Seven Thousand Service-Trees, que pessoalmente considero o magnum opus de Sri Chinmoy, com 50.000 poemas. Normalmente leio cinquenta deles (leva apenas cinco minutos) antes de pegar outros livros.
Hoje corri sem pausas por cento e cinquenta aforismos, perdi-me no vasto do tempo e fiquei emudecido de silêncio e beleza:
Eventually
Everybody’s life-possession
Shall end in
Infinity’s Nothingness.
To me, a self-giving
And self-effacing thought
Is, indeed, a perfect prayer.
God has given me
Two sleeplessly God-dreaming eyes,
And I have given Him
My gratitude-heart-tears
In return.
To feel God’s Love,
Always keep
A simplicity-life,
A purity-heart
And
A sincerity-mind.
Not my capacity,
But my Lord’s
Unconditional Compassion
Has enabled me to have
An illumination-mind,
Compassion-heart
And
Oneness-life.
When I give my Lord
All my weaknesses,
He tells me that
He wants to claim them
As His own
Before He strengthens them.
May my aspiration-heart-bell
Ring every morning
And every evening
Like a temple bell.
-Sri Chinmoy
Para terminar:
Eu sorrio para fazer
Você sorrir.
Eu choro para fazer
Você chorar.
Todo feito meu invoca
O Teu sol-vasto, inominado meneio.
Perguntas sobre meditação 27: meditando antes de comer
Pergunta:Por que devemos meditar em nossa comida antes de comê-la?
Sri Chinmoy: Antes de comer, é obrigatório meditar. Antes de fazer qualquer coisa, é recomendável para uma pessoa espiritual, meditar, pensar no Piloto Interior, o Supremo. O Supremo vem antes de tudo que façamos, Ele está no meio de tudo que fazemos, e Ele está no fim de tudo que fizemos. Se nós Se nós meditarmos antes de comer, Sua Compaixão desce até nós, e Sua Compaixão não é pequena em poder de energia. Logo, acompanhando a comida material, nós podemos receber poder de energia, então naturalmente, nós teremos benefício duplo da comida.
Secrets of the Inner World, p. 46-47
Pergunta:O que quer dizer “Annam Brahma”…Comida é Deus?
Sri Chinmoy: Comida é vida e vida é Deus. Deus é vida. A comida nos dá nova vida; ela nos energiza. Tudo que nos energiza é vida. A corrente da vida – e vida é Deus.
Secrets of the Inner World, p.44
Pergunta:Como podemos sempre sentir que comida é Deus?
Sri Chinmoy: Quando você reza e medita, você está compelido a sentir que está devorando a Paz, Amor e Luz de Deus. Então, quando você está comendo comida material, se você sentir que esta comida está mantendo você vivo ecom boa saúde, o que o habilita para rezar e meditar, naturalmente você pode manter ambos, comida e Deus, na mente. Quando você reza, você sente que Deus está vindo a você na forma de Paz, Luz e Felicidade, o que é sua comida verdadeira. Mas, quando você está comendo comida material, você sente que Deus, na forma desta comida, está mantendo você vivo.
Nesse momento, a comida realmente o ajuda a pensar em seu Amado Supremo. Portanto, ambos, comida e Deus, podem facilmente ser vistos juntos como um.
Perguntas sobre meditação 26: tirando os calçados para meditar
Pergunta:Por que você pede às pessoas para deixarem os sapatos do lado de fora e não levarem para sala de meditação?
Sri Chinmoy: Pedimos às pessoas para deixarem seus sapatos do lado de fora e não levarem para sala de meditação porque viemos aqui para aspirar. Quando viemos aspirar, temos que fazer com que nossa consciência física, nosso corpo físico, também aspire.
Com os sapatos, andamos o dia inteiro em ruas sujas, além disso, se entramos na sala de meditação calçados e tentamos meditar, todas as impurezas das ruas, entrarão na consciência da sala, em nossa consciência e na consciência de todas as pessoas que estão meditando. Naturalmente, isso nos atrapalhará. Além disso, devemos tomar nossa sala de meditação como um Santuário, um lugar sagrado. Lá vamos para comunhão com Deus.
Quando entramos em uma igreja, por respeito, tiramos os chapéus.
Da mesma forma, antes de entrarmos na sala de meditação, por respeito, tiramos os sapatos.
Perguntas sobre meditação 25: exercícios físicos e meditação
Pergunta:Porque você incentiva seus alunos a participarem e organizarem eventos de competição como triatlon e corridas de longas distâncias?
Sri Chinmoy: Eu incentivo e encorajo meus alunos a participarem e organizarem triatlons, corridas de longas distâncias como também curtas distâncias, precisamente porque sinto que o mundo precisa de dinamismo.
O mundo exterior precisa de dinamismo e o mundo interior precisa de paz. Somos todos buscadores; meditamos e rezamos para alcançarmos paz. Sentimos que se podemos ser dinâmicos, estaremos aptos a realizar muito em nossa vida exterior.
Para sermos dinâmicos, precisamos ter forma física a todo momento, e correr nos ajuda consideravelmente a manter uma boa forma. Também, o correr nos lembra de nossa jornada eterna na qual caminhamos. Marchamos e corremos ao longo da Estrada da Eternidade para nossa meta eterna.
The outer running and the Inner running, p-140-141.
Pergunta:Qual é o propósito espiritual dos esportes competitivos?
Sri Chinmoy: O nosso objetivo não é nos tornarmos os melhores atletas do mundo. O nosso objetivo é manter o corpo preparado, para desenvolver dinamismo e dar ao vital alegria inocente. O nosso objetivo não deve ser ultrapassar os outrosmas, constantemente ultrapassar as nossas próprias conquistas anteriores. Não podemos avaliar corretamente a nossa própria capacidade ao menos se tivermos uma tabela de comparação assim, não competimos para vencer os outros, mas para buscar nossa capacidade. A nossa melhor capacidade aparece quando há pessoas ao nosso redor.
Elas nos inspiram a buscarmos nossa maior capacidade e nós as inspiramos a buscar suas maiores capacidades. Por isso que temos esportes competitivos.
Sempre deve ter um objetivo.Ao se ter um objetivo não significa que temos que vencer os melhores corredores do mundo, longe disto.
Na vida espiritual, não há competição. Mas tem algo que é essencial, necessário e inevitável, que chamamos de progresso; queremos nos transcender. Se há outra pessoa conosco, imediatamente nossa mente ou a mente dos outros irão pensar que estamos competindo.
Na vida comum, competimos com os outros para alcançarmos supremacia.
Mas na vida espiritual, não estamos em competição com outros. Estamos apenas tentando transcender nossa própria capacidade.
Podemos pensar em nós como duas metades: imperfeição em uma das metades, e nosso sincero clamor por perfeição está na outra metade. Em um lado está a fraqueza e do outro está a força. Com nosso clamor interior pela perfeição, corremos em direção ao nosso destino e alcançamos a margem-iluminação. Quando nosso ser está completamente iluminado, o escuro e as forças da ignorância ficam com medo de vir até nós. Antes de abraçarmos o destino, elas nos desafiam. Mas uma vez que alcançamos a margem-iluminação, as forças da ignorância não ousam entrar em nós, pois sentem que serão totalmente destruídas. Elas não sabem que serão apenas transformadas e iluminadas.
The outer running and the Inner running, p-141-142.
Pergunta:Qual a importância para um aspirante espiritual se manter em boa forma física?
Sri Chinmoy: Boa forma física é de grande importância em nossas vidas. Se o corpo estiver em boas condições, poderemos realizar todas as nossas atividades bem. Por isto é importante, correr ou fazer exercícios físicos todos os dias para nos tornarmos fortes, saudáveis e dinâmicos. Se estivermos com boa forma física, estaremos aptos a não permitir que doenças e outros indivíduos não convidados entrem em nós.
No passado, as pessoas gostavam da malhação do corpo pois elas sabiam que se elas tivessem um corpo saudável, elas poderiam permanecer por mais tempo na terra. Se elas fossem espirituais, sentiam que em um corpo saudável permitiriam a elas continuar rezando e meditando por muito mais anos.
Hoje sabemos também que se o corpo estiver doente, não poderemos rezar e meditar bem. Por algumas semanas e meses. Podemos sofrer tanto física como mentalmente. Temos um corpo e uma alma. Uma pessoa espiritual tem que dar importância igual ao corpo e a alma. Se prestar atenção somente ao corpo. Se tornar fisicamente forte, mas espiritualmente fraco, não haverá paz na mente ou na felicidade interior. Normalmente, se prestar atenção apenas nas orações e meditações e negligenciar o corpo, este não será um instrumento afinado para revelar e manifestar Deus.
De manhã, Ele tentará rezar para Deus, mas terá que parar, pois tem uma dor de cabeça, estômago, revoltado e etc.
Se alguém não pratica nenhum exercício mesmo, o físico irá permanecer sem luz, letárgico e verdadeiro obstáculo para o aspirante.
Se a consciência física não aspira, ela se manterá separada da alma. Tenha certeza, então, que você nunca alcançará a perfeição. O físico deve aspirar em sua própria maneira para aumentar sua capacidade para abarcar a luz. O físico contribuirá com o espiritual e estará apto a aspirar e manifestar muito mais. Boa forma física e espiritualidade devem caminhar juntas. É como se ter duas pernas. Com uma perna eu não posso andar; preciso das duas pernas para alcançar o destino.
The outer running and the Inner running, p-142-144.
O seu correr exterior tem um papel muito importante não só na sua vida espiritual como também na comunidade mundial. Se as pessoas que aceitaram a vida espiritual não fazem a coisa certa, como é que podemos esperar dos outros que não são conscientes de sua existência interior, fazerem a coisa certa? E ficarei muito feliz e orgulhoso se você puder correr uma maratona.
…
Esta é a idade de ouro para vocês.
Vocês estão todos com menos de 40 anos. Quando tiverem mais de 50 anos, não importa quanto tentarem, vocês não conseguirão trazer para fora uma determinação física e vital que vocês têm agora. Haverá uma ou duas exceções, mas 99 em 100 pessoas acharão difícil depois dos 45 anos.
Se quiser satisfazer sua Divindade, por favor, por favor, corra regularmente.
Talk at Progress-Promise on the eve of the New York Marathon, 1985.
Perguntas sobre meditação 24 – canções espirituais
A música, como canções plenas de alma, está bem próxima da verdadeira espiritualidade, logo depois vem a poesia. A poesia também está bem próxima da espiritualidade. Mas, quando se trata de colocar ordem, primeiramente vem a musica, cantada ou tocada e depois a poesia. Se cantarmos canções plenas de alma -não rock n’ roll e etc…- estaremos aumentando nossa aspiração. Não podemos meditar vinte e quatro horas por dia, nem mesmo dezesseis ou oito horas. É impossível para meros seres humanos como nós. Mas se nos é pedido para cantar, mesmo se formos péssimos cantores, sem dificuldades podemos cantarpor três ou quatro horas por dia. Mesmo se não tiver nenhum talento para música se puder usar quinze ou dez minutos ou até mesmo cinco minutos por dia para aprender minhas canções, o ajudará muito em sua vida espiritual.
Mas se não tiver nenhum jeito mesmo para música, você pode utilizar seu tempo para meditação ou serviço.
Existem pessoas que não podem cantar, mas Deus, o Supremo, utiliza essas pessoas de outras maneiras, dessa forma, essas pessoas não precisam se preocupar.
Mas se tiver um pouquinho de talento, eu ficaria muito feliz se pudesse praticar e exercitar seu talento aprendendo algumas de minhas canções. Se puderes cantar uma canção com toda sua alma todos os dias,isto te ajudará definitivamente em sua vida espiritual. Sempre eu os pedirei para cantar. Fico muito feliz em ouvir minhas canções. É como uma riqueza perdida ou esquecida que volta para mim.
Dependence and Assurance p.48-49
Pergunta:Por que, Guru, suas canções sempre nos dão maravilhosos resultados?
Sri Chinmoy: Minhas canções dão resultados maravilhosos porque são minhas experiências interiores. A maioria das experiências que recebo das pessoas. Minhas experiências interioresque recebo de vocês – de suas elevações, de seus sofrimentos e alegrias.
Suas próprias experiências que trago para fora e uso para a humanidade. Elas são algo de vocês que secretamente eu furto.
Dos seus próprios modos, vocês não sabem como expressá-las, mas eu sei como. Por isso, quando recebe ou canta minhas canções, seu ser interior o faz sentir algo muito pessoal, apesar de seu ser exterior não estar ciente disto. Quando alguém lhe mostra ou diz algo sobre o que é seu, você fica extremamente feliz. Sua mente exterior não está ciente disto, mas seu ser interior está completamente ciente disto.
Father’s Day:Father with His European Children, p. 6-7
Pergunta:Como devemos ouvir seus discos?
Sri Chinmoy: Vocês devem ouvi-los plenos de alma. Terá o mesmo propósito da meditação, se ouvirem desta maneira. Ajudará muito em sua meditação ou aspiração.
Como o nosso Invocation ajuda, estes discos também ajudarão.
Perguntas sobre meditação 23 – entoando o mantra “Supreme”
Sempre digo aos meus discípulos para começarem suas meditações repetindo o mantra “Supreme” algumas vezes. O Supremo é “nosso guru eterno”: meu guru, o seu guru, e o guru de todos. Eu represento o Supremo apenas para os meus discípulos, que sabem que posso ajudá-los. Existem outros Mestres que representam o Supremo para seus discípulos. Pense no Supremo e repita a palavra “Supreme” algumas vezes cedo pela manhã.
Se puder cantar AUM com toda sua alma, também o ajudará bastante em sua meditação.
Pergunta:Como devemos entoar “Supreme” em grupo?
Sri Chinmoy: Por favor, imagine que você está em uma viagem.
Sinta-se como se estivesse num barco ou em outro lugar com outros peregrinos. Sempre sinta um movimento ao entoar. Não importa se for para cima, para baixo ou para dentro. Quando disser “Supreme” por favor, sinta que você está alcançando algum destino. Cada vez que entoar, sinta que você está transcendendo sua meta.
Palmistry, Reincarnation and the Dream State, p.15-16
Perguntas sobre meditação 22 – livros de Mestres espirituais
Se seu Mestre tivesse escrito somente um livro, ou mesmo se ele não tivesse escrito nenhum livro, há um livro em seus dizeres, e este livro é mais que suficiente para todos os discípulos que seguem seu caminho. Se você disser, “Eu já li todos os escritos de meu Mestre“, então você deve saber que lê-los só uma vez, não é suficiente. Você tem que ler e reler todos eles. Mas um livro pode dar a você mais inspiração que os demais. Logo, este livro em particular, você deve ler todo dia. Alguns discípulos lêem um livro uma vez e dizem,“Eu li este”. Se você ler com sua mente apenas, até mesmo se você ler a mesma linha hoje e amanhã, você não pode ter nenhuma inspiração. Mas se você ler com seu coração, de cada palavra você tirará aspiração ilimitada. Cada dia você verá nova luz nos escritos de seu Mestre. De cada palavra você terá uma nova luz. Na Índia, alguns buscadores selecionam um livro espiritual e o lêem várias vezes. Há setecentos versículos no evangelho indiano, o Bhagavad Gita. Leva-se três ou três horas e meia para o ler e há algumas pessoas que o lêem todo dia. Alguns buscadores não lêem nenhum livro. Eles lêem este livro repetidamente com o objetivo de serem purificados. E todo dia eles tiram nova inspiração, nova aspiração deste livro. Todos os dias você também pode ter uma nova revelação. O que é revelação? É o fruto de sua aspiração.
Logo, se vocês lerem os escritos de seu Mestre, não como lêem um jornal, mas com sentimento, “Hoje eu irei ter uma nova revelação”, então vocês são compelidos a tê-la.
Aspiration-Flames, p.47-48
Eu disse muitas, muitas vezes, para vocês lerem meus escritos. Isto é minha prece para vocês. Se vocês já compraram livros, por favor, leiam. Se vocês já leram os livros, então por favor, comprem um novo toda semana e leiam pelo menos cem páginas por semana.
Se vocês têm livros novos, vocês terão nova inspiração. E se vocês puderem ler livros velhos com um coração devotado, então cada um deles pode supri-los com nova inspiração. Se vocês lerem dez vezes seu livro favorito, cada vez terão nova inspiração.
ChinmoyFamily, Fev-Mar 1977 p.6
Pergunta:Seus escritos contêm uma força especial?
Sri Chinmoy: Meus escritos não são pensamentos emprestados, mas a expressão de minha própria experiência. Alguns filósofos, professores e estudantes pegam idéias de outros; as idéias sobre as quais escrevem, não vêm de sua própria realização.
No meu caso, minha gramática pode estar absolutamente errada, mas a consciência que eu revelo é uma consciência divina. Logo, mesmo se eu disser, “Eu vamos”, não há problema. Mas quando eu digo “Eu”, isto contém uma grande força espiritual e poder espiritual. Isto é assim não somente quando eu digo, mas quando todo Mestre espiritual diz.
No meu caso, como eu tenho escrito consideravelmente, eu digo a meus discípulos para lerem meus escritos primeiro. Veja quantos anos serão necessários para que meus escritos sejam lidos com a alma! Você deve marcar as partes que mais se destacam para você, e então, lê-las novamente. Sinta que essas partes são como mantras que você repete muitas e muitas vezes. Se você gostar de um poema, pode lê-lo todo dia, se quiser. Mas você deve ler tudo, ao menos uma vez, para fazer uma seleção. Se você não ler tudo uma vez, como saberá de qual parte gosta mais? Para fazer uma seleção, você vai a uma loja e seleciona aquilo de que mais gosta. Mas, sem ver tudo, como poderá escolher?
Se um discípulo ler meus escritos como forma de meditar em mim e no Supremo, então ele está em minha consciência. Se ele os ler uma segunda vez, então novamente irá capturar minha consciência.
Obedience or Oneness, p.16-17
Virá um tempo na vastidão dos séculos, quando milhões e bilhões de buscadores recitarão e repetirão alguns dos poemas que vocês estão recitando aqui e alguns outros poemas que eu tenho escrito ou escreverei no decorrer dos anos. Por ser muito franco com vocês, estes não são meros poemas; são expressões mântricas de… vocês completam a sentença.
Agora eu estou falando a vocês numa consciência puramente humana, do mundo humano. Repetindo os mantras Védicos, incontáveis pessoas atingiram os mais altos reinos de consciência. Vocês não estudaram os Vedas e os Upanishads em Sânscrito e vocês não têm que estudá-los. Se vocês estudarem meus poemas com o mesmo espírito que os buscadores de outrora estudaram e recitaram os Vedas e os Upanishads, aí você está compelido a ser libertado.
De minha profética visão da alma, de minha visão inconfundível e inabalável da alma eu lhes falo: Muitos,muitos poemas escritos por seu Guru, não apenas inspirará e iluminará, mas também libertará incontáveis buscadores na terra, da rede de ignorância. Eu estou muito feliz, muito orgulhoso que enquanto eu esteja aqui na terra, algumas de minhas crianças estão recitando e meditando nestes poemas, tão plenos de alma.
Meditação é de suprema, suprema importância. Mas quando estiverem cansados de meditação, estes poemas, que são chamados mantras, estão aptos a inundar todo seu ser com Paz, Luz e Deleite…
Quatrocentos livros estão vendo a luz do dia. Agora, nós encontramos trezentos e noventa e nove e na próxima semana, serão quatrocentos. Fora quatrocentos livros, haverá ao menos quarenta ou, digo, dez livros, ou sete livros -ao menos sete livros – que estarão aptos a alimentá-los sem reservas e incondicionalmente, todo o tempo. E vocês podem também ser uns leitores divinamente vorazes.
Uma conversa após discípulos recitarem poemas do Ten Thousand Flower-Flames, 8 Dez. 1979
O humano em mim escreverá muito mais poemas. Pode acontecer que o humano em mim exceda o número que já oferecemos ao mundo no espaço de um dia. Mas eu desejo dizer-lhes mais uma vez como já tenho dito, que isso não é um caso de quantidade versus qualidade. O Supremo em mim ordena que eu escreva poemas, e eu lhes asseguro que Ele também me dá a capacidade de conquistar a qualidade. O Supremo em mim e o poeta em mim andam juntos. O Supremo é de imediato minha visão interior e meu julgamento exterior juntos.
Algumas pessoas que eu jamais vi, que não são meus discípulos no plano exterior, estão fazendo grande progresso-progresso mais rápido que meus discípulos de terceira ou quarta classe, a quem eu vejo freqüentemente. Esses buscadores estão obtendo muita ajuda de mim, no mundo interior. Recentemente, um livro meu, Alimento para a Alma, foi publicado. As pessoas o estão comprando e lendo e eu sou muito grato a elas. Meus escritos são minha consciência. Alta ou baixa, eles são minha consciência, e aqueles que lerem meus escritos podem entrar em minha consciência. Como estão se concentrando em importantes palavras-chave, meu ser interior vem e me diz.
Eu não sei seus nomes, mas no mundo interior eles estão obtendo ajuda abundante de mim.
Dependence and Assurance, p.27-28
Pergunta:O que podemos ganhar, lendo seu livro de aforismos, Alimento para a Alma?
Sri Chinmoy: Alimento para o corpo é necessário a todos.Todos nós sabemos o que é. Meditação é alimento para a alma. Todo dia, você pode entrar em sua mais alta consciência, se quiser, apenas meditando neste livro de aforismos. Eles são o alimento para sua alma. Leia-o e você verá que a luz está correndo em sua direção, a paz está correndo para você, a felicidade está correndo até você, a iluminação está correndo para você.
Obedience or Oneness, p.20
Pergunta:Antes de vir para o seu caminho, eu estava fazendo muitas leituras. Eu fui aconselhado a parar tudo, e eu fiz. Mas eu estou começando a sentir que talvez eu deva continuar.
Sri Chinmoy: Se você estudar meus textos, você estará tomando a minha consciência. Se você estudaroutros mestres espirituais, sem problema; não há disputa entre mim ou outros Mestres espirituais. Todos têm o direito de falar a verdade em sua própria maneira. Mas se eu disser uma coisa, e outro Mestre disser a mesma coisa de maneira diferente, você pode ficar confuso. Se quiser estar em meu barco, será melhor para você estudar meus escritos. Então depois, se você ler outros, nesse momento sua base estará forte, já que você sabe onde é a sua casa. Primeiro, você está bem estabelecido em seu lar espiritual, então você pode ir para outras casas, e ver o que elas têm. Mas eu sempre aconselho às pessoas primeiro saber onde sua própria casa é.
Perseverance and Aspiration, p.48-49
Eu desejo aconselhá-los a lerem livros sobre Mestres espirituais. Se vocês desejam ler sobre a espiritualidade indiana, vocês podem ler os livros que foram escritos sobre Swami Vivekananda. Outros foram escritos sobre Sri Ramana Maharshi e Sri Aurobindo. Se vocês lerem sobre a vida dos grandes Mestres, vocês estão impelidos a serem inspirados.
Perguntas sobre meditação 21: como esquecer o passado
Pergunta:Como posso me assegurar de estar fazendo um bom progresso se o meu passado não era nada aspirante?
Sri Chinmoy: Suponha que por dezessete anos você fumou, bebeu e usou drogas, mas hoje você não está mais fazendo essas coisas. Você viu que aquilo era ruim e então o cortou, como a parte de uma fruta que está podre. Agora a obscuridade e a impureza estão indo embora da sua consciência e novamente você está se tornando luminoso. Hoje você está clamando por perfeição.
Antes você era todo imperfeição. Agora você é cinqüenta por cento perfeito e a sua perfeição está aumentando. Agora você está obtendo sólidas experiências. Você está crescendo na luz. Então, por que se preocupar com seu passado impuro e obscuro? Pense somente no futuro. Eu sempre digo: “O passado é pó”. Não olhe para trás. Viva apenas na imediação de hoje e cresça no futuro dourado.
Perguntas sobre meditação 20: como manter a disciplina para meditar
Pergunta:Como podemos dar o primeiro passo na direção de uma disciplina construtiva em nossa prática meditativa?
Sri Chinmoy: Vamos tomar a disciplina como um músculo. Não podemos desenvolver músculos muitíssimo poderosos da noite para o dia. Devagar e aos poucos temos de desenvolvê-los. Primeiro, você deve saber por quantos minutos consegue meditar. Se consegue meditar por cinco minutos, significa que nesses cinco minutos você está se disciplinando. De manhã cedo, enquanto seus amigos e seus parentes ainda estão no mundo do sono, se você se levanta para rezar e meditar por cinco minutos, está se disciplinando.
Como você pode aumentar a sua disciplina? O jeito mais fácil é desenvolver uma sede verdadeira, um choro interior, pelos frutos da disciplina. Você pode fazer isso vendo o que acontece quando leva uma vida disciplinada e quando não leva uma vida disciplinada. Você mesmo tem de ser o juiz. Ao se levantar às cinco ou seis horas e meditar por quinze minutos ou meia hora, você se sente extremamente bem. Você sente que o mundo inteiro é belo. Você ama a todos e todos o amam. Acriação de Deus é todo amor por você. Porque você se levantou e meditou por alguns minutos, está inundado com bons pensamentos. Cada pensamento é um mundo em si mesmo. A realidade diária que vemos à nossa volta não é o único mundo. Existem muitos mundos. Por ter se levantado e meditado, você está correndo, pulando e voando nos mundos de bons pensamentos, da beleza, da alegria, da paz e da luz.
Mas no dia em que não se levanta cedo para meditar, você odeia o mundo, odeia a si mesmo, e sente que todo o mundo o odeia. Portanto, você mesmo pode ver a diferença. Não é que você nunca tenha meditado de manhã cedo. Os resultados positivos você já teve várias, várias vezes. Muitas vezes você meditou e muitas vezes não meditou. Você sabe o resultado de cada um. Se for esperto, se for sábio, as boas coisas você vai repetir sempre e as coisas ruins você vai evitar.
Se você está achando difícil disciplinar-se para fazer alguma coisa, veja o resultado. Se você subir em uma árvore, conseguirá frutas muitíssimo deliciosas. Se não subir, não conseguirá as frutas. Você vê que, quando alguém é disciplinado, pode subir e apanhar a manga mais deliciosa e comê-la para a alegria do seu coração. Se você se disciplinar, também poderá fazer o mesmo. Desse jeito, conseguirá uma tremenda satisfação. Por pensar nessa satisfação, você pode facilmente se disciplinar. Não há outra maneira.
Você está vendo pessoas à sua volta que estão chafurdando nos prazeres da preguiça. Existem muitas no barco-preguiça. Mas você pode dizer: “Não, não quero mais ficar nesse barco. Quero ter um novo barco, o barco que navegará em direção à Margem Dourada, em direção à Meta”. Depende de você. Você pode facilmente se disciplinar a si mesmo lembrando-se da alegria que consegue quando se disciplina e da infelicidade que tem quando não age assim.
What I Need From God, p. 20-23
Pergunta: Como podemos achar alegria numa disciplina rígida?
Sri Chinmoy: A mente chama a isso de disciplina. O coração chama a isso de um processo pelo qual alcançamos alguma coisa ou ganhamos alguma coisa. A alma não chama a isso nem mesmo de processo. A alma sente que o que chamamos de disciplina não só incorpora a realidade-deleite, mas é a própria realidade-deleite.
Qualquer coisa que queiramos fazer é imediatamente vetada pela mente. Mesmo se esta quis alguma coisa há dois dias ou há dois anos, ela estará pronta para vetar a mesma coisa agora. Essa é a nossa mente malandra. Mesmo se ela quis alguma coisa ontem, hoje ela jogou fora a sua vontade consciente. Com o nosso coração ou com o nosso vital nós queremos algo, mas a nossa mente logo diz: “Não, não pegue isso”. Portanto, disciplina na nossa vida comum nada mais é do que punição, precisamente devido à má vontade da mente.
Aqui nos Estados Unidos vocês não sofreram de malária e eu espero que ninguém jamais venha a sofrer dessa doença. Na Índia, como sofri de malária! Uma vez, meu irmão mais velho e eu ficamos doentes no mesmo dia. Vocês não podem imaginar o quão doloroso isso é. Todos os nervos sutis e pesados começam a dançar. Que dor! Você simplesmente grita e berra. Antes dela, talvez você não saiba nenhuma acrobacia ou exercício especial, mas assim que você pega malária vira um especialista. Com os seus exercícios, você pode competir com os melhores acrobatas. A dor o obriga a isso. Numa outra hora qualquer, se você me pedisse para fazer aquele exercício, eu diria: “impossível!” Mas quando peguei malária, estava com tanta dor que poderia fazer todos os tipos de acrobacias.
O único remédio que temos contra a malária se chama quinina. É extremamente, extremamente amargo. Nenhum outro remédio é tão amargo quanto a quinina. Mas quinina é a salvação. Se não aceitamos a salvação, como vamos nos livrar da nossa febre? A ignorância nos domina. A ignorância é o nosso mestre, mas não queremos mais esse mestre. Precisamos de alguém mais forte do que o nosso mestre atual, alguém que possa derrotar o mestre atual. Queremos conhecimento para sermos nossos próprios mestres. Ele na forma de disciplina, que é como quinina. Se aceitamos essa disciplina, então podemos vencer a ignorância. Temos de saber que a disciplina é o nosso novo mestre, novo guia, novo salvador. Vamos dar o mais alto posto à disciplina.
Hoje, ao pensar em disciplina, você sente que ela nada mais é do que uma punição encarada a todo momento. Mas tente sentir que ela é a sua ajuda, a sua guia, a sua inspiração, a sua aspiração, até mesmo a sua realização. É a disciplina que pode e vencerá as forças não-divinas em você e ao seu redor. Pense na disciplina como um novo mestre que está ajudando você a aprender alguma coisa nova, significativa, plena e frutífera. Assim, você não precisa aprender mais nada do seu velho mestre. Seu velho mestre era a letargia, a escuridão, a ignorância e todas as forças negativas. Agora você tem de dar à disciplina o valor máximo. Ela é o seu novo mestre. Ela incorpora luz e está mais do que disposta a oferecer luz a você. Só assim você não ficará com medo da disciplina. Pense no que você não tem agora e que ela dará a você. Ao fazer esse tipo de comparação, você verá que está nadando no mar-ignorância e que a disciplina está lhe dizendo: “Pobre garota, por que está sofrendo? Eu tenho luz, deleite, paz e felicidade em quantidade ilimitada. Venha aqui, é tudo para você.” Então você vai lá, onde tudo é luz e deleite. E quem está lhe dando essa luz, esse deleite? A disciplina, sua guia, sua salvadora.
Perguntas sobre meditação 19: mantendo o entusiasmo para meditar
Pergunta:Como podemos saber se é falta de desejo ou falta de energia que nos impede de meditar?
Sri Chinmoy: Você quer meditar, mas está faltando entusiasmo. Todos os dias você faz a mesma coisa, logo ela se torna tediosa e monótona. Você vai à pista e corre, mas o entusiasmo interior não está lá. É por isso que você não corre o mais rápido possível todos os dias. Você está pronto no plano físico: é pontual, tem suas roupas esportivas. Tudo está pronto, mas dentro de você não há inspiração, não há aspiração. Você sente que quer brandir a sua varinha mágica e então, instantaneamente, irá e correrá o mais rápido possível. Mas para correr o mais rápido possível, um verdadeiro anseio, uma inspiração interior é necessário.
Se realmente quer ter sucesso, esse anseio interior é uma coisa de que precisa, mas para satisfazer as exigências do anseio, algo a mais é necessário, e esse algo a mais é o entusiasmo. Todos os dias, devemos sentir de maneira sincera, devotada e plena que hoje é a última chance que temos para realizar o Supremo. Por um lado, estamos lidando com o Infinito e a Eternidade mas, por outro, estamos correndo contra o Tempo Eterno. Temos de sentir que este é o último dia para nós, absolutamente o último dia – que amanhã não nos será dada uma outra chance. Se não realizarmos Deus hoje, estaremos perdidos. Nossa chance será dada a uma outra pessoa. Se alguém aspirou mais do que nós, então ele conseguirá a chance, e nós, não. Mas se aspirarmos mais, conseguiremos a chance.
Perguntas sobre meditação 18: seguindo apenas um caminho
A espiritualidade é apenas uma matéria. Não é como história, geografia, ciências e matemática, para as quais você precisa de diferentes aulas. Ela é só uma matéria, e por isso é aconselhável caminhar por uma via. A Meta é uma e está num lugar em particular. Se mudarmos constantemente de estrada, então o nosso progresso naturalmente será lento. Hoje preferimos uma estrada e amanhã sentimos que existe uma outra que poderá nos levar mais rápido à Meta. Estamos apenas mudando de uma estrada para outra e não estamos fazendo progresso em nenhuma delas. Cada caminho é correto à própria maneira dele. Nenhum caminho é imperfeito. Mas temos de saber qual é o caminho que nos satisfaz mais. Uma vez que descobrimos o caminho da escolha da nossa alma, se caminharmos só por aquela via, atingiremos o nosso destino mais cedo do que de outra forma.
SriChinmoy Speaks 4, p. 60
Pergunta: Eu fui iniciado por um Mestre, mas outro Mestre me deu alguns conselhos sobre a minha vida espiritual. Devo seguir os conselhos dele?
Sri Chinmoy: Se você foi iniciado por um Mestre, é sempre melhor falar com o seu próprio Mestre. O Mestre é como o seu médico particular. O médico sabe qual remédio já deu a você. Mas se você sentir que ele não pode curá-lo, naturalmente irá a outro médico. De maneira semelhante, caso você não sinta confiança no seu Mestre e queira mudar, um outro Mestre será capaz de ajudá-lo e guiá-lo. Mas se você estiver sob a orientação de um Mestre espiritual, não será aconselhável seguir as recomendações de outro Mestre.
Palmistry, Reincarnation and the Dream State, p. 42
Se você tem um retrato bonito de um deus ou de uma deusa, pode usar essa imagem como inspiração. Mas se você se concentrar nela, meditar nela, haverá uma tremenda, tremenda confusão. Num dia você olhará para essa imagem e rezará, no dia seguinte rezará para uma outra deusa, no terceiro dia para outra pessoa e no quarto dia para mim. Então eu ficarei desamparado. Portanto, sempre digo aos meus queridos discípulos para se fixarem em mim assim como eu me fixo neles a todo o momento. Você pode ter outras imagens inspiradoras caso deseje, mas não para uma outra finalidade.
Dependence and Assurance, p. 8
Pergunta:Guru, às vezes recito o Mantra Gayatri, embora eu seja um discípulo seu. Estou fazendo a coisa certa?
Sri Chinmoy: Se estiver fazendo o Mantra Gayatri, ele será muito eficiente. Mas se usar um outro mantra, dado por um outro Mestre, e se você estiver seguindo o meu caminho, então será um problema. Se for um outro mantra, você não tem idéia do que ele fará. Talvez até seja uma palavra espiritual, é verdade, mas a sua natureza pode não corresponder àquele aspecto particular de Deus.
Cada mantra representa um aspecto particular de Deus. Se agora mesmo você precisar do poder-Amor de Deus mais do que de qualquer outro poder, e se não der nenhuma atenção ao poder-Amor, então o seu progresso será muito lento. Mas uma vez que realiza Deus, todos os aspectos Dele entram em você. Freqüentemente eu digo aos discípulos que aceitaram o nosso caminho para não praticarem os antigos mantras que aprenderam de outros Mestres ou de livros. Esses mantras se tornam uma obstrução no caminho. Os discípulos querem ser totalmente devotados ao nosso caminho; mas as forças e a energia que eles criaram ao repetir essas determinadas palavras divinas podem interferir no progresso espiritual deles. É como caminhar por duas estradas ao mesmo tempo: é muito perigoso.
Pergunta:Antes de ser um discípulo, eu estava estudando Tarô e a Cabala. Isso entrará em conflito com o nosso caminho caso continue a fazê-lo?
Sri Chinmoy: O melhor é não fazer essas coisas. Você está num barco diferente, num barco que somente o encorajará a amar a Deus e a devotar a sua existência a servir a Deus. O melhor é tentar seguir o nosso caminho com o coração. Eu não quero dizer que os outros estão errados, mas você terá mais sucesso neste caminho se procurar segui-lo com o coração.
Sri Chinmoy Speaks 6, p. 43
Existe só um Mestre e este Mestre é Deus, o Absoluto Supremo. Um Mestre espiritual é apenas um irmão mais velho na sua família. Os irmãos mais novos não sabem onde o Pai está ou eles não sabem tudo sobre as capacidades do Pai. O irmão mais velho ensina-os sobre as capacidades do Pai ou leva-os ao Pai. Então a parte dele terminou. Portanto, não haverá conflito se você seguir o meu caminho porque eu não sou a meta. Sou apenas um mensageiro: levarei você ou a sua mensagem ao Supremo.
Se eu disser que o meu Hinduísmo é, de longe, a melhor religião, e se você disser que o seu Cristianismo é, de longe, a melhor religião, nós só discutir e brigar. Mas dizemos: “Não, você continua na sua religião e me deixa continuar na minha, e vamos nos juntar para fazer alguma coisa maravilhosa para Deus e para a humanidade”. Nós nos juntaremos e faremos o necessário. Então voltaremos às nossas respectivas casas, nossas religiões, para descansarmos.
Quando seguimos um caminho, não encorajamos nenhum buscador a olhar com desprezo a religião. Pelo contrário: sentimos que o nosso amor pela religião é fortalecido porque seguimos o Yoga. Yoga significa unicidade com Deus. Se pudermos estabelecer a nossa unicidade com Deus, ou se pudermos ter um livre acesso ao Coração de Deus, poderemos acrescentar nossa força, nossa luz, à nossa própria religião. Mas virá um dia em que conseguiremos luz do interior, quando o nosso ser estiver repleto de luz. Nesse momento seremos capazes de oferecer luz à religião.
SriChinmoy Speaks 6, p. 42-43
Pergunta:Que atitude deveríamos tomar em relação a religiões diferentes da nossa?
Sri Chinmoy: Assim como Deus nos deu uma livre escolha para seguir qualquer caminho, devemos dar liberdade aos outros para seguirem o caminho deles. Existem dezenas de estradas que levam a Deus. Cada indivíduo tem o direito de escolher aquele que seja condizente com o seu temperamento, o seu grau de evolução e as suas necessidades presentes. Aceitação e tolerância são excelentes. Entretanto, podemos ir até mesmo mais adiante, e sentir que a religião de outra pessoa é tão importante, tão necessária para ela, quanto a nossa é para nós.
É verdade que, quando estamos numa família, é muito difícil de se governá-la quando todo mundo está num caminho diferente. E existe uma grande tentação em dizer: “Você é um tolo, está perdendo o seu tempo naquele caminho”. Mas devemos dar a cada pessoa a liberdade interior de escolher o caminho dela.
Ao mesmo tempo, temos o direito de inspirar os outros com o nosso entusiasmo e devoção ao nosso caminho. Mas se eles não são receptivos, se discutem conosco, é melhor oferecer-lhes a nossa luz silenciosamente e interiormente. À noite, quando todos estão dormindo e numa consciência pacífica, podemos colocar toda a nossa aspiração mais doce e mais pura na consciência daquele que queremos influenciar. Agindo silenciosamente, podemos ajudar a trazê-lo ao nosso caminho, o qual sentimos ser o melhor para ele.
Você deveria seguir firmemente o seu próprio caminho, e não se preocupar em apertar a mão de outra religião, até que você e a outra pessoa tenham chegado à meta. Se você vai àquele e àquele outro templo, àquela e àquela outra igreja, nunca fará progresso. Você deve escolher um caminho e segui-lo até o fim. Então você poderá apertar a mão de seguidores de outros caminhos. Se tentar apertar a mão no meio do caminho, será tentado a quebrar os braços dos outros.
Aum, March 1980, p. 25-26
Pergunta: Venho tendo experiências telepáticas com pessoas que se chamam de mágicos. Converso com eles enquanto estão em outros lugares. Posso entrar nesse reino quando quiser. Estou curioso em saber como você responderia a essas experiências.
Sri Chinmoy: Do mais elevado ponto de vista espiritual eu gostaria de responder à sua questão. Essas experiências o ajudarão a ir mais rápido em direção à sua meta? Não, não ajudarão. Essas experiências são fascinantes, indubitavelmente, mas nunca o levarão à realidade. Pelo contrário: elas são tentações noseu caminho para a realização em Deus, a elevadíssima Verdade. Em nossa vida espiritual, muitas vezes temos experiências fascinantes e não queremos mais aspirar. É verdade que essas experiências podem nos incentivar, mas muitas vezes, quando temos experiências demais, entramos no mundo vital. Vemos um caleidoscópio: vemos todos os tipos de coisas belas, mas elas são só tentações. Suponha que você esteja andando por uma rua em direção a um lugar específico. Se vê árvores, flores e lagos bonitos pela rua, o que acontece? O cenário é tão bonito que você acaba descansando. Você diz: “Deixe-me ficar aqui e apreciar isso,” e então para e aprecia a paisagem. Mas o seu destino permanece uma meta distante.
Um buscador sincero sabe que a meta dele é a Verdade mais elevada. Ele não adiará a jornada. Mas, no seu caso, posso ver que você aprecia essas experiências; você dá a elas a sua atenção consciente. Isso é muito errado. Na vida espiritual, aspiramos pela mais alta Verdade, por Deus, e por nada mais. Essas experiências são verdadeiras tentações para você. Você deveria sentir: “Tendo realizado Deus, terei experiências infinitamente mais belas, significantes e frutíferas”. Com essa idéia, você deveria deixar de lado essas experiências telepáticas. Se sente que entrando nessas experiências ou permitindo que elas entrem em você, acalentando-as, conseguirá experiências mais elevadas, está enganado. Você não irá nem um pouco mais adiante. Se insistir nelas a toda hora, se estiver constantemente fascinado por elas e sentir que é parte delas, será pego por essas experiências. Muitas pessoas cometeram esse engano, e para elas a realização em Deus permaneceu uma meta distante.
Buscadores sinceros tomam essas experiências como obstruções no caminho. Por favor, não dê atenção a esses tipos de experiências. Elas são fascinantes, mas não estão satisfazendo a sua vida de dedicação, realização e manifestação. De manhã cedo, tente silenciar a sua mente. Se conseguir silenciar a sua mente, não terá essas experiências. Elas estão vindo do mundo vital até você. Você está acalentando essas criações do mundo vital e tentando colocá-las à sua disposição, como se fossem muito suas. Mas elas não podem levá-lo à Meta mais elevada. Se a sua intenção é o Altíssimo, então essas coisas têm de ser descartadas. Quero que você vá até alguém que o inspire a entrar no reino da pura aspiração. Você será capaz de trazer à tona a luz da sua alma e correr o mais rápido possível em direção à Meta mais elevada.
Fifty Freedom-Boats to One Golden Shore 6, p.71-73
Pergunta: Agora mesmo estou num tratamento de psicanálise, mas parece que, quanto mais fico envolvido com a espiritualidade, mais difícil me é falar sobre ela com o meu analista. Sinto que as coisas oferecidas pela psicanálise não são realmente o que eu quero. E, ainda assim, o meu analista, que me parece ser uma pessoa muito forte, está relutante em me deixar ir embora. E não sei se existe alguma possibilidade de reconciliação entre eu e ele.
Sri Chinmoy: Se um amigo seu vem e lhe dá uma manga deliciosíssima, você comerá imediatamente a manga ou fará um milhão de perguntas a ele: onde ele a conseguiu, quanto ela custou e se ela foi importada ou cresceu no Brasil? Na vida espiritual, existem dois tipos de buscadores. Um apenas verá a realidade e imediatamente tentará se tornar a própria realidade. O outro imediatamente começará a contestar a realidade, examinar a realidade e duvidar da realidade. Se usarmos a mente, tentaremos sempre analisar tudo e nunca experimentaremos a realidade. Mas, se usarmos o coração, conseguiremos imediatamente aquilo que queremos.
Portanto, se você realmente quer seguir a vida espiritual, tem de permanecer no coração. Então, essa psicanálise mental não terá nenhuma utilidade. Você já sente que ela não lhe oferece o que quer. Se você tem uma pergunta sincera, só existe um lugar em que se consegue a melhor resposta e ela é da alma. A alma responderá a você através do coração. De outra maneira, não importa que tipo de resposta obtenha, seja da sua própria mente ou do seu psicanalista, a sua mente vai duvidar e contradizê-la. Ela vai contradizer todas as sugestões e todos os conselhos e, alguns segundos depois, duvidará da própria descoberta. Mas quando o coração dá uma resposta a você, a realidade é permanente.
Perguntas sobre meditação 17: o significado da entrega espiritual
Pergunta:Eu não sou um seguidor do seu caminho, mas às vezes penso sobre o caminho da devoção e entrega e, quando o faço, minha cabeça parece lutar contra ele muito energicamente. Ela diz: “Não, você não pode se entregar”, porque não me sinto como se soubesse exatamente para o que estou me entregando. Ela me faz sentir que estou agindo de uma maneira cega.
Sri Chinmoy: Você não precisa seguir o nosso caminho, mas eu gostaria apenas de esclarecer que a entrega, se entendida apropriadamente, é a coisa mais fácil que existe. Mas se não é entendida apropriadamente, ela é a coisa mais difícil do planeta. No mundo, quando vivemos na consciência física, nunca queremos nos entregar a outra pessoa. Mas quantas vezes por dia nos entregamos à ignorância dentro de nós mesmos, apesar de sabermos que estamos fazendo algo de errado? Nós sentimos: “Tudo bem, somos mesmo incapazes”, e nos entregamos. A mente mais elevada nos diz que estamos fazendo algo de errado, mas ela se entrega devido à unicidade dela com a mente mais baixa.
Muitas coisas são assim. Suponha que um amigo seu está fazendo alguma coisa errada, e ele pede um favor a você. O que você faz? Você presta o favor, porque ele é seu amigo, apesar de tudo.
Mas tomemos agora somente o lado positivo. Se sentirmos que nosso corpo inteiro pertence a nós, clamaremos a nossa cabeça como nossa e os nossos pés como nossos. Talvez eu sinta que a minha cabeça tem algo que os meus pés não têm. Digamos que a minha cabeça tem iluminação. É difícil para a cabeça atingir a iluminação antes do coração, mas digamos que a cabeça é mais elevada que os pés. Portanto, a cabeça tem alguma riqueza. Eu clamo a minha cabeça como minha e os meus pés como meus. Diminui a dignidade dos meus pés conquistar a mesma coisa que a minha cabeça está mais do que pronta para dar a eles? Não, pés e cabeça são um. Num momento preciso da ajuda de minha cabeça, noutro preciso da ajuda de meus pés. Somente pela minha unicidade, minha unicidade consciente, com os meus pés e com a minha cabeça, obtenho a riqueza deles. Essa é a verdadeira sabedoria.
De maneira semelhante, quando nos entregamos a Deus, nós nos entregamos à nossa parte mais elevada, porque Deus é a nossa parte mais iluminada. Não podemos separar Deus da nossa existência. Se sentimos que nós e Deus somos um, então Deus é a nossa parte mais iluminada, e nós, por enquanto, somos a parte não iluminada. Somos espertos, somos sábios. Sabemos que a pessoa que foi iluminada, que é toda iluminação, é também parte e parcela de toda a nossa existência. Logo, vamos até a pessoa e recebemos Dele. Se entendemos entrega dessa maneira, não há problema.
Mas se entendermos entrega como a entrega de um escravo ao seu senhor, nunca seremos capazes de sentir a nossa unicidade. O escravo se entrega ao senhor por medo. Ele teme que seus serviços sejam dispensados caso seu trabalho não seja bem feito. Ele sente que, não importa o que tenha feito, mesmo que tenha feito tudo pelo senhor de maneira plena, devotada e até mesmo incondicional, ainda assim não há garantia de que o senhor dará a ele aquilo que o escravo quer ou que o senhor ficará realmente satisfeito com ele. Mas quando oferecemos a nossa existência a Deus, temos o sentimento de unicidade entre Pai e filho ou Mãe e filho. O filhinho sempre sente que tudo aquilo que o pai dele tem é dele também. O pai tem um carro. O filho tem apenas três anos de idade, mas diz: “Eu tenho um carro”. Ele não precisa dizer: “Meu pai tem um carro”. Ele simplesmente dirá: “É o meu carro, nosso carro”.
Portanto, se mudarmos a nossa compreensão sobre a nossa relação com Deus, não haverá problema. Se Ele tem Paz, então temos todo direito de clamar a Paz Dele como nossa. Ele é o nosso Pai, nós podemos herdá-la. Porque Deus é o nosso Pai, porque Deus é a nossa Mãe, podemos ter esse tipo de sentimento. Se sentirmos que somos escravos de Deus e Ele é o nosso Senhor Supremo, que estamos aos Pés Dele e teremos de fazer tudo por Ele, então não teremos nenhum sentimento interior, nenhuma convicção, nenhuma garantia de que ele nos satisfará. Mas se temos o sentimento de unicidade entre Pai e filho, entre Mãe e filho, onde está o problema?
Nós não entregamos nada; somente nos tornamos cientes de que pertencemos a alguém que possui tudo. Apenas clamamos tudo e possuimos tudo a qualquer momento. Para os pés, sentir unicidade com a cabeça não é difícil de maneira nenhuma, porque eles sabem que ela também precisa da ajuda deles muitas vezes. Igualmente, quando aspiramos, sentimos que Deus precisa de nós de modo equivalente. Assim como precisamos Dele para realizar o Altíssimo, a Verdade Absoluta, Ele também precisa de nós para a Manifestação Dele. Para nossa realização, precisamos muitíssimo Dele; para Sua Manifestação, perfeita Manifestação, Ele precisa de nós. Sem nós Ele não Se manifesta ou não pode Se manifestar. Se não diminui a dignidade de Deus tomar uma pequena ajuda de pessoas ignorantes para a Manifestação Dele na Terra, como pode diminuir a nossa dignidade pedir a Deus um pouco de Paz, Luz e Felicidade?
Precisamos estabelecer a nossa consciente unicidade com Deus. E então não haverá entrega, mas apenas um mútuo dar e receber.
Inspiration-Garden and Aspiration-Leaves, p. 37-40
Perguntas sobre meditação 16: seguindo a voz e orientação interior
Pergunta:Podemos responder às nossas próprias perguntas através das nossas meditações diárias?
Sri Chinmoy: Qualquer pergunta pode ser respondida durante a meditação ou ao final da meditação. Se você mergulhar profundamente no seu interior, estará destinado a conseguir uma resposta. Mas, quando consegui-la, por favor, tente determinar se ela vem da alma, do coração ou da mente. Se ela vier do coração ou da alma, você obterá um sentimento de alívio, um sentimento de paz. Você verá que nenhum pensamento contraditório se segue à resposta. Mas se a resposta não vier do seu coração ou da sua alma, a mente virá à tona e vai contradizer a idéia recebida.
Pergunta:Se nós, discípulos seus, temos dúvidas quanto ao decorrer de uma ação e não sabemos qual é a vontade do senhor, como podemos decidir o que fazer? Meditar na foto do senhor vai solucionar a questão?
Sri Chinmoy: Vocês podem meditar na minha foto. Durante a meditação, conseguirão a resposta ou não. Não há uma regra predeterminada. Mas se conseguirem um tipo de alegria interior com uma resposta, então será a resposta correta. Se não há alegria, então a resposta não está vindo da foto. Está vindo da mente.
Há outra coisa importante que gostaria de dizer. Sempre que tiverem sonhos ou visões, por favor, não tentem interpretá-los ou pedir a outras pessoas que os interpretem, pois vocês vão cometer um erro terrível. Se vocês tiverem uma visão ou uma experiência interior, mergulhem profundamente em seus interiores e descubram o significado ou me perguntem sobre o significado. Se tiverem uma experiência maravilhosa, escrevam para mim. Posso não responder exteriormente ou dar uma mensagem interior específica, mas vou abençoá-los e apreciarei suas experiências. Se tiverem uma experiência realmente divina, meu ser interior saberá imediatamente.
Meditation: God´s Duty and Man´s Beauty, p. 55-56
Pergunta:Como podemos separar a voz da alma das vozes do intelecto e das emoções?
Sri Chinmoy: Podemos facilmente separar a voz da alma da vida emocional e da vida intelectual. Quando fazemos algo, o resultado vem ou na forma de sucesso ou na forma de fracasso. Quando seguimos os ditames da alma, se o resultado de nossas ações é o sucesso, não nos vangloriamos aos céus e não nos esquecemos do mundo da realidade. Não perdemos o nosso equilíbrio. E se o resultado vem na forma de fracasso, não ficamos deprimidos ou desconsolados. Quer tenhamos sucesso, quer tenhamos fracasso, com a mesma alegria, felicidade e perfeita equanimidade colocaremos o resultado aos Pés do Senhor Supremo.
Mas quando fazemos alguma coisa movidos pelas nossas convicções intelectuais ou pelos nossos sentimentos emocionais, agimos de uma maneira diferente, dependendo do sucesso ou do fracasso de nossas ações. Quando agimos de acordo com os ditames do intelecto ou das emoções, esperamos algo da nossa própria maneira. Se o resultado não equivale às nossas expectativas, ficamos frustrados e desapontados, e a nossa frustração crescente é a destruição. Mas se são os ditames da alma que colocamos em prática, sentiremos sempre serenidade, paz e tranqüilidade no resultado de nossas ações. Veremos e sentiremos que o resultado nada mais é que uma experiência que vai elevar, aprofundar, ampliar, iluminar e aperfeiçoar a nossa consciência.
Quando ouvimos os ditames da nossa alma, sabemos que não somos nós que fazemos; quem faz é Deus. Somos o instrumento, e Deus, o Autor, está realizando uma experiência em e através de nós, da inimitável maneira Dele. Apenas oferecemos a nossa experiência ao Piloto Interior e a colocamos aos Pés Dele. Se não tivermos um sentimento de separação, poderemos sentir que Ele é o único a realizar a experiência em e através de nós e que Ele é a própria experiência.
Earth-Bound Journey and Heaven-Bound Journey, p. 65-66
Pergunta:Guru, às vezes quando medito ou quando estou confuso, ouço uma voz em meu interior que se parece com a sua. É você mesmo ou é alguma coisa diferente?
Sri Chinmoy: A sua alma está dando a mensagem a você, e está em contato direto comigo, com a minha elevação espiritual, com a minha luz, com as minhas capacidades interiores. É a minha mensagem que a sua alma está expressando em sua mente física. Se a mensagem vier num silêncio sublime e você aceitá-la de maneira plena e devotada, ela será sempre eficiente. Não duvide dela. Não use a mente. Se você utilizar a mente, tudo será confuso. Mas se você usar o coração, tudo será eficiente. Sinta que é a minha mensagem interior que a sua alma aceita e expressa para a sua mente física colocá-la em prática. A mente física pode duvidar da mensagem. Mas se utilizar o coração, você a aceitará imediatamente. E então verá que tudo é significativo, tudo é frutífero.
Perguntas sobre meditação 15: desenvolvendo uma conexão interior com o Mestre espiritual
Se você depende de mim, se a sua consciência permanece em mim e se une à minha consciência, então me será muito fácil ajudá-lo, mesmo que você viva muito distante daqui. Mas se você não sente uma unicidade comigo, podemos ficar a vida inteira em um quarto e eu não serei capaz de ajudá-lo. Se você se importa só com a minha proximidade física, se você se importa só em vir ao Centro duas vezes por semana para nos vermos, isso não vai levá-lo nem vai me levar a muito longe. Eu tenho mesas e cadeiras no meu quarto. Elas dependem de mim porque escrevo sobre elas e me sento sobre elas. De certa forma, eu as alimento. Mas não acho que serei capaz de transformar a natureza delas. Isso porque elas não se identificam conscientemente com quem está disposto a ajudá-las.
O que é importante é a aspiração interior. Se você tem aspiração, então o que você chama de dependência, eu chamo de segurança. Você usa a palavra ‘dependência’ e eu uso a palavra ‘segurança’. Um líder de um Centro pode viver a milhares de milhas de distância. Mas onde está o coração dele? Onde está a mente dele? Eles estão aqui em Nova Iorque. Já aconteceu de um líder de um Centro falar de mim a centenas de milhas distante, mas outras pessoas ouviram a minha voz e viram a minha face, mesmo sendo o líder uma mulher. Existem muitos que estão geograficamente a milhares de milhas distantes de mim, mas eles estão na minha consciência. Eles me vêem, me sentem, falam comigo. E quando me escrevem, geralmente falam que, numa hora em particular, tiveram uma visão de mim e receberam a minha ajuda. Então podemos ver como alguém pode ter plena segurança da sua capacidade espiritual e unicidade com o seu Mestre, mesmo que este esteja a milhares de milhas de distância.
Dependence and Assurance, p. 44-45
Pergunta:Logo voltarei à Venezuela. Como um discípulo pode sentir, a uma certa distância, a mesma força ou magnetismo que sente ao meditar com você?
Sri Chinmoy: O Mestre não consegue ficar fisicamente com seus discípulos 24 horas por dia. É impossível. Ele tem muitos discípulos e também muitas coisas para fazer. Na verdade, um discípulo pode permanecer com o Mestre 24 horas por dia, mas sem receber nada dele. O sobrinho de Ramakrishna serviu o tio durante muitos, muitos anos, mas não recebeu praticamente nada dele. O sobrinho fez algumas coisas erradas e quase roubou do próprio tio, até ser finalmente expulso. Mas veja Vivekananda. Ele não permaneceu com Ramakrishna 24 horas por dia. Longe disso. Vivekananda costumava ver Ramakrishna uma vez a cada dois ou três meses, e não ficava por muitos dias.
Portanto, não é a proximidade física o que mais importa. É a percepção interior da conexão do discípulo com o Mestre. Onde está ele? Em Nova Iorque ou no coração do discípulo? O discípulo tem de sentir que o Mestre é algo muito sagrado e espontâneo em sua vida. Ele tem de sentir que, da mesma maneira que não pode existir sem as batidas do coração, também não consegue existir sem o Mestre. Se ele sente essas coisas, e se sente necessidade de agradar ao Mestre em tudo aquilo que faz, sua relação com o Mestre é segura e completa.
Quando voltar à Venezuela, sinta que me leva dentro do seu coração, e não que me deixou em Nova Iorque. Sinta que a minha verdadeira existência não está só em uma parte do mundo. Sinta que a minha existência interior está em todo lugar. A minha existência exterior, meu corpo físico, cuja altura é de 1,72 metro, pode permanecer apenas em um lugar, mas a minha existência interior pode viajar para vários lugares. Sinta a necessidade de uma relação interior, de uma conexão interior com o meu coração e a minha alma. Só assim você será capaz de realizar o máximo progresso.
Se um discípulo verdadeiro e sincero já estabeleceu uma conexão interior com o Mestre, se já estabeleceu uma total proximidade e uma relação das mais entregues, e se permanece próximo ao Mestre, naturalmente poderá receber mais benefícios. A vida interior do discípulo já é una com a do Mestre, e a vida exterior dele está rogando para se tornar una com a vida interior. Naturalmente, o discípulo receberá um estímulo em dobro e um progresso infinitamente mais rápido.
Philosophy, Religion and Yoga, p. 19-21
Se um discípulo verdadeiro e sincero já estabeleceu uma conexão interior com o Mestre, se já estabeleceu uma total proximidade e uma relação das mais entregues, e se permanece próximo ao Mestre, naturalmente poderá receber mais benefícios. A vida interior do discípulo já é una com a do Mestre, e a vida exterior dele está rogando para se tornar una com a vida interior. Naturalmente, o discípulo receberá um estímulo em dobro e um progresso infinitamente mais rápido.
Philosophy, Religion and Yoga, p. 19-21
Pergunta:Durante as nossas atividades diárias, como podemos manter você em nossa consciência interior?
Sri Chinmoy: Através do amor e do carinho. Quando amamos alguém, quando temos carinho por alguém, estamos destinados a ver a pessoa amada dentro de nós ou à nossa frente. Suponhamos que você tem um gato. Você é muito afeiçoado a ele. E o que acontece? Se é realmente afeiçoado ao gato, você o verá mesmo enquanto estiver na escola. Muitas vezes você pensará sobre o gato: “Eu o alimentei? Ele está feliz?”. Esses pensamentos virão porque você é muito afeiçoado ao gato. Enquanto pensa sobre o gato, você também está fazendo outra coisa. Você está na escola. Mas seu amor pelo gato é tão intenso que, na sua consciência, você pensará que o gato está na sua frente.
Pense sobre uma mãe e o filho dela. A mãe está lendo jornal. A pessoa mais querida, para ela, é o filho dela. O filho pode estar a milhares de milhas distante, mas o foco de concentração dela encontra-se no próprio filho. Ela está pensando: “Oh, quem está cuidando do meu filho, neste momento? Ninguém é capaz de cuidar dele como eu”. Pode-se dizer que isso é um amor emocional ou uma doce afeição ou uma doce consideração ou mesmo todas essas coisas. Mas, através do amor, ela está mantendo uma conexão com o filho.
Quando somos apegados a alguém, pensaremos sobre ele, não importa aonde formos. Idéias a respeito dele virão à nossa mente. Quando alguma pessoa está prestando atenção em alguém no mundo comum, significa que ela está apegada a ele. No mundo comum, seres humanos que são apegados uns aos outros são do mesmo nível. No mundo espiritual, o Mestre é muito superior ao discípulo. Então não é apego, mas um devotado sentimento de unicidade que os discípulos acalentam em relação ao Mestre. Quando o discípulo pensa sobre o Mestre, não é com apego, mas sim com devoção. É assim que o buscador pode agradar ao Mestre, que realizou a Verdade mais elevada e que servirá como um veículo, pelo qual o discípulo alcançará a Verdade.
Você tem afeição, ternura, amor e carinho por mim. Então, naturalmente, a sua mente tentará entrar em mim ou a minha consciência tentará entrar em você. Caso você consiga criar, em seu interior, uma consideração pela minha missão, verá verdadeira alegria, paz, gratidão, orgulho e bênçãos fluindo de mim para o seu coração. Nesse instante, será fácil me manter na sua consciência.
Como você pode manter a sua conexão interior comigo? Apenas desenvolva maior interesse pela minha missão e maior amor pela manifestação da minha luz na Terra. Ao amar alguém, você está preparado para fazer tudo por ele a qualquer momento. Se tem verdadeiro amor e carinho por mim, pelo Divino em mim, pelo Supremo em mim, não importa o que estiver fazendo, mesmo enquanto estiver correndo ou pulando, você terá o mais doce sentimento interior de deleite. Isso porque você se identificou a si mesmo com alguém que possui a capacidade interior de vir e oferecer Paz, Luz e Deleite.
Pergunta:A libertação é possível sem a ajuda de um Mestre vivo?
Sri Chinmoy: É bem possível para o buscador atingir a libertação sem a ajuda de um Mestre vivo. Mas, se alguém valoriza a rapidez, é aconselhável ter um Mestre. Se você pode fazer alguma coisa hoje com a ajuda de uma outra pessoa, por que levar três ou quatro para fazê-la sozinho? Nós vamos à escola e estudamos com um professor. Por quê? Quando temos um professor, somos guiados e orientados naquilo que estudamos. Todos os livros que estudamos estão disponíveis na livraria, mas quando o professor diz que algo está correto, imediatamente acreditamos nele. O professor acelera o nosso estudo.
Não há nada de errado em receber ajuda de alguém. Um Mestre espiritual também é filho de Deus. Se o meu irmão mais velho sabe alguma coisa, tenho todo o direito de pedir a ele para me ensinar. Uma vez que eu tenha aprendido, esse conhecimento se torna uma propriedade minha. Nessa hora, estou livre para compartilhar com os outros o conhecimento que adquiri com a ajuda do meu irmão mais velho. Quando se trata de realização em Deus, se alguém diz: “Não, não quero ter nenhuma ajuda exterior. Vou depender inteiramente de Deus e de mim mesmo”, então essa pessoa tem que saber que a realização dela vai levar milhares de anos. Mas não existe nada de errado nessa abordagem. A primeira pessoa que realizou Deus não tinha um professor humano. Deus o ensinou diretamente. Se o buscador é extremamente sincero e quer depender da orientação direta de Deus, ele pode. Mas deveria saber que o seu progresso será lento, muito lento e incerto.
Earth-Bound Journey and Heaven-Bound Journey, p. 63-65
O Guru humano é só um instrumento do Supremo. Eu sempre digo que não sou o Guru; o Guru verdadeiro, o único Guru, o supremo Guru é o próprio Supremo. Sou um representante do Supremo para aqueles que se chamam de meus discípulos.
Quando digo aos meus discípulos para meditarem na minha foto Transcendental, tenho total responsabilidade pelo que falo. Isso é, o Supremo está naquela foto. Mas você pode julgar ou suspeitar do corpo físico que você está vendo. Você vê que eu tenho 1,72 metro de altura e muitas outras coisas no meu ser físico. Mas dentro do físico está a existência espiritual verdadeira, onde opera a minha unicidade total, consciente e completa com o Supremo. A capacidade do discípulo de realizar essa unicidade depende do seu alcance no campo da aspiração; depende de quão longe ou quão profundamente ele me realizou. Alguém vai me ver como um Mestre espiritual; alguma outra pessoa vai me ver como um filósofo e uma terceira vai me ver como um poeta. Todas essas coisas podem ser vistas na vida exterior. Mas se alguém aqui já foi profundamente ao seu próprio interior e entrou em mim ou no Supremo, então ele vê que em minha mais profunda consciência eu sou totalmente um com o Supremo. Não pode existir nenhuma diferença.
O seu Guru é o seu líder espiritual, o seu guia, o seu verdadeiro piloto. Ele está lidando com a consciência Divina, Consciência infinita, Infinidade e Eternidade. Se você realmente quer Infinidade e Eternidade, tem de saber que a maneira mais fácil e efetiva de ir até o Supremo é através do Guru, porque dessa maneira você pode se aproximar do Supremo tanto no plano físico como no plano interior. Mesmo os sentidos exteriores ficam satisfeitos e você pode conseguir uma resposta nesse plano. Se você pensa sobre o Supremo, é tudo muito vago. Quantos de vocês têm realmente algum conceito sobre o Supremo, mesmo no mundo mental? Ou o Supremo é um ser humano ou Energia ou Consciência infinita; essas coisas vocês podem imaginar. Vocês falaram comigo muitas vezes. Meditaram comigo muitas vez e muitas e muitas vezes viram pelos meus olhos a Luz do Supremo, o Poder do Supremo.
The Meditation World, p. 1-4
Quando o Mestre aceita alguém como discípulo, significa que ele faz uma promessa solene à alma do buscador de que irá levá-lo até Deus. Na hora da iniciação, o Mestre promete ao buscador: “Não se preocupe com as suas fraquezas, com a sua escuridão, com a sua ignorância. Eu vou tomar contar delas. Você só precisa dá-las para mim. De agora em diante, as suas limitações, as suas imperfeições e a sua escravidão são todas minhas. Eu vou tomar conta delas”.
O Mestre não tira a individualidade ou a personalidade do discípulo. Ele só leva o discípulo até Deus. Um Mestre espiritual é apenas um irmão mais velho para a humanidade. Ele leva os seus irmãos mais novos até o Pai e então termina a sua missão. Onde fica a questão de individualidade e personalidade?
The Inner Hunger, p. 9
Quando você não puder meditar bem, não force nada. Muitos de vocês sentem que se não puderem meditar bem por um, dois ou três dias, o mundo inteiro vai entrar em colapso. Vocês sentem que, se não meditarem bem por uma semana, então o Guru vai ficar seriamente descontente com vocês. Estão errados. Não sou assim, tão sem consideração. Sou mais responsável pelo progresso interior de vocês do que vocês mesmos. Sabem por quê? Porque estabeleci dois compromissos – um com Deus e um com vocês. Vocês aceitaram o Supremo em mim como o seu Guru, e a parte de vocês acabou. No meu caso, prometi a vocês que vou levá-los até a sua meta, e também prometi a Deus que vou levá-los até Ele. Depois de dar a vocês o sinal de começar a correr na sua corrida interior, eu corro na frente. Tomo a dianteira para inspirar quem quer que esteja atrás de mim. Onde quer que eu os veja no mundo interior, corro um pouquinho na frente ou ao seu lado. Eu me torno o observador e, ao mesmo tempo, o inspirador.
The Hunger of Darkness and the Feast of Light 1, p. 18-19
Perguntas sobre a meditação 13: como meditar em grupo
Pergunta:Qual deveria ser a nossa postura com relação aos outros durante a meditação em grupo?
Sri Chinmoy: Vocês devem nutrir bons sentimentos em relação aos outros, um sentimento de boa vontade, mas não pensem nas pessoas sentadas ao seu lado. Se pensarem em alguém ao seu lado que não esteja aspirando, a sua meditação será naquela pessoa e não em seu Mestre. Mantenham a concentração no seu Mestre. Façam absolutamente o melhor, porém não pensem em fazer melhor do que tal e tal pessoa. Todos deveriam fazer o melhor que podem.
Sintam que eu sou a meta, o alvo, e que vocês estão mirando o alvo com uma flecha. O segredo de um discípulo para uma excelente meditação é entrar em mim como uma bala, uma flecha. Mas alguns de você estão procurando pela flecha. Outros nem mesmo possuem uma flecha ou simplesmente a perderam. Esse é o problema. A meditação coletiva é como o trabalho de equipe. No plano exterior vocês freqüentemente ajudam uns aos outros. Mas na meditação coletiva vocês devem marcar pontos no plano interior. Se dez pessoas puderam acertar ao mesmo tempo, o grupo recebe notas elevadas.
Philosophy, Religion and Yoga, p. 14-15
Pergunta:Como um discípulo poderia receber o benefício máximo durante meditações coletivas em um grupo?
Sri Chinmoy: Quando medita em grupo, sinta que os buscadores que se sentam juntos não são entidades separadas, mas apenas uma entidade. Não pense em cada discípulo. Sinta que é a única pessoa meditando e que é responsável pela meditação. Meditação coletiva é meditação com o sentimento de unicidade inseparável, unicidade absoluta. Você é a única pessoa meditando e está observando a si mesmo; não há mais ninguém. Você é o observador e o buscador, não por causa do seu ego, mas por causa da sua unicidade inseparável.
Caso contrário poderá olhar para o lado e pensar: “O que foi que eu fiz hoje que me impede de meditar tão bem quanto ela?” Ou: “Por que eu tenho de meditar ao lado dele? A sua consciência é tão baixa.” E mesmo: “Por que vim até aqui? Voltarei para casa para meditar.” Assim pensará que alguém está meditando melhor do que você ou que outra pessoa está puxando você para baixo e que estaria abaixo da sua dignidade meditar com ele. Ao meditar coletivamente, se tomar a todos como você mesmo, então terá uma boa meditação. Quando todos tiverem entrado em você, quando estiverem fluindo em e através de você, nesse momento será capaz de receber o benefício máximo.
Meditation: Humanity’s Race and Divinity’s Grace 1, p. 28-29
Queridos discípulos, com a sua gentil permissão, eu desejaria dizer que todos vocês vieram ao nosso Centro para aspirar, para pensar em Deus, para a meditar em Deus, mas o que infelizmente acontece é que alguns discípulos simplesmente não meditam. Um discípulo pode achar que os seus irmãos e irmãs discípulos sentados ao seu lado estão tendo uma meditação maravilhosa. Ele pensa: “Se eu não aspirar, não há problema. Quando Guru olhar para o nosso grupo em geral, ele verá quão maravilhosamente estamos aspirando. Se eu estiver agora pensando nos meus amigos e parentes ou nos problemas de família, eu não serei descoberto porque aquele que está ao meu lado possui uma aspiração maravilhosa.” Mas essa pessoa pode estar acalentando o mesmo tipo de pensamentos. Ela pensa: “Oh, ele está tendo uma meditação maravilhosa, portanto deixe-me viver apenas hoje. Deixe-me apreciar os meus pensamentos mundanos.”
Eu posso contar a vocês uma história. Certa vez havia um rei que tinha um desejo especial de possuir um lago cheio de leite ao invés de água. Ele drenou a água de um lago. Então ordenou que todos os seus súditos viessem na manhã seguinte trazendo uma pequena quantidade de leite para derramar no lago.
Todos nesse mundo são sagazes, todos são espertos. Uma idéia brilhante veio à mente de cada súdito. Qual foi a idéia divina? Cada súdito pensou: “Se eu trouxesse uma pequena quantidade de água ao invés de leite, ninguém seria capaz de saber que eu trouxe água, porque milhares e milhares de pessoas estarão trazendo leite.” Mas como infelizmente, ou felizmente, essa idéia veio à mente de todas as pessoas, na manhã seguinte todos trouxeram água ao invés de leite e preencheram o lago com água. À noite o rei disse à sua rainha: “Eles já devem ter preenchido o meu lago com leite. Vamos até lá para vê-lo.” Para o desgosto do rei, ele viu que era apenas água e não leite.
É assim que muitos dos discípulos jogam esse tipo de truque divino durante a nossa meditação coletiva. Não estou dizendo que todos aqui fazem isso. Nesse aspecto eu tenho mais sorte do que o rei. Mas existem aqui pessoas que apreciam pensamentos mundanos e pensam sobre problemas familiares enquanto deveriam estar meditando. Pensam que outros estarão tendo uma meditação maravilhosa e que portanto o seu Guru não os descobrirá. Mas esse Guru possui uma visão oculta e ela é muito, muito eficaz. Ela funciona mais poderosamente do que o exército de um rei.
Dependence and Assurance
Sri Chinmoy fez os seguintes comentários após uma “disputa” de meditação entre os seus discípulos homens e mulheres.
Quando meditam em um grupo, eu peço freqüentemente para que se sentem em linhas retas, para que como em uma corrente, vocês recebam a minha força. Mas caso estejam dormindo, como receberão essa força? Não podem dormir e ao mesmo tempo se concentrar, meditar e contemplar. Quando meditamos há cinco minutos atrás, cinco meninos estragaram a meditação do grupo por haverem dormido. De outra forma o grupo teria se saído muito bem. Muitas meninas se entregaram ao sono e tornaram-se letárgicas. Acho que pela primeira vez em nosso Centro os meninos fizeram melhor do que as meninas. Eu sou absolutamente imparcial. Dessa vez os meninos foram bastante aplicados. Foi uma boa competição. É como participar de um jogo. Se for um jogador ruim, a sua presença será uma desgraça para o time. Se for um bom jogador, pode adicionar a sua capacidade e manter o prestígio do time. Meninos, eu estou implorando a vocês. Se não estiverem despertos ou se tiverem o hábito de perder a concentração, ou dormir, por favor, não entrem na disputa. Se estiverem dormindo, a sua presença diminuirá os pontos do grupo.
Philosophy, Religion and Yoga, p. 11-12
Pergunta:Quais são as maneiras de ir mais profundamente dentro de si mesmo ou para elevar a nossa consciência enquanto estivermos meditando em um grupo?
Sri Chinmoy: Existem três maneiras. A primeira chama-se japa, é o entoar ou repetir de uma palavra ou mantra. Então vem a meditação. E depois a oração.
O nosso melhor mantraé Aum. Quando o repetimos, o exercício se torna um japa.Gentilmente entoem Aum, de alma plena. E enquanto estiverem meditando, não permitam que qualquer pensamento entre em vocês, apenas sintam que vocês estão dentro de mim, ou dentro dos Himalaias, escalando alto, mais alto, altíssimo. Quando oram, por favor, sintam que simplesmente não há competição na vida espiritual. Façam o melhor e sintam que cada indivíduo é responsável pela sua mais extensa conquista, pelo melhor progresso. Pensem que hoje é o seu dia e que vocês se saírem bem, o Supremo ficará extremamente satisfeito.
The Hour of Meditation, p. 28-29
Quando os discípulos meditam juntos, devem sentir a sua unicidade. Um indivíduo não deveria sentir que ele é mais forte do que outros discípulos. Não! Cada indivíduo deve sentir que ele é o mais forte devido à sua unicidade com os outros. Ele deve pensar que é o mais forte porque se tornou um com os seus irmãos discípulos e irmãs discípulas em sua aspiração.
Em meditações coletivas, os discípulos deveriam começar oferecendo gratidão ao Supremo. Se alguém é realmente sincero em sua vida espiritual, sentirá a necessidade de gratidão. Um momento de gratidão é equivalente a uma hora da mais intensa meditação. Então, após oferecer a gratidão, os discípulos tentarão esvaziar os seus recipientes interiores. Caso vinte pessoas estiverem sentadas juntas, elas devem sentir que são apenas um recipiente. Não são indivíduos; tornaram-se apenas um recipiente e apenas um em sua receptividade. Mas cada um deve sentir que é sua obrigação e responsabilidade esvaziar o recipiente. Não deve pensar: “Oh, já que somos apenas um, deixe que ele faça isso por mim.” Não, nessa unicidade cada discípulo deve fazer a sua parte. Assim, quando o recipiente estiver cheio de pureza, paz, luz e bem-aventurança, todos os discípulos bebem interiormente essas qualidades divinas.
Two Divine Instruments:Master and Disciple
Quando tivermos uma meditação em grupo pela manhã, se alguém estiver extremamente cansado, exausto, sonolento, meditando com a maior dificuldade, forçando os olhos, por favor, não venha. Medite em casa ou durma se quiser. Mas se meditar assim aqui, arruinará a vibração divina e a aspiração sincera dos seus irmãos e irmãs espirituais. Não nos importaremos se você não vier ou não puder vir pela manhã. Mas caso venha, gentilmente apresente-se completamente preparado para ficar acordado e meditar bem. Dessa maneira você poderá inspirar aos outros e eles poderão trazer a você a inspiração.
Você deve fazer questão, quer medite ou não, de manter o físico sob controle. Se você não puder domar a mente, deixe que ela vague. Mas o físico deve ser disciplinado. Você deve aprender a sentar e ficar parado. O barulho que você cria através do seu corpo inquieto destrói a concentração dos discípulos que estão prontos para receber a Paz, Luz e Bem-Aventurança que eu trago aqui para baixo. Você será para eles como um inimigo inconsciente. Você não tem idéia do tipo de crime espiritual que estará cometendo. Você tem fome, mas não percebe, e assim não procura se alimentar. Mas os outros que perceberam a própria fome estão tentando se alimentar. As suas almas se sentem desoladas quando existem pessoas que estão evitando que elas possam receber o alimento divino.
Perguntas e respostas sobre meditação 12: quais são os benefícios da meditação em grupo
Pergunta:Eu compareço à meditação aqui na faculdade uma vez por semana mas sinto que preciso de mais nutrição espiritual. Se tentar meditar sozinho, é diferente. Sinto que há algo que estou perdendo.
Sri Chinmoy: Você não está na verdade perdendo nada. Quando quatro pessoas fazem a mesma coisa juntas, elas inspiram umas às outras. É como um cabo-de-guerra. Quando você está meditando com o seu grupo, são quatro ou cinco pessoas meditando juntas contra apenas uma pessoa, a ignorância, enquanto que meditando em casa você é um indivíduo e a ignorância é outro. Você não sabe quem vencerá o cabo-de-guerra. Quando quatro pessoas estão puxando de um lado e apenas se opõe, ela sabe que as outras quatro ganharão. Essa certeza interior o encorajará a unir-se e ajudar a puxar. Se você meditar em casa, está lutando sozinho contra a ignorância. Naturalmente, ficará cansado rapidamente e sentirá tristeza e desconsolo, e pode perder o interesse. Mas você se puder meditar com os outros, terá mais confiança no que faz.
Quando você vê que um ladrão ou algum outro suspeito está sentado ao seu lado, a sua consciência automaticamente cairá por causa das vibrações que recebe dele. As forças não divinas, negativas, virão e o atacarão. Mas se você se relacionar com pessoas que levam uma vida espiritual e estão tentando realizar Deus, sem dúvida eles reforçarão a sua aspiração. Se tiver fé e confiança nessas pessoas, a própria presença delas o inspirará. Uma pessoa espiritual sentada ao seu lado está pensando em Deus, meditando em Deus, no Amor divino e na Paz divina. E essa Paz e Amor entrarão em você também. Assim, a melhor coisa a se fazer seria relacionar-se com pessoas espirituais tanto quanto puder.
Meditation: God Speaks andI Listen 1, p. 15-16
Caso tenha amigos com quem você medita e que saibam como meditar, mesmo que inconscientemente, o seu ser interior receberá deles a inspiração. Se você for um buscador muito sincero, receberá ajuda conscientemente dos seus amigos, que estão sentados ao seu lado, na forma de inspiração. Você aprenderá coisas com os seus amigos espirituais. O poder de meditação que há em você aumentará automaticamente.
Meditation: God Speaks andI Listen 1, p. 10
Pergunta:Por que é importante meditar com outras pessoas?
Sri Chinmoy: Se você tiver um amigo que saiba como meditar, e meditar com ele, pode dele receber inspiração, mesmo inconscientemente. E então automaticamente o poder de meditação em você aumentará e a sua ignorância diminuirá. Você aprenderá muitas coisas com os seus amigos espirituais, será capaz de ter uma nova perspectiva na vida.
The Hour of Meditation, p. 28
Pergunta:Meditar em grupo melhora a nossa aspiração?
Sri Chinmoy: Eu devo dizer que a meditação é uma lição nova quase todos os dias. Durante a meditação um Mestre espiritual está consciente do fato de que entrou profundamente em cada alma e que todas as almas sentiram algo. É a aspiração coletiva o que traz o Mais Elevado e entra na Luz mais profunda, mas existem alguns de vocês que de fato vão comigo até o Mais Elevado e Mais Profundo. Quando vão junto comigo, é uma grande ajuda.
Às vezes, quando estou em frente a outros, eles tentam me puxar para baixo, mas felizmente eu sou mais forte e os puxo com todo o meu poder. Eu os ergo. E quando eles por fim se entregam, também sobem. Essas pessoas ficam nos meus ombros como corpos sem vida, mas eu tomo a responsabilidade por elas. Existem apenas algumas que são assim. A maioria pode ser puxada, sobe comigo facilmente.
É verdade absoluta que os discípulos contribuem muito para a nossa aspiração coletiva. Quando se está aspirando intensamente e alguém mais também está, essa intensa aspiração traz à Terra os grandes Mestres espirituais. Acho que tanto a Bíblia quanto as nossas escrituras espirituais indianas dizem que se doze pessoas orarem intensamente em um círculo, os Mestres espirituais andarão por entre elas. É o resultado da aspiração coletiva. Um está aspirando com a sua luz mais interior, outro com o seu poder, outro com a sua paz e mais um com luz. Então toda a aspiração, unida, sobe para trazer a presença dos Mestres espirituais. A aspiração coletiva é muito efetiva.
Inner Progress and Satisfaction-Life, p. 24-25
Pergunta:Você poderia falar sobre meditação coletiva?
Sri Chinmoy: Quando meditar em grupo, sinta que a ignorância se colocou contra você em um cabo-de-guerra. Assim, na hora em que a meditação está marcada para começar vocês devem começar a puxar. É como iniciar juntos uma corrida. Antes da corrida, todos os corredores se aproximam da largada e esperam. Quando é dado o tiro de largada, eles começam imediatamente a correr. Mas caso um corredor não esteja na largada na hora marcada, aquele que dá o tiro não esperará pelo corredor atrasado. Hoje estamos meditando em um grupo. Quando meditamos juntos, temos de saber que meditamos com o Supremo, pelo Supremo e para o Supremo em oposição à ignorância. Não estamos competindo com pessoa alguma; estamos competindo com as nossas fraquezas interiores, com as nossas imperfeições interiores. Para conquistar essas forças, devemos correr em direção à Meta.
Da mesma maneira que cada Mestre espiritual tem o seu barco, nós também estamos em nosso próprio barco. Todos os dias o Supremo julga os passageiros. Eu posso ralhar com vocês de tempos em tempos, mas eu gostaria de dizer que muitos dos que estão em meu barco estão vencendo a luta contra a ignorância. Apesar de existirem alguns que não meditam bem, outros meditam muito bem. Ainda assim, existe a possibilidade, medo e apreensão de que possamos perder impiedosamente. Estamos vencendo, é verdade, mas se perdermos a nossa capacidade, a ignorância pode vencer. Por favor, sintam que apenas quando tivermos visto o Rosto sorridente do Supremo teremos alcançado algo. Ele está nos dando a oportunidade. Oferece a todos a mesma oportunidade, mas por enquanto apenas os buscadores espirituais a aproveitam.
The Hour of Meditation, p. 27-28
Pergunta:A associação com pessoas espirituais é de alguma valia?
Sri Chinmoy: Quando você está entre pessoas espirituais, recebe inspiração. Você é um nadador. Quer nadar e portanto vai até a piscina. Lá descobre que a água está fria e não há ninguém. Assim fica bastante difícil que você entre na água. No entanto, ao ver outras pessoas na piscina fica mais fácil entrar na água.
Também na vida espiritual, caso sinta que a sua determinação e sinceridade não estão suficientemente fortes, você deveria tentar meditar em conjunto com outros. Hoje você está inspirado para meditar, mas amanhã pode não estar nada inspirado. O que poderá fazer? Se não estiver inspirado, imediatamente se dirija aos outros que estejam seguindo o caminho espiritual e medite com eles, ao seu lado. Eles já estão inspirados. Você verá que a sua meditação se tornará valiosa e plena de alma. Terá uma meditação muito poderosa. Hoje o seu poder-vontade está fraco e eles o inspirarão, amanhã o poder-vontade deles estará fraco e você os inspirará. Portanto, é sempre melhor ter companhia espiritual. Pássaros de uma mesma espécie voam juntos. Buscadores espirituais, buscadores sinceros, deveriam permanecer juntos.
E você também deve ficar sabendo um pouco sobre regularidade. Quando se exercita regularmente, os seus músculos são fortalecidos. Na meditação em grupo, na meditação coletiva, você poderá facilmente fortalecer o seu poder-vontade. Quando então se tornar um perito em meditação, você poderá meditar sozinho. Ao se tornar um bom nadador, um nadador perito, uma pessoa não mais precisa de outros nadadores. Quando estiver avançado, não precisará de outros para inspirá-lo. Mas até lá, é recomendável que você medite regularmente com outros buscadores sinceros.
Self-Discovery and World-Mastery, p. 28-29
Antigamente, quando havia meditações em Manhattan, logo após a meditação os discípulos iam a um restaurante para comer. Tudo o que haviam recebido eles entregavam ao restaurante. Aqui, pelo menos os discípulos cozinham e servem, e assim podemos manter parte da luz e poder espiritual que recebemos. Sentimos que a alma recebeu alimento espiritual durante a meditação e que após a meditação queremos oferecer algo ao vital e ao físico. Por isso comemos e ficamos juntos. Todavia, se sair do Centro e for a uma lanchonete haverá uma consciência diferente. Sinta que aqui no Centro você tem verdadeiros irmãos e irmãs espirituais com os quais pode ficar junto e trocar palavras doces. Vocês podem falar sobre coisas inocentes relacionadas com a vida diária ou sobre a vida espiritual.
Simplesmente olhando no rosto uns dos outros, vocês já obtêm alegria. Podem não receber essa alegria das suas irmãs e dos seus irmãos físicos se eles não seguem o mesmo caminho espiritual. Assim, quando vocês ficam juntos recebem um pouco de alegria vital. Essa alegria vital não tem nada a ver com o vital inferior. Longe disso! Essa alegria fortalece e energiza a qualidade dinâmica do vital. E ficando juntos vocês podem sentir verdadeira unicidade.
Perguntas sobre meditação 11: Por quanto tempo devemos meditar
Pergunta:Por quanto tempo eu deveria meditar? Quinze ou vinte minutos seriam suficientes, ou eu deveria meditar mais?
Sri Chinmoy: Depende da sua capacidade, de quanto progresso você fez interiormente. Se tiver a capacidade de meditar sinceramente e de alma plena por meia ou uma hora, está bom. Mas se não tiver a capacidade e meditar por duas ou três horas, seria tolice e uma completa perda de tempo. A alma não estará lá. Durante a sua meditação, se a mente estiver calma e quieta e você sentir que está obtendo alegria e satisfação interiores, a sua meditação está boa. E quando após quinze ou vinte minutos de meditação pura a mente escura, de dúvida e suspeita começar a funcionar, você deve parar de meditar. De maneira similar, se a sua mente ficar inquieta e você começar a pensar nos seus amigos, parentes e em outras coisas, será inútil continuar. Esse tipo de meditação não será frutífero nem trará alegria alguma. Você pode recomeçar mais tarde, quando tudo estiver puro e fresco.
Meditation: Humanity’s Race and Divinity’s Grace 1, p. 43
Pergunta:Por quanto tempo deveríamos meditar?
Sri Chinmoy: Normalmente os meus discípulos não precisam meditar por mais do que meia hora por dia. Eles meditam poderosamente por meia hora, mas depois não conseguem manter a intensidade. Eles podem no máximo meditar por quarenta e cinco minutos. Mas se algum deles tentar meditar por uma ou duas horas, a mente não ajudará.
Se você tem a capacidade, pode meditar por horas e horas. Do contrário, se a maioria dos meus discípulos tentar meditar por quarenta e cinco minutos em um dia, serão incapazes de meditar bem após meia hora. Se por meia hora você meditou bem, é como se tivesse comido um pão inteiro. Mas se não for o suficiente para você, tentará roubar mais quinze minutos. Durante esses quinze minutos você pode conseguir apenas um pequeno bocado, uma porção mínima. Você ainda tem fome, mas não ganha outro pão. Mas você estará recebendo algo durante aqueles quinze minutos extras. Quem sabe você possa ter dois minutos de boa meditação. De um lado poderia sentir que por não estar meditando bem, não estaria também desperdiçando o seu precioso tempo? Portanto, você sente que seria simplesmente melhor ir embora após meia hora. Por outro lado, se você puder ter uma boa meditação por dois minutos, por que agir como um tolo? Espere até que os quarenta e cinco minutos acabem. Se não esperar, não terá idéia de qual poderia ter sido o resultado. Mas você não pode dizer: “Se eu ficar por um pouco mais de tempo, receberei igual quantidade de Paz e Bem-Aventurança.” Não. Você pode receber mais uma pequena quantidade, por estar disposto a comer. Como ainda tem fome, você pode esperar para ver se a garçonete divina trará um pouco mais de comida.
Palmistry, Reincarnation and the Dream State, p. 21-22
Pergunta:Quantas vezes por dia devemos meditar?
Sri Chinmoy: Alguém que segue um caminho espiritual deve meditar ao menos uma vez por dia. Isso é obrigatório, caso contrário, é inútil seguir um caminho espiritual. É melhor meditar três vezes por dia, mas caso não seja possível alimentar a sua alma três vezes, por favor, alimente-a ao menos uma vez. Isso eu digo a todos vocês. Ao menos uma vez por dia você deve alimentar a alma. Sinta que a alma é uma pequena criança, uma criança divina. Se você não alimentar a alma, ela passará fome e a sua manifestação divina se atrasará.Portanto, se possível medite no mínimo três vezes por dia: de manhã cedo, ao meio-dia ou na hora do almoço, e à noite. A sua meditação da manhã e da noite deve durar mais, digamos, meia hora, e a meditação ao meio-dia pode durar cinco ou dez minutos. Se possível, em alguns dias tente meditar sete vezes por dez ou quinze minutos. Sete é um número oculto. Ele tem uma grande importância. Mas isso não quer dizer que você apenas contará com o número de vezes e não com qual plenitude de alma você meditou. Você pode meditar sete vezes por dia, mas isso deve ser feito com plenitude de alma. Se sentir que pode meditar de alma plena apenas uma vez, de manhã cedo, então será suficiente. Você deve enxergar a sua verdadeira capacidade, sinceridade, disposição e alegria.
Aspiration and God’s Hour, p. 28-29
É difícil meditar vinte e quatro horas por dia, mas é absolutamente possível ler meus escritos por meia hora e meditar por uma hora diariamente. Deus lhes deu vinte e quatro horas por dia. Se vocês não possuem tempo suficiente para meditar continuamente durante uma hora, ou se não são capazes de meditar continuamente por uma hora, eu gostaria que meditassem quinze minutos por vez. Meditem cedo pela manhã e ao meio-dia se possível. Caso não seja possível, meditem quando retornarem do trabalho. Essa será a segunda meditação. Passadas duas ou três horas podem então meditar novamente. A quarta vez pode ser antes de dormir. Podem fazê-lo na própria cama, mas devem estar sentados e não deitados. Assim, vocês podem facilmente meditar quatro vezes durante o dia.
Claro, quando digo que vocês devem meditar por uma hora, não quero dizer que devem ficar olhando o tempo todo para o relógio, contando os minutos. Não! E se sentirem que não são capazes de meditar adequadamente por uma hora, gostaria que permanecessem num ânimo meditativo por quanto tempo for possível. Mas quando estiverem tentando meditar há duas horas e não conseguirem realmente fazê-lo por nem mesmo dez minutos, a melhor coisa a fazer é parar de meditar, porque a mente ficou agitada e será difícil acalmá-la.
The Meditation-World, p. 6-7
Pergunta:Logo que me tornei um discípulo eu sentia muita alegria em meditar e seguir o caminho. Mas recentemente não sinto mais aquela alegria e, portanto não tenho meditado regularmente.
Sri Chinmoy: Você medita todos os dias?
Discípulo: Cerca de quinze minutos.
Sri Chinmoy: Muito estranho. Você medita por apenas quinze minutos por dia e acha difícil meditar regularmente. Reze para o Supremo para que Ele lhe dê mais capacidade, porque eu não serei capaz de dizer que você está perdendo a alegria por estar indo além da sua capacidade. Um buscador deve meditar por pelo menos uma hora diariamente – meia hora durante a manhã e durante a noite – não importando qual o seu nível. Aqueles que aceitaram o nosso caminho devem fazer questão de meditar por no mínimo uma hora, mesmo que meditem sinceramente por apenas cinco minutos e então a sua mente comece a vagar. Sinto que isso é algo absolutamente necessário. Espera-se uma hora de meditação de todos aqueles que sigam o nosso caminho.
Você pode dizer que não consegue meditar diariamente, ou que não medita bem, mas, por favor, tente. Você pode não comer o mais delicioso alimento todos os dias, mas certamente come algo, pois sente necessidade de alimento para manter o corpo funcionando. Na vida espiritual, sinta a necessidade de nutrir a alma, de nutrir o ser interior. Se não tiver uma meditação profunda todos os dias, isso não quer dizer que você não mais meditará. Procure sentir na vida interior a necessidade interior da sua alma. Medite todos os dias mesmo que em alguns dias sinta um deserto dentro do seu coração. Todos os buscadores no nosso caminho deveriam meditar por uma hora diariamente, pelo menos. Essa uma hora pode ser dividida em quatro vezes de quinze minutos ou meia hora pela manhã e meia hora à noite. Caso contrário você não conseguirá fazer progresso satisfatório.
The Inner Journey, p. 34-35
Pergunta:Recentemente estivemos meditando quatro ou cinco vezes por dia. O esforço em fazer isso trouxe alguma melhora em nossa consciência durante o dia?
Sri Chinmoy: Alguns discípulos fizeram progresso considerável. O poder e a capacidade que vocês desenvolveram podem ser usados amanhã para a realização-em-Deus. Agora está isso sendo usado para a manifestação-de-Deus. Uma vez que na prática estabeleçamos mais receptividade na meditação, o físico também ganha mais força. E podemos amanhã fazer algo com a força que acumulamos.
Alguns de vocês estiveram meditando quatro vezes por dia. Em uma sessão de meia hora talvez tenham meditado bem por – digamos – dez minutos, e de um total diário de duas horas, meditaram muito bem por meia hora. Anteriormente meditavam apenas meia hora pela sua realização-em-Deus. Dessa meia hora, talvez tenham meditado bem por apenas dois minutos porque o sono não os largava. Agora estão meditando várias vezes por dia, e cada vez que meditam bem, desenvolvem a capacidade. Vocês agora utilizam essa capacidade para um propósito especial. E ela não vai embora. Quando em outro momento vocês tiverem de alcançar outra meta, poderão utilizar a capacidade que adquiriram. Ao invés de meditar para a manifestação-de-Deus, podem meditar não por um propósito especial, mas apenas para se tornarem um absolutamente perfeito instrumento do Supremo.
Assim, o poder adquirido de se sentar e meditar pode e deve ser utilizado para outras coisas. Caso não tenham adquirido aquela capacidade, naturalmente não seriam capazes de utilizá-la. Alguns de vocês realmente adquiriram capacidade, desenvolveram músculos interiores. Vocês não estão meditando mecanicamente, existe alguma visão interior.
Perguntas sobre meditação 10: dormir após a meditação da manhã
Pergunta:Seria melhor caso dormíssemos por duas ou três horas e meia durante a noite e levantássemos por meia hora para ler os seus livros ou orar e meditar e então voltar a dormir?
Sri Chinmoy: Infelizmente, pode ser que apenas após três horas você entre em uma parte mais profunda do sono. Durante as três primeiras horas você não dorme adequadamente, mas então estará entrando em uma espécie de sono mais repousante, satisfatório e renovador. Mas se você colocar mecanicamente um despertador para tocar após três horas, será justamente quando está prestes a desfrutar do sono que em cinco minutos fortalecerá os seus nervos. Se acordar nesse momento, não será bom. Você deve treinar o corpo para que quando deitar durma em cinco ou dez minutos, antes que a mente comece a pensar nos incidentes e eventos. Tenha um doce pensamento sobre mim – que eu sorri para você um dia, ou outra coisa. Você lembrará daquele sorriso e nadará no seu mar quando dormir.
Os discípulos que vejo todos os dias não devem lembrar da repreensão de hoje, mas sim do sorriso de ontem. Lembrem-se de qualquer coisa minha que traga alegria a vocês. Se puderem lembrar daquela alegria por cinco minutos quando forem dormir, a sua paz entrará em vocês. A alegria traz paz a vocês. Esse é o caminho mais fácil. Mesmo caso tenham ido para a cama após discutir ou brigar, ou se coisas ruins aconteceram no seu trabalho ou com seus amigos, pensem no meu sorriso, ou em como vocês me agradaram alguma vez. Vocês deveriam escrever essas coisas para caso não se lembrem quando estiverem irritados, possam ver e avivar a memória. Essas doces lembranças têm tanto poder que engolirão todos os sentimentos amargos que poderiam impedí-los de dormir adequadamente.
Aum, Julho 1978, p. 42-43
Pergunta:Seria ruim caso alguém voltasse para a cama após meditar das duas às três da manhã?
Sri Chinmoy: Não, não é ruim. Se tiver de dormir após a meditação, você pode, mas se puder continuar meditando das duas às cinco sem dormir, seria infinitamente melhor. Mas caso isso não seja possível para você no momento, se puder meditar por uma hora, pode assimilar o resultado após a meditação.
A única dificuldade que existe ao meditar das duas às três ou quatro da manhã é o grande número de horas existentes até que se levante após a meditação. Ao se levantar às nove ou dez horas da manhã, por haver meditado às duas, durante o período das sete às oito horas as forças vitais – as suas próprias ou a agressão da Terra, que fica agitada às sete ou às oito horas – farão com que a sua consciência fique agitada. A agitação da consciência da Terra ou do seu próprio vital inferior podem entrar nos resultados da meditação que você teve às duas ou três horas da manhã. Portanto, você deve ter um descanso bastante pacífico ou deve se levantar às cinco ou seis horas. Caso levante às nove ou dez horas, tendo meditado às três, a agitação e correria da vida ao seu redor podem perturbá-lo.
Assim sendo, você deve ser bastante cauteloso. Por aproximadamente uma hora, das duas às três, você pode meditar e depois pode dormir das três até as cinco. Mas esteja acordado às seis da manhã. De outra forma, a consciência da Terra, que desperta e se torna agitada, pode criar um distúrbio na sua consciência.
Perguntas sobre meditação 9: horário regular para meditação
Pergunta: Seria importante para os buscadores meditarem regularmente em uma hora estipulada?
Sri Chinmoy: Ajudará se tiver uma hora especial para a meditação, especialmente no início da sua jornada espiritual, porque a mente humana é uma coisa muito traiçoeira. Deixada sozinha, a mente obscura e ignorante, tentará evitar que você faça a coisa espiritualmente correta. Ela encontrará muitas desculpas para evitar que você busque a satisfação do desejo da sua alma. Mas se a sua aspiração é sincera e intensa, a disciplina para ter um horário certo para a meditação ajudará na luta contra a letargia e a instabilidade da mente.
Quando Deus vier e bater à sua porta, você estará dormindo? Você e Ele escolheram uma hora, mas quando Ele vem, você está dormindo. Em uma situação comum, o professor não o desculpará. Mas felizmente, nesse caso Deus é o professor e Ele o perdoará. Ele virá todos os dias. Se você não estiver lá amanhã, será perdoado novamente. Mas você não será capaz de se desculpar. A sua unicidade com Deus não lhe permitirá que você se desculpe. A sua alma trará tanta angústia que você se sentirá desolado. O amor da sua alma pelo Mais Elevado é muito importante para você. Quando o seu Amigo Eterno vier, o anfitrião gostaria de estar pronto muito antes da hora. Existe uma hora certa para tudo. Há uma hora para o café da manhã, uma hora para o almoço e uma hora para o jantar. Você mantém essa regularidade para o seu corpo físico. Também na vida espiritual, a Criança Divina dentro de você deseja ser alimentada com alimento divino. Você deveria ter uma hora específica para alimentar a Criança Divina.
Você não pode viver com o alimento de ontem. Você comeu ontem, por isso está forte. Mas hoje deve comer novamente. E também na vida espiritual você deve comer. Se você alimentar o corpo três vezes por dia, por que então não pode alimentar a alma ao menos uma vez por dia? Quando alimentar o corpo, não precisará de uma refeição deliciosa todos os dias. Mas caso queira, você pode ter uma refeição deliciosa todos os dias. De manhã cedo, você pode ter uma refeição espiritual deliciosa, a qual você pode oferecer à sua alma.
Para aqueles que não meditam regularmente, por favor, tentem fazê-lo. E para aqueles que estãomeditando regularmente, por favor, meditem de alma plena. De hoje em diante, procurem aumentar a sinceridade de sua meditação. Se houver regularidade e você meditar de alma plena, perceberá o seu próprio progresso e chegará o dia em que se tornará um perito. Antes disso, por favor, mantenha uma hora e lugar específicos. Você não deveria meditar um dia na sala e outro na cozinha. Não! Por favor, medite com lugar e hora certos. Se você tiver uma hora e lugar certo para a meditação, Deus estará lá esperando por você.
Meditation: Humanity’s Race and Divinity’s Grace 1, p. 39-40
Saiba que no seu caso o poder de meditação não é forte o suficiente para que continue meditando por um tempo considerável, sejam quinze minutos ou meia hora. Mas o principal é não se deixar desencorajar. Quando começa a fazer exercícios, você não consegue praticar por mais de cinco minutos. Após alguns meses de prática diária você poderá praticar por uma hora ou duas. O que precisamos é de prática e hora regulares. Se puder meditar de manhã cedo em uma certa hora, procure continuar meditando todos os dias naquela hora. Naquele momento Deus virá bater à porta do seu coração. Abra-a e Ele oferecerá a você a Sua Paz, Luz, Bem-Aventurança e Poder.
A regularidade é necessária. Apesar de termos regularidade, podemos não estar dando primordial importância à nossa meditação. Mas se dermos importância à nossa meditação e tivermos sinceridade, plenitude de coração e dedicação em nossa vida espiritual, automaticamente o nosso poder de meditação aumentará.
Perguntas sobre meditação 8: acordar cedo para meditar
Pergunta:Deveríamos tentar, todas as manhãs, nos levantar o mais cedo possível para meditar?
Sri Chinmoy: Se a sua hora padrão para a meditação é às seis e meia, então aquela é a melhor hora para você meditar, e não às quatro.Por enquanto, comece às seis e meia, e então aumente a sua capacidade. Em poucos meses você pode tentar se levantar às cinco e meia ou seis horas, e passados mais alguns meses pode tentar acordar ainda mais cedo. Caso queira ir de trem daqui até Manhattan, precisará parar em várias estações. Digamos que hoje você tem a capacidade de ir até a primeira estação, e amanhã ou após alguns meses poderá ir até a segunda estação. A sua meta é assim, sempre transcendendo a si mesma. Por fim você chegará ao seu destino. É uma grande distância daqui até lá. Mas apenas comece – a hora chegou. Se você começar, será o suficiente para mim. E depois tente aumentar a sua capacidade.
Palmistry, Reincarnation and The Dream State, p. 18-19
Pergunta:Mas e se formos para a cama tarde da noite? Deveríamos ainda manter a mesma hora para a meditação?
Sri Chinmoy: Sim, por favor, mantenha a mesma hora, e depois você pode voltar a dormir após a meditação. Você deveria meditar mesmo se tiver visitado amigos e retornado para casa às quatro horas da manhã. Pode dormir por duas horas e se levantar às seis, reajustar o despertador e voltar a dormir. Por favor, sinta que o seu Amigo divino virá bater à sua porta às seis horas. O que é mais importante: Deus o amigo, ou os seus amigos humanos? Você visitou outros amigos na noite anterior e passou horas com eles. Mas você tinha uma hora marcada com o seu Amigo divino. Não pode simplesmente dizer: “Vou me atrasar.” Quem é mais importante, Deus ou um ser humano?
Palmistry, Reincarnation and The Dream State, p. 20-21
Pergunta:Deveríamos tentar acordar espontaneamente para meditar ou seria bom programar um despertador?
Sri Chinmoy: Vocês deveriam usar um despertador. De outra maneira, precisariam se tornar Yogues para que a Graça divina os despertasse. Mas quando meditarem, por favor, não fiquem com um relógio à sua frente o tempo todo. Alguns alunos podem ter essa tendência por saberem que terão de se arrumar para ir à escola. Mas se quiserem realmente meditar de alma plena, apenas mergulhem profundamente dentro de si mesmos. É verdade, você não está entrando em Nirvana, mas quando medita está agradando ao Supremo. Ele o fará saber que é hora de ir para a escola. Se estiver mesmo meditando, Ele fará isso. Mas caso você esteja no mundo das fadas, sonhando, desperdiçando o seu precioso tempo, não será responsabilidade Dele.
The Hour of Meditation, p. 51-52
Pergunta:Se tivermos ajustado o despertador e não levantarmos para meditar, o que deveríamos fazer?
Sri Chinmoy: Quando a hora chegar, sinta que é o momento mais importante da sua vida. Quando navegamos em um barco com outras pessoas, deveríamos ser justos com o barqueiro e com os passageiros. O barqueiro está pronto, mas um passageiro está se demorando. Já está na hora de partir e apesar dos chamados e gritos do barqueiro ele não acorda. Nós somos uma família espiritual. Se um membro está atrasando todos os outros, é o nosso dever repreendê-lo e dizer: “O que você está fazendo? Por sua causa todos se atrasarão.”
Se alguém não se levanta, por vezes eu mostrei um rosto compassivo e às vezes mostrei um rosto de desagrado, ironia ou profundo desgosto, ou até mesmo repreendi a pessoa impiedosamente. Se alguns discípulos próximos não se levantam pela manhã, primeiro demonstrarei um rosto triste e depois um rosto aflito. Nada funciona para sempre, mas a tristeza pode funcionar por alguns dias. Quando alguém vê o meu rosto triste, fará todo o esforço para meditar por alguns dias. Mas algumas pessoas sentem que não precisam meditar regularmente. Então o que posso fazer? Não importa o tipo de tristeza ou aflição que eu demonstre, elas não meditarão regularmente.
The Jewel of Humility, p. 41-42
Se vocês deveriam meditar de manhã às 6h30, mas não se levantaram na hora, ao pensar: “Eu não meditei, sou um sujeito imprestável,” isso apenas fará com que fiquem com raiva ou deprimidos. Quando tiverem perdido uma oportunidade, digam: “Amanhã terei uma nova oportunidade. Tentarei novamente da maneira mais sincera.” Hoje não é o último dia de suas vidas. Podem tentar amanhã. Mas se falarem consigo mesmos: “Ó, ontem eu trabalhei até tarde e não pude levantar cedo hoje. Deus tem de me perdoar,” primeiro terão feito a coisa errada e em seguida, justificando-a, somaram força à ação incorreta. Devem esquecer as ações incorretas após terem decidido não mais repetí-las. Mas não as justifiquem apenas para justificar-se.
The Hunger of Darkness and the Feast of Light 1, p. 45-46
Pergunta:Caso marquemos uma hora certa para a meditação da manhã, você se sente desapontado se às vezes continuarmos dormindo?
Sri Chinmoy: Quando medito em vocês, isso não depende de terem levantado ou não. A minha meditação é incondicional. Quando medito em vocês, não espero que se levantem na hora certa. Mas se vocês meditarem na hora certa, ficarão conscientes do que eu estou fazendo. A minha dificuldade é que os discípulos não estão conscientes do que eu faço. Não percebem que eu os amo infinitamente mais do que eles amam a si mesmos.
Experiences of the Higher Worlds, p. 25-26
Caso vocês não estejam acordados meditando na hora certa, eu ficarei triste, mas apenas de uma maneira humana. Em uma maneira divina não ficarei triste porque sei que a tristeza não é de utilidade alguma. Vocês fizeram amizade com a ignorância. Nesse momento tentarei ter mais poder consciente para despertá-los e iluminá-los. Em tudo que é humano existe sempre o sucesso e o fracasso. Mas na maneira divina, onde está o sucesso e onde está o fracasso? Eles não são nada.
Experiences of the Higher Worlds, p. 27
Pergunta:Se tivermos uma hora certa para a meditação e formos capazes de levantar mais cedo, ainda assim deveríamos manter a mesma hora?
Sri Chinmoy: Sim, essa hora é importante porque é a hora que você estipulou. Se a sua hora para meditar é às 4h30 da manhã, nessa hora a sua alma baterá à sua porta – como um entregador pontual de jornais – portanto é melhor que você esteja preparado. Escolha a hora que julgue como sendo a melhor e procure mantê-la. O melhor horário para a maioria de vocês é após as 4h30 da manhã. Ontem vocês podem ter meditado às quatro horas, outro dia às duas, outro dia às cinco e em outro dia até mesmo às nove horas – mas é isso a verdadeira meditação? Às duas da manhã ou em qualquer hora antes das 4h30, não é possível para vocês meditarem bem, porque estarão cansados. Portanto, os discípulos devem acordar e meditar entre as 4h30 e 6h45 da manhã. Após as sete horas eu já sei como está a consciência da América: é um clima de agitação.
Por favor, meditam na hora que tiverem escolhido. Se trocarem a hora todos os dias ou se não tiverem meditado, eu os descobrirei nos mundos interiores, porque eu realizei Deus e vocês não. Sejam como fazendeiros indianos e trabalhem as suas terras, as suas terras de meditação, todos os dias na mesma hora.
The Hour of Meditation, p. 56-57
Pergunta:Seria bom levantar antes da hora marcada para a meditação, para que tomemos um banho e estejamos prontos?
Sri Chinmoy: Podem se levantar meia hora mais cedo para tomar um banho e se preparar, mas devem então começar a meditar no horário estabelecido. Ocasionalmente seria bom ler os meus livros por alguns minutos ou cantar algumas canções espirituais para que se preparem interiormente.
The Hour of Meditation, p. 57
Pergunta:Um dia tenho de sair de casa às cinco da manhã, portanto acordo mais cedo do que nos outros dias e medito às quatro e meia da manhã.
Sri Chinmoy: Então você terá de meditar às quatro e meia nos outros dias também. Não tente manter o seu horário original naquele dia, enquanto estiver no metrô, na escola ou no trabalho. Essas meditações devem ser em adição à meditação da manhã. Caso contrário, começa-se a relaxar. Hoje você precisa ir até um certo lugar, amanhã para um outro lugar. Apenas nos domingos eu sou responsável por você – se você vier à meditação matutina de domingo. Caso contrário mantenha o seu horário.
Você não precisa manter uma hora específica para a meditação da noite. À noite o rio já está correndo e entrando no oceano. Eu sou responsável apenas pela meditação da manhã, quando o rio começa a fluir. Se eu puder iniciar o correr do rio, sei que um dia ele chegará à fonte. Mesmo que você não alcance o destino hoje, contanto que haja algum movimento, o alcançará amanhã ou depois de amanhã. Se estiver fluindo para o oceano-consciência, será o suficiente para mim. Você também pode meditar na hora do café às três ou quatro horas da tarde, mas deve começar de manhã.
Palmistry, Reincarnation and the Dream State, p. 23-24
Pergunta:E caso ocorram conflitos inesperados e não possamos meditar de manhã no horário estipulado?
Sri Chinmoy: Não existe tal coisa. Essa hora é muitíssimo importante. Saibam que não é como um horário marcado com o dentista. É o encontro com o seu Eterno Pai, o seu Amado. Se alguém quer marcar um encontro e você não puder, dirá: “Tente novamente na semana que vem.” Você se esforçará para ver alguém às dez ou às cinco horas, e aquele será o horário. Caso o Supremo venha na hora marcada e você disser: “Tente novamente na semana que vem,” Ele dirá que pode vir apenas na hora em que Ele deve vir e essa é a única hora em que Ele pode vê-lo.
Mas se você estiver doente ou sofrendo de alguma coisa, é inevitável. Se tiver febre, o que poderá fazer? É a única desculpa que aceitarei, de outra forma, terá de se convencer a acordar cedo.
Palmistry, Reincarnation and the Dream State, p. 24-25
Por que usar incenso, flores e velas para meditar?
Pergunta:Porque você usa flores e queima incenso quando medita?
Sri Chinmoy:Existem pessoas que dizem não ser necessário ter flores à nossa volta enquanto meditamos. Elas dizem: “A flor, o lótus de mil pétalas, está dentro de nós.” Mas a flor material nos lembra pureza e divindade. Quando você a olha, ganha um pouco de inspiração.
Acontece o mesmo com a chama da vela. Não é ela própria que nos inspirará, mas sim a chama interior. Mas quando vemos a chama exterior imediatamente sentimos que a chama no nosso ser interior está sendo alimentada e indo alto, mais alto, altíssimo. E quando sentimos o cheiro de incenso, conseguimos talvez um pouco de inspiração, somente um pouco, mas essa inspiração e purificação podem ser juntadas ao nosso tesouro interior.
Meditation: Humanity’s Race and Divinity’s Grace 1, p. 47 – 48
Pergunta:Por que é necessário que tenhamos flores, incenso e tudo o mais para meditarmos?
Sri Chinmoy: Quando oferecemos flores, quando queimamos incenso, acendemos velas ou tomamos banho, convencemos nosso físico de que estamos fazendo algo. A vida exterior e a interior devem caminhar juntas, mas a exterior não é o nosso objetivo. O objetivo é a nossa aspiração interior, a chama crescente dentro de nós. Devemos estar atentos à nossa aspiração e então constantemente ir ao nosso interior e voar para o mais alto nível de nossa consciência.
Flores, incenso e banho antes da meditação nos ajudam a ter pureza. A pureza do corpo é da maior importância na vida espiritual. É nessa pureza que habita a respiração de Deus. Se faltar pureza física será simplesmente impossível para o Divino respirar dentro de você. A pureza requer limpeza no corpo. Àquilo que chamamos de limpeza no mundo exterior, chamamos de pureza no mundo interior. Portanto, antes de começar a meditar, não importa quando você medite, tome uma ducha ou lave seus olhos, orelhas, nariz e pés com água fria, e se possível use flores e incenso para criar uma atmosfera de pureza.
Pergunta:Considerando-se o ambiente físico, qual é o melhor lugar para meditar?
SriChinmoy:Você deve ser prático quando escolhe um lugar para meditar. Se tentarmos meditar na rua um carro nos atropelará. Se decidirmos meditar na cozinha, que tipo de meditação poderíamos ter? Haverá todo tipo de barulho, cheiro e atividade para nos perturbar. Em vez de meditarmos em Deus, meditaremos na comida. Teremos um resultado melhor de nossa meditação se tivermos um altar num canto silencioso de nossa sala ou quarto. Mas enquanto estivermos sentados em frente de nosso altar, se não sentimos um altar dentro de nosso coração não teremos uma meditação satisfatória. Em qualquer lugar que meditemos, devemos entrar em nosso coração onde podemos sentir o altar vivo do Supremo. Em nosso altar interior tudo é seguro e protegido, lá nós estamos protegidos pelas forças divinas. Se você puder meditar no seu altar interior poderá fazer um rápido progresso porque não encontrará nenhuma oposição. Na mente existe uma batalha constante, ela é como Times Square na véspera de Ano Novo em Nova Iorque, enquanto que o coração é como uma caverna solitária no Himalaia.
Meditation: Humanity’s Race and Divinity’s Grace 1, p. 47 – 48
Pergunta:A qual é melhor: a meditação matutina ou a meditação vespertina?
Sri Chinmoy:Elas podem ser igualmente benéficas, igualmente frutíferas, mas à noite se torna mais difícil meditar porque por 8 ou 10 horas durante o dia você esteve na agitação da vida. Você encontrou pessoas sem aspiração e inconscientemente seus pensamentos e idéias impuras entraram em você. A menos que você seja espiritualmente poderoso, assimilará do mundo forças não inspiradoras e não aspirantes. Portanto, se torna muito difícil meditar à noite com a mesma esperança e o mesmo frescor. Se você tomar um banho, isso ajudará, se você se associar a pessoas espirituais isso também o ajudará. Mas normalmente não é a mesma coisa.
Na manhã seguinte tudo estará fora de sua memória pelo menos por um período de tempo. Enquanto você dormiu as distrações do mundo exterior se foram. Todos os golpes que você recebeu das pessoas se foram. Durante as 8 horas em que você esteve dormindo, a sua alma, como uma divina ladra, o esteve observando. Um ladrão qualquer teria roubado alguma coisa de você, mas essa ladra divina somente lhe dará e dará. Se você precisa de paz em algum ponto, sua alma ali colocará a paz.
É como a mãe que entra secretamente no quarto da criança pela manhã – muito cedo. Assim que a criança acorda encontrará tudo o que necessita para ir à escola. À noite a alma tem a oportunidade de fazer o que é necessário enquanto você dorme. Mas durante dia, enquanto você está envolvido nas atividades exteriores, se torna extremamente difícil para a alma dar e para você receber. Por essas razões, meditar de manhã é usualmente melhor.
Quando você se senta para meditar, se estiver 99% no mundo do sono e 1% neste mundo, como poderá ter uma meditação frutífera? De manhã, para conquistar sua letargia, tome um banho e se sente refrescado e alerta para sua meditação, a qual se tornará 100% boa. De outra forma ela será inútil.
De manhã bem cedo não há agitação, não há comoção. Você descansou por muitas horas e sente a força de um leão. Depois da manhã, a melhor hora para meditar é à noite porque a atmosfera é calma e há bastante paz. Você tem então uma sensação de suavidade. À noite você está cansado e sente que o mundo todo está cansado, mas existe uma pequena diferença entre a maneira como o mundo se aproxima da verdade e à sua própria abordagem quando ambos estão cansados. Quando o mundo está cansado ele não tem aspiração e quer descansar. Mas você sente que o seu cansaço e letargia podem ser superados apenas trazendo mais Luz, mais energia para o seu organismo. Uma pessoa comum não rezará ou meditará. Se ela estiver cansada dormirá. Ela sentirá que não há nada mais para fazer. Mas você dirá: “Não! Estou cansado, mas existe uma forma específica de dar energia à minha vida: lhe dando paz, luz e alegria.” Quando você reza ou medita, uma nova vida, uma nova energia o adentra e o refresca.
Se você quiser meditar à noite, medite por meia hora ou 40 minutos antes da refeição. Se estiver realmente com muita fome você pode tomar um copo de água, suco ou leite. Se você meditar após ter tido uma refeição pesada, os milhares de nervos sutis em seu corpo estarão muito pesados e você não será capaz de ter uma boa meditação. O corpo, a consciência, os nervos estarão pesados e sua meditação será inútil. Quando você medita corretamente a sua consciência voa como um pássaro, se meditar bem você sente que toda a sua existência, como um pássaro, está voando, alto, mais alto, altíssimo.
Mas, quando você se toma pesado, imediatamente afunda e sua consciência não se levanta.
Se você não puder meditar de manhã, meditar à noite é a segunda melhor opção. Não ao meio-dia ou às 14 horas. Nessas horas sua meditação não será boa. Mas quando você estiver bem avançado na vida espiritual, qualquer hora será boa para você. A melhor coisa, no entanto, é meditar de manhã e à noite. Se você meditar bem pela manhã, conseguirá um milhão de dólares espirituais e se meditar bem à noite conseguirá 10 milhões de dólares espirituais – mas se conseguir mesmo que seja um dólar a mais para juntar à soma espiritual em direção à sua realização, se você for sábio, ficará com ele.
Vocês podem dizer: “Eu não sei como meditar” Mas eu quero dizer que uma vez que você se torne meu discípulo e entre no meu Barco, esse problema é do Barqueiro que deve levá-lo para a Praia Dourada. Depois que você estiver sentado no Barco, em segurança, você pode se deitar, cantar, dançar ou fazer qualquer coisa. Mas primeiro você tem de entrar no Barco. Ocasionalmente eu dou algumas instruções para alguns dos meus discípulos que necessitam delas, mas para a maioria não dou meditações individuais – a cada um é permitido meditar à sua própria maneira. Quando eu aceito um discípulo, me concentro em sua alma e trago a alma à frente. Então dou a ele alguma meditação interior. Naquela hora o discípulo está apto a receber minha instrução interior. Mas se o discípulo puder criar conscientemente uma vibração e mantiver uma atitude sincera, então é mais fácil para a alma permanecer à frente e receber de mim todo o necessário.
No começo eu era muito liberal em dar aos meus discípulos meditações individuais. Eu tinha uma discípula que nunca tinha resultados satisfatórios das meditações que eu dava a ela. Ela sempre voltava da meditação que eu dava e me pedia que fizesse o favor de lhe dar outra. Eu lhe dava outra meditação e ela continuava me pedindo outra.
Essa discípula costumava ir a todo tipo de Mestres espirituais, aos cinemas, festas e casas noturnas e então reclamava que as meditações que eu tinha dado não funcionavam. O que eu podia fazer? A primeira meditação que eu lhe dei deveria ter sido efetiva. Somente pela minha compaixão continuei dando a ela diferentes meditações. Finalmente ela me acusou de não ter nenhuma visão interior.
Dependence and Assurance, p. 2 – 4
Para que mantenhamos sempre o mesmo nível de meditação temos de ser espiritualmente adiantados. Não estou jogando água fria em vocês – longe disso. Quero dizer que no começo você deve ficar feliz mesmo que somente algumas vezes tenha meditações muito boas, muito elevadas e sublimes. Quando você não tiver uma boa meditação, não se permita ficar frustrado. Se você se tornar frustrado perderá muito de sua capacidade e no próximo dia, naquela mesma hora, será impossível que você medite profundamente.
Se hoje você não tiver uma boa meditação, procure esquecer; amanhã se você tiver uma meditação um pouco melhor, tente lembrar-se dela. O passado é pó, não nos dá realização. Esse é o porque de rezarmos e meditarmos. Então porque pensamos no passado? Você deve esquecer tudo aquilo que não o inspira ou não lhe dá a coragem de ir adiante. Portanto, se a meditação de hoje não o inspirou ou não lhe deu resultados mais satisfatórias, tente esquecê-la totalmente.
Por que nós meditamos? Meditamos precisamente porque necessitamos de algo. De que? Do sentimento consciente de nossa unicidade com o Supremo. Essa necessidade deve ser espontânea, genuína e com toda a alma.
Vamos começar com o ABC da meditação. A melhor forma de meditar é sentar-se com as pernas cruzadas numa pequena almofada ou tapete. A coluna vertebral e o pescoço devem ser mantidos eretos. Se para alguns de vocês não for possível sentar-se nessa posição, então, por favor, se estiverem sentados numa cadeira conservem as costas inteiramente eretas. Se vocês quiserem meditar em casa, tentem manter um lugar sagrado, um canto de seu quarto absolutamente puro e santificado. E por favor, usem roupas limpas e claras. Para ter o máximo de pureza é de extrema ajuda tomar banho antes da meditação, mas se isso não for possível pelo menos lavem o rosto e os pés. Se possível, enquanto estiver meditando usem incenso e coloquem uma flor, qualquer flor à sua frente.
Quando você estiver meditando em casa, se possível, medite sozinho. Esta regra não se aplica ao casal se os dois tiverem o mesmo Mestre espiritual – eles podem meditar juntos. Também os amigos espirituais que entenderem totalmente a vida interior uns dos outros podem meditar juntos. De outra forma não é aconselhável meditar com outras pessoas. Em nosso Centro, no entanto, os discípulos devem meditar coletivamente, pois isso também é muito importante. Mas para a meditação diária, individual, eu sinto que é melhor que cada um medite em seu próprio quarto, em privacidade, até mesmo em segredo.
É de grande ajuda ter à sua frente durante sua meditação a foto de Cristo ou de alguma outra figura espiritualmente amada, a qual você considere como seu Mestre. Aqueles que são meus discípulos terão a minha foto, tirada quando eu estava meu mais alto nível de consciência, onde sou absolutamente Um com o meu Piloto Interior. Eu digo aos meus discípulos quando eles meditam na minha foto: “Ou vocês entram em mim ou permitem que eu entre em vocês para que eu possa meditar em seu lugar”.
Algumas pessoas me perguntam o que devem fazer quando estão desassossegadas e não conseguem ter uma boa meditação. Se qualquer um de vocês achar difícil meditar em algum dia, não force. Somente olhe para minha foto – nos meus olhos, na minha testa ou mesmo em meu nariz. Somente olhe e não tente se esforçar para meditar. Quando você se levanta para um dia de trabalho, não se sinta miserável porque não pode meditar. Se você sentiu que o seu Ser Interior está descontente ou que você mesmo está descontente, estará cometendo um grande erro. Se num dia você não consegue meditar, tente me passar a responsabilidade dessa situação, se você for meu discípulo, ou passe-a para o Supremo. Se você se sentiu culpado ou desanimado, o progresso que você fez ontem ou anteontem será anulado.
Meditation: Humanity’s Race and Divinity’s Grace 2, p. 3 – 4
Se você quer desenvolver os seus talentos ou aumentar a sua capacidade em qualquer área, então eu gostaria de dizer que é obrigatório seguir alguma disciplina interior. Se você é um cantor, mas deseja cantar infinitamente melhor, sua voz vai se tornar muito melhor com a sua aspiração. Não existe nada na Terra que não possa ser melhorado pela espiritualidade e pela meditação.
Se você quer simplificar a sua vida, a meditação é a resposta. Se quer satisfazer a sua vida, a meditação é a resposta. Se quer ter alegria e oferecê-la ao mundo inteiro, então a meditação é a única resposta.
Se meditar para se esquecer do seu sofrimento ou das suas dificuldades, então não estará meditando pela razão correta. Mas se está meditando só para satisfazer a Deus e para satisfazer a Deus à maneira Dele, então a sua meditação está correta. Quando Deus fica contente, e Ele fica contente com a sua meditação, então é problema Dele retirar os seus sofrimentos e as suas dificuldades. Mas se você medita para escapar do mundo ou para enfrentá-lo e ficar contra ele, está fazendo a coisa errada.
A meditação, que você tem para utilizar todos os dias e todos os segundos, é a sua capacidade consciente para entrar na sua altíssima divindade, na qual o finito está completamente perdido no Infinito. Ao meditar, a existência finita, que você tem e que você é, pode ser facilmente perdida no Infinito e se tornar totalmente uma com Ele. Isso é o que a meditação é e o que ela pode fazer por você.
Experiences of the Higher Worlds, p. 2-3
Pergunta:Por que é importante meditar com outras pessoas?
Sri Chinmoy: Se você tiver um amigo que saiba como meditar, e meditar com ele, pode dele receber inspiração, mesmo inconscientemente. E então automaticamente o poder de meditação em você aumentará e a sua ignorância diminuirá. Você aprenderá muitas coisas com os seus amigos espirituais, será capaz de ter uma nova perspectiva na vida.
Sri Chinmoy numa aula de meditação em 1970 em Nova Iorque
O que é Vida Espiritual?
por Sri Chinmoy
Aqui somos todos buscadores, buscadores da Luz infinita e da Verdade eterna. O que isso significa? Significa que aceitamos a vida espiritual plena e conscientemente.
A questão fundamental é a seguinte: “O que é vida espiritual?” A vida espiritual é uma coisa natural e normal. Ela é sempre natural e ela é sempre normal, ao contrário de outras coisas com as quais nos deparamos em nossas múltiplas atividades diárias. A vida espiritual é normal e natural precisamente porque conhece a própria Fonte. Sua Fonte é Deus, a Luz infinita, e Deus, a Verdade eterna.
Quando seguimos a vida espiritual, sentimos que uma vida de paz não precisa permanecer uma meta distante para sempre. Nós sentimos que uma vida de amor, do amor que se expande, não precisa permanecer para sempre uma meta distante. Se seguimos a vida espiritual, podemos atingir e clamar como muito nosso tudo aquilo que nos gratifica de maneira divina e suprema.
Hoje não temos Paz, Luz e Felicidade em medida abundante à nossa disposição. Mas, ao praticarmos a espiritualidade, quando o nosso clamor interior, a que chamamos de aspiração, escala ao alto, ao mais alto, ao altíssimo, nessa hora conseguimos Paz, Luz e Felicidade não só em medida abundante, mas em medida infinita. E podemos atingir e apreciar essas qualidades divinas nos mais profundos recônditos dos nossos corações. Quando praticamos a vida espiritual plena, devotada e incondicionalmente, tentamos trazer à tona a divindade que todos nós temos. E essa divindade nada mais é do que a nossa perfeição.
Aqui somos todos buscadores. Cada buscador representa o ideal e o real. O ideal é a autotranscendência e o real é a Consciência Divina que a tudo permeia.
Se queremos crescer no real e no ideal em nós, temos de limpar a nossa mente completamente dos pensamentos não-divinos que estão constantemente nos assaltando. E temos de esvaziar o nosso coração e preenchê-lo com Luz e Deleite infinitos. Então Deus, o Real, e Deus, o Ideal, poderão cantar e dançar em nosso ser aspirante.
Aqui somos todos buscadores. Somos todos instrumentos escolhidos do Supremo, nosso Amado Supremo, o Eterno Piloto. Podemos provar essa sublime afirmação nossa, não com palavras mas sim com ações, com o nosso serviço amoroso e com o nosso amor ao serviço.
Serviço amoroso. Nosso serviço amoroso pode provar ao mundo como um todo que somos instrumentos escolhidos do Supremo, para o Supremo. Quando amamos ao Supremo plena, devotada e incondicionalmente na nossa mente aspirante, nós aumentamos a nossa Altura-Deus. E quando servimos ao Supremo plena, devotada e incondicionalmente na nossa mente aspirante, nós aprofundamos a nossa Profundidade-Deus.
Madre Teresa fala sobre como aprender meditação em silêncio e oração
Acompanhando os escritos de Sri Chinmoy, vejo que ele costuma se referir informalmente à vida espiritual como “oração e meditação”. Uma oração elevada e entregue é como uma meditação em Deus.
Aqui separamos alguns textos da Madre Teresa, amiga de longa data de Sri Chinmoy, com quem compartilhava também o aniversário de nascimento em 27 de agosto. Nesses textos, vemos trechos de seus comentários sobre aprender a meditar e orar em silêncio.
***
Somos chamados em certos intervalos a nos recolher em um silêncio mais profundo e solidão com Deus, tanto juntos em comunidade quanto de forma solitária. Estar sozinho com Ele, não com nossos livros, pensamentos e lembranças, mas completamente despidos de tudo, habitando amorosamente em Sua presença – em silêncio, vazio, aguardo e imobilidade.
Se realmente queremos aprender a orar, devemos primeiro aprender a ouvir, pois é no silêncio do coração que Deus fala.
Os contemplativos e ascetas de todas as eras buscaram Deus no silêncio e solidão do deserto, floresta e montanha.
Ouça em silêncio, pois se o seu coração estiver repleto de outras coisas, você não conseguirá ouvir a voz de Deus. Mas quando você ouve a voz de Deus no silêncio do seu coração, o seu coração fica repleto de Deus. Isso exigirá muito sacrifício, mas, se realmente quisermos aprender a orar e quisermos orar, devemos estar prontos para fazê-lo agora.
O homem necessita de silêncio. Estar sozinho ou junto, buscando Deus em silêncio. É então que acumulamos o poder interior que distribuímos em ação, no menor dos deveres e nos mais duros desafios que enfrentamos.
Ter silêncio interior é muito difícil, mas precisamos tentar. No silêncio encontramos nova energia e uma verdadeira unicidade. A energia de Deus será nossa para tudo fazermos bem.
É difícil orar quando não sabemos orar. Precisamos nos ajudar a aprender. O mais importante é o silêncio.
Precisamos encontrar Deus, e Deus não pode ser encontrado no barulho e inquietação.
Não conseguimos nos colocar diretamente na presença de Deus sem nos colocarmos em silêncio interior e exterior. É por isso que devemos nos acostumar com o silêncio da alma, dos olhos, da língua.
Tudo começa com a oração que nasce no silêncio dos nossos corações.
“O Reino dos céus assemelha-se a um tesouro escondido no campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o novamente. Então, transbordando de alegria, vai, vende tudo o que tem, e compra aquele terreno. …
Não acumuleis para vós outros tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde ladrões arrombam para roubar. Mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde a traça nem a ferrugem podem destruir, e onde os ladrões não arrombam e roubam. …” Jesus Cristo, o Novo Testamento
Se me perguntassem por que motivo eu comecei a meditar, diria que foi porque vi um cartaz na universidade dizendo “curso de meditação gratuito“.
Mas, se me perguntassem por que eu tive interesse, por que eu quis ir nesse curso, eu não sei explicar. Eu só sabia que tinha que ir, sem nenhuma explicação.
Quando ouvimos as histórias dos Mestres espirituais, cedo ou tarde nos conciliamos com uma certa inevitabilidade, que somos escolhidos à Hora de Deus para realizar alguma coisa. Para mim, teve a Hora para começar a meditar, o que levou-me a encontrar a minha vida espiritual.
Ontem estava lendo histórias sobre a infância do meu Mestre, Sri Chinmoy, no Ashram de Sri Aurobindo. Ele contou uma história que, simplificadamente e com possíveis erros de lembrança da minha parte, era assim: um jovem rapaz foi comprar um sapato numa loja. O lojista embrulhou o calçado em jornal. Chegando em casa, ele abriu o jornal e se deparou com um artigo de Sri Aurobindo, com a sua foto. Foi o que bastou. Ele foi para Pondicherry encontrar-se com essa “pessoa” que, num piscar de olhos, passou a ser a coisa mais importante no mundo dele. Ele deixou tudo que tinha na vida – fama, posses, escolaridade – e se tornou um dos principais discípulos de Sri Aurobindo.
O nome de um Mestre espiritual realizado possui um poder imenso. Costumo me referir ao meu próprio Mestre como Guru, de forma muito carinhosa e próxima, mas quando ouço seu nome “Sri Chinmoy”, sinto que ali há um tesouro inigualável. Foi essa sensação que me inspirou a escrever, e também me fez lembrar da citação do Cristo que abre o artigo. Nesses dias, lendo as histórias de Sri Chinmoy, tive uma sensação profunda de satisfação, como se o fato de eu ter ele fosse a única coisa que importasse. Quando você tiver um Mestre realizado, terá essa mesma sensação, da sua própria forma e na sua própria hora, é claro.
Sri Chinmoy não espera do seus alunos que abdiquem do mundo formalmente, mas a nossa postura deve sim ser a de que a prioridade é o progresso espiritual, sendo que o progresso material serve apenas como base para o interior, nunca como uma meta por si só. Vemos o divino em tudo, em todas as coisas, e tentamos priorizar a busca por aquilo onde esse Divino está manifestado de forma mais presente e evidente.
Foi por isso que comecei a meditar. E você, por que vai começar a meditar?
“Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas dágua em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.
Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade….”
A crônica de Rubem Braga e a grande dicotomia que expressa me fez lembrar comentários do meu Mestre Sri Chinmoy sobre a natureza da mente e do coração.
O coração é e age e entende tudo como “o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade”.
A mente é e analisa e disseca tudo como em “…Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d’água em que a luz se fragmenta”.
É por isso que a meditação acontece com facilidade no coração, e dificilmente acontece na mente. Ainda quando acontece, é árida, insatisfatória, duvidosa. No coração, você dá um passo de volta para os melhores tempos da sua infância (pois a criança tem mais acesso ao coração – é por isso que ela é tão bonita), e nem precisa fazer mais nada por aquele momento. Basta sentir no silêncio do templo do seu coração aquilo que deve fazer.
Lembro de algo que Sri Chinmoy disse uma vez (foi uma gravação de áudio de muitos anos atrás, por isso não tenho aqui as palavras exatas, e sim só o que lembro), sobre o primeiro dia ensinando meditação para os outros: não adianta ficar falando que a mente é ruim. Não. O correto é simplesmente utilizar mais o coração. A mente vai sendo iluminada posteriormente por sua proximidade com o coração que vai se iluminando. Só use mais o coração.
Como usar mais o coração? Tem várias palavras que terminam com “ção” que vão lhe ajudar a ficar mais no cora”ção” e sentir mais satisfa”ção”
Meditação (diária, com aspiração interior)
Oração (em silêncio, diariamente)
Devoção (em pensamento, em ação)
Canção (canções espirituais, canções de devoção, claro)
Perfeição (por exemplo, nos esportes, ao dar o máximo de si ainda mantendo uma atitude de devoção – para quem já teve a experiência, parece ser a perfeição por um instante, não?)
Ação (ação correta, instigada pelo divino dentro de si)
A meditação simplifica a nossa vida exterior e energiza a nossa vida interior. A meditação nos proporciona uma vida natural e espontânea, uma vida que se torna tão natural e espontânea que não podemos respirar sem estarmos conscientes da nossa própria divindade.
Dicas para meditar 4: Meditação é uma coisa tão simples e natural
Alguns anos atrás uma escritora do Vida Simples participou do nosso curso de meditação e escreveu uma matéria para a revista impressa. Uma amiga minha que também é jornalista reencontrou essa matéria e, pensando no nome “Vida Simples”, me veio o pensamento de que eu poderia retribuir, escrevendo agora eu sobre a como aprender a meditação e abordando o seu aspecto de “simples e natural”.
Meditação é muita coisa para muita gente. Para mim, meditação não é técnica. Meditação não se aprende lendo, e eu não posso ensinar para ninguém. Meditação é um anseio interior, que Sri Chinmoy costuma chamar de aspiração. Quando você dá um espaço para a sua meditação acontecer, para a sua aspiração mergulhar (é uma boa figura de linguagem), aí é que você entende o que é meditar. Mesmo uma meditação de um minuto, contanto que seja genuína, faz você levantar do lugar onde estava sentado uma pessoa completamente diferente do que a pessoa que se sentou lá.
Quando essa aspiração começa a se manifestar com frequência na vida de uma pessoa, ela se torna uma buscadora – buscadora da Verdade, da Luz, da Perfeição.
Agora pensemos. Verdade, Luz, Perfeição escritas assim, com inicial maiúscula… são coisas fáceis de se obter? Um diploma universitário, amigos, bens, são coisas bem simples de se obter. Basta dedicar alguns anos da sua vida. Mas, e o que você faz com isso? Isso lhe traz mais para perto da Verdade, Luz e Perfeição – ou para longe?
É por isso que a frase de Sri Chinmoy que abre o artigo é tão genial: “A meditação simplifica a nossa vida exterior e energiza a nossa vida interior. A meditação nos proporciona uma vida natural e espontânea, uma vida que se torna tão natural e espontânea que não podemos respirar sem estarmos conscientes da nossa própria divindade.”
Se você quer alcançar uma meta elevada, precisa de foco e dedicação. Precisa também de tempo e energia. Uma vida simples pode proporcionar isso a você. Mas como saber o que é importante e deve ser valorizado e o que é um estorvo e deve ser transformado? Cada um pode dizer diferentes coisas, mas quem está certo?
O silêncio do seu coração vai lhe mostrar. De repente, coisas que não queria fazer começam a parecer interessantes. Coisas que gostava de fazer repentinamente passam a parecer tão vazias, sem sentido. Seus amigos mudam, sua casa muda, suas roupas mudam, tudo muda. Como meditar? Você vai aprender também! A técnica que funciona melhor, o melhor professor, tudo vai aparecendo uma hora ou outra.
Uma vez que você começa a praticar a meditação (ou outra prática espiritual) com sinceridade e aspiração, a sua alma vem mais à tona, e o seu “eu” buscador começa a mostrar para você o que vale a pena e o que não vale. O que leva você adiante e o que não leva. O que tem futuro e o que não tem futuro. Isso faz com que tenha a oportunidade de deixar que somente as coisas importantes fiquem na sua vida. O seu papel é ouvir o seu coração. O resultado é a Verdade, a Luz, a Perfeição.
O texto que abre o artigo termina assim:
“A meditação é um dom divino. Ela é a abordagem direta que leva o aspirante ao Uno de quem ele é descendente. A meditação diz ao aspirante que a sua vida humana é uma coisa secreta e sagrada, e ela afirma a sua herança divina. A meditação lhe proporciona um novo olho para enxergar Deus, um novo ouvido para ouvir a Voz de Deus e um novo coração para sentir a Presença de Deus.”
Dica para meditação 3: Meditação é uma forma de identificação
Sinto que a meditação não é uma técnica, mas talvez uma abordagem na sua disciplina espiritual. Minha disciplina espiritual começa de manhã cedo, quando medito na foto do meu Mestre, Sri Chinmoy.
Se você não tem um Mestre realizado, você pode meditar de outras formas, no céu ou oceano, no seu coração, na música espiritual.
Ele sempre nos ensinou que a melhor meditação acontece a partir do coração, e que o coração possui uma habilidade particular, que é a capacidade de identificação, de unicidade genuína.
Depois de uns dez ou quinze anos de meditação diária, minha meditação mudou um pouco. Um dia, em particular, tentei sentir que a minha existência e a existência do Mestre, da consciência que a foto dele traz, não são duas coisas. São uma só. Olhei para a foto e senti que eu sou aquela foto, e todas as coisas que aquela foto é eu também sou.
O papel de um Mestre espiritual, numa das minhas histórias favoritas de Sri Chinmoy, é justamente esse, e reproduzo um trecho da história aqui:
O Mestre falou, “Veja, agora mesmo, alguns dos meus discípulos estão molhando a grama. Há pequenas plantas por aqui.” O Mestre apontou duas plantinhas bem miúdas. Então, o Mestre pegou uma pazinha e arrancou uma delas. Pegou a planta toda, raiz e folhas, e dirigiu-se para a outra planta. Aí, também, removeu a planta inteira e substituiu-a pela primeira. Daí, pegou a segunda planta e replantou-a no lugar da primeira.
Então, o Mestre falou, “Olhe aqui. Esta planta é o homem e aquela é Deus. Agora, eu sou o Mestre. Eu cheguei aqui e toquei esta planta. Foi uma questão de minutos, poucos minutos. Tão logo a toquei, imediatamente a planta me deu a divina resposta, e eu a peguei e a coloquei lá onde a planta chamada ‘Deus’ estivera. Então, peguei a planta-Deus e obtive toda Sua Compaixão, Amor, Alegria e Deleite, e os coloquei aqui onde o homem a planta estivera. Foi uma questão de apenas poucos minutos. Levei o homem a Deus e trouxe Deus ao homem.”
Praticando tentar me identificar com a consciência do meu Mestre, não apenas parece que tenho mais facilidade para conseguir ter uma experiência mais completa, mas também mais profunda e transformadora. Você também pode se identificar com o céu, com o oceano, com Deus.
Também é possível que, durante ou depois da meditação, você sinta identificação com um certo aspecto da sua busca – você pode sentir amor intenso por Deus ou pelo seu Mestre ou pela humanidade. Mas a gama de experiências é vasta, e eu não conseguiria descrever mais do que as experiências que tive.
Pergunta: quando medito com o meu coração na sua foto, tenho tido dor de cabeça.
Sri Chinmoy: Você está forçando além da sua capacidade. Você sente que está meditando no seu coração, mas está sendo enganado. Você está na verdade meditando na sua mente, sem ser capaz de sentir a presença da sua mente. Se realmente meditar no coração, você terá o sentimento de identificação. Então, não importando o quão intensamente você medite, não haverá esse problema.
Por gentilea seja mais consciente. Então será capaz de descobrir que está meditando na mente. Se meditar no coração, não importa quantas horas medite ou quanta Paz, Luz e Deleite receba em seu coração, não terá dores de cabeça.
Sri Chinmoy costuma sempre dizer que tanto a oração quanto a meditação são muito eficazes, e que as pessoas realizaram Deus tanto pela oração quanto pela meditação. Ainda assim, ele considera que a meditação é um pouco mais rápida, mais incondicional, e que nos traz uma maior sensação de unicidade com o Supremo. (A lógica é que, quando oramos, pedimos algo e, portanto, nos sentimos separados de Deus. Na meditação, a ideia é justamente perceber a unicidade com Ele diretamente.)
Mas há momentos, dias, onde fica difícil meditar direito. Principalmente durante o correr do dia, quanto por vezes muitas coisas passam pela cabeça, quando tivemos de lidar com muitas coisas diferentes. Ainda assim tentamos meditar, mas às vezes não funciona.
Nessas horas, se você lembrar de manter a sua mente em estado de oração, isso será uma grande ajuda. Você tem um sentimento de consagração, conversando com Deus ou com a natureza. Isso pode lhe dar uma nova perspectiva sobre a sua situação, sobre todas as coisas, na verdade, e fazer com que receba o que teria recebido da sua meditação ou então que passe a ter mais receptividade e logo tenha uma boa meditação.
Também é uma oportunidade para quebrar paradigmas seus, para reconsiderar o valor de cada coisa. Na oração, você faz isso de forma consciente. Na meditação, essa realização aparece espontaneamente com a prática diária.
Quando a Vontade altíssima deseja exercitar-se em e através do corpo físico, o físico deve desenvolver receptividade para que possamos devotadamente manifestar exteriormente o que temos em nosso interior.
Sri Chinmoy foi um decatleta campeão, jogador de futebol e vôlei durante a sua juventude. Mas mesmo depois do seu ápice por volta dos 30 anos, ele nunca deixou de fazer exercícios. Passou a jogar tênis, fazer corridas e ciclismo de longa distância, e mesmo aos 55 anos, quando seu joelho já não suportava a sua volumosa quilometragem diária, ele passou a fazer levantamentos de pesos de até 3100kg.
No caso de um Mestre espiritual realizado, tudo o que ele faz tem um motivo explícito: por ter alcançado unicidade consciente com o Divino, todas as suas ações são obras Dele, e portanto os seus motivos são motivos Dele.
Entretanto, quando possível e conveniente, o Mestre espiritual explica para as pessoas porque algo deve ser feito. Por exemplo, não só ele fazia, mas também pedia veementemente que todos os seus discípulos praticassem esportes diariamente. Aos que tinham mais afinidade, encorajava que treinassem bastante para se autotranscender. Aos que tinham menos, ainda assim explicava que o exercício físico é indispensável para seus alunos, não só para manter o corpo saudável, para estender a nossa vida aspirante na Terra, mas também para gerar receptividade no físico. Essa receptividade é a receptividade à luz interior. Por isso, quando fizer exercícios, se pensar conscientemente no seu propósito, isso lhe trará um grande benefício. Por que estou me exercitando?
A meditação também se beneficia imediatamente. Eu mesmo não tenho visão interior, mas, tendo lido os escritos de Sri Chinmoy e praticado sua filosofia, e praticado esportes – desde correr por 20 minutos de manhã cedo até fazer ultramaratonas de 10 dias – por muitos anos, posso destacar que a sua meditação melhora não pouco, mas muito, com a prática de esportes.
Uma coisa clara é o sentimento de inquietação mental e física. Quando você gasta a energia física, você não a perde. Ela é transmutada de energia física grosseira, inerte (açúcar, gordura, inquietação, letargia), para energia vital dinâmica (vigília, entusiasmo, determinação). Ao terminar de fazer os exercícios, muitas vezes você pode perceber como é mais fácil realizar suas tarefas domésticas, de trabalho, espirituais. Tudo fica mais fácil.
A mente também se beneficia muito. Aquela inquietação natural da mente é gasta no processo do exercício, sobrando um estado de vigilância positiva. É como a diferença entre um cachorro treinado e um cachorro destreinado em casa. Quem já teve cachorro em casa deve saber como é. Quando o carteiro chega trazendo correspondência, o cão destreinado morde as coisas, corre aqui e ali, late desesperado, etc. Mas não tinha motivo. O cão treinado só observa se a situação requer intervenção. Se não, ele curva seu instinto e retorna a guardar a casa contra algo que possa ser relevante. Igualmente, a nossa mente deve ser treinada a afastar as coisas ruins, e não a ficar reagindo a tudo e todas as coisas.
Em tempos de excesso de informação, sinto que o exercício é uma forma de purificar os padrões que criamos para a mente com tantas mídias dispensáveis. Então, tanto durante o seu dia você fica mais receptivo às coisas sutis que acontecem ao seu redor, quanto durante a sua meditação fica mais fácil se concentrar para mergulhar fundo.
Se você pudesse voltar no tempo o que você diria para seu antigo eu de quase 30 anos? Eu diria: calma, minha filha, você não controla a sua vida e você vai nascer de novo aqui mesmo nesta vida.
Embora a gente tenha de viver o presente, o aqui e o agora, como Sri Chinmoy nos ensina, às vezes eu gosto de olhar para trás para fazer uma análise da pessoa que eu me tornei. Não é viver o que aconteceu lá atrás e sim perceber o quanto eu mudei e ainda posso mudar.
Quando nascemos esquecemos de tudo que já vivemos em outras vidas e na medida que vamos crescendo podemos “desaprender” o que antes já tínhamos conquistado ou evoluir seguindo o que já começamos antes. Mas muitas vezes não conseguimos entender os sinais que Deus faz pra gente, indicando esse caminho de seguir o plano que já havíamos começado muito antes de estar aqui nesse planeta.
Comecei este texto com essa pergunta porque hoje, 26 de julho, é um dia muito significativo para mim, há dois anos eu oficialmente nascia para uma nova vida. Eu conheci os ensinamentos de Sri Chinmoy em novembro de 2017 em São Paulo e desde então posso dizer que a minha busca por algo maior só aumentou. É engraçado analisar tudo que eu sempre vivi antes e todas as vezes que não consegui sentir o sinal divino falando comigo. Sabe quando você ouve “alguém” sussurrando para fazer algo? Eu não sabia o que era…
No primeiro dia que participei do curso de meditação eu sentia que devia continuar, porém eu fiz a escolha de não seguir naquele curso. Eu poderia fazer em dezembro, já que acontecia todo mês. Só que naquele dezembro não aconteceu. Ah, quanta coisa acontece em um mês… Mas a minha sede por esse mundo da meditação estava aguçada e nada me impediria de começar o curso novamente em janeiro, nem mesmo um namoro recém-começado.
E eu fui e fiz até o final. Lembro que um dia, talvez o penúltimo, eu não estava muito bem e quase faltei, mas algo dentro de mim, que era mais forte do que eu me fez chegar até aquela casinha branquinha tão especial na Vila Mariana. E só de pisar lá dentro eu mudei e saí tão bem que só agradeci por essa força ter me guiado.
No último dia de curso eu poderia ter continuado. Eu sabia que deveria ter continuado. Aquela “voz” dizia para meu coração que era o certo a se fazer. Mas eu não conseguia ouvi-la, como não a ouvi tantas outras vezes em minha vida ao longo daqueles 30 anos. E saí correndo, como se estivesse fugindo de alguém, na verdade eu estava fugindo de mim mesma, de quem eu me tornaria. Só escrevi minha carta pedindo a Sri Chinmoy que me aceitasse como sua aluna e depois fugi.
Só hoje quando aprendi a ouvi-la e senti-la em meu coração que posso saber disso, porque eu olho pra trás e vejo quantas vezes Deus tentou falar comigo, mas eu não sabia ouvi-lo.
Nos meses seguintes minha vida mudou completamente, terminei o namoro e me mudei de país. Eu não estava feliz com a minha vida e nada me preenchia. Na verdade, a única coisa que me fazia feliz era a corrida. Acho que porque enquanto estava correndo, poderia ser eu mesma e não precisava me preocupar com nada. Era tudo tão simples e natural…
Mudança de vida
Fui para Dublin porque eu precisava muito melhorar meu inglês que não avançava no Brasil. Mas fui também em busca de algo que eu não sabia, queria uma mudança em minha vida.
Chegando lá, como sempre faço em todos os lugares para onde me mudo, busquei Deus na referência de religião que tinha. Mas lá não era como aqui no Brasil, não me completava. Eu não encontrava as respostas que queria lá. Mas onde mais procurar? Eu não sabia. E por não saber continuei frequentando o lugar onde eu conseguiria estudar as formas de me encontrar com Deus. Eu sabia que continuando lá o caminho seria mais longo… Mas eu não tinha encontrado outra escolha, sozinha seria ainda mais difícil.
Foi quando, andando no centro de Dublin um dia à tarde eu me deparei com um desses sinais que tanto ignorei na minha vida. Era um cartaz que dizia: “Curso de meditação gratuito – acesse o site e veja todas as informações”. Na mesma hora eu tirei uma foto e guardei. Ali estava a resposta que eu tanto buscava: a meditação. Como pude não lembrar dela antes?
Abri o site e me deparei com Sri Chinmoy sorrindo pra mim. Era como se ele dissesse: “seja bem-vinda, minha filha. Eu aceito você como minha aluna. Não precisa mais procurar outro caminho para encontrar Deus.”
Foi tudo tão mágico e me arrepio cada vez que lembro. Cheguei na loja de música, bem no Centro de Dublin, onde aconteceriam as aulas. Era como se eu estivesse chegando em casa. Não conhecia ninguém ali, mas eu falava pra eles: eu já fiz o curso, conheço vocês, sei quem é Sri Chinmoy. Eu fiz quatro aulas em São Paulo e já me sentia da família. Quando pisei ali na loja eu já sabia que era aquele caminho que eu ia seguir. Dessa vez eu não ia fugir.
É engraçado que para minha surpresa, acho que para eu ter certeza da escolha que estava fazendo para minha vida, aquele ex namorado que deixei lá atrás no Brasil foi também para a Irlanda. Eu senti naquele momento que era realmente uma escolha importante que deveria fazer para minha vida: ou eu seguiria o caminho “imposto” pela sociedade, o caminho que diz para gente se formar em uma boa faculdade, ter um bom emprego, casar e ter filhos; ou então seguiria o caminho espiritual, o caminho do coração, da alegria interior, da luz e de Deus. Como eu já tinha aprendido a sentir e a ouvir aquela voz que falava comigo várias vezes, escolhi o caminho do meu coração. Foi então que nasci de novo, para uma “nova” vida.
E com um aforismo de Sri Chinmoy concluo:
“Tenho tanto orgulho da minha mente.
Por quê?
Porque ela começou a apreciar pequenas coisas:
– um pensamento simples;
– um coração puro.
– uma vida humilde.”
Pergunta: Quando medito com o meu coração na sua foto, tenho tido dor de cabeça.
Sri Chinmoy: Você está forçando além da sua capacidade. Você sente que está meditando no seu coração, mas está sendo enganado. Você está na verdade meditando na sua mente, sem ser capaz de sentir a presença da sua mente. Se realmente meditar no coração, você terá o sentimento de identificação. Então, não importando o quão intensamente você medite, não haverá esse problema.
Por gentilea seja mais consciente. Então será capaz de descobrir que está meditando na mente. Se meditar no coração, não importa quantas horas medite ou quanta Paz, Luz e Deleite receba em seu coração, não terá dores de cabeça.
Estamos verificando as normas e decretos governamentais e, se tudo estiver de acordo, pretendemos fazer um curso presencial de meditação em São Paulo em agosto. Para ficar sabendo, acesse a página de contato.
Simplicidade
A simplicidade é a grandeza na bondade.
Uma vida simples tem muito poucos problemas a enfrentar.
Porque é simples, você encorpora a poderosa Esperança de Deus em si.
A simpicidade é uma descoberta muito gloriosa.
A simplicidade é o nascimento frutífero da paz.
A simplicidade é o amigo-beleza de Deus.
A simplicidade alcança os vastos recônditos do mundo. Sri Chinmoy, Silver thought-waves, part 2, Agni Press, 1992
Acontece comigo de muitas vezes ter coisas maravilhosas para fazer, mas minha mente me diz: “Ah, encontrei algo melhor ainda para fazermos.” Aí eu caio na cilada, e acabo deixando de fazer a contento o que já sabia que deveria ter feito com exclusividade.
Por vezes fico fantasiando sobre um dia perfeito que poderia passar lendo ou cantando ou meditando. Mas sempre que surge uma brecha de tempo, eu encontro algo diverso para fazer, incluindo escrever este texto. Coisas boas, muitas vezes, mas sempre postergo o plano de me dedicar ao meu eu interior de uma maneira que sinto necessária às vezes.
A solução do problema é simples: ouvir mais o coração, e não a mente. O coração sempre nos traz a sensação de satisfação, de paz, de contentamento, de simplicidade. Com essa sensação, fica muito mais fácil fazer o que o poema diz, “encorporar a poderosa Esperança de Deus em si.”
Seria como se dedicar a uma meta; não ficar para cá e para lá, mas ter uma noção de onde pode chegar e, principalmente, no que pode se tornar neste dia, neste ano, nesta vida.
Uma resposta para ficar mais no coração é a meditação.
“As pessoas dizem que é bom fazer promessas – apenas assim suas capacidades interiores virão à tona. Mas eu gostaria de lhe dizer que apenas uma promessa é boa: a sua promessa de que conquistará a ignorância e realizará Deus nesta vida. Apenas essa promessa vale a pena fazer – todas as outras são perigosas e destrutivas.”
Trecho de uma história no livro Sri Chinmoy, Great Indian meals: divinely delicious and supremely nourishing, part 2, Agni Press, 1979
Antes das promessas: meditação e autodescoberta
Com sua vida espiritual, sua prática de meditação, ação desapegada e devoção, todas as coisas passam a ter um novo sentido. Algo sublime passa a ser vazio e vice-versa. Seus planos de vida tornam-se pífios e você percebe um mundo todo à sua disposição, o qual você também se dispõe a amar e a servir. Um mundo que estava bem debaixo do seu nariz, mas que nunca imaginou que existia. Esse mundo não é um conto de fadas, nem um mosteiro ou uma caverna. Esse mundo é a sobreposição da vida divina sobre a vida cotidiana. É o mundo com seu significado e propósito completos, aguardando seus passos firmes para sua manifestação e completude finais.
Hoje estava lendo uma conversa de Sri Aurobindo com seus discípulos. Na história foi mencionado que nossos conceitos sobre justiça e realidade podem limitar a ação da Graça superior. Foi o que me inspirou a escrever, baseado nas minhas experiências e nos ensinamentos de Sri Chinmoy.
Promessas-problema
Na minha vida, lembro só de duas promessas que fiz. E quebrei todas elas. Uma delas foi que nunca iria deixar de comer carne e outra que nunca me separaria da minha noiva. Hoje sou vegetariano e solteiro.
No Mahabharata, que é como uma bíblia do hinduísmo, há inúmeras histórias sobre os personagens realizando promessas. A veia comum nessas histórias é que todos os personagens se dão muito mal por terem feito promessas. Notoriamente, diversos exércitos lutaram contra o lado do bem na Batalha de Kurukshetra por conta de promessas anteriores.
Arjuna, no 13º dia da Batalha, ao ver o seu filho morto em uma emboscada, fez o juramento que se não vingasse a sua morte até o por do sol seguinte, ele entraria vivo numa fogueira de cremação.
Mas Arjuna era o bastião do seu exército, o exército que Sri Krishna, a personificação do Divino e da Verdade na Terra, havia colocado contra as forças demoníacas que utilizavam o exército oponente. Que audácia teve Arjuna de arriscar a batalha e a humanidade toda para satisfazer seu orgulho ferido e sua emoção! Krishna, ao ficar sabendo da promessa de Arjuna, ficou profundamente insatisfeito. Ele teve que ajudar Arjuna a cumprir sua promessa, despendendo recursos, tempo e risco desnecessários para satisfazer a promessa egoísta de um guerreiro entristecido. Krishna admoestou todos os guerreiros a não fazerem promessas novamente.
Minha história é uma história de formiga (ou menos) comparada com a de Arjuna no Mahabharata, mas o princípio pode ser parecido. Por um impulso, ou por causa de uma ideia fixa que absorvi da sociedade (comer carne e noivar), fiz promessas que pareciam fazer todo o sentido naquele momento. Mas, depois de começar a meditar e (assim como na história de Arjuna e Krishna) com o toque da Graça do meu Mestre, Graça que de início eu não percebia, mas que hoje é a única coisa clara na minha vida, reparei que essas coisas que prometi eram todas contraprodutivas.
O melhor que tive a fazer foi quebrar as promessas, engolindo o orgulho e suportando todas as críticas exteriores dos amigos, família, etc. Então, renovado, pude continuar a minha jornada.
Mencionei o Mahabharata, mas o Cristo no Novo Testamento também incita seus alunos e discípulos a se aterem à tarefa em questão e não causarem problemas ao futuro com promessas:
Não jureis de forma alguma; nem pelos céus, que são o trono de Deus; nem pela terra, por ser o estrado onde repousam seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. E não jures por tua cabeça, pois não tens o poder de tornar um fio de cabelo branco ou preto. Seja, porém, o teu sim, sim! E o teu não, não! O que passar disso vem do Maligno.
Mas é claro que nem tudo na vida é preto e branco. Sri Chinmoy também nos ensina na história que abre o capítulo do livro mencionado no início deste texto:
“Mas eu gostaria de lhe dizer que apenas uma promessa é boa: a sua promessa de que conquistará a ignorância e realizará Deus nesta vida.”
Sri Chinmoy costumava nos inspirar a fazer pequenas promessas, principalmente por ocasião do ano novo, sempre muito direcionadas e, se não conseguíssemos cumpri-las, seguiríamos em frente sem olhar para trás. Ou seja, não é tanto uma promessa, mas sim um plano inspirador.
Por exemplo: meditarei uma vez mais ao dia durante o mês de janeiro (não precisa marcar algo fixo); farei exercícios físicos durante todo o mês de fevereiro (contanto que seja exercício, está bom); lerei os livros do meu Mestre todos os dias sem falta durante o mês de março (não importa qual livro dele).
São todas promessas muito razoáveis e que podem ser realizadas sem causar problema algum na sua vida, mesmo se não estiver com aquele livro que estava lendo; se não estiver com o seu tênis de corrida; se estiver numa reunião importante na hora da meditação. Sempre tem uma forma razoável de cumprir essas promessas. Elas servem para lembrar você de coisas que são importantes e não devem ser negligenciadas. Não são paradigmas forçados e autoinventados ou absorvidos da cultura local, como a minha ideia de que nunca deixaria de comer carne ou que deveria ficar com uma pessoa por toda a vida.
Queria escrever isto para ninguém ficar patinando na vida como eu fiz! Ou, pelo menos, patinar um pouquinho menos, por menos tempo!
A meditação simplifica a nossa vida exterior e energiza a nossa vida interior. A meditação nos proporciona uma vida natural e espontânea, uma vida que se torna tão natural e espontânea que não podemos respirar sem estarmos conscientes da nossa própria divindade. Sri Chinmoy, o que é meditar
Alguns anos atrás uma escritora do Vida Simples participou do nosso curso de meditação e escreveu uma matéria para a revista impressa. Uma amiga minha que também é jornalista reencontrou essa matéria e, pensando no nome “Vida Simples”, me veio o pensamento de que eu poderia retribuir, escrevendo agora eu sobre a como aprender a meditação e abordando o seu aspecto de “simples e natural”.
Meditação é muita coisa para muita gente. Para mim, meditação não é técnica. Meditação não se aprende lendo, e eu não posso ensinar para ninguém. Meditação é um anseio interior, que Sri Chinmoy costuma chamar de aspiração. Quando você dá um espaço para a sua meditação acontecer, para a sua aspiração mergulhar (é uma boa figura de linguagem), aí é que você entende o que é meditar. Mesmo uma meditação de um minuto, contanto que seja genuína, faz você levantar do lugar onde estava sentado uma pessoa completamente diferente do que a pessoa que se sentou lá.
Quando essa aspiração começa a se manifestar com frequência na vida de uma pessoa, ela se torna uma buscadora – buscadora da Verdade, da Luz, da Perfeição.
Agora pensemos. Verdade, Luz, Perfeição escritas assim, com inicial maiúscula… são coisas fáceis de se obter? Um diploma universitário, amigos, bens, são coisas bem simples de se obter. Basta dedicar alguns anos da sua vida. Mas, e o que você faz com isso? Isso lhe traz mais para perto da Verdade, Luz e Perfeição – ou para longe?
É por isso que a frase de Sri Chinmoy que abre o artigo é tão genial: “A meditação simplifica a nossa vida exterior e energiza a nossa vida interior. A meditação nos proporciona uma vida natural e espontânea, uma vida que se torna tão natural e espontânea que não podemos respirar sem estarmos conscientes da nossa própria divindade.”
Se você quer alcançar uma meta elevada, precisa de foco e dedicação. Precisa também de tempo e energia. Uma vida simples pode proporcionar isso a você. Mas como saber o que é importante e deve ser valorizado e o que é um estorvo e deve ser transformado? Cada um pode dizer diferentes coisas, mas quem está certo?
O silêncio do seu coração vai lhe mostrar. De repente, coisas que não queria fazer começam a parecer interessantes. Coisas que gostava de fazer repentinamente passam a parecer tão vazias, sem sentido. Seus amigos mudam, sua casa muda, suas roupas mudam, tudo muda. Como meditar? Você vai aprender também! A técnica que funciona melhor, o melhor professor, tudo vai aparecendo uma hora ou outra.
Uma vez que você começa a praticar a meditação (ou outra prática espiritual) com sinceridade e aspiração, a sua alma vem mais à tona, e o seu “eu” buscador começa a mostrar para você o que vale a pena e o que não vale. O que leva você adiante e o que não leva. O que tem futuro e o que não tem futuro. Isso faz com que tenha a oportunidade de deixar que somente as coisas importantes fiquem na sua vida. O seu papel é ouvir o seu coração. O resultado é a Verdade, a Luz, a Perfeição.
O texto que abre o artigo termina assim:
“A meditação é um dom divino. Ela é a abordagem direta que leva o aspirante ao Uno de quem ele é descendente. A meditação diz ao aspirante que a sua vida humana é uma coisa secreta e sagrada, e ela afirma a sua herança divina. A meditação lhe proporciona um novo olho para enxergar Deus, um novo ouvido para ouvir a Voz de Deus e um novo coração para sentir a Presença de Deus.” Sri Chinmoy, Meditation: man’s choice and God’s Voice, part 1, Agni Press, 1974
Hoje sigo com mais uma pequena história do meu cotidiano.
Passei o dia no nosso centro de meditação fazendo reparos, podando e jardinando, planejando melhorias, acompanhado de um dos meus colegas.
Ao fim da tarde, apesar de eu não ter feito várias coisas que gosto de fazer principalmente nos domingos, eu estava me sentindo muito bem, simplesmente feliz, feliz sem motivo, feliz de estar satisfeito.
Uma parte disso se deve, acredito, por ter feito trabalho simples, manual, longe do computador e telefone (só fui ver meu telefone no fim da tarde, porque me avisaram que alguém queria falar comigo, mas estava tudo resolvido quando liguei).
Quando fui almoçar, pelas 14h, passei na frente da foto de Sri Chinmoy. É a foto que uso para meditar todos os dias. Naquele momento, essa foto parecia tão viva, como se estivesse dentro de mim, ou como estivesse compondo os meus arredores, as coisas que existiam no meu dia.
Eu não estava me sentindo particularmente elevado, mas, quando penso bem, estava servindo, estava fazendo algo com um significado interior, estava ocupado com algo luminoso, estava sempre em silêncio ou falando coisas boas.
Tive a sensação de que fiz muito progresso nesse dia. De que melhorei muitas coisas. A única coisa que fiz foi cortar galhos, limpeza, com uma companhia espiritual, num ambiente espiritual. Mas tive o resultado de como se tivesse uma meditação profunda, que é algo que acontece apenas raramente durante o meu horário de meditação propriamente.
Recentemente, por estar mais tempo trabalhando a partir de casa, estive pensando em usar melhor o meu tempo. Por não gastar tempo com o transporte, o meu dia ficou mais longo. No entanto, percebi que não estava me dedicando mais à meditação, ao canto e aos esportes. Acabei simplesmente desperdiçando o tempo extra que ganhei. E senti que é um desperdício como o de desperdiçar comida, dinheiro, etc, mas pior. Cedo ou tarde, todos teremos de chegar à iluminação, e é por isso que estamos vivos. E eu aqui, desperdiçando tempo que, por um milagre, ganhei para uso no meu dia.
Isso foi crescendo, e um dia, após uma meditação, eu senti aquele “agora chega”. Fiz uma lista de prioridades, coisas que devo fazer. Algumas delas: meditar um pouco mais de manhã cedo; meditar por alguns minutos de hora em hora durante o dia (coloquei um despertador); fiz um plano para aprender novas canções durante o dia, etc. No dia seguinte, eu teria um dia diferente.
Ao sair para correr, troquei a página do meu calendário, e lá estava a mensagem de Sri Chinmoy:
Agora é a hora
Para fazer um bom uso do tempo.
Hoje é o dia
Para começar um perfeito dia.
-Sri Chinmoy
E o sentimento que tive, ao ver o aforismo assim, tão claro, exatamente o que eu estava pensando, foi que Sri Chinmoy, meu Mestre espiritual, em si estava me inspirando a melhorar, a usar melhor meu tempo, e me ensinando o que realmente importa na vida.
E, ainda mais, com o gracioso toque de colocar o aforismo para mim, para fortalecer a minha promessa, para me dar inspiração, alegria e gratidão.
Muito tem se falado ultimamente sobre meditação como algo terapêutico, para ajudar a aliviar o stress ou a ansiedade. Contudo, a meditação é uma poderosa ferramenta para o autoconhecimento e autotranscendência, de acordo com os ensinamentos do professor de meditação Sri Chinmoy que continuam sendo difundidos por seus alunos por meio de cursos de meditação gratuitos no mundo todo, e também em São Paulo.
“Com sua boa vontade e determinação você pode usar esse instrumento para descobrir o que existe de real dentro de você e fazer da sua vida algo mais pleno, indo além do vazio, frustração, dúvida ou qualquer imperfeição que considere um obstáculo. Todavia, para isso é preciso praticar com disciplina e sinceridade, como um atleta divino. Uma vez que isso faça parte da sua vida, naturalmente vem um sentimento de satisfação, de a vida valer a pena, de tudo fazer sentido e ter um propósito, de se sentir verdadeiramente feliz mesmo sem ter acontecido nada de bom”, define.
De acordo com o que Sri Chinmoy deixou de ensinamento, a meditação não significa apenas sentar quietamente em silêncio por cinco ou dez minutos. “A meditação requer esforço consciente. A mente tem que ser posta calma e quieta. E, ao mesmo tempo, tem que ser vigilante, para não permitir que qualquer pensamento ou distração ou desejo perturbador, entre”, explica Sri Chinmoy.
É a partir desse ponto, quando amente se torna calma e quieta, é que é possível sentir que uma nova criação está se despertando dentro de si. “Quando a mente está vazia e tranqüila, e nossa existência inteira torna-se um recipiente vazio, Deus a preencherá com paz, luz e bem-aventurança.”
Nos cursos de meditação gratuitos em São Paulo, muitas pessoas procuram a meditação porque sentem que precisam de algo a mais na vida, uma felicidade maior, mas ainda não sabem o que é. Por meio da meditação no coração, como a ensinada nos cursos, é possível encontrar as respostas.
“Sri Chinmoy ensinou para nós que a meditação faz com que nos tornemos inseparavelmente um com o mundo inteiro. Quando queremos alcançar paz, luz e felicidade ilimitadas, a meditação é a resposta. O mundo precisa de uma coisa – paz – e a meditação é a resposta”,diz Patanga.
Exercício de meditação no coração para fazer em casa
O Centro de Meditação Sri Chinmoy em São Paulo costuma oferecer cursos mensalmente, porém, Patanga Cordeiro compartilhou conosco um dos exercícios ensinados por Sri Chinmoy que é possível fazer em casa:
A vastidão do céu
“Mantenha os olhos semi-abertos e imagine o vasto céu. No começo, tente sentir que o céu está diante de você. Mais tarde, tente sentir que você é tão vasto quanto o céu, ou que é a própria vastidão celeste.
Depois de alguns minutos, feche os olhos e tente ver e sentir o céu dentro do seu coração. Por favor, sinta que você é o coração universal, e que dentro de si mesmo está o céu em que meditou e com o qual se identificou. Seu coração espiritual é infinitamente mais amplo do que o céu. Portanto, você pode facilmente abrigar o firmamento dentro de si mesmo.”
Fizemos duas compilações de faixas de áudio para você fazer a sua meditação. Você pode fazer download delas para organizar uma playlist para meditação, bem como gravar elas num CD.
A primeira dura 19 minutos, começando com 5 minutos de respiração e concentração, 13 minutos de meditação e 1 minuto de gratidão. Depois disso, você pode ler por 15 minutos.
A segunda dura 40 minutos, começando com 10 minutos de respiração e concentração, 30 minutos de meditação, 1 minuto de gratidão. Você completa a série com 20-30 minutos de leitura.
Coloque para tocar e sente-se no seu lugar de meditação. Siga os quatro passos sugeridos a seguir.
1) Respiração e concentração (5 a 10 minutos)
Durante a duração da primeira parte, faça o seguinte exercício de respiração, ensinado por Sri Chinmoy no livro Meditação: Perfeição-Homem na Saitsfação-Deus. Enquanto Sri Chinmoy entoa AUM no áudio, você inspira e expira uma vez. Depois de umas 3 a 5 repetições, você inspira durante um AUM e expira durante o próximo AUM. O espaço de tempo entre cada AUM você usa para prender a respiração. Segue o exercício conforme ensinado pelo Mestre:
“Enquanto inspirar, em cada respiração tente repetir [mentalmente] ‘Supreme’ sete vezes lentamente, e mais sete vezes enquanto expirar. Dentro de você há sete mundos superiores e sete mundos inferiores. Quando repetir ‘Supreme’ ao inspirar, sinta que está acessando os sete mundos superiores dentro de você. Uma vez alcançados os sete mundos superiores, sentirá um sólido poder. Quando expirar, pense nos sete mundos inferiores dentro de você e tente jogar a força dos mundos superiores dentro dos mundos inferiores. Acumule tudo nos mundos superiores e então, enquanto diz ‘Supreme’, ‘Supreme’, ‘Supreme’ ao expirar, entre nos mundos inferiores com paz, luz e bem-aventurança, para purificá-los.”
*Supreme = Supremo em inglês, um nome de Deus. Você também pode usar Aum ou Senhor ou Deus.
2) Meditação (13 a 30 minutos)
O seguinte exercício é a parte principal da rotina, durante a música de flauta ou esraj. Meditação é identificação. Você tentará se tornar um com o céu. A sua mente diz que vocês são coisas separadas – por isso não vamos meditar na mente. O seu coração é o instrumento correto para se identificar com algo. Identificação é o sentimento de você ser a própria coisa com que se identificou. Você sentirá que é o céu, o vasto e ilimitado céu.
“Mantenha os olhos semiabertos e imagine o vasto céu. No começo, tente sentir que o céu está diante de você. Mais tarde, tente sentir que você é tão vasto quanto o céu ou que é o próprio vasto céu. Depois de alguns minutos, feche os olhos e tente ver e sentir o céu dentro do seu coração. Sinta que você é o coração universal, e que dentro de si mesmo está o céu no qual meditou e com o qual se identificou. O seu coração espiritual é infinitamente mais vasto do que o céu. Portanto, você pode facilmente abrigar o firmamento dentro de si.” – Sri Chinmoy, do livro Meditação
Há diversos outros exercícios que podemos recomendar depois que fizer esse por algumas semanas.
3) Finalizando o exercício e começando o seu dia: gratidão (1 minuto)
Após o exercício de meditação há a terceira faixa, de um só minuto com um xilofone. Ela é um lembrete para você oferecer gratidão. Gratidão por ter essa vida, gratidão por estar buscando algo maior, gratidão por ter tido uma boa ou má meditação (agora não importa mais como foi – é só agradecer), gratidão por tudo. A gratidão é capaz de transformar a sua vida. Segue um texto para inspiração:
“Pergunta: Como posso melhorar a minha meditação matinal?
Pergunta: A cada manhã, você precisa oferecer a sua gratidão a Deus, por ter despertado a sua consciência enquanto os outros ainda estão dormindo e por todas as bênçãos infinitas Dele para você. Se oferecer só um pouquinho da sua gratidão, você sentirá a Compaixão de Deus. Sentindo a Sua Compaixão, tente oferecer a si mesmo. Diga: “Tentarei agradá-Lo apenas à Sua maneira. Até agora pedi que Você me satisfizesse à minha maneira, dando-me isto ou aquilo para me fazer feliz. Mas hoje estou pedindo a capacidade de agradá-Lo à Sua própria maneira”. Se puder afirmar isso com sinceridade, automaticamente a sua meditação matinal será melhor. “
4) Leitura (15 a 30+ minutos)
Se tiver tempo (ou se puder acordar mais cedo para dar tempo), depois da sua meditação leia um livro escrito por um Mestre realizado ou, pelo menos, um buscador muito, muito avançado. Sugerimos 30 minutos como ideal, mas 15 ou 20 minutos já é muito bom. Assim não só o seu coração, que pode praticar a meditação, mas também a sua mente, através da leitura, podem receber uma luz mais elevada. Se quiser, aproveite a música para marcar o tempo também.
5) Esportes (20 a 30+ minutos)
Para ter um início de dia perfeito, pratique 20-30 minutos de exercício físico (corrida, natação, etc) para trazer luz interior e dinamismo e pureza exteriores para o seu corpo também. Não é só o coração e a mente que necessitam de nutrição espiritual – o corpo também precisa!
A Casa Madal delivery e restaurante vegano Endereço: Rua Paula Ney, 667 – Vila Mariana – São Paulo/SP
Encomendas e cardápio (WhatsApp): (11) 97405-1739
Horário de funcionamento temporário: quarta a domingo de 12h às 16h (flexível para encomendas)
Instagram: @casamadal
Espaço Colaborativo “A Casa Madal”, criado em homenagem ao líder espiritual Sri Chinmoy, é inaugurado com bistrô vegano na Vila Mariana
A Casa Madal é um espaço criado em homenagem ao líder espiritual Sri Chinmoy por seus alunos de meditação. O espaço foi idealizado para receber aquelas pessoas que buscam uma pausa no dia a dia corrido, servindo comida vegana com delivery gratuito na Vila Mariana e também recebendo encomendas.
A proposta é de slow food e serve comida vegana, de quinta a domingo, com pratos do dia. Quinta-feira é servido o Macarrão de Arroz à Bolonhesa de Lentilha, sexta-feira é dia de Moqueca de Frutos do Mato, sábado é Feijoada Veg e domingo é servido Curry de Grão de Bico com Espinafre.
Como opção ao prato do dia tem o burguer vegano caseiro. Além disso, também são servidos doces veganos, como bolo pão de melado, brownie e torta de limão; e salgados como tortas e quiches. Tudo feito com boas energias e muito cuidado.
Quando voltar ao normal, o espaço também conta com uma lojinha de produtos naturais, veganos e sustentáveis. Outra proposta d’A Casa Madal é oferecer aulas gratuitas de meditação.
A Casa Madal delivery e restaurante vegano Endereço: Rua Paula Ney, 667 – Vila Mariana – São Paulo/SP
Encomendas e cardápio (WhatsApp): (11) 97405-1739
Horário de funcionamento temporário: Quinta a domingo de 12h às 16h (flexível para encomendas)
Instagram: @casamadal
Fizemos um guia simples para quem quer começar a meditar em casa agora mesmo, mas a época é de quarentena por conta da pandemia do corona vírus de 2020.
Para saber mais ou participar do curso gratuito da capital e zona metropolitana de SP, acesse a página de inscrições. Manteremos o seu número guardado e informaremos quando pudermos marcar o curso.
Conceda-me a capacidade de ser grato por tudo que tenho, mesmo pelas minhas abundantes fraquezas, pois elas me ajudam a pensar na Sua Compaixão ilimitada.
Quando eu oro e medito,
Descubro dentro do meu coração
Uma dádiva única:
A gratidão,
Que posso oferecer amorosamente
E com dedicação
Ao meu Senhor Supremo.
Pergunta: Quais são as vantagens de entregar-se ao Mestre pessoal quando comparada com entregar-se ao Impessoal, ao próprio Espírito?
Sri Chinmoy: Para ser bem franco, existe somente um Mestre verdadeiro, tanto no Céu quanto na Terra, que é Deus. As pessoas me chamam de Mestre espiritual, mas eu gostaria de dizer que não sou um Mestre. O que sou é apenas um irmão mais velho para uma pequena família espiritual. Porque eu orei e meditei, ou porque o Supremo, em Sua Generosidade infinita, me deu um pouco mais de Luz que aos outros membros da minha família espiritual, eu tento auxiliá-los a alcançar a Meta altíssima.
Se um discípulo ver ou sentir Luz, luz Abundante no seu Mestre, poderá considerá-la uma parte de si mesmo através da sua unicidade com o Mestre. Então o discípulo deve sentir que essa Luz é algo que ele mesmo possui e que o Mestre a está apenas trazendo à tona. Ela era sua própria posse, seu tesouro; mas o aluno a perdeu, e aquilo ficou coberto pela ignorância. Agora o Mestre, com sua ilimitada Luz e carinho, entrou na ignorância do discípulo e acalentou lá a chama da aspiração, trazendo Luz para todo o seu ser.
O Mestre, tanto em seu aspecto pessoal quanto impessoal, é uma realidade. Funciona assim. Quando um discípulo vem até o Mestre humano, ele enxerga Paz, Luz e Deleite de acordo com a sua própria capacidade ou receptividade. Quanto mais alto e mais ao fundo for, mais sentirá que a Paz, Luz e Deleite que deseja podem ser obtidas do Mestre. Ele sente que seu Mestre é um canal direto do Altíssimo; seu Mestre representa, para ele, Deus na Terra.
Quando ficamos diante do mar, este parece muito vasto. A vastidão e extensão completas do mar estão além da nossa capacidade de compreensão. Então tocamos só um pequeno volume de água com nossas mãos ou pés. Assim que a tocamos, a consciência da água entra em nós. Sentimos então a capacidade e qualidade do mar ilimitado. De forma similar, quando o discípulo fica diante do seu próprio Mestre e enxerga ou sente a Luz do Mestre, isso representa a Verdade altíssima para ele. Quando um buscador enxerga seu Mestre como infinito, perfeito, ele consegue fazer o progresso mais rápido, pois possui um ideal diante de si. A Luz que enxerga no Mestre lhe traz um vislumbre do Altíssimo, do Infinito. A separação entre o Mestre pessoal e o Mestre impessoal, entre a personalidade e a impessoalidade, desaparece. Ele não enxerga o Mestre como um ser humano com um corpo humano. O buscador não vê o físico do Mestre como tal. O que ele enxerga vai muito, muito além da forma pessoal do Mestre – é algo que não pode ser compreendido pela mente física. Ele vê o Mestre como parte de uma Luz ou Verdade infinitas pelas quais esteve buscando por milênios.
Para cada buscador há apenas um Mestre. Esse Mestre pode ou não estar no físico, mas ele não é o físico em si. Ele é o Espírito transcendental da Infinidade. Um Mestre da mais alta ordem de fato personifica essa Paz, Luz e Deleite. Se dissermos que um ser humano, mesmo que seja um Mestre com milhões e bilhões de discípulos, é Deus, haverá um erro aí. Deus está dentro de nós, em cada indivíduo. Mas o verdadeiro Mestre, o Mestre de fato altíssimo e mais perfeito, está na Terra e no Céu. Ele não é a forma física, mas está presente no físico.
Se o aluno possui fé no Mestre, fé implícita, naturalmente ele faz o progresso mais rápido. Se chamamos essa pessoa de Mestre ou não é algo secundário, mas devemos ter fé nele. Na vida espiritual, a fé é de importância primordial. E ainda chegará a hora em que precisaremos reconhecer que ter fé no Mestre apenas não será suficiente para o que buscamos. Temos de ter fé em nós mesmos também. Se não tivermos fé em nós mesmos juntamente com a fé no Mestre, não poderemos ir longe. Contudo, se tivermos fé em nós mesmos, poderemos dizer que somos filhos escolhidos de Deus e que a Paz, Luz e Deleite infinitos são direitos de nascença. Se formos capazes de dizer isso, o fim da nossa jornada não será uma meta distante.
Pergunta: Como reconhecemos um Mestre verdadeiro vivo?
Sri Chinmoy: O buscador pode reconhecer um Mestre verdadeiro vivo se o seu ser interior e exterior ficarem inundados de deleite e êxtase quando se aproximar do Mestre. Ao ver um Mestre espiritual, mesmo que não seja o seu Mestre, alegria interior que sentirá lhe dirá se ele é real. Mas você também poderia estar diante de um Mestre verdadeiro e não sentir nada, pois você está numa consciência baixa. Contudo, se o seu coração estiver ansiando por um Mestre verdadeiro, você estará destinado a sentir algo quando ficar diante de um. E, se encontrar o seu próprio Mestre, encontrará tudo de que precisa para esta vida.